OUTROS OLHARES

GENITAL INFLUENCERS

Cresce o número de criadoras de conteúdo digital que, com humor e leveza, tratam de sexualidade, prazer e saúde íntima

A vulva virou moda nas redes e, ao que tudo indica, veio para ficar. Nunca se falou tanto nem tão abertamente sobre saúde sexual, prazer feminino e temas afins. Há incontáveis perfis de influenciadoras que se dedicam ao assunto e têm visto aumentar o número de seguidores e, sobretudo, seguidoras nos últimos dois anos. São médicas ginecologistas, sexólogas, especialistas em ginástica pélvica, jornalistas e até mulheres sem formação especifica interessadas em compartilhar suas histórias e conhecimentos sobre sexo. Em comum, todas usam e abusam da leveza, do humor e da linguagem didática para quebrar tabus, com posts que vão desde Cinco mitos sobre a menstruação” até “Posições para gozar melhor com penetração”, passando por “Sexo anal não precisa doer”.

Pioneira no métier Cátia Damasceno, fisioterapeuta de Brasília especializada em saúde pélvica feminina e pompoarismo, entrou nas redes em 2013 e, de lá para cá, viu muita coisa mudar neste universo virtual. Hoje, com mais de 9 milhões de inscritos no YouTube e quase 7 milhões de seguidores no Instagram, ela é, sem dúvida, a “genital influencer” de maior audiência ao país. O interesse e a curiosidade aumentaram muito nos últimos tempos. A tecnologia e a facilidade de acesso a vídeos tornaram a sexualidade um assunto do dia a dia. Há quase dez anos, quando comecei, eu tinha dificuldades até para conseguir entrevistados”, lembra Cátia, que chega a receber, por dia, cerca de três mil mensagens inbox de mulheres só no Instagram – elas são 94% dos seus seguidores, garante – com perguntas e elogios.

“Maneirar na linguagem faz toda a diferença. Sem ser vulgar nem abusar de termos técnicos, consigo falar em todas as plataformas e em qualquer horário”, acredita Cátia. A influencer também roda o país com um espetáculo de stand up e ainda vai estrear no cinema, interpretando a si mesma, ao lado de Giovanna Antoneli, na comédia romântica “Apaixonada, o filme”.

Entre as dúvidas mais comuns e os temas de maior interesse estão o orgasmo e o desejo sexual, conta a ginecologista paulista Marcela McGowan, que desde 2017 mantém um perfil no Instagram, hoje com 6,2 milhões de seguidores, dedicado a estes e outros tópicos. “Além disso, me pedem muito vídeos sobre métodos contraceptivos, menstruação e corrimentos, higiene intima, etc. Aspessoas carecem de informações básicas e alguns temas precisam ser recorrentes nos posts”, observa a médica que, depois de participar do “Big Brother Brasil” em 2020, viu sua audiência explodir e não abandonou a proposta inicial de sua conta na rede. Pelo contrário. Aprofundou-se nos estudos e mudou a forma de se comunicar para atingir um público cada vez maior.

“Antes do BBB eu dava informações de um jeito mais careta. Hoje são vídeos rápidos, leves, com humor e a música do momento”, conta. Marcela vê um interesse crescente por informações “claras e transparentes”: “Antigamente quase não existiam perfis assim, só a Cátia Damasceno”, diz. “As mulheres chutaram a porta. Pela primeira vez, o prazer feminino está em foco. Mas ainda há muito a ser falado”, acredita. Hoje, ela também apresenta o programa ”Prazer, feminino”, ao lado de Karol Conká, no GNT.

Ainda que muitos temas sejam tratados abertamente e sem constrangimento, as influenciadoras são unânimes em dizer que a desinformação é generalizada por parte da audiência.

Gaia Qav, educadora e criadora da conta no Instagram @meuclitorisminhasregras, esteve na Avenida Paulista, num domingo de abril, fantasiada de vulva. A ideia era pedir para os transeuntes apontarem o clitóris. “Para a minha ‘zero’ surpresa, ninguém sabia. Até pessoas da área de saúde erraram”, conta Gaia.

