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TRANSIÇÃO MATERNA

Mães de transexuais contam como compartilharam os desafios das mudanças nos corpos dos filhos e encontraram segurança no elo familiar

Assim que terminou de ler a tese de mestrado da filha, a aposentada Maria do Carmo, de 69 anos, passou a mão no celular e enviou a ela um áudio pelo WhatsApp. “Isso significa que você é uma mulher trans?”, perguntou, com a voz preocupada, após devorar as páginas que falavam sobre teoria de gênero e cena drag no Rio, com passagens autobiográficas. Ao responder que sim, a moça recebeu uma novamensagem de voz: “Estou aqui para entender. Não vou te largar, você é minha filha”.

Era o que faltava para a atriz e escritora, de 33 anos, sentir-se segura para levar adiante a transição de gênero, concluída com uma homenagem a quem lhe deu à luz. Na hora de retificar os documentos, escolheu o mesmo nome da mãe, sem abandonar aquele que recebeu ao nascer. Passou a se chamar Maria Lucas. “Enfrentei um quadro depressivo provocado pela forma como a sociedade trata os nossos corpos. Só não me matei porque escrevi um livro (‘Esse sangue não é de menstruação, mas de transfobia: editora Urutau) e por causa da relação com a minha mãe. É quando você entende que realmente importa para alguém”, conta a jovem, dizendo-se privilegiada. ”Entre as minhas amigas travestis, talvez nenhuma tenha o mesmo apoio.”

Um amparo cujo valor é reconhecido por profissionais da saúde que atendem a essa população. Segundo o endocrinologista Daniel Gilban, à frente de um projeto para tratar da hormonização e da saúde mental de jovens transgênero no Hospital Universitário Pedro Ernesto, atitudes como a de Maria do Carmo incidem sobre a qualidade de vida dos pacientes. “Essas pessoas já sofrem muito, e não ter o apoio da família e dos amigos é grande parte disso”, afirma. “É uma população com altos riscos de depressão e até suicídio. Portanto, o acolhimento familiar salva vidas.”

Maria do Carmo, ou Carminha, como é mais conhecida, nem consegue se imaginar agindo de outra maneira. Para apoiar a filha da melhor forma possível, buscou ajuda no grupo Diversidade Católica, voltado à população LGBTQJAP+, desde que a moça saiu do armário pela primeira vez, inicialmente como um homem gay. ”Quando a Maria tinha uns 17 anos e falou que era viado, quase morri. Mas logo depois aceitei, e ela virou um viado lindo, que agora foi-se embora…Passou a ser uma mulher linda”, diz, aos risos.

Enquanto os debates sobre gênero e identidade avançam, algumas mães tentam decifrar os sinais emitidos ainda na infância. É o caso de Thamirys Nunes, autora do livro “Minha criança trans?” e mãe de Agatha, de 7 anos. Ela conta ter percebido o desconforto da garota com o gênero que lhe fora atribuído ao nascer desde os 2 anos. Aos 4, a compreensão ficou ainda mais clara diante de frases como “se eu morrer, posso nascer menina?” ou “me chama de filha só hoje para eu ficar feliz?”. “Entendemos que era algo profundo e buscamos ajuda”, narra a mãe, que acionou psicólogos e, embora seja moradora de Curitiba, encontrou no ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, o caminho a ser percorrido.

Segundo ela, desde que a filha assumiu a identidade desejada e teve a certidão de nascimento retificada, deixou de ser uma criança com sinais de tristeza profunda para se tornar alegre e extrovertida. “Ela ainda é pequena para fazer qualquer tratamento hormonal. Agora, o que podemos oferecer é o nome social, os brinquedos, as roupas e os acessórios de que gosta. Aprimeira coisa que pediu foi uma camisola, depois, os brincos”, diz a mãe, que criou o perfil @minhacriancatrans, onde tem 78,6 mil seguidores, para mostrar os avanços da menina e ampliar o debate sobre o assunto.

