OUTROS OLHARES

A VEZ DOS HOMENS

A promessa da chegada de uma pílula anticoncepcional masculina traz à tona questões que cercam o exercício pleno da sexualidade deles e delas e faz indagar se estamos prontos para uma nova revolução

Em 2022, completam-se 65 anos do lançamento da pílula anticoncepcional feminina. Ressalve-se que, em 1957, ela não nasceu com esse apelo. A Enovid, nome que recebeu nos Estados Unidos, era indicada para tratar distúrbios da menstruação. Assim, vago mesmo, para evitar reações raivosas de uma sociedade contrária a novidades que implicasse em emancipação da mulher.

Lá na bula, entre os efeitos colaterais, estava o que realmente importava: a possibilidade de causar suspensão temporária da fertilidade. Três anos depois, o remédio passou a ser vendido como contraceptivo oral. Dali para a frente mudou a relação da mulher com seu corpo, a maternidade e o sexo. Seria possível exercer a sexualidade sem se preocupar com o risco de gravidez indesejada.

O que foi festejado como uma libertação – e realmente assim deve ser entendido – ao longo dos anos transformou-se também em fardo. As pílulas causam uma extensa lista de efeitos impróprios, que vão de náuseas e dor de cabeça à depressão e coágulos em mulheres com predisposição. Tudo isso, claro, considerando as histórias individuais de saúde. As versões atuais, em comparação às antigas, apresentam riscos menores, mas o fato é que eles continuam presentes. Esse aspecto, somado às demandas femininas por igualdade de gênero que se fortaleceram nas últimas décadas, tornou inevitável a pergunta que não quer calar: por que não oferecer também aos homens uma pílula, dividindo com eles a responsabilidade pela contracepção por meio de métodos além da camisinha e da vasectomia?

A ciência faz seu trabalho nesse sentido e, recentemente, apresentou uma das opções mais promissoras em anos de pesquisa. Trata-se do composto denominado YCT529, desenvolvido na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Nos testes em cobaias, a substância foi ministrada por via oral durante quatro semanas, demonstrando 99% de eficácia na prevenção de gestação. Depois de quatro a seis semanas sem receberem o composto, os camundongos recuperaram a fertilidade. Os responsáveis pelo estudo planejam iniciar os testes em seres humanos no próximo semestre.

O mecanismo de ação é relativamente simples. Em homens férteis, a ejaculação contém em média 15 milhões de espermatozoides por mililitro. Reduzir a quantidade a 1 milhão por mililitro seria suficiente para impedir a fecundação do óvulo pelo gameta masculino. A droga americana diminuiu drasticamente a concentração de células reprodutivas masculinas. Fez isso sem utilizar testosterona, o hormônio responsável por características másculas que, em altas quantidades, suprime a produção do gameta. Faz toda a diferença. Intervenções hormonais resultam em efeitos prejudiciais como ganho de peso, depressão e aumento do LDL, o colesterol que entope as artérias. “Procuramos uma saída que não provocasse tudo isso”, disse Abdullab AI Noman, pesquisador que conduz o experimento sob a supervisão de Gunda Georg, uma das maiores estudiosas da área. Os animais não manifestaram nenhum efeito adverso.

O anúncio da universidade trouxe de volta as questões que cercam o assunto historicamente envolto em preconceito de gênero. É culturalmente aceitável, embora misógino, que elas sofram impactos, tanto do ponto de vista psicológico quanto biológico. Afinal, sob o prisma convencional, evitar a gravidez é um ganho que supera perdas. Já eles nada têm a faturar ao tomar uma medicação contraceptiva que provoca efeitos colaterais. Só a perder. Foi com base nessa lógica que alguns trabalhos com resultados interessantes de contracepção masculina acabaram interrompidos. Um deles era conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com 320 homens acompanhados entre 2008 e 2012. A droga em teste associava testosterona com a progesterona, hormônio feminino. Quase todos os participantes (96%) atingiram a redução de espermatozoides desejada, mas o registro de eventos como mudança de humor e dor associada à injeção levou à suspensão do experimento. Parcela dos cientistas defende uma tese de mãos dadas com os humores do nosso tempo: a análise do risco masculino não pode ser considerada apenas sob o viés biológico. O m1elhor caminho deveria ser o de compartilhamento de risco entre homens e mulheres, uma vez que a responsabilidade pela contracepção é dos dois.

Contudo, há um muro ainda muito alto, quase intransponível. Vencê-lo significa entender que a gravidez não pode ser uma tarefa exclusivamente feminina, mas de um casal, de um par, de uma dupla. Transformar esse pensamento levará tempo. Mas, a crer nos novos ventos soprados por pesquisas recentes, a mudança talvez seja mis rápida do que se imagina. Levantamento publicado na revista da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva mostrou que 92% dos entrevistados (132 homens e 165 mulheres) consideravam a anticoncepção tarefa de ambos e 81% dos participantes masculinos disseram que tomariam uma pílula. “A maioria dos homens sabe dos efeitos que pesam sobre elas e gostaria de ajudar”, disse Bethan Swift, pesquisadora de saúde reprodutiva feminina da Universidade de Oxford, na Inglaterra. “E muitos desejam ter o controle e saber que a relação sexual não acabará em gestação indesejada.”

Os homens experimentaram sensação semelhante em 1998 com a chegada do Viagra, a primeira droga contra a disfunção erétil. A pílula azul devolveu aos machos poder e autoestima, dando início a uma revolução que mudou as relações na cama. É bem animador saber que, agora, eles começam a entender que se houver um custo a pagar, para que o prazer seja de dois e não de um, que seja dividido. Só haverá conquistas, e não apenas no sexo. “A prevenção da gravidez pelas mulheres traz a elas benefícios profissionais, financeiros e educacionais”, disse Kevin Shane, diretor da Male Contraception Initiative, ONG que patrocina iniciativas na área da anticoncepção masculina. “Com opções para os homens, os proveitos serão de todos”, diz. Certamente. Essa é uma das belezas da igualdade.

GESTÃO E CARREIRA

NEUROARQUITETURA AJUDA A TRANSFORMAR ESPAÇOS DE TRABALHO

Cores, texturas e mobiliários são apostas de empresas como a PepsiCo para estimular integração

Com a volta ao trabalho presencial, algumas empresas recorrem à neuroarquitetura para criar ambientes instigantes, com o conforto e a segurança que o home office permitiu por tanto tempo. Formas, cores e texturas são usadas para estimular a criatividade, a integração entre as pessoas e o bem-estar do funcionário.

Aliar neurociência à arquitetura é incorporar e dar valor científico ao que, antes, os arquitetos faziam intuitivamente. “Agora, não só o comportamento das pessoas no espaço está sendo estudado, mas também como o espaço afeta o comportamento das pessoas ao longo do tempo”, diz Mainara Avelino, arquiteta do escritório Spaceplan há 25anos focado no mercado corporativo. Em qualquer ambiente, os elementos utilizados podem despertar gatilhos positivos ou negativos. “Uma das coisas que a neuroarquitetura ajuda a entender é que, de certa forma, temos algumas necessidades em relação ao ambiente, nem sempre conscientes”, explica Andréa de Paiva, arquiteta especialista em neuroarquitetura e idealizadora do projeto Neuro AU.

A ideia é que os projetos auxiliem também as atividades dos profissionais. “Um espaço menor com pé direito baixo ajuda na concentração. Um espaço amplo, sem forro, com bastante iluminação e cores auxiliam na socialização e na criatividade”, exemplifica Mainara. Ao mesmo tempo, esses componentes guiam o comportamento das pessoas: ficam mais silenciosas nos espaços menores e com poucas informações e mais expansivas em ambientes abertos e coloridos.

Na promoção do bem-estar destaca-se o uso de plantas madeira e texturas naturais para invocar a integração com a natureza. Ter uma vista do ambiente externo ao prédio também é indicado, diz ela.

A neuroarquitetura também permite comunicar a cultura da empresa e fortalecer a marca para os colaboradores. Um exemplo é o escritório da PepsiCo, em São Paulo, reformado e reaberto em março. A decoração remete a produtos da marca como cookies e coco verde, e traz linhas paralelas em cor amarelo que lembram uma batata ondulada – sugestão dos funcionários.

Os espaços de convivência são amplos, com muita iluminação natural, cores e assentos em formatos e materiais diversos, como tecido e madeira. “Nossa cultura é aberta com pouca hierarquia e isso está refletido nos ambientes que são dinâmicos”, diz Pablo Barbagli, vice-presidente de RH da companhia.

Ele percebe que os momentos de criação fluem melhor presencialmente no novo espaço, bem como a construção de projetos com clientes e parceiros. Andréa de Paiva, que prestou consultoria no projeto da PepsiCo pelo escritório Athié Wohnrath, cita algumas soluções. “Tem diferentes tipos de espaços: ambiente para reunião completa, encontro informal na copa, a possibilidade de encontrar uma pessoa no corredor e sentar ali perto para trocar uma ideia rápida”, diz.

NAVE ESPACIAL

Para inspirar criatividade e inovação, o banco digital para condomínios CondoConta inaugurou no começo do ano uma sala com cara de nave espacial na sede, em Florianópolis. A irreverência atraiu até funcionários que atuam remotamente em outro Estado. O projeto foi assinado pela designer de interiores Myrella Masseli, que investiu em cores e formatos que despertam alegria e descontração, como círculos, triângulos e ondas. Rodrigo Delta Rocca, CEO da startup, diz que a ideia veio da analogia entre a empresa e um foguete, pois avança rápido e tem desafios a transpor.

O ambiente comporta até 20 pessoas, tem uma grande tela projetando uma vista do espaço sideral, mesas e cadeiras semelhantes às dos filmes de ficção e iluminação em led azul. “O principal ponto que percebi do time todo foi engajamento entre as áreas, que é o maior desafio para empresas de tecnologia”, diz Rocca.

Tanto o CondoConta quanto a PepsiCo usam mesas triangulares com cantos arredondados. “Quando o escritório é muito ortogonal (com ângulos retos), dá sensação de maior rigidez. Formas orgânicas, diagonais, ajudam a trazer maior flexibilidade e integrar mais as pessoas”, explica Mainara. O formato também rompe a ideia de hierarquia e de lideranças que sentam nas pontas do móvel.

LOCAIS DE INSPIRAÇÃO

DEFINIÇÃO

A neuroarquitetura usa princípios da neurociência na construção de ambientes físicos e busca impactos positivos desses espaços no comportamento humano

APLICAÇÕES

Ambientes abertos e coloridos estimulam as pessoas a serem mais expansivas. Espaços menores ajudam na concentração, enquanto locais mais iluminados e com cores contribuem para a socialização e a criatividade.

EU ACHO …

A SEPARAÇÃO COMO UM ATO DE AMOR

É sabida a dor que advém de qualquer separação, ainda mais da separação de duas pessoas que se amaram muito e que acreditaram um dia na eternidade desse sentimento. A dor de cotovelo corrói milhares de corações de segunda a domingo – principalmente aos domingos, quando quase nada nos distrai de nós mesmos – e a maioria das lágrimas que escorrem é de saudade e de vontade de rebobinar os dias, viver de novo as alegrias perdidas.

Acostumada com essa visão dramática da ruptura, foi com surpresa e encantamento que li uma descrição de separação que veio ao encontro do que penso sobre o assunto, e que é uma avaliação mais confortante, ao menos para aqueles que não se contentam em reprisar comportamentos-padrão. Está no livro Nas tuas mãos, da portuguesa Inês Pedrosa:

“Provavelmente só se separam os que levam a infecção do outro até aos limites da autenticidade, os que têm coragem de se olhar nos olhos e descobrir que o amor de ontem merece mais do que o conforto dos hábitos e o conformismo da complementaridade”.

Ela continua:

“A separação pode ser o ato de absoluta e radical união, a ligação para a eternidade de dois seres que um dia se amaram demasiado para poderem amar-se de outra maneira, pequena e mansa, quase vegetal”.

Calou fundo em mim essa declaração, porque sempre considerei que a separação de duas pessoas precisa acontecer antes do esfacelamento do amor, antes de iniciarem as brigas, antes de a falta de res­ peito assumir o comando. É tão difícil a decisão de separar que vamos protelando, protelando, e nessa passagem de tempo se perdem as recordações mais belas e intensas. A mágoa vai ganhando espaço, uma mágoa que nem é pelo outro, mas por si mesmo, a mágoa de reconhecer-se covarde. E então as discussões se intensificam e, quando a separação vem, não há mais onde se segurar, o casal não tem mais vontade de se ver, de conversar, querem distância absoluta, e aí se configura o desastre: a sensação de que nada valeu. Esquece-se o que houve de bom entre os dois.

Se o que foi bom ainda está fresquinho na memória afetiva, é mais fácil transformar o casamento numa outra relação de amor, numa relação de afastamento parcial, não total. Se o casal percebe que estão caminhando para o fim, mas ainda não chegaram ao momento crítico – o de tornarem-se insuportavelmente amargos -, talvez seja uma boa alternativa terminar antes de um confronto agressivo. Ganha-se tempo para reestruturar a vida e ainda preserva-se a amizade e o carinho daquele que foi tão importante. Foi, não. Ainda é.

“Só nós dois sabemos que não se trata de sucesso ou fracasso. Só nós dois sabemos que o que se sente não se trata – e é em nome desse intratável que um dia nos fez estremecer que agora nos separamos. Para lá da dilaceração dos dias, dos livros, discos e filmes que nos colo­ riram a vida, encontramo-nos agora juntos na violência do sofrimento, na ausência um do outro como já não nos lembrávamos de ter estado em presença. É uma forma de amor inviável, que, por isso mesmo, não tem fim.”

É um livro lindo que fala sobre o amor eterno em suas mais variadas formas. Um alento para aqueles – poucos – que respeitam muito mais os sentimentos do que as convenções.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

PEIXES, FOLHAS E CASTANHAS AJUDAM A PREVENIR DEMÊNCIA

Pesquisas mostram que algumas dietas podem trazer benefícios ao cérebro

Nozes beneficiam a função cognitiva. Mirtilos podem fortalecer a memória. Suplementos de óleo de peixe podem reduzir o risco de mal de Alzheimer.

Você talvez já tenha visto essas frases animadoras sobre “alimentos que turbinam o cérebro” espalhadas em artigos sobre saúde e feeds de redes sociais. Mas, será que certos alimentos ou regimes alimentares podem de fato prevenir ou adiar a demência?

Segundo especialistas, não éfácil conduzir estudos sobre nutrição, mas um conjunto persuasivo e sempre crescente de pesquisas sugere que determinados alimentos e planos alimentares podem de fato, trazer benefícios reais ao cérebro de pessoas mais velhas. Conversamos com mais de 30 cientistas e examinamos pesquisas para chegar a uma visão mais clara dos vínculos entre dieta e demência.

Os cientistas ainda desconhecem as causas do mal de Alzheimer, a forma mais comum de demência. E não existe atualmente nenhum medicamento que possa reverter a doença, diz Uma Naidoo, diretora de psiquiatria nutricional e metabólica do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, e autora de “This is Your Brain on Food” (Os efeitos da comida sobre o cérebro, em português).

“Mas podemos modificar nossa alimentação”, ela disse.

Pesquisas revelam que pessoas que apresentam certas condições como doença cardíaca, hipertensão, obesidade e diabetes são mais propensas do que pessoas sem essas condições a sofrer declínio cognitivo ligado à idade. E o risco de desenvolver essas condições pode ser agravado por uma dieta pobre e falta de exercício físico. Para Naidoo, isso sugere que há coisas que podemos fazer para reduzir nossas chances de desenvolver demência.

Estudos científicos demonstram que duas dietas em especial, a dieta mediterrânea e a Mind, oferecem forte proteção contra o declínio cognitivo. Ambas encorajam o consumo de verduras, frutas, leguminosas, oleaginosas, peixes, grãos integrais e azeite.

Um estudo publicado em 2017, analisou as dietas e o desempenho cognitivo de mais de 5,9 mil adultos idosos nos EUA. Os pesquisadores descobriram que aqueles que aderiam mais à dieta mediterrânea ou a dieta Mind tinham risco 30% a 35% mais baixos de comprometimento cognitivo, comparados aos que aderiam menos.

“Praticamente qualquer coisa que ajude a conservar as artérias saudáveis vai reduzir o risco de demência”, diz Walter Willett, professor de epidemiologia e nutrição na Escola de Saúde Pública Harvard T. H. Chan.

Ronald Petersen, neurologista e diretor do Centro de Pesquisas Sobre Doença de Alzheimer da Clínica Mayo, concordou: “O que faz bem ao coração faz bem ao cérebro”.

Para Naidoo, uma mudança que você pode efetuar em sua alimentação e “consumir mais plantas”. As folhas verdes têm nutrientes e fibras, e algumas evidências solidas as vinculam a um declínio cognitivo mais lento ligado à idade.

Por exemplo. em um estudo controlado randomizado conduzido em Israel e publicado neste ano, os pesquisadores fizeram exames de imagem no cérebro de mais de 200 pessoas que tinham sido divididas em grupos, definidos por suas dietas.

Eles descobriram que após 18 meses, as pessoas que seguiram uma dieta mediterrânea “verde” – rica em manicai (uma planta verde carregada de nutrientes), chá verde e nozes -apresentam o índice mais lento de atrofia cerebral ligada à idade.

Foram seguidas de perto pelas pessoas que consumiram uma dieta mediterrânea tradicional. As pessoas que seguiram diretrizes tradicionais de alimentação sadia – menos baseada em vegetais e que permite mais processados e carnes vermelhas que as duas outras dietas – apresentaram declínio maior do volume cerebral.

Esses efeitos neuro protetores eram especialmente pronunciados em pessoas a partir dos 50 anos de idade.

Em um estudo observacional de 2021, pesquisadores monitoraram mais de 77 mil pessoas por cerca de 20 anos.

Descobriram que as pessoas cuja dieta era rica em flavonoides – substancias naturais encontradas em frutos e vegetais coloridos, chocolate e vinho – eram muito menos propensas a queixar-se de sinais de envelhecimento cognitivo que as pessoas que consumiam menos flavonoides.

A dieta Mind aponta especificamente para os frutinhos vermelhos, boas fontes de fibras antioxidantes, como alimentos que promovem benefícios cognitivos. Um estudo publicado em 2012 acompanhou mais de 16 mil pessoa de 70 anos ou mais por mais de 12 anos. Concluiu que o declínio cognitivo das mulheres que comiam mais mirtilos e morangos era adiado em possivelmente até 2 ,5 anos.

“Não acredito que existam alimentos milagrosos, mas é claro que comer frutas e vegetais faz muito bem”, disse Alison Reiss, membro do conselho de assessoria médica, cientifica e de exames de memória dá Alzheimer’s Foundatíon of America.

Multos tipos de frutos do mar, em especial os peixes gordurosos, são boas fontes de ácidos graxos ômega 3.

“O pescado é um alimento que turbina o cérebro”, comentou o Mitchel Kling, diretor do programa de avaliação de memória do Instituto Nova Jersey de Envelhecimento Bem Sucedido da Escola de Medicina Osteopática da Universidade Rowman. Um ácido graxo ômega-3 especifico – o ácido docosa-exaenoico, ou DHA – encontrado em peixes gordurosos de águas frias como o salmão, ” éa gordura cerebral mais prevalente”, disse Lisa Mosconi, diretora do Programa de Prevenção de Alzheimer da Weill Cornell Medicine.

Nosso corpo não consegue produzir DHA suficiente sozinho, disse Mosconi. “precisamos obtê-lo de nossa dieta. Esse éum argumento forte em favor do consumo de peixes.  

Segundo Willett, duas ou três porções de peixe por semanas são o bastante.

Nozes e sementes já foram repetidamente vinculadas à desaceleração do declínio cognitivo. Em uma revisão feita em 2021 de 22 estudos sobre consumo de nozes e castanhas, envolvendo quase 44 mil pessoas, pesquisadores constataram que as pessoas com alto risco de declínio cognitivo tendiam a ter resultados melhores quando comiam mais oleaginosas, especificamente nozes. Mas os autores reconheceram inconsistências entre as pesquisas.

Outro estudo, este publicado em 2014, acompanhou entre 1995 e 2001 cerca de 16 mil mulheres com 70 anos ou mais. Os pesquisadores constataram que as mulheres que disseram consumir pelo menos cinco porções semanais de nozes tinham escores cognitivos melhores que aquelas que não tinham nozes como parte de sua alimentação.

Grãos integrais além de leguminosas como lentilhas e soja, também parecem beneficiar a saúde cardíaca e a função cognitiva. Em um estudo de 2017 feito com mais de 200 pessoas de 65 anos ou mais na Itália, os pesquisadores identificaram uma ligação entre o consumo de três porções semanais de leguminosas e uma performance cognitiva melhor.

E o azeite, um dos principais componentes das dietas mediterrânea e Mind, tem vínculos fortes com o envelhecimento cognitivo saudável. Um estudo de 2002 feito com mais de 92 mil adultos americanos descobriu que o consumo maior de azeite está ligado a um risco 29% mais baixo de morte por doença neurodegenerativa, além de um risco de mortalidade total entre 8% e 34% menor em comparação com pessoas que raramente ou nunca consumiam azeite.

Segundo os especialistas, há pouca ou nenhuma evidência de que suplementos alimentares – incluindo os suplementos de ácidos graxos, vitamina B ou vitamina E -possam reduzir o declínio cognitivo.

“Suplementos não substituem uma dieta saudável”, disse a Mosconi.

Por exemplo, um estudo importante realizado com 3.500 adultos mais velhos concluiu que tomar suplementos de ômega-3 frequentemente comercializados como produtos que beneficiam a saúde cerebral, não reduz o declínio cognitivo.

Para Willett, não é preciso devorar suplementos como os de óleo de peixe. Peterson, da Clínica Mayo, lembrou o seguinte ditado espirituoso: “Se vem de uma planta, coma. Se é feito numa planta (fábrica), evite.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EM BUSCA DO POST PERFEITO

Internet agrava distúrbios de dieta e imagem

Uma nova hashtag tem ganhado força nas redes sociais e apavorado os médicos. Em pouco tempo, #TudoQueEuComoEmUmDia e suas variações passaram a reunir milhões de vídeos de meninas filmando e narrando as refeições restritas que fazem em 24 horas. Disfarçada de brincadeira, a tendência opera sob uma lógica cruel de difusão e incentivo a dietas mirabolantes, que sem comprovação cientifica ou acompanhamento profissional podem desencadear transtorno alimentares sérios em troca do contorno “ideal”.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de, 47% da população brasileira sofre de transtornos alimentares. Entre os adolescentes, o índice chega a espantosos 10%. A incidência é maior entre o público feminino, com sete a oito mulheres para cada homem diagnosticado com quadros como os de bulimia, anorexia, transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) e compulsão.

“As redes e a mídia têm um efeito muito danoso para algumas pessoas, especialmente adolescentes, que ainda estão em formação”, afirma o psiquiatra Fábio Salzano, vice coordenador do Ambulim, o programa de tratamento de transtornos alimentares do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP).

“Eles não têm maturidade para discernir que, às vezes, uma imagem no TikTok ou no Instagram é extremamente difícil de ser reproduzida de maneira natural e saudável.

INFLUENCIAS TÓXICAS

A influenciadora digital, atriz e apresentadora Dora Figueiredo, de 28 anos, é uma dessas pessoas. Com mais de 750 mil seguidores no Instagram (e outras centenas de milhares do Twitter e TikTok), ela internalizou, desde muito nova, que a magreza era um pré-requisito para ser bonita, elegante e bem-sucedida. As redes sociais, um namoro tóxico e até mesmo a relação com a família contribuíram para ativar diversos gatilhos que a levaram a desenvolver problemas como depressão, ansiedade, anorexia, bulimia e compulsão alimentar.

“Eu tinha por volta de 15 anos quando comecei a tomar anticoncepcional e engordei um pouquinho. Só que eu me via multo maior do que era de fato. Achava que estava gorda, que comia demais, sendo que pesava uns 48 kg e tinha 1,70 m de altura. Quando algum médico dizia que meu IMC (índice de massa corporal estava multo abaixo do mínimo saudável, eu me recusava aceitar. Falava para mim mesma que nunca vestiria mais que (manequim) 38 ou pesaria mais que 60 kg”, diz Figueiredo

Segundo especialistas, os transtornos mais comuns entre jovens são a anorexia, em que o paciente sente a necessidade de manter um peso abaixo do padrão e tem uma visão distorcida do próprio corpo; compulsão alimentar, quando ingere grandes quantidades de alimentos de uma só vez e com frequência; bulimia, que inclui quadros de compulsão, seguidos de medidas para perde peso, como vomitar ou ingerir laxantes e purgativos; e o TARE, que pode ser mais comum em crianças e se caracteriza pela não ingestão de certas comidas, causando restrições.

QUADROS ALTERADOS

Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, mostrou que quem sofre de anorexia pode manter um peso normal, embora o corpo esteja enfraquecido e mostre alterações de frequência cardíaca e pressão arterial. Havendo alguma desconfiança por parte da família, o recomendado ébuscar avaliação médica.

“Transtornos alimentares podem trazer complicações clínicas, como mudanças endócrinas, complicações metabólicas, alterações ósseas e hidroeletrolíticas (levando a risco de arritmias, por exemplo)”, explica.

Em casos extremos, também podem levar à morte, a taxa de mortalidade na anorexia gira em torno de 5% a 6%. Já a taxa de mortalidade da bulimia varia de 0,5% a 2%. Mas o índice de suicídios entre pacientes com o transtorno é maior, diz Dimitrov.

Segundo Salzano, o problema tem raízes multifatoriais, incluindo questões genéticas, familiares, socioculturais e também de personalidade. Ele explica que também existem consequências no cérebro, em neurotransmissores como adrenalina, dopamina e serotonina.

Para Dora, a busca por equilíbrio é um ato contínuo:

“Você precisa estar sempre atenta aos gatilhos que te deixam mal. Hoje entendo que perseguir padrões me toma tempo de vida e felicidade. E eu não posso deixar para ser feliz só quando estiver pesando tantos quilos. Quero ser feliz hoje.

M.A

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