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PANDEMIA ELEVA EM 41% DIAGNÓSTICOS DE DEPRESSÃO E PIORA HÁBITOS SAUDÁVEIS

Taxa da doença em mulheres é mais do que o dobro da registrada entre homens, aponta inquérito

Os diagnósticos de depressão na população adulta brasileira cresceram 41% nos dois primeiros anos de pandemia de Covid-19. As mulheres foram as que mais impulsionaram a alta, com mais do que o dobro da prevalência, registrada entre os homens.

Na população deprimida, houve piora significativa dos hábitos saudáveis de vida, como queda do consumo de verduras e legumes e da prática de atividade física, além de aumento da taxa de tabagismo.

A conclusão é de análise inédita do Govitel, um inquérito telefônico que retratou o impacto da pandemia de coronavírus nos fatores de risco para as doenças crônicas não  transmissíveis. Foram analisados dados de antes da Covid-19 e do primeiro trimestre de 2021, período em que a crise sanitária deu uma pequena trégua.

Realizado pelo Vital Strategies, organização global de saúde pública, e pela UFPel (Universidade Federal de Pelaras), o levantamento entrevistou 9.000 brasileiros, distribuídos nas cinco regiões do país. O aumento da depressão foi registrado em todo mundo e a OMS (Organização  Mundial da Saúde) vem alertando os governos no sentido de destinarem mais investimentos na prevenção e na assistência dos casos.

No caso das mulheres, a prevalência do diagnóstico de depressão saiu de 13,5% para 18,8%. Entre os homens, pulou de 5.4% para 7,8%.

Há várias hipóteses para explicar a maior taxa da depressão feminina, de fatores genéticos e hormonais até a dupla jornada de trabalho para conciliar a carreira e as tarefas domésticas.

Mas, para Luciana Vasconcelos Sardinha, assessora técnica de epidemiologia e saúde pública da Vital Strategies, a principal razão é o fato de as mulheres procurarem mais ajuda médica do que os homens. Logo, são as mais diagnosticadas com a doença.

“Em geral, os homens não buscam ajuda, não investem em prevenção e promoção da saúde. Quando eles chegam ao serviço médico, [o estado de saúde] já está muito agravado”, afirma.

O inquérito também analisou como a depressão influenciou aos hábitos de vida da população, que são fatores de risco para várias doenças crônicas, como as cardiovasculares e o diabetes.

Para uma alimentação saudável, a recomendação é o consumo de legumes, verduras e frutas cinco vezes ou mais na semana. No primeiro trimestre deste ano, 12% das pessoas deprimidas relataram não ter esse hábito. Na população em geral, a  taxa foi de 39%, em média.

Entre as mulheres com depressão, essa rotina é pouco mais de um terço (16,9 %) da declarada pela população feminina total (4,5%).

As pessoas com diagnóstico de depressão também declararam praticar menos atividades físicas, (11,5%) e serem mais tabagistas, (9,9%). Na população adulta em geral, as taxas para esses hábitos foram de 30%  e de 12,2%, respectivamente.

A prevalência do tabagismo entre as mulheres deprimidas é quase o triplo em relação à  população feminina em geral: 25,4% contra 9,9%.

“Era esperado, mas é a primeira vez que a gente consegue comprovar o que de fato aconteceu nesse momento de pandemia”, afirma a pesquisadora.

Segundo Vasconcelos, o trabalho teve um diferencial de ouvir as mesmas pessoas sobre os seus hábitos antes da pandemia e neste início de ano, quando a crise deu uma trégua.

Ela disse que havia a hipótese de que, nesse período ,as pessoas pudessem ter retomado suas rotinas. “Infelizmente, continua tudo no mesmo esquema. O nível de atividade física  continua como no início da pandemia. As pessoas não voltaram.”

Além das mulheres, a prevalência maior da depressão foi observada em pessoas brancas com maior escolaridade (11 anos ou mais de estudo). Mas, de novo, a explicação é que são essas parcelas da população que geralmente têm maior acesso aos serviço de saúde.

