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STALKERS USAM INTERNET PARA ATERRORIZAR E DOMINAR MULHERES

Agora incluída no Código Penal, perseguição virtual tem efeitos concretos para vítimas, mas Justiça nem sempre entende que cabe reparação nesses casos

“Aceitaria sair comigo?” Não, obrigada.

“Gauchinha de merda”: “Não é não?” “Kkkkkkkk.” Não paras stalkers virtuais. Carolina  Cascaes, 33, queria muito trabalhar como atendente num camarote do Carnaval  paulistano de 2018. Era promotora de eventos, modelo gaúcha, recém-chegada à cidade. Tinha filha, marido. Explicou tudo isso para Junior, autor do convite acima. Em vão. Era dele o WhatsApp no anúncio das seleção.

Carol mandou sua foto, uma praxe no oficio, e de cara ele tentou emplacar um encontro. “Fui tentando me desvencilhar elegantemente sem perder a vaga. Até que começou a ficar muito pesado, começou com algumas grosserias”.

A conversa está lá, registrada sobre o desenho de um unicórnio fazendo cocô de arco-íris, a tela de fundo que ela usa no aplicativo. Junior primeiro diz que o parceiro de Carol não precisa saber se os dois saírem, depois pede: “Manda uma foto pra mim, de biquini ou lingerie, confia em mim”. Quando ela responde que não vai se submeter àquilo só para conseguir emprego, ele fica agressivo: “Vai se achando, filha. Do seu pacote já comi muitas kkkk”.

Conta vantagem sobre ganhar R$ 100 mil por mês “até mais, nunca contei, só sei o que entrego à Receita Federal. Promete por o nome dela na lista maldita para 450 empresas cadastradas.

Carol lamenta que o papo tenha tomado aquele rumo só porque ela “não quis transar” por trabalho. Decide alertar colegas. “Achei que fosse golpe só pra ver menina bonita, printei  tudo e postei no grupo de modelos que a gente tinha para avisar que era vaga fake. Eu não imaginava o que viria”.

As cenas do próximo capítulo ilustram um tipo de crime só recentemente reconhecido pelo Estado brasileiro: a perseguição, popularizada pela expressão em inglês, stalking.

Uma lei sancionada em março estipulou até três anos de prisão a quem “perseguir reiteradamente e por qualquer motivo, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”.

O texto criou um tipo penal que não existia quando os caminhos virtuais de Carol e Júnior se cruzaram, três anos atrás. Quando a legislação deixa claro que o acossamento pode acontecer “por qualquer meio físico ou digital, “já reflete os tempos em que a gente vive”, diz a antropóloga Beatriz Accioly Lins.

A internet facilitou e muito o trabalho dos stalkers, afinal. Autora de “Caiu na Net: Nudes e Exposição de Mulheres na Internet”, Lins conta que acompanhou mulheres em situações que não se enquadravam nos tipos penais mais usados, como lesão corporal.

Daí que elas chegavam ao órgão público e “relatavam histórias em que eram  o tempo inteiro perseguidas, não tinham paz, mas não havia ofensa, ameaça”, afirma a antropóloga. “Então ficavam no limbo jurídico”.

Depois que Carol expôs nas redes o assédio que sofreu, Junior deixou de lado o kkkkk e partiu para o ataque. “Naquela noite me ligou 150 vezes, algumas de números desconhecidos. Ameaçou meu marido, minha filha. Aí começaram as ameaças de morte, perseguição. Sempre virtualmente”. Carol conta que o assediador postou telefone e fotos dela numa “página do Facebook de putaria” na qual meninas “se candidatavam para prostituição”.

Não foi só sua saúde mental que foi para o espaço. As intimidações a levaram a fechar seu perfil profissional no Instagram, vitrine para potenciais contratantes . Segundo a modelo, Junior também se passou por policial. “Disse que ia dar um tiro na minha cara. Foram meses e meses de inferno.” Carol nunca tinha visto esse stalker na vida. Samia Lisboa, 45, era casada com o dela.

