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VAMOS DIVIDIR?

Aumento de lares com pets e do número de separações aquecem debate nas famílias e em tribunais sobre guarda compartilhada de animais

Quando seus “pais” se separaram, pouco antes do início da pandemia, Baltazar passou a se revezar em duas casas: quatro dias em uma; três na outra, em um acordo amigável entre Mariah Trotta, especialista em Marketing, e Luciano Linhares, empresário. Mas logo o ex-casal percebeu que Baltazar estava “sentindo”. O chiwawa, que completa 6 anos em setembro, ficou mais arredio, triste, fazia xixi por todos os cantos… Quando começava a melhorar, já era hora de mudar de lar novamente. Mariah e Luciano, casados por quatro anos e separados há dois, testaram um esquema diferente e perceberam, então, que o filho canino se adaptou bem com períodos maiores em cada casa. “Não tem uma regra determinada, mas chega a ficar meses comigo, e depois com ele. Com visitas para matar saudade. A única coisa certa é o fim do ano. Alternamos o réveillon, para facilitar viagens”, conta Mariah, que pesquisou e descobriu ser comum o estresse do bichinho quando há separação.

A guarda compartilhada de cachorros virou realidade no país com a segunda maior população pet do mundo (o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos), e um crescimento de 30% de 2020 para 2021, de acordo com pesquisa da Comissão de Animais de Companhia, ligada ao Sindicado da Indústria Veterinária.

Histórias como a de Baltazar, portanto, são cada vez  mais comuns, mas nem sempre com arranjos harmônicos entre os donos. A família multiespécie (formada por humanos e animais ) vem ganhando espaço como um tema desafiador para a Justiça, que encara disputa em processos similares à separação com filhos.

Advogada especializada em Direito de Família, Maria Magalhães, do escritório Fernanda Lins, conta que, antigamente, casos assim iam parar na vara cível, tratando o pet como um bem. Hoje, tramitam por varas de família, entendendo o bichinho como um integrante. “Especialistas na área já observam que essa nova configuração requer enfrentamento nos poderes judiciário e no legislativo em meio aos processos de divórcio ou dissolução da união estável. E o grande número de divórcios, principalmente durante e pós pandemia, têm potencializado a questão, sintetiza a advogada, que já cuidou de dois processos dessa natureza O mais recente precisou de acordo extrajudicial para incluir custos com alimento do cachorro na pensão (R$ 300, por mês).

Já para o dachshund Eddie, de 13 anos, a pensão determinada pela justiça foi de 20% do salário mínimo. Sua dona, a servidora pública Ingrid de Oliveira, acaba de ganhar o processo, que já dura quase dois anos (e continua, porque o ex-marido recorreu). O cachorro foi comprado por ele durante o casamento, de 11 anos. “Eddie sempre foi tratado como parte da família por nós. E tem uma doença, chamada leishmaniose, que requer exames, remédios e vacinas. Meu ex-marido ganha bem mais do que eu, e arcava com essa parte. Mas deixou de pagar quando eu iniciei um novo relacionamento”, conta Ingrid, que se separou no meio de 2019.

Existe até um Projeto de Lei (4.375/2021) na Câmara dos Deputados, em vias de ser aprovado, que contempla a obrigação do ex-casal de contribuir para a manutenção dos pets. “A legislação não acompanhou as mudanças sociais em relação aos animais de estimação, obrigando os magistrados a decidir sem o devido amparo legal. Ao que parece, isso está prestes a mudar”, completa Maria Magalhães.

Presidente da Comissão de Gênero e Violência do Instituto Brasileiro de Direito de Família, a advogada Ana Beatriz Rutowitsch Bicalho tem dois cavalliers, Charlotte e Oliver, e defende ser essencial o compartilhamento do tempo e das despesas dos animais adquiridos durante uma relação: “Charlotte foi diagnosticada com uma doença renal grave e exige não apenas cuidados especiais, mas exames e medicações. Vale lembrar que não necessariamente aquele indicado como ‘proprietário’ do animal em sua carteira de vacinação é a pessoa que ele escolhe como seu dono. Cabe ao casal manter-se corresponsável pelo bem-estar emocional e físico do pet, independentemente da continuidade da relação”.

