OUTROS OLHARES

NA HORA CERTA

Nova geração de smartwatches faz eletrocardiogramas, monitora o sono e até avisa se a pessoa sofrer um acidente – mas, claro, os médicos continuam imprescindíveis

Antes da chegada do Apple Watch, em 2015, os relógios inteligentes eram bugigangas restritas a um nicho específico do mercado de aficionados de tecnologia. Com o passar do tempo, contudo, a promessa de ter acesso a algumas funções dos celulares e a possibilidade de o usuário receber notificações sobre diversos temas – condições climáticas e noticiário, por exemplo – fizeram com que os aparelhos ampliassem de maneira explosiva o seu alcance. Recentemente, os smartwatches aceleraram os ponteiros ao focar o universo da saúde e bem-estar. Foi uma estratégia certeira. Em 2015, a Apple vendeu 12 milhões de unidades. Em 2021, o número ultrapassou a marca de100 milhões. Como um todo, o mercado cresce ao ritmo de 35% ao ano, segundo estudo realizado pela consultoria International Data Corporation (IDC). E tudo graças à sua novíssima vocação como ferramenta de saúde.

Os smartwatches, também chamados wearables, se tornaram aliados importantes do autocuidado. Não à toa, o Colégio Americano de Medicina Esportiva apontou esse tipo de dispositivo como a principal tendência fitness em 2022. Não é para menos. Hoje em dia, até mesmo as opções mais simples e baratas oferecem monitoramento da frequência cardíaca, registro da qualidade do sono e do período menstrual e giroscópios para contabilizar passos e quilômetros. A maioria funciona com aplicativos populares de esporte, como o Strava, e dão maior precisão no acompanhamento das atividades físicas. Alguns são à prova d’água e tornaram-se valiosos companheiros nos exercícios da natação.

Como não poderia deixar de ser, os aparelhos com preços elevados costumam incorporar funções adicionais. A medição da oxigenação do sangue é uma delas, algo importante em tempos de Covid-19. O Apple Watch Series7, registre-se, faz eletrocardiogramas, liberando o resultado em questão de segundos. A contagem de calorias e a porcentagem de gordura do corpo são outras opções disponíveis entre os relógios que estão no topo de linha. E, claro, dá até para unir a preocupação fitness com estilo. Marcas de luxo, como a Montblanc, entraram na onda e lançaram versões inteligentes de seus relógios, com preços equivalentes a seus modelos tradicionais, na casa de milhares de reais.

O maior trunfo dos smartwatches é colocar nas mãos das pessoas formas práticas de monitorar a saúde. Os aparelhos e seus aplicativos embarcados usam recompensas fictícias, como medalhas para estimular os usuários a bater metas pessoais, e permitem que se acompanhe informações cardíacas 24 horas por dia, se o adepto assim desejar. “Com eles, de fato, o indivíduo passa a ter atitudes diferentes em relação à saúde”, afirma Antônio Carlos Endrigo, diretor de tecnologia da informação da Associação Paulista de Medicina. “A pessoa se educa, controla melhor os hábitos alimentares e se preocupa em realizar um número maior de atividades físicas.”

Ter fixado no pulso um aparelho que proporciona o acompanhamento constante, em qualquer lugar e situação, e durante 24 horas por dia pode em algum momento até salvar vidas. Há casos de pacientes que identificaram anomalias, como taquicardia e hipertensão, de forma precoce e buscaram ajuda médica antes que o problema ficasse mais sério. Não são a regra, é preciso destacar, mas a possibilidade existe. E aparelhos mais modernos contam com mecanismos de segurança que disparam alertas se o paciente cai e fica inconsciente, sofre acidente ou até mesmo infarto.

As vantagens são consideráveis, mas é preciso fazer uma ponderação: os smartwatches não são, em hipótese alguma, substitutos para os médicos. Devem, portanto, ser usados como complemento ao trabalho realizado por profissionais de saúde, e não adotados como alternativas a exames. “É certo que os smartwatches evoluirão a tal ponto que obrigatoriamente deverão passar pela homologação dos órgãos reguladores”, diz Endrigo. Enquanto isso não ocorre, recomenda-se usá-los com moderação – na hora e na dosagem certas. E, claro, consultar o médico sempre que for necessário.