A união se prolongou por duas décadas , mesmo depois de ele a agredir “a ponto de quebrar os dentes”. Na época, estava grávida pela segunda vez. “Foi por causa de  R$ 11. “Tinha ido fazer uma ultrassom. Bateu fome. Com o cartão do marido, comprou algo para comer. “Ele achou aquilo absurdo: por que não veio comer em casa?”, lembra. “Ela poderia ter morrido na minha barriga”, diz sobre a filha de 15 anos, que acabou de sair para uma academia perto da casa onde elas moram em Moema (zona sul de São Paulo).

Os anos foram passando, o marido enriqueceu, e refeições em restaurantes chiques viraram um “cala-boca” após ele se descontrolar, junto com viagens e carros importados (ela gosta de Mercedes).

Estava bem-servida no cardápio de violência contra a mulher: psicológica, patrimonial, física. “Vamos dizer que, de humilhação, degustei de todas . Fui chamada de lixo, de porcaria”, relata. “E ele gostava muito do meu pescoço, gostava de enforcar”.

Samia desculpava sempre. “Quando perdoei, perdoei por amor. Mas asa oscilações de humor do parceiro não pararam. As formas de falar que eu deveria morrer começaram a aumentar. Até um copo de vinho, se ele oferecesse, eu já ficava assim: o que é que tem dentro?”

O dia do “basta” chegou. Ela narra como se arrastou até uma porta de correr para se livrar do marido, que tentou estrangulá-la após uma discussão no escritório dele.

Com a ajuda do Justiceiras, rede de proteção à mulheres agredidas, Samia fez boletim de ocorrência e conseguiu uma medida protetiva. Fisicamente, o agora ex-marido não pode chegar perto. Veio então o cerco virtual.

A coisa começou a ficar estranha de dois anos para cá, após o término. Ele nunca teve redes sociais, mas pedia que funcionários fizessem perfis para segui-la, segundo sua ex.

De repente, muitas contas masculinas passaram a abordá-la. Esses homens conheciam seus gostos. Ela mostra sua página no Facebook – quase mil solicitações de amizade pendentes. Samia recebe a toda hora mensagens como “confesso que não pude me conter com tamanha beleza”.  Até pornografias no WhatsApp. “Eram pessoas me chamando de ‘meu amor’, aí mandavam vídeo pornográfico”.  Seu número de telefone também foi parar numa rede social de relacionamentos.

Ela sabe que a internet é um manancial de doidos e golpes. Mas o “timing” daquilo tudo, somado com o que ela ouviu de pessoas que conhecem o ex, lhe dão a certeza de que ele tem um dedo nisso.

Samia também desconfia que ele tenha implantado dispositivos clandestinos de monitoramento. “Eu falava coisas dentro do carro e da casa que ele vinha questionar. E eu: Ué, como ele está sabendo?”.

Para Samia, o pai de seus filhos espalha ratoeiras, virtuais tanto para vigiá-la quanto para jogar na sua cara que ela é saidinha demais com outros caras.

“Há a necessidade de provar que eu era uma traidora, uma pessoa de má índole, uma vagabunda. Mas quando o homem prova que a mulher é vagabunda, prova que ele é outra coisa, né? Fica ruim pro lado dele”.

Muito do cyberstalking tem a ver com ameaçar expor intimidades da mulher, como um nude enviado por ela ou o vídeo de uma relação sexual gravada sem seu conhecimento. Casos como o de Samia, contudo, escancaram como a perseguição ataca em várias frentes, sempre com um denominador comum.

“A tecnologia é mais um meio que o homem usa para silenciar a mulher; ter alguma forma de continuar mantendo domínio sobre ela”, afirma Juliana Cunha, diretora da Safernet, ONG que acolhe denúncias de crimes online. Como qualquer outra violência contra a mulher, tem muito a ver com reafirmar o poder que ele tem contra a mulher; levá-la a ter medo de você”. Em suma: “Fazer de tudo para fazer da vida dela um inferno”.

