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O PAÍS NA PONTA DOS DEDOS

O Brasil está entre as nações mais digitalizadas do mundo, revela ampla pesquisa da FGV. O imenso desafio agora é levar a tecnologia para todos os segmentos da sociedade

Brasil, não há dúvida, é palco de imensas e inaceitáveis contradições. Mesmo com renda média mensal per capita de escassos 1.376 reais e 11,3 milhões de pessoas desempregadas, é também um dos países mais digitais do mundo. O contraste ficou evidente em uma pesquisa realizada pelo Centro de Tecnologia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV cia), que traz um retrato abrangente do mercado de tecnologia de informação no país. Apurado entre 2.650 médias e grandes empresas que atuam em território brasileiro, o levantamento traz números impressionantes. A fotografia mostra que estamos muito bem no atacado, acima da média mundial em alguns recortes. No varejo, contudo, é preciso preencher lacunas, melhorar políticas públicas e levar o acesso à internet para todas as camadas da população.

A pesquisa mostra que há hoje 447 milhões de dispositivos digitais em uso doméstico ou corporativo no país. A categoria engloba computadores de mesa, notebooks, laptops, tablets e smartphones. Em uma conta simples, são mais de dois equipamentos por habitante, incidência semelhante à de nações ricas. No entanto, o resultado ainda está distante do país mais tecnológico do mundo, os Estados Unidos. Segundo um levantamento realizado em 2020, o americano médio tem acesso a pelo menos dez aparelhos desse tipo – misto de obsolescência acelerada e exagero de consumo. Nos rankings de digitalização, uma boa surpresa vem da Estônia, o pequeno país do Leste Europeu. Atualmente, 99% dos serviços públicos locais são acessados de maneira on-line e estudos revelaram que a alta conectividade acelerou o PIB.

Unia análise apressada pode sugerir que os números brasileiros são turbinados pela presença maciça de smartphones. De fato, eles são onipresentes no país. Há 242 milhões de celulares inteligentes em funcionamento, mais do que os 212,2 milhões de habitantes. O Brasil já é o quinto maior mercado do mundo, posição notável considerando que é atualmente apenas a 13ª economia do planeta. Tudo isso é verdade, mas uma espiada em outro indicador mostra que há muitos avanços em diversas áreas. Um exemplo marcante é o total de computadores ativos, subcategoria que inclui apenas os desktops, notebooks e laptops, além dos tablets. São 205 milhões em operação neste exato momento, mas a projeção da FGV estima que o número deverá pular para espetaculares 216 milhões no início do próximo ano, atingindo assim a marca simbólica de um aparelho por habitante. Isso, claro, se não houver nenhuma grande turbulência econômica até o fim do ano, o que não é de se duvidar em se tratando de Brasil – e convém sempre estar atento a freadas bruscas.

A pandemia – sempre ela – teve papel determinante no aumento das vendas de computadores em 2021, muito em decorrência da necessidade de manter o trabalho e o ensino remotos enquanto as regras sanitárias de distanciamento social estavam em vigência. O resultado foi um crescimento de 27%, com 14 milhões de unidades vendidas. Com a manutenção do modelo híbrido nos escritórios e escolas, a tendência é que em 2022 o mercado cresça perto de1 0%. “Comparado com o mundo, nós estamos muito bem, obrigado”, afirma Fernando Meirelles, professor de TI da FGV, coordenador do levantamento.

Um computador e um celular por habitante são índices notáveis para uma nação que está muito longe de ser considerada desenvolvida (basta dar uma olhada nos indicadores de saneamento para se assombrar com os gargalos brasileiros). A questão é que o Brasil tem uma base digital relevante, mas ela não está bem distribuída. As classes mais baixas usam modelos muito limitados em termos de recursos. Isso traz sérios problemas, como o enfrentado pela Caixa Econômica Federal, que precisou refazer várias vezes seu aplicativo para o pagamento do programa Auxílio Brasil.

