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BRASIL OBESO

Rotulagem de alimentos é próxima arma para deter sobrepeso no país

Tempo demais no transporte público, menor disponibilidade de produtos in natura e ausência de locais públicos e seguros para prática de atividades físicas têm criado no Brasil o “ambiente obesogênico” (que contribui para o aumento de peso) perfeito, afirmam especialistas. E o resultado pode ser constatado em números como os da mais recente pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, que aponta sobrepeso em mais da metade da população brasileira adulta.

Os dados consolidados do levantamento esquadrinham o perfil dos habitantes das 26 capitais e do Distrito Federal em 2021. Nesse grupo, 57,2% das pessoas apresentaram excesso de peso sendo 22,4% com obesidade. Asmaiores taxas de sobrepeso foram registradas em Porto Velho (64,4%), Manaus (63;1%), Porto Alegre (62,1%), Belém (61,2%) e Rio Branco (60,35%).

Mais que um retrato momentâneo, os dados reforçam uma tendência. Desde 2006, em média 360 mil pessoas acima de 18 anos engrossaram as taxas de excesso de peso a cada ano. Dessas, 234 mil tornaram-se obesas – com índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 30.

Rafael Claro, especialista em nutrição em saúde pública e consultor do Ministério da Saúde para o projeto Vigitel, ressalta que em 13 dos 16 anos da pesquisa houve aumento das taxas da população adulta com excesso de peso. Em três, estabilidade.

Uma das chaves para a reversão desse quadro, segundo os especialistas, é estimular uma alimentação à base de frutas, verduras e vegetais. Para a pesquisadora Letícia Cardoso, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, são necessárias políticas que facilitem a escolha de itens saudáveis e desestimulem o consumo de produtos inadequados.

“É possível aumentar a taxação dos produtos ultra- processados e dar publicidade aos malefícios que causam, como ocorreu com o cigarro”, diz ela.

RÓTULOS CLAROS

Chega às prateleiras em outubro a iniciativa mais concreta nessa direção. Com a nova rotulagem aprovada no país, as embalagens de alimentos passarão a ter, na parte frontal, alertas claros sobre altos teores de açúcar, sódio ou gordura saturada – ou uma combinação deles. Os três são os principais vilões da dieta saudável.

Para os especialistas, a medida, aprovada em 2020 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ajuda a retirar a obesidade da lista de dilemas individuais.

“Não são razões individuais que explicam o aumento da obesidade. O sistema alimentar é adoecedor”, afirma Inês Rugani, do Grupo Temático Alimentação e Nutrição da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Segundo Claro, há ainda um novo complicador no incentivo à dieta saudável. No Brasil, os alimentos ultra­ processados estão cada vez mais baratos, enquanto os in natura encarecem.

Desde os anos 2000, os preços dos alimentos ultra- processados caíram sucessivamente. Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, com a participação de Claro, mostrou que a cesta de alimentos saudáveis custava em 1995, o equivalente a 53,08% do preço do grupo de ultra processados. Em 2017, o percentual subiu para 70%.

A previsão era que os ultra processados se tornassem mais baratos do que os in natura em 2026. Nos últimos dois anos, a inflação e sucessivos eventos climáticos – geada, seca e chuvas em excesso – aceleraram o processo. Enquanto a indústria alimentícia barateia custos, médios e pequenos produtores de verduras, frutas, legumes, arroz e feijão – alimentos saudáveis da dieta brasileira – são impactados pelas mudanças climáticas e pelo aumento de preços, como combustível e frete.

Enquanto a preço de um pacote de macarrão instantâneo varia de R$ 1 a R$ 2,50, em São Paulo, um pé de alface custa hoje entre R$ 3 e R$ 10 em feiras da capital.

Quatro das cinco capitais com maior excesso de peso estão na região Norte, onde o consumo de frutas e hortaliças fica bem abaixo da média brasileira. Segundo o IBGE, enquanto o consumo per capita de hortaliças no país é de 23,7 kg por ano, na Região Norte, é de apenas 1,6 kg. O consumo de frutas é de 13,8 kg, metade da média nacional.

EXEMPLO DO MÉXICO

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lista a obesidade entre os cinco maiores riscos para a mortalidade no mundo. A doença, crônica, costuma vir acompanhada de outras, como diabetes tipo 2 e hipertensão, aumentando o risco para doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e quadros de depressão e ansiedade.

