OUTROS OLHARES

NOS EUA, DROGAS COM FENTANIL FAZEM MORTES DE JOVENS DISPARAREM

Vendidos pelas redes sociais, remédios falsificados vêm contaminados com o opioide, de produção rápida e barata

Pouco tempo após Kade Webb, de 20 anos, desmaiar e morrer em um banheiro em Roseville, Califórnia, a polícia abriu o telefone dele e foi direto para os aplicativos de redes sociais. Lá, encontraram exatamente aquilo que temiam.

Webb, que era descontraído, andava desanimado com os problemas financeiros que surgiram na pandemia e comprou o opioide de uso controlado Percocet de traficantes pelas redes sociais. Os comprimidos possuíam uma quantidade letal de outro opioide, o fentanil, que é cem vezes mais forte que a morfina e vem sendo usado como droga.

A morte de Webb foi uma das quase 108 mil ocorrências por uso de drogas nos Estados Unidos em 2021, o que, segundo dados divulgados neste mês pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, foi considerado um recorde. As autoridades policiais dizem que uma parte alarmante dos casos fatais ocorreu da mesma mancha: comprimidos falsificados e contaminados com fentanil que adolescentes e jovens adultos compraram nas redes sociais.

Segundo a promotoria da Califórnia cerca de 90% das pílulas compradas de traficantes nas redes sociais agora são de fentanil.

Este fenômeno levou a novas estatísticas perturbadoras. Agora, as overdoses são a principal causa de morte evitável entre pessoas de 18 a 45 anos nos EUA, superando o suicídio, acidentes de trânsito e violência armada. Embora o uso de drogas por adolescentes esteja caindo no país desde 2010, as mortes por fentanil dispararam, saindo de 253 em 2019 para 884 em 2021, de acordo com um estudo recente publicado pela revista acadêmica JAMA.

As taxas de uso ilícito de comprimidos prescritos agora são mais altas entre pessoas de 18 a 25 anos. Os fornecedores de hoje adotaram interações modernas, com as mídias sociais e aplicativos de mensagem. As plataformas tornaram-se um canal rápido e fácil durante a pandemia, quando a demanda por medicamentos prescritos ilícitos aumentou tanto por clientes ansiosos e entediados quanto por aqueles que já lutavam contra o vício e tiveram seu apoio social afastado.

VICIANTE

Pressionados pelos cartéis mexicanos e com produtos químicos da China e da Índia, os suprimentos de comprimidos contaminados aumentaram significativamente. Fentanil, que é mais rápido e barato de produzir do que a heroína e é 50 vezes mais potente, foi feito para ser extremamente viciante. No ano passado, uma organização antidrogas apreendeu 20 milhões de comprimidos falsificados, o que os especialistas estimam representar apenas uma pequena fração do que é produzido.

Segundo os cientistas, cerca de quatro em cada dez comprimidos contêm doses letais da substância. O resultado é que uma grande quantidade de clientes estão rapidamente se tornando viciados, afirmou Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas.

“Quando você coloca fentanil em comprimidos que são vendidos como remédios para dor, você está alcançando um grupo de clientes que não teria se estivesse vendendo fentanil em pó, diz.

Por volta de 1h30 de 15 de agosto de 2020, Zachariah Plunk, de 17 anos, um jogador de futebol americano do ensino médio de Mesa, Arizona, entrou em contato com um ‘revendedor’ por meio do Snapchat, buscando um Percocet. Como as imagens da câmera de segurança da casa revelariam, o traficante deixou as drogas por volta das 3h. Zach saiu, tomou um comprimido e caiu no meio-fio. Às 5h da manhã, um vizinho o encontrou morto.

Para Wendy Plunk, mãe de Zach, a facilidade com que os traficantes driblam punições é devastadora. O homem que vendeu a pílula a seu filho segue no Snapchat, disse ela.

Enfrentando uma enxurrada de críticas nos EUA, as plataformas de mídia social intensificaram o controle, fechando contas de traficantes e redirecionando usuários de drogas para serviços de dependência.

MOTIVAÇÃO

Durante a pandemia, o uso de drogas aumentou a medida que a saúde mental se deteriorou, mostram estudos. Os jovens tendem a evitar a heroína, não apenas por ser reconhecidamente viciante, mas também por medo das seringas, dizem especialistas em comportamento de adolescentes. As pílulas, com a falsa sensação de algo médico, parecem mais seguras. Além disso, para esta geração, remédios prescritos – para ansiedade, depressão e foco – viraram algo normal.

Pesquisa com 1.449 usuários do Snapchat com idades entre 13 e 24 anos mostra a vulnerabilidade ao uso indevido desses medicamentos prescritos.

