A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMBINAÇÃO DE FILHO E TRABALHO FAZ CRESCER BURNOUT PARENTAL

Estudo indica que 68% das mães e 42% dos pais sofrem com esgotamento: falta de modelos e pressão podem ser causas

Quando Ane Bengoa, de 36 anos começou a cuidar de seu bebê, não sentia aquela conexão mágica que todos falavam. Só queria chorar, mas enxugava as lágrimas afinal, tinha um filho saudável, um parceiro amoroso uma família que os apoiava; não tinha direito de reclamar. Ane morava em Ibiza na Espanha, e sua família em Bilbao. Quase não tinha amigos com filhos ou uma rede de apoio. Sentia-se sozinha, estressada com o mundo e realmente não sabia por quê.

“E de repente o tempo passa e eu me dei conta de que não tive um minuto sequer para dedicar a mim mesma”, explica. “Não me olho no espelho há vários meses, não durmo mis de duas horas seguidas desde que meu filho nasceu. Todo o meu mundo mudou, a vida dos outros continua em movimento, eu sigo em casa e, ao mesmo tempo não tenho um momento de descanso de qualidade”.

Ane Bengoa sofria de burnout ou exaustão parental, termo não clínico que designa os pais que estão tão esgotados pela pressão de cuidar dos filhos que não lhes sobra tempo para outras coisas. Um estudo da Universidade de Ohio, publicado em maio, diz que 66% dos pais que trabalham atendem aos critérios que designam esse perfil.

De  acordo com a pesquisa, as mulheres são mais propensas a experimentar o esgotamento parental do que os homens: 68% vivenciam isso contra 42% dos parceiros.

“Isso acontece porque, frequentemente, as mulheres continuam a arcar com grande parte da responsabilidade de cuidar dos filhos, assim como equilibrar o trabalho e a vida familiar”, explica a autora do estudo, Bernadette Meinyk.

Essa variável era, de certa forma, esperada, no entanto, Meinyk destaca outros aspectos que são menos evidentes à primeira vista:

“O estudo forneceu evidências de que o esgotamento dos pais afeta negativamente não apenas eles, mas também seus filhos, que acabam externalizando o estresse de alguma forma. O estudo foi realizado entre janeiro e abril de 2021.

Oferece um retrato de uma época diferente, quando boa parte das famílias estava em casa devido à pandemia. O confinamento foi a cereja do bolo, mas o bolo, diz a pesquisadora,   já estava assando há muito tempo.

Os dados podem ser extrapolados para a Europa e também para essa nova normalidade. Outra pesquisa, realizada por Lingokids na Espanha, chega a conclusões surpreendentemente semelhantes: 67% das pessoas consultadas admitem que “a importância que atribuem a ser um bom pai ou mãe e o esforço que dedicam para isso, no fim, torna-se exaustivo”.

TEMA TABU

A síndrome de burnout parental não só não aparece nos livros clínicos, como também não consta dos dicionários. E não é porque é um termo em inglês, mas sim porque é algo do qual não se fala. Até pouco tempo, havia um tabu em torno da maternidade, e apenas seu lado positivo podia ser mencionado. Muitas mães afetadas nem sabiam como dar um nome ao que estava acontecendo com elas. O  que não tem nome não existe e tende a ser invisibilizado pela sociedade. Lola, uma professora de 38 anos de Sevilha, confirma:

“Muitos pais se sentem assim, mas não contam a menos que você seja um amigo íntimo”, diz a professora que, depois de conversar com mães de diferentes idades, acredita que estamos diante de um problema geracional. “Minha mãe não se sentia assim. Não sei o que está acontecendo… Acho que, por um lado, nós não temos as ferramentas que eles tinham e, por outro lado, temos mais pressão e mais informação. Ane Bengoa teve que ir a um psicólogo para falar sobre o que estava acontecendo. Ela conheceu um grupo de mães  e criou uma “tribo”. Hoje, meses depois de dar um nome ao que viveu, está gostando de ser mãe e se sente menos exausta.

“Agora que se passou mais de um ano, tenho uma visão clara do que aconteceu comigo”, diz. “Não tive exemplos de mães perto de mim, nunca tive bebês perto de mim, nem vi parentes amamentando. Faltavam exemplos no meu ambiente.”

Em muitos países, como na Espanha, nunca nasceram tão poucos filhos. Nem mesmo durante a Guerra Civil Espanhola. E isso, de certa forma, afeta as mães:

“As mulheres aprendem muito sobre crianças pela proximidade”, explica a psicóloga Isabel dei Campo. “Elas tinham contato com amigas que tiveram filhos, com primos, com sobrinhos. A maioria das mulheres  enfrenta essa experiência sem conhecimento prévio. E isso pode ser um problema.”

REFERÊNCIAS MATERNAS

Isso se agrava ainda mais quando a falta de referências próximas é substituída por celebridades e influenciadora.

“A imagem que vendem da maternidade é muito romantizada”, critica Natalia López, de 33 anos, moradora de Barcelona com um filho de 3 anos. A partir das redes sociais ela acrescenta, se estabelecem padrões irreais, com os quais uma nova mãe tende a se comparar. E nessa comparação ela sempre fica para trás.”

“É como a imagem de como as mulheres tinham que ser nos anos 1950, mas adaptada aos dias de hoje. E é assustador. Você tem que estar sempre apaixonada pelo seu filho, que também tem que ser o mais legal, mais engraçado e compartilhar seus valores. E para tudo você sempre tem que estar com o seu melhor sorriso e, se não tirar um tempo para sair para beber, você é uma daquelas que mudou desde que se tornou mãe e se tornou imbecil”, resume Natalia, criticando as ideias que são plantadas na cabeça de uma mãe.

O problema, concordam as entrevistadas, não são os filhos nem o trabalho: é o sistema. A incorporação da mulher no mercado de trabalho tem levado os pais mais ricos a terceirizar os cuidados e os que não têm condições de bancar essa ajuda conjuguem trabalho e filhos, numa distribuição de papéis em que as mulheres tendem a perder.

“Temos um problema como sociedade”, diz a psicóloga Dei Campo. “Se o trabalho e a maternidade forem combinados, as relações sociais e o  tempo para si mesma vão ser  cortados. E isso é difícil de assumir em um contexto em que há muita pressão sobre os pais para educar de forma consciente, para serem positivos, não desperdiçarem nem um minuto.”

Natalia López resume em uma frase que leu uma vez e que se repete sem parar desde então: “Temos que criar nossos filhos como se não tivéssemos trabalho e temos que trabalhar como se não tivéssemos filhos”.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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