Daniela Canella, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Universidade de São Paulo, diz que a mudança nos rótulos é positiva, mas insuficiente. Ela cita como exemplo o México. Segundo dados publicados pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em 2013, o país passou a taxar alimentos e bebidas com alto teor de açúcar. O preço das bebidas subiu 10%. No primeiro ano, a venda diminuiu 5,5%. No segundo, 9.7%. O consumo de água cresceu 15% no período. Estudos estimam que 18.900 mortes serão evitadas até 2022.

GESTÃO E CARREIRA

PLATAFORMAS CRIAM SITES PARA CASAMENTOS E FATURAM ALTO

Casais em busca de registro digital de matrimônio tornam-se clientes potenciais de empresas que cuidam da lista de presentes à viagem de lua de mel

Plataformas responsáveis pela criação de sites personalizados para casais que curtem registrar os melhores momentos de seus casamentos estão se sofisticando e buscando nova modelagem de negócio. Em vez de só faturar com a postagem, as empresas vêm percebendo oportunidades de lucrar com outros serviços prestados aos noivos. A diversidade é enorme, e o faturamento também costuma acompanhar a gama de atividades envolvidas nos matrimônios.

A viagem de lua de mel sempre foi um dos filões da agência Clube Turismo, uma das maiores do país, e esse produto ganhou uma maior atenção por parte da empresa. A ideia no início era disponibilizar um site personalizado para os casais que compravam os pacotes, mas, com o tempo, o serviço se sofisticou e foi criado o Clube dos Noivos, em que os clientes registram suas histórias, informam sobre a cerimônia e divulgam a lista de presentes.

“No formato original, os noivos apenas inseriam no convite de casamento a informação de que a lista de presentes estava na Clube Turismo. Com a modernização do produto, o convidado pode presentear os noivos sem precisar sair de casa”, explica a CEO Ana Virgínia Falcão.

A empresa cobra uma taxa de R$ 45pela hospedagem do site do casal, e os amigos e parentes podem bancar a viagem de lua de mel, o que acaba alavancando as vendas de pacotes para a agência. O foco são clientes que não priorizam a montagem do novo lar, mas, os momentos que viverão após o matrimônio.

A FestaLab também mirou na tradicional festa de casamento para criar serviços inovadores. A startup é especializada em organização de listas de festas e acabou encontrando grande demanda para casamentos. Hoje, já faz cerca de dez mil convites para uniões matrimoniais por mês. Entre as novidades está a possibilidade de confirmação de presença via WhatsApp, o que é facilita em muito a organização da festa.

A startup é responsável pela plataforma Joliz, que consolida em um só lugar lista de presentes, site de casamento, convite e conteúdo para a organização da festa. Atualmente, disponibiliza para os clientes a possibilidade de receberpresentes em produtos e em dinheiro. Os casais também podem montar sites personalizados, sem taxa mensal de manutenção, e fazer o convite com a mesma identidade visual.

Grande parte do faturamento vem da taxa cobrada, entre 2,49% e 3,69% do que é presenteado aos noivos, mas os responsáveis afirmam que a facilidade para convidados e a transparência de todo o negócio compensam o pagamento. Pedidos especiais também podem ser atendidos mediante a cobrança de uma taxa proporcional, que pode chegar a R$ 2 mil.

“Depois de muito esforço, estamos conseguindo ser uma solução 100% transparente para convidados e noivos, e não uma enganação para os convidados que querem presentear a casa dos noivos com produtos que trarão lembranças quando usados. Trabalhamos fortemente isso no último ano, e o desafio era ter um portfólio de produtos que possibilitasse fazer essa mudança”, afirma Erik Santana, fundador e CEO da FestLab.

ASSISTENTE VIRTUAL

A Zankyou nasceu na Espanha da ideia de um casal que apenas queria organizar a lista de presentes para selar sua união. Hoje, já atua em 23 países, e tem esse serviço como carro­ chefe, mas oferece opções de vários atendimentos que intermedeia. A taxa cobrada é de 3,75% sobre o que é contratado de fornecedores selecionados.

A empresa tem um aplicativo que ajuda os noivos a organizar todas as etapas do casamento, até o controle de gastos. Há também uma assistente virtual para ajudar na organização da festa e da cerimônia, além da montagem do site do casal, com histórias, fotos e tudo mais que for relevante.

