OUTROS OLHARES

CHOCOLATE AMARGO FAZ REALMENTE BEM PARA A SAÚDE?

Estudos sugerem que o cacau pode trazer benefícios, mas não está claro como isso

O chocolate tem uma longa e ilustre reputação. Feito a partir do cacau, que é derivado dos grãos do cacaueiro (cujo nome científico se traduz em “comida dos deuses”), ele foi utilizado por algumas das primeiras culturas mesoamericanas como alimento, remédio, oferenda ritual e talvez até com função de moeda.

O sabor certamente protagoniza a popularidade do chocolate, mas você também deve ter ouvido falar que esse deleite delicioso é bom para sua saúde. Como esse senso comum é explicado pela ciência?

“O cacau é claramente bom para você. Se o chocolate é bom para você ou não depende de quanto cacau está presente e o que mais está nele”, esclarece Dariush Mozaffarian, cardiologista e professor de nutrição da Tufts Friedman Escola de Ciência da Nutrição e Política.

Acredita-se que o cacau contenha cerca de 380 compostos químicos diferentes, dentre eles uma grande classe de flavanóis, que atraem um interesse significativo de pesquisa por seus potenciais benefícios à saúde. Mas está menos claro sobre quantos flavonoides e outros fitonutrientes você precisa para melhorar a saúde, ou se sua barra de chocolate contém o suficiente para fazê-lo. E os especialistas têm opiniões divergentes sobre isso.

“Os grãos de cacau são repletos de fibras e “cargas de fitonutrientes”,” afirma Mozaffarian.

O chocolate ao leite normalmente contém cerca de 20% de cacau, explica o especialista, embora o teor de cacau possa variar. A FDA (agência reguladora americana) exige que esse tipo de produto contenha pelo menos 10% de cacau, mas algumas barras chegam a ter 50% ou mais. O cardiologista também sugere a verificação dos rótulos com cuidado. Para possíveis benefícios à saúde, ele recomendou a escolha de chocolate com pelo menos 70% de cacau.

PESQUISAS

Muitos pequenos estudos descobriram que o chocolate amargo, suplementos ou bebidas de cacau podem reduzir modestamente a pressão arterial, melhorar o colesterol e a saúde dos vasos sanguíneos em adultos.

“E alguns estudos de longo prazo descobriram que aqueles que comem mais cacau podem ter um risco menor de certas doenças cardiovasculares”, destaca.

Em uma revisão publicada em fevereiro na revista científica JAMA Network Open, Mozaffarian e seus colegas examinaram como certos alimentos e nutrientes estavam associados a problemas de saúde do coração. Eles encontraram “evidências prováveis ou convincentes” de que comer chocolate estava associado a um risco reduzido de doenças cardiovasculares, estimando que uma ingestão média diária de apenas 10 gramas (dois quadradinhos de uma barra) estava associada a uma redução de 6% no risco.

“Mas esses tipos de estimativas são baseados em estudos observacionais, que têm limitações importantes”, destaca Joann Manson, chefe de medicina preventiva do Hospital de Mulheres Brigham, em Boston.

Segundo a médica, esses estudos só podem identificar correlações entre comer chocolate e saúde; eles não podem provar que o chocolate traz benefícios — os chocólatras podem ser diferentes em outros aspectos que afetam sua saúde.

Resultados de estudos também foram inconsistentes. Alguns não encontraram nenhum benefício, e outros descobriram que aqueles que comem chocolate habitualmente ou com mais frequência são mais propensos a ganhar peso, apontou ela. Esses estudos também não costumam levar em conta os diferentes tipos de chocolate, que podem variar em seu teor de cacau. E a contagem de açúcar, gordura e calorias pode anular quaisquer benefícios.

CÁPSULAS DE CACAU

Para resolver algumas dessas deficiências, Manson e seus colegas conduziram um grande estudo randomizado com mais de 21 mil idosos nos Estados Unidos. Metade dos participantes recebeu um suplemento de extrato de cacau contendo 500 miligramas de flavonoides, e a outra metade recebeu um placebo. Os resultados do estudo, chamado de ensaio COSMOS, foram publicados no Jornal Americano de Nutrição Clínica. Depois de acompanhar os participantes por 3,6 anos, os pesquisadores descobriram que, enquanto o grupo do suplemento de cacau não era estatisticamente menos propenso a eventos, incluindo ataques cardíacos e derrames, eles tiveram, sim, uma redução de 27% nas mortes cardiovasculares. Manson considera os resultados “sinais promissores para proteção do coração”, no entanto afirma que outros estudos ainda são necessários.