Tornar essa história pública, porém, requer determinação. Thamirys é frequentemente atacada nas redes e move cinco ações na Justiça contra pessoas que considera terem passado dos limites. “Resolvi tomar a nossa história pública justamente por perceber como se falava pouco sobre o assunto e havia mais famílias precisando de ajuda. Em meio aos ataques, doeram mais as agressões feitas por pessoas próximas, que me acusam de ser disfuncional ou de influenciar minha filha. Fora isso, simplesmente apago os comentários e sigo em frente. Não bato boca. Não dá para colher rosas sem tocar nos espinhos.”

Se Agatha é muito pequena para iniciar os tratamentos hormonais, algo que começa a ser discutido somente com a chegada da puberdade, o cineasta Vicente Bem Medeiros, de 34 anos, tem a hormonização religiosamente acompanhada pela mãe, a empreendedora Mônica Vieira, de 61. “Sempre falo com ele sobre a importância de estar em dia com a saúde. Digo: ‘Você precisa pensar no homem que deseja ser quando chegar aos 60 anos”‘, salienta a mãe. que também passou a comprar cuecas para o rapaz, desde que ele saiu do armário pela terceira vez. Primeiro, como mulher bissexual; depois, como ”sapatão”; e, por fim, como trans masculino. “Quando conversamos sobre isso, falei: ‘Vamos para a parte técnica para eu não errar”‘, recorda-se Mónica, sobre o interesse em saber como o filho gostaria de ser tratado. “Pedi pelo menos um ano e disse para não ficar triste se eu errasse o nome, já que estava treinando.

Não posso dizer que é fácil, mas amo tanto o meu filho, que não conseguiria agir de outra maneira que não fosse acolhê-lo.”

Diante do empenho da mãe em se inteirar das mudanças, Vicente a pediu que o ajudasse na escolha de seu novo nome, experiência que os aproximou ainda mais durante o processo. “Foi muito simbólico, já que considero um renascimento”, afirma o cineasta. “Sempre tive o apoio dela, e isso é encorajador. Afinal, por mais difíceis que as coisas fiquem, você tem um lugar para onde voltar.”

Histórias do tipo corroboram um comportamento observado pelo psicólogo João Henrique de Sousa Santos no trabalho como coordenador do Ambulatório de Saúde Mental de Atendimento às Pessoas Trans do Centro Universitário de Belo Horizonte. Segundo ele, as mães transicionam junto com os filhos, de certa forma. Isso porque a maternidade é cercada por idealizações ligadas aos padrões impostos pela sociedade, como a velha história do quarto azul para meninos, e rosa para meninas. “Uma pessoa trans é alguém que cruza essas idealizações e vai produzir outros modelos de existência”, afirma. “Para muitas mães, isso é difícil justamente porque elas se sentem feridas nessas expectativas. Mas aquela que acolhe passa a se posicionar com outra perspectiva diante da própria maternidade, que transcende a dimensão biológica e passa a ser algo “político.”

João diz que isso acontece porque elas também são questionadas sobreas mudanças por pessoas próximas. Não é de se estranhar, portanto, que muita busquem unir forças e criem mecanismos como a ONG Mães pela Diversidade. Fundada há oito anos em São Paulo por apenas uma mãe, a iniciativa reúne atualmente cerca de duas mil participantes em todo o Brasil, dispostas a dialogar com mulheres que tenham filhos LGBTQIAP+ e precisem de ajuda. Estimo que, a cada cinco mães que nos procuram, três têm filhos e filhas trans”, comenta a coordenadora da ONG em São Paulo, Clarice Cruz Pires. “Por isso, criamos um grupo exclusivo para elas.”

Segundo a coordenadora, a transfobia e a violência são as maiores fontes de medo e insegurança para essas mães. Boa parte teme, ainda, a rejeição pelo restante da família. Por isso, Clarice costuma reiterar que precisam de tempo para conseguir lidar com a situação. “Não podemos achar que, ao chegarem até nós, estarão na Parada LGBTQIAP+ no mês seguinte”, ilustra, dizendo que o trabalho já fez com que algumas desistissem de abandonar os filhos. “Entendemos a origem do sofrimento, vamos conversando e indicamos ajuda psicológica, se necessário. Quando elasse mostram aptas a avançar, permitimos que entrem num grupo de WhatsApp com 190 participantes, onde podem tirar dúvidas sobre como ajudar os filhos na transição.”