Os assinantes de um pacote premium têm direito também a domínio próprio e personalizado, temas e layouts exclusivos, galeria de fotos PRO (organização inteligente), privacidade avançada e música de fundo, entre outros. Apesar da tecnologia empregada, a empresa garante que busca sempre dar atendimento personalizado e atender aos desejos dos clientes.

“Os mais de cem mil noivos cadastrados na plataforma fazem mais de 120 mil orçamentos por mês, usando nosso guia de fornecedores. E temos um sistema próprio que mede acessos, leads efechamentos e apresenta os resultados ao fornecedor que nos contratou e ao time que cuida do atendimento e do comercial da empresa”, conta Ana Luiza Mori, gerente de Marketing da Zankyou Brasil.

EU ACHO …

A VARIÁVEL NATUREZA HUMANA

A sua imperfectibilidade permanece como uma suspeita constante

Natureza humana é um daqueles conceitos de que todo mundo fala mal, mas que sempre acaba sendo operacional quando se quer refletir acerca de temas constantes na humanidade. Mesmo que a natureza humana seja histórica, a história parece se repetir ao seu bel-prazer.

Nó começo da pandemia de Covid, era comum ouvir jornalistas – os menos capazes – e marqueteiros – cegos pelo próprio exercício da profissão – levantarem a questão de se a humanidade não sairia melhor desse período. Agora já podemos ver o quão ridículo era essa hipótese. Dois neurônios são o suficiente para jamais considera-la a sério.

Na história dos movimentos revolucionários do século 19, a natureza humana funcionou como uma barreira para qualquer tentativa de negar sua existência.

Sei bem que a teoria marxista encontra no seu elegante conceito de práxis a hipótese segundo a qual a ação social transforma o homem. Aliás, o novo homem no qual os marxistas e soviéticos diziam crer vem daí. Não me parece que isso tenha ocorrido, pelo menos no espaço de quase 200 anos de prática social.

Claro que tais crentes podem argumentar que a verdadeira práxis jamais existiu de fato. Este argumento seria da mesma ordem da afirmação de certos cristãos de que o reino de Deus nunca veio a se concretizar porque o verdadeiro amor cristão nunca teve lugar no mundo.

Guardo comigo a suspeita de que movimentos como o anarquismo, pelo qual sempre alimentei uma secreta simpatia, fracassaram justamente pelo equívoco em relação à natureza humana. Esta nunca foi capaz de viver sem alguma tutela política que a resguardasse de sua própria vocação para a violência, a inveja, o rancor e o amor à burocracia

Mesmo que renunciemos ao conceito de natureza humana enquanto tal, autores como Tocqueville reconheciam que os diferentes e contraditórios fins que buscam os diferentes homens e grupos implicam um alto grau de persistência de uma inércia comportamental no homem que não parece ter mudado nas democracias até hoje – ou em qualquer outro sistema político.

A barreira à qual fiz referência acima é exatamente esta inércia da variável “natureza humana”. Esta variável, que tende a ser invariante – por incrível que pareça – , se manifesta por baixo e por cima de qualquer tese que pressuponha a eliminação deles.

Autores como Hegel (1870-1831) acreditavam que com o tempo a racionalidade do real acomodaria as imperfeições dessa natureza humana e que ao final, tudo daria certo – Marx (1818-1883) era filho dileto do Hegel.

A tese de Hegel, em que pesa a sofisticação alemã nela presente, acaba por parecer aquelas máximas de sabedoria otimista que afirmam que, se a coisas ainda não está bem, é porque ainda não chegamos ao fim da história.

Incrível como palestrantes motivacionais ainda não cooptaram o elegante filósofo para o seu menu de afirmações falsas, mas simpáticas – além de venderem muito bem, é claro.

Jó no século 21, John Kekes afirma que um grande impeditivo para a eliminação da natureza humana – ele prefere “condição humana” – como obstáculo à sua negação como fato dado é sermos atravessados por elementos contingentes, tais como herança genética, contexto histórico e geográfico, limites econômicos – ou a ausência deles – componentes psicológicos e cognitivos, que impactam nossa racionalidade limitada. Atravessamos a vida lidando com esses elementos que nos constituem e nos ultrapassam.

Enfim, parece haver uma forte dúvida cética com relação à capacidade humana de se aperfeiçoar no que tange ao seu horizonte moral. A imperfectibilidade da natureza humana permanece como uma suspeita que paira sobre todas as propostas de utopias ou de grandes transformações sociais.