O estudo não deu chocolate aos participantes, mas cápsulas concentradas de extrato de cacau – para obter a mesma quantidade uma pessoa teria que comer cerca de 4 mil calorias de chocolate ao leite ou 600 calorias de chocolate amargo por dia.

“Chocolate é um deleite maravilhoso, mas para tratá-lo como um alimento saudável, acho que há limitações”, concluiu a pesquisadora. Mozaffarian completa:

“Comer uma pequena quantidade de chocolate amargo todos os dias provavelmente é muito bom para nós, e vai fazer você feliz, porque tem um gosto bom.

GESTÃO E CARREIRA

MENTORIA LEVA CAPITAL INTELECTUAL A STARTUPS

Programas de aceleração apostam na orientação de empresas que desejam aliar propósito com o financeiro

Alta da inflação, demissões em massa nas startups e crise global formam um cenário desafiador para empresas que buscam capital financeiro. Quando se fala dos negócios de impacto socioambiental, a complexidade pode aumentar ainda mais, principalmente se não houver uma boa preparação para aliar propósito e sustentabilidade financeira. Nesse sentido, programas de aceleração oferecem outro tipo de investimento tão valioso quanto: o capital intelectual.

As iniciativas oferecem mentoria, promovem conexões, testam soluções de forma segura e possibilitam a captação de investimento. Na mentoria, profissionais mais experientes avaliam e orientam de acordo com a necessidade de cada empreendimento. Olham desde a parte financeira, marketing e comunicação até questões inerentes ao empreendedorismo de impacto, como tese de mudança -, métricas para medir o impacto e como apresentar o potencial do negócio para o mercado e potenciais investidores.

Pesquisas atestam o valor desses projetos. O relatório A aceleração funciona?, lançado no Brasil pela Global Accelerator Learning lnitiative e Aspen Network of Development Entrepreneurs (ANDE), aponta que empresas aceleradas aumentaram as receitas, o  número de funcionários e receberam investimento externo com valores maiores.

“Muitas vezes, o que vai destravar a empresa para outro patamar é o conhecimento e não o  capital”, avalia o presidente e sócio fundador da 7Stars Ventures, Daniel Abbud. “Se não tem capital intelectual para operar a companhia, quanto mais dinheiro receber, mais vai gastar, e é um pecado pôr dinheiro em companhia que não tem maturidade para lidar com esse recurso.”

Ao perceber que precisava de uma base sólida para avançar com o negócio, o presidente da Toti, Caio Rodrigues, buscou esse suporte. A empresa que capacita refugiados e migrantes em tecnologia e os conecta com o mercado de trabalho nasceu de um projeto na faculdade, com prazo para encerrar. “Depois que começou a rodar a primeira turma, vimos que tinha potencial”, diz ele.

Veterano dos programas de aceleração, o empreendedor recebeu apoio em fases distintas da companhia. “Quando a Toti começou a ganhar corpo e sair dos muros da faculdade, sentimos necessidade de mais conhecimento, ampliar rede, ouvir a opinião de mais pessoas para apoiar no desenvolvimento da ideia.”

Em 2020, a Toti foi selecionada para o lnovAtiva de Impacto Socioambiental, uma política pública gratuita voltada à aceleração de startups com propostas de impacto. Naquele momento, já estruturada, a empresa ia ao mercado para vender os serviços. “A gente estava se conectando com parceiros para entender e definir qual seria o melhor serviço. Contamos com o apoio de diferentes pessoas, que falaram o que seria interessante adicionar de benefício aqui ou o que não tinha tanta aderência.”

Rodrigues afirma que, lá na faculdade, a proposta não era ser um negócio de impacto, mas toda a mentoria e conexões possibilitadas pelas acelerações ajudaram a transformar o projeto em empresa.

ACELERAÇÃO DE NICHO

Ter programas de aceleração focados nos negócios de impacto também é uma demanda dos empreendedores desse nicho. “Eles têm uma dor grande de como combinar o propósito do negócio, a transformação social e ambiental, com a parte financeira”, diz Ana Hoffman, coordenadora do lnovAtiva de Impacto Socioambiental. •

EU ACHO …

DAR-SE ALTA

Nada como não ter grandes esperanças para também não ter grandes frustrações. Todos diziam que o novo filme do Woody Allen era fraco e repetitivo, mas sempre acreditei que um fraco Woody Allen ainda é melhor do que muita coisa considerada boa por aí. Então lá fui eu para o cinema conferir Igual a tudo na vida e, não sei se devido à baixa expectativa ou ao meu entusiasmo incondicional pelo cineasta, saí mais do que satisfeita: não considerei o filme fraco coisa nenhuma.