Uma pesquisa de 2018, realizada pela Bayer com 1.500 mulheres de 16 a 25 anos, apontou que apenas 17% tiram dúvidas nos consultórios de ginecologistas. “O medo de perguntar ainda é tão grande que, muitas vezes, as pessoas não conseguem sequer nomear os órgãos genitais”, diz Gaia. “Ainda há muito tabu para ser que brado.”

A mesma pesquisa revelou que 41% das jovens brasileiras não conversam em casa sobre sexo. “Os pais que acham que seus filhos e filhas de 13, 14 anos não tiveram contato com a sexualidade na internet são alienados”, afirma Cátia. “Infelizmente, muitos pensam que quanto mais cedo o adolescente descobre o assunto, mais cedo vai iniciar a vida sexual, mas vários estudos provam o contrário: quanto menor tabu, mais tardiamente eles começam”, explica.

Se, nas redes, meninas e mulheres se sentem à vontade para perguntar, também é fato que as “genital influencers” não aprofundam os temas como um médico deveria fazê-lo ao vivo. “A rede naturaliza e faz com que os assuntos sejam mais discutidos, mas quem chegou ali já deveria saber muita coisa. É um conhecimento tardio, sem dúvida”, diz Marcela, que alerta também para os conteúdos sem embasamento científico – “é importante saber quem está falando”, avisa. Para ela, só a educação sexual nas escolas e em casa pode levar a uma mudança de mentalidade de fato nos consultórios, fazendo com que as mulheres se sintam “tranquilas para perguntar”.

Mas, se o constrangimento é a tônica da relação ginecologista-paciente, ele passa longe da maioria das influenciadoras de sexualidade. A atriz carioca Bya Feliciano começou a narrar com bom humor suas histórias sexuais no Instagram, sem papas na língua – ela não aborda assuntos de saúde por não ter formação específica. “Falar sobre sexo sendo negra e gorda não é fácil, porque, entre outras coisas, a maioria das mulheres negras com formação universitária, como eu, acham que não podem ser sexuais”, justifica. “Eu gosto de dizer que sou uma piranha de canudo”, brinca Bya, para quem muitas mulheres negras tolhem seu prazer por terem, ao longo da vida, seus corpos hiper sexualizados pela sociedade: “Elas têm medo de como serão vistas”, diz.

Assim como Bya, várias influenciadoras começaram ou cresceram na pandemia: uma vez que outras fontes de prazer da vida foram suprimidas, só restou o sexo. “Esse movimento já existia, mas o lockdown o ampliou porque as mulheres foram pressionadas a se descobrirem sexualmente, seja pelo auto prazer ou para melhorar o relacionamento em casa”, analisa a sexóloga Luciane Ângelo. “A partir do momento em que as mulheres começaram a olhar para si mesmas, não tem mais volta”, conclui.

Professor de Mídias Digitais da ESPM, William Rocha observa que o crescimento deste tipo de conta pode ser explicado também pelo chamado “comportamento de nicho”, característico das redes sociais. “Quanto mais se produzem conteúdos específicos sobre determinado tema, mais os algoritmos impulsionam a audiência desse tema”, diz.

E haja audiência.

GESTÃO E CARREIRA

‘LIFTING DE BUMBUM BRASILEIRO’ TEM ALTA NOS EUA

Procura pela cirurgia vem crescendo apesar dos riscos. Complexo, pós-operatório cia demanda por alojamento especial

Quando a americana Randi Wright fez um lifting de bumbum em 2020 – uma cirurgia complexa na qual a gordura é lipoaspirada do abdômen, da parte inferior das costas ou de outras partes carnudas e usada para aumentar e moldar as nádegas – ela sabia que não poderia pagar o pós-operatório mais caro.

Havia passado pelo mesmo procedimento um ano antes viajando de Atlanta, onde morava, para Miami, onde os preços eram mais baixos e as opções eram abundantes. Para Wright, a cirurgia aliviou a insegurança que ela sentia sobre seu corpo após ter dois filhos.

“Mudou minha vida”, diz Wright sobre o procedimento, enxugando uma lágrima. No pós-cirúrgico, ela precisava de um lugar para ficar e ser cuidada durante as duas primeiras semanas, a parte mais dolorosa do período de recuperação.