O medo da violência, de fato, fui citado por todas as mães entrevistadas nesta reportagem, assim como a felicidade dos filhos foi invariavelmente mencionada como combustível para seguirem em frente. VeraLúcia, de 67anos, é mãe da professora Dani Balbi, de 33, e foi ela mesma quem cuidou da moça, após a cirurgia de confirmação de gênero, feita há cinco anos, graças aos anos de atuação como técnica em enfermagem. Uma história que enche ambas de orgulho. “É um procedimento muito delicado, e minha mãe ficou o tempo todo ao meu lado, fazendo os curativos, ajudando na minha recuperação”, recorda-se a professora.

Vera lembra que, na época, não foi avisada sobre a cirurgia na véspera. “A Dani não queria que eu ficasse preocupada, pois sou hipertensa”, narra. A filha só telefonou para relatar a novidade quando já estava no quarto e havia acordado da anestesia. O diálogo travado naquele instante jamais será esquecido. “Quando atendi, ela disseque havia dado tudo certo e completou: ‘Sou a mulher m ais feliz do mundo’. Na mesma hora, pensei: ‘Então, sou a mãe mais feliz do mundo’.”

GESTÃO E CARREIRA

JORNADA DE SUCESSO NÃO IMPEDE DE TER A SÍNDROME DA IMPOSTORA

Jornalista que se recuperou 6 anos de transtornos alimentares e abusos de substâncias compartilha informações e reflexões sobre saúde mental

“E se eu não for capaz?” Começo me fazendo essa pergunta enquanto respiro fundo como se tentasse segurar no lugar o estômago que parece querer subir pela garganta. O convite para escrever em um dos maiores jornais do país me encontrou distraída numa segunda-feira pós-almoço e me catapultou para um estado emocional que, para os mais chegados aos memes internéticos, poderia ser retratado pelo famoso “como eu vim parar aqui, eu só tenho seis anos”.

Na realidade tenho 35, mas a mistura de medo e vulnerabilidade ao topar esse desafio chega mesmo a me remeter à angústia de perceber que havia seguido a pessoa errada e me perdido dos meus pais numa praia cheia ou numa loja em liquidação na antevéspera de natal. Como é que pode a ideia de oportunidade e reconhecimento causar tanto desamparo?

Para além da minha experiência particular, a verdade é que esse não é um sentimento incomum entre mulheres. Principalmente quando o assunto é trabalho, não é difícil encontrar uma amiga ou conhecida que nunca se acha boa o suficiente no que faz mesmo que os fatos indiquem o absoluto contrário.

“Em algum lugar lá no fundo, você não acredita no que eles dizem. Você acha que é uma questão de tempo ali que tropece e ‘eles’ descubram a verdade. Você não deveria estar aqui. Nós sabíamos que não poderia fazer. Nunca deveríamos ter arriscado com você”. Poderia ter sido dito por mim ou por muitas mulheres que conheço, mas são palavras de Joyce Roché, ex vice-presidente de Marketing Global da Avon, apenas uma das inúmeras mulheres cuja competência e sucesso inquestionáveis não foram o suficiente para evitar uma longa batalha interna contra a síndrome da impostora.

Você já deve ter ouvido falar do termo, cujo conceito surgiu em 1978 a partir de uma pesquisa das psicólogas norte-americanas Pauline Rose Clance e Suzanne lmes. Trabalhando na Universidade Estadual da Georgia, elas observaram que muitas alunas que se destacavam academicamente admitiam durante o aconselhamento não se sentirem merecedoras de seu sucesso.

Esse fenômeno poderia ser explicado pela diferença da dinâmica de gênero da época, onde uma vida cercada de preconceitos minava a confiança das mulheres. Apesar de a pesquisa de Clance ter avançado nas décadas seguintes, mostrando que homens também se sentiam impostores, observações atuais seguem apontando diferenças entre os gêneros quando o assunto é autoestima e autoconfiança.