Para a pesquisadora éurgente que o governo brasileiro monitore essa população deprimida e amplie a assistência a ela. Segundo Vasconcelos, ao mesmo tempo que a crise da saúde mental se agrava no país, os serviços públicos existentes, como os Caps (Centros de Atenção  Psicossocial, estão muito aquém do necessário.

“São poucas vagas, o número de psiquiatras éinsuficiente. Nas regiões Norte e Nordeste, às vezes nem tem psiquiatra para contratar. Concursos são abertos, mas, as vagas não são preenchidas”·

Além disso, as escolas também precisam ser treinadas para reconhecer os sinais da depressão entre os alunos e encaminhar os casos para uma ajuda especializada.

Uma revisão recente com 9 pesquisas, divulgadas pelo Ministério da Saúde, mostrou que os sintomas de ansiedade e depressão em crianças e adolescentes dobraram após o início  da pandemia. Antes da crise sanitária, 12,9% desse grupo relatavam sintomas depressivos. Durante a crise do coronavírus, a taxa saltou para 25,2%. Os sintomas de ansiedade, por sua vez, aumentaram de 11,64% para 20,5%.

Uma das contribuições do Vital Strategies nesse enfrentamento das doenças psiquiátricas  é o desenvolvimento de um índice de saúde mental, captando não apenas dados da saúde, mas também da educação e da segurança pública, entre outros.

O Covitel teve financiamento da Umane e do Instituto Ibirapitanga e apoio do Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva).

O inquérito tem diferença em relação ao Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) porque reúne dados das 27 capitais brasileiras e do interior. Já o Vigitel trabalha com amostras só das capitais.

Para o período de pré-pandemia da Covid-19, o novo levantamento considerou dados do último trimestre de 2019 e de janeiro e fevereiro de 2020.

O Ministério da Saúde anunciou no último dia 13 de junho investimentos na ordem de R$ 45 milhões para ampliar ações na área da saúde mental.

Entre as iniciativas estão o serviço telefônico 196 (Linha Vida), teleconsultas e linhas de cuidados para organizar o atendimento de pacientes com ansiedade e depressão. Um projeto-piloto do Linha Vida, segundo o ministério, começará pelo Distrito Federal, por um sistema de atendimento multicanal. A meta é prevenir suicídio e automutilação.

Já o projeto de teleconsulta está sendo feito em parceria com a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) e é destinado a pessoas com transtornos mentais leves. A proposta é oferecer 12 mil teleconsultas mensais de psicólogos e psiquiatras.

Os atendimentos serão agendados pelas equipes das UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

O ministério também lançou uma linha de cuidados com foco em crianças, adolescentes e adultos com transtorno de ansiedade e depressão.

Segundo o Ministério da Saúde, ela  funcionará já a partir de repasses de recursos federais às equipes multiprofissionais em saúde mental, que podem estar vinculadas a ambulatórios, policlínicas ou unidades hospitalares.

Para a epidemiologista Luciana Vasconcelos Sardinha, que já atuou no Ministério da Saúde, um serviço telefônico e a oferta de teleconsultas estão muito distantes das necessidades atuais em saúde mental.

GESTÃO E CARREIRA

EMPRESAS USAM AÇÕES PARA RETER TALENTOS

Estratégia que faz do funcionário sócio ganha espaço entre startups; rentabilidade, porém, depende da evolução da companhia

Ter um ganho financeiro elevado, ser sócio de uma empresa e se sentir dono são elementos que stock optimis prometem para o funcionário que optar por esse plano de compra de ações. É uma possibilidade de o colaborador adquirir ações por um preço prefixado, muitas vezes por valores inferiores aos de mercado, ou seja, um programa de incentivo de longo prazo com base em ações, pensado para promover e engajar seus talentos.

Mas é preciso transparência e análise para fechar um acordo de pacote de ativos – e paciência para aguardar os lucros, que dependem da evolução da empresa, em tempos difíceis para as empresas de tecnologia, principalmente os “unicórnios” (startups avaliadas em mais de US$1 bilhão), que têm promovido uma onda de demissões.

