OUTROS OLHARES

DIVERTIDOS E ESQUISITOS

Os acessórios da temporada primavera/verão de 2022 chegam às passarelas permeados por toques de surrealismo e nostalgia. A proposta é subverter. Quem se atreve?

Até hoje, a pintura A Traição das Imagens (La Trahison des lmages, em francês), do artista belga René Magritte, confunde muita gente. O quadro, pintado em 1929 e hoje exposto no Museu de Arte de Los Angeles, nos Estados Unidos, faz parte de uma série na qual a imagem realista é acompanhada da inscrição “Ceein’est pas une pipe” (Isto não é um cachimbo, em português). Trata-se de uma obra-prima surrealista. Ao causar estranheza, estimula o espectador a entender o que está acontecendo ali. O quadro transcende a compreensão racional, relacionando-se diretamente com o imaginário e o absurdo.

Guardadas as mais que devidas proporções, foi um pouco desse desafio entre o lógico e o surreal que tomou conta dos espectadores da última edição da Semana de Moda de Paris –   a primeira presencial desde o início da pandemia – realizada entre setembro e outubro. Fashionistas são pessoas habituadas a ver coisas inusitadas, mas é fato que a temporada primavera/verão 2022 virá mais incrementada nesse quesito, em especial pela criação de acessórios surpreendentes e, por que não dizer, surreais. Ou, nas palavras dos designers, experimentais. “Fazer um show agora é como assumir uma forma estranha de um ato surrealista. É quase um ato neurótico, porque tudo é normal, mas ao mesmo tempo não é”, disse Jonathan Anderson, estilista da Loewe, marca que mais chamou atenção nas apresentações.

E logo ela, a grife preferida da realeza espanhola desde 1905, quando o rei Alfonso XIII nomeou o fundador Heinrich Loewe Rõssberg como designer oficial da casa real em reconhecimento aos seus clássicos sapatos de salto alto. Agora, os modelos vêm repletos de um evidente desejo de liberdade e espontaneidade criativa. “Não queria algo totalmente baseado na realidade”, explicou Anderson. O resultado foi uma sucessão de sandálias com saltos divertidos e bem esquisitos: em formato de sabonete, vela de aniversário, vidro de esmalte, rosa vermelha pisada e até ovo quebrado – um claro desafio às noções de normalidade. O salto alto é o maior sinônimo da autoestima feminina. Na passarela da Loewe, era como se as mulheres, não à toa intituladas “neuróticas, psicodélicas e completamente histéricas”, estivessem reaproveitando os objetos com os quais passaram meses e meses em casa para finalmente sair da escuridão da pandemia em direção à diversão.

Intervenções do gênero também apareceram em outros fashions shows seguindo o mesmo intuito de criar formas de escapismo para o período difícil que o mundo enfrenta. Batman, personagem criado pela DC Comics em 1939, ressurgiu em versão vintage e estilizada estampando sneakers e bolsas na passarela da Lanvin. Sapatos usados em casa ganharam suas versões exóticas nos desfiles. Loewe e Fendi, por exemplo, apostaram nos acessórios de pelúcia. Já Simone Rocha, Versace, Anna Sui, Miu Miu e Vivienne Westwood mergulharam no lúdico e trouxeram de plataformas pesadas a sandálias delicadas com meias, inclusive estampadas de motivos infantis. Do deslumbre das passarelas à realidade das ruas, no entanto, há uma distância imensa. Por isso, é de indagar se modelos à la Magritte serão vistos nos shoppings, restaurantes, cinemas. A designer de sapatos de luxo Adriana Farina acha que sim. Principalmente os divertidos criados pela Loewe. “Os saltos esculpidos são grande tendência. Dentro de um conceito do que é usável, a moda pega”, diz. Adriana lembra que os brasileiros gostam de roupas e acessórios inusitados e exclusivos, mesmo que sejam um pouco estranhos. “Especialmente entre os mais jovens, que também os usam em seus vídeos na internet.” É verdade. Se fica bem na passarela, vai fazer sucesso nas redes sociais. Ainda mais quando se fala de bolsas e sapatos, ótimos recursos para causar sensação. Como disse Marilyn Monroe: “Dê a uma mulher os sapatos certos e ela poderá conquistar o mundo”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 19 DE DEZEMBRO

A TESTEMUNHA FALSA PAGA COM A PRÓPRIA VIDA

A testemunha falsa perecerá, mas a auricular falará sem ser contestada (Provérbios 21.28).