Fraco achei o ator protagonista. Inexpressivo. Quase comprometedor. Fora isso, foi uma delícia ver Woody Allen jogar a toalha, reconhecer que a busca pelo sentido da vida é uma tarefa cansativa e infrutífera e que todo mundo vive as mesmas angústias, do intelectual ao motorista de táxi. Extra, extra! Woody Allen se deu alta!

É verdade que Igual a tudo na vida remete a situações já mostradas em seus outros filmes, mas era esse mesmo o propósito. Woody Allen faz o papel de um escritor veterano que dá dicas para um escritor amador, que não passa dele mesmo, anos antes. Não foi preciso escalar para o papel alguém com semelhanças físicas e os mesmos trejeitos: a angústia existencial do jovem Falk basta para identificá-lo como um Woody Allen Júnior em busca de libertação. E o que é libertação? Fala o veterano: “Quando alguém lhe der um conselho, você diga que é uma excelente ideia, mas depois faça apenas o que quiser”. Tem lógica. Quem é que pode adivinhar o que se passa dentro de nós? Não compensa preservar relações por causa de culpa, ficar imobilizado, temer consequências. Vá lá e faça o que tem que ser feito. Sozinho. Porque é sozinho que estamos todos, afinal.

Ou seja, nada que Woody Allen já não venha há anos discutindo em sua obra, mas agora tudo me pareceu mais leve e menos intelectualizado, até o restaurante que Allen costuma usar como locação mudou, sai o abafado Elaine’s, entra o arejado Isabella’s.

É claro que os filmes da fase neura eram mais ricos, é claro que uma vida de questionamentos tem mais consistência do que uma vida resignada, e é claro que o Elaine’s tem alma, e o Isabella’s não. Mas a passagem dos anos e a proximidade da morte reduzem bastante esse orgulho que temos em ser profundos e diferenciados.

Todos as criaturas do mundo estão no mesmo barco procurando amor, sexo, reconhecimento, segurança, justiça e liberdade. Algumas coisas iremos conquistar, e outras não, e pouco adianta deitar falação, porque seremos para sempre assim: sonhadores, atrapalhados e contraditórios. Jamais teremos controle sobre os acontecimentos. A sutil diferença é que, se em seus filmes anteriores Woody Allen parecia dizer “não há cura”, agora ele parece dizer “não há doença”.

Eis a compreensão da natureza humana, acrescentada por uma visão bem-humorada e madura do que nos foi tocado viver. Leva-se tempo para aprender a não dramatizar demais as situações. Dar-se alta é reconhecer, com alívio, que o que parecia doença era apenas uma ansiedade natural diante do desconhecido. Só quando aceitamos que o desconhecido permanecerá para sempre desconhecido é que a gente relaxa.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

NOVOS HÁBITOS PODEM AJUDAR A LARGAR O CIGARRO

Profissionais explicam que o tratamento varia para cada pessoa, mas algumas práticas são universais e envolvem alimentação, atividades físicas, mudanças de padrões e até um pequeno ‘castigo’ para quem fumar

Parar de fumar não é uma tarefa fácil, principalmente por se tratar de uma dependência química. Qualquer derivado do tabaco possui nicotina – uma droga psicoativa – que ao ser inalada produz alteração no sistema nervoso central, induzindo ao vício. A falta dela é o motivo pelo qual as pessoas costumam fumar. Se a droga permanecer no corpo do indivíduo por mais tempo, a tendência é que a dependência seja menor. Portanto, a velocidade da metabolização da nicotina é um dos fatores para as pessoas se viciarem.

Mesmo sendo uma tarefa árdua, existem diversos estudos e técnicas para parar de fumar. Dois principais modelos são: o abrupto, onde se prepara o paciente e combina uma data para ele parar de fumar, de uma vez só; e o gradual, que consiste na diminuição do número de cigarros gradativamente. Segundo Paulo Corrêa, coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia, o tratamento para o fumante, precisa ser personalizado. É necessário ter uma conversa com o paciente e verificar o funcionamento psicológico e comportamental. Contudo, existem alguns hábitos que são fundamentais para quem busca parar:

PRATIQUE ATIVIDADES FÍSICAS

É recomendado que as pessoas que desejam parar de fumar pratiquem atividades físicas  que gostem. O cigarro é conhecido por diminuir o colesterol bom, o HDL, enquanto os exercícios físicos aumentam.