Em 2019, a revista Harvard Business Review publicou o resultado de uma pesquisa que analisou milhares de avaliações sobre líderes executivos e apesar de as mulheres terem sido consideradas mais eficazes em 84% das competências medidas, quando foi pedido que avaliassem a si mesmas os resultados mudavam, com as notas nas classificações de confiança sendo mais baixas do que as dos homens, principalmente quando as participantes eram mais jovens.

De acordo com os dados da pesquisa, o nível de confiança de homens e mulheres em si mesmos só se equipara aos 40 anos de idade.

A maturidade é o peso que equilibra essa balança, mas até lá, falta de oportunidade, dificuldade de encontrar modelos de sucesso que compartilhem nossas experiências de vida, assim como uma trajetória em um contexto de opressão sistêmica são alguns fatores que podem levar um indivíduo a demorar para reconhecer seu próprio valor.

Não sei quantos pontos na tabela da confiança ainda faltam para que eu me sinta merecedora de ocupar espaços que nunca imaginei. Mas se é pra cima que esse gráfico vai e a oportunidade me foi dada ­ por uma mulher competente desenhando sua própria trajetória de sucesso, vale dizer – respiro fundo e me dou a chance de ao menos tentar.

E se você estiver lendo esse texto, quer dizer que fui capaz, independente do que venha depois. Qualquer erro será um aprendizado que só foi possível porque venci a barreira do meu próprio julgamento. Espero que essa ideia possa te ajudar a vencer o seu.

EU ACHO …

O AMOR E TUDO QUE ELE É

O amor já foi uno, concreto e definido. Mas o século mudou e com ele as variantes do amor, que se multiplicaram. Hoje há diversas formatações para vivenciá-lo, são inúmeros os seus significados e ilimitadas as suas maneiras de encantar e transformar. O amor romântico – “eu e você para sempre” – é apenas uma de suas modalidades.

O que é o amor, afinal? Impossível resumir num só conceito. Amor é gratidão por alguém ter nos tornado especial. Amor é a realização de um ideal criado ainda na infância. Amor é a possibilidade de repetir o mais importante feito de nossos pais – aquele sem o qual não teríamos nascido. Amor é projetar no outro aquilo que nos falta. Amor é erotismo. Amor é uma experiência sensorial. Amor é carência. Amor é o gatilho para formar uma família. Amor é aquele troço sem razão que bagunça a nossa vida. Que melhora a nossa vida. Que piora a nossa vida. Que justifica a nossa vida.

Amor é uma forma de escapar da vulgaridade. Amor é uma mentira que amamos contar. Amor é um álibi para crimes e casamentos. Amor é a vingança contra a objetividade. Amor é divisão de fardo. Amor é um antídoto contra a solidão. Amor é uma invenção do cinema e da literatura. Amor é paz. Amor é a busca de um tormento que torne a vida mais emocionante. Amor é a vitória do cansaço, já que paixões sequenciais exaurem. Amor é o nome que se dá para uma emoção que nos domina e do qual não queremos ser libertados.

Amamos pais, irmãos, amigos. Amamos  os namorados que tivemos e os que ainda teremos, amamos nosso marido até o dia em que ele não retorna para casa, amamos nossos ídolos até que eles nos decepcionem, amamos nossos filhos mesmo que  nos decepcionem, amamos nosso cão e nosso gato quase acima de Deus, amamos Deus acima de tudo, pois cremos que Ele não nos faltará, amamos a nós mesmos apesar de saber que nem tudo é amável em nós.

Amor não é uma desculpa esfarrapada. Ela é muito bem costurada. Amor pode brotar de um olhar, de um beijo, de um desejo. Amor é encasquetar. Se alguém lhe faz perguntas a respeito do que está sentindo, você, na falta de argumento melhor, responde que é amor, que sempre foi amor, e ninguém espicha a conversa porque contra o amor não há réplica.

Como pode alguém ter amado uma pessoa ontem e hoje amar outra, como pode ter amado uma mulher e hoje um homem, como pode amar duas mulheres ao mesmo tempo, como pode já ter vivido com vários, como pode sentir amor por um salafrário, como pode sentir-se inteiro repartindo-se em dois, como pode ser poli, multi, bissexual, bígamo, hétero, homo, fiel, infiel, amoral? Como, diante desse sentimento, ter alguma certeza?

