OUTROS OLHARES

FELINO, NÃO RECONHECERAS 

Os gatos híbridos causam problemas no mundo dos animais de estimação e podem até ser proibidos, pela braveza que herdam dos “pais” não domesticados

O fascínio dos seres humanos pelos gatos é mais do que conhecido e remonta aos primórdios da história – felinos começaram a ser domesticados há 10.000 anos e, no Egito Antigo, eram associados a deuses e reverenciados como tal. Sempre atrás de novidades, o pujante mercado de animais de estimação dedica-se nos últimos tempos a reverter séculos de docilização dos gatos, investindo com sucesso na divulgação de raças com traços da braveza original da espécie. Com nomes chamativos – bengal, savannah, chausie, cheetoh -, esses animais são fruto do cruzamento de gatos selvagens com gatas domésticas, resultando em filhotes de pelagem incomum pelas manchas e listras, olhos grandes e, sim, capacidade de machucar incautos desprevenidos. “Eles são maravilhosos, mas são uns psicopatas”, admite Hailey Bieber, mulher do cantor Bieber, a respeito de Tuna e Sushi, dois bichanos da raça savannah pelos quais o casal pagou 35.000 dólares.

O primeiro híbrido do gênero foi o bengal, filhote de gata domesticada com o gato-leopardo originário do Sudeste Asiático, que começou a ser reproduzido para venda em meados dos anos 1970. De pelos cintilantes, manchas redondas em duas cores (as rosetas) e listras nas pernas, o bengal, um gato que gosta de água, é atualmente o “doméstico selvagem” mais popular: a hashtag#bengalcat no TikTok passa de 670 milhões de visualizações.

Dona do bengal Max, a atriz Kristen Stewart se confessa apaixonada por felinos e brinca que ainda vai se tornar “aquela senhora esquisita cercada de gatos, com toda a certeza”. No Brasil, Grazi Massafera tem dois, Sol e Brownie, que vira e mexe expõe nas redes sociais. Em segundo lugar nas preferências vem o savannah, o maior de todos, um híbrido de serval, felino selvagem de porte avantajado nativo da África, com típicas orelhas pontudas. No Instagram, o savannah Stryker acumula mais de 850.000 seguidores, a quem diverte com a atração incontrolável por frangos inteiros.

Nos gatis especializados, o preço dos híbridos varia entre 3.500 e 8.000 reais. Em um ano, o Tigrinus, em Janaúba, Minas Gerais, um dos pioneiros no país, vende cerca de oitenta filhotes. “Nossas fêmeas acasalam uma vez por ano, geralmente perto do Natal”, diz o dono, Francisco Rodrigues. Alerta: não são animais de fino trato. “Eles têm genes selvagens em seu DNA e precisam extravasar esse instinto de alguma maneira, o que demanda maior atenção por parte do dono”, explica Kellen Oliveira, presidente da Comissão de Bem-Estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária. Também é comum apresentarem problemas de saúde. “O processo de hibridização é muito delicado, podendo trazer uma série de complicações neurológicas, cardiológicas e ortopédicas”, diz Kellen.

As dificuldades não se limitam aos felinos e se reproduzem em quase todas as raças híbridas. Ficou famoso o desabafo do australiano Wally Conron, criador do cão labradoodle, a célebre mistura de labrador e poodle que ele antevia como um meigo cão­ guia pouco dado a soltar pelos e, portanto, sem risco de causar alergias. Segundo ele, os excessos de cruzamentos nos canis resultaram em cães “ou doidos, ou com problemas hereditários”. ”Abri uma caixa de Pandora e liberei um monstro do tipo Frankenstein”, disse. Outro caso conhecido é o do peixe-papagaio vermelho, dotado de uma bela combinação de cores, que segue sendo vendido (custa cerca de 200 reais), apesar da boca pequena demais, que dificulta a alimentação, e das nadadeiras imperfeitas. “O benefício dos humanos não pode falar mais alto que o sofrimento dos bichinhos”, afirma Elda Coelho, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética.