“A atividade aeróbica ajuda porque ela previne um pouco a nicotina, tira o apetite, aumenta o metabolismo. A pessoa que para de fumar, tende a ganhar algum peso, então a gente estimula a atividade física a aeróbica, que vai tanto liberar os neurotransmissores quanto dar a sensação de prazer. Você  está tirando o prazer artificial e colocando o natural”, explica Corrêa.

FAÇA DIETAS LEVES

Atente-se aos alimentos consumidos. Uma das preocupações de quem deseja parar de fumar é o ganho de peso. É importante entender que é normal o aumento do apetite durante O período pós-cessação, mas não passa de uma sensação temporária. Portanto, é recomendado seguir uma dieta mais leve, evitando carboidratos e gorduras.

“Você vai ter mais apetite. Procuramos estimular hábitos saudáveis. A pessoa está acostumada com hábitos muito ruins (fumar), então a gente tenta povoar os hábitos com coisas mais positivas (atividades físicas, dieta mais leve).

ELIMINE GATILHOS

Os gatilhos são adversários diretos para os indivíduos que querem parar de fumar. Alguns estão ligados à alimentação (o exemplo mais comum é o café); outros ao ambiente, tanto de casa quanto do trabalho. Sendo assim, modifique elementos de casa, principalmente os que dão estímulos para começar a fumar.

“Se você tem um canto da casa em que costumava fumar, chame uma empresa que vai tirar o cheiro ( ruim), jogue a cadeira que você sentava fora. Mude os móveis de lugar para ter outra dinâmica”, diz Corrêa.

BÔNUS: ‘CANTO DO CASTIGO’

Por mais que funcionem, as técnicas citadas não são garantias de eficácia. Por isso, especialistas vivem testando métodos diferentes. É o que relata a professora da Faculdade de Medicina da USP e diretora do programa de tratamento do tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz:

“Eu tenho a minha própria técnica, chamada de “fume de castigo”. O indivíduo precisa se isolar e se deslocar, obrigando-o a se esforçar para fumar. Então se ele quiser beber um café, que beba, sentado e na hora de fumar, que ele tenha que se levantar e ir para o “cantinho do castigo”. Onde ele vai para uma área externa da casa ou área de serviço, fica de pé, parado e olhando a parede. Em um estudo feito, das 75 pessoas que aderiram ao protocolo, houve uma redução de 30 a 50% no consumo”, diz.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SE ORGANIZAR DIREITINHO, TODO MUNDO AMA

Poliamor quebra monopólio da monogamia nas séries de TV, refletindo mudança de comportamento já em curso fora das telas, sobretudo entre os jovens

Triângulos amorosos são fundamentais na geometria das séries de TV. Na primeira versão do hit teen “Gossip Girl”‘, de 2007, o motor da trama era a disputa entre as ricas nova-iorquinas Blair e Serena pelo bonitão Nate. Na nova versão, do ano passado, parecia que a dinâmica se repetiria com os personagens Audrey, Max e Aki. Só que não: quebrando expectativas e paradigmas, o triângulo virou trisal, lance que gerou elogios da crítica e identificação do público.

Romper com paradigmas da monogamia é um recurso cada vez mais comum nas séries, especialmente naquelas voltadas para jovens – além de “Gossip Girl” (HBO Max), variações desta história surgem em produções como “Por que as mulheres matam” (Globo play), “Elite”, ”Wanderhust” (ambas da Netflix) e a nacional “Love3” (Prime Vídeo), lançada este ano. Para especialistas, é reflexo do que já ocorre fora das telas.

“A TV não faz revolução. Normalmente, mostra-se alguma coisa que já tem algum grau de aceitação na sociedade”, pontua Lúcia Loner Coutinho, doutora em Comunicação pela PUC-RS. “Há também uma função didática: apresentar a situação para quem tem menos acesso à informação e, a longo prazo, ajudar no processo de compreensão do outro. Sem contar que a representação é importante.

Para Felipe Braga, criador e diretor da série brasileira “Lov3”, discutir esse tema em produções audiovisuais é importante como “exercício de tolerância, empatia e autoconhecimento”.