O filósofo australiano John Passmore (1924-2004) escreveu uma brilhante obra histórico-filosófica, “A Perfectibilidade do Homem”, publicada no Brasil pela Topbooks, na coleção Liberty Classics, na qual ele persegue as várias teorias acerca da perfectibilidade humana.

Paro o autor, o embate entre as teorias que afirmam a perfectibilidade do homem ou seu contrário representam uma luta pela consciência da alma humana.

*** LUIZ FELIPE PONDÉ

ESTAR BEM

COMO O MAU USO DO CELULAR PODE DANIFICAR O CORPO

Dores são sinais de excessos e postura ruim. Especialistas dão dicas de como lidar com os smartphones de maneira adequada

Alguns anos atrás, minha melhor amiga escreveu para confessar que estava preocupada com o efeito das suas mensagens. Suas mãos e dedos doíam ao longo do dia, e a dor piorava quando ela usava o smartphone. Nossas mensagens de texto incessantes sobre paternidade e política poderiam ser a causa? Ainda não há muitas respostas sobre os efeitos que o uso de celulares pode ter no corpo.

“Não sabemos muito”, disse Jessica B. Schwartz, fisioterapeuta de Nova York e porta-voz da Associação Americana de Fisioterapia. Mas ela e os médicos com quem conversei disseram que estavam atendendo mais pacientes do que o comum com dor, além de doenças nas articulações e tecidos moles, como tendinite nos dedos, polegares, pulsos, cotovelos, pescoço, ombros e parte superior das costas… E os telefones celulares provavelmente estavam desempenhando um papel nisso.

Quando enviamos mensagens de texto para amigos ou navegamos na internet em nossos telefones, geralmente usamos nossos músculos e articulações de uma maneira que os sobrecarrega, disse Schwartz. Olhar para baixo em nossos celulares, assim como segurá-los em nossas mãos com os pulsos flexionados enquanto rolamos a barra ou enviamos mensagens de texto, exige que nossas articulações e músculo façam coisas para as quais não evoluíram: ficar na mesma posição por muito tempo, segurar muito peso e se mover repetidamente em uma pequena amplitude de movimento.

Essas posições e movimentos podem colocar “forças indevidas” nas articulações, músculos, tendões e ligamentos “que simplesmente não estão acostumados a serem mantidos nessa posição por tanto tempo”, explica Renee Enriquez, especialista em medicina física e reabilitação. Com o tempo, essas ações podem causar inflamação, levando à dor e outros problemas.

Nem todos os médicos estão cientes desses riscos. Quando minha amiga consultou seu clínico geral por causa da dor na mão, ela fez radiografia e exames de sangue, e foi informada de que não tinha artrite. Quando ela perguntou se seu smartphone poderia estar causando a dor, seu médico disse que era improvável. Ela então consultou outro médico, que descartou a síndrome do túnel do carpo e, finalmente, um ortopedista especialista em mãos, que riu e disse não quando ela perguntou – novamente – se seu telefone poderia estar incitando sua dor.

DORES SUSPEITAS

No entanto, Schwartz disse que os sintomas eram consistentes com tendinite – inflamação dos cordões grossos chamados tendões que unem o músculo ao osso – ou tenossinovite, inflamação do revestimento da bainha que envolve os tendões. Estudos associaram a tenossinovite do polegar, chamada tenossinovite de De Quervain, ao uso frequente ele smartphones. O uso do telefone também pode piorar os sintomas entre pessoas que já têm artrite.

Além de dores que podem resultar de inflamação em ligamentos, articulações, músculos e tendões, as pessoas podem sofrer lesões agudas usando smartphones. Jennifer Moriatis Wolf, cirurgiã-ortopédica de mãos da Universidade de Medicina de Chicago, disse ter visto pacientes que torceram os polegares porquê seguravam seus telefones com muita força.

O uso frequente do telefone também pode afetar nossos nervos. Quando seguramos nossos telefones a nossa frente com os cotovelos dobrados, comprimimos o nervo ulnar; que vai do pescoço à mão, essa constrição pode causar dormência e fraqueza nos dedos mindinho e anelar.

De maneira mais geral, quando qualquer músculo, tendão ou ligamento fica inflamado pelo uso do smartphone, ele pode inchar comprimindo os nervos que a atravessa e causa dor ou dormência, disse Enriquez. O uso de celulares também pode exacerbar problemas nervosos pré-existentes, como a síndrome do túnel do carpo. Depois, há a tensão que os smartphones podem causar em nossos olhos e a interrupção que a luz azul pode provocar em nossos ciclos de sono.