GESTÃO E CARREIRA

O ESCRITÓRIO É MAIS IRRITANTE DO QUE VOCÊ LEMBRAVA? VEJA COMO LIDAR

Da fofoca ao cheiro forte da comida do colega, especialistas dão dicas de como enfrentar a volta ao ambiente de trabalho

Após dois anos trabalhando em casa durante a pandemia e com horários mais flexíveis, o retorno ao escritório está em pleno andamento. Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos trabalhadores que podiam trabalhar à distância permaneciam em um modelo remoto em janeiro, de acordo com pesquisa feita pela Pew Research Center. Entre as motivações estava a variante Omicrom, que atrasou os planos de retorno ao presencial.

Recentemente, porém, empresas têm insistido que os funcionários voltem ao escritório emhorários de trabalho híbridos. Ocorre que, para muitos trabalhadores, após a experiência de ter um ambiente controlado dentro de casa, retornar ao trabalho significa enfrentar comportamentos irritantes novamente.

Pessoas barulhentas, colegas intrometidos, copa compartilhada. Essas são algumas reclamações citadas por pessoas quando questionadas sobre a volta das atividades presenciais. Segundo Darian Lewis, este deve ser considerado um novo começo para todos. Junto com sua esposa, Monica, ele fundou a Monica Lewis School of Etiquett, em Houston, nos EUA.

“Sabe todas aquelas coisas que você queria mudar em seu local de trabalho antes da pandemia, mas simplesmente não conseguia descobrir como fazê-las?”, questiona. “Bem, aproveite a oportunidade agora.

Lindsey Pollak, especialista em ambiente de trabalho, disse que é preciso ter três coisas em mente quando você está voltando ao ritmo.

“Reconheça que estamos fora de forma para lidar com outras pessoas”, explica ela. “Abaixe suas expectativas e assuma que você vai ter alguns aborrecimentos. E realmente pense nos novos hábitos que você deseja criar desde o primeiro dia.

Para a professora de psiquiatria da Universidade da Pensilvânia Jody J. Foster, é preciso escolher as batalhas que valem a pena:

“Pergunte a si mesmo: “é uma batalha que eu preciso travar porque está realmente atrapalhando meu trabalho, ou estou apenas incomodado porque fiquei acostumado a ficar sozinho durante a pandemia e ter tudo exatamente do jeito que eu queria?”, questiona.

Veja como lidar de forma rápida e eficaz com alguns dos hábitos mais irritantes do local de trabalho:

 O ALTO-FALANTE

Se sua atenção está sendo constantemente desviada pela tagarelice de um colega, aconselha Lewis, respire fundo e aproxime-se da pessoa, usando a estratégia de sorrir, fazer contato visual e manter a calma. Então, simplesmente diga:

“Com licença. Parece que o que você está falando é realmente interessante, no entanto, se você pudesse falar mais baixo, eu agradeceria. Muito obrigado.”

“É completamente razoável fazer uma intervenção e, como esta é uma situação nova para todos, você pode conduzi-la dessa maneira”, acrescenta Foster.

“Você pode dizer: “Fulano, você pode pensar que estou exagerando mas depois de um ano podendo criar meu próprio ambiente de trabalho, estou descobrindo que essas distrações estão realmente atrapalhando a minha capacidade de trabalhar”.

A FOFOCA

”A fofoca é o que chamaríamos de ‘discurso nocivo’; disse Miglioli, o sacerdote budista. Quando o intrometido do escritório chegar com uma informação quentinha, faça a si mesmo estas perguntas, a partir dos ensinamentos do budismo contidos no Nobre Caminho Óctuplo, antes de ouvi-lo ou transmiti-lo: Este é o momento certo para falar? É verdade? É gentil? É benéfico?

Foster sugeriu afastar o fofoqueiro com este roteiro: “Sabe, é tão tentador ouvir fofoca, mas no final das contas sempre me causa problemas. Então não, obrigado, eu não quero ouvir”.

O INTROMETIDO

Quando seu colega de trabalho excessivamente curioso começa a falar, “encontre um mantra”, sugere Pollak, especialista em local de trabalho:

“Como ‘Hmm, não tenho certeza se me sinto confortável falando sobre isso’. E então diga essa frase várias vezes, da mesma maneira todas as vezes. Ou dê uma resposta de uma palavra. Com pessoas intrometidas, trata-se realmente de ficar o mais quieto possível e não morder a isca e não se envolver.