“Os jovens de hoje se pautam por uma premissa simples: a de que um indivíduo tem o direito de ser absolutamente o que quiser. Questionar padrões significa pôr em prática essa premissa, exercitando-a cotidianamente, o que não é necessariamente simples ou indolor. A juventude contemporânea parece sobretudo disposta a discutir esses temas sem medo. A experiência dos personagens na tela servepara nos indicar caminhos, para entendermos que não estamos sozinhos em nossas angustias.

Se antes a cultura pop, principalmente a made in Hollywood, moldava e refletia o modelo de amor romântico, agora ela abraça a realidade de que 43% dos millenials descartam a relação monogâmica como a ideal, segundo levantamento de 2020, feita pelo Instituto de pesquisa YouGov.

“O amor é uma construção social. Todo mundo pode ter relações não monogâmicas e, no momento, está se abrindo espaço para que cada um escolha sua forma de viver”, diz Regina Navarro Lins, psicanalista e escritora de 14 livros sobre relacionamento amoroso, entre eles “Novas formas de amar”. “Se uma pessoa quiser ficar casada 40 anos e fazer sexo só com o seu parceiro está tudo certo, desde que essa monogamia seja espontânea, o que é raro. Se daqui a 30 anos as relações não monogâmicas forem predominantes todo muda de figura.

VOO SOLO

O conceito consagrado de poliamor é a possibilidade prática de amar e ser amado por  várias pessoas, com todos os participantes confortáveis nessa situação.

Mas, naturalmente, a coisa não precisa ser tão fixa. Há ainda o poliamor solo ou solopoli, ou seja, alguém que está sempre livre para namorar quantas pessoas sentir vontade e, ao mesmo tempo, não se prender a elas, sem necessariamente viver sob o mesmo teto ou construir uma família.

Mas nada éuma regra e tudo pode mudar de acordo com as relações que se formam pelo caminho, como explica Isane Farias, Iris Ribeiro e Igor Almeida.

Moradores de Salvador, os três se consideram “poliamoristas com relação livre”, formam  um trisal desde 2019 e moram juntos. Inicialmente, Isane e Igor eram um casal heterossexual que resolveu abrir o relacionamento para novas possibilidades. Assim Isane conheceu Íris e as duas começaram a se encontrar (sem Igor). Só mais tarde Iris também se conectou com Igor e, hoje, os três tem um relacionamento livre, ou seja, os três podem ter relacionamentos com outras pessoas. A base de tudo para eles, éa conversa.

“É muito sobre liberdade e autonomia”, conta Íris. “A aceitação da família foi um pouco difícil, e a gente sofre ainda mais porque além de trisal, somos livres”.

A soteropolitana Isane acrescenta que é importante fazer o exercício de não hierarquizar as relações. Segundo ela, todas as possibilidades de relacionamento têm mais a ver com estar emocionalmente disponível para viver um amor do que com o sexo propriamente dito.

Enquanto isso, Danilo vive a não monogamia de maneira diferente do trio de Salvador. O morador de São Paulo também está em um trisal, mas os três só se relacionam entre si. Assim como Isane e Igor, que já mantinham um relacionamento, Danilo e o marido, César, acabaram se interessando por uma terceira pessoa, Heriberto, e então, decidiram embarcar neste novo arranjo. Nas datas comemorativas, feriados, viagens e festas em família, os três estão sempre juntos.

Este éo segundo relacionamento a três que Danilo e César vivem. O primeiro durou dois anos; esteacaba de completar 12 meses.

“Nunca achamos que a terceira pessoa é a solução de um problema. Funciona justamente porque nossa base funciona”, conta Danilo. “No início, amigos próximos perguntavam se estava tudo bem… Era difícil aceitar. Mas é uma relação leve, de equilíbrio, cuidado e respeito uns pelos outros.”

São histórias como essas que servem de inspiração para a ficção. Em “Gossip Girl”, Audrey e o colega Aki namoram desde a pré-adolescência e, no meio do caminho, se veem apaixonados e interessados pelo melhor amigo, Max. Já em “Elite”, tudo começa como um jogo de sedução:

Polo sentia prazer em saber que Carla estava sendo amada e desejada por outro, no caso Christian. A interação à distância foi tamanha que os três passaram a se relacionar. Em “Porque as mulheres matam”, disponível no Globo play, Taylor é uma advogada bissexual que mantém um casamento aberto com o escritor Eli. Até que ela se apaixona por Jada e a leva para morar com os dois, formando um trisal.

APP ESPECÍFICO

Mesmo que as novas formas de amar estejam sendo representadas em seriados populares, o preconceito e o medo da exposição ainda assustam. A reportagem, por  exemplo, encontrou dificuldade em achar quem aceitasse compartilhar suas histórias.

Uma saída para quem quer manter a discrição tem sido os aplicativos específicos para quem busca uma relação poliamorosa. Ysos, Feeld, 3Fun e Pitanga são algumas opções. Apesar dessas plataformas serem especificamente para adeptos e/ ou interessados em relações não monogâmicas, é comum que ainda assim os usuários se escondam.

Ao se cadastrar no Pitanga, por exemplo, é normal ver fotos sem rostos ou de paisagens, além de identificações de usuários que não refletem os verdadeiros nomes das pessoas. O app lançado em 2016 conta hoje com 250 mil usuários, diz o idealizador da plataforma, Venícios Belo. Segundo ele, entre os perfis, 45% são de casais, 35% de homens e 20% de mulheres. A faixa etária predominante vai de 24 aos 40 anos.

“Compreendo que o amor é muito maior do que a gente pode imaginar”, opina Venícios. “O que temos percebido é que cada vez mais casais têm se registrado em busca de outros amores. As pessoas estão se entregando a viver as relações. Para Regina Navarro Lins, questionar a monogamia passa pela busca por individualidade. E esclarece que, sim, dá para amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

“Tanto romanticamente quanto eroticamente. Muitos se sentem na obrigação de fazer uma escolha e isso gera conflitos e sofrimento”, diz a pesquisadora. “Acredito que, daqui a um tempo, vamos ver formas de viver totalmente diferentes das que fomos ensinados.”

Criador da série “Lov3”, Felipe Braga também mira o futuro:

“Falar de relacionamentos não monogâmicos na série é uma oportunidade de discutir uma sociedade pós-patriarcal, em que a política dos afetos e corpos legitima outros modelos de relação, de desejo e de família. Mas sem jamais perder de vista que deve persistir o respeito pelo outro.

ILEGAL, MAS EXISTE

Um ponto que dificulta o reconhecimento das relações poliafetivas é a falta de legislação que as protejam enquanto instituição familiar. Exemplo: no último domingo, um trisal de Londrina, no Paraná, formado por Maria Carolina Rizola, Douglas Queiroz e Klayse Marques teve um filho. Agora, Maria e Douglas lutam na Justiça para ter o nome de Klayse registrado na certidão de nascimento da criança como mãe afetiva.

O advogado César Fonseca fez seu trabalho de conclusão de curso na UFRJ sobre a possibilidade jurídica de uniões poliafetivas. Ele ressalta que “a poliafetividade não é legal, mas é fática, está no dia a dia”. Isane, Íris e Igor, por exemplo, já vivem juntos como família. E pensam em ter filhos daqui a uns anos.

“O direito nasce da necessidade das pessoas. Essas pessoas vivem algo que não é abordado na legislação, mas que, no fim das contas, não traz prejuízo a ninguém. E mesmo assim o Estado se recusa a prestar qualquer tipo de proteção a elas”, desabafa César, explicando que conviveu com amigos que vivem na condição de família poliafetiva. “Outro posto-chave é a questão da autonomia da vontade. Elas vivem naquela situação e se consideram uma família. Não é o Estado que tem que bater na porta delas e dizer que não é.

5 PASSOS RUMO AO POLIAMOR

Muitas dúvidas surgem quando se deseja adotar a não monogamia. Não há “script” a ser seguido, mas especialistas e poliamoristas destacam alguns pontos que acreditam ser importantes para quem pensa em optar por este formato de relacionamento

PESQUISE

É importante buscar informação sobre a não monogamia. Ler livros, ouvir podcasts, seguir páginas que falam do tema e, se possível, conhecer exemplos próximos.

PALAVRA

Processo de autoconhecimento, o olhar para si, para entender quais são seus desafios, o que está disposto a viver e quais os seus limites.

FALAR MESMO

É preciso manter uma comunicação constante com os integrantes da relação. Expressar os medos, vulnerabilidades, inseguranças. Assim se constrói uma parceria por meio do diálogo.

REDE DE APOIO

Uma rede de apoio é fundamental. Busque pessoas que acreditem na forma do poliamor, para ter trocas sobre as experiências.

PACIÊNCIA

Será um relacionamento construído passo a passo. Afinal, vivemos em uma sociedade monogâmica, e a desconstrução do padrão leva um tempo. Não se cobre, e procure não cobrar os outros.

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