ESTAR BEM

O DESAFIO DE MANTER A SAÚDE MENTAL EM TEMPOS DE GRAVIDEZ ASSISTIDA

Médica dedicada a problemas emocionais na maternidade conta os temores vividos na sua própria luta para ter um filho

Depois de anos de envolvimento com a paternidade e maternidade a distância, é hora de uma psiquiatra especializada em saúde mental feminina seguir seu próprio conselho. Não sou alguém que sonhou com a maternidade quando menina. Pelo contrário: aos 30 e poucos anos tive um pesadelo recorrente em que estava grávida sem saber e o feto parecia um parasita invadindo meu corpo.

Crescer na cultura do sul da Ásia, que valoriza a gestação e as responsabilidades maternais, foi um dos motivos do meu medo. Eu também me divorciei no final dos meus 20 anos. Ser mãe não parecia estar no meu destino e eu me sentia bem com isso.

Apesar disso, tornei-me uma médica especializada em saúde mental materna. Depois da residência em psiquiatria e de me concentrar na psiquiatria perinatal, minha terapeuta sugeriu que minha decisão talvez fosse um mecanismo de “experimentar” a maternidade a uma distância confortável.

Atualmente, estou grávida de 34 semanas, chegando à maternidade aos 38 anos. Meu parceiro e eu tivemos o privilégio de fazer essa escolha de nos tornarmos pais mais tarde, usando a tecnologia de reprodução assistida. E sei que minha carreira e minhas experiências de vida me proporcionaram uma maior compreensão do que me dava medo e da capacidade de me preparar melhor para a maternidade.

A ambivalência sobre a maternidade é normal. Em termos psicanalíticos, pode-se dizer que estive em conflito por muitos anos. Na vida cotidiana, chamamos isso de “ambivalência” – ter duas emoções contraditórias ao mesmo tempo. No trabalho, ajudei minhas pacientes a buscar alivio da depressão e da ansiedade pós-parto com o auxílio de psicoterapia e, às vezes, meditação. Simultaneamente, vi minhas amigas passarem pelo caos da maternidade precoce.

Eu me perguntava por que alguém iria querer passar por tantas dificuldades. Mas eu ainda queria manter minhas opções em aberto. Aos 35 anos, meu parceiro e eu consultamos um especialista em fertilidade para discutir sobre o congelamento de meus óvulos. Ele e eu aprendemos que o sucesso do congelamento de óvulos era mais difícil de prever em uma mulher de 30 e poucos anos. Para maior probabilidade de sucesso, precisaríamos não só congelar embriões, mas testá-los geneticamente – o que é mais caro e demorado.

LADO POSITIVO

Foi durante o ano de pesquisa sobre como congelar meus óvulos e fazer embriões que comecei a perceber os aspectos positivos da maternidade em meu trabalho clínico. Eu havia cuidado de pacientes suficientes para ver que mesmo aquelas que sofriam de transtornos perinatais graves de humor e ansiedade melhoravam com o tratamento. Em uma sessão, uma paciente que havia experimentado um episódio depressivo na gravidez descreveu o prazer que sentiu quando sua filha agarrou seus dedos pela primeira vez e, mais tarde, reconheceu seu rosto e começou a balbuciar. Fiquei menos temerosa.

Logo depois, meu parceiro e eu começamos a tentar ter um bebê. Depois de sete tediosos meses, engravidei e tive um aborto espontâneo no primeiro trimestre. A perda foi emocional e fisicamente dolorosa. Mas olhando para trás, a parte que se destacou para mim foi o quão feliz eu estava por estar grávida naquelas poucas semanas.

Como eu tinha 37 anos, decidimos fazer a fertilização in vitro e, após cerca de um ano de injeções de hormônios, engravidei novamente. O bebê que agora cresce dentro de mim não parece um parasita ou um alienígena e toda vez que sinto um chute, tenho um choque de excitação. Mas isso não significa que minha ambivalência desapareceu. Minha carreira exige que eu me dedique ao meu trabalho. Quando for mãe, não terei esse luxo.

PRESSÃO

Recebi um fluxo de recomendações sobre os “melhores” lençóis de bebê para comprar. Em vez de alívio, me senti enfurecida. A pressão para, ver a maternidade, pesquisar todos esses produtos e mostrar que cada pequeno detalhe importa pode parecer opressiva – sem contar que em casais heterossexuais cisgêneros essa expectativa geralmente é reservada para as mães.

Durante a transição para a maternidade, precisei seguir alguns dos meus próprios conselhos. Em vez de decorar um quarto de bebê ou ler livros para pais, estou usando o tempo para priorizar meu bem-estar, sabendo que todas as escolhas sobre minha saúde mental ajudarão esse bebê. Tendo sofrido anteriormente de depressão e ansiedade, estou com alto risco de um transtorno de humor pós-parto.

Manter a medicação, dormir o suficiente e criar uma rede de apoio social são três intervenções baseadas em evidências para prevenir a ansiedade e a depressão pós-parto. Estou tomando preventivamente um inibidor de recaptação de serotonina durante a gravidez. Também contratei um doula pós-parto e entrei em contato com um fisioterapeuta para auxiliar minha recuperação. Colocar tempo e recursos em minha própria saúde mental não é egoísta – é o que mais importa.

No entanto, sou extremamente afortunada: tenho um parceiro que me apoia e um seguro de saúde que me permite consultar um terapeuta.

MUDANÇA

Isso me leva ao meu segundo ponto: reconhecer a necessidade de mudança sistêmica. Muitas famílias não têm o privilégio de fazer as escolhas que fiz durante esse período vulnerável. Garantir que eu consiga dormir um pouco como uma nova mãe está fora do alcance de muitos em um país onde menos de 5% dos pais tiram mais de duas semanas de licença e uma em cada quatro mães retoma ao trabalho em duas semanas. Mulheres negras e latinas têm ainda mais dificuldade nessas situações.

Como escrevi no passado, precisamos de uma ampla mudança social. Por exemplo, um estudo sueco descobriu que quando os pais recebiam licença-paternidade flexível remunerada houve uma redução de 26% na prescrição de medicamentos contra ansiedade para mães no pôs parto.

O dia de meu parto está se aproximando e ainda passo tempo na terapia falando sobre minha apreensão. Eu sei que serei transformada pela experiência. Às vezes, apenas questiono se vou gostar da nova versão de mim mesma. Talvez eu tenha medo de quanto amor possa sentir por esse bebê, diz minha terapeuta. Talvez ela esteja certa.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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