As clínicas para as quais os médicos nos EUA muitas vezes encaminham as mulheres estavam fora de questão por serem muito caras. Ela poderia ir sozinha para um hotel onde pudesse convalescer e se manter com serviço de quarto. Mas no Instagram encontrou casas de recuperação – multas decoradas com uma estética hiperfeminina – onde poderia se curar ao lado de outras mulheres que tinham passado pelo mesmo procedimento e seria cuidada por uma equipe até que estivesse bem para voltar para casa.

Wright escolheu uma dessas casas de recuperação e teve uma experiência tão positiva que decidiu iniciar um negócio semelhante. Poucos meses depois, se tornou a nova proprietária da Dream Body Recovery, em Miami, que tem três quartos que podem acomodar até seis clientes.

“Fazer parte dessa jornada com outras mulheres, saber como isso mudou minha vida, esse é o meu motivo”, disse. “Adoro ver a transição, o crescimento.

AUMENTO NAS CIRURGIAS

Em 2021 houve 61.387 procedimentos do chamado Brazilian Butt Lift (BRL) ou seja, de aumento de nádegas, que incluem implantes e enxertos de gordura, de acordo com a Aesthetic Society, uma organização profissional de cirurgiões plásticos americanos.

“A tendência BBL nos Estados Unidos começou em Miami, sem dúvida, e depois se espalhou para outras partes do país”, conta Michael Salzhauer, que é mais popularmente conhecido como Dr. Miami.

“Acho que o motivo é a influência da cultura sul­ americana. A cirurgia é chamada de BBL não porque foi necessariamente inventada no Brasil, e sim porque você pensa em mulheres brasileiras com bundas empinadas e maiores.

As mulheres têm optado cada vez mais por cirurgias de aumento de nádegas nos últimos anos, de acordo com os profissionais.

“É provavelmente um dos procedimentos de maior aumento na procura nos últimos dez anos”, afirma Ângelo Cuzalina, cirurgião plástico de Oklahoma.

Para algumas mulheres negras, muitas das quais sempre tiveram uma versão do bumbum BBL naturalmente, é difícil entender essa popularidade – considerando que foram ridicularizadas por esse mesmo motivo por gerações. Quando o padrão de beleza moderno adotou uma forma de ampulheta mais exagerada, as cirurgias de aumento de bumbum que ajudam as mulheres a alcançar esse visual se tornaram mais populares.

Exemplos desse tipo de cirurgia são onipresentes nas mídias sociais, e existem até ramificações cirúrgicas para pessoas que que rem um volume mais natural, mas ainda perceptível. E, de muitas maneiras, o corpo idealizado, que era considerado inatingível para qualquer pessoa além das celebridades agora é, tecnicamente, possível para as mulheres comuns alcançarem.

PÓS-OPERATÓRIO

Cirurgias de baixo custo criaram um mercado para cuidados pós-operatórios com preços semelhantes. Não se trata de paraísos relaxantes semelhantes a spas, como os que atendem a clientela mais rica. Mais frequentemente, esse mercado de casas de recuperação é um lugar onde as dinâmicas raciais e de classe do mundo cosmético da   cirurgia colidem.

A maioria das casos de recuperação oferece serviços de transporte após a cirurgia, geralmente uma mini­ van com os assentos dos passageiros reclinados para dar espaço para um colchão inflável, onde as pacientes, que não devem sentarou deitar de costas por pelo menos duas a quatro semanas, podem deitar de bruços durante o trajeto. Quando chegam as camas que reservaram – geralmente duas por quarto – podem custar de USS 80 a US$ 400 por noite. Algumas casas de recuperação têm enfermeiras no local que podem verificar os sinais vitais e fazer massagens que dizem ajudar na recuperação.

Mas existem queixas de serviços de má qualidade e condições insalubres nas instalações de recuperação, como banheiros que não funcionam e refeições horríveis. Há até contas de mídia social em que as mulheres enviam anonimamente fotos dos locais que anunciam comodidades falsas.

Sessenta e cinco queixas foram apresentadas à Agência de Administração de Saúde da Flórida, que supervisiona as instalações, que entram na categoria de alojamento, com serviços não médicos. Assim, a agência americana não tem o poder de regular ou licenciar especificamente as casas de recuperação pós operatórias.