Desde que se separou da ex-companheira, seis anos atrás, a administradora Barbara Boltje pega Theo de 14 em 14 dias para passar o fim de semana. Juntos, vão à praia, Lagoa e cachoeiras, e, quando há consulta no veterinário e oftalmologista, é ela quem leva (o buldogue francês nasceu com uma questão genética que poderia deixá-lo cego). “Conseguimos reverter o quadro com muito suor das mães, juntas. Continuamos parceiras em tudo em relação ao Theo. Ela arca com ração e banho e eu pago os médicos, remédios e exames”.

Quando conheceu seu atual marido (Renato Linhares, professor de Educação Física), a jornalista Beatriz Caillaux foi logo avisada por ele da existência da Mel, e da “mãe” da Mel. E mais: a vira-golden-lata de 1O anos já havia estranhado outras mulheres. Ficou claro que se não fosse aprovada pela cadela, a relação não iria para frente. “Me assustou um pouco a ideia, nunca convivi com cachorro e ainda mais nessa situação, como madrasta”, diverte-se: “Fiquei receosa, Renato precisava falar com a ex com bastante frequência para resolver questões práticas sobre a ‘filha’, mas já passaram quase dois anos e vem fluindo muito bem”.

A guarda compartilhada entre Renato e Stael Marci Monteiro Braga, cristal terapeuta, é meio a meio, uma semana com cada.

“Ela tem a mesma rotina na duas casas, já entende tudo. Há muito respeito envolvido”, diz Stael. “É que nem filho, mas o bom é que cachorro não fala. não conta nada sobre gente lá e vice-versa”, brinca a jornalista.

GESTÃO E CARREIRA

DIÁLOGO ENTRE GERAÇÕES REDUZ ATRITOS E AMPLIA APRENDIZADOS

Colegas são instigados a superar conflitos e tirar proveito das características das demais gerações que convivem no trabalho

A diferença de idade entre Maria Diva Garcia Comin e Gabriela Silva Martins é de 41 anos. As duas pertencem a gerações extremas: uma é baby boomer e a outra, Z. Elas trabalham no Santander e convivem com outras milhares de pessoas. Todos os dias, o desafio é o mesmo: sobressair e tentar aceitar o ”jeito” de trabalhar de cada colega. Ainda assim, os conflitos surgem.

Maria Diva faz parte dos 5% de baby boomers que trabalham no Santander e, como tal, gosta de estabilidade. Há 39 anos na empresa, ela acompanhou as mudanças nesta área e o vaivém dos funcionários. “No passado, as empresas eram mais rígidas e não tinham diversidade. Hoje épreciso pensar de forma mais aberta.” Ela diz que conflitos entre gerações sempre existem. A sabedoria é saber tirar proveito disso. “Os jovens são mais ansiosos e precisam treinar a habilidade de saber ouvir. Por outro lado, eles têm ferramentas para tudo”, diz Maria Diva, que procura tirar proveito da jovialidade de seus companheiros de trabalho para se atualizar. “Já nem uso mais relógio (os jovens achamcringe), mas não abro mão do meu caderninho para fazer anotações.”

Gabriela é da geração Z, tem 21 anos e entrou no Santander com 17 anos, como estagiária. Não se sente como os demais colegas de sua geração, mas tem a característica de persistir nas suas ideias até que alguém lhe ouça. ”Já houve situação em que não concordava com determinado processo. Sentei, demonstrei que era melhor simplificar e fui ouvida.”

Na avaliação dela, que adora pesquisar nas redes sociais as tendências do mercado, o mais importante é que a outra pessoa (mais velha e experiente) tenha paciência para ensinar. “Eu tenho disposição para aprender, mas preciso que alguém me ajude a entender como um processo funciona.”