Em relação aos gatos híbridos, o Reino Unido estuda inclusive proibir a reprodução das raças devido ao alto número de bichanos abandonados por donos frustrados com a braveza. A empresária Patrícia Weiss Zimmermann, dona do bengal Tião, garante, no entanto, que é tudo uma questão de paciência. “Ele demorou a ter confiança nos humanos e é, de fato, um pouco arredio com desconhecidos. Mas, assim que se adaptou a nós, virou um gato muito carinhoso”, relata. A mesma recomendação se aplica a Brenda e Nino, os felinos da veterinária Jaqueline Muniz, de São Paulo, “Eles demandam bastante atenção e precisam brincar e gastar muita energia”, ensina ela. Sem isso, é melhor o dono ir se conformando com arranhões e reclamações das visitas.

GESTÃO E CARREIRA

CULTURA ORGANIZACIONAL: CUIDE BEM DA SUA

Dentro da minha trajetória de biógrafo de grandes empresários brasileiros, tenho conhecido e estudado não só as trajetórias deles, mas também cenários políticos e econômicos que compõem suas ações, além dos comportamentos das empresas que fundaram ou presidem.

Sendo assim, aqui vale um bom tema para refletirmos: o da Cultura Organizacional! Nessas organizações, a grande maioria dos fundadores pratica e finca seus hábitos, costumes, ações, doações e formas de se relacionar com os colaboradores e de remunera-los e recompensá-los, oferece garantias de empregos, sabe como comprometer a todos em busca dos melhores desempenhos e resultados… São estratégias e formas de gestão que foram, com o tempo, ganhando a terminologia de cultura organizacional’

Igualmente com o tempo, novas terminologias vieram para substituir aquilo que já acontecia naturalmente: reter talentos, reduzir o turnover, engajamento, sentimento de dono… e por aí vai.

A cultura organizacional ou empresarial é uma terminologia que define a postura das lideranças e dos colaboradores das companhias fundamentadas na sinergia entre as atitudes, os comportamentos, a missão, os valores e as expectativas. Representa um conjugado em constante desenvolvimento das crenças e atitudes coletivas, assim como dos valores.

Em síntese, define também as ligações e relações estruturais e intangíveis, a forma como os colaboradores e clientes avaliam uma organização, a relação com os acionistas (suas relações com stakeholders), entre outros pontos.

Certamente, empresas que possuem suas culturas empresariais enraizadas e fortalecidas são mais competitivas e apresentam melhores resultados. Mas o que tenho percebido nas conversas com tanta gente do mundo empresarial, e mesmo nas empresas dos meus biografados, é a dificuldade que as gerações de colaboradores, em especial os mais antigos, têm de:

1. Entender que com a chegada das novas gerações, mesmo que grande parte da cultura seja mantida, novos componentes passarão a ser agregados e, certamente, trarão, em alguns casos, corte de certos benefícios que o fundador fazia questão que fossem mantidos e uma elevação da carga de cobrança por redução de custos e aumento de resultados. Além disso, haverá um forte e constante procedimento de investimentos tecnológicos e da implantação de processos.

2.  Aceitar que o crescimento das empresas mantém certos pilares da cultura organizacional, mas transforma ou agrega outros, pois o número de funcionários cresceu tanto que não dá mais para conhecer todos que trabalham na empresa e chamá-los pelo nome, assim como manter certas iniciativas que antes faziam parte da rotina da organização; um dos motivos plausíveis para isso são os elevados custos.

Esses são alguns dos pontos mais sentidos por quem “carrega o piano” há mais tempo. Canso de ouvir deles: “Essa não é mais a mesma empresa em que eu estou há anos”. “Trabalho em um lugar que não conheço muitos dos colegas”; “Aqui só se pensa em resultados”; “Ah se o fulano – fundador – estivesse ainda aqui” e por aí vai.

É muito difícil para as pessoas aceitarem mudanças e transformações que mexam com comodidade, segurança, produtividade, concorrência interna e outros pontos que provoquem a obrigatoriedade de transformação de posturas e conceitos.

Esse tipo de situação, muitas vezes, gera: Descontentamento e acomodação de quem está há mais tempo na empresa; agressividade excessiva de quem está há pouco tempo na empresa; e até indiferença de quem está há alguns poucos anos na companhia.

Quando se fala em competividade e resultados, geralmente, os lucros e desempenhos das metas batidas revertem em melhores ganhos para as equipes. Isso então nos mostra a dificuldade que os gestores têm ao estarem à frente de uma empresa em franco desenvolvimento e crescimento.