RISCOS ELEVADOS

Isso é particularmente problemático porque esse tipo de cirurgia possui uma das mais altas taxas de mortalidade. Uma série de coisas pode dar errado, especialmente quando a gordura reaproveitada viaja através das veias nas nádegas para as artérias pulmonares e câmaras do coração, causando embolias gordurosas.

A gordura transferida também pode migrar para baixo do músculo, rasgando as veias glúteas. De acordo com algumas pesquisas recentes, para cada 13 mil operações realizadas nos EUA, uma acaba em morte,

Kalani Wright, uma jovem de 24 anos do Mississippi, queria fazer Lipo 360, um procedimento que remove gordura de todas as áreas da barriga, e um lifting de bumbum no ano passado, mas, ela ficou grávida. Quando finalmente conseguiu fazer os procedimentos, disse que a dor era pior do que a do parto.

Antes de ser operada, Kalani fez o médico prometer que ela voltaria para casa com seu filho de 10 meses.

Quando ela acordou da anestesia, se lembra de dizer “obrigada, Deus” em voz alta, repetidas vezes. A equipe da clínica pediu que ela parasse com os louvores porque estava assustando os pacientes na sala de espera. Apesar dos riscos, a popularidade do procedimento continua a aumentar e, ao que parece, essa demanda pelas casas de recuperação (e a subsequente necessidade de mais regulamentação continuará crescendo na mesma proporção.

EU ACHO …

A MORTE DEVAGAR

Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim se alienam diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser de­ pressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias se queixando da má-sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

SEU FILHO PASSA MUITO TEMPO NAS TELAS? E VOCÊ?

Para reduzir o tempo de uso de dispositivos quando você está com seus filhos e dar bom exemplo para eles, professora tem algumas sugestões

Semanas atrás, na terceira noite sozinha depois que meu marido tinha viajado a trabalho, mandei uma foto de nossa filha de 9 anos absorta no iPad enquanto nosso filho de 2, se empanturrava de desenhos no laptop. Se você acredita em grande parte do “hype” em torno dos pais e mães que prestam mais atenção nos seus dispositivos do que nos seus filhos, o uso de tela mais escandaloso ali era o meu.

Mas será que a parentalidade distraída é realmente tão ruim assim? A resposta é… às vezes. Segundo os especialistas, depende muito de como e porque estamos usando nossas telas. Assim como nos preocupamos com o efeito do tempo de tela na saúde mental de nossos filhos, devemos nos perguntar o que nosso próprio tempo de tela está fazendo com nosso senso como pais e mães.

Veja como os especialistas dizem que podemos usar dispositivos para nos ajudar a sermos melhores, e não piores.

COMO DEFINIR A PARENTALIDADE DISTRAÍDA

Não só ficamos menos propensos a prestar atenção à segurança de nossos filhos quando estamos digitando e rolando a tela, mas também deixamos passar seus sinais emocionais e perdemos aquelas interações de qualidade, importantes para o desenvolvimento das crianças mais novas.

Antes de jogarmos os smartphones pela janela, é importante definir o que significa parentalidade distraída. “O uso do celular na parentalidade tem muitas nuances”, diz o dr. Brandon McDaniel, do Centro de Pesquisa e Inovação Parkview Mirro, que estudou o efeito da tecnologia em pais e filhos. Segundo ele, algumas das formas positivas são pedir apoio moral a um amigo quando você está no limite ou obter informações (“e Siri, por que o cocô do meu bebê está roxo?”).

Há também os momentos inevitáveis, como quando precisamos atender a uma ligação de trabalho. “O uso ocasional do celular dificilmente causará efeitos negativos a longo prazo”, garante.

Um uso mais problemático é para fugir desses momentos desagradáveis, como estresse, tédio e solidão. “Às vezes, pais e mães dizem que jogar ou navegar nas redes os distrai dos sentimentos negativos que estão vivenciando e que, depois, eles conseguem voltar a se envolver com seus filhos, mas isso é raro”, afirma McDaniel. “Mais frequentemente, esses tipos de ‘fuga’ resultam em sentimentos de culpa ou perda de tempo.”

