A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

META DE ANO-NOVO É NÃO SE ENTUPIR DE METAS E CUIDAR DA SAÚDE MENTAL

Fazer listas pode ser gatilho para estresse, ansiedade e burnout; para especialista, é preciso fugir do ‘ritmo empresarial’

É chegada a reta final do ano e, há quem aproveite os recessos para traçar as famigeradas metas de ano-novo, as quais, não raro, são as mesmas de anos anteriores. Se você se identificou, provavelmente faz parte da maioria das pessoas que não cumpre os objetivos estabelecidos para o período.

Segundo estudo da Universidade de Scranton, na Pensilvânia (EUA), apenas 8% consegue concretizar o que idealizaram. E, se a solução fosse simplesmente não fazer resoluções de ano-novo?

Embora adotadas para nortear objetivos futuros, de ordem pessoal ou profissional, as listas de metas podem se tornar verdadeiros gatilhos para sofrimentos mentais, como ansiedade, burnout e até depressão, que cresceram na pandemia. Por isso, nem sempre são consideradas uma boa estratégia para todos, de acordo com Guilherme Navarro, psiquiatra clínico é forense e professor da Faculdade de Saúde e Ecologia Humana ( FASEH), em Vespasiano (MG).

 “É problemático pensar que a gente precisa das metas e estabelecer isso enquanto uma unanimidade. Algumas pessoas vão estar em momentos em que faça sentido tê-las, outras não. Quando se coloca isso como algo generalizado, sentimos certa obrigação de funcionar e de pensar dessa forma, o que pode ser fonte de sofrimento”, explica Navarro. A frustração vem, muitas vezes, quando a decisão de se traçar metas parte de introjeções sociais e não de desejos genuínos do indivíduo, o que torna ainda mais difícil cumprir o estabelecido e pode causar sensação de vazio. Isso explica aquelas pessoas que, não se sentindo realizadas, acabam a cada ano criando resoluções ainda mais difíceis de  serem alcançadas. “Cada pessoa tem o seu tempo e está tudo bem”, salienta o professor.

OBJETIVOS MENORES

Foi o que observou Lígia Baleeiro, de 37anos, que, após listas frustradas, decidiu não traçar mais metas nesta época do ano. “É um momento emocional, quando a gente tem muita esperança e por isso se sente motivado a ser melhor e a fazer planos. Embalados por esse clima, acabamos por elaborar projetos grandiosos e vagos.”

Especialista em comportamento e neurociência pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), ela hoje se propõe a fazer auto desafios,   normalmente de curto prazo e que são mensuráveis. Foi assim que conseguiu aprender a dirigir recentemente. ”Essa era uma meta que voltava todo ano.”

A virada de chave se deu quando Baleeiro se identificou como uma pessoa perfeccionista e começou a quebrar as suas metas em objetivos menores. ”Tenho um planejamento mais estruturado de como vou fazer e não fico só num ideal. Antes, desistia quando via que não iria dar certo ou não estava num cenário perfeito. Hoje, revejo a rota e vou tentando até conseguir”, destaca ela.

De acordo com Guilherme Navarro, o padrão de felicidade e sucesso também é influenciado pela forma como a sociedade se organiza no sistema de trabalho, baseado em tópicos e metas. “Temos de alcançar mais e mais, como se fosse uma competição, que também pode ser fonte de aflição e angustia. Se não tomarmos cuidado, nos tornamos nosso próprio chefe, nosso próprio empregado e estabelecemos padrões que não tem tanto a ver com o que almejamos enquanto realizações pessoais.”

Os desejos são inerentes ao ser humano, mas, diz o professor, não precisam ser estabelecidos no tempo empresarial. Ou seja, não significa deixar de ter metas, mas é não colocá-las em velocidade e importância generalizada para todos.

“É engraçado que, no feriado de fim de ano, que é para ser um momento prazeroso, o indivíduo já está pensando de forma acelerada no próximo ano e na próxima meta”, ressalta o psiquiatra. ”Posso não conseguir cumprir um desejo em 2022 e ficar em paz. Não é um fracasso deixar de fazer algo num tempo específico.”

TROPEÇOS

Assim, antes de estabelecer novas resoluções, é preciso perguntar se elas fazem sentido no momento de vida e se, dentro das possibilidades subjetivas e materiais, são possíveis de serem realizadas. Nesse sentido, é preciso ter calma e perceber que tropeços podem acontecer.

Essa é a dica de Tiago Henriques, de 32 anos, criador de conteúdo e autor do livro Era Uma Vez (editora Belas Letras), lançado em outubro, que traz reflexões sobre as inseguranças criativas e a busca pela perfeição. “Comecei o ano passado com projetos demais e um deles era um livro, que exige muita dedicação. Precisei realocar para a frente outra ideia que havia me deixado empolgado e reduzir a carga. Os erros, pausas e reajustes fazem parte do processo e não devem ser usados como justificativa para a desistência”, destaca.

Em seu perfil no Instagram, o tira do papel, Tiago dá dicas sobre como começar a criar constância, respeitando a saúde mental. Segundo ele, é comum começar o ano motivado, mas é preciso inserir hábitos sustentáveis à rotina para que as metas sejam concretizadas. Isso significa sair do plano dos desejos e traçar ações, que envolvam planejamento e autoconhecimento, até para entender o que não deu certo e como melhorar.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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