O mundo corporativo tem papel determinante na digitalização do país. Os investimentos em TI das empresas já equivalem a 8,7% de suas receitas, número que se aproxima dos índices da China, que tem sede por inovação. Outro indicador relevante apontado pela pesquisa é o gasto médio anual das empresas com tecnologia por funcionário, que está em torno de 50.000  reais. O comportamento varia conforme o tamanho da companhia e o ramo de atuação: em serviços, a  média de gastos é de 58.000  reais. A indústria bancária é campeã absoluta nesse quesito, com 125.000 reais desembolsados para cada empregado. Os bancos passam por digitalização sem precedentes. Os aplicativos de pagamento, as carteiras virtuais e o uso da inteligência de dados para conhecer os clientes revolucionaram o setor e tornaram os bancos nacionais competitivos no cenário internacional.

Pode até parecer exagero, mas o Brasil é hoje uma das nações mais abertas para a inovação. Uma maneira de comprovar tal afirmação é o universo das startups. Nos últimos anos, o país virou um dos celeiros mundiais para empresas iniciantes que trazem em seu DNA propostas transformadoras. De acordo com a Associação Brasileira de Startups, em 2021 foram abertas mais de 1.400 firmas desse tipo. No ano passado, as startups receberam o recorde de 10 bilhões de dólares em investimentos, quase o triplo do valor movimentado em 2020. Na comparação com pares internacionais, o Brasil faz bonito. Atualmente, aparece em nono lugar entre as nações com mais unicórnios, como são chamadas as novas empresas avaliadas em pelo menos 1 bilhão de dólares.

O Brasil digitalizado é uma realidade inescapável. A explosão de investimentos em tecnologia da informação e das vendas de aparelhos digitais durante a pandemia, no entanto, não explica sozinha como esse caminho está sendo percorrido. Segundo Felipe Mendes, diretor-geral da empresa de pesquisas GFK, o que vem crescendo mesmo é o acesso – em 2020, 83% dos lares brasileiros tinham banda larga, contra 71% no ano anterior. “O poder da disponibilidade da internet associada à penetração do celular é de fato o grande elemento de digitalização sobre qualquer outro produto que a gente possa pensar ou discutir”, afirma Mendes. Deve-se celebrar o Brasil digitalizado, atalho para o aumento de produtividade. Insista-se, contudo: há avanços extraordinários, mas precariedades também. Equilibrar o jogo é um desafio monumental, que não pode jamais ser negligenciado – a sorte é que a tecnologia pode ajudar a diminuir o fosso.

GESTÃO E CARREIRA

COMO MELHORAR A SUA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

A grande maioria dos profissionais bem sucedidos sabe controlar as próprias emoções. Na outra ponta, o desempenho é o oposto. Entenda de uma vez o que é inteligência emocional, e veja como desenvolvê-la na sua vida

William Foster viveem Los Angeles. Depois de perder o emprego e o casamento, tem um surto no dia do aniversário da filha. Abandona o carro no meio do trânsito, destrói uma mercearia porque não consegue troco e saí atirando em uma lanchonete por causa do atendimento ruim. Reconhece essa sequência de eventos? Sim: é de Um Dia de Fúria, aquele filme com o Michael Douglas. A obra de 1993 tornou-se um clássico instantâneo justamente por refletir (de forma exagerada, claro) o que todo mundo gostaria de fazer quando se sente contrariado: dar vazão ao instinto de “não levar desaforo para casa”. À arte de lidar com esses instintos de forma civilizada dá-se o nome “inteligência emocional”.

Trata-se da capacidade de reconhecer e controlar emoções profundas antes de sair agindo por impulso. Fazer isso ajuda a reduzir a ansiedade, a ter relacionamentos mais saudáveis, a tomar decisões melhores, a receber e dar feedbacks mais eficientes. Uma longa lista de vantagens.

Os estudos sobre a habilidade de gerenciar os sentimentos se aprofundaram nos anos 1990, com as pesquisas dos psicólogos Peter Salovey e John D. Mayer. E o termo ficou popular após o livro Inteligência Emocional, publicado em 1995 por Daniel Goleman, psicólogo de Harvard.

Goleman lista cinco pilares essenciais para determinar se uma pessoa é inteligente emocionalmente ou não. Os dois primeiros envolvem autoconhecimento: 1) saber como você reage em situações de estresse e identificar padrões de comportamento; e 2) controlar essas emoções.

Por exemplo: você tem medo de falar em público, mas não dá para fugir de apresentações para o resto da vida. Em algum momento vai ter de falar diante de um grupo. Então, como você já identificou a situação que te deixa com medo, dá para desenvolver técnicas para fazer com que esse sentimento não te domine, como montar um roteiro com começo, meio e fim; e ensaiar.