O FALADOR CHATO

“Todos nós temos essa pessoa no escritório, em que estão falando e falando, e você está pensando: “termina logo essa história”, disse Lewis, da escola de etiqueta, que alerta: “Se você não tem essa pessoa, talvez você seja essa pessoa.

Monica aconselha a redirecionar a conversa:

“Você pode dizer: ‘uau, isso éinteressante: eu odeio mudar de assunto, mas eu queria te perguntar…” e depois mudar para algo neutro.

Sevocê quiser encerrar, sugere, diga ao seu colega que você precisa ir para a próxima reunião. As dicas corporais também são eficazes, como se levantar ou sair da sala com a pessoa

O INTERRUPTOR CRÔNICO

“Eles interrompem constantemente ou precisam pensar em voz alta, e você tem que testemunhar seuspensamentos”, explica Foster. “Você pode dizer:

“Eu quero ouvir todas essas coisas, é só que quando perco a linha de pensamento, demoro muito para voltar”.

Isso transmite a mensagem de que as interrupções são problemáticas, diz Foster, mas permite que saibam que têm acesso a você – “só precisam estruturar isso”.

A COMIDA

“Se você reclamar com um colega de trabalho sobre alimentos que podem ter odores fortes, isso pode ser uma questão delicada, porque as pessoas podem pensar que estão sendo atacadas com base em sua etnia e cultura”, alerta Monica Lewis. “Você definitivamente não deseja ir até a pessoa e dizer que a comida dela está cheirando mal dentro do escritório”.

Se for um problema crônico, acrescenta, converse reservadamente com a administração ou chefia.

“Este é um ótimo momento para a liderança intervir e criar uma nova norma para o escritório, como talvez horários e locais designados para comer. Tente exercitar a tolerância, acrescentou Lewis. “Às vezes, quando você embala seu almoço de manhã, você precisa adicionar um pouco de paciência.

Uma das conclusões da pandemia é que as comunidades sobrevivem melhor do que os indivíduos. À medida que todos voltamos ao local de trabalho, diz Miglioli, temos duas opções.

“Uma maneira é se desconectar o mais rápido possível de tudo o que aconteceu e voltar para sua vida”, afirma ele. “A outra é abraçar a pandemia como um grande professor.

Ao trazer o que aprendemos sobre solidariedade, compaixão e o que realmente importa de volta ao escritório, ele afirmou, “você pode permitir que esses ensinamentos o transformem em um serhumano melhor”.

EU ACHO …

ADORÁVEIS MALUCOS

A cena: o primeiro vinho da vida de vocês. Sentados frente a frente, cada um revela suas músicas favoritas, se prefere praia ou campo, se gosta de ler, se pratica esporte, se já morou em outra cidade. Sem esquecer o indefectível: qual o seu signo?

Ao fim da noite, haverá mesmo uma pista segura sobre as chances da relação? A gente pensa que sim, mas a vida mostra que nada disso interessa: nem o time que torce, nem se sabe cozinhar, nem se é de Áries ou Libra. Segundo o filósofo Alain de Botton, a gente deveria perguntar no primeiro encontro: qual é a sua loucura? Este seria um bom começo para avaliar se temos capacidade de segurar a onda do outro.

Não há como negar que somos todos meio esquisitos. Quem é que tem todos os parafusos no lugar? Combinado: ninguém. Então admitir isso seria um jeito mais honesto de iniciar uma história. O cara se abre: “Costumo fazer caminhadas durante a madrugada, preciso ficar totalmente sozinho no dia do meu aniversário, tenho um histórico de assédio moral que me perturba até hoje, fico meio enfurecido quando alguém insiste em saber sobre minha infância”.

Sua vez de alertá-lo: “Não consigo ficar sozinha nem por cinco minutos, não posso engordar 200 gramas que passo três dias sem comer, janelas abertas me causam pânico, desconfio que sou filha da minha tia”.

Achou que iria ser facinho? Praia ou campo?