Além disso, considere o que acontece quando você se curva para olhar para o telefone: em comparação com manter a cabeça ereta, essa posição curvada aumenta a força nos músculos do pescoço e na coluna cervical, disse Jason M. Cuéllar, especialista em coluna ortopédica do Cedars-Sina, MedicaI Center em Los Angeles. Esse excesso de força, disse ele, pode enfraquecer os ligamentos da coluna vertebral ao longo do tempo e causar dor. Um estudo de 2017 encontrou uma ligação entre mensagens de texto e dores no pescoço, ombros e parte superior das costas embora outros estudos não tenham encontrado uma conexão.

As espinhas cervicais de alguns pacientes jovens que Cuéllar atende também estão dobradas de forma anormal. Isso também pode estar relacionado ao uso frequente de smartphones, disse ele, e pode aumentar o risco de problemas nas costas.

“Achamos que isso leva à degeneração acelerada do disco – alertou, referindo-se à deterioração dos discos espinhais, pequenos amortecedores que ficam entre as vértebras para nos ajudar a nos mover confortavelmente. “Estamos vendo mais pessoas mais jovens, na faixa dos 20 anos, geralmente 30 anos, com problemas na coluna cervical.

COMO DIMINUIR A TENSÃO

O que você deve fazer se o seu telefone estiver causando dor- ou se você estiver preocupado que isso possa eventualmente acontecer? Embora os médicos da minha amiga tenham desprezado a ideia de que seu telefone tivesse algo a ver com suas mãos doloridas, ela acabou se livrando de seu smartphone grande e comprou um menor para ver se isso ajudaria. Também começou a usar a opção de mensagem de voz para reduzir a tensão nos dedos. A dor logo se dissipou.

Schwartz concorda que reduzir o tamanho e peso do aparelho pode ser uma boa ideia se você tiver mãos pequenas, e que substituir a mensagem de texto por voz pode aliviar a dor reduzindo a tensão nos dedos. Ela e Enriquez recomendam suportes de telefone, que podem aliviar o esforçode segurar com dedos e polegares. Já Cuéllar disse que pode ser útil usar um suporte que mantenha o telefone na altura dos olhos, para que você não estique o pescoço para vê-lo.

Se você está sentindo muita dor, é uma boa ideia consultar um fisioterapeuta ou um médico, como um ortopedista ou um especialista em medicina física, pois eles podem recomendar tratamentos e alongamentos, disse Schwartz. Mas é claro que, se há dor, a solução mais simples é não usar tanto. Em outras palavras, disse Wolf, “o melhor conselho seria: desligue o telefone”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRANSTORNO DE ANSIEDADE DE SEPARACÃO

Com o medo de se afastar dos familiares, crianças e adolescentes acabam perdendo oportunidades de contato social, como excursões, viagens e reuniões em casas de amigos. Isso pode prejudicar sua socialização, além de muitas vezes fazer com que se tornem alvos de gozação e até bullying.

Quem não sentiu medo ou aperto o coração quando se despediu da mãe ou do pai no primeiro dia de aula levante a mão! O medo que as crianças sentem ante a separação de figuras a que são muito ligadas afetivamente é extremamente comum no desenvolvimento infantil e geralmente passa quando elas começam a entender que os afastamentos dos pais não são definitivos e quando começam a ter mais autonomia. Alguns exemplos desse medo são “clássicos da paúra infantil”: bebê que chora ao ser retirado do colo da mãe ou crianças pré-escolares que choram no primeiro dia de aula. A professora do Colégio Miguel de Cervantes, no Morumbi, zona sul de São Paulo -SP, Gisele Damasceno, conta que nos seus mais de 20 anos de experiência com educação infantil, os primeiros dias de aula sempre são “marcados por muito ‘chororô’ de mães e filhos que sofrem com a dor da separação”.

A professora diz que apesar de estar acostumada com esse “sofrimento”, sabe que as mães (principalmente as de primeira viagem), precisam mostrar tranquilidade e firmeza para ter coragem de “delegar” as crias a mãos alheias. Quando as mães estão tranquilas transmitem este sentimento para os filhos. Gisele afirma ainda, que nos últimos dez anos sentiu que houve um aumento da ansiedade da separação, tanto nas mães como nos filhos, e acredita que isso se deve ao clima de violência e insegurança que vivemos.