A testemunha é uma pessoa que viu, ouviu e presenciou um fato e, perante juízo, narra com fidelidade os acontecimentos relacionados. Uma testemunha fidedigna está disposta a morrer, mas não a mentir sobre o que viu e ouviu. A palavra grega para “testemunha” é martíria, de onde vem a nossa palavra “mártir”. Pedro respondeu ao Sinédrio judaico diante das suas ameaças: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que  vimos e  ouvimos (Atos 4.19,20). Se a testemunha verdadeira prefere morrer a mentir, a testemunha falsa, por ocultar e torcer a verdade diante do tribunal, não ficará impune. A testemunha falsa morrerá. Primeiro vem a morte da credibilidade e do respeito. A verdade virá à tona, e a testemunha falsa cairá no opróbrio e no desprezo público. Depois vem a morte da honra. Uma pessoa mentirosa, que vende sua consciência por favores imediatos, será considerada maldita pelos homens e reprovada por Deus. Finalmente vem a morte eterna, pois os mentirosos não herdarão o reino de Deus. A menos que a testemunha falsa se arrependa, seu fim será receber a merecida punição do seu erro.

GESTÃO E CARREIRA

ETERNOS APRENDIZES

Para acompanhar as transformações do mundo e as novas oportunidades do mercado, o caminho é nunca deixar de aprender. Como as empresas podem ajudar os funcionários a se desenvolverem?

A mudança é a única constante. Essa é uma das máximas do historiador israelense Yuval Noah Harari em 21 Lições para o Século 21 (Companhia das Letras, 59,90 reais), lançado em 2018. “Se você se apegar a qualquer tipo de identidade, emprego ou visão de mundo estável, corre o risco de ficar para trás enquanto o mundo avança. Para se manter social e economicamente relevante, é preciso ser capaz de aprender e se reinventar constantemente”, escreve o autor.

Ser um eterno aprendiz é o que se espera do indivíduo e do profissional do presente e do futuro. O avanço cada vez mais veloz da tecnologia e a automação de processos vêm provocando mudanças profundas no mercado e nas relações de trabalho. Profissões tradicionais estão deixando de existir para outras, que sequer imaginávamos há até pouco tempo, surgirem. Tem mais: com o aumento da expectativa de vida e a permanência dos profissionais por mais tempo no mercado, será necessário atualizar constantemente o repertório de conhecimento.

“Estar aberto a todo tipo de experiência e saber transformá-la em aprendizado aplicável à vida e ao trabalho à medida que o mundo demanda é uma das competências mais importantes a se desenvolver”, afirma Roberta Campana, diretora de educação e inovação na Fundação Dom Cabral. É o que se chama de lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida. O conceito não é novo. Ganhou força nos anos 1990, quando o economista e político francês Jacques Delors presidiu a Comissão Internacional sobre Educação para o Século 21, da Unesco, e apontou a necessidade de uma educação extensiva por toda a vida como condição para navegar na sociedade do conhecimento. No documento Educação, um Tesouro a Descobrir, Delors destaca a necessidade de trocar o saber baseado na absorção de conhecimento transmitido pelo professor e restrito ao ambiente da sala de aula por uma abordagem autônoma, holística e capaz de preparar o indivíduo para se tornar independente e socialmente competente, e não talhado para se encaixar no mercado de trabalho. Mais importante do que diploma ou título, o que conta é saber pensar, selecionar informações, se relacionar (consigo mesmo e com os outros), “desaprender” o obsoleto ou desnecessário e “reaprender” de acordo com as demandas do mundo e dos negócios.

Em janeiro de 2017, a revista The Economist trouxe na capa e em reportagem especial o tema lifelong learning como saída imperiosa para os trabalhadores sobreviverem à era da automação e os negócios se manterem lucrativos. Foi a deixa para muitas empresas passarem a dar mais atenção ao assunto, criando ou revisando políticas e programas de desenvolvimento.

MUITO ALÉM DO DIPLOMA

Se até um passado recente o diploma universitário era o passaporte para o mercado de trabalho e o MBA era o mais longe que muitos profissionais enxergavam ao pensar em continuar estudando depois de formados, hoje não é mais assim. É claro que faculdade e pós-graduação seguem sendo caminhos válidos e são pré-requisitos para conseguir alguns empregos. Mas ser um eterno aprendiz vai além de frequentar aulas. “A educação não formal, fazer cursos livres de temas variados, por exemplo, e a informal, que é aquele conhecimento que você absorve em toda parte, seja assistindo a um programa de TV, viajando, seja conversando com uma criança, contam mais do que nunca”, diz Vivian Rio Stella, pesquisadora de lifelong learning e idealizadora da VRS Academy.