O ser humano, qualquer um, é um depósito de angústias, carências, traumas, neuras. Não somos apenas o nosso gosto para cinema, o nosso jeito de vestir, o nosso prato favorito – se fôssemos apenas isso, amar seria como jogar dominó. Mas o jogo entre dois amantes é mais complexo. Aos poucos, vão aparecendo os medos secretos, a dificuldade em lidar com certas emoções, a fixação em ideias estapafúrdias, o complexo de inferioridade, a ansiedade incontrolável, as per­ das pelo caminho.

Nada disso é exatamente uma loucura, mas é um pacote existencial que é colocado no colo de quem deseja se relacionar conosco. A pessoa terá que amar não apenas nosso par de olhos verdes e nossa bicicleta na garagem, mas todas as estranhezas que cultivamos e a dor que tentamos subestimar.

O amor, em si, não é difícil. O amor é fácil. Difíceis somos nós. Somos uma simpática encrenca para quem se atreve a entrar na nossa vida e ficar conosco por mais de dez dias, prazo suficiente para lembrar que perfeição não existe.

Alguém vai desistir de amar por causa disso? Ao contrário: o desafio é estimulante. Quase competimos para ver quem é mais maníaco, quem tem mais problemas familiares, quem se irrita mais com a rotina, quem explode mais – pra tudo terminar em chamegos embaixo do lençol, onde é obrigatório se entender.

Taí a graça e a desgraça de quem resolve dividir o mesmo teto, taí a bagagem surpresa que cada um traz de casa. Qual é a sua loucura? A minha, só conto depois do segundo cálice.

***MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

CONHEÇA OS BENEFÍCIOS DA RESPIRAÇÃO CONTROLADA

Prática milenar relacionada a Buda ajuda a reduzir o estresse e a insônia, acalma e pode estimular o sistema imunológico

Respire fundo, expandindo a barriga. Faça uma pausa. Expire lentamente e conte até cinco. Repita quatro vezes. Parabéns, você acabou de acalmar o seu sistema nervoso. A respiração controlada, que você acabou de praticar, reduz o estresse, aumenta o estado de alerta e estimula o sistema imunológico. Durante séculos, praticantes de yoga usaram o controle da respiração para promover a concentração e melhorar a vitalidade. Buda, por exemplo, defendia a prática como uma forma de alcançar a iluminação.

A ciência está apenas começando a fornecer evidências de que os benefícios dessa prática antiga são reais. Estudos descobriram, por exemplo, as práticas de respiração podem ajudar a reduzir os sintomas associados à ansiedade, insônia, transtorno de estresse pós-traumático, depressão e transtorno de déficit de atenção.

“Respirar é extremamente prático”, diz Belisa Vranich, psicóloga americana e autora do livro “Breathe” (Respire, ainda sem tradução no Brasil). “É a meditação para pessoas que não podem meditar.

A cura, possível benefício da respiração controlada, ainda étema de estudos científicos. Uma teoria é a de que a prática pode alterar a resposta do sistema nervoso autônomo do corpo, que controla processos inconscientes, como a frequência cardíaca e a digestão, além da resposta ao estresse. É o que diz Richard Brown, professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, nos EUA.

Mudar conscientemente a maneira como você respira parece enviar um sinal ao cérebro para ajustar o ramo parassimpático do sistema nervoso, que pode diminuir a frequência cardíaca e a digestão e promover sentimentos de calma bem como o sistema simpático, que controla a liberação de hormônios do estresse, como o cortisol. Muitas doenças, como ansiedade e depressão, são agravadas ou desencadeadas pelo estresse.

“Vi pacientes transformados pela adoção de práticas respiratórias regulares”, diz Brown, que ministra workshops de respiração em todo o mundo.

Quando você respira devagar e com firmeza, seu cérebro recebe a mensagem de que tudo está bem e ativa a resposta parassimpática, segundo Brown. E, ao respirar rápido ou prender a respiração, a resposta simpática é ativada.

“Se você respirar corretamente, sua mente se acalmará”, garante Patrícia Gerbarg, professora clinica assistente de psiquiatria da New York Medical College e coautora de Brown.

