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BRASIL OBESO

Rotulagem de alimentos é próxima arma para deter sobrepeso no país

Tempo demais no transporte público, menor disponibilidade de produtos in natura e ausência de locais públicos e seguros para prática de atividades físicas têm criado no Brasil o “ambiente obesogênico” (que contribui para o aumento de peso) perfeito, afirmam especialistas. E o resultado pode ser constatado em números como os da mais recente pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, que aponta sobrepeso em mais da metade da população brasileira adulta.

Os dados consolidados do levantamento esquadrinham o perfil dos habitantes das 26 capitais e do Distrito Federal em 2021. Nesse grupo, 57,2% das pessoas apresentaram excesso de peso sendo 22,4% com obesidade. Asmaiores taxas de sobrepeso foram registradas em Porto Velho (64,4%), Manaus (63;1%), Porto Alegre (62,1%), Belém (61,2%) e Rio Branco (60,35%).

Mais que um retrato momentâneo, os dados reforçam uma tendência. Desde 2006, em média 360 mil pessoas acima de 18 anos engrossaram as taxas de excesso de peso a cada ano. Dessas, 234 mil tornaram-se obesas – com índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 30.

Rafael Claro, especialista em nutrição em saúde pública e consultor do Ministério da Saúde para o projeto Vigitel, ressalta que em 13 dos 16 anos da pesquisa houve aumento das taxas da população adulta com excesso de peso. Em três, estabilidade.

Uma das chaves para a reversão desse quadro, segundo os especialistas, é estimular uma alimentação à base de frutas, verduras e vegetais. Para a pesquisadora Letícia Cardoso, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, são necessárias políticas que facilitem a escolha de itens saudáveis e desestimulem o consumo de produtos inadequados.

“É possível aumentar a taxação dos produtos ultra- processados e dar publicidade aos malefícios que causam, como ocorreu com o cigarro”, diz ela.

RÓTULOS CLAROS

Chega às prateleiras em outubro a iniciativa mais concreta nessa direção. Com a nova rotulagem aprovada no país, as embalagens de alimentos passarão a ter, na parte frontal, alertas claros sobre altos teores de açúcar, sódio ou gordura saturada – ou uma combinação deles. Os três são os principais vilões da dieta saudável.

Para os especialistas, a medida, aprovada em 2020 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ajuda a retirar a obesidade da lista de dilemas individuais.

“Não são razões individuais que explicam o aumento da obesidade. O sistema alimentar é adoecedor”, afirma Inês Rugani, do Grupo Temático Alimentação e Nutrição da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Segundo Claro, há ainda um novo complicador no incentivo à dieta saudável. No Brasil, os alimentos ultra­ processados estão cada vez mais baratos, enquanto os in natura encarecem.

Desde os anos 2000, os preços dos alimentos ultra- processados caíram sucessivamente. Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, com a participação de Claro, mostrou que a cesta de alimentos saudáveis custava em 1995, o equivalente a 53,08% do preço do grupo de ultra processados. Em 2017, o percentual subiu para 70%.

A previsão era que os ultra processados se tornassem mais baratos do que os in natura em 2026. Nos últimos dois anos, a inflação e sucessivos eventos climáticos – geada, seca e chuvas em excesso – aceleraram o processo. Enquanto a indústria alimentícia barateia custos, médios e pequenos produtores de verduras, frutas, legumes, arroz e feijão – alimentos saudáveis da dieta brasileira – são impactados pelas mudanças climáticas e pelo aumento de preços, como combustível e frete.

Enquanto a preço de um pacote de macarrão instantâneo varia de R$ 1 a R$ 2,50, em São Paulo, um pé de alface custa hoje entre R$ 3 e R$ 10 em feiras da capital.

Quatro das cinco capitais com maior excesso de peso estão na região Norte, onde o consumo de frutas e hortaliças fica bem abaixo da média brasileira. Segundo o IBGE, enquanto o consumo per capita de hortaliças no país é de 23,7 kg por ano, na Região Norte, é de apenas 1,6 kg. O consumo de frutas é de 13,8 kg, metade da média nacional.

EXEMPLO DO MÉXICO

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lista a obesidade entre os cinco maiores riscos para a mortalidade no mundo. A doença, crônica, costuma vir acompanhada de outras, como diabetes tipo 2 e hipertensão, aumentando o risco para doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e quadros de depressão e ansiedade.

Daniela Canella, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Universidade de São Paulo, diz que a mudança nos rótulos é positiva, mas insuficiente. Ela cita como exemplo o México. Segundo dados publicados pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em 2013, o país passou a taxar alimentos e bebidas com alto teor de açúcar. O preço das bebidas subiu 10%. No primeiro ano, a venda diminuiu 5,5%. No segundo, 9.7%. O consumo de água cresceu 15% no período. Estudos estimam que 18.900 mortes serão evitadas até 2022.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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