Os jovens disseram sentir-se sobrecarregados, ansiosos e deprimidos, mas também com medo do estigma em torno dos desafios da saúde mental. ”Lidar com o estresse foi a principal razão citada. para recorrer a comprimidos ilícitos.

Porém, apenas metade dos entrevistados em geral – é só 27% dos adolescentes – sabiam que o fentanil poderia estar nas pílulas falsificadas. No geral, 23% nem sabiam o suficiente sobre a substância para classificar seu nível de perigo, incluindo 35% dos adolescentes.

GESTÃO E CARREIRA

MAIORES EMPREGADORES MANTÊM HOME OFFICE E TRABALHO HÍBRIDO

Levantamentos apontam preferência por modelo flexível e ganho de produtividade em casa

Impulsionados pelas medidas de isolamento, o home office e o trabalho híbrido permanecem sendo adotados por algumas das maiores empregadoras do país, e a expectativa é que sejam mantidos, mesmo com o avanço da vacinação.

A decisão de seguir com a opção de trabalho remoto, ao menos por algumas vezes por semana, está em linha como que apontam levantamentos recentes em que os trabalhadores dizem querer aproveitar a experiencia de trabalho que tiveram nos últimos anos e preferem não estar no escritório todos os dias.

Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho e Previdência, fazem parte dos maiores empregadores formais do pais instituições bancárias (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco e Itaú), os Correios, empresas do setor de alimentação (BRF e Seara), de teleatendimento (Atento) e de saúde (Raia-Drogasil).

Pelos critérios da Rais, o topo do ranking antes da pandemia, em 2019, era dos Correios e do Banco do Brasil. De acordo com os dados atuais de número de funcionários fornecidos pelas empresas, o primeiro lugar em 2022 pode ficar com o Itaú Unibanco.

Com quase 100 mil colaboradores hoje, o Itaú Unibanco chegou a migrar metade de seu quadro para o modelo remoto, com o início da pandemia, em 2020.

Em fevereiro deste ano, já com a vacinação em estágio mais avançado, o banco passou a adotar três modelos de trabalho nos escritórios administrativos: presencial, para os colaboradores cujas funções demandam presença no banco todos os dias; híbrido, para times que precisam trabalhar nos escritórios com frequência ou em situações pré-definidas; e flexível, que prevê mais autonomia.

No caso dos Correios, atualmente com 88,5 mil empregados, 2% (cerca de 1.770) estão em trabalho remoto. Segundo a empresa, mesmo antes da pandemia, a partir da reforma trabalhista de 2019, o teletrabalho é uma opção para parte do quadro de funcionários, “observando as condições legais, bem como a conveniência na prestação dos serviços”.

No Bradesco, há a expectativa de manter 30% do quadro de funcionários no sistema hibrido para as áreas administrativas com atividades elegíveis.

“O aprendizado com o trabalho remoto permitiu que, por meio de acordo coletivo com o movimento sindical, fôssemos o primeiro banco de grande porte a assumir o compromisso de adotar essa forma de trabalho após a pandemia”, diz a instituição, que tem 87,5 mil funcionários. Eles também têm a avaliação de que, em algumas áreas, essa modalidade passou a ser relevante para a atratividade e a retenção de talentos.

A Caixa chegou a ter mais de 56 mil empregados (35,6% do total) trabalhando de casa, em razão da pandemia, e teve um retorno positivo por parte dos que atuaram remotamente, sobretudo pela maior autonomia e possibilidade de conciliação entre trabalho e família.

“Com isso, considerando o cenário atual, estudam-se a implantação e percentuais aplicáveis para manutenção do trabalho remoto na empresa”, diz a assessoria do banco.

Depois de usar a modalidade durante a pandemia, o Banco do Brasil implantou o trabalho de formato hibrido, com até dois dias na semana fora do escritório. Atualmente, são cerca de 4% dos 86,3 mil funcionários alternando entre o trabalho remoto e o presencial. A instituição diz acompanhar a tendência das novas modalidades de trabalho desde 2015, quando criou um projeto-piloto para alguns funcionários, e a necessidade de adotar o trabalho remoto durante a pandemia reforçou as vantagens dessas modalidades.

No fim de março, o governo editou uma medida provisória que regulava o trabalho híbrido. Especialistas em direito do trabalho ainda se dividem sobre a possiblidade de que as novas regras incentivem mais empregadores a ofertar essa modalidade de trabalho.

Dos 70 mil colaboradores da Atento, cerca de 15% estão em home office – o restante se divide entre os modelos híbrido e presencial.