Chris Streeter, professora de psiquiatria e neurologia da Universidade de Boston, realizou um pequeno estudo no qual mediu o efeito da prática de yoga diária e da respiração em pessoas com diagnóstico de depressão grave. Após 12 semanas, os sintomas depressivos dos participantes diminuíram significativamente e seus níveis de ácido gama-aminobutirico, um agente químico cerebral que tem efeitos calmantes e anti ansiedade, aumentaram.

A pesquisa foi apresentada no Congresso Internacional de Medicina Integrativa e Saúde   em Las Vegas. Embora o estudo tenha sido pequeno, Streeter celebra o resultado:

“As descobertas foram emocionantes”, disse ela.

“Eles mostram que uma intervenção comportamental pode ter efeitos de magnitude semelhante a um antidepressivo.

A respiração controlada também pode afetar o sistema imunológico. Pesquisadores da Universidade Médica da Carolina do Sul dividiram um grupo de 20 adultos saudáveis em dois grupos. Um grupo foi instruído a fazer duas séries de exercícios respiratórios de 10 minutos, enquanto o outro grupo foi instruído a ler um texto de sua escolha por 20 minutos.

A saliva dos voluntários foi testada em vários intervalos durante o exercício.  Os pesquisadores descobriram que a amostra do grupo de exercícios respiratórios tinha níveis significativamente mais baixos de três citocinas associadas à inflamação e ao estresse. Os resultados foram publicados na revista BMC Complementary and Alternative Medicine em 2016.

Aqui estão três exercícios básicos de respiração para tentar por conta própria:

RESPIRAÇÃO CONSISTENTE

Se você tiver tempo para aprender apenas uma técnica, esta é a principal. Na respiração consistente, o objetivo é respirar a uma taxa de cinco respirações por minuto, o que geralmente se traduz em inspirar e expirar contando até seis. Se você nunca praticou exercícios de respiração antes, pode ter que trabalhar essa prática lentamente, começando com inalar e exalar contando até três e indo até seis.

1. Sentado, ereto ou deitado, coloque as mãos na barriga;

2. Inspire lentamente, expandindo a barriga, contando até cinco;

3. Pausa;

4. Expire lentamente contando até seis;

5· Tente praticar esse ritmo por 10 a 20 minutos por dia.

ALÍVIO DE ESTRESSE

Quando sua mente estiver acelerada ou você se senti tenso, experimente a respiração “Rock and Roll”, que tem o benefício adicional de fortalecer seu core (constituído por músculos do abdómen, da lombar, da pelve e do quadril).

1. Sente-se ereto no chão ou na beira de uma cadeira;

2. Coloque as mãos na barriga;

3. Ao inspirar; incline-se para a frente e expanda a barriga;

4. Ao respirar, esprema o ar e curve-se para frente enquanto se inclina para trás. Expire até ficar completamente sem ar;

5. Repita 20 vezes.

RESPIRAÇÃO ENERGIZANTE

Quando o meio da tarde chegar e você se sentir cansado, levante-se e faça um rápido trabalho de respiração para acordar sua mente e corpo.

1. Fique de pé, cotovelos dobrados, palmas das mãos voltadas para cima;

2. Ao inspirar, puxe os cotovelos para trás, mantendo as palmas das mãos voltadas para cima;

3. Em seguida, expire rapidamente, empurrando as palmas das mãos para a frente e virando-as para baixo, enquanto diz “Haaa” em voz alta;

4. Repita rapidamente de 10 a 15 vezes.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FILHOS DO CORAÇÃO

Quem decide adotar uma criança ou adolescente precisa evitar a idealização da pessoa que vai chegar, aceitar a sua vida pregressa e estar preparado emocionalmente para acolher o trauma do abandono

A chegada de um filho costuma transformar a rotina, as prioridades da família, além de ser um turbilhão emocional. Quando esse filho vem pela via da adoção, tudo fica ainda mais intenso, já que o tempo de espera, a idade e as características da criança são indefinidos. É comum surgir o medo de não conseguir estabelecer uma conexão, de não ser amado como pai ou mãe. O cenário desafiador não deve ser motivo pata recuar: com preparação, uma boa rede de apoio – além de amor e paciência -, é possível construir um vínculo sólido.

Olhar com franqueza para as motivações da adoção é a primeira recomendação da psicanalista Sandra Quintino. “Adotar um filho para fazer caridade, para salvar o casamento ou para ter companhia para o filho biológico não deve ser motivação.”