O amor paira acima das classificações. Tem mil jeitos, mil formas, mil dobras. É a nossa maior proeza.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

ATAQUE CARDÍACO AINDA É SUBESTIMADO NAS MULHERES; ENTENDA

Elas são mais propensas a ignorar os sintomas, que vão além da dor no peito; atendimento também é falho

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entro homens e mulheres nos Estados Unidos e no Brasil. Ainda assim, estudos mostram que elas são mais propensas a ignorar os sinais de alerta de um ataque cardíaco, às vezes esperando horas ou mais para procurar socorro.

Agora, os pesquisadores estão tentando descobrir o porquê. Eles constataram que as mulheres muitas vezes hesitam em buscar ajuda porque tendem a ter sintomas mais sutis do que os homens. E mesmo quando vão ao hospital, os profissionais de saúde são mais propensos a minimizar essas manifestações físicas ou atrasar o tratamento. Autoridades de saúde dizem que as doenças cardíacas nas mulheres continuam amplamente subdiagnosticadas, e que isso contribui para piores resultados e aumento das taxas de morte.

A maioria dos estudos sugere que uma das principais razões pelas quais as mulheres demoram a procurar atendimento – e muitas vezes são diagnosticadas incorretamente – é que, embora a dor ou desconforto no peito seja o sinal mais comum de infarto em ambos os sexos elas muitas vezes não sentem este alerta. Em vez disso, têm sintomas como falta de ar, suores frios, mal-estar, fadiga e dores na mandíbula e nas costas.

Um grupo de cientistas investigou os fatores que levam as mulheres a postergar a procura por atendimento. Eles descobriram que a ausência de dor ou desconforto no peito foi um dos principais motivos. O estudo, publicado na revista Therapeutics and Clinical Risk Management, analisou 218 homens e mulheres que sofreram infartos e foram tratados em quatro hospitais em Nova York antes da pandemia. Descobriu-se que 62% das mulheres não tinham dor ou desconforto no peito, em comparação com apenas 36% dos homens. Muitas relataram falta de ar, bem como sintomas gastrointestinais, como náusea e indigestão. Cerca de um quarto dos homens também relataram esses mesmos sintomas.

A pesquisa mostra que 72% das mulheres que tiveram um infarto esperaram mais de 90 minutos para ir ao hospital ou ligar para a emergência, em comparação com 54% dos homens. Pouco mais da metade das mulheres ligou para um parente ou amigo antes de ir a hospital, em comparação com 36% dos homens.

PROBLEMA NO ATEDIMENTO

Um relatório da American Heart Association descobriu que os ataques cardíacos são mais mortais em mulheres que não apresentam dor no peito, em parte porque isso significa que pacientes e médicos levam mais tempo para identificar o problema.

Mas mesmo quando elas suspeitam que estão tendo um ataque cardíaco, ainda têm mais dificuldade em serem tratadas. Pesquisas mostram que as mulheres são mais propensas a serem informadas de que seus sintomas não estão relacionados a doenças cardiovasculares. Muitas delas ouvem que esses sinais estão todos em sua cabeça. Um estudo descobriu que mulheres que se queixavam de indícios consistentes de doenças cardíacas – incluindo dor no peito – tinham duas vezes mais chances de serem diagnosticadas com uma doença mental em comparação com homens com a mesma queixa.

Em um estudo publicado no Journal of the American Heart Association, pesquisadores analisaram dados de milhões de atendimentos de emergência antes da pandemia e descobriram que mulheres – especialmente as negras – que se queixaram de dor no peito tiveram que esperar em média 11 minutos a mais por atendimento do que homens. Elas também eram menos propensas a serem internadas, recebiam avaliações menos completas e tinham menos chances de fazer exames como eletrocardiograma, que pode detectar problemas cardíacos.

Alexandra Lansky, cardiologista do Hospital Yale -New Haven, lembrou de uma paciente que havia procurado vários médicos reclamando de dor na mandíbula foi encaminhada a um dentista, que extraiu dois molares. Quando a dor não desapareceu, a mulher foi ver Lansky, que descobriu que o problema estava relacionado ao coração. A paciente precisou de uma ponte de safena.