“O sistema tem se mostrado benéfico para todos. Esse formato de trabalho ampliou as possibilidades de contratação e movimentação interna de profissionais que, por algum motivo, priorizam o modelo remoto”, diz Ana Marcia Lopes, vice-presidente de Pessoas e Responsabilidade Social da Atento no Brasil.

Moradora de Sorriso (MT), a consultora Vanessa Marquiafavel, 42, é um exemplo disso. Formada em letras e na Atento desde o início do ano, ela ajuda a desenvolver interfaces para assistentes virtuais, que deixam mais humanizado o atendimento feito por robôs em call centers.

“Sou linguista computacional e trabalho em home office desde 2007. Antes, a vida de quem trabalhava de casa era um pouco mais complicada, mas a pandemia acabou deixando as empresas mais preparadas”, diz.

Em casa, ela consegue aproveitar melhor o tempo com o marido, que é agrônomo, e o filho, de cinco anos. “Ainda não encontrei uma desvantagem no home office”.

Já a Raia-Drogasil decidiu manter os 3.000 funcionários da área corporativa no modelo hibrido. Levamos em conta todos os aprendizados extraídos ao longo dos últimos dois anos”, diz Patrícia Vasconcelos Giacomo, diretora da empresa. Quando iniciou o retorno ao presencial, a rede de farmácias, que tem 50 mil colaboradores, optou por fortalecer a independência das equipes. “O estar junto agora tem outro significado, muito mais profundo que o cumprimento de uma tarefa. Os times tem liberdade de definir quando faz sentido estar junto”, diz ela. Uma consulta feita com mil pessoas pela Edelman América Latina em março apontou que os brasileiros estão satisfeitos com seus empregos atuais, percepção que aumentou com o trabalho remoto. Para 61%, o home office fez crescer a satisfação com o emprego, enquanto apenas 16% disseram que diminuiu.

Além disso, o estudo – que foi encomendado pela plataforma de suporte tecnológico para empresas ServiceNow ­ diz que 7 em cada 10 estão trabalhando de casa ao menos em dois dias na semana, ante 52% no pré-pandemia.

Antes da crise sanitária, 21% nunca haviam trabalhado em home office, e agora há apenas 1% nessa situação.

“Foram várias descobertas e ganhos com o trabalho remoto, e a maioria não quer abrir mão disso. O que se observa é uma tendência de o funcionário negociar um modelo híbrido com a empresa, sempre que possível”, diz Katia Ortiz, executiva da ServiceNow no Brasil.

Entre os aspectos positivos do home office apontados pelos entrevistados, estão a economia de tempo de deslocamento (51%), a economia de dinheiro (43%) e o maior tempo com a família (41%). Por outro lado, 28%, se sentem mais desconectados do trabalho, e 27% dizem que é mais fácil se distrair.

Ortiz complementa que a própria empresa percebe que é importante tornar os funcionários mais satisfeitos. “Nos EUA, há um movimento forte de empregados pedindo demissão também por terem sido obrigados a voltar ao escritório. Para reter talentos, a empresa acaba tentando ofertar modelos alternativos e aumentar o investimento em tecnologia”.

Outro estudo recente, da Eaesp-FGV (Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas) em parceria com o Page Group e a PwC Brasil, apontou que 72% dos executivos dizem acreditar que a chefia se adaptou ao trabalho remoto, e 71% dos colaboradores têm expectativas de mudanças no ambiente de trabalho, rumo a uma maior flexibilização.

Em empresas de menor porte, a decisão também tem sido manter dias de trabalho fora do escritório.

“Ao adotarmos o home office como modelo oficial, percebemos vantagem tanto em termos de satisfação dos colaboradores quanto na atração de talentos. Mais de 40% estão fora do eixo Rio-São Paulo”, diz Bruno Pereira, executivo da Cortex, plataforma de big data que vende soluções para vendas e comunicação, onde o trabalho é totalmente remoto para os 300 colaboradores. Entre eles está Amanda Sena, 40, gerente do time de atendimento e marketing. Após trabalhar por três meses no começo de 2020 no sistema presencial, ela migrou, com o restante da empresa, para o home office e não pretende voltar à antiga rotina.

“Quando precisava me deslocar para o escritório, na zona sul de São Paulo, tudo era mais complicado: o trânsito caótico, o transporte público não ajudava. Agora, consigo conviver mais com meu marido, que émúsico, e o nosso cachorro. A empresa também só ganhou ao ter mais pessoas de fora:”

EU ACHO…

UM DEUS QUE SORRI

Eu acredito em Deus. Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro. O Deus em que acredito não foi globalizado.

O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém. É uma ideia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. Não está cansado, portanto não tem trono.

O Deus que me acompanha não é bíblico. Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.