Dentro das organizações, apoiar os empregados por meio de oferta de cursos, treinamentos e subsídios para educação é a saída para desenvolver e manter talentos. “Muitas empresas têm dificuldade de contratar para determinadas funções por falta de qualificação, o que se deve em parte a falhas em nosso sistema de educação. E trazer profissionais prontos do mercado pode acabar saindo caro, além do risco de não haver alinhamento cultural”, diz Rafael Ricarte, líder de produtos de carreira da Mercer no Brasil. “Investir na requalificação e no crescimento dos já contratados pode ser mais demorado, mas é mais barato, gera valor ao negócio e profissionais mais satisfeitos.”

Não que seja responsabilidade exclusiva do empregador, chefe ou área de recursos humanos cuidar do desenvolvimento dos funcionários – mais do que nunca eles devem ser protagonistas da própria aprendizagem e trajetória profissional. Mas cabe às empresas apoiá-los na busca por aprimoramento. “Em primeiro lugar, é preciso fomentar uma cultura de lifelong learning, em que se instigam e valorizam a curiosidade e a autogestão do conhecimento”, afirma Mariana Achutti, CEO da Sputnik, escola de educação in company.

A partir daí, rodar pesquisas e ouvir as equipes sobre interesses e expectativas em relação à educação vai orientar uma curadoria eficiente de conteúdos e formatos de ensino, que deve ser variada o bastante para atrair e atender profissionais com personalidades e anseios de carreira distintos. Também deve-se levar em consideração as diferenças geracionais e os estilos de aprendizagem no mesmo espaço de trabalho.

VONTADE GENUÍNA

Outro ponto- chave é que a busca por educação não pode ser algo imposto pelo gestor ou pelo RH, caso contrário se torna mais uma tarefa dentre tantas que o profissional precisa cumprir. “Não basta colocar cursos à disposição. Para haver engajamento é preciso dar sentido ao que está sendo ofertado, mostrar para que aquele conteúdo será útil no dia a dia e como vai contribuir para o crescimento pessoal e profissional”, diz Mariana.

É o que faz desde 2013 a Klabin, que mantém a Escola de Negócios Klabin (ENK), com o propósito de desenvolver pessoas com treinamentos que vão resultar em conhecimento aplicável ao negócio. “Oferecer conteúdos de alta qualidade (alguns em parceria com FGV, Insper e Harvard, entre outras instituições) e experiências interessantes de aprendizagem é a aposta para que os profissionais vejam valor e se responsabilizem pelo próprio crescimento, em vez de esperar que seja cobrado pelo chefe”, explica Rodrigo Rubano, gerente de desenvolvimento organizacional da companhia.

Dentre as iniciativas da ENK, a learning sprint consiste em uma jornada de atividades e debates segmentada por grupos (comercial, RH, possíveis sucessores, por exemplo) que acontece periodicamente. Há também o portal ENK, disponível para 100% do time com cursos online, vídeos, fóruns de discussão, enquetes, biblioteca, pílulas de conhecimento e games interativos.

“Existe ainda um programa de apoio a quem deseja realizar algum curso no exterior, com a contrapartida de, na volta da viagem, replicar dentro da empresa o conhecimento adquirido, em uma apresentação para a área ou outro formato a combinar”, acrescenta Ana Cristina Barcellos, gerente de remuneração, performance e diversidade da Klabin.

EFEITO CORONAVÍRUS

A pandemia acelerou o movimento de busca por educação de todo tipo, inclusive a corporativa. Já nas primeiras semanas do isolamento social, o formato de aulas online facilitou o acesso de muitos a diversas instituições, que passaram a disponibilizar seus conteúdos de forma gratuita, ainda que por tempo limitado. Além disso, as mudanças na rotina resultaram, para algumas pessoas, em certo tempo livre que pode ser aproveitado para estudar em casa.