“Aspesquisas mostraram um possível ciclo em que o uso do celular perto de uma criança pode levá-la ao aumento do comportamento negativo, o que gera um maior estresse dos pais, mesmo que eles esperassem aliviar alguma tensão com o uso do celular”, explica McDaniel. Em outras palavras, pegamos o celular porque estamos infelizes, e nós (e nossos filhos) estamos infelizes porque ficamos toda hora no celular.

FEITOS PARA DISTRAIR

Pais e mães não devem se culpar quando não resistem a uma olhadinha no Facebook. Muitos apps e plataformas de mídia social “incentivam pais e mães a postar, reagir e consumir quantidades infinitas de conteúdo”, observa Jenny Radesky, professora-assistente de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, que estuda mídia e desenvolvimento infantil.

Paradoxalmente, muito desse envolvimento com as redes piora nosso estado, e não só porque nessa hora estamos ignorando nossos filhos. Pais e mães podem ser tão vulneráveis aos aspectos de “comparar e se desesperar” de plataformas como Instagram e Facebook quanto qualquer pessoa. Radesky conta que os pais e mães que ela entrevistou disseram que “às vezes parece que outros pais estão postando ‘anúncios’ autopromocionais sobre si mesmos”.

ANTES DE ROLAR A TELA

Para reduzir o tempo de tela improdutivo quando você está com seus filhos – o tipo que faz você se sentir pior consigo mesmo -, Radesky sugere criar alguns obstáculos. Por exemplo: ela diz que, se remover os aplicativos parecer um gesto extremo, você pode escondê-los em pastas para que não fiquem imediatamente visíveis quando você pega o telefone.

Ela também recomenda narrar o que você está fazendo quando está usando seu celular, tanto para envolver seus filhos (“vamos mandar uma mensagem para sua babá e dizer para ela nos encontrar no parquinho?)’ quanto para se responsabilizar por suas escolhas. Você não quer dizer aos seus filhos “A mamãe precisa de um segundo para ver aquela influencer que ela odeia, mas segue pela décima vez nesta hora”, quer?

DESCONECTAR PARA RECONECTAR

Além de repensar seu relacionamento com o celular, você também pode repensar seu relacionamento com as pessoas que está ignorando quando pega o celular: seus filhos. “Se você sente tédio quando está com seu filho, pergunte a si mesmo quais atividades pode fazer para que ambos curtam o momento”, conclui Rosean Capanna-Hodge, especialista em saúde mental infantil e pediátrica. Encontre uma estrutura que funcione para você”, diz ela. “Se sabe que certas horas do dia fazem você sentir impaciência, frustração e vontade de pegar o celular, mude sua rotina.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EXERCÍCIO FÍSICO COMO ESTRATÉGIA DE COMBATE À DEPRESSÃO

Uma contribuição da psicologia para a compreensão do papel do exercício físico

A depressão é um dos transtornos psicológicos que causam maior sofrimento e com um tratamento mais extenso. Devido à complexidade de sintomas neuroquímicos, fisiológicos, comportamentais, emocionais e cognitivos, o tratamento psicológico é, em geral, mais demorado. O tratamento psiquiátrico usualmente também é necessário. Os sintomas mais característicos deste transtorno são: fadiga constante, sentimento de inutilidade ou culpa, perda ou aumento significativo de peso, humor deprimido (tristeza, vazio ou desesperança), diminuição de interesse ou prazer e concentração baixa. Assim, contrariando o senso comum, a depressão não é caracterizada apenas por tristeza. Há uma gama de sensações, sintomas comportamentais e psicológicos.

A depressão pode ter seu início em qualquer fase da vida, porém com uma probabilidade maior do início dos sintomas na puberdade, atingindo seu pico de intensidade na faixa dos 20 anos. Mas não se engane, pois também é comum que o primeiro episódio aconteça com idade avançada. É um transtorno em que os sintomas são crônicos e muitas vezes se mantêm estáveis durante muito tempo.

Um dos fatores que mais auxiliam na recuperação é a procura rápida por tratamento. Então, anote: sua saúde mental importa. E procurar o psicólogo em casos graves ou buscando uma melhora é maravilhoso. Mas nada melhor que se prevenir e ainda buscar desenvolvimento pessoal. Portanto, vá ao psicólogo regularmente para cuidar da sua saúde emocional. Você não imagina como pode se beneficiar! Mesmo aqueles que sofrem com a depressão há muitos anos também podem se recuperar dos sintomas.