Cris Camargo, 49, que o diga. Seu pecado foi desenhar sobre um machismo típico em feiras de quadrinhos. A tirinha mostrava um rapaz parado para conferir o trabalho de um quadrinista, passando batido pelos próximos dois stands, de mulheres, voltando a se interessar pelo seguinte, outro homem. A legenda: “Ser artista mulher é ter sua mesa ignorada por machistas nos eventos”.

Quando a autora da HQ  “Ser Artista Mulher é”… decidiu reproduzir o que acontecia com ela e colegas, os haters não perdoaram. Uma “feminazi chata pra caralho” como ela só não era reconhecida por “ser fraca e copiar os traços do Maurício de Sousa”, disse um. “Ninguém tem culpa que a arte dela é uma merda que só atrai militante feminista, veio outro. “Bater uns bolos talvez resolva a doença mental que ela tem”.

E como esquecer deste comentário aqui? “Nesses eventos só tem virjão. Ter uma ppk te coloca em vantagem a qualquer desenhista homem do local. Se ainda assim não fez sucesso, é porque desenha mal pra caramba mesmo”.

“Os caras vão me atacar pra provar que não existe preconceito”, afirma Cris. ‘Chega a ser hilário”. Se ficasse só na artilharia rasteira das redes, vá lá. Mas não. A desenhista chegou a receber o que interpretou como ameaça velada de morte. “O cara dizendo que eu não devia mexer com esses assuntos, de criticar ações masculinas, porque eu poderia me arrepender, as pessoas sabiam onde me encontrar.”

Boa parte da violência de gênero que Cris sofre nas redes é crime de perseguição, diz sua advogada, Raphaella Reis, do DeFEMde (Rede Feminista de Juristas). O problema é que nem sempre a Justiça entende assim.

Quando um perfil forjou fake news sobre ela, que não reproduziremos para não dar corda a elas, Cris resolveu processar. O Judiciário paulista entendeu, em duas instâncias, que não caberia nenhum tipo de reparação.

Um trecho da sentença: “Ora, se ela estivesse de fato tão incomodada com as agressões verbais e, por conseguinte, com a sua reputação e com a repercussão que as acusações contra ela pudessem causar em sua vida, não teria se dado ao trabalho de responder as ofensas”.

A certa altura, um dos juízes do colegiado interrompeu a advogada. “Eu falando, ele rindo. Disse que o Judiciário não era pra frescura de internet”; afirma Reis. “É importante frisar que 76% das vítimas de feminicídio foram perseguidas, pois o homem autor de violência, ao perceber que não consegue “controlar a vida de uma mulher, prefere matar”, diz a advogada Sueli Amoedo, do Justiceiras.

O  dado é da entidade americana Stalking Resource Center, que inclui atitudes persecutórias presenciais e online.

Samia já teve medo de morrer. Com a ordem judicial de afastamento, a perseguição digital virou uma nova arma de silenciamento. Ela não se cala. Mostra no celular os perfis que inundam suas redes para importuná-la , muitos deles fakes. ‘Esses canalhas deveriam virar alimento de sucuri”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 15 DE DEZEMBRO

BOCA FECHADA, ALMA EM PAZ

O que guarda a boca e a língua guarda a sua alma das angústias (Provérbios 21.23).

Dizem que o peixe morre pela boca; o homem também. A língua desgovernada põe a vida toda a perder. Quem não domina sua língua envolve-se em muitas encrencas e entrega sua alma a muitas angústias. Precisamos colocar guardas à porta dos nossos lábios. Precisamos ser tardios para falar, pois até o tolo, quando se cala, é tido por sábio (Provérbios 17.28). Dificilmente arrependemo-nos do que não falamos. O silêncio é preferível às palavras tolas. Falar na hora errada, com as pessoas erradas, com a motivação errada e com o tom de voz errado é açoitar a nós mesmos com muitos flagelos. Uma língua destemperada é como uma fagulha que incendeia toda uma floresta. Uma língua maledicente é como um veneno mortal. Uma língua que espalha boatos e promove intrigas é um poço contaminado, cujas águas produzem morte, e não vida. Quantos casamentos já foram desfeitos por causa de palavras irrefletidas! Quantos relacionamentos já estremeceram e terminaram por causa de palavras insensatas! Quantas brigas e até mortes já aconteceram por causa de palavras prenhes de malícia e ensopadas de maldade! Se quisermos preservar nossa alma das angústias, teremos de primeiro dominar a nossa língua.