O terceiro pilar é a automotivação. A cada dia da vida, passamos por vários altos e baixos. Um resultado positivo no trabalho pode ser imediatamente seguido por um momento de frustração. A capacidade de manter-se motivado diante de dificuldades é o que o difere as pessoas que têm boa inteligência emocional das que não têm.

Os dois últimos envolvem a capacidade de socialização. Um é a empatia. Pessoas inteligentes emocionalmente são as mais capazes de se colocar no lugar do outro. E isso já forma a essência do quinto pilar: o de relacionamentos interpessoais. Quando você entende as motivações de alguém, o porquê de o outro ter tomado tal decisão, fica mais fácil conviver em harmonia – e, numa discussão, negociar para chegar a algo mais próximo de um consenso.

Mas existem outros atributos ligados à inteligência emocional, claro. “Um deles é o foco, que está ligado ao pilar da motivação para finalizar determinadas tarefas. Tem também a assertividade: sentir-se seguro o bastante para assumir um posicionamento”, diz a psicóloga Denize Dutra, coach e CEO da Denize Outra Gestão e Desenvolvimento.

NO CURRÍCULO

Uma ideia equivocada persistiu por muito tempo: a de que emoções e ambiente de trabalho não combinavam. Profissionais deveriam deixar os sentimentos de lado assim que batessem o ponto. Hoje, ainda bem, entende-se que isso não faz sentido. “As emoções são reflexos. É igual quando você vai ao médico e ele bate um martelinho no seu joelho. Sua perna vai levantar, não tem como controlar. Com as emoções é a mesma coisa: não há como evitar que elas aconteçam”, diz Ana Paula Tognotti, psicóloga da Zenklub.

E o ambiente de trabalho é cheio de situações que deixam as emoções à flor da-pele, claro. Caso das temidas reuniões de feedback. Durante uma avaliação negativa, é bem provável que uma pessoa com baixa inteligência emocional simplesmente fique com raiva e passe a discutir – sem levar em conta que feedbacks servem justamente para repensarmos certos pontos, corrigir atitudes que a chefia interpreta como falhas antes que seja tarde. Aí não tem jeito: a reação ruim ao feedback vai colocar outro problema na sua conta. Tem outra. Trabalho é igual família: você não escolhe as pessoas com quem vai conviver. Parentes tendem a relevar momentos de descontrole. Colegas não. Logo, não há trabalho em equipe bem feito sem boas doses de equilíbrio emocional.

E isso impacta na produtividade, obviamente. Estudos da consultoria TalentSmart concluíram que 90% dos trabalhadores com melhor desempenho possuem boa inteligência emocional. Na outra ponta, a estatística praticamente se inverte: 80% mostram pouca habilidade em dominar as próprias emoções. Pelo que a gente viu até aqui, o assunto parece simples. Mas não é. A começar pelo fato de que é difícil identificar exatamente o que você está sentindo. “Uma criança pequena muito apegada aos avós, que está sem vê-los há duas semanas, vai ter algumas sensações, como tristeza, desânimo, apatia. Ela não sabe o que esse conjunto de sensações significa. Alguém que está próximo a ela precisa falar que tudo isso se chama ‘saudades’. Esse vocabulário emocional também precisa ser expandido ao longo da vida [adulta].E isso também é treino”, diz Ana Paula, da Zenklub.

Entender que você sentiu inveja; e não algomais genérico, como “raiva”; é importante. Mas não menos do que isso é compreender que, putz, a Terra não gira em torno de você. Todos nós, todos mesmo, temos um lado egocêntrico. Tendemos a achar que a fonte dos nossos problemas está nos outros. No mundo real, porém, não é assim que funciona. “É preciso passar por um processo de autorresponsabilização. Quem não é emocionalmente inteligente costuma colocar a culpa dos seus comportamentos nos outros, na família, no chefe”, afirma Tatiana Pimenta, CEO da Virtude. Em suma: boa parte dos problemas que você vive é fruto do seu comportamento. Em vez de vitimizar-se no modo automático, tente entender quando a culpa por um entrevero foi sua, e peça desculpas quando perceber.

