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ARMADILHAS POR TRÁS DE ‘POSTS’ COM BELAS FOTOS E PROMOÇÕES

Consumidores se queixam de ofertas enganosas e golpes aplicados por perfis falsos que se multiplicam nas redes

Com um bilhão de usuários ativos em todo o mundo, o Instagram, se transformou numa grande vitrine para venda de produtos e serviços, principalmente depois que boa parte da resistência às compras virtuais foi derrubada pela pandemia. O crescimento do uso da plataforma para impulsionar negócios trouxe a reboque uma enxurrada de problemas para consumidores que, encantados por perfis bem produzidos e promoções tentadoras, acabam caindo em ofertas enganosas e até em golpes.

A história que atraiu centenas de usuários da plataforma – sobre a suposta morte da fundadora da loja on-line Netbags para divulgar uma promoção de bolsas de luxo com desconto de até 80% – acabou indo parar no Procon-SP. A mentira, justificada pela companhia como apenas um storytelling, foi alvo de notificação da fundação à Tríade Empreendimentos em Vendas Digitais, responsável pela loja. Segundo Guilherme Farid, diretor executivo do Procon-SP, trata-se de oferta enganosa.

Além da mentira, acumulam-se nas redes e em sites especializados centenas de reclamações de clientes da Netbags que não receberam as encomendas e outros que se queixam da qualidade das bolsas.

“Vi o anúncio várias vezes no Instagram sobre as bolsas e os pêsames para a suposta fundadora da marca. Havia muitos comentários, isso me passou confiança e decidi comprar. Só após já ter pago, pesquisei e vi que há uma enxurrada de reclamações contra a Netbags. Tentei cancelar, mas a loja não dá essa opção”, diz a analista da Receita paulista, Ana Paula Fernandes, que recorreu ao Procon-SP para tentar obter o ressarcimento.

SEM OS ÓCULOS

André Lacerda advogado da Tríade, diz não ter recebido a notificação do Procon-SP. Sobre acusações de demora na entrega e baixa qualidade, afirma que as condições de venda estão no site e alega que a Netbags faz só a intermediação.

“Nessa intermediação que a Netbags faz tem bolsas mais simples e mais bem elaboradas. Ela não tem acesso ao material antes de ir para a página de vendas. Caso o cliente não esteja satisfeito com a compra, é feito o estorno. Nenhum produto intermediado até hoje deixou de ser entregue”, diz.

A funcionária pública piauiense Valéria Fontenele está perdendo a esperança de receber os dois óculos comprados na LBA Sunglasses Boutique, que tem mais de um milhão de seguidores no Instagram. Com mais de 900 queixas registradas de janeiro a março no Procon-SP, a loja entrou na lista de sites a serem evitados elaborada pela entidade.

“Eles não entregam e continuam vendendo e fazendo promoções. No Instagram, bloquearam comentários. Não consegui contato por e-mail e nem por telefone”, conta Valéria, que diz ter buscado ajuda do Instagram, sem ter obtido resposta.

Bloqueados no Instagram, consumidores da marca que recorreram ao perfil da empresa no Facebook para cobrar explicação relatam nas redes sociais que foram hackea dos. O suposto serviço de atendimento pede informações, como telefone e e-mail, em seguida envia um link por SMS. Quem clica tem o perfil das redes sociais hackeado”, afirmam.

Procurada, a LBA Sunglasses Boutique não respondeu.

Segundo Priscilla Azevedo, especialista em marketing digital, é para desconfiar de perfis que bloqueiam comentários ou interagem pouco com a audiência, que tem muitas publicações em curto espaço de tempo e não seguem ninguém na rede. Ela admite, no entanto, que, mesmo quem tem experiência, não está livre de cair em armadilhas:

“Tinha uma reserva num restaurante e dias antes recebi um direct avisando de um bônus de R$ 300. Quase cai, o que me chamou a atenção foi a grafia errada do nome do local.

Uma estratégia desses perfis fakes, diz Priscila, é justamente ir atrás de seguidores dos negócios oficiais. Com apresentação quase idêntica e diferenças no perfil de um ponto ou uma letra, ofertam descontos ou sorteios. A representante comercial Marília Loures teve seu perfil hackeado logo após clicar no perfil fake da pousada que acabara de recomendar: Levei 20 dias para recuperar o perfil e ressarci uma amiga, que fez depósitos.

