OUTROS OLHARES

PAÍS DE DESCONFIADOS

Pesquisa mundial coloca os brasileiros no topo da lista dos povos que sempre partem do pressuposto de que vão ser enganados – só 11% dizem que confiam nas outras pessoas

Não faltam relatos de estrangeiros que sofreram golpes no Brasil simplesmente porque acreditaram em alguma informação falsa e confiaram na pessoa que a repassou. Na maioria dos casos, a reação dos brasileiros é criticar a ingenuidade e a falta de discernimento da pessoa engambelada. Mas, no plano mais amplo da convivência em sociedade, será que a insuspeição é um erro – ou errados estão aqueles que sempre desconfiam de tudo e de todos? A questão se impõe aqui, onde confiança é artigo de luxo. Em pesquisa inédita do Instituto Ipsos, que apresentou a pergunta “Você confia no próximo?” a 22.500 pessoas em trinta países, o Brasil aparece em último lugar – só 11% responderam “sim”, muito abaixo da média global, de 30 %. Não há dúvida de que, nestas praias, o mais prudente é manter o pé atrás até prova em contrário, mas essa atitude tem seu preço. “Quem desconfia sempre se fecha para os outros. Não se trata de confiar cegamente, mas compensa dar uma chance às pessoas”, pondera a psicóloga Lídia Aratangy.

São vários os motivos citados para a desconfiança atávica dos brasileiros e parte deles remonta à própria formação do Brasil colônia, na qual a ausência de um projeto comum entre os nativos e os portugueses desembocou na construção de uma sociedade sem harmonia, onde prevalecia o conflito. “A confiança se estabelece quando há uma relação comunitária e pessoas com objetivos semelhantes, algo impossível em uma época em que um lado temia ser escravizado, explorado pelo outro”, avalia o cientista político José Álvaro Moisés. A indiferença original da sociedade ao interesse coletivo resultou na criação de instituições vacilantes, sujeitas a manobras e interesses, e abriu espaço para a impunidade. Não por acaso, a pesquisa do Ipsos mostra que a profissão com menor prestigio no país é a de político – 63% dos entrevistados a consideram “não confiável”.

A desconfiança sempre patente se acirra ainda mais em consequência da polarização, que ruge com força em ano eleitoral. Nesse contexto, desconhecidos são inimigos em potencial e as barreiras emocionais se tornam ainda mais impenetráveis. “Existe uma crise global de ceticismo, mas a situação brasileira é especial mente preocupante”, afirma a cientista política Nara Pavão, da Universidade Federal de Pernambuco. “A ideia de ‘nós’ contra ‘eles’ separa as pessoas.” O bancário carioca Luiz Roberto Abreu, 56 anos, é um cético assumido, depois de ser alvo de seguidas manobras que o prejudicaram no trabalho e de se decepcionar com o poder público em sucessivos momentos. “Na primeira oportunidade, as pessoas agem para te lesar. E os políticos, que deveriam zelar pela população, só atuam em benefício próprio. Não tem para onde correr”, diz.

O célebre jeitinho, afirmam os especialistas, contribui para o alto índice de desconfiança. Sua origem está no “homem cordial” definido em Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda. Segundo o historiador, trata-se de um artificio psicológico incrustado na formação dos brasileiros que faz com que ponham as relações afetivas acima das impessoais. “A tendência é favorecer aquele com quem se tem afinidade. Não existe urna cultura que ponha o correto acima de tudo”, diz Bernardo Conde, antropólogo da PUC-Rio. Com frequência, como todo mundo sabe, esse jeito torto de obter as coisas descamba para o suborno deslavado, inchando ainda mais a maré de desconfiança. Há, felizmente, quem nade contra ela, se dobrando com convicção às regras. A fisioterapeuta carioca Larissa Teixeira, 26 anos, fez a prova de direção quatro vezes e não conseguiu a habilitação. Preferiu desistir a pagar um fiscal e comprar a carteira, como muitos fazem. ”Senti que fui reprovada de propósito, para ganharem dinheiro. Mas acho que burlar as normas sempre prejudica alguém”, desabafa.