Pensando nessas questões, a Arteris, do setor de concessão de rodovias, digitalizou todos os cursos da Universidade Arteris de Desenvolvimento (UAD) no início da pandemia e criou o Arteris Play, programa de lives semanais de temas ligados ao impacto da covid-19 na vida, no trabalho e nos negócios (com temas como educação financeira, saúde mental e transformação em tempos de crise). Os funcionários têm acesso a mais de 100 treinamentos, alguns obrigatórios e outros livres, dependendo da área e do cargo, além de avaliações de desempenho, criação de trilhas de competências, biblioteca e videoteca online com materiais de apoio – tudo disponível também no aplicativo.

“Devemos facilitar o acesso e dar autonomia para que cada um escolha o que, quando e onde deseja aprender. Além de contribuir para que todos queiram estudar e compartilhar o conhecimento adquirido”, diz Jeane Cardoso, gerente de RH da Arteris.

TENDÊNCIAS DO ENSINO

A  pandemia impulsionou o setor das startups de educação, e novas tecnologias e metodologias de aprendizado vêm ganhando destaque entre as soluções corporativas. Confira as principais novidades apontadas por Sueli Andrade, especialista em edtechs do DOT Digital Group, empresa de educação digital focada no mercado corporativo

EU ACHO …

AS IRONIAS DA PANDEMIA

Muitos estão cheios de tesão pela nova variante

Devemos ou não fazer Carnaval em 2022? Na minha visão, não. Mas os argumentos a favor são sui generis quando se olha a pandemia sem medo de ser infeliz.

Os mortos da pandemia já foram esquecidos. A memória social tem a profundidade de uma asa de mosca. Todas as manifestações melosas pelos mortos se perderam no voo das moscas.

O primeiro fato óbvio é que encher a cidade com gente bêbada, mijando nas ruas, é a cara do luto, não?

Claro que não. Atenção para o conteúdo de ironia. Comemorar o carnaval agora é cuspir nos mortos. Acho bem feio, depois de tantas juras de afeto, a moçada mijar por aí ao sabor dos bloquinhos. Porque não mija logo nos túmulos?

Outro detalhe é que muito se xingou Bolsonaro durante a pandemia, com razão. Mas como fica a aglomeração no bloquinho? Agora pode?

Os mesmos que xingaram o presidente agora defendem o Carnaval porque é uma festa democrática. Será mesmo? O Carnaval sequestra a cidade, ele é zero democrático.

A pandemia, caso tivéssemos memória, poderia ser o túmulo de muitos especialistas. Muito se afirmou de coisas que não aconteceram. Verdade que pouco se sabia no início, mas há algo de novo nessa pandemia mesmo. O quê? O desalento quando a delta não nos levou de volta aos 4.000 mortos por dia era sentido da mesma forma como sentimos o vento. Invisível, mas material. A nova variante sul-africana ômicron pode ser, enfim, uma nova esperança. Especialistas e mídia estão cheios de tesão por uma nova chance de ampliar engajamento e negócios.

Uma nova “chave especialista” de análise, é: será esta pandemia um divisor de águas da humanidade? Talvez, se ela voltar com muita força e matar 1 bilhão de pessoas, destruir a economia. A gripe espanhola – que segundo estimativas matou algo entre 30 a 50 milhões de pessoas – não foi um divisor de águas. Voltamos a ser o que éramos antes de 1918.

Mas o que há de novo? O mercado em si. Uma grande diferença entre o mundo da gripe espanhola e o de hoje é que em 1918 o mercado era hem menos globalizado e profissional. Ele era uma criança em sua concupiscência por novos negócios e tinha pouca inteligência especializada.

Hoje sabemos que a pandemia é uma commodity de marketing. A gripe espanhola não foi um mercado em si, a Covid é. Interessa saber se esse mercado terá força para se impor e transformar a pandemia em um motor de startups.

De volta ao Carnaval. Agora especialistas afirmam que se pode fazer a festa com máscaras e exigência de atestado de vacina. Eis o fim da picada. O oportunismo credenciado foi longe demais. Nunca viram o que é o Carnaval? Bebe-se muito. Transa-se muito. Nenhuma noção de risco. Ninguém vai usar máscara e ninguém vai pedir atestado de vacina para ninguém.

E mais, com o idiota anti- vacina do Bolsonaro – todo anti- vacina é  idiota, não só ele -, turistas europeus e americanos sem vacina poderão vir aqui em busca de sexo. Sexo é o que buscam aqui no Carnaval porque as europeias e americanas, são umas azedas. Mas tudo bem, porque o Carnaval é uma festa democrática? Na  verdade, o Carnaval sempre foi em grande medida turismo sexual para estrangeiros. Pago pela hora ou não.