Segundo ela, a maioria dos casais que solicita a adoção tem problemas de infertilidade. “Muitas vezes, são pessoas que estão tentando ter um filho há anos e passam por muita frustração. Chegam para a adoção devastados e com muita expectativa. Aí, o tombo é grande”, explica. Nesses casos, Sandra recomenda primeiro tratar essa dor. “A adoção não pode ser vista como um plano B, mas aceita de forma completa.”

Uma vez que uma pessoa ou casal tenha decidido adotar e tenha iniciado os trâmites, é preciso se preparar. Se por um lado é difícil montar o enxoval e o quarto, há um vasto terreno de conhecimento e de emoções para ser explorado, com ajuda de grupos de apoio e até de “doulas de adoção”. “Quem se prepara tem mais chance de ter uma adoção bem-sucedida, pois sabe com o que está lidando, mesmo que tenha medo. Essa expectativa é necessária e pode ser gostosa”, recomenda Sandra.

Dúvida, medos e angústias de pais ou pretendentes encontram espaço no Adoção Brasil, grupo de apoio que reúne 900 pessoas no Telegram e mais de 50 mil seguidores no Instagram. “Um ajuda o outro e vibra quando a adoção dá certo”, diz Grazyelle Yamuto, cofundadora do grupo. O Adoção Brasil nasceu em 2007 como blog, quando ela e seu marido ‘Vlagner Yamuto estavam na fila de adoção, após vivenciarem o luto da infertilidade.

“A gente não sabia direito como ia ser o processo, pois não tinha muita informação na internet. Então abrimos o blog, para compartilhar a nossa experiência”, conta. O primeiro filho, Gabriel, de 12 anos, chegou em 2010, depois de 3 anos e 9 meses de espera. Agatha, de 4 anos, se uniu à família em 2019 após 2 anos de espera. Ambos “nasceram” para Vlagner e Grazyelle, aos 10 meses de vida. Mas nem tudo foram flores: nos primeiros dias, na etapa de acolhimento feita no abrigo, que durou 30 dias, Agatha só chorou.

“No início eles me viam como uma cuidadora, não como uma mãe. Quando caíam, choravam e não me procuravam”, conta Grazyelle. Para ela, a vinculação com bebês adotivos não é mais fácil do que de crianças mais velhas. “Isso éum mito. Todas precisam de um tempo para se adaptar a uma casa de estranhos, pois é preciso construir uma relação.”

ROTINA

Em 2016, quando recebeu Murilo pela via da adoção, a fotógrafo Annie Aline Bàracat, de 43 anos, foi rígida na rotina para reproduzir o cotidiano que o filho vivia no abrigo. “Copiei os horários em que ele mamava, acordava, ia ao banho, para que se sentisse seguro”, conta. Observar com atenção e buscar atender às preferências do filho, que chegou aos 6 meses, ajudou no vínculo entre os dois, segundo Annie, que mantém o perfil Vamos Falar de Adoção no Instagram. “Em dois meses ele já estava bem adaptado, seguro comigo.”

Annie sempre sonhou em ser mãe, não importava a via. No final de 2014, se viu solteira, mas achou que era hora de colocar em prática o seu projeto e iniciou o processo de adoção. Familiares e amigos aceitaram a ideia, mas alguns estranharam a opção pela maternidade solo. “Houve quem dissesse que estava errado eu adotar uma criança sozinha.”

Annie não deu ouvidos e, dois anos depois, recebeu a ligação da Vara da Infância e da Juventude (VIJ) para convidá-la a conhecer Murilo. “Chorava tanto que mal conseguia falar”, conta. Uma semana depois, no dia do seu aniversário de 38 anos, pôde comemorar a data entre fraldas e mamadeiras, com o filho já nos braços, em casa. “Murilo realmente é um presente para mim.”