Apesquisa instala a China no primeiro lugar em confiança – lá, quase 60% da população põe a mão no fogo pelo próximo. Para o CEO do Ipsos, Marcos Calliari, isso se deve ao Estado forte e à ênfase na coletividade, ainda que os dois fatores se apoiem em um regime ditatorial. “A estabilidade econômica e política se reflete diretamente na forma como as pessoas constroem suas relações”, diz Calliari, observando que as democráticas Holanda, Suécia, Austrália, Irlanda e Suíça também estão entre os dez países com maior índice de confiança.

Entre os entrevistados pelo Ipsos, as mulheres e os jovens se mostraram mais desconfiados do que os homens adultos. “Os altos índices de violência de gênero e a cultura patriarcal explicam esse comportamento”, afirma Calliari. No caso dos jovens, a tendência está atrelada ao intenso fluxo de informação a que têm acesso, onde não faltam provas de cambalacho. O comerciante baiano lury Nunes, 20 anos, sentiu na pele o golpe aplicado por sua melhor amiga, que lhe arrancou 700 reais através de mentiras. Ele ameaçou denunciá-la à polícia e o dinheiro foi devolvido, mas a mágoa permaneceu. “Levei tempo para entender que estava sendo roubado. Hoje não empresto centavo para ninguém e não consigo confiar nem em amigos e familiares’,’ admite. Nem sempre, porém, desconfiar é o pior caminho. Há situações que justificam plenamente manter um pé atrás e outras em que duvidar abre horizontes inesperados. O cientista Albert Einstein (1879-1955), do alto de sua sabedoria, pontificava: “O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma”. Mas quem se fecha à possibilidade de acreditar nas outras pessoas pode acabar mais sozinho do que gostaria. “Sentir-se acolhido e confiar formam uma via de mão dupla”, observa Lídia Aratangy. No país dos desconfiados, um voto de confiança pode fazer toda a diferença.

GESTÃO E CARREIRA

VIGIAR EQUIPES É EFEITO COLATERAL DO TRABALHO HÍBRIDO

Na volta aos escritórios, empresas adotam formas de monitorar a frequência dos funcionários, o que causa desconforto

Os planos de trabalho hibrido costumam lembrar problemas de matemática. Três dias por semana no escritório, dois em casa; 50 pessoas se deslocando para o local de trabalho de quase 100 mil metros quadrados e dez pizzas. A tudo isso se somam 40 horas de trabalho e empresas tentando determinar se parte da solução é ficar de olho nos funcionários.

Enquanto decidem como administrar seus planos de retorno ao escritório, os executivos consideram se devem monitorar a frequência ou seguir confiando nas pessoas.

Quando milhões começaram a trabalhar de casa há dois anos por causa da pandemia, eles se beneficiaram de um novo grau de autonomia, enquanto gestores viam as tarefas concluídas. Agora, conforme as empresas chamam os funcionários de volta, elas estão decidindo se tomam medidas para garantir que todos estejam trabalhando em suas mesas.

MONITORAMENTO

 As dúvidas em relação à assiduidade podem ser preocupantes para o grande grupo de empresas que combinam trabalho presencial e remoto. Das 91 empresas com planos de voltar ao escritório que a Cushman & Wakefield está acompanhando, 86% adotaram políticas híbridas.

Alguns gerentes do Goldman Sachs – que tem aproximadamente 20 mil funcionários em Nova York e decidiu pela volta ao trabalho no escritório cinco dias por semana – estão mantendo planilhas para saber quais trabalhadores estão comparecendo. Na Smart Recruiters, empresa de software, os gestores usam dados do sistema de reservas de mesas para “vigiar” as pessoas. “Uma parte da nossa filosofia de RH é que gostaríamos de monitorar se as pessoas estão indo trabalhar”, diz Jenae Kaska, da Smart Recruiters.