O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão. Ave-maria, Pai-nosso, isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo. Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.

O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que  nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?

O Deus em que acredito não é tão bonzinho: me castiga e me deixa uns tempos sozinha. Não me abandona, mas me exige mais do que uma visita à igreja, uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que pesar: dentro. É onde tudo acontece e tudo se resolve.

Este é o Deus que me acompanha. Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe-tudo e vê-tudo. Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas a fim de me incentivar, de me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: um abraço numa amiga, uma música na hora certa, um silêncio. É onipresente, mas não onipotente. Meu Deus é humilde. Não posso imaginar um Deus repressor e um Deus que não sorri. Quem não te sorri não é cúmplice.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

MANÍACO POR LIMPEZA? VOCÊ PODE ESTAR FAZENDO TUDO ERRADO

Em razão da pandemia, aumentou a preocupação em manter os lugares limpos; saiba como fazer a higiene correta com os produtos adequados nas diferentes situações

Uma das minhas primeiras lembranças é o cheiro pungente de álcool. Todas as noites, minha mãe borrifava a pia da cozinha e os balcões com álcool isopropílico para desinfetá-los. Não é de se admirar: ela cuidou de mim por meses quando eu peguei uma infecção por salmonela quando criança. As bactérias eram seu inimigo. “Eu me tornei uma louca por isso”; ela admitiu recentemente. “Eu me tornei uma germofóbica.”

Não é surpresa, então, que eu cresci para ser uma germofóbica também. Mantenho uma variedade estonteante de lenços antimicrobianos no porão, tenho pelo menos sete frascos de desinfetante para as mãos em casa e no carro, e mantenho uma bolsa de emergência no armário cheia de lenços umedecidos com água sanitária e outros apetrechos desinfetantes, caso uma infecção estomacal atinja nossa casa. (Há uma diferença entre limpar e arrumar. Sou fanática com a primeira, mas preguiçosa com a segunda).

Hoje, por causa da pandemia, não estou sozinha na minha paranoia de germes. Em uma pesquisa de 2021 com 2 mil adultos dos EUA, 42% dos entrevistados disseram que agora se identificam como germofóbicos. Mas nossos medos nem sempre são bem fundamentados, aprendi isso esta semana quando entrevistei químicos e especialistas em limpeza. Muitas práticas populares de limpeza não são eficazes e algumas são simplesmente desnecessárias. Confira

CONCENTRE-SE NOS GERMES RUINS

Muitas vezes, me sinto culpada de pensar que vírus e bactérias são “ruins”, mas, muitas bactérias fazem coisas boas – como aquelas em nosso intestino. “Os micróbios estão absolutamente em toda parte”, disse Erica Hartmann, engenheira ambiental da Northwestern University.

”E isso não é um coisa ruim.” Pesquisas sugerem que crianças que crescem em fazendas, cercadas por micróbios, têm um risco menor de desenvolver asma e alergias. Antes de entrar no âmago da questão, deixe-me explicar a diferença científica entre limpeza e desinfecção. A limpeza remove coisas-sujeira, migalhas, germes, pelos de cachorro – das superfícies. A desinfecção mata coisas – normalmente vírus e bactérias. A limpeza é algo que podemos fazer regularmente, explicou a dra. Hartmann, mas precisamos nos preocupar em matar (desinfetar) apenas germes perigosos e causadores de doenças.

Você não precisa desinfetar os balcões da cozinha todos os dias, a menos que tenha manuseado carne crua. Não precisa também desinfetar obsessivamente seu banheiro, a menos que alguém em sua casa tenha uma infecção que se espalhe pelas fezes, como salmonela. Para bagunças comuns, você não precisa pegar um lenço desinfetante porque água e sabão removerão o resíduo pegajoso.

Você se pergunta: por que não desinfetar tudo? Existem riscos de longo prazo associados ao uso excessivo de certos desinfetantes, como compostos quaternários de amônio. Esses “quats”, como são chamados, são encontrados em muitos produtos de limpeza doméstica, incluindo sprays e lenços feitos por Lysol e Clorox. Esses produtos podem aumentar o risco de resistência a antibióticos, informou a dra. Hartmann. Além disso – embora os especialistas com quem conversei discordem sobre o quanto devemos nos preocupar -desinfetantes como alvejante, amônia e quats liberam gases que podem ser prejudiciais, orientou Pavel Misztal, químico que estuda desinfetantes na Universidade do Texas. Por- tanto, use desinfetantes quando precisar desinfetar.