LÍDER

Um pouco mais velho que Gabriela, Mateus Aoki tem 30 anos e é millennial. Sua missão no banco, que tem 40% dos funcionários dessa geração, é um pouco mais complexa. Como líder, precisa tirar o melhor dos profissionais maduros e também dos mais jovens. “O desafio é conciliar os vários mundos dentro da equipe. É conseguir uma certa rebeldia de forma adulta.”

A estratégia é ouvir as duas partes e tentar encontrar uma solução. “Mas, claramente, os seniores se estruturam melhor na argumentação.” Ele já fez mentoria reversa e afirma que gostou do processo. “Eu queria aprender a priorizar os temas no dia a dia, e ela, que tinha  47 anos, queria saber mais sobre mindset àgil (cultura ou mentalidade de se adaptar às mudanças).”

A representante da geração X é Simone Scrivani, de 54 anos. Na sua equipe, tem profissionais de 19 a 72 anos, sendo a maior concentração nos 35 anos. Como Aoki, ela  tenta mirar na integração para evitar atritos. Segundo Simone, os jovens querem ver as coisas acontecendo mais rápido. E não se conformam com o “é assim mesmo”. Ela explica: “Podemos ter momentos de conflito, de ter de explicar mais de uma vez certos processos. Ou de alguém estar ocupado e não ter a solução na hora, mas conversamos e resolvemos.”

EU ACHO …

O GRITO

Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra.

Ela sabe.

Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro.

Ele sabe.

Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio.

Sabemos, sim.

Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar esse grito com conversas tolas, elucubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar  uma verdade que se encaixe nos nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita.

Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que seja óbvio que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar esse amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle.

A verdade grita. Provoca febres, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona. Mas a verdade é só uma: ninguém tem dúvida sobre si mesmo.

Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz. E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver!

Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto.

Sabe.

Eu não sei por que sou assim.

Sabe.

*** MARTHA MEDEIROS

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SONO CONTURBADO

Novos problemas ao dormir: apneia com insônia, respiração estreita e sexo sonâmbulo

As pesquisas clínicas recentes na área da medicina do sono têm encontrado novos padrões de sintomas que vão muito além de identificar que o paciente ronca ou tem insônia. Em um congresso de neurociência que deu espaço ao tema, um grupo de pesquisadores apresentou nesta semana quadros que variam de comportamento erótico noturno, uma nova síndrome de estreitamento das vias aéreas e a ocorrência simultânea de insônia crônica com apneia obstrutiva do sono.

Esses três tipos de quadro médico não são propriamente novos, mas ainda não são diagnósticos oficializados pela Classificação Internacional de Doenças. E apesar de não serem condições novas, têm aparecido cada vez mais em estudos e comunicações entre cientistas. Alguns desses distúrbios do sono já possuem nome e sigla consolidada.

PERFIL DIFERENTE

Um deles é a Síndrome da Resistência das Vias Aéreas Superiores (SRVAS), um diagnóstico que começou a ser adotado para enquadrar aqueles pacientes que têm problema respiratório para dormir mas não possuem um quadro típico de apneia obstrutiva, a condição que bloqueia totalmente a passagem do ar e desperta a pessoa.

Como em geral ela não provoca danos tão graves quanto a apneia típica, a comunidade ainda debate sobre se a SRVAS é uma condição real, mas a epidemiologia da doença sugere que ela é um transtorno com um perfil diferente.

“A síndrome da resistência das vias aéreas superiores não é como a apneia, em que a pessoa basicamente para de respirar durante a noite em alguns momentos, mas ela provoca uma limitação de fluxo do ar que também acorda a pessoa”, explica o neurorradiologista Sérgio Brasil Tufik, que tem doutorado pela Unifesp e se especializa em administração pela Universidade de Yale, nos EUA.

O pesquisador apresentou dados de pesquisa sobre a SRVAS no congresso Brain 2022, em Gramado (RS), dedicado a neurociência e comportamento. Essa síndrome tem frequência relativamente baixa no Brasil (3%), mas possui uma distribuição de casos diferente, sendo mais frequente em jovens e mulheres. Esse padrão de ocorrência é exatamente o oposto da apneia, que apesar de ter 30% ou mais de prevalência, é mais comum em homens e idosos.