Mas, depois de experimentar a flexibilidade e fortalecidos por um mercado de trabalho aquecido, alguns trabalhadores não ficaram contentes em serem monitorados. Eles se sentem pressionados a aparecer quando sabem que seus supervisores estão coletando dados de frequência. Cerca de um terço dos trabalhadores entrevistados pela CCS Insigh mencionou a pressão para ir ao escritório como uma das preocupações em relação ao modelo híbrido.

Muitos gestores ficam igualmente desmotivados com a perspectiva de terem de monitorar a assiduidade. “Também sou uma pessoa ocupada, e a ideia de ter de vigiar como se estivéssemos na escola outra vez é horrível”, disse Sara Baer-Sionott, presidente da Oldmys, em Boston.

Especialistas disseram que as empresas recorrendo a sistemas de monitoramento provavelmente já tinham problemas com a cultura do local de trabalho. “É como contratar um jogador de futebol e dizer: Não importa quantos gols você faça, só me importo com quantas horas você treina”, disse Nicholas Bloom, professor da Universidade Stanford e especialista em trabalho remoto.

Algumas empresas estão coletando dados sobre quando os funcionários vão ao local de trabalho, mas não analisam os padrões de assiduidade individuais. A DocuSign, que tem mais de 7 mil funcionários, examina informações relacionadas com reservas de mesas e salas de reunião, assim como apresentação de crachás nas instalações. No entanto, não verifica o que cada funcionário está fazendo, disse Joan Burke, chefe de RH. “Nossos funcionários provaram que podem trabalhar bem de qualquer lugar.”

Muitos trabalhadores, em todos os setores, resistem à perspectiva de monitoração da frequência. “Não tenho ninguém me vigiando. Se tivesse isso, me causaria muito estresse”, diz Rose Worden, que trabalha em Washington e deve ir ao escritório duas vezes por semana. “A confiança é importante em qualquer emprego”.

EU ACHO …

TUDO VIROU RECOMEÇO

Como lidar com a ansiedade amorosa na vida pós-pandemia

É um período propício para novos amores. O Carnaval está aí, e uma multidão parece disposta a se rasgar. Na pandemia houve um recesso, em que aplicativos como o Tinder tiveram sua glória. Mas nada melhor que carne e osso, não é? De um tempo para cá, mais seguras, muitas pessoas procuram um par, antes que surja uma nova cepa. O movimento já vem de tempos, mas tornou-se mais intenso que nunca. Até surpreendentemente. Uma amiga me procurou assustada: a mãe de 84 está namorando. Um safado, segundo diz. A mãe, no processo de conquista, mentiu para mais o valor da aposentadoria que ganha. Foi o suficiente para receber declarações apaixonadas. Minha amiga não sabe o que fazer. E eu pergunto: fazer o quê? Não é o primeiro caso. Urna idosa começou a se relacionar. Toda parentada achava lindo, porque era com um senhor mais velho, simpático. Até que começaram a receber ameaças de sequestro da netinha e pedidos de dinheiro. Investigaram. O ancião estava por trás do golpe. A vovó foi proibida de vê-lo. Passou a encontrá-lo às escondidas.

A panden1ia talvez tenha tornado as pessoas mais ingênuas. Um conhecido, de classe média, já passou por dois casamentos. Pensava que nunca mais… Mas conheceu uma moça. Ela já tinha um filho e ele se dispôs a ser um novo pai. Convidou a eleita para ir ao Rio de Janeiro. Comprou anel. Após um lindo jantar, fez o pedido. Aceito. Na manhã seguinte, ao vir embora, ela mudou de ideia. Separou-se. Arrasado, ele descobriu que o garoto não gostava dele, e a mãe foi na onda do filho. Ele acreditou que a paixão era para sempre. Também acho que a pandemia tornou parte de nós mais românticos. A outra parte, porém, foi bem mais prática, porque ela não devolveu o anel – que ele ainda paga em prestações.