MAIS JOVENS

Há uma falta de compreensão de que um ataque cardíaco não precisa causar dor no peito ou esses sintomas de filmes – disse Jacqueline Tamis-Holland, autora do estudo e cardiologista do Mount Sinai Morning Side em Nova York.

Tamis-Holland disse que havia outras razões para os atrasos. Uma delas é que as mulheres não se consideram tão vulneráveis a doenças cardíacas e costumam achar que os sintomas são de estresse ou ansiedade. Elas também tendem a desenvolver problemas cardíacos em idades mais avançadas do que os homens. No estudo de Tamis-Holland, as mulheres que tiveram ataques cardíacos tinham, em média, 69 anos, enquanto a idade média dos homens era de 61.

Mas as mulheres mais jovens não são imunes. Estudos recentes descobriram que ataques cardíacos e mortes por doenças cardíacas estão aumentando entre as mulheres entre 35 e 54 anos, em parte devido ao aumento de fatores de risco cardiometabólicos, como pressão alta e obesidade.

“Muitas mulheres jovens não acreditam que têm doenças cardíacas porque estas nunca foram rotuladas como doenças de mulheres jovens”, disse Lansky. “Segundo, os sintomas nelas são ainda menos típicos. Há menos sensação de aperto no peito e mais indigestão, falta de ar, mal-estar, fadiga e náusea.

Especialistas pedem mais divulgação e educação sobre as doenças e seus sintomas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTRESSE

Diversos estudos e pesquisas realizados nos últimos anos consideram o estresse como um fator importante em uma série de sintomas físicos e processos de doenças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o estresse como a maior epidemia do século 20 e que se estende aos dias atuais. Segundo a organização, a variedade de sintomas e doenças desencadeados pelo estresse é responsável, por praticamente 50 % das mortes no mundo.

O estresse é definido como um conjunto de alterações que ocorrem em um organismo, em resposta a determinados estímulos, agradáveis ou não, capazes de colocá-lo em estado de tensão. Do ponto de vista psíquico, traduz-se na ansiedade, uma atitude fisiológica normal, responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. É fácil compreender esse processo quando, de frente para o perigo (incêndio, assalto ataque de cão, etc.), nossa performance física é capa de realizar coisas extraordinárias que seríamos inca pazes de fazer em situações mais calmas.

Quando o organismo se depara com um estímulo estressar, interno ou externo, desenvolve um processo fisiológico, conhecido como Síndrome da Adaptação Geral (SAG) ou Estresse, que consiste na soma de todas as reações sistêmicas. Hans Selye, em seu estudo sobre o tema, realizado em 1936, descreveu que a síndrome se apresentava em três estágios: 1. reação de alarme; 2. o estágio de resistência e 3. estágio de exaustão.

Segundo José Maria Martins, em Estresse e Síndrome de Adaptação Geral (www.josemariamartins.com.br), “as observações básicas, subjacentes a conceito de Selye sobre a SAG têm sido confirmadas mas pesquisas recentes levaram a um novo entendimento e a uma reinterpretação ampla dos três estágios. Mesmo após décadas de pesquisas, nem sempre era possível predizer se os vários choques psicológicos e experiências estressantes iriam se somar para aumentar a resposta ao estresse, ou se ocorreria algum tipo de adaptação e inibição em uma situação particular. Tornou-se evidente que as relações entre significado psicológico e as modificações fisiológica são complexas e não lineares”.

O estresse pode ser provocado por situações externas ligadas à família, amigos, trabalho ou escola, assim como por fatores internos relacionados com situações em que questionamos nossas capacidades. Qualquer acontecimento que exige uma mudança ou adaptação; positivo, como o início de um novo curso ou negativo, como a perda de um ente querido ou a separação dos pais, podem gerar expectativa, ansiedade e consequentemente o estresse.