RESPONSABILIZAR AS REDES

Farid, do Procon-SP, defende atualização na lei para que as redes sociais sejam responsabilizadas quando há problemas:

“As redes sociais precisam fazer uma curadoria mais adequada dos perfis comerciais. O Código de Defesa do Consumidor fala em responsabilização de toda a cadeia e, na minha avaliação, elas funcionam de forma multo semelhante aos marketplaces e, como eles, devem ser responsabilizadas.

Leila Toledo, professora da Escola de Negócios da PUC­ Rio e consultora do Sebrae, concorda. Ela diz que pequenos e médios negócios, com a marca em construção, são os que mais sofrem com os ataques diretos de perfis fakes, assim como a proliferação de golpes que abala todo o mercado. Leila defende que eles se organizem para cobrar da plataforma maior diligência e recomenda:

“É preciso não só monitorar, mas alertar a clientela sobre os perfis fakes. As empresas erram ao não fazer isso.

Fabio Menartowicz, gestor de Marketing do Grupo BZ, que administra perfis nas redes sociais de quase duas dezenas de negócios em Búzios, adota estratégia de monitoramento e alerta semanais:

“Esses golpes afetam a reputação e entendemos que a melhor postura é mostrar ao cliente que nos preocupamos com ele, destacando sempre os nossos canais oficiais e alertando sobre os perfisfalsos.

Procurado, o Instagram diz que manter a sua “comunidade segura éuma prioridade” e destaca ter recursos capazes de barrar a invasão de contas, além da recuperação. A plataforma recomenda que se faça uso das ferramentas de segurança e denuncie publicações e contas suspeitas.

CONFIRA AS ORIENTAÇÕES

CUIDADO COM OFERTAS

Desconfie de ofertas de produtos, promoções e serviços com preços muito abaixo dos valores médios praticados no mercado.

PESQUISE

Antes de comprar pesquise a reputação da loja, confira se presta informações como endereço, CNPJ, canais de atendimento e verifique se há queixas e comentários nas redes.

NO INSTAGRAM

Desconfie de negócios cujas contas não são púbicas ou que não permitam comentários em publicações, orienta o Instagram. Também fique alerta a contas que direcionam a um site externo, fora da rede social, ou que pedem que compartilhe dados pessoais, bancários ou compartilhamentos para obter um prêmio ou ofereça uma promoção.

SOBRE O PERFIL

Confira atentamente o nome do perfil, verifique os comentários nas publicações. Especialista recomenda desconfiar de perfis com muitas publicações em curto espaço de tempo, dos que não interagem e não seguem ninguém na rede. Para informações sobre a conta, orienta o Instagram, clique em “..” no canto superior direito do perfil e depois em “Sobre esta conta” para ver a data de criação do perfil, anúncios ativos, nomes de usuário anteriores e outras contas com seguidores compartilhados. Perfis que representam grandes empresas, organizações ou figuras púbicas normalmente são verificados e têm o selo azul ao lado do nome.

PARA DENUNCIAR UM PERFIL

Se encontrar uma conta que está se passando por outra empresa ou está cometendo práticas abusivas, denuncie ao Instagram. Para isso, clique em “….” na parte superior direita do perfil, toque em “Denunciar”, selecione “o conteúdo é inadequado” e, depois, “Denunciar conta” opção “Está fingindo ser outra pessoa”.

A QUEM RECLAMAR

Além de denunciar o perfil ao Instagram imediatamente, o consumidor deve registrar reclamação no Procon da sua região.

GESTÃO E CARREIRA

PROFISSIONAL SIM, HUMANO SEMPRE!

Se você é daqueles que acredita naquela máxima de que “problemas pessoais só da porta para fora da empresa”, este artigo é para você! Você acha mesmo que é possível separar sua vida pessoal da profissional? Eu sei que você sabe controlar suas emoções e faz de tudo para não demonstrá-las na empresa, mas o que fazer quando o fator de desequilíbrio emocional está envolvido no seu expediente? Eu sei que você é um bom profissional e não deixa a peteca cair no trabalho mesmo com suas emoções abaladas, mas quando estamos em uma situação pessoal complicada é natural que respingue um pouco na sua performance. Ninguém é de ferro.