HORA DO TREINO

Sabemos desde o jardim de infância que há quem lide melhor e quem lide pior com os próprios sentimentos. Inteligência emocional é uma habilidade como qualquer outra – você pode nascer com ela, ou sem ela. A boa notícia é que, justamente por ser uma habilidade como qualquer outra, há como melhorá-la. Uma pesquisa americana, inclusive, mostra que profissionais que recebem treinamentos em soft skills, como técnicas para entender melhor os problemas dos colegas, tornam-se 12% mais produtivos do que aqueles que não recebem.

Terapia pura e simples já ajuda. As sessões, afinal, aprimoram o autoconhecimento, sem o qual não há inteligência emocional. Mas também existem atividades mais práticas, focadas no trabalho. Uma delas éa de observação: todos os dias, assim que encerrar o expediente, separe dez minutos para relembrar como foi a sua rotina e listar os sentimentos que teve (principalmente os negativos.) Ficou estressado durante uma reunião porque foi contrariado? Ficou acuado por tentar expor uma opinião diferente? Anote todas as emoções e quais foram as circunstâncias que levaram a elas.

Essa tarefa trabalha o conceito da previsibilidade. A ideia é que você saiba em qual situação determinado sentimento pode se manifestar no futuro, e se prepare com antecedência. Assim fica mais fácil de controlar qual vai sera sua reação. E evite definições simples como ”lidei bem” ou ”lidei mal”. Aproveite o momento para melhorar sua percepção sobre como você realmente se sentiu. Amplie seu vocabulário emocional – ajuda a fatiar os problemas.

Você pode perceber que reagiu de forma intempestiva só porque estava de mau humor. Então busque atalhos para evitar esses momentos. Um gatilho certo para ficar de cabeça quente é acumular tarefas chatas para depois. Pode ser lavar a louça, para quem está em home office, ou ter que limpar a caixa de e-mail. A dica é tirar esse tipo de coisa da frente logo no começo do dia, para não ter mais de lidar com a ansiedade de pensar nelas.

Claro que, se você for uma pessoa esquentada, vai acabar sendo impulsivo mais hora menos hora. Aí o jeito é segurar a bronca mesmo. Tente reagir menos quando algo estiver incomodando, assim você evita tirar conclusões precipitadas. Veja, não é fingir que não está sentindo nada e nem deixar passar situações abusivas. O objetivo é reduzir a transparência emocional, que é quando “está na cara” o que você está pensando, e dar tempo para que você reflita antes de tomar uma decisão. Em suma: é o velho “conte até dez”. Em boa parte das vezes, lá pelo oito já dá para ver que o caso que engatilhou o estresse talvez não tenha sido tão estressante assim.

Também crie o hábito de buscar feedback. Na maioria das vezes, não enxergamos as nossas atitudes da mesma maneira que os outros enxergam. É importante, então, entender como você é visto pelas outras pessoas. O feedback não deve ser encarado apenas como crítica, mas como uma ferramenta para descobrir os seus pontos fortes, aqueles que precisam ser melhorados, e aumentar o seu grau de consciência a respeito de si próprio. Vale pedir a amigos e familiares que avaliem a sua reação em momentos de estresse, e perguntar o que eles fariam de diferente. São pessoas da sua confiança, afinal. Você provavelmente ouvirá o diagnóstico delas com mais atenção do que o feedback de um chefe. E o processo pode ajudar você a receber feedbacks melhores do chefe lá na frente.

Por fim, para melhorar a empatia e a relação com outras pessoas, a dica é ser curioso sobre quem convive com você. Importar-se. Caso perceba que alguém está mais quieto ou mais agitado que o normal, pergunte se ele está com algum problema, se você tem como ajudar. Aproveite para treinar a escuta ativa: preste atenção de verdade no que a pessoa está dizendo antes de sair expondo a sua opinião.

O processo de aprimorar a inteligência emocional não é simples. Para boa parte das pessoas, envolve mudar (maus) hábitos arraigados. Mas vai na fé. Só o ato de tentar vai deixar claro para você que pouquíssimos dias da sua vida merecem mesmo ser um dia de fúria.

EU ACHO …

MORRI

É uma das gírias do momento: “Morri” (mas dizem que já começa a cair em desuso, fenecendo ela própria).