“NÃO ME ABANDONES JAMAIS”

Seja como for, a ansiedade diante de fatos novos da vida de uma criança é inevitável e precisa ser incorporada à rotina familiar e enfrentada para ser superada. Mas, quando esse sentimento atinge níveis exacerbados, que perturbam a rotina da criança – ao ponto de ela apresentar sintomas físicos sem constatação clínica – e altera a dinâmica da família, pode se tratar de um Transtorno de Ansiedade de Separação.

Este transtorno, segundo o artigo Transtornos de ansiedade,de Ana Regina GL Castillo, Rogéria Recondo, Fernando R. Asbahr e Gisele G. Manfro, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, “é caracterizado por ansiedade excessiva em relação ao afastamento dos pais ou seus substitutos, não adequada ao nível de desenvolvimento, que persiste por, no mínimo, quatro semanas, causando sofrimento intenso e prejuízos significativos em diferentes áreas da vida da criança ou do adolescente. (…) Estudos retrospectivos sugerem que a presença de ansiedade de separação na infância é um fator de risco para o desenvolvimento de diversos transtornos de ansiedade, entre eles, o transtorno de pânico e de humor na vida adulta”.

Quando estão sozinhos, crianças ou adolescentes temem que algo possa acontecer com eles ou seus cuidadores, “como acidentes, sequestro, assaltos ou doenças, que os afastem definitivamente destes”, explicam os autores. O resultado é um comportamento “de apego excessivo aos seus cuidadores, não permitindo o afastamento deles ou telefonando repetidamente para eles a fim de tranquilizar-se a respeito de suas fantasias”, acrescentam. Para dormir necessitam de companhia e resistem ao sono, que para eles representa separação ou perda de controle. Pesadelos relacionados aos seus temores de separação são frequentes e recusa escolar também é comum nesses pacientes. “A criança deseja frequentar a escola, demonstra boa adaptação prévia, mas apresenta intenso sofrimento quando necessita afastar-se de casa.”

Quando a criança percebe que seus pais vão se ausentar ou o afastamento realmente ocorre, manifestações somáticas de ansiedade, tais como dor abdominal, dor de cabeça, náusea e vômitos são comuns. Crianças maiores e adolescentes podem manifestar sintomas cardiovasculares como palpitações, tontura e sensação de desmaio. A propósito, embora os adolescentes com este transtorno, principalmente os do sexo masculino, muitas vezes neguem que sua ansiedade se deve ao temor da separação, esta pode se refletir por sua limitada atividade independente e relutância em sair de casa. Em indivíduos mais velhos, o transtorno pode limitar-se a capacidade de lidar com alterações nas circunstancias de vida, como mudança de domicilio e casamento.

Especialistas afirmam que a causa dos transtornos ansiosos infantis é muitas vezes desconhecida e provavelmente multifatorial, incluindo fatores hereditários e ambientais diversos. De uma maneira geral, segundo os autores, “os transtornos ansiosos na infância e na adolescência apresentam um curso crônico, embora flutuante ou episódico, se não tratados”. Por isso, orientam que “na avaliação e no planejamento terapêutico desses transtornos, é fundamental obter uma história detalhada sobre o início dos sintomas, possíveis fatores desencadeantes (por exemplo: crise conjugal, perda por morte ou separação, doença na família e nascimento de irmãos) e o desenvolvimento da criança”. É importante também, conforme sugerem, levar em conta o temperamento da criança, o tipo de apego que ela tem com seus pais, o estilo de cuidados paternos, e se há presença de comorbidades.

De modo geral, o tratamento é multimodal, ou seja, constituído por várias abordagens simultâneas como orientação aos pais e à criança, terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia dinâmica e uso de medicação específica, se necessário.

ENCONTRANDO SAÍDAS

Segundo a psicóloga Juliana Brito Lima no artigo Mãe fique comigo Ansiedade de separação na infância (www.inpaonline.com.br), “Com o medo de afastar-se dos familiares, crianças e adolescentes muitas vezes perdem oportunidades de contato social, como excursões, viagens e reuniões em casas de amigos. Tal comportamento, pode prejudicar a socialização com o grupo”, além de muitas vezes fazer com que se tornem alvos de gozação e até bullying. Além disso, a ansiedade também pode perturbar a rotina de trabalho dos pais, que costumam receber inúmeros telefonemas dos filhos para saber onde estão e solicitando que estes corram para “salvá-los”.