Não há como negar que processos, metas, profissionalismo, crescimento e resultados fazem parte da nova realidade das empresas. Mas… não se pode esquecer que quem provoca e alcança tudo isso ainda tem sangue correndo pelas veias e um coração batendo do lado esquerdo do peito.

ELIAS AWAD – É escritor, jornalista e palestrante, apresentador e fundador do programa Biografias – Trajetórias dos principais empreendedores do Brasil no canal YouTube.com. eliasawad. e-mail: palestras@eliasawad.com.br.

ESTAR BEM

POR QUE OS CARBOIDRATOS ME DÃO DOR DE CABEÇA?

Pesquisas recentes sugerem que não são os alimentos que causam a enxaqueca, e sim a enxaqueca que faz com que as pessoas tenham vontade de comer certos tipos de refeições, geralmente ricas em açúcares

Não é incomum que pessoas relatem sentir dor de cabeça depois de comer certos alimentos como os ricos em açúcar ou carboidratos. Segundo Peter Gaadsby, professor de neurologia do King’s College de Londres e da Universidade da Califórnia, esses gatilhos alimentares são frequentemente relatados por pessoas que têm enxaquecas.

“Geralmente, a pessoa que se faz essa pergunta costuma ter enxaqueca”, disse ele, complementando que os casos ocorrem especialmente quando certos alimentos parecem ser gatilhos repetidos e quando as dores de cabeça são incômodas o suficiente para que as pessoas se questionem sobre o assunto. Ao contrário das dores de cabeça mais comuns, do tipo tensional, que a maioria das pessoas sente de vez em quando, as enxaquecas – que afetam cerca de 18% das mulheres e 6% dos homens a cada ano nos EUA – são muito mais debilitantes, segundo Rashmi Halker Singh, professora associada de neurologia e especialista em dores de cabeça na Clínica Mayo. Pessoas com enxaqueca têm episódios recorrentes, muitas vezes acompanhados de sintomas como náusea ou sensibilidade à luz, que podem interferir nas atividades normais.

Em uma revisão de estudos publicada em 2018, os pesquisadores concluíram que quase 30% dos pacientes relataram que certas comidas ou hábitos alimentares desencadeavam suas dores de cabeça. Mas pesquisas recentes sugerem que provavelmente não são os alimentos que causam enxaquecas, e sim as enxaquecas que fazem com que as pessoas comam certos alimentos. E a evidência para essa explicação contraintuitiva pode estar no cérebro.

Durante o estágio inicial de uma crise de enxaqueca – chamada de fase premonitória e que pode começar algumas horas ou dias antes da fase de dor de cabeça – as pessoas podem apresentar sintomas como fadiga, nevoeiro cerebral, alterações de humor, sensibilidade à luz, rigidez muscular, bocejos e aumento da micção (o ato de expelir urina, voluntariamente ou não),” explica Goadsby.

ATIVAÇÃO DO HIPOTÁLAMO

Durante esse período, estudos de imagens cerebrais mostraram que o hipotálamo, uma região do cérebro que regula a fome é ativado, fazendo com que as pessoas desejem – e comam – certos alimentos. O que uma pessoa busca é muitas vezes rico em carboidratos e altamente palatável, embora o alimento exato varie. Alguns desejam lanches salgados, enquanto outros querem doces e chocolate”, disse Goadsby.

Assim, depois de saciar o desejo e a fase de dor de cabeça da enxaqueca começar, é natural que as pessoas se perguntem se algo que comeram contribuiu para a dor”, comenta Halker Singh.

“Às vezes as pessoas chegam e me dizem: “eu comi um pouco de chocolate e, logo depois disso, minha crise de enxaqueca começou”. Elas acreditam que o próprio chocolate desencadeou a dor de cabeça, Mas podeser que o desejo por chocolate tenha sido o início da enxaqueca.

O chocolate está entre os gatilhos alimentares mais relatados para enxaquecas, mas em uma revisão de estudos publicados na revista Nutrient, em 2020, os pesquisadores concluíram que não havia evidências suficientes para dizer que ele pode causar as dores. Neste cenário, disse Goadsby, a pessoa provavelmente teria uma dor de cabeça se comer chocolate ou não. Então, se você deseja uma guloseima durante os estágios iniciais de uma dor de cabeça, não tem problema.