Há muito tempo falava-se em equilíbrio entre vida pessoal e profissional. O fato de equilibrar as áreas nos remete à ideia de separação. Hoje não falamos mais em equilibrar, e sim em integrar todas as áreas de sua vida. Se estamos felizes em casa, provavelmente essa boa emoção se refletirá no trabalho, e quando estamos tristes com o trabalho, sem dúvida que levamos nossas preocupações para nosso lar. Por isso que precisamos ter consciência de nossas responsabilidades para não prejudicar mais áreas de nossa vida, ou seja, para o problema não se tornar maior do que deveria.

Tais situações acontecem com quase todo mundo, porém esses problemas pessoais ainda não são aceitos na empresa, nem podemos dizer tais coisas no trabalho, pois “não pega bem” compartilhá-las. Vou citar alguns exemplos reais que já vivenciei no decorrer da minha trajetória profissional:

O diretor da empresa está vivendo uma crise no casamento. Casado há mais de 15 anos, foi traído por sua esposa e não sabe lidar com isso, afinal não é para todo mundo que se comenta esse tipo de situação delicada. Como fazer nesse caso? Você acredita que daria para ele comentar sobre esse problema na empresa? Provável que não! Pessoas não entenderiam a gravidade e o tamanho da sua dor. Você acha que esse diretor está em condições de tomar decisões acertadas no trabalho? Situação mega complicada.

O marido da diretora de compras foi diagnosticado com câncer, teve que ser internado às pressas e está iniciando tratamento intensivo que durará alguns meses. Ela está abalada e assustada com a situação. Você acredita que essa diretora está 100% focada no trabalho? Até que ponto sua equipe entenderia quando a visse com olhos inchados de chorar saindo “escondida” da sala de reunião?

O cachorro do supervisor de vendas morreu. Era como um filho para ele. Está no final do mês, metas precisam ser batidas e ele simplesmente não pode faltar no trabalho por esse motivo de compromisso com sua equipe! Como fazer? Você já se deu conta de que se seu animal de estimação morrer você tem que trabalhar?

Está na hora de sermos mais humanos no trabalho. E aí? Como fazer para manter bom desempenho nesses momentos de coração partido? Nossa atrasada CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) não prevê licença para esse tipo de dor. E, confie em mim, penso que deveria!

Quando estamos passando por um grande problema, acredito que o mais difícil é aceitar que o mundo não pausa para que você se conserte. O dia seguinte amanhece, a rotina das pessoas não muda, tudo segue seu curso. E, infelizmente, não podemos apertar o botão de pause para nos ajustarmos.

O objetivo deste artigo é torná-lo ciente de que tem a força e a resiliência para superar essa dor com o tempo.

Que você reconheça sua fragilidade humana e utilize tudo o que acontece com vocêpara aprender, crescer e avançar na vida. Para poder manter as emoções em ordem e administrá-las, é preciso ter consciência sobre si mesmo, ou seja, e necessário que você saiba o que coloca e tira vocêdos trilhos do equilíbrio emocional.

Ao descobrir os limites do seu temperamento emocional, tenha sempre um plano de emergência em caso de situações extremas. Exemplo: Se por acaso uma conversa qualquer no trabalho for para um rumo que é capaz de tirar você do sério, que toca numa área sensível da dor de sua emoção, crie uma estratégia para refrescar a cabeça, como pedir licença e sair da sala para tomar água. Se o problema pessoal for sério, notifique seu chefe imediato ou o departamento de recursos humanos, mas não é necessário entrar em detalhes. Se conseguir e puder, tire alguns dias de folga (aproximadamente uns três dias}, isso lhe dará fôlego para poder continuar com suas responsabilidades no trabalho.

Se vocêé líder ou colega de alguém que esteja com o coração partido no trabalho, busque ter empatia e pare de julgar, o próximo poderá ser você, e só entende as dificuldades de dores emocionais quem já passou por situação semelhante.