Mas tudo bem, porque o carnaval é uma festa popular? Os europeus fecham as portas para nós – menos para os nossos ricos -, mas nós abriremos as portas para eles, sem que eles tenham tomado vacina?

Há um elemento a mais. Muitos que pregaram o lockdown absoluto neozelandês num país de motoboys e operadoras de telemarketing o faziam porque tinham empregos públicos. Nunca podemos chegar ao padrão neozelandês, mas algum confinamento foi feito e ele era sem dúvida necessário. O comércio agonizou nas quarentenas. Os empregos públicos, não.

Por que justo agora o comércio que ganha com o Carnaval teria aliados entre especialistas? Quem responde essa pergunta de milhões de reais?

A pergunta final é: se estamos nos arrastando, tentando escapar da boca do leão da Covid, por que diabos deveríamos pôr nossas cabeças na boca do leão em nome de uma festa qualquer?

Os políticos, de olho nas eleições, podem sucumbir à pressão em nome da festa democrática. Em matéria de política, quem aposta no pior sempre acerta.

*** LUIZ FELIPE PONDÉ

ESTAR BEM

COMO INSERIR E ELIMINAR HÁBITOS EM SUA ROTINA?

 Não existe quantidade de dias certos ou regra milagrosa. Para mudar o seu dia, é preciso disciplina e muita paciência

Quem nunca desejou ter uma rotina matinal completa, daquelas com café reforçado, exercício físico, medicação e até tempo para leitura? Ou então quis ter tempo para cozinhar comidas saudáveis em vez de, na pressa, correr para o bom e velho aplicativo?  Pois bem. Querer mudar os hábitos do dia a dia é algo perfeitamente normal, mas para que essa mudança seja eficaz, é preciso ter disciplina.

“Nós vivemos uma epidemia de cansaço, estamos condenados ao automatismo e a principal forma de mudar algo é através do processo da repetição do comportamento que você almeja. Ou seja, repetir, até que esse novo hábito se torne constante”, explica o médico psiquiatra Pablo Vinícius.

Foi assim com o publicitário Alexandre Kiyohara, de 25 anos, que desde agosto pratica atividades físicas pela manhã. “Com a pandemia eu tive mais tempo para organizar minha rotina e decidi aproveitar o tempo que eu passava no trânsito para acordar mais cedo e ir pra academia”, diz. O amor pelo esporte cresceu tanto que, nos fins de semana, ele aproveita para ir aos encontros do grupo de corrida Vem Com Nois em parques de São Paulo. “O ar livre e o estar com o coletivo me incentivou bastante. Mas a academia não é um ambiente que eu gosto. Então foi preciso levar muito a sério. Tanto que eu coloco um alarme no celular, levanto e vou. Nem penso”, brinca ele.

A insistência deu frutos. “Melhorou meu físico, minha disposição, meu sono. Eu sinto que hoje tenho muito mais atenção de manhã e disposição ao longo do dia”, conta.

21 DIAS

Na década de 1960, o psicólogo e cirurgião plástico Maxwell Maltz criou a teoria de que 21 dias é o tempo que o cérebro precisa para interpretar um novo hábito como um padrão e torná-lo automático. Em 2013, o psicólogo Jeremy Dean refutou a teoria em seu livro Making Habits, Breaking Habits (Criando Hábitos, Quebrando Hábitos, em tradução livre). Para ele, a média é de 66 dias.

Mas na prática, não existe uma quantidade de dias exata. ”Não é sobre tempo, e sim insistência”, declara Larissa Rodrigues, comunicadora e criadora da página Hábitos Que Mudam.

“Quando a gente fala de hábitos, cada um tem seu ritmo. Tem casos em que a ação se consolida em apenas um dia, outras precisam de 120 dias. O mais importante é conhecer como ele funciona pra você”, ensina.

Tanto a página quanto a vida mais organizada de Larissa começaram com planners (caderno com divisões para organização de rotina e tarefas diárias). “Eu precisava  organizar meu tempo e fui compartilhando esse processo e os aprendizados na internet. Nisso surgiu uma comunidade de pessoas interessadas pelo assunto”, diz. Hoje, são mais de 250 mil internautas que trocam dicas de rotinas, hábitos e experiências. Além de pesquisas e livros sobre o assunto.