Se você costuma ter desejos por comida antes das enxaquecas, é uma boa ideia anotá-los, juntamente a outros sintomas, de modo que possa se preparar para o que está por vir.

“Se as pessoas entenderem melhor seu distúrbio, elaspodem ajustara que vão fazer para evitar um acidente – explicou.

‘INSULINA DESCOMUNAL’

Margaret Slavin, professora de nutrição e estudos alimentares da Universidade George Mason, afirma que alimentos ricos em açúcar ou carboidratos refinados também podem causar um aumento do açúcar no sangue, levando a uma resposta de insulina descomunal”. A insulina ajuda a normalizar o açúcar no sangue, mas muita insulina pode ultrapassar a meta, levando a um baixo nível de açúcar no sangue. Essa condição échamada de hipoglicemia reativa, e a dor de cabeça é um dos sintomas. além de fraqueza, cansaço e tontura.

Para as pessoas que sofrem de enxaqueca, também é possível que seguir regularmente uma dieta rica em açúcar refinado e carboidratos processados possa aumentar os níveis de inflamação no corpo, e torná-las mais suscetíveis a crises”, disse Slavin. Há algumas pesquisas limitadas para apoiar essa ideia, e pode valer a pena tentar reduzir o açúcar e apostar em alimentos anti inflamatórios como frutas, legumes, nozes, feijões, grãos integrais e peixes.

Pular refeições e jejuar também são gatilhos de enxaqueca comumente relatados, então Halker Singh aconselha seus pacientes a comer refeições regular e nutritivas, além de dormir o suficiente, exercitar-se regularmente e controlar o estresse.

“Há uma explosão de novos tratamentos”, comentou.  “Se você sente que está tendo problemas significativos de dor de cabeça relacionada ao açúcar ou não, deveria considerar uma avaliação.

EU ACHO …

FIDELIDADE

As pessoas sempre traem, de alguma forma, umas às outras. Os cães são fiéis para sempre. As pessoas mentem em algum momento; cachorros jamais. O olhar humano apresenta algum julgamento; um animal de estimação é pura entrega sem crítica.

Olhei um homem em situação de rua em São Paulo. A aparência era o fruto da exposição ao mundo cruel e sujo. Ao seu lado, um cachorro, igualmente exposto à podridão urbana. Seguia, fiel, o tutor. Sem veterinário, longe de boas rações, sem brinquedos, tosas, banhos ou roupinha de inverno, aquele animal era da mesma dedicação que o mais mimado do de raça em palacetes. O olhar e o coração, sob pelo sedoso ou cheio de impurezas, permanecem os mesmos.

Saio para trabalhar o dia todo. O cachorro permanece em casa. Não entende minha ausência. Não a julga. Não pede explicações. Ao voltar, sua alegria é absoluta. Nem um murmúrio, nenhuma reclamação. Nunca insinua: como vocêpassou o dia fora. Apenas pula, late, lambe e rola com a ideia: que bom que você voltou.

Você se esquece do aniversário de um amigo, da esposa, do marido, da sogra? Prepare-se para a tempestade e até a vingança no dia do seu. Viajou e não trouxe nada para quem ficou em sua casa? Haverá um silêncio constrangedor. Foi para a Europa e trouxe algo simples em função do euro nas alturas? Nem todos os familiares entenderão sua contenção. Seu gato nada espera: ele apenas quer você.

Animais dormem tranquilos ao seu lado. Entregam-se ao sono com uma confiança e um deleite quase tocantes.

No campo da etiqueta, os pets são extraordinários. Você não enrola o macarrão com o garfo? Toma sopa com estardalhaço? Nunca haverá uma nota de desaprovação do seu quadrupede. Não julgam sua flatulência. Eventualmente, inclusive, colaboram no festival de fogos.

Muitos se chocam com as demonstrações de carinho entre humanos e animais. Eu entendo perfeitamente. Nós humanos podemos ser até bons de quando em vez. Os animais de estimação trazem um dom permanente e forte a cada casa. Sua partida devasta uma família. São um presente de luz que ilumina uma parte da nossa existência. Eu luto pela sabedoria e sou derrotado com frequência. Os cachorros e gatos que eu tive nasceram profundamente sábios. Alguns foram estoicos, outros, hedonistas, todos filósofos com pelos e felicidade. A pergunta que faço a cada animal é a mesma: como você gosta tanto das pessoas? Ensine-me o segredo de redescobrir o valor da humanidade. Sei o motivo amá-los. Por que eles gostam da gente? Minha esperança é que, um dia, eles falem disso.

