A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO A PANDEMIA FEZ MUITOS CASAIS DESISTIREM DA SEGUNDA GESTAÇÃO

Para algumas famílias, as mudanças dos últimos dois anos evidenciaram limitações e reduziram a vontade de ter mais filhos

Dois filhos sempre foram o plano de Anna Carey e, no início de 2020, ela estava se preparando para engravidar. Sua filha tinha acabado de fazer dois anos e ela e o marido viviam felizes, embora longe da família, em Toronto, onde Carey trabalhava meio período em uma empresa de marketing.

Mas, claro, todos sabemos o que aconteceu a seguir. Sem escola ou ajuda durante a pandemia, Carey foi forçada a deixar o emprego em agosto de 2020 para cuidar da filha. O que era um desejo quase certo alguns meses antes começou a parecer impensável.

“Não poderíamos imaginar passar por gravidez, parto e cuidado com um recém-nascido com tão poucas opções de apoio”, disse.

Por algum tempo, ela ainda tinha esperança de que a situação melhorasse antes de completar 35 anos, o que, por questões genéticas, Carey e o marido sempre consideraram um limite.

A gota d’água, porém, foi ver como a pandemia revelou uma gritante falta de apoio estrutural para as famílias. Segundo Carey, ela ficou triste, mas resoluta com a sua decisão.

Passei a perceber o quão pouco a sociedade valoriza as crianças e os pais, especialmente as mães. Isso passou a ser um grande impedimento”, afirmou.

CONTROLE DE NATALIDADE

Certamente, muitas pessoas tiveram bebês durante a pandemia. No entanto, para alguns millenials mais velhos e que já tiveram um ou mais filhos antes da pandemia dos riscos reais de ser pai e mãe em alguns dos piores momentos da história recente provaram ser uma forma potente de controle de natalidade.

Encarar a vida pandêmica, com todos os seus contratempos e consequências imprevisíveis – isso sem falar nas próprias questões existenciais – provocou sensação semelhante à vida pós-parto, mas sem o lado bom de um adorável bebé. Adicionar um recém-nascido real à mistura? Para alguns, isso se tornou impensável – seja por um certo tempo ou para sempre. Além disso, há outro aspecto mais objetivo do controle de natalidade pandêmico: a fertilidade em declínio. Embora muitos aspectos da vida pareçam ter estado em compasso de espera por dois anos, o tempo continuou a passar, uma consideração significativa para pessoas que viram o final dos seus 30 anos escorrendo pelo ralo enquanto ganhavam habilidades questionáveis no Zoom e um conjunto assustador de obstáculos financeiros e fisiológicos a serem superados.

“Para outros pais mais velhos, as mudanças provocadas pela pandemia ajudaram a esclarecer suas limitações de maneiras dolorosas, mesmo que tenham trazido algo semelhante à sabedoria.

Sarah Balcomb, escritora que tem uma filha de 9 anos e mora no estado americano da Virgínia, percebeu que estava encerrando permanentemente a vida reprodutiva da maneira que Hemingway descreveu uma vez; gradualmente e, depois, de uma vez só.

Aos 47 anos, Balcomb havia tentando vários tratamentos de fertilidade há anos. No início de 2020, estava contemplando uma rodada de fertilização in vitro, que seu seguro cobriria. Mas ela e o marido adotaram um cachorrinho no final de março, e o trabalho com o    filhote trouxe flashbacks viscerais dos primeiros meses de vida com um recém-nascido humano. Na segunda noite, ela conta, a privação de sono produziu uma revelação.

“O peso de tudo isso desabou sobre mim”, contou, listando a pandemia, a política polarizada, as mudanças climáticas, a desigualdade econômica e o racismo sistêmico entre os motivos.

“Eu sabia que naquela noite tinha acabado”.

Segundo ela, apesar de se ressentir por sua filha não ter um irmão, não há nada que a faça mudar de ideia sobre engravidar novamente, a não ser uma utopia repentina.

“Mesmo se fôssemos super ricos e pudéssemos contratar ajuda em tempo integral, eu não teria outro filho. Se o planeta fosse milagrosamente consertado e não houvessem mais guerra e fôssemos ricos, então eu poderia pensar a respeito”.

SEPARAÇÕES

E há a questão dos divórcios na pandemia. Astaxas subiram após o primeiro ano e, para os pais de crianças pequenas que não mantiveram os relacionamentos, a perspectiva de ter mais filhos no futuro parece muito menos provável do que antes. É o caso de Tully Mills, de 40 anos, um ilustrador que mora no Colorado, com a filha de 2 anos e meio.

“A realidade de não ter um segundo filho se instalou gradualmente após o primeiro ano de Covid-19”, lembrou ele, que não imagina ter mais filhos, mesmo com uma futura parceira.

“Tudo era tão incerto e o modo de sobrevivência estava entrando em ação”.

Ainda existe uma epidemia sombria de esgotamento entre os pais que viveram em 2020 e 2021 com crianças muito pequenas em casa. A perspectiva de ter mais filhos pode parecer especialmente desagradável para aqueles pais que ainda estão se recuperando de assumir tarefas inesperadas sem reconhecimento ou apoio social.

Durante os primeiros meses, quando tudo começou, em 2020, antes que os dados sobre a relativa segurança das atividades ao ar livre fossem disponibilizadas, a maioria dos parquinhos pelo mundo foi fechado, juntamente com escolas e creches para todos, exceto para os trabalhadores essenciais. Nas áreas urbanas, as crianças podiam brincar em parques públicos e na calçada, mas na maioria das vezes ficavam presas em pequenos espaços com seus pais e irmãos por meses a fio. O impacto desse período sobre os pais de crianças pequenas ainda está se revelando.

QUEDA NA NATALIDADE

No Brasil, as taxas de natalidade vêm caindo há seis anos e a diminuição foi intensificada com a crise sanitária. Também houve queda nos EUA. Os motivos variam do extremamente óbvio, como gastos com estudos, desemprego, pobreza, violência, ao puramente especulativo.

É incontestável, porém, que a pandemia causou uma queda imediata nos nascimentos: em dezembro de 2020, cerca de nove meses após o início da pandemia, os nascimentos diminuíram cercade 8% – o maior declínio de qualquer mês naquele ano tão desafiador – em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Se a instabilidade e a falta catastrófica de cuidados infantis que muitas famílias experimentaram desde então reduziram a fertilidade geral, isso não será quantificável por mais alguns anos.

Ainda assim, entre alguns pais, é fácil encontrar pessoas que ao menos pensariam em ter mais filhos se os últimos anos tivessem sido diferentes. “Eu mesma faço parte deste grupo. Antes de março de 2020. enquanto me preparava para a publicação de um segundo romance, tinha certeza de que teria um avanço na carreira, e também esperava engravidar de um terceiro filho. Na verdade, retirei o DIU”.

Ainda sinto saudades da sensação de esperança e de possibilidades infinitas que sentia quando contemplava meu sonho secreto de ter um terceiro filho, mas cheguei a um acordo com a realidade da situação: é uma perda que merece ser reconhecida e lamentada, em vez de manter uma ambição frustrada que ainda pode se concretizar. Mas, para além disso, eu definitivamente vou pegar outro gato.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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