Além disso, o advogado tributarista Marcello Leal aponta que a concessão de papéis da empresa não garante um ganho efetivo para o funcionário, uma vez que só a venda dá ação com valor superior trará lucro.

NA CONTRATAÇÃO

Na fintech Noh, criada em novembro de 2021, o funcionário entra na empresa e escolhe a porcentagem de ações – disponibilizadas pela empresa – que deseja. Ou seja, todos, desde o  primeiro dia, têm a opção de aderir ao modelo. “Era o que eu queria que tivessem feito  contigo”, diz Ana Zucato, CEO da empresa – que definiu uma fatia de 15% da companhia para isso.

A startup criou três combinações entre ações e salário para os funcionários. Pode ser um salário mais alto com poucas ações, um meio a meio, ou um salário mais baixo com muitas ações. Com poucos meses de existência, a Noh tem 16 colaboradores e todos adotam algum tipo de pacote de ativos. Outra fintech que segue por esse caminho é a Pomelo, que desenvolve infraestrutura de serviços financeiros. Ela implementou o modelo após cinco meses de existência, em setembro de 2021. Na época com 120 funcionários, só 10% deles não tinham acesso ao plano de compra de ações. Hoje, todos os 280 empregados que trabalham no Brasil, Argentina, México e Colômbia têm ações.

Segundo o diretor de operações da empresa, John Paz, a ideia era reter talentos na empresa. Mas, com o tempo, acabou se tornando uma cultura da companhia. “Não é só uma questão de pensar na composição salarial. “Fabrício Bittar, líder de CX (experiência do cliente), destaca o aumento do engajamento e da proatividade entre os funcionários. “A gente é sócio e o nosso bônus é um só, vinculado ao sucesso da companhia”, ressalta.

Já a Méliuz, hoje com mil funcionários, iniciou o programa em 2012. A fintech de cashback e pagamentos, que tem atualmente mais de 23,6 milhões de usuários, optou por dar a alternativa de stock options aos funcionários como reconhecimento. O pacote de ativos não é proposto na hora da contratação, ele é oferecido após um processo interno.

O funcionário precisa escrever aos fundadores uma carta de 15 a 35 páginas sobre o seu passado, sua atuação na empresa, seu legado na companhia e o que planeja para o futuro. A seleção é anual e hoje são 40 sócios. “Se o funcionário tem grande potencial, não vamos apostar nele, mas na pessoa que já transformou todo o potencial dela em realidade e agora vamos reconhecê-la”, diz Lucas Marques, diretor de Recursos Humanos e também um dos sócios da Méliuz. O tempo de carência, para poder comprar e vender as ações, é de três anos na Méliuz.

AUXILIO PARA COORDENAR

Para gerir muitas pessoas no quadro societário, algumas startups e empresas recorrem a plataformas digitais como o Basement, que busca descomplicar a gestão societária. Frederico Rizzo, CEO da startup, afirma que um ponto fundamental para as companhias que contratam o serviço é mostrar e explicar como vai funcionar o plano de compra de ações para os beneficiários. “A gente foca muito na experiência do colaborador. Não é fácil entender o que está recebendo. Qual é o custo? Quais são as implicações? Então a gente oferece uma visão para que o beneficiário entenda”, destaca.

EU ACHO …

ANDRÓGINOS

Uma das perguntas que mais fazem a escritores é sobre a diferença entre a literatura feminina e a literatura masculina. Eu nunca senti essa diferença de forma gritante. Em tese, TPM e parto podem ser melhor descritos por uma mulher do que por um homem, e assim entraríamos no terreno das vivências para diferenciar uma literatura de outra, mas acredito que, havendo talento, qualquer um escreve sobre qualquer coisa. Como já disse Virginia Woolf, todo artista é um andrógino.