A sensação de que a vida poderia ter acabado assim, de repente, cria urgência em resolver as mágoas do passado. Um amigo, de origem pobre, hoje rico, passou a adolescência apaixonado pela mais bela do colégio. Rica, também. Hoje, ela é uma intelectual, professora universitária. Mas continua linda. Quarenta anos depois, já separado duas vezes e com quatro filhos, ele resolveu superar o trauma da rejeição. E a convidou para jantar, algo perfeitamente comum no grupo de amigos… Mas a levou diretamente de São Paulo para o Rio, em um voo fretado de jatinho. Hotel cinco estrelas. Como nos filmes, havia um vestido de grife para ela se trocar. Um jantar fantástico, champanhe… Ela também divorciada, solitária no pós- pandemia… Se apaixonou. Voltaram em clima de sonho. Dois dias depois, ele sumiu. Logo veio a descoberta. Tinha outra, mais nova. A pandemia o fez querer livrar-se do trauma da rejeição, e conseguiu. Ela, que estava de bem com a vida, ficou péssima. Ser alvo do trauma alheio dói demais.

Não se falam mais.

*** WALCYR CARRASCO

ESTAR BEM

SEIS PASSOS PARA QUEM QUER PARAR DE FUMAR

Malefícios do cigarro, que envolvem desde câncer até derrame, são compreendidos pelos fumantes, porém abandonar o vício não é uma tarefa fácil

Há não muito tempo atrás, fumar era considerado legal. Para ser visto como alguém descolado, que acompanhava as tendências, bastava andar com um cigarro entre os dedos. Ao menos era isso que mostravam as propagandas que somente foram proibidas nos anos 2000. Hoje, o tabagismo é entendido como uma doença causada pela dependência química da nicotina e, de cordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano.

No entanto, largar o cigarro não é fácil – ainda que a maioria dos fumantes saiba dos malefícios dele. Por ser um vício, é preciso uma série de medidas para o combate ser eficaz. Abaixo listamos algumas.

MUDE DE PERSPECTIVAS

“Para mim, o primeiro passo para você parar de fumar é ter certeza absoluta de que quer fazer isso. Quem mudou isso dentro de mim foi a chegada da minha primeira neta, Maria Clara”, conta Wal Marinho, de 58 anos, que fumava desde os 15. “Hoje, consigo ficar em qualquer lugar, mesmo com pessoas fumando. Mas isso não quer dizer que não dá vontade. Por isso, é legal ter certeza de que você quer parar.”

DESASSOCIE O PRAZER

A motivação é determinante, porém é preciso criar condições para que as pessoas consigam fazer isso. “Esse é o posto-chave”, explica Jaqueline Scholz, cardiologista, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração (InCor) e criadora do Programa de Assistência ao Fumante. Em seu método, ela põe o paciente “de castigo” para fumar. Ou seja, ele pode consumir cigarros quando tiver vontade, mas sob algumas condições: ele deve estar sozinho, olhando para uma parede, sem celular, alimentos ou bebidas.

“É sobre dissociar todo o cenário que o indivíduo bota nesse contexto e que o transforma em algo mais agradável ainda. Isso o prepara para um segundo momento de abandonar o cigarro”, diz a médica.

LIMPE O CAMINHO

Há quem consiga parar de fumar de uma vez só e aqueles que fazem uma parada gradual, especialmente quem tem um alto grau de dependência. Independentemente da maneira escolhida, é interessante evitar os gatilhos para diminuir a chance de uma recaída. Avise amigos e familiares, se livre dos maços e até considere largar por um tempo alimentos ou bebidas associadas ao cigarro, como o cafezinho ou a cerveja. “Essa rede de apoio é muito importante para quem quer parar. E, se você fala dessa sua vontade, todo mundo te ajuda. Eu até levo as pessoas a diminuírem o hábito de fumar, porque elas não fumam perto de mim”, relata ainda Wal.