GESTÃO E CARREIRA

PRETOS E PARDOS COM FACULDADE GANHAM 31% MENOS QUE BRANCOS

Disparidade ocorre em todos os níveis educacionais e reflete desigualdade, diz IBGE

Pretos e pardos têm renda média do trabalho menor que brancos, mesmo com níveis de escolaridade iguais no Brasil. A conclusão é da Síntese de Indicadores Sociais de 2020, divulgada nesta sexta-feira (1) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o órgão, o resultado reflete o quadro de desigualdade de  oportunidades no mercado de trabalho.

A pesquisa mostra que, em 2020, a população identificada como preta ou parda tinha renda menor do que branco em qualquer um dos quatro níveis de instrução analisados.

Entre a população com ensino superior completo, pretos e pardos recebiam em média, por hora 30,8% a menos do que os brancos (RS 23,40 e RS 33,80, respectivamente). O indicador analisado é o rendimento real do trabalho principal por hora de trabalho, descontada a inflação.

Na faixa com menos estudo, que reúne pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, pretos e pardos recebiam 23,9% menos por hora do que brancos (RS7 e RS 9.10, respectivamente).

Na média das quatro faixas, pretos e pardos ganhavam 40,8% menos do que os brancos (R$10,90 e RS18,40). Com recorte anual, a Síntese avalia uma série de resultados nas áreas de economia, educação, habitação e saúde. O IBGE também indica que, em média, a população ocupada branca tinha rendimento médio real do trabalho principal estimado em RS3.056, por mês, no ano passado. Essa quantia era 73,3% maior do que a da população preta ou parda (R$1.764).

A administradora Sônia Lesse, 36, conhece bem a realidade desigual que os números divulgados evidenciam. Com duas graduações, especialização, pós-graduação e MBA, relembra diversas experiencias de trabalho em que ser negra e mulher significou disparidade de salário em relação aos colegas brancos e menor acesso a oportunidades.

Quando trabalhava em uma empresa de telecomunicações, ouviu dos gestores que a justificativa para a diferença salarial era a falta de diploma. “Quando me formei, disseram que os colegas recebiam mais porque tinham sido contratados em outro momento da empresa ou tinham mais experiência. Mas, conversando, eu via que a experiência deles era menor ou igual à minha”, conta.

Analista em uma instituição financeira, soube que um colega, homem e branco com a mesma formação e experiência, recebia o dobro pela mesma função.

A empresa prometeu a ela bônus e promoção, mas afirmou que a paciência em aguardar a reposição em sua renda era parte das habilidades esperadas da profissional.

“É como se buscassem justificativas para continuar dizendo não para quem é diferente. As exigências são maiores. A porta nunca está aberta por completo para nós”, diz.

As experiências inspiraram Sônia a se capacitar para ajudar pretos e pardos a enfrentarem a desigualdade de oportunidades. Hoje ela atua como consultora na área. A maioria dos profissionais que a procuram são mulheres. Oito em cada dez dizem que já passaram pela experiência de descobrir que ganhavam menos que os colegas.

“Diferença salarial é um ponto gritante. Pedem ajuda para negociar com a chefia cargos e salários cujas responsabilidades já exercem. Ter que convencer a liderança  de que devem ganhar o mesmo que colegas brancos é uma forma de violência”, diz Sônia. A assistente social, professora e consultora Verônica Vassalo, 39, enfrentou dificuldades similares. “Diversas vezes me vi em situações em que, mesmo com formação extensa e longa experiência, ganhava menos que pessoas brancas”, diz ela, que tem especialização, mestrado e pós-graduação em andamento.

Verônica construiu a carreira em grandes empresas e multinacionais e também passou a atuar como consultora empresarial na área de diversidade e inclusão. Para ela, as diferenças de renda média e remuneração evidenciam que os gargalos para redução da desigualdade racial entre profissionais perpetuam-se para além da admissão.