As pessoas se inquietam com essa afirmação, como se estivéssemos dizendo que todo artista é um androide, quando é justamente o contrário. O artista não é programado para pensar como mulher ou como homem, para gostar de cor-de-rosa ou de azul, para ser mais romântico ou mais pragmático, segundo as generalizações impostas no berço. O artista é o oposto do androide, é desprogramado de nascença, aberto a todas as correntes de pensamento, dono de uma antena que capta os sentimentos mais contraditórios. O artista traz uma liberdade assustadora no peito e o ímpeto de expressá-la na sua dança, através de seus pincéis ou num palco. Não há juventude e velhice no ato da criação, não há livros escritos por cabeludos que sejam diferentes de livros escritos por calvos, não é o alcoolismo de um músico que o diferenciará de um músico abstêmio, somos todos diferentes na nossa percepção individual e unos na nossa descrença em relação a verdades únicas.

Todo artista é ao mesmo tempo o louco e o sensato. Artista é público e solitário, é quem se dá e se recebe de volta, encarna e desencarna, fala por João, por Maria e pelos bichos todos que traz dentro. Artista é o que toca no extremo.

Catalogar um artista como homem ou mulher e a partir daí tirar conclusões é percorrer um caminho muito curto para a compreensão da obra de alguém. Fumamos charuto (somos homens ou mulheres?), sentimos a ausência de um filho (somos homens ou mulheres?), ciumentos patológicos (somos homens ou mulheres?), gostamos de cozinhar (somos homens ou mulheres?). Somos pessoas que buscam o sentido da vida e que convidam a embarcar nessa viagem aqueles que não se preocupam de onde a viagem parte, mas para onde ela nos leva.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

ESTRESSE, ALIMENTAÇÃO: COMO LIDAR COM A GASTRITE

Doença atinge cerca de dois milhões de brasileiros, mas pode ser evitada com alguns cuidados

No começo, uma sensação de queimação insistente. Em seguida, um pouco de enjoo, dor na boca do estômago após as refeições. Talvez vômitos. Um mal-estar insistente.

Foi assim com o  professor universitário Henrique Carvalho. Ou com a aposentada Antonieta Santana Nunes. Ela pensou que tinha comido alguma coisa que não havia caído bem. Ele achou estranho: azias nunca haviam sido um problema.

Depois de uma ida ao médico, um mesmo diagnóstico: gastrite. Não estavam sozinhos. Segundo levantamento do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil, cerca de 2 milhões convivem com a doença no País.

E o número tem crescido: dados do HCor, em São Paulo, mostraram  um aumento de 15% nas internações provocadas pela doença em 2021.

“Apesar de ser muito comum, a gastrite é uma doença que precisa ser cuidada e merece toda a atenção”, explica o dr. Antônio Lopes, cirurgião do aparelho digestivo, da Rede D’Or em São Paulo.

A gastrite é uma inflamação da mucosa interna do estômago, que pode ser causada por diferentes motivos.

“São erros alimentares, a ingestão de alimentos que irritam a mucosa, ou a infecção pela bactéria H. pylori, que leva ao aumento do ácido gástrico. E também o estresse, que piora todas essas agressões”, explica a dra. Tabata Cristina Antoniaci, gastroenterologista do Grupo São Cristóvão.

O aspecto emocional é relevante e ajuda a explicar o aumento recente de casos. Ainda que alguns estudos sugiram a capacidade da covid-19 de acometer esôfago, estômago ou intestino, diz Lopes, a questão não passa necessariamente pelo vírus

“Todo o cenário mexeu com a vida das pessoas e aumentou o nível de estresse. Preocupação financeira, com falta de trabalho, o medo de pegar a doença, tudo isso pode levar a uma piora na alimentação, à pouca qualidade de sono.”

Henrique Carvalho lembra ter sido esse o seu caso. “Eu não mudei meus hábitos alimentares de maneira significativa. Mas comecei a sentir os sintomas no final do primeiro semestre de 2021, que foi um momento de piora da pandemia depois de alguns meses mais tranquilos”, elelembra.

ROTINA

A boa notícia é que é possível evitar a gastrite com mudanças na rotina. Foi algo que a vendedora do mercado livreiro Rosália Meireles aprendeu na prática, após ter a doença três vezes. “Foi preciso abrir mão de muita coisa, evitar bebida alcoólica, tirar alguns alimentos das refeições, comer com mais qualidade”, ela conta.