UTILIZE SUBSTITUTOS

“O nosso cérebro é composto por bilhões de células nervosas, como os neurônios que se comunicam entre si, por meio dos elementos químicos que o próprio cérebro produz (hormônios, neurotransmissores). A nicotina estimula a produção da dopamina, neurotransmissor que afeta o nosso estado de ânimo e proporciona sensação de prazer e bem-estar”, explica a psicóloga e neuropsicóloga, Mariana Bertuani.

Assim, quando a pessoa para de fumar, sente abstinência eo cérebro, para compensar, produz noradrenalina, que aumenta a irritabilidade e nervosismo. Para diminuir essa crise, chicletes, adesivos de nicotina ou medicação antitabaco são muito indicadas para aliviar a vontade incontrolável de fumar. Para muitos, a primeira semana é a pior. Mas, de modo geral, essa fase dura de um mês e meio a três.

CUIDE DA SAÚDE MENTAL

Por mexer com o bem-estar, a nicotina pode exercer uma função antidepressiva ou desestressante. Assim, durante todo o processo de parar de fumar é indispensável a ajuda médica e psicoterapêutica.

Outros sintomas da crise de abstinência são: tontura, alteração do sono, dificuldade de concentração e dor de cabeça que afetam a saúde mental.

Além da ansiedade que pode ocasionar um aumento de peso e, consequentemente, alterar a autoestima. É possível encontrar ajuda em grupos privados e públicos na internet, programas especializados e até mesmo no Sistema Único de Saúde (SUS), com o Programa Nacional de Controle do Tabagismo e o Programa Saúde da Família.

CONSIDERE PEQUENAS VITÓRIAS

Lembre-se: reduzir já é uma vitória. “A gente precisa entender que são anos de um comportamento que a pessoa vai ter de mudar, vai reinventar sua rotina e criar hábitos. É uma quebra muito forte e a gente tem de valorizar”, incentiva a psicóloga. Aproveite a economia que vem com o dinheiro antes gasto no cigarro e use-a como incentivo para não fumar de novo comprando algo novo, fazendo uma viagem ou indo jantar com alguém querido para comemorar.

De acordo com os especialistas, há mudanças significativas na respiração e pressão sanguínea assim que alguém decide parar. Dois dias depois, por exemplo, o olfato já percebe mais os cheiros e o paladar degusta melhor a comida. ”Eu não sentia que minha casa cheirava a cigarro. É muito legal você se sentir cheirosa o dia todo e sentir os perfumes da casa também”, conclui Val.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

BRASILEROS ESTÃO MAIS DEPRIMIDOS

Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que porcentual é maior que média da OMS

Um porcentual cada vez maior de brasileiros sofre de depressão, e a pandemia de covid-19 pode ter contribuído para agravar o problema. De acordo com a Pesquisa Vigitel 2021, do Ministério da Saúde, divulgada na semana passada, em média 11,3% dos brasileiros relatam um diagnóstico médico de depressão. É um número bem acima da média apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o País, de 5,3%. O Vigitel é um levantamento anual sobre saúde nas capitais. E é a primeira vez que traz números da depressão.

O levantamento mostrou também que, em média, há mais pessoas no País com depressão do que com diabete (9,1%) – doença crônica considerada muito comum. O trabalho revelou ainda que a frequência de adultos com diagnóstico médico de depressão variou bastante entre as capitais. Foi de 7,2% em Belém, a 17,5% em Porto Alegre. Como já é sabido, a doença afeta mais mulheres (14,7%) do que homens (7,3%) e aparece com porcentuais semelhantes em todas as faixas etárias.