USE DESINFETANTES COM SABEDORIA

Quando tiver motivos para se preocupar com germes, mate todos eles com um desinfetante, mas lembre-se de que alguns produtos químicos funcionam melhor que outros. Sabão simples e água podem matar germes quando fazem espuma, mas não serão infalíveis se você estiver tentando eliminar micróbios das superfícies, garantiu Bill Wuest, químico da Emory University. Muito mais eficazes são os desinfetantes como alvejante, álcool isopropílico, etanol, peróxido de hidrogênio e produtos de limpeza à base de quaternários de amônia. Se você estiver usando um desinfetante que libera vapores, como alvejante ou amônia, ventile a área primeiro abrindo portas ou janelas ou use uma máscara facial descartável. Muitas pessoas pulverizam ou passam desinfetantes em uma superfície e, em seguida, limpam o produto com uma toalha de papel ou esponja, exemplificou Wuest, mas isso remove o produto químico antes que ele tenha a possibilidade de desinfetar.

Se estiver usando um produto comprado em loja, o tempo de desinfecção deve estar no rótulo. As recomendações para soluções de alvejante variam entre 1 e 10 minutos. As soluções à base de álcool não precisam ser limpas depois, pois eventualmente evaporam. E alguns desinfetantes botânicos podem precisar de muito tempo, até 15 ou 30 minutos.

PRODUZIDO EM CASA

Você pode fazer desinfetantes. Para uma solução desinfetante de alvejante, misture 1/3 de xícara de alvejante doméstico com um galão de água. (O alvejante se decompõe rapidamente na água, portanto, você precisará fazer uma nova solução todos os dias. E nunca misture alvejante com produtos químicos que não sejam água). Sprays com 70% de etanol ou álcool isopropílico e 30% de água também são eficazes, ensinou a dra. Quave. Ela enfatizou que se deve misturar álcool com água para evitar que ele evapore antes de desinfetar.

Também é possível fazer desinfetantes à base de plantas, alguns dos quais são menos tóxicos e mais ecológicos. Mas desinfetantes botânicos podem não funcionar tão rapidamente quanto os alvejantes, os quats ou o álcool. O vinagre doméstico, por exemplo, é um desinfetante botânico popular, mas não é tão eficaz para matar germes quanto alvejante ou álcool. TRADUÇÃOLIVIA80

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RESPEITO É BOM

A parentalidade gentil tem como princípio acolher a criança, sem castigos físicos ou punições. Entenda seus benefícios

Respeitar as etapas de desenvolvimento da criança, acolher seu choro e suas necessidades e tratá-la com respeito, sem ameaças, tapas e gritos, deveria ser um padrão na sociedade. Mas está longe de ser, segundo especialistas em parentalidade gentil. “A educação no Brasil não é respeitosa. Na verdade, a infância é tratada com violência na maioria das culturas no mundo”, diz Nanda Perim, psicóloga e educadora parental, autora do livro Educar Sem Pirar. Isso tem consequências na saúde mental e no relacionamento com outras pessoas. ”No longo prazo, essa pessoa vai tentar tapar o buraco por não se sentir amada ou valorizada”

Para os especialistas, há uma crença arraigada de que a palmada educa. “A justificativa para a violência é que bater vai tornar a criança um adulto melhor, quando, na verdade, é o contrário”, explica Nanda. A palmada pode afetar o desenvolvimento do cérebro da criança de forma semelhante a outras violências, concluiu estudo da Universidade Harvard, nos EUA, divulgado em abril de 2021.

De acordo com os autores do estudo, o castigo corporal tem sido associado ao desenvolvimento de problemas de saúde mental, ansiedade, depressão, problemas comportamentais e transtornos por uso de substâncias. Porém, a relação entre a palmada e a atividade cerebral ainda não havia sido estudada e a pesquisa reforça a importância de inibir esse tipo de tratamento dado às crianças.

Atualmente, 63 países proíbem punição física a crianças em qualquer ambiente, segundo a End Corporal Punishment, iniciativa que agrupa globalmente mais de 500 integrantes – empresas, instituições e governos – para o fim da violência contra crianças.  No Brasil, castigar fisicamente ou dar tratamento cruel ou degradante a uma criança ou adolescente é crime, de acordo com a Lei Menino Bernardo, a “lei da palmada”, aprovada em 2014.

Os pais educam de forma violenta, porque é essa referência que eles conhecem, explica a psicanalista e educadora parental Elisama Santos, autora dos livros Educação Não Violenta e Por Que Gritamos. Romper esse ciclo é difícil porque questionar esse padrão leva a refletir sobre as violências já sofridas. “Isso pode doer bastante.”