Para a dra. Antoniaci, a alimentação é de fato um elemento central na prevenção.

“É possível evitar o problema tendo bons hábitos alimentares, que incluem comer devagar, mastigando bem os alimentos, prestando atenção na comida e não em outras atividades, como a TV ou o telefone celular”, ela observa.

“Vale a pena também optar pela ingestão de mais alimentos ricos em vitaminas e proteínas, como legumes e frutas, beber água em vez de refrigerantes e sucos e equilibrar a ingestão dos alimentos vilões, como o café, doces e frituras.” Mas, se os sintomas aparecerem, é bom ficar atento. Entre eles, além da famosa azia, a dor persistente, a alteração na coloração das fezes, vômitos, despertar no meio da noite por dor ou refluxo em diversos dias da semana. Nestes casos, vale apena procurar o médico para um diagnóstico preciso. E evitar a automedicação.

“Os remédios para a gastrite não precisam de receitas e isso leva à automedicação. É comum receber pacientes que vivem há anos com os sintomas, controlando-os com medicações sem orientação médica. E eles normalmente dizem que, ao parar com os remédios, os sintomas voltam ainda piores”, ressalta o dr. Lopes.

“A gastrite pode levar a quadros complicados como úlceras, ou assumir caráter crônico que pode levar a doenças como o câncer. O acompanhamento é fundamental para orientar o paciente”, completa.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

‘FOMO’: A SENSAÇÃO DE ESTAR POR FORA

Ansiedade gerada após dois anos de pandemia é maior, mas há soluções

Durante boa parte dos últimos dois anos, as publicações nas redes sociais seguiam uma mesma cartilha: informações sobre a pandemia, dicas do que fazer na quarentena um apelo para que fique em casa como estratégia de combate à Covid-19. Mas, com a vacinação e a consequente melhora do cenário epidemiológico, a vida voltou a parecer com o que era antes, com festas, eventos, viagens e, também, com a síndrome do FOMO. Acrônimo de Fear of Missing Out, algo como “medo de estar de fora”, o termo remete a ansiedade sentida quando a impressão é de que todos ao seu redor estão aproveitando a vida, menos você.

A psicóloga Anna Lucia King, doutora em saúde mental e coordenadora do Laboratório Delete, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, explica que o FOMO acontece especialmente entre pessoas mais inseguras, com baixa autoestima e alta dependência emocional, que acabam sendo mais vulneráveis às opiniões alheias e, especialmente, ao conteúdo publicado nas redes sociais.

“Só que essas redes são mais do parecer do que do ser. O que importa ali é a imagem, não o real. Então, as pessoas mostram uma vida em que tudo é maravilhoso, com ótimos relacionamentos, festas incríveis, uma imagem que nem sempre combina com a realidade da vida delas. E isso tende a fazer com que essas pessoas mais vulneráveis se sintam excluídas desse contexto tão maravilhoso com sentimentos de tristeza e de angústia”, afirma King.

Dentro desse cenário de comparação com retratos “perfeitos” das vidas alheias, a pandemia – e a melhora dela – pode ter um impacto ainda mais forte no FOMO, ressalta o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, coordenador do ambulatório de dependência de comportamento do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp.

“Esse fenômeno fica um pouco mais em evidência exatamente porque as pessoas passaram por um tempo em que todo mundo estava com a vida meio parecida. Então, de  repente, você começa a ver seus colegas postando fotos de viagens, festas, eventos, e o impacto é maior porque a ideia é que eu estou “devendo” dois anos de vida a mim mesmo e, quando eu vejo que o colega começou a pagar essa dívida antes de mim isso causa uma ansiedade ainda mais forte”, explica o especialista.

MARKETING

A síndrome do FOMO, apesar de hoje ser ligada a ansiedades e questões psicológicas de saúde mental, foi criada em um contexto de negócios. Isso porque muitas estratégias de propaganda utilizam essa sensação de se sentir “por fora” para convencer o seu público-alvo a realizar determinada compra ou a ir a certo evento, por exemplo.