Embora exista um movimento recente de maior inclusão de negros no mercado de  trabalho – por meio de programas de trainees exclusivos para jovens pretos e pardos, por exemplo – é preciso pensar na retenção, remuneração e permanência desses profissionais, defende.

“Equidade racial não é só atrair para dentro da empresa. As empresas precisam pensar em estratégias para reduzir a desigualdade após essa inclusão”, afirma.

Segundo a consultora, o racismo estrutural persistente na sociedade brasileira reflete-se desde processos seletivos em que candidatos negros e pardos tenham as mesmas qualificações são preteridos até o momento em que o salário ou uma promoção definidas. Verônica e Sônia afirmam que os profissionais frequentemente se culpam pelo salário menor que recebem, atribuindo-os exclusivamente à própria formação ou desempenho, e são penalizados quando denunciam disparidades dentro das empresas.

E elas não se restringem ao salário. Verônica relata ter passado por situações explícitas de racismo em machismo em organização de assistência social em que trabalhou. Também relembra o momento, em outra empresa, em que seu gestor perguntou em frente à equipe como a profissional lavava os cabelos trançados.

Capacitar a alta liderança é medida estratégica para viabilizar a igualdade racial no mercado de trabalho, diz. Para atenuar a diferença salarial, avalia que as empresas precisam rever processos internos. “Elas precisam entender em quais momentos essas diferenciações entre os profissionais ocorrem e alterá-los para retirar esse viés”.

Sônia Lesse recomenda que os profissionais priorizem vagas em empresas que valorizem a competência profissional e equidade racial nos salários. “É importante também apontar os movimentos de exclusão que ocorrem e a responsabilidade das empresas em mudar esse cenário”.

EU ACHO …

SEM CARNE, SEM CARROS, SEM FILHOS

Até que ponto você está disposto a ir para ser ecologicamente correto?

“Eles” não fazem nada. “Eles” estão destruindo o planeta. “Eles” falam muito e agem pouco. Da rainha Elizabeth II à pirralhinha Greta Thunberg, todo mundo já teve um ou vários momentos de revolta contra a inação das autoridades competentes diante da degradação ambiental. O problema é que, nesse quesito, todos somos autoridades competentes. Na visão mais radical e menos confiante nas soluções tecnológicas, as dimensões da emergência ambiental exigem mudanças extremas de estilo de vida, muito maiores do que as reconhecidas pelos não iniciados. Até onde estamos dispostos a fazer sacrifícios em favor da limpeza do planeta? É conveniente conhecer algumas dessas mudanças e contemplar o que seria uma vida ecologicamente correta segundo padrões que emergem entre minorias e aos poucos vão se disseminando por estratos sociais mais amplos.

Roupas novas a toda hora, viagens de férias de avião e até banhos diários, confortos que se tornaram sinônimo de civilização, estão na lista negra. Churrasco, nem pensar. Tudo na criação de animais para consumo humano é considerado anátema para os ambientalistas, desde as pastagens onde 1 bilhão de cabeças de gado pisoteiam terras outrora virgens até os gases intestinais emitidos pelos simpáticos ruminantes. Bebidas e alimentos processados, embalados, envoltos em caminhas de plástico ou isopor? Esqueçam. E não adianta achar que separar o material reciclável alivia a barra. Reciclar embalagens plásticas “nem começa a resolver o problema”, avisou recentemente Boris Johnson, o primeiro-ministro que quer colocar o Reino Unido na vanguarda das mudanças ambientais nem que isso custe 1,4 trilhão de libras só para zerar a pegada de carbono até 2050. Johnson é do Partido Conservador, que normalmente seria mais simpático às necessidades da produção do que da conservação, mas também é antenado e entende o apoio da opinião pública ao combate aos estragos no meio ambiente. Pelo menos antes de saber quanto isso custa em impostos adicionais.

O primeiro-ministro britânico é um amador diante do príncipe Charles, um ecologista avant la lettre, pioneiro na implantação da agricultura orgânica. Ridicularizado, no passado, por falar com plantas, hoje ele fala como uma autoridade mundial no assