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AUMENTA A PREOCUPAÇÃO COM BULLYING E COMBATE É INSUFICIENTE, DIZ PESQUISA

Estudo alerta para efeitos dos atos repetitivos de humilhação e intimidação em crianças e jovens, principalmente nas escolas

A maioria dos brasileiros acredita que os atos repetitivos de humilhação, intimidação e ameaças, que caracterizam o bullying, e essas mesmas agressões no ambiente digital, o cyberbullying, têm aumentado no país. Os dados são do Observatório Febraban, a partir da Pesquisa Febraban/Ipespe “Bullying e cancelamento: impacto na vida dos brasileiros”, realizada entre os dias 21 de maio e 2 de junho deste ano, com três mil pessoas nas cinco regiões do país. A preocupação entre famílias de que seus filhos sofram essa violência também é alta e a escola foi apontada como o principal local de ocorrência por 63% dos entrevistados, seguida do ambiente digital (25%).

A pesquisa alerta para a gravidade dos efeitos dessas condutas em crianças e adolescentes quando não tratadas com a devida importância. A percepção dos entrevistados é de que ainda faltam ações efetivas de combate ao problema. Segundo o levantamento, 79% dos entrevistados acham que os casos de bullying cresceram muito no Brasil. A impressão sobe para 85% em relação a essas práticas em redes sociais, celulares, plataformas de mensagens e jogos.

Entre os pais com filhos em idade escolar, 81% expressam o receio de que seus filhos sejam vítimas de tais práticas. Para 75% dos entrevistados, atitudes que discriminam, humilham ou ridicularizam alguém não podem ser tratadas como “brincadeira”.

Quase metade dos entrevistados (49%) considera que o tema tem sido tratado de forma insuficiente. Entre os mais jovens, de 18 a 24 anos, 57% acham que há descaso com o assunto.

“Os problemas de bullying e cyberbullying assumem um quadro dramático para crianças e jovens. E ameaçam o equilíbrio psicológico e a saúde mental deles, com indicativos de que também comprometem o desempenho escolar e as relações sociais. O estresse provocado ainda encontra esses seres em uma fase frágil de desenvolvimento”, afirma o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe.

Cor e etnia foram citadas pelos entrevistados como os principais fatores alvo de bullying, seguidas da orientação sexual. Há menções também ao aspecto físico ou a padrões de beleza.

Entre os mais jovens, 42% disseram já ter sido alvo de bullying ou conhecem alguém vítima desse assédio.

“Os dados reforçam o que vemos. A preocupação dos pais, das crianças e dos adolescentes com a escola tem razão de ser. Mesmo os fenômenos que são virtuais costumam envolver pessoas com as quais esses jovens convivem na escola”, afirma a professora e pesquisadora do Departamento de Psicologia da Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Luciene Tognetta.

Por outro lado, diz, as escolas não sabem lidar com a questão e só “apagam o fogo”.

“Mas o bullying muitas vezes não dá tempo de apagar, porque pega fogo e destrói, só sobram cinzas. Aí não tem mais o que fazer. É uma preocupação de que as escolas estão se dando conta agora”, afirma a pesquisadora.

Segundo o levantamento Observatório Febraban, quase sete em cada dez entrevistados (66%) acreditam que a principal consequência do bullying é o desenvolvimento de problemas de ansiedade, insegurança, distúrbio alimentar, depressão e até suicídio.

“Sabemos que há uma relação direta entre o bullying e o suicídio, entre o bullying e o aparecimento de doenças mentais. Isso é grave e não estamos dando a atenção que deveríamos dar”, diz Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

O registro de silêncio das vítimas de bullying e cyberbullying chama atenção: 62% dos entrevistados dizem que as vítimas não denunciam os agressores. Os motivos mais citados são falta de apoio, medo de retaliação, vergonha e a falta de conhecimento sobre como fazer a denúncia.

A maioria dos entrevistados (67%) não sabia da sanção da Lei do Crime de Stalking, no ano passado, que tipifica o crime de perseguição. Luciene também cita a lei de combate ao bullying de 2015, que não teve os efeitos esperados:

“Não adianta termos lei sem aplicabilidade. Precisamos que as escolas a incorporem nos seus currículos”, diz a pesquisadora.

CULTURA DO CANCELAMENTO

O estudo também levantou informações sobreo entendimento dos brasileiros sobre a chamada “cultura do cancelamento”. O termo ainda é bem menos conhecido que bullying ou cyberbullying, sobretudo entre os mais velhos. Apenas 30% ouviram falar ou conhecem bem a expressão “cancelamento”, contra 78% que ouviram falar ou conhece bem o bullying.

“Esses temas provavelmente ainda vão crescer muito nos próximos anos”, opina Lavareda.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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