Considerado um mecanismo normal, o estresse é necessário e benéfico ao organismo, pois faz com que o ser humano fique mais atento e reaja diante de situações de perigo ou de dificuldade. Mesmo situações consideradas positivas como é o caso, por exemplo, das promoções profissionais, dos casamentos desejados, do nascimento de filhos, etc., podem produzir estresse.

“Os efeitos da Síndrome Geral de Adaptação sobre o indivíduo cronicamente ao longo do tempo compõem o substrato fisiopatológico das doenças psicossomáticas”, explica G. J. Ballone, em Fisiologia do estresse (PsiqWeb). “Cada órgão ou sistema são envolvidos e apenados pelas alterações fisiológicas continuadas do Estresse, de início apenas com alterações funcionais e depois com lesões também anatômicas. Por causa disso, podemos dizer que as Doenças Psicossomáticas são aquelas determinadas ou agravadas por motivos emocionais, já que é sempre a emoção quem detecta a ameaça e o perigo, sejam eles reais, imaginários ou fantasiosos”.

TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS­TRAUMÁTICO

O Transtorno de Estresse Pós-traumático pode ser entendido como a perturbação psíquica decorrente e relacionada a um evento fortemente ameaçador ao próprio paciente ou sendo este apenas testemunha da tragédia. De acordo com o artigo Estresse pós traumático (www.psicosite.comom.br ), “o trans torno consiste num tipo de recordação que é melhor definido como revivescência, pois é muito mais forte que uma simples recordação. Na revivescência, além de recordar as imagens, o paciente sente como se estivesse vivendo novamente a tragédia com todo o sofrimento que ela causou originalmente. O transtorno então é a recorrência do sofrimento original de um trauma, que além do próprio sofrimento é desencadeante também de alterações neurofisiológicas e mentais”.

Segundo o Dr. Drauzio Varella (drauziovarella.com.br), os sintomas podem manifestar-se em qual­ quer faixa de idade e leva r meses ou anos para aparecer. “Eles costumam ser agrupados em três categorias: Reexperiência traumática (pensamentos recorrentes e intrusivos que reme tem à lembrança do trauma, flashbacks, pesadelos); esquiva e isolamento social (a pessoa foge de situações, contatos e atividades que possam reavivar as lembranças dolorosas do trauma); Hiperexcitabilidade psíquica e psicomotora: taquicardia, sudorese, tonturas, dor de cabeça, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, hipervigilância”.

TRANSTORNO DE ESTRESSE AGUDO

O Transtorno de Estresse Agudo é causado pela exposição a uma situação traumática avassaladora, semelhante ao estresse pós-traumático, exceto por ocorrer durante o primeiro mês após o evento traumático. O portador foi exposto a um acontecimento impactante e terrível, e revive mentalmente o evento traumático, evitando coisas que possam lembrá-lo, apresentando também um alto grau de ansiedade. Os sintomas mais comuns são: sensação de embotamento, distanciamento ou ausência de resposta emocional; percepção reduzida do meio ambiente; sensação de que as coisas não são reais; sensação de que ele mesmo não é real; incapacidade de lembrar-se de uma parte importante do evento traumático (www.galenoalvarenga.com.br).

Dessa forma, os sintomas de Transtorno de Estresse Agudo são experimentados durante ou imediatamente após o trauma. Duram por volta de dois dias e se resolvem dentro de 4 semanas, após a conclusão do evento traumático.

De outra forma, o diagnóstico é mudado. Quando os sintomas persistem além de 1 mês, um diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático pode ser mais apropriado.

De acordo com o DSM-IV, a gravidade, duração e proximidade da exposição de um indivíduo ao evento traumático são os fatores mais importantes para a de­ terminação da probabilidade do desenvolvimento de um Transtorno de Estresse Agudo. Existem algumas evidências de que suportes sociais, história familiar, experiências da infância, variáveis de personalidade e transtornos mentais preexistentes podem influenciar o desenvolvimento deste transtorno.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

O diagnóstico de qualquer distúrbio relacionado ao estresse deve ser feito por um profissional da saúde, geralmente um psiquiatra, capaz de avaliar o paciente de forma correta. O tratamento pode ser feito por meio de medicamentos (ansiolíticos) e terapia.

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