DANIELA DO LAGO – É especialista em comportamento no trabalho, mestra em administração, coach de carreira, palestrante e professora na área de liderança e gestão de pessoas// www.danieladolago.com.br

EU ACHO …

DE ONDE VEM A NOSSA DOR

A dor nas costas vem das costas, a dor de estômago vem do estômago, a dor de cabeça vem da cabeça. E sua dor existencial, vem de onde?’

Ela vem da história que você meio que viveu, meio que criou – é sabido que contamos para nós mesmos uma narrativa que nem sempre bate com os fatos. Nossa memória da infância está repleta de fantasias e leituras distorcidas da realidade. Mesmo assim, é a história que decidimos oficializar e passar adiante, e dela resultam muitas de nossas fraturas emocionais.

Nossa dor existencial vem também do quanto levamos a sério o que dizem os outros, o que fazem os outros e o que pensam os outros – uma insanidade, pois quem é que realmente sabe o que pensam os outros? Pensamos no lugar deles e sofremos por esse pensamento imaginado. Nossa dor existencial vem dessa transferência descabida.

Nossa dor existencial, além disso, vem de modelos projetados como ideais, a saber: é melhor ser vegetariano do que comer carne, fazer faculdade de medicina do que hotelaria, namorar do que ficar sozinho, ter filhos do que não ter, e isso tudo vai gerando uma briga in­ terna entre quem você é e quem gostariam que você fosse, a ponto de confundi-lo: existe mesmo uma lógica nas escolhas?

Como se não bastasse, nossa dor existencial vem do que não é escolha, mas destino: quem é muito baixinho, ou é pobre de amargar, ou tem dificuldade de perder peso vai transformar isso em uma pergunta irrespondível – por que eu? – e a falta de resposta será uma cruz a ser carregada.

Nossa dor existencial vem da quantidade de nãos que recebemos, esquecidos de que o “não” é apenas isso, uma proposta negada, um beijo recusado, um adiamento dos nossos sonhos, uma conscientização das coisas como elas são, sem a obrigatoriedade de virarem traumas ou convites à desistência.

Nossa dor existencial vem do bebê bem tratado que fomos, nada nos faltava, éramos amamentados, tínhamos as fraldas trocadas, ninavam nosso sono, até que um dia crescemos e o mundo nos comunicou: agora se vire, meu bem. Injustiça fazer isso com uma criança – alguém aí por acaso deixou totalmente de ser criança?

Nossa dor existencial vem da incompreensão dos absurdos, da nossa revolta pelos menos favorecidos, da inveja pelos mais favorecidos, da raiva por não atenderem nossos chamados, por cada amanhecer cheio de promessas, pela precariedade das nossas melhores intenções e pela  invisibilidade que nos outorgamos: por que nunca ninguém nos enxerga como realmente somos?

Dor de dente vem do dente, dor no joelho vem do joelho, dor nas juntas vem das juntas. Nossa dor existencial vem da existência, que nenhum plano de saúde cobre, de tão difícil que é encontrar seu foco e sua cura.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

SER OU NÃO SER MÃE

Escolher o caminho da maternidade nem sempre é algo natural. Veja como decidir

Ter ou não ter filhos? Se para uns a resposta para essa pergunta pode vir de forma clara e imediata, para outros, ela pode representar uma questão complexa. Escolher ter um filho é uma grande decisão – talvez uma das mais importantes da vida -, mas nem sempre é fácil tomá-la.

“Quando eu penso no futuro, me imagino com mais pessoas na minha família, provavelmente, filho(s), mas estou em um momento da vida tão gostoso, que gostaria de prolongá-lo”, diz a empresária Ana Emília. Greca Schmidt, de 36 anos, casada há 7 anos, ela conta que desde então a cobrança para ter filhos vem sendo cada vez maior. Entre as frases que mais escuta estão: “Quem vai cuidar de você quando ficar velha?”, “É um amor tão grande que você precisa conhecer”, “Nossa, como você é egoísta”, “Tem certeza de que não irá se arrepender?”, “Ah, mas você leva tanto jeito com criança…”, “Tá na hora de congelar seus óvulos, você já não é mais menina e a probabilidade de o bebê nascer com a síndrome x, y, z é maior”.