“A literatura sobre a apneia obstrutiva do sono cada vez mais mostra que existe em muitos casos uma neuropatia associada, e isso não é algo que a gente vê no paciente de SRVAS”, explica Tuflk. “Existe de fato, porém, uma limitação de fluxo respiratório, e provavelmente é por um motivo anatômico e morfológico.”

É possível enxergar essa condição, ele afirma, como uma doença no “espectro” dos outros tipos de apneia, eo caso pode inclusive se agravar e passar para a apneia clássica.

MALES PARALELOS

Um outro tipo de quadro que tem ganhado uma visão diferente dentro da medicina do sono é a ocorrência simultânea de apneia obstrutiva e insônia crônica nas mesmas pessoas. Essa combinação é descrita na literatura pelo acrônimo COMISA (Comorbidade de Insônia e Sono com Apneia).

Apesar de, isoladamente, essas duas condições serem bem conhecidas, quando acometem ao mesmo tempo uma única pessoa o tratamento precisa ser mais cuidadoso, para que a solução para um dos males não agrave o outro. A atenção à COMISA se justifica pela sua prevalência.

“Os estudos mostram que de 39% a 58% daqueles com apneia obstrutiva do sono têm também insônia. Do outro lado, de 29% a 67% dos pacientes com insônia têm algum grau de apneia obstrutiva”, afirma Luciano Drager, professor do Departamento de Clínica Médica da USP.

Segundo o médico, tratara insônia antes da apneia em geral é a melhor estratégia, porque facilita o período de adaptação ao CPAP, aparelho usado para tratar a apneia.

Outros transtornos que têm atraído uma atenção particular na ciência do sono estão no campo das “parassonias”, que incluem sonambulismo e terror noturno. Muitas crianças que têm sono perturbado, por exemplo, não se enquadram dentro do quadro típico de “síndrome das pernas agitadas”, porque apresentam movimentação de todo o corpo durante a noite e o transtorno parece ter origem diferente, como deficiência de ferro.

Segundo Gustavo Moreira, pesquisador do Instituto do Sono da Unifesp, o diagnóstico adequado da condição requer uma  videopolissonografia (monitoramento com filmagem), e o tratamento é diferente, podendo envolver suplementação de ferro.

SEXÔNIA

Uma parassonia rara tem atraído a atenção dos pesquisadores da área porque pode deixar os pacientes muito perturbados. A “sexônia”, que consiste em masturbação ou comportamento sexual durante o sono profundo, frequentemente resulta em ferimentos nos portadores ou em seus parceiros de cama, explica Monica Levy Andensen, professora da Unifesp que palestrou sobre o tema no congresso. Segundo Drager, da USP, a descrição de novas doenças na medicina do sono pode ajudar a direcionar pesquisa e tratamento, mas tem que ser criteriosa.

“É preciso mostrar que um conhecimento énovo e tem relevância. Não adianta ficar criando doenças, se elas não têm impacto”, diz o médico. “Eu não falo para um paciente “você tem COMISA”. Isso é jargão científico. É necessário explicar para o paciente que ele sofre de uma associação de doenças, usando termos adequados. A linguagem para o público precisa ser muito clara.”

Se a descrição de mais tipos de distúrbios do sono pode confundir o público e os médicos generalistas, por outro lado, uma descrição mais detalhada do problema que cada paciente enfrenta permite ajustar melhor o tratamento. Para os médicos, essa movimentação nas pesquisas da área faz parte da promessa geral da “medicina personalizada que nem sempre consegue se materializar.

“Se o indivíduo tem o problema, ele tem que saber que é vítima da doença”, diz Levy Andersen.

Segundo a pesquisadora, quando o mal é bem diagnosticado o médico tem uma condição melhor de tratar o paciente, seja com drogas especificas, que precisam ser administradas com cautela, ou com psicoterapia.

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