Fato curioso. Você sabia que existem hoje, aproximadamente, 11 milhões de pessoas no Brasil com depressão? Em que pese este número espantoso fato maior curioso é que muitos destes não estão em nenhum tipo de tratamento. Geralmente, pessoas que estão com depressão há bastante tempo ficam menos agitadas, ficam isoladas, dormem até tarde, muitas vezes ficam em casa grande parte do dia – ou mesmo o dia inteiro – e perdem o interesse em muitas coisas. É como se o prazer que sentiam em pequenas coisas, como se alimentar, ouvir uma música ou assistir a algum filme diminuísse de forma brusca.

Talvez você conheça alguém que já tenha tido um comportamento similar. É importante orientar a busca por tratamento. Porém, em geral, isso não é o suficiente. Isto porque elas estão comportamentalmente pouco ativadas. Ou seja, estão “paradas” e geralmente cansadas – sintomas sérios dos quais não conseguem se livrar com facilidade, ao contrário do que muitos acreditam ser uma “preguiça”. Além disso, usualmente há um forte sentimento de desesperança. Isto faz com que a pessoa acredite que aqueles sintomas não irão embora de nenhuma forma, ou ainda, que a pessoa é assim mesmo e que psicólogos e psiquiatras não poderão ajudá-las. Portanto, muitas vezes é necessário que outra pessoa seja ativa no processo de recuperação da pessoa com depressão: levando-a ao tratamento, motivando-a diariamente a seguir orientações, etc.

Em casos mais graves esta pessoa pode relatar para colegas, amigos, parentes, professores ou pessoas próximas pensamentos ruins em relação a se ferir ou a não querer viver. Isto é um pedido de socorro. Pessoas em risco de suicídio geralmente relatam estes pensamentos três vezes antes de uma tentativa. Não deixe para a semana que vem. Relate o que ocorreu para pessoas que possam ajudar, e, principalmente, leve-o a um psiquiatra em pedido de emergência o mais breve possível para medidas preventivas e início de um tratamento.

Em outras situações a pessoa em depressão tem aparentemente um comportamento normal, conseguindo exercer suas atividades diárias, como, por exemplo, ir trabalhar, sair com amigos, namorar, etc. Diante deste quadro, sua vida permanece na rotina “normal” e há mais sintomas psicológicos que comportamentais. Desta maneira, apesar de seu comportamento continuar normal, existem muitos sintomas pouco aparentes de ansiedade, pensamentos ruins e sensações desagradáveis.

Em concordância com isso existem muitos tipos de pensamentos ruins durante a depressão. Este transtorno pode fazer uma pessoa acreditar que é culpada por se sentir daquela forma, ou mesmo, pensar que mereceu sentir-se assim. Não só os sintomas aparentes importam. Pensamentos podem ser jaulas que impedem de buscar ajuda. A desesperança é outro mal que restringe possibilidades de melhora. Em muitos casos a pessoa em depressão acredita não haver nenhuma esperança para ela. Porque, afinal, aquele sofrimento já está com ela há muito tempo. Este pensamento não está em concordância com a realidade. Ele ignora que existem muitos tratamentos que ainda não procurou.

Um dos sintomas complicados da depressão é a falta de ativação comportamental. Quando a pessoa fala pouco, se movimenta pouco, quase não sai de casa, se torna um grande problema e pode atrapalhar muito o tratamento. Isso varia de caso para caso. Para muitas pessoas em depressão, a primeira coisa a ser trabalhada é ativar o comportamento: conseguir fazer com que ela faça mais coisas no seu dia. Para isso cria-se uma rotina de comportamentos. Já para outros pacientes é preciso em primeiro lugar um tratamento medicamentoso e, somente após isso fazer efeito, é recomendável ativar o comportamento. Lembre-se: cada pessoa é única. E não existe depressão igual a outra. Cada um sente da sua maneira. Cada um tem seus próprios pensamentos e sensações. E, dessa forma, cada pessoa terá orientações específicas de acordo com seus sintomas e realidade de vida!