“Já tínhamos um indicativo de que o problema estava aumentando e, por isso, decidimos incluir a depressão no Vigitel, que é feito com maior periodicidade”, explicou o professor Rafael Moreira Claro, da Universidade Federal de Minas (UFMG), coordenador do trabalho. “A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 registrou que 10% da população tinha um diagnóstico médico de depressão, ante 7,6% na pesquisa anterior, de 2013; aumento de 5 milhões de pessoas.”

Os pesquisadores acreditam que o número expressivo de diagnósticos está agora relacionado à pandemia de covid-19. Um levantamento feito pela Universidade Estadual do Rio (UERJ), em 2020, sobre o impacto da pandemia, revelou que o porcentual de casos tinha passado de 4,2% para 8% nos primeiros meses da crise no País. “Sabemos que situações muito estressantes como a pandemia podem ser um estopim para a depressão”, afirmou Alberto Filgueiras, do Instituto de Psicologia da UERJ. “Embora o novo número seja muito alto, não chega a surpreender que dois anos depois a situação tenha piorado, até porque não temos política pública para a contenção de demandas patológicas.”

SUBNOTIFICAÇÃO

Como a depressão é uma doença “silenciosa” e cercada de tabus, os casos ainda tendem a ser subnotificados. “Asexigências dos tempos em que vivemos já são muito grandes, e agora estão somadas a um contexto de pandemia, de uma ameaça invisível, de risco de vida para você e os seus amados. Muita gente não deu conta mesmo”, constatou Teresa Cristina Kurimoto, da Escola de Enfermagem da UFMG, uma das responsáveis pelo Vigitel. “Alguns estudos mostram que em grupos específicos, sobretudo de profissionais da linha de frente, o aumento foi muito maior, chegando a 40%.”

Para os especialistas, não há uma explicação única para o fenômeno. As demandas da vida contemporânea têm um impacto, bem como o aperfeiçoamento do diagnóstico e o excesso de diagnósticos. “O tempo em que a gente vive é ansiogênico (gerador de ansiedade) e, ao mesmo tempo, de percebermos nossa impotência diante de tantas coisas”, afirmou Kurimoto. “Somos o tempo todo confrontados com a exigência de sermos excelentes gestores de nós mesmos; não serve ser bom, tem de ser excelente. A gestão do tempo, das emoções, tudo precisa acontecer de forma muito competente.” A redução dos preconceitos que cercam a doença e a melhoria nos diagnósticos certamente contribuíram para o aumento do número real de casos.

Mas, ressaltou a especialista, também não se pode descartar um excesso de diagnósticos errôneos, em que questões inerentes à existência humana são transformadas em doença. O Vigitel também mostrou um aumento no consumo exagerado de álcool e uma redução da prática de atividade física – duas variáveis ligadas à depressão. O trabalho mostra que praticamente a metade da população (48,2%) pratica menos atividades físicas do que o recomendado. E o consumo abusivo de bebida alcoólica chegou a 18,3%. A depressão resulta de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos, segundo a Organização Mundial de Saúde. Pessoas que passam por eventos adversos (como desemprego, luto, trauma psicológico) são mais propensas.

Episódios de depressão podem ser leves, moderados ou graves. Alguns sintomas a serem notados são tristeza persistente, humor deprimido (desânimo, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade), perda de interesse em atividades antes apreciadas, alterações no apetite, ganho ou perda de peso súbita, insônia, excesso de sono e fadiga acentuada. Dependendo da avaliação médica, os tratamentos podem ser por psicoterapia ou medicamentosos, ou uma combinação dos dois.

TRANSTORNO BIPOLAR

Preferindo o anonimato, a porto-alegrense I.R, de 50 anos, foi diagnosticada pelo psiquiatra com transtorno bipolar. A identificação surgiu há cerca de 20 anos, quando estava em seu segundo casamento. “Sempre lutei com relações de mudança de comportamento e aquela tristeza absurda. Sempre tive muitas dúvidas sobre esse diagnóstico de bipolaridade, pois meus episódios de depressão são muito mais persistentes do que qualquer outra coisa”, afirmou a comunicadora que trabalha em um canal de TV.

