EU ACHO …

RELAÇÕES CURTAS

Ao anunciar para uma amiga o fim de um namoro, a primeira pergunta que ela me fez (a única, aliás) foi: “Quanto tempo vocês ficaram juntos?”. Percebi que, dependendo da minha resposta, ela decidiria se eu merecia um abraço apertado ou um simples “ah, amanhã você nem lembra mais” e pularia para outro assunto.

“Seis meses”, respondi.

Adivinhe. Ela disse “ah” e nem perdeu tempo com a sequência da frase, começou logo a falar de si mesma, seu tema favorito. Não mereci nem um “que pena, miga”.

Meu histórico romântico é modesto em quantidade. Vivi um longo amor na adolescência, depois um casamento que durou vinte e um anos e então um turbulento affair que durou oito. Não se pode dizer que é o perfil de uma aventureira. Ao término dessa tripla jornada, eu

já havia chegado aos 50, não era mais uma garotinha. Mas foi justamente depois disso que alguns romances começaram a ser realmente passageiros se comparados à minha média anterior. Seis meses pode, de fato, parecer um rolo sem consequências que, quando chega ao fim, não estimula sua turma a alcançar um lenço.

Mas, como diz meu amigo Fabrício Carpinejar, relações curtas nem por isso são pequenas. São curtas porque a maturidade nos dá outra dimensão do tempo: já não fazemos investimento a fundo perdido. Conhecemos nossas capacidades e limitações, sabemos o que podemos suportar e o que não, e até desenvolvemos a proeza de prever o futuro: isso funcionará, isso nem com a benção do santo. Mas tentamos. E de tentativa em tentativa a gente vai escrevendo capítulos curtos tão significativos quanto relações longevas consideradas “sérias”.

Sério, sério mesmo, nada é, já que morreremos amanhã ou logo ali. Mas vale dar alguma gravidade aos amores, não grave no sentido de sisudo, mas no sentido de importante. Sendo assim, relações que duraram cem dias, ou que duraram 72 horas, ou que nem chegaram às vias de fato, habitando apenas o universo da fantasia, podem ser tão impactantes quanto uma história arrastada com alguém que, como diz a piada, você chama de “meu amor” porque esqueceu o nome da pessoa.

Relacionamentos iniciados na juventude e que se estenderam por décadas nem sempre são tão dignos: às vezes, é só a preguiça e o comodismo unidos contra a vontade de cair fora. Já os amores da fase madura não dão ibope à farsa. Quem ainda tem 20 anos está desculpado por se iludir, mas quem já tem alguma quilometragem não estica a discussão.

Isso não é desamor, não é frieza. Ao contrário, é a crença entusiasmada de que é possível encontrar alguém que equalize e que torne a vida mais completa e prazerosa – oxalá, para sempre. Mas sem condescendências insanas. Quem chegou aos 50 aceita a solidão que lhe cabe e só abre mão dela se valer muito a pena. Se valer, amará com entrega e verdade, mesmo sem a chancela da eternidade.

*** MARTHA MEDEIROS

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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