Você já pode imaginar como a depressão é ruim para quem sofre dela e para as pessoas próximas que veem uma pessoa querida passar por tudo isso. Devemos nos lembrar de que a depressão pode ocorrer com qualquer um e em qualquer idade. Precisamos cuidar da nossa saúde emocional. Para isso é preciso prevenir-se. A principal estratégia recomendada para a prevenção de sintomas de depressão é a atividade física. Exercitar-se pode ser ainda mais que cuidar do corpo: é cuidar da sua saúde emocional. É cuidar de si!

Uma das estratégias que tem se mostrado mais eficaz na prevenção e em muitos casos também no tratamento da depressão maior é a atividade física. Ela produz mudanças neuroquímicas. Isso significa dizer que nosso cérebro fica diferente quando nos exercitamos. Nossos neurônios se conectam e interagem de uma determinada forma. E quando nos exercitamos é como se os neurônios interagissem de outra maneira. Nosso cérebro é o centro de comando do nosso corpo, sensações, emoções e pensamentos. Ou seja, quando seus neurônios interagem de melhor maneira, tudo o que ele comanda também melhora.

Apenas alguns minutos de exercício algumas vezes por semana podem ser uma diferença enorme para a prevenção da depressão. Você não precisa fazer exercícios todos os dias ou mesmo fazer um exercício de que não goste para se beneficiar do exercício físico para a saúde mental. Mesmo uma caminhada de 30 minutos 3 vezes na semana já pode ser muito benéfico. Procure alguma atividade que se encaixe na sua rotina de vida e com a qual você consiga sentir prazer. Para muitas pessoas uma caminhada pela manhã com um amigo pode ser urna chance de colocar a conversa em dia. Para outros fazer uma aula de dança eleva a autoestima. E para famílias criar alguma atividade em grupo pode ser um bom tempo de qualidade entre crianças e adultos. Manter-se ativo é a chave!

Realmente, se exercitar pode ser muito eficaz na prevenção de muitos sintomas. Não somente para a depressão. A atividade física pode auxiliar também com a ansiedade e o estresse. Estes são grandes transtornos da atualidade. O mundo de hoje é o mundo da informação. Somos bombardeados de in­ formações a todo o momento e nos condicionamos a também procurar por elas e não apenas nos manter passivos. Se conseguimos alguns minutos livres procuramos novas informações pelo smartphone ou computador. Isso acaba gerando ansiedade constante e estresse. Nos prevenir deve ser a regra. Pois, afinal, você tem grandes chances de já ter sentido estresse ou ansiedade. Será que é o seu caso?

Além de prevenção, o exercício físico também auxilia a regular o sono. E um sono desregulado pode fazer surgir ou intensificar sintomas característicos da depressão, estresse e ansiedade. E o sono é algo que vem modificando muito no mundo ocidental por alguns novos hábitos, como, por exemplo, dormir com o celular do lado. Isso pode interromper o sono e dificultar o relaxamento.

Possivelmente, se você vive em uma cidade grande, usa o transporte público e trabalha fora de casa, já sentiu grande carga de estresse. Se você ocupa um cargo de responsabilidades grandes você provavelmente também já sentiu forte ansiedade. E a atividade física não serve apenas para prevenir, mas também para diminuir muitos sintomas. Então, se você não tiver sintomas, a atividade física é a estratégia para prevenção, e se você já tiver alguns sintomas é possível que se exercitar faça seus sintomas diminuírem.

Uma das maiores dificuldades para se começar uma atividade física é a organização. Um dos maiores relatos de dificuldades na clínica é em relação a modificar toda a rotina e se organizar para isso. Basicamente, o que você está procurando é criar um novo hábito de vida. E simplesmente mudar sua rotina não é tarefa fácil. Por isso, comece pequeno. Você não precisa começar já com três dias de atividade física por semana. Comece com um dia e em horário favorável. Algo que não exija tanto esforço. Por exemplo: se você mora próximo ao seu local de trabalho, comece a ir caminhando. Ou leve os filhos até a escola andando. Ou, ainda, se você mora em prédio escolha a escada em vez do elevador. Como você pode ver existem inúmeras possibilidades. Para ser grande é preciso começar pequeno.