A mãe da empresária engravidou com 36 anos, o que era considerado tarde para os padrões da época, e isso sempre a tranquilizou. Mas agora que chegou à mesma idade, as dúvidas se intensificaram. “Vejo a convivência que minha mãe e meus sogros têm comigo e com meu marido e adoraria ter essa relação um dia. Ao mesmo tempo, convivo com diversas mães que reclamam sobre como suas rotinas mudaram, o quanto gostariam de voltar a ter a vida de antes e fico com muito medo de ter filhos e me sentir como elas. Aí penso, será que vale a pena?” Além disso, seu maior receio em ser mãe é deixar de ser ela mesma, de passar a ser a pessoa que só vive para o outro, que deixa de ser feliz para se doar.

“Sei que relações saudáveis envolvem doação dos dois lados, mas esse é um ponto que me incomoda”, relata.

A história de Ana Emília é apenas uma amostra das preocupações que afligem muitas mulheres que convivem com a dúvida sobre ter ou não filhos. A terapeuta Ann Davidman é especializada em auxiliar pessoas que estão nesse processo. Em seu livro Motherhood – Is lt For Me? (Maternidade – Isso É para mim?, em tradução livre), revela que muitos de seus clientes dizem se sentir como os únicos que não conseguem tomar uma decisão. “Eu os aviso imediatamente: vocês não estão sozinhos. Nossa sociedade permite pouco espaço para ambivalência em torno da questão.”

Ela avalia que isso acontece porque vivemos em um mundo pró-natalista, no qual a mensagem tácita é que todos deveriam querer ter filhos. “Embora o crescente número de mulheres que estão optando por não ter filhos rejeite essa noção, as vozes mais altas desse grupo tendem a articular uma decisão segura de não ter crianças. No entanto, para muitas pessoas é difícil saber o que elas realmente querem. E, às vezes pode parecer que todos os outros chegaram a uma resposta com facilidade. Muitos supõem que chegará um momento para cada um de nós quando “simplesmente saberemos”. Mesmo que seja o caso de algum é um mito pensar que é assim para todos”, enfatiza.

TRANSFORMAÇÃO

A indecisão também fez parte da vida de Mariana Dufloth, de 33 anos, terapeuta educacional e mãe da Helena, de 3 anos. “Por muito tempo eu acreditava que filhos eram sinônimo de desgaste, algoque apenas dava gasto e dor de cabeça, não conseguia ver que também tem um lado extremamente enriquecedor. A mudança veio com o amadurecimento. Além disso, ser pai era um desejo inegociável do meu marido, manifestado desde que nos conhecemos. Logo, se eu escolhesse me casar com ele, sabia que precisaria abrir essa porta.”

Mariana conta que a gravidez não foi algo pensado, “simplesmente permiti que acontecesse e fui vivendo, me entregando às etapas”, recorda. Hoje em dia, ela avalia que não tinha a menor ideia da transformação que um filho traria. “A maternidade é um portal, a gente nunca mais volta. Nem para o corpo, nem para a cabeça, nem para o estilo de vida, nada. É uma mudança definitiva, o que não significa que é ruim”, explica.

Segundo ela, a maternidade é uma transformação. “É uma outra vida, completamente diferente, você se transforma de maneiras que nunca cogitou, vê o mundo com outras lentes. Pode ser desesperador e maravilhoso”, admite Mariana.

Mas como saber se quero ter filhos? “Não há planilhas de prós e contras que vá dar conta de sustentar uma decisão como essa. Apenas o exame cuidadoso do desejo”, avalia Fernanda Lopes, psicanalista com formação em Psicanálise da Parentalidade e da Perinatalidade pelo Instituto Gerar. Para quem está em dúvida, ela sugere que se dê a oportunidade de refletir mais, lembrando que cada escolha traz uma renúncia, sempre com perdas e ganhos.

