A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PODERES ESPECIAIS

Adultos autistas usam diferenças como aliadas para uma vida plena

A americana Zhara Astra, mãe de dois filhos, é roteirista, produtora e professora na Universidade do Arizona. Já Scott Steindorff é um premiado produtor americano de cinema e televisão responsável por filmes como “O amor nos tempos do cólera” e pela série “Station Eleven”. Ele tem três filhos.

Por trás dos currículos impressionantes, há coisas que ninguém vê. Ela tem uma tenda no quarto, onde busca refúgio para seu meltdown ou seja, as crises explosivas que enfrenta eventualmente. Ela sofreu bullying na escola, chorava todas as noites e tinha dificuldade em fazer contato visual. Quando ela termina uma refeição ou conversa, levanta e vai embora subitamente. Às veze ele fala num tom que parece que está bravo. Ambos, pessoas realizadas profissional e pessoalmente, estão no espectro autista.

O casal veio ao Brasil para dar palestras no evento Rio2 C, que realizou centenas de encontros de criatividade no fim de abril. Astra e Steindorff são exemplos, assim como muitos brasileiros, de que grande parte das pessoas autistas pode te uma vida plena, bem-sucedida em todos os aspectos.

Ambos só foram diagnosticados com autismo já adultos. Antes firam identificados com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e pessoas altamente sensíveis (PAS).

“A parte mais difícil do autismo foi ser uma criança socialmente estranha e sofrer bullying. Aos 10 anos fui levado à diretoria da escola porque achavam que eu tinha usado drogas. Até os anos 1980 não havia o diagnóstico de autismo”, conta Steindorff. “O lado positivo é que tive uma imaginação vivida e criatividade. Acho conforto lendo ou aprendendo, por isso, leio três livros por semana.

PONTOS FORTES

O produtor criou ferramentas para lidar com o autismo. Mantém um diário em que processa e expressa seus sentimentos e conta que a meditação tem sido fundamental em sua vida. A voracidade com que lê e guarda as informações foi, certamente, um talento a mais na sua profissão:

“Tive que aprender a me tornar mais sociável, fazer contato visual, focar e identificar eexpressar os sentimentos. Mas você nunca vai transformar um pato num ganso. Então, entendo minhas forças e aceito minhas fraquezas. Posso lembrar o que diz tal página de tal livro. E é por isso que eu tenho sucesso nesse ramo. Achei meus pontos fortes. Mas por muito tempo fiquei isolado porque não queria interagir. A roteirista e professora Zhara Astra explica que o autismo se manifesta de forma bem diferente nas mulheres.

“Com as garotas é mais interno, está dentro de nós, então sofremos em silêncio. Eu não tinha esses traços visíveis de autismo, não sofri bullying, mas tinha TOC severo e conflitos causados por ver o mundo de forma totalmente diferente das meninas da minha idade. Estava interessada em filosofia, no sentido da vida e as garotas queriam saber de bonecas e bandas. Essas diferenças eram fonte de sofrimento. Passei a vida sentindo que havia algo errado comigo, me sentindo um alienígena neste planeta, e ter o diagnóstico aos 30 anos foi uma grande mudança para mim.

Da mesma forma que ocorreu com Steindorff, Astra acredita que as pessoas no espectro autista podem usar suas diferenças a seu favor:

“No curso, eu ensino os superpoderes que vem junto com o autismo. É ver quais as forças que acompanham as suas discrepâncias.

Eu, por exemplo, tenho filmes passando na minha cabeça o tempo todo. É exaustivo e fiquei chocada quando descobri que isso não acontece com todo mundo. Então, como roteirista eu leio o roteiro e vejo o filme inteiro na minha cabeça, ouço os diálogos, percebo o que funciona. Descobri que esse é meu poder e posso usar isso a meu favor.

O professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Faculdade de Medicina da USP Guilherme V. Polanczyk explica que é exatamente essa a estratégia que adota com os pacientes para sua inserção na sociedade: trabalhar os interesses e habilidades que, no autista, costumam ser mais pronunciados e não mudam muito ao longo da vida.

“A ideia não é que os autistas se tornem como os não autistas, não é esse o objetivo, mas que, conhecendo suas capacidades e suas habilidades, possam encontrar o lugar em que contribuem e se tornem pessoas plenas”, afirma Polanczyk.

Assim, o garoto com interesse fixo por dinossauros, cresce e estuda paleontologia. A menina de ouvido absoluto, tão sensível os sons, pode se tornar música.

SOCIEDADE INCLUSIVA

É preciso dizer, porém, que nem todas as pessoas no espectro autista têm as mesmas potencialidades.

“Há, sim, uma parcela significativa que não vai desenvolver linguagem, não vai ter uma vida funcional, independente. Tem a ver com a gravidade do quadro. Algumas crianças recebem tratamento muito cedo, mas ainda assim não vão ser autônomas.

Outra parcela vai depender muito do tratamento. E outras que independentemente do tratamento vão conseguir se desenvolver e ter uma vida funcional e feliz”, afirma o psiquiatra.

A prevalência de autismo em crianças e adolescentes é de 1%; de maneira global ­ não existem dados específicos do Brasil. Também não há estudos consistentes em adultos e idosos, mas o médico imagina que a prevalência seja semelhante.

Assim, um dos primeiros passos para uma sociedade mais inclusiva é a melhora no diagnóstico, que ainda está no começo, em adultos. Nem mesmo os psiquiatras na residência têm esse treinamento especifico.

Zhara Astra faz outro alerta: todos os dados e pesquisas são baseados em homens brancos, com pouca informação sobre mulheres ou outras etnias. Segundo ela, por exemplo, um dos grupos menos diagnosticados no mundo são as mulheres latinas.

“O conhecimento é o primeiro passo, fundamental para que a gente entenda que existem diferenças com que precisamos lidar, e que essas mesmas diferenças podem levar as pessoas a contribuir muito para a sociedade. É uma mudança de cultura, de perspectiva, em que as diferenças agregam e não são ameaças”, reforça Guilherme V. Polanckzyk.

Scott Steindorff se diz muito “grato pelas oportunidades que teve e que muitas pessoas não têm” e, por isso, hoje tenta trazer mais conhecimento para a sociedade e ferramentas para os autistas.

“Eu não mudaria nada na minha percepção da realidade com o autismo, sou muito feliz, que vejo e sinto as coisas do meu jeito, sou muito grato. É só questão de entender como levar a pessoa ao seu mais alto nível”, afirma Steindorff.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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