Por indicação da VIJ, Annie participou do Gaasp – Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo, que existe desde 2005. Pelo WhatsApp, voluntários intermedeiam grupos segmentados, para pessoas em diferentes etapas do processo de adoção ou características, como famílias monoparentais ou LGBT+. Além disso, são oferecidos cursos preparatórios, previstos na Lei de Adoção 2010, de 2009. Porano, cerca de 900 pessoas participam. “Em quatro aulas, são abordados temas como os traumas da criança abandonada pelos pais biológicos, o impacto da devolução da criança que foi adotada, além de racismo e homo transfobia”, explica a psicoterapeuta Cecília Japiaçu Reis, presidente do Gaasp.

No trabalho de orientação, Cecília reforça a importância de aceitar a vida pregressa da criança. “É preciso entender que essa pessoa já tem a sua história de vida, mesmo que seja um bebê. Por mais que você receba um relatório sobre a criança, não é possível saber de todos os detalhes desse passado. Mas isso que ela passou pode refletir em seu comportamento com o tempo”.

UM NOVO ABANDONO

Evitar a romantização e a idealização ajudam a reduzir as possibilidades da devolução da criança, na experiência de Cecília. “No emocional da criança, a devolução é um novo abandono”, explica. Segundo ela, as devoluções são frequentes, com apresentação de motivos que vão dos mais pífios aos sérios. “Existem pais que devolvem a criança com argumentos de que ela chora demais ou tem medo de trovão, ao mesmo tempo que há devoluções bem embasadas”, conta. “Mas, se isso aconteceu, houve erro nas etapas do processo, não dá para jogar pedras nas famílias.” Ana lsabely de Amorim Santos, de 15 anos, passou por três devoluções antes de encontrar a família atual: a intérprete de libras Priscila dos Santos Amorim, de 38 anos, e o seu marido, Elias de Amorim Santos, de 41. Desde que começaram a namorar, em 2004, o casal conversava sobre a possibilidade da adoção. Depois que se casaram, em 2006, descobriram um problema de infertilidade, o que os levou a seguir por esse caminho. No questionário sobre o perfil desejado, eles informaram que aceitavam as crianças que tivessem até 8 anos, sem preferência por etnia ou sexo.

No primeiro encontro com Ana Isabely, o casal já sentiu uma empatia. “Foi um momento muito gostoso e bonito”, recorda-se Priscila. Apesar disso, Priscila não romantiza a adoção e fala também das dificuldades no perfil Escolha de Amar, no Instagram. ”A adaptação de uma criança mais velha não é fácil. Desacreditada do amor, Isa nos testou muito. Queria ver se íamos devolvê-la”, conta. Apesar das dificuldades, tudo foi se encaixando. “Com amor e paciência, criamos o vínculo. Mostramos que essa era a família dela, com a qual ela podia contar.”

Quando uma criança é aceita do jeito que é, ela fortalece a sua identidade, explica a psicóloga Viviane Namur Campagna. “Na medida em que se sente acolhida e vivencia novas experiências com a nova família, a criança vai ficando mais parecida com ela.” Viviane conta que há casos em que há o desejo dos pais de “zerar” a história do filho, como se fosse possível apagar o seu passado.

“Acompanhei famílias em que os pais reclamavam do nome da criança porque achavam cafona ou da música de sua preferência. Mas isso não pode ser desprezado, pois se trata da história dela”, diz.

GRATIDÃO TÓXICA

Quando criança, o publicitário Luiz Fernando Mota Melo, de 33 anos, costumava ouvir comentários como: “Que sorte a sua ter sido adotado pela sua família”. Na sequência, sua mãe Eliane Melo, de 68 anos, fazia a correção: “A sorte foi nossa de tê-lo encontrado”. Hoje, ele percebe que sua mãe fazia uma defesa do que chama de “gratidão tóxica”, que atinge especialmente os filhos adotivos.

“Esse tipo de comentário vem carregado de uma obrigação de sempre agradecer, o que gera angústia. Você cresce achando que não pode errar, que tem de ser o filho perfeito, enquanto um filho biológico não é cobrado para isso.”

Mota conta que a “gratidão tóxica” marcou sua infância e juventude, em que ele se empenhava para ser impecável, um estudante com ótimas notas, e o influencia até hoje. Buscando o autoconhecimento, ele tem refletido sobre as implicações da adoção em seu jeito de ser. “Na pandemia, passei a olhar para dentro e comecei a ver filmes e séries sobre o tema.” Em 2020, então, ele abriu no Instagram o perfil Eu, Adotado, para expor os seus sentimentos. Mas afirma que a intenção não é chegar aos pais biológicos. “Não guardo mágoas, mas não vejo motivo para procurá-los. Se eu os encontrasse, gostaria de dizer, deu tudo certo, eu estou bem e feliz.”