“Eu acredito que nada supera sair da tela do computador para planejar suas coisas, mesmo que depois você leve para o digital. A mente funciona muito melhor fora das telas”, diz.

OFF LINE

Ficar longe das telas, aliás, foi a maneira que a empresária Isabella Macera, 27 anos, encontrou para melhorar sua qualidade de vida. “Eu  tenho uma empresa e, principalmente na pandemia, veio uma sobrecarga muito intensa que me fez sentir sem fuga. Existe uma romantização de a gente sempre dar conta de tudo. Ou seja, até tem  uma demanda, mas tem também um vício de querer resolver, de estar ali não priorizando os momentos importantes”, declara.

Seu estopim foi durante o trabalho de parto de seu filho Luca, hoje com 6 meses, no qual ela estava resolvendo um problema com um cliente. “Minha mãe teve que arrancar o celular da minha mão”, lembra. Desde então ela segue uma regra: desligar o celular, todos os dias às 19h e ligar apenas às 8h do dia seguinte.

“No começo tinha vontade de ficar fuçando o Instagram até tarde, mas percebi que eu termino um turno e começo outro, então preciso ter essa rotina. Hoje, eu me percebo muito mais produtiva, mas claro que quando é preciso, eu estendo um pouco à noite”, diz. As manhãs, no entanto, são sagradas: “Eu acordo, brinco com meu filho com calma, faço meu café, tudo sem acelerar meus pensamentos”. Mesmo nas paradas durante o trabalho, ela se mantém longe do celular.

“Antes eu abria o olho e já via o celular, o que me fazia começar o dia preocupada”, declara. “É sobre estar presente no aqui e agora. Eu me sinto outra, me fez muito bem”.

NA PRÁTICA

Dicas de como colocar as tarefas no automático

TROCA-TROCA

Inserir dois hábitos novos ao mesmo tempo pode ser difícil. Mas destruir um enquanto constrói outro no lugar pode facilitar a mudança.

GENTILEZA É MOTIVAÇÃO

 Olhe para o seu calendário de forma amigável. Em vez de se criticar por não ter lido as 10 páginas de um livro por dia, como estabelecido, pense que conseguiu ler uma.

INSISTÊNCIA

Dificilmente você vai acordar com vontade de ir para o Crossfit. Se dedique para que a ida até lá se torne um hábito e foque nos benefícios que isso traz para sua vida.

FLEXIBILIDADE

Às vezes o hábito de uma pessoa pode não funcionar com a sua rotina. Teste, veja como adaptar e, se for o caso, desista. Crie algo bom para você.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CÉREBRO DA MOSCA PODE TRAZER PISTAS SOBRE O NOSSO

Análise de milhares de neurônios e sinapses do inseto foi considerada um marco pelos cientistas e abre caminho para entender como funcionam estruturas mais complexas em órgãos de outros animais, incluindo o ser humano

O cérebro de uma mosca é do tamanho de uma semente de papoula, e é quase tão fácil de ser ignorado.

“A maioria das pessoas, eu acho, nem mesmo pensa na mosca como tendo um cérebro”, disse o neurocientista do Campus de Pesquisa Janelia do Instituto Médico Howard Hughes, nos EUA, Vivek Jayaraman, que acrescenta: “No entanto, as moscas levam uma vida muito rica”.

As moscas são animais capazes de comportamentos sofisticados, incluindo navegar por diversas paisagens, brigar com rivais e realizar serenatas para parceiros em potencial. E seus cérebros, do tamanho de uma partícula, são extremamente complexos, com cerca de 100 mil neurônios e dezenas de milhões de conexões, ou sinapses, entre eles.

Desde 2014, cientistas, em colaboração com o Google, têm mapeado esses neurônios e sinapses em um esforço para criar um diagrama de fiação abrangente, ou o conectoma do cérebro da mosca.

O trabalho é demorado e caro, mesmo com a ajuda de algoritmos de última geração. Mas os dados que eles divulgaram até agora são impressionantes em seus detalhes, compondo um atlas de dezenas de milhares de neurônios retorcidos em muitas áreas cruciais do cérebro do inseto.

Em um novo artigo publicado na revista científica eLife, os  neurocientistas estão começando a mostrar o que podem fazer com essas descobertas. Ao analisar o conectoma de apenas uma pequena parte do cérebro da mosca – conhecido como complexo central, que tem um papel importante na navegação – Jayaraman e seus colegas identificaram dezenas de novos tipos de neurônios e localizaram circuitos neurais que parecem ajudar as moscas a seguirem seu caminho pelo mundo.