“Morremos” quando ficamos impactados por algo, quando um acontecimento nos tira o ar, quando não acreditamos no que estamos vendo, ou seja, quando parece que fomos para o céu. Sem fatalismo. É apenas uma gracinha.

Tenho simpatia pelo uso corriqueiro e desestressado de tudo que invoque a palavra morte. Na mesma proporção, sinto certo desprezo pela reverência aterrorizante que prestam a ela. Qual o problema, morrer?

Não tenho medo da morte porque já morri muito.

Não apenas em momentos quando cabia o uso da gíria (durante minha música preferida num show, quando me deparei com uma praia de cartão-postal, quando ouvi algo que eu esperava escutar havia tempo), mas, muitas vezes, no sentido fúnebre mesmo: morri todas as vezes em que me frustrei, morri quando deixei a infância, morri quando deixei a puberdade, morri quando passei por finais de amor, morri quando passei adiante apartamentos em que vivi, morri por todas as minhas desistências, morri diante de cada tarefa terminada, morri quando machuquei algumas pessoas sem querer, morri nas inúmeras vezes em que fui machucada, morri tanto por ferimentos leves quanto por balaços à queima-roupa.

E morri em solidariedade à morte dos outros, morri diante de tragédias que não aconteceram comigo, morri pelas estatísticas, morri de vergonha alheia, morri pelo que passou raspando. Tudo o que acontece de triste, a qualquer outro ser humano, passa rente a nós.

Morri por excesso de sensibilidade e às vezes por um rigor desmedido, mesmo que, em termos genéricos, eu procure ver alguma graça em tudo.

Agorinha mesmo, dez minutos atrás, morri um pouquinho. Coisa de nada. Já voltei.

Sem morte, não há vida. Quem não morre, não renasce, não volta mais atento, não volta mais amoroso, não volta mais experiente, não volta. Vira cadáver já na primeira morte, que pode ter acontecido aos 5 anos, aos r2, aos r6: quando você morreu pela primeira vez?

Minha relação amistosa com a morte vem justamente do exagero de amor que tenho pela vida, pela profunda capacidade de regeneração que me trouxe até aqui, habilitada para extrair alegria das mínimas coisas e êxtase das maiores. É por já ter morrido muito que vibro quando o telefone toca, quando o dia amanhece com sol, quando vejo os amigos, quando pratico exercícios, quando aprendo uma atividade nova, quando acerto, quando venço, quando comemoro. Não é só a iminência de uma morte definitiva que nos faz valorizar cada dia respirado, mas também as sucessivas mortes  pontuais, aquelas que nos dão o passe para finalizar a próxima jogada com mais êxito.

Morreu? Nasce um novo começo.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

A DIETA DA LONGEVIDADE

Uma extensa pesquisa aponta quais alimentos se devem comer para viver por mais tempo e com saúde. E ainda mostra qual a hora certa de ingeri-los

Para viver cheia de saúde até 100 anos, ou mais, a garotinha da foto ao lado deve manter a preferência pelas frutas, especialmente as vermelhas, repletas de compostos que protegem contra danos celulares, encher o prato de legumes e folhas, saborear um bom chocolate amargo, riscar do cardápio as carnes vermelhas e reduzir muito a ingestão de proteína animal, inclusive a oriunda de peixes. Essa é a essência da dieta da longevidade proposta pelos americanos Valter Longo, da Universidade do Sul da Califórnia, e Rozalyn Anderson, da Universidade de Wisconsin, reconhecidos estudiosos do impacto da alimentação na longevidade. O regime está descrito em um artigo publicado na revista científica Cell e foi formulado depois da análise de centenas de pesquisas a respeito do tema. Os cientistas queriam fazer uma varredura na literatura e extrair dados para delinear um regime que ajude as pessoas a viver saudáveis e por mais tempo. Eles trouxeram à luz os alimentos recomendados e indicaram o período ideal para consumi-los. Essa combinação – o que e quando comer – é o que diferencia o trabalho dos americanos dos demais e o configura como a última palavra sobre o assunto.