Assim a primeira menção ao termo de forma oficial apareceu em 2000. Nos anos seguintes, o FOMO foi ganhando repercussão a partir de uma abordagem mais ampla até ser incorporado ao dicionário da língua inglesa de Oxford, em 2013. Na ocasião, foi definido como “um sentimento de preocupação, que um evento animado ou interessante esteja acontecendo em algum outro lugar” (tradução livre). Com o tempo, ele também passou a ser alvo da psicologia como um conceito relevante nos estudos relativos à saúde mental e os relacionamentos sociais.

Um estudo de pesquisadores dos departamentos de psicologia da Universidade de Essex, no Reino Unido, e das Universidades da Califórnia e de Rochester, nos Estados Unidos, definem a sensação como uma apreensão generalizada de que os outros podem estar tendo experiências gratificantes, das quais se está ausente, e um desejo em permanecer continuamente conectado com o que estão fazendo.

Além disso, pesquisadores do Centro Psiquiátrico Clarion, nos EUA, descobriram que o FOMO foi ligado a consequências como um aumento na distração, um declínio na produtividade, dificuldades no sono, piora no desempenho acadêmico e maior risco para transtorno de ansiedade e depressão.

Os responsáveis pelo estudo consideram ainda que estar inserido em grandes comunidades online pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da síndrome, assim como um diagnóstico anterior para distúrbios de saúde mental. Eles explicam que estes fatores incentivam as pessoas a estarem constantemente se comparando com as outras, um comportamento que gera frustração, inveja, ciúme, ressentimento e outras emoções consideradas negativas – características do FOMO.

ALEGRIA DE ESTAR POR FORA

Para os cientistas americanos, o primeiro passo para melhora no quadro e a restrição do tempo gasto nas redes é o entendimento de que o conteúdo online não reflete a vida real.

É justamente essa ideia que motivou o surgimento de um conflito em resposta ao FOMO: o JOMO. A sigla significa – Joy of Missing out, ou “felicidade em ficar de fora, em português, e celebra a desconectividade, a atenção para o momento presente e o prazer nas pequenas coisas e na própria companhia.

Segundo definição do dicionário de Oxford, o JOMO é caracterizado como um estado de “gostar de passar o tempo livre fazendo o que quiser, sem se preocupar que algo mais interessante esteja acontecendo em outro lugar”.

O conceito ganhou relevância pela autora canadense Christina Crook, que escreveu um livro sobre o tema em que faz um relato sobre a sua própria experiência durante um mês longe da internet.

Anna Lucia King, do Instituto Delete, destaca que o primeiro passo para trocar o FOMO pelo JOMO é adotar hábitos que promovam um uso consciente das redes.

“As pessoas que sofrem com o uso excessivo da tecnologia precisam dar limites ao seu dia, então reduzir o tempo de uso dos aparelhos, utilizá-los para o trabalho apenas em horários comerciais, evitar o acesso durante as refeições e não usá-los por pelo menos uma hora antes de dormir. Essas são algumas técnicas para um uso adequado no dia a dia, que ajudam a reduzir esse excesso”, diz.

Aderbal Vieira Júnior ressalta ainda que é importante ter em mente que o que é publicado nas redes é apenas um recorte editado dos melhores momentos da vida real, portanto, não deve ser comparado com a vida cotidiana:

“Nas redes, publica-se aquela super refeição, aquele lugar incrível, então a gente fica com uma edição da realidade. Não é a vida da pessoa como ela é. Portanto, para as mais sensíveis a essa miragem, sempre há uma certa pressão por algo inalcançável. Porque a comparação é sempre da nossa vida cotidiana com o melhor da vida alheia.”

Em alguns casos, no entanto, os especialistas destacam que o uso excessivo pode passar a configurar uma situação de dependência que, nesse caso, demanda ajuda especializada. King explica que esse vício chega a ser semelhante ao do álcool e de outras drogas, e o tratamento envolve acompanhamento psicológico, em casos leves, ou ajuda de medicamentos, nos quadros mais graves.

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