A professora de Educação Física aposentada e dona de casa Anamaria conta que nunca levou a filha para fazer qualquer avaliação, mas teve vários problemas com a ansiedade de separação dela: “quando entrou na escola, eu era chamada todos os dias para buscá-la; um dia era dor de barriga, outro dia, dor de cabeça… Chegando em casa, ela ficava ótima. Resolvemos mudar a escola, e a colocamos na mesma escola do meu filho, onde acreditamos que se sentiria mais segura com a proximidade do irmão. Aos poucos, entre umas “choradas”, umas “duras” minhas e do pai, ela engrenou. Mas quase nunca participava de passeios da escola e raramente ia à casa de amigas. E se ia, ligava para eu buscar mais cedo. As amigas deviam ficar bem decepcionadas e sem entender nada. Geralmente não repetiam o convite. Em uma viagem da escola tivemos que buscá-la no dia seguinte. Não sei se fomos pais descuidados ou pouco sensíveis por não procurar ajuda profissional – meu marido era médico e super refratário a tratamentos psicológicos -, mas, apesar de ficarmos preocupados, fomos como se diz “levando”.

Anamaria acredita que o esporte foi decisivo para ajudar a filha a conquistar autonomia ao contar que, “apesar de super apegada a mim, ela fazia aulas de vôlei (eu tinha que ficar assistindo à maioria das vezes). Como ela tinha muita aptidão técnica, acabou se saindo bem na modalidade e conseguiu lugar no time do clube que disputa torneios. Isso contribuiu muito para sua autoestima e conquista de autonomia. Acho que o foco em treinar, dar conta da escola, competir, crescer enfim, foi ‘roubando’ espaços que o medo e a insegurança preenchiam antes. Acredito que o esporte foi um grande ‘terapeuta’ para minha filha. Hoje ainda somos ‘super grudadas’, mas a relação agora é de companheirismo e interdependência; ela casou, tem o filho dela… ainda bem!”

Com efeito, segundo Lima, no artigo já citado comportamentos, por mais disfuncionais que pareçam, podem ser alimentados ou fortalecidos pela família. No caso da ansiedade, tendemos a fugir ou evitar o contato com os estímulos que causam temor. É muito comum os pais serem “contagiados” pelos medos dos filhos ansiosos e desejarem ficar com eles para protegê-los e acalentá-los, deixando de fazer suas coisas e permitindo aos filhos se esquivar de responsabilidades como a escola ou de se exporem a situações sociais.

Por isso, Lima dá uma série de recomendações para os pais (e cuidadores) prevenirem esse transtorno, como: dizer para onde irão e quando devem retornar, mas com uma certa “margem de erro para mais”, a fim de evitar os atrasos em virtude dos imprevistos; jamais sair sem avisar; fazer da despedida algo natural valorizando o que vai acontecer de bom nesse meio-tempo e evitar o drástico “não me ligue!”; em momentos (não raros) de irritação, jamais fazer ameaças como “essa sua atitude me dá vontade de sumir!”; eliminar estímulos ambientais que possam remeter aos perigos sociais, como assistir a jornais diante dos filhos, supervisionar o que estes estão vendo na internet e os assuntos das rodas de antigos; cuidar da segurança, mas sem apavorar os filhos. Em vez de “ligue a cerca elétrica, pois bandidos não escolhem a hora de assaltar as casas”, o melhor é dizer um simples “ligue a cerca elétrica”; incentivar o brincar, o contato com os colegas e o lazer. Segundo Lima, quando estão em um contexto com estímulos satisfatórios, essas situações concorrem com as preocupações, fazendo com que o medo fique em segundo plano. A psicóloga também destaca que é importante jamais afirmar, diante do medo da criança ou adolescente, a sua invulnerabilidade (doença, morte ou acidentes), mas mudar o foco, apontando as evidências que não favorecem o perigo. “O risco é inerente à vida. O ser humano é vulnerável e a vida é finita. Mas tais preocupações na infância ou na adolescência acabam reduzindo o brilho da vida que se vê com mais clareza apenas nesta fase da vida.” Para evitar que essa ansiedade prejudique a adaptação da criança no ambiente ou evolua para outro transtorno de ansiedade (como transtorno de pânico ou de ansiedade generalizada), “procure um profissional de sua confiança”, orienta a psicóloga Juliana Brito Lima.

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