I.R relatou que no início da doença conseguia identificar suas crises de mania, como por exemplo, euforia exacerbada, descontrole nos gastos econômicos (em especial, supérfluos) e irritabilidade extrema.

Na época, fazia consultas particulares com o psiquiatra e tomava remédios. Entre os medicamentos receitados estavam divalproato de sódio, indicado para o tratamento de episódios de mania associados com transtornos bipolares e cloridrato de sertralina para sintomas de depressão e ansiedade.

“Tomei por algum tempo e depois parei por conta própria.” Após um período, a paciente retomou ao médico e começou a se tratar com topiramato, para estabilização do humor, e queriapina, para o tratamento de manutenção do transtorno afetivo. “Fiz o tratamento por um tempo e parei de novo. Eu vivo o presente. A depressão foi tão forte que até tomou conta da tentativa que o paciente bipolar pode ter, por exemplo: vou gastar dinheiro para quê? Vou discutir para que? Não tenho muitas expectativas com as coisas, não possuo mais aquela vontade, sabe….”, lamentou.

A paciente revelou que desistiu dos tratamentos convencionais, como psiquiátricos e psicológicos, pelos altos valores das consultas e remédios para combater a depressão e ansiedade. “A perda do emprego repentinamente em 2015 (justo às vésperas de seu aniversário), a morte de minha avó e o fim do segundo casamento foram fatores cruciais”, comentou I.R que já pensou em suicídio algumas vezes.

ANIMAIS

Muita gente ainda não acredita, mas ter um animal de estimação faz bem à saúde. Pode ser um cão, um gato, um hamster ou mesmo um coelhinho. O fato é que conviver com esses animais traz alegria e bem-estar, e o convívio é sempre muito agradável e recompensador. A gaúcha I.R, que também é mãe e avó, atribui sua vida a cuidar, especialmente, de gatos de estimação. “Vivo por eles, os gatos são a minha medicação e assim me mantenho estável, em pé, como lutadora, entende?”, explicou a gaúcha.

Já a idosa Zilma de Sousa, de 70 anos, residente em um apartamento na zona norte de Porto Alegre disse que foi diagnosticada com depressão após a morte do marido, em janeiro de 2014. Na época, ela sentia muita tristeza, um vazio e grande vontade de dormir, apenas dormir. Fez tratamento psiquiátrico por um ano e meio. Posteriormente seguiu apenas com os medicamentos. ”Larguei as consultas porque só falava, falava e nada do médico me dizer algo, apenas me dava medicamentos. Claro que os remédios ajudaram e ajudam até hoje”, admitiu Zilma.

Entre os medicamentos expostos em uma caixa, na mesa da sala estão o clonazepam – um ansiolítico bastante eficaz contra transtornos de ansiedade e o escitalopram, utilizado para tratamento ou prevenção da recorrência da depressão, tratamento do transtorno de pânico, de ansiedade e obsessivo compulsivo. “Tomo diariamente os dois comprimidos e me sinto bem, além disso tenho meu companheiro aqui, o Marenco (cãozinho da raça Shitzu), de 8 anos. Marenco foi um presente de sua filha, logo após o falecimento do pai. “Um amigo e tanto”, finalizou Zilma.

MULHERES

Conforme o médico psiquiatra do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) em Porto Alegre, Bruno Paz Mosqueiro, de 37 anos, cerca de 20% dos pacientes atendidos no Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) relatam sintomas de depressão e estes são encaminhados para atendimento ao Posto de Saúde ou, dependendo da gravidade do caso, direcionados aos ambulatórios especializados na área de psiquiatria. Outra observação feita pelo médico, durante os atendimentos, é de que a maioria são mulheres que buscam ajuda. “As mulheres possuem um risco quase duas vezes maior de desenvolver a depressão e isso se deve a vários fatores, desde biológicos até questões de gênero”, explicou.

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