No final, o trabalho poderá ajudar a fornecer uma visão sobre como os cérebros de animais, incluindo o dos humanos, processam uma enxurrada de informações sensoriais e as traduzem em ações.

É também uma validação para o jovem campo da conectômica moderna, que foi construído com a promessa de que a construção de diagramas detalhados de fiação do cérebro traria dividendos científicos.

“É realmente extraordinário”, disse o pesquisador do Instituto Allen para Ciência do Cérebro, em Seattle, nos Estados Unidos, Clay Reid: “Acho que qualquer pessoa que olhar para o estudo dirá que a conectômica é de fato uma ferramenta de que precisamos na neurociência.

O único conectoma completo no reino animal já feito pertence à lombriga C. elegens. O biólogo pioneiro Sydney Brenner, que mais tarde ganharia o Prêmio Nobel, deu início ao projeto na década de 1960. Sua pequena equipe passou anos trabalhando nisso, usando canetas coloridas para desenhar os 302 neurônios à mão.

“Brenner percebeu que para entender o sistema nervoso era preciso conhecer sua estrutura. E isso é verdade em toda biologia, a estrutura é muito importante”, disse Scott Emmons, o neurocientista e geneticista da Faculdade de Medicina Albert Einstein.

Brenner e seus colegas publicaram artigo com 340 páginas em 1986. Mas o campo da conectômica moderna não decolou até os anos 2000, quando os avanços tecnológicos permitiram mapear as conexões em cérebros maiores.

Quando o Campus de Pesquisa Janelia foi inaugurado em 2006, Gerald Rubin, seu diretor fundador, voltou sua atenção para a mosca:

“Elas têm o cérebro mais simples que realmente executa um comportamento interessante e complexo.”

MICROSCÓPIO LIXA DE UNHA

Os pesquisadores cortaram o cérebro da mosca em placas e, em seguida, usaram uma técnica conhecida como microscopia eletrônica de varredura por feixe de íons focalizados para obter imagens de cada camada. O microscópio funcionava essencialmente como uma lixa de unha muito minúscula e precisa, tirando uma foto do tecido exposto e repetindo o processo até que não restasse mais nada.

A equipe então usou um software de visão computacional para juntar milhões de imagens resultantes do processo em um único volume tridimensional e enviar ao Google. Lá, algoritmos avançados de aprendizado de máquina identificaram cada neurônio individual e rastrearam seus ramos retorcidos.

No anopassado, os cientistas publicaram o conectoma para o que chamaram de “hemibrain”, uma grande parte central do cérebro da mosca, que inclui regiões e estruturas cruciais para o sono, aprendizagem e navegação.

O conectoma, que pode ser acessado gratuitamente online, inclui cerca de 25 mil neurônios e 20 milhões de sinapses, um número muito maior que o conectoma da lombriga C. elegans.

“É uma expansão dramática. Este é um passo tremendo em direção ao objetivo de descobrir como funciona a conectividade do cérebro”, disse o neurocientista da Universidade Rockefeller, em Nova York, Cori Bargmann.

PROBLEMAS SEMELHANTES

Assim que o conectoma do ”hemibrain” estava pronto, Jayaraman, que é um especialista sobre a neurociência da navegação da mosca, estava ansioso para mergulhar nos dados do complexo central.

A região do cérebro, que contém cerca de 3 mil neurônios e está presente em todos os insetos, ajuda as moscas a construir um modelo interno de sua relação espacial com o mundo e, em seguida, selecionar e executar comportamentos adequados às sus circunstâncias, como procurar comida quando estão com fome.

É claro que alguém poderia perguntar porque os circuitos cerebrais de uma, mosca são importantes.

As moscas não são camundongos, nem chimpanzés ou humanos, mas seus cérebros realizam algumas das mesmas tarefas básicas. Compreender o circuito neural básico de um inseto  pode fornecer pistas importantes de como cérebros de outros animais abordam  problemas semelhantes, explicou o neurocientista da Universidade de Washington, em St. Louis, David Van Essen.

Criar conectomas de cérebros maiores e mais complexos será um desafio enorme. O cérebro do rato, por exemplo, contém cerca de 70 milhões de neurônios, e o cérebro humano, impressionantes 86 bilhões.

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