PRESSÕES

A premência do tempo pode deixar tudo mais dramático, uma vez que a fertilidade feminina começa a cair aos 35 anos, embora os avanços na ciência e a possibilidade de adoção reduza um pouco a angústia da dúvida. Já a pressão social pela procriação faz parte de uma herança patriarcal que restringe a mulher à função maternal. Da mulher é esperada a maternidade. E se ela não acontecer por limitações físicas, há compreensão, mas se ela não acontecer porque não há desejo, tem e sobra muito julgamento”, esclarece a educadora parental Lia Vasconcelos. Ou seja, para além de ter de lidar com sua própria dúvida, a mulher ainda se vê com medo do julgamento alheio.

Então, o quanto querer ser mãe é um desejo genuíno e o quanto é um cumprimento de uma expectativa? Para a especialista, a única maneira de descobrir é olhando para dentro e tentando entender o que éseu e o que é imposição da sociedade. “É um processo difícil e doloroso. As coisas se misturam e é complexo fazer uma dissociação de até onde vai meu desejo e o espaço que a pressão social ocupa dentro da gente”, observa.

Lua Barros, educadora parental, fundadora da Rede Amparo e especialista em inteligência emocional, ensina que nossos desejos são construções sociais. “Desejamos coisas a partir do nosso contexto, do que vemos, ouvimos, sentimos. É tolo pensar que ‘ser mãe’ escapa disso. O que precisamos entender éque ser mãe muda a maneira como a sociedade percebe e julga a mulher, então, essa decisão ganha contornos políticos sobreos quais não pensamos antes de termos filhos. Ou até pensamos, mas não dimensionamos”, afirma

Entre os muitos fatores que devem ser levados em consideração na hora de decidir, ela indica que vale pensar sobre rede de apoio e quem são as pessoas que podem cuidar da mãe, e não da criança, no primeiro momento da chegada. Outro ponto importante é dialogar com o parceiro ou parceira sobre o que cada um pensa a respeito da responsabilidade de ter filhos.

COMO SE PREPARAR

“Para a maternidade, prepara-se vivendo-a. Não há outra maneira”, enfatiza Lia Vasconcelos. A educadora não acredita que seja possível “se preparar” para a maternidade porque ela é “um portal”. “Cada mãe/família encontrará uma realidade diferente depois dessa travessia”, revela.

Mas é preciso ter em mente a necessidade de estar aberta ao novo, ao descontrole e à transformação, já que as vidas pré e pós-maternidade não são as mesmas. “Tem muita mulher que muda de carreira depois que vira mãe, por exemplo, e isso diz muito sobre como a maternidade mexe com as estruturas mais internas que temos. O que sai dessa vivência é próprio de cada processo”, assegura

Segundo ela, saber como será a gestação, o parto e a amamentação é a parte mais tranquila, já há muita informação e cursos disponíveis. “O desafio está em entender que a maternidade trará enorme desconforto porque é como um terremoto interno. E acho que as pessoas não têm a dimensão desse chacoalhão quando resolvem ter filhos. E esse processo não é bom nem ruim necessariamente, só é diferente para cada um”, destaca.

Lua Barros avalia que as mulheres contemporâneas sofrem justamente por essa premissa: é preciso estar pronta “Mas ser mãe é um constante processo de recomeço e isso é muito potente”, declara. Ainda assim, ela acha válido ler sobre feminismo, ancestralidade, entender porque o parto se tornou um evento tão medicalizado.

“Vale se conhecer com mais profundidade. Vale reafirmar e cuidar das amizades e das relações com a família de origem, se for possível, porque o retorno para esse ninho de onde viemos é quase inevitável. E, principalmente, vale entender como foi a nossa própria infância, porque é aí que estão os maiores gargalos quando nos tornamos pais e mães”, atesta.

Na opinião de Mariana Dufloth, é muito importante estudar sobre desenvolvimento humano, disciplina positiva, funcionamento do cérebro…”Até para fazer um bolo caseiro a gente procura receita, vê vídeo no YouTube, se prepara e acha que educar outra pessoa vai ser instintivo e natural. Não é”, adverte. “informação é valiosa demais na hora de tomar decisões, lidar com comportamentos difíceis, responder a cada pergunta. Foi procurando essas respostas que encontrei um caminho leve e que funciona de verdade.”

COMO CHEGAR A UMA CONCLUSÃO

Especialista em Terapia de Família pela UFRJ, a psicóloga Daniele Lopes sugere reflexões para ajudar na tomada de decisão.

FAÇA UM “ESTÁGIO”

Cuide de um bebê por algumas horas em diferentes momentos. Após viver a experiência e observar a dinâmica da família com a criança, refaça essa pergunta a si mesmo -imaginando que o estágio que você vivenciou por um curto período durará anos em sua vida.

OBJETIVOS

Antes de ter filhos, faça uma lista de tudo que deseja fazer sem eles, desde uma obra em casa até um mochilão pelo mundo. Visto que, após tê-los, alguns projetos terão de ser adiados.

USE O TEMPO A SEU FAVOR

Se tem dúvidas, espere até os 30 anos. “O tempo lhe trará maturidade para criar e lidar com a situação de uma forma melhor do que alguém muito jovem”.

FILHO NÃO SALVA RELAÇÃO

A chegada de um filho impacta na liberdade do casal. Não caia nessa armadilha.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SABER O SEXO DO BEBÊ ANTES DE NASCER PODE AJUDAR A CRIANÇA

Estudo mostra que feto masculino tem maior probabilidade de complicações

Uma pergunta que os pais ouvem muito: “menino ou menina? Alguns querem saber o sexo do bebe o mais rápido possível, enquanto outros preferem esperar até o nascimento.  Mas essa tradição de aguardar até o último momento pode estar com os dias contados. Novos estudos indicam que descobrir o sexo no início da gestação pode aumentar a chance de vida.

Não é novidade que algumas doenças, como problemas cardiovasculares e diabetes tipo 2 são mais comuns em homens, enquanto outros, são mais prevalentes em mulheres. O que os pesquisadores descobriram agora é que esses fatores de risco associados ao sexo podem começar ainda na barriga da mãe?.

Um estudo feito com animais publicado na revista Journal of Biology of Reproduction, indicou que quando o feto é do sexo masculino, há maior risco de complicações com risco de vida, como restrição de crescimento fetal e pré-eclâmpsia

“Não sabemos 100% por que isso acontece, mas pode estar relacionado ao fato de os bebês do sexo masculino crescerem mais rápido dentro do útero. Portanto, pode ser que suas demandas de nutrientes e oxigênio fornecidos pela mãe através da placenta possam facilmente se tornar limitadas, de modo que o bebê do sexo masculino pode não estar recebendo tudo o que realmente deseja e precisa para crescer até sua capacidade total Pode ser que sua resiliência contra estresses ou más condições na gravidez seja menor do que, digamos, para as fêmeas que têm menos exigências”, disse Amanda Sferruzzi-Perri, uma das autoras do artigo.

EVIDÊNCIAS ADICIONAIS

Um segundo estudo feito pelo mesmo grupo de pesquisadores, também com ratos apresentou o mesmo fator de risco masculino, juntamente com a obesidade materna induzida pela dieta como razão para mudanças na estrutura da placenta que podem afetar o crescimento dos bebês. O novo trabalho foi publicado na revista Acta Physiologica no início deste ano.

Segundo os pesquisadores, o trabalho fornece evidências adicionais do que deve ser avaliado na mãe durante a gravidez para evitar complicações.

“Agora estamos construindo cada vez mais evidências do que avaliar na mãe durante a gravidez, como seu índice de massa corporal inicial, seu crescimento, seu peso gestacional, mas também considerando o sexo fetal – afirmou Sferruzzi-Perri.

Muitas pesquisas precisam ser realizadas para incluir o sexo do bebê como um fator de risco para problemas placentários, mas esse trabalho pode ter a base para projetar terapias específicas para insuficiência placentária e possíveis anormalidades de crescimento fetal, de acordo com o sexo do feto, além de orientar outras intervenções ou terapias de estilo de vida para escolhas de dieta materna.

“Pode ser que uma mulher que tenha um bebê do sexo masculino precise adotar condições de estilo de vida diferentes das de uma mulher que está carregando um bebê do sexo feminino”, sugeriu a pesquisadora.

M.A

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