Outro fator que pode auxiliar na prevenção de muitos transtornos e sofrimentos psicológicos é desenvolver uma rede de apoio. É preciso desenvolver relacionamentos positivos com muitas pessoas e realmente contar com elas nos momentos difíceis. Às vezes temos bons relacionamentos, mas não aprendemos a fazer um pedido de ajuda. Ou mesmo a buscar por eles em diversos momentos. Seja, por exemplo, simplesmente bater um papo ou desabafar.

A vida moderna muitas vezes também dificulta isso. Nossa comunicação acaba sendo por aplicativos, e não mais uma boa conversa. Nossos encontros se tornam mais difíceis. Mesmo a própria timidez e retração também podem ser prejudiciais em alguns momentos. Ir no contrafluxo pode ser muito benéfico. Promover encontros mais constantes e se manter em contato com as pessoas importantes se faz necessário. Fazer atividade física em grupo também pode auxiliar bastante e é uma ótima estratégia de prevenção: desenvolver um grupo de apoio e exercitar-se. Caminhar com amigos ou mesmo fazer aulas em grupo pode ser uma boa pedida para a sua saúde emocional.

Isto se deve a um fator que é pouco conhecido da maioria das pessoas: a resiliência. Mas o que isso quer dizer, afinal? Resiliência é a capacidade de uma pessoa passar por situações difíceis e conseguir voltar ao seu estado normal de saúde mental. Basicamente é uma pessoa resistente aos desafios diários da vida. E sabemos bem que desafios são o recheio da vida. Por isso é necessário desenvolver a sua resiliência. Tornar sua mente forte é o desafio número um não apenas se quiser se prevenir de transtornos mentais, mas também se você quiser alcançar grandes coisas e ter um grande desenvolvimento pessoal. Obviamente que quem quer subir terá que percorrer uma escalada árdua. E a resiliência irá auxiliar também neste aspecto.

Para tornar sua mente forte o segredo é ampliar sua visão, suas fontes de prazer, seus relacionamentos positivos, sua realização pessoal e profissional, sua saúde, etc. A vida não ocorre da forma como planejamos simplesmente porque planejamos. Ela é uma onda constante de incertezas e mudanças. E o mais forte é o que se adapta e consegue manter-se com saúde frente a estas ondas de desafios. Portanto, procure se adaptar e não simplesmente fugir dos seus desafios de vida. Se for este o seu comportamento habitual, é possível que esteja evitando a própria vida e situações desafiadoras que poderiam te trazer grandes frutos.

A psicologia se preocupa com aspectos comportamentais, emocionais, psicológicos, fisiológicos e neuropsicológicos. Com isso estuda a saúde e a doença mental. Por isso, em casos de fragilidade comporta ­ mental, emocional, neuropsicológica ou psicológica, é imprescindível procurar o psicólogo – profissional capacitado para te auxiliar. Mas esta ciência também estuda a saúde. Por isso, em casos de prevenção, na busca por desenvolvimento pessoal e profissional, escolha de carreira, busca por mais alegria e emoções positivas também é o psicólogo que irá te ajudar a alcançar coisas que a princípio poderiam parecer imagináveis. O psicólogo é o profissional da vida!

Cada profissional terá suas recomendações a serem feitas dependendo de cada pessoa. E muitos serão aqueles que recomendarão a atividade física. Ela pode beneficiar de inúmeras maneiras a curto, médio e longo prazo. Talvez você já tenha ouvido que o exercício ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares, ou que é eficaz para tratamento de obesidade e sobrepeso, mas as pessoas já estão percebendo que a atividade física ajuda a diminuir o estresse diário e prevenir contra sensações, emoções e pensamentos ruins. Chegando, inclusive, a produzir um efeito positivo em algumas pessoas: cultivar emoções boas e autoestima elevada. Talvez você mesmo já tenha conhecido alguém que relata sobre estes benefícios.

Agora você já tem mais um motivo para fazer atividade física! Lembre-se: a depressão é um complexo de sensações, pensamentos, comportamentos negativos e pode ocorrer com qualquer um em qualquer idade. Precisamos modificar a visão sobre a saúde emocional e buscá-la da mesma forma como buscamos saúde física: com regularidade, com ajuda profissional e pouca passividade. Já se convenceu a se agitar e a fazer algum exercício? Corra pela sua alegria!

M.A

Interviews, reviews, marketing for writers and artists across the globe

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