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A CIÊNCIA GARANTE: É POSSIVEL SE ‘DESAPAIXONAR’

Pesquisadores defendem controle parcial do processo após o fim de um relacionamento

Em maio de 2020, Omar Ruiz se viu desiludido. “Minha esposa me disse que não estava mais apaixonada por mim”. Pouco depois, o casal se separou, depois de 11 anos juntos. Não ficou apenas arrasado, mas, como terapeuta de casamento e família, “todo esse processo solapou minha identidade profissional”, disse ele, que tem 36 anos e mora em Boston, nos Estados Unidos. “Como posso ajudar os casais quando meu próprio casamento está desmoronando?” E, assim, concluiu que precisava se ”desapaixonar”.

“As pessoas dizem que ficar de coração partido é normal, então não devemos tentar consertá-lo”, disse Sandra Langeslag, professora associada de Ciências Psicológicas da Universidade de Missouri em St. Louis, que estudou os efeitos das separações nocérebro. Mas ela ressalta que existem muitas doenças comuns e até graves que tentamos curar, então ”por que não haveríamos de ajudar as pessoas que foram rejeitadas e estão tentando seguir em frente?”

Corações partidos inspiraram musicas, poesias, artes visuais, sessões de escuta cheias de sorvete com amigos e até um novo hotel. E independentemente do motivo – seja morte, deficiência cognitiva, divórcio ou outro – a maioria das pessoas que passam pela experiência espera se recuperar e talvez até se apaixonar de novo por outra pessoa.

Mas e se na verdade tivéssemos algum controle sobre o processo? Será que alguém consegue deliberadamente se desapaixonar? Parte da ciência diz que sim.

“Você pode trabalhar nisso”, disse Helen E. Fisher, antropóloga biológica e pesquisadora sênior do Instituto Kinsey, em Nova York. Ela estuda a anatomia do amor e, em 2005, analisou imagens cerebrais de cem pessoas usando ressonâncias magnéticas para identificar os circuitos do amor romântico.

Fisher disse que descobriu que a mesma área do cérebro associada à fome e à sede – conhecida como área tegmental ventral, ou VTA, na sigla em inglês – é ativada quando você se apaixona, fazendo desse processo ”um impulso, não uma emoção”. Essa função biológica faz com que se desapaixonar seja algo tão difícil quanto tentar não sentir sede. Em outras palavras, não é fácil.

Kisha Mays, 40 anos, que administra uma consultoria de negócios em Houston, continuou amando seu ex-namorado mesmo enquanto ele estava na prisão. Eles ficaram indo e voltando por anos, ela disse, e estiveram juntos por dois anos antes de ele ser libertado em outubro de 2011. Aí, dois meses depois, ele terminou com ela.

”Agora é curar, reconstruir e aprender a confiar de novo”, disse Mays, observando que ajudou muito fazer reiki e cura espiritual – além de jogar fora todos os pertences dele.

VÍCIO

Fisher concordaria com a técnica de Mays: ela sugere tratar o processo de recuperação como se fosse o de um vício e jogar fora os cartões, cartas e objetos que lembram a pessoa. Não mantenha contato nem pergunte a amigos em comum como a pessoa está. Não fique alimentando o fantasma”, disse ela. Helen, que colocou 17 pessoas que tinham acabado de passar por términos em scanners cerebrais, encontrou atividade na VTA e nas funções cerebrais ligadas ao apego e à dor física. “Não ansiedade ligada à dor física, mas dor física”, disse ela.

Sandra Langeslag também disse que há esperança para quem está desiludido amorosamente. Ela fez dois estudos para ver se as pessoas conseguiam se sentir menos apaixonadas. Que estratégias funcionaram? Primeiro, ajuda muito ter pensamentos negativos sobre a pessoa de quem você está tentando se desapaixonar. A desvantagem? “Pensar negativamente faz você se sentir menos apaixonado, mas não faz você se sentir melhor”, afirma. “Na verdade, faz você se sentir pior”.

O que fazer, então? Distração. Pense em coisas que fazem você feliz, além da pessoa por quem você está tentando se desapaixonar. Isso deixou as pessoas mais felizes, mas não menos apaixonadas. A solução? O “um pouco dos dois”, como a pesquisadora descreveu. Ou seja: pensamentos negativos sobre a pessoa, seguidos por uma dose de distração.

Sua pesquisa descobriu que as pessoas foram capazes de diminuir deliberadamente seu amor, mas não o banir por completo. A quantidade média de tempo para curar sentimentos feridos, de acordo com dados de pesquisa coletados dos participantes do estudo, foi de seis meses, embora o tempo de cura dependesse de vários fatores, como a duração do relacionamento.

Rachelle Ramirez, escritora e editora em Portland, Oregon, ainda se lembra de uma época   em que as associações negativas funcionavam para ela. Quando tinha 15 anos, ela teve o que parecia ser uma paixão incurável por um colega de classe que estava muito menos interessado nela.

“Quando digo que o desinteresse dele era excruciante, muitas vezes as pessoas acham que é só melodrama adolescente”, disse Ramirez, que agora tem 47 anos. ”Essa suposição não chega nem perto de capturar a dor” que ela sentia ao pensar nele.

Mas, então, como Ramirez superou o amor não correspondido? ”Eu o imaginava coberto de vômito e segurando gatinhos mortos”, disse ela. “Eu sei que foi meio extremo e não sugeriria que todo mundo tentasse o mesmo, mas funcionou para mim”.

TALVEZ IMPOSSÍVEL

Algumas pessoas não compram a noção, seja apoiada pela ciência ou não, de que é possível se desapaixonar. Bethany Cook, psicóloga clínica de Chicago especializada em avaliação neuropsicológica, desconfia da ideia de que seja possível controlar a paixão.

“Amor e afeto são necessidades humanas básicas. Não podemos renegá-las deliberadamente. Seria como dizer que podemos escolher conscientemente parar de respirar”, disse Cook.  “Não temos esse poder. E fingir que temos é uma maneira de a psique se enganar pensando que tem controle. Trata-se de um mecanismo de enfrentamento pouco saudável.

“Os humanos podem se desapaixonar, mas não deliberadamente”, acrescentou ela. ”Sugerir que os humanos agem deliberadamente de uma maneira que pode esgotar uma necessidade básica vai contra a natureza do que nos torna humanos e do que a ciência nos diz sobre nossa espécie.”

Ruiz, o terapeuta matrimonial, levou mais de um ano para se desapaixonar com sucesso. Ele disse que foi preciso recorrer a um mediador de divórcios para se desapegar de sua mulher de forma mais completa, além de mergulhar em atividades com amigos e familiares. E contou também com a ajuda de um terapeuta.

“Agradeço ao meu terapeuta por me lembrar que o fim de um casamento é uma via de mão dupla”, disse ele. “Tanto minha ex-mulher quanto eu somos responsáveis pelo que aconteceu.” O terapeuta de Ruiz ”também me lembrou que sou humano e tão vulnerável a problemas de relacionamento quanto qualquer outra pessoa”, acrescentou.

Isso ajuda a reformular a noção de se apaixonar ou se desapaixonar, diz Damon L. Jacobs, terapeuta de casamento e família em Nova York. “Os relacionamentos são canais para maior energia, alegria e realização, mas não são a única fonte”, disse Jacobs. Ter essa mentalidade, disse ele, pode ajudar você a encarar a dor com mais graça e perspectiva. “Quando as coisas não dão certo”, afirma ele, “nós sabemos que ainda somos pessoas incríveis, poderosas, vibrantes e amorosas, e vamos continuar crescendo, amando e prosperando”.

PARA ‘DESAPAIXONAR’

***** Jogue fora os cartões, cartas e objetos que lembram a outra pessoa

***** Não mantenha contato nem pergunte a amigos em comum como essa pessoa está

***** Tenha pensamentos negativos sobre a pessoa por quem você está tentando se desapaixonar

***** Pense em coisas que fazem você feliz

***** Busque atividades com amigos e familiares

***** Procure ajuda de um terapeuta

M.A

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