CONCEITO DE FAMÍLIA

Em geral, a sociedade ainda valoriza os laços sanguíneos nos núcleos familiares, o que reflete na aceitação de famílias interraciais, afirma a professora Silvia Leticia Fructuoso, de 38 anos. Ela e o marido Gilson Pereira da Silva, de 41, são brancos e adotaram Franciele, negra, hoje com 6 anos. ”Quando estamos juntos, as pessoas ficam olhando como se fôssemos um jogo dos 7 erros, procurando as nossas diferenças.” Franciele chegou em 2019, quase duas décadas depois de seus pais terem conversado pela primeira vez sobre a vontade de adotar uma criança, no início do namoro. “Adotar foi uma escolha. Filho é filho, independentemente de como ele chega. E família é um grupo de pessoas que escolhe estar junto e construir o amor”, define Sílvia. Vira e mexe, a própria Franciele esclarece a situação para as pessoas que a questionam sobre as diferenças. “Ela fala sobre a adoção com leveza e naturalidade.

Para normalizar a adoção, o casal Betho Fers, de 40 anos, e Erick Silva, de 37, dizem que Chapeuzinho Vermelho foi adotada. A história é uma das preferidas de Stephanie, de 4 anos, que se integrou à família aos 6 meses. Quando começaram o relacionamento, em 2008, conversaram sobre adoção, mas isso ainda não era possível. Somente em 2015 foi reconhecido o direito de casais homossexuais adotarem nas mesmas circunstâncias que casais heterossexuais. “Stephanie chegou em 2018, momento que foi o mais feliz das nossas vidas”, conta Fers.

Envolvido com a causa, Fers abriu o canal Papaipeando em 2019 e fez um curso de doula de adoção, profissional que dá suporte emocional e faz uma curadoria de informações para pretendentes à adoção. “A sociedade não nos prepara para sermos pai ou mãe por adoção. Quando esse enredo é exibido, ele é muito fantasioso. A doula ajuda a derrubar tabus e trabalhar questões práticas e emocionais.”

Com muita ginástica para conciliar vida profissional e os cuidados com a filha nos últimos anos, o casal considera que a família está vinculada. Mas os questionamentos sempre surgem. “As pessoas perguntam se a Stephanie não sente falta da figura da genitora. A gente responde que na nossa família valorizamos a abundância: sobra vontade, amor, disposição para acompanhar a nossa filha. É isso que importa”, afirma Pers.

EXPECTATIVAS

COMO ESTABELECER UM BOM VINCULO

•  Não romantize: a criança trará desafios como em qualquer família, com o agravante do trauma da separação dos pais biológicos.

•  Abuse do pele a pele: pegue no colo o bebê, abrace, assista a um filme colado no sofá.

•  Mantenha a rotina: tente reproduzir a rotina vivida anteriormente pela criança ou pelo adolescente.

•  Aceite a vida pregressa: mesmo que ele seja um bebê, não pense em “zerar” a história do seu filho. Sua origem está antes de ele ser adotado.

•  Respeite as suas expressões culturais: as preferências de música, dança, esporte e entretenimento não devem ser rejeitadas.

M.A

Interviews, reviews, marketing for writers and artists across the globe

Gaveta de notas

Guardando idéias, pensamentos e opiniões...

Isabela Lima Escreve.

Reflexões sobre psicoterapia e sobre a vida!

Roopkathaa

high on stories

Luna en mengua

Poesía, arte, literatura y música.

de tudo um pouco ❗❕❗😉👌

de tudo um pouco 😉👌

Painel do Grupo

Aqui um pouquinho de nossas realizações

Buds of Wisdom

Fall in Love with Grammar !

pretapoesia

Escreviver é isso: viver, escrever, viver novamente. Writing is just like this: live, write, live again.

danielecolleoni

Appunti, spunti e passioni in liberta'

Ode to Beauty

Discovering the World of Fine Art Nude Photography

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Viva la Revolución Bolivariana