Até hoje, a maioria das investigações associando alimentação e longevidade atinha-se às propriedades nutritivas de alimentos que poderiam ajudar na prevenção de doenças, especialmente as crônicas, as que mais matam no inundo. Assim, soube-se que das frutas vermelhas obtêm-se vitamina E e compostos protetores do coração, que do azeite de oliva ganha-se o melhor tipo de gordura, que as proteínas vegetais são sempre melhores do que as fornecidas por carnes e que os alimentos integrais superam de goleada os refinados. Também concluiu-se que reduzir em média 30% a ingestão de calorias é uma boa medida. Mas ninguém tinha ideia de que organizar o consumo disso tudo de acordo com o relógio biológico é tão importante quanto a escolha dos alimentos. A pesquisa deixou isso evidente. A revisão mostrou que as refeições devem ser feitas em um período concentrado de onze a doze horas. Depois disso, mais nada. “A prática beneficia o metabolismo do que foi ingerido e o sono”, disse Valter Longo, autor principal do estudo.

Isso quer dizer que funções importantes como a regulação da concentração do açúcar no sangue, da pressão arterial e de processos inflamatórios – tríade que está por trás das doenças cardiovasculares – ficam mais eficientes quando a alimentação está sincronizada com o relógio biológico. Além disso, diminuir a ingestão de calorias também de acordo com os ponteiros do ritmo circadiano parece reduzir a atividade de genes associados à inflamação, que tendem a ficar mais ativos ao longo do envelhecimento, e aumentar a daqueles ligados ao metabolismo, menos atuantes com o passar do tempo. O fenômeno está demonstrado em um trabalho que acaba de sair na revista científica Science, de autoria de Joseph Takahashi, do Howard Hughes Medical Institute, dos Estados Unidos. O cientista comparou a resposta de cobaias a dietas restritivas usando como diferencial a maneira como a ração era consumida, se de forma livre, ao longo do dia e da noite, ou se apenas em um período determinado. O esquema usando rações pouco calóricas fornecidas livremente estendeu a vida média dos camundongos em cerca de 10%. Porém, nos animais alimentados somente à noite, quando são mais ativos, o índice foi de 35%.

Em seu trabalho, Valter Longo e Rozalyn Anderson foram mais longe na abordagem. Eles propuseram que a cada dois ou três meses as pessoas tirem cinco dias para fazer um jejum, entendendo-se por isso uma ingestão focada em legumes e verduras e bastante líquido. Na explicação de Longo, a ação promove uma espécie de liga-desliga nos processos metabólicos, permitindo a melhora das funções do organismo e a redução de fatores de risco para enfermidades crônicas. “Desde que o cérebro esteja protegido, a medida pode trazer benefícios”, considera, no Brasil, o cardiologista Heno Lopes, do Instituto do Coração, em São Paulo.

Outro aspecto interessante colocado pelos estudiosos americanos é a necessidade de adequar as recomendações de acordo com o gênero, estado de saúde, idade e genética dos indivíduos. Pessoas com mais de 65 anos, por exemplo, devem aumentar o consumo de proteínas – de origem vegetal -, peças fundamentais para a saúde muscular. Também é importante atender às preferências de paladar e referências culturais de cada população para que a aceitação da dieta seja maior. No Brasil, por exemplo, a empreitada pode não ser fácil. Primeiro, pela difícil situação econômica do país. “Neste momento em que estamos vivendo, o brasileiro está comendo o que dá para comer. Isso restringe qualquer possibilidade de a pessoa consumir alimentos associados à longevidade, geralmente mais caros”, diz Jorgemar Felix, professor de economia e finanças em gerontologia da Universidade de São Paulo. No Hospital do Coração, em São Paulo, existe uma iniciativa para criar um regime coerente com o bolso e o cardápio nacionais. “Pensamos nas regiões e damos as receitas que podem ser consumidas”, explica o nutricionista Luís Gustavo de Souza Mota. Mas o foco é a proteção do coração, não o aumento da longevidade. Na análise que conduziram, Longo e Anderson estudaram bastante os cardápios das comunidades onde vivem habitantes longevos, os centenários. Muito da dieta que criaram está baseado nos ensinamentos dessas pessoas, entre eles o apreço por alimentos frescos e naturais. Contudo, o regime diverge em alguns pontos, como o consumo acentuado de peixe preconizado na dieta mediterrânea, seguida em países como Grécia e Itália. No menu para uma vida mais extensa, a carne até é permitida, mas em quantidade reduzida. E sempre saboreada na hora certa.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ADEUS À INFÂNCIA

A mistura de genética com a vida moderna, repleta de sedentarismo e aparelhos eletrônicos, aumenta os casos de puberdade precoce. O problema é sério e precisa ser tratado

Nas anotações da adolescente judia Anne Frank, vítima do Holocausto aos 15 anos e autora do famoso diário escrito durante os dois anos em que ficou escondida com a família em um sótão de Amsterdã, na Holanda, estava a ebulição de pensamentos, dúvidas e descobertas típica da puberdade. Em duas páginas escondidas com papel pardo, reveladas apenas em 2018, a garota escreveu, aos 13 anos, sobre menstruação e outros temas pertinentes a uma jovem que descobria o próprio corpo. A revelação de trechos inéditos dos escritos de Anne provocou barulho e autorizou uma metáfora possível. O mundo lá fora era hostil, gerido pelas barbaridades do nazismo da Alemanha de Hitler. Mas Anne também vivia uma batalha íntima, possivelmente alimentada pela puberdade.

O período faz a passagem da infância para a vida adulta. Há alterações psicológicas para sustentar a maturidade emocional que precisa vir dali em diante e as físicas, que têm como finalidade o estabelecimento da capacidade reprodutiva dos indivíduos. Por isso, há o aparecimento dos caracteres sexuais secundários. Nos meninos, despontam pelos no corpo e no rosto, o testículo cresce e a voz engrossa. Nas meninas, acontece o desenvolvimento dos seios, surgem pelos nas axilas e virilha e ocorre a primeira menstruação. É uma travessia difícil em que quase sempre a criança não entende o que acontece no seu corpo ou na sua cabeça. Quando começa antes da hora, então, dá-se uma confusão que pode deixar marcas.

A puberdade precoce, como o fenômeno é chamado, é um distúrbio até muito recentemente desdenhado e que agora chama atenção de pediatras, dado o crescimento do número de casos. Em geral, o início do período não é esperado antes dos 8 anos nas meninas e dos 9 nos meninos. Contudo investigações científicas demonstram redução nas idades especialmente entre as meninas. De acordo com um levantamento da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, desde 1977 há uma queda de três meses por década para o início do período entre elas. Estima-se, aliás, que a puberdade antes da hora seja vinte vezes mais prevalente no gênero feminino. O problema é que 95% dos episódios têm causa desconhecida. Sabe-se que existe predisposição genética, como demonstra o trabalho do grupo da endocrinologista Ana Claudia Latronico, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ela pesquisa a associação do distúrbio com mutações em um gene, hipótese reforçada depois que a análise do DNA de 716 crianças de diferentes nacionalidades também apontou a relação.

Variáveis no estilo de vida, no cotidiano e nas relações sociais, no entanto, também podem acelerar o processo. O combo envolve obesidade, sedentarismo, excesso de exposição às telas e até o consumo de conteúdo sexual ou erótico inadequado para a faixa etária. Não surpreende, portanto, que o excesso de horas passadas em frente ao celular ou computador na pandemia tenha contribuído para elevar o aparecimento.de ocorrências. É o que mostra um estudo italiano com 490 crianças. Os cientistas analisaram o total identificado entre março e setembro de 2020, primeiro ano da crise sanitária, e o comparou ao mesmo período de 2019. O crescimento de diagnósticos foi de 122%,

principalmente entre as meninas. “Uma das causas é que as crianças ficaram expostas às telas nas aulas on-line, nos joguinhos”, explica Durval Damiani, do Instituto da Criança e do Adolescente da FMUSP. Aluminosidade inibe a liberação da melatonina, hormônio cuja deficiência estimula a entrada na puberdade. Entre os meninos, tudo isso conta, mas cerca de 60% dos casos têm relação com tumores no sistema nervoso central.

É fundamental tratar as crianças e o acompanhamento psicológico é sempre recomendável. A disfunção pode ter impacto nas interações em sociedade, bem como na relação dos pequenos com o próprio corpo. Outro problema é o crescimento. Primeiro, a criança cresce demais, mas, depois, a evolução para e a estatura fica abaixo da esperada. Isso pode significar uma perda de altura entre 10 e 20 centímetros em relação ao potencial genético do indivíduo. É possível interromper a antecipação por meio de terapia hormonal. Mas é preciso que pais e pediatras sejam rápidos na identificação de que algo está errado, indo mais depressa do que manda a natureza.

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