Quando uma criança ou adolescente tem um comportamento desafiador, Elisama recomenda que os pais ou cuidadores tentem entender o que está sendo comunicado. “Se percebo que a criança não consegue se expressar, devo ajudá-la a entender o que ela sente e a lidar de outra forma com o problema.” Para isso, o adulto deve sair da dinâmica de exercício de poder e assumir sua responsabilidade perante a criança. “É preciso enxergar a criança como um ser humano, não como um robô que precisa me atender de forma imediata.”

Os temidos ataques de “birra”, por exemplo, fazem parte do desenvolvimento da criança, que ainda tem dificuldade de lidar com frustrações, conta Elisama. “Gritar, reclamar, chorar depois de ouvir um ‘não’ faz parte da formação. O que não faz parte é um adulto que, em vez de conversar e ajudar a criança a lidar com suas emoções, se comporte de forma infantil e comece a gritar e bater porque tem mais poder.” Segundo ela, a educação tradicional não ensinou pais e cuidadores a lidar com as próprias emoções. “Por isso, descarregam as dores nas crianças.”

AUTOCONHECIMENTO

A educação respeitosa permite à criança mais conhecimento sobre si mesma, ensina Elisama. ”Na educação tradicional ela não pode dizer não e, por isso, apenas obedece. Não olha para as próprias emoções.” Além de se conhecer, tem melhor relação interpessoal, pois comunica limites e é atenta ao sentimento do outro. A educação respeitosa também abre espaço para que as crianças cresçam conscientes da própria potência. “Elas não são apenas pessoas que obedecem e sabem que são importantes na comunidade”.

Mãe de Miguel, de 8 anos, e Helena, de 6, Elisama afirma já ver os frutos da criação respeitosa dos ‘filhos. “Eles conhecem suas emoções e são assertivos na hora de comunicar o que precisam.” Ela conta um episódio em que Miguel ficou bravo na escola, aos 4 anos. Ele se deitou na grama e ficou olhando para o céu. Disse à professora que isso o ajudaria a se acalmar. “Ele não bateu, não tratou mal ninguém. É a prova do quanto reconhecer e nomear as nossas emoções nos ajuda.”

A visão de Elisama é compartilhada pela farmacêutica Renata Paggioli, de 44 anos, mãe de Heitor, de 5. Ainda na gravidez já sabia que não educaria o filho com castigos e recompensas. “A educação tradicional me deixou marcas emocionais e não queria que isso se repetisse”.

Quando Heitor nasceu, porém, ela não sabia o que fazer diante do choro incessante do bebê. “Ele ficava várias horas chorando e eu chorava junto”, conta. Renata começou a fazer psicoterapia e a devorar conteúdo sobre parentalidade gentil. Abandonar o filho no berço, chorando, ou realizar “treinos de sono” estavam fora de cogitação. “Nada resolvia os meus problemas. Eu estava no limbo.”

O que salvou Renata foi a metodologia Hand in Hand Parenting, que leva em consideração o funcionamento do cérebro infantil para estabelecer conexão entre adulto e criança, e que valoriza o choro e a gargalhada como processos de alívio emocional. “As pessoas têm medo do choro, poiso veem como sofrimento. Mas ele existe para depurar um sentimento difícil.”

Esse exercício de expelir o “cocô emocional”- termo usado pelos praticantes do Hand in Hand – vale tanto para adultos quanto para os pequenos. A metodologia inclui um processo de troca de escuta entre cuidadores, que permite “soltar os cachorros’), enquanto a outra pessoa escuta, sem julgar ou dar opinião. “Essa parceria de escuta foi um divisor de águas, pois nesse momento eu dou os meus chiliques e deixo o meu pacote emocional lá.”

Quando criança, Renata tinha o seu choro reprimido. “Eu escutava a frase ‘engole o choro’ e isso foi ruim para mim, pois carrego até hoje emoções que não foram processadas.”

Quando a criança chora, deve ter seu choro acolhido até que se acalme, orienta a pedagoga Vanessa Galvani, instrutora do Hand in Hand Parenting. “Caso contrário, representa um abandono emocional. A criança entende que ninguém vai ficar com ela quando ela estiver mal. Sem construir essa conexão, quando se tornar adolescente estará distante dos pais.”

Para que o adulto consiga acolher o choro da criança, ele precisa ser acolhido. “Ele tem de olhar para a sua caixinha da infância e liberar as tensões. Senão, só vai conseguir gritar diante do choro da criança.”

Ao contrário do que muitos pensam, ”criança que tem liberdade para chorar não se tornará mais fraca”, declara Vanessa. “Elas vão aprender a se regular emocionalmente e saberão processar seus sentimentos, encarar os problemas do mundo e voltarem mais fortes. Serão adultos resilientes.”

EVOLUÇÃO

Desde 2015, a psicóloga Márcia Tosin está empenhada em conquistar mais adeptos ao Movimento Neurocompatível, que leva em consideração na educação infantil a adaptação do sistema nervoso na história evolutiva da nossa espécie. “A criança apresenta mecanismos biológicos que têm sua razão de existir. São etapas de desenvolvimento universais, presentes em crianças de todo o mundo.”

É comum que uma criança queira dormir com os pais ou que tenha medo de escuro, por exemplo, já que esse comportamento protegia as crianças de predadores e outros perigos. ”A ação dos pais sobre alguns desses comportamentos pode ser irrelevante, já que são dispositivos complexos e antigos que foram constituídos para a nossa sobrevivência. Mas há quem venda cursos, livros e soluções para tentar resolver um problema que evolutivamente não é um problema.”

A psicóloga acredita que a maioria das pessoas hoje não sabe muito sobre desenvolvimento infantil porque as crianças participam pouco da sociedade e os adultos não têm a oportunidade de notá-las. “As pessoas estão em suas carreiras e, de repente, se veem diante da birra de um filho, estressados, por nunca terem passado por essa experiência”, observa.

Consciente de que há um ritmo natural de desenvolvimento e que cada criança tem seu tempo para atingir seus marcos, como desmame, desfralde e aprendizagem da leitura e da escrita, o adulto deve abrir mão do controle. “A principal estratégia evolutiva que os humanos usam para se desenvolver é a imitação. A função dos pais é enriquecer esse ambiente e perceber os desenvolvimentos atípicos e, nesses casos, buscar ajuda. A maioria das crianças se desenvolverá bem se receber um ambiente amoroso e estimulante”, admite Márcia.

Segundo ela, essa é uma quebra de paradigma que choca a sociedade porque ainda vemos a criança como alguém que recebe passivamente o conhecimento do adulto.

Adepta da criação neurocompatível, a policial civil Simone Torres, de 45 anos, mãe de Davi, de 4, costuma receber críticas. “Há quem diga que não coloco limites ou que mimo demais o meu filho. Mas o que importa é que eu seja coerente com os meus princípios.” No dia a dia, Simone não cobra de Davi uma maturidade que não seja compatível com a sua fase. “Se a gente quer dormir junto com ele, a gente dorme. Qual é o problema? Meu marido e eu temos outros momentos para ficarmos juntos, não precisa ser na hora do sono.”

A comunicadora Priscila Inserra também divide a cama com a filha Clarisse, de 6 anos. Com a filha mais velha, Gabriela, hoje com 15 anos, ela tinha de se levantar da cama para atendê-la no berço, mas percebia que a filha dormia melhor com ela. “Só tenho elogios para a cama compartilhada, que não faz mal à criança, pelo contrário. O apego deixa as crianças mais seguras”, defende. Para ela, permitir que a própria criança guie o seu desmame e o seu desfralde faz parte do respeito ao desenvolvimento infantil. “Digo sempre para a Clarisse que o ‘mamá’ é meu. Ela tem de pedir para mamar e respeitar quando eu estiver cansada. Assim, ensino sobre limites.”

Desde 2006, quando engravidou de Gabriela, Priscila busca praticar a criação gentil. No início, teve dificuldades de abrir mão do autoritarismo e reproduzia falas que aprendeu. ”Percebi isso quando minha filha falou que estava com medo de mim.” Dez anos depois, grávida de Clarisse, resolveu se dedicar profissionalmente à causa.

Desde 2016, promove workshops e encontros parentais. Em 2020, organizou um evento online de 10 dias, com 52 palestrantes e mais de 3 mil participantes. “É um tema em voga, com muitos interessados. Se não é pelo respeito à criança, é pelo mercado de trabalho, que busca um profissional com características emocionais que são obtidas pela educação gentil e empática.”

CONEXÃO COM O CORPO

Uma educação respeitosa tem como um dos pilares o respeito aos processos fisiológicos da criança no parto, na amamentação, na alimentação, no sono e no desfralde, diz a nefrologista pediátrica, Luiza Ghizoni. “Quando uma família força uma criança a raspar o prato na refeição, está desconectando a criança do seu corpo, já que ela vai perder a sua noção de saciedade.” Segundo a pediatra, entre as etapas do desenvolvimento, a mais desrespeitada é o desfralde. “A sociedade entende que precisa intervir no desfralde, não confia na sabedoria do corpo da criança. E a consequência é a maior propensão a ter mau funcionamento da bexiga e do intestino. Vejo no meu consultório uma ‘epidemia’ de crianças com dificuldade de controlar excreções.”

Assim como há etapas a cumprir antes de andar, como sentar e engatinhar, o desfralde também inclui estágios anteriores, relacionados ao desenvolvimento motor, cognitivo e emocional. “O processo de desfralde deve ser conduzido pela criança, sem intervenção do adulto, que deve deixá-la de fralda até que ela não queira mais. Não precisa estimular ou premiar”, esclarece Luiza.

 A engenheira e empresária Flávia Ramos Tenreiro, de 35 anos, conta que seus filhos Thomás, de 6, e Melina, de 3, guiaram o próprio desfralde. Da mesma forma, buscou uma solução gentil para o desmame: Melina ainda mama e Thomás deixou de mamar aos 5 anos. “A amamentação não é só alimento. É vínculo, carinho, segurança. Por isso, respeito o tempo deles.”

As dificuldades de seguir a educação respeitosa surgem quando Flávia precisa sair da sua “bolha caseira”. “É muito difícil escolher escola, pediatra ou dentista que sejam respeitosos”, afirma. Flávia conta que uma vez recebeu um papel de um pediatra com a recomendação de não pegar o filho no colo para não ficar mal-acostumado. “Há muitos obstáculos para quem quer praticar a educação respeitosa. Mas assim eles vão saber se respeitar e respeitar o próximo.”

A sobrecarga dos cuidadores (geralmente as mães) é um empecilho à educação respeitosa, na visão de Flávia. “Quando uma mãe não tem com quem dividir a carga, vai falhar mais, pois está no seu limite. Na pandemia, sem rede de apoio, isso ficou nítido na nossa família.”

A psicanalista e educadora parental Thais Basile, autora do Livro Nossa Infância, Nossos Filhos, reforça a observação de Flávia. “Muitas mães trabalham formalmente e ainda têm a responsabilidade pelo trabalho doméstico e pelas crianças. E para dar conta, a criança é silenciada”, avalia. Segundo ela, para piorar. há muitos homens que acham que usar o diálogo na criação é ”mimar” e ”criar crianças fracas” – e demandam que as mães sejam mais rígidas com os filhos. “Essa responsabilidade não pode ser individualizada. O Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, coloca a sociedade e o Estado como responsáveis pela proteção das crianças e seu desenvolvimento saudável. São os adultos, as instituições e as estruturas que precisam mudar”, acrescenta.

COMO PRATICAR A EDUCAÇÃO RESPEITOSA

•  Encare a criança ou o jovem como uma pessoa que merece respeito. Portanto, nada de palmadas, ameaças, castigos, chantagem e violência psicológica, mesmo que sutil.

•  Lembre-se de que o adulto é você, que deve buscar manter a paciência e o autocontrole mesmo em situações desafiadoras. Caso esteja a ponto de “explodir”, avise a criança que vai se distanciar e saia de perto para gerenciar as suas emoções.

•  Acolha o choro: é esperado que as crianças chorem ou façam ”birra”. Ajude a criança a reconhecer os próprios sentimentos e a buscar uma solução para a sua necessidade que não seja violenta.

•  Dialogue: ouça a criança com atenção e comunique-se com clareza, numa linguagem compatível com a idade da criança ou do jovem.

•  Busque a conexão com a criança por meio das brincadeiras ou momentos de diversão.

•  Não minta, para que não haja quebra de confiança. Conheça os marcos de desenvolvimento infantil e entenda que cada criança tem o seu ritmo.

•  Perceba que por trás de um comportamento desafiador de uma criança há uma necessidade mal comunicada.

•  Cuide de si: é preciso estar bem consigo para acolher a criança. Lembre-se de que essa é uma oportunidade para curar as feridas das violências sofridas em sua própria infância.

•  Reconheça as suas falhas e tropeços. Mostrar-se humano para as crianças ajuda a aproximar-se delas.

M.A

Interviews, reviews, marketing for writers and artists across the globe

Gaveta de notas

Guardando idéias, pensamentos e opiniões...

Isabela Lima Escreve.

Reflexões sobre psicoterapia e sobre a vida!

Roopkathaa

high on stories

Luna en mengua

Poesía, arte, literatura y música.

de tudo um pouco ❗❕❗😉👌

de tudo um pouco 😉👌

Painel do Grupo

Aqui um pouquinho de nossas realizações

Buds of Wisdom

Fall in Love with Grammar !

pretapoesia

Escreviver é isso: viver, escrever, viver novamente. Writing is just like this: live, write, live again.

danielecolleoni

Appunti, spunti e passioni in liberta'

Ode to Beauty

Discovering the World of Fine Art Nude Photography

白川君の独り言β

no sweat no victory

URBN Social

The Social Experience

RENOVADAS

Autoestima para mais de 50

Olivia2010kroth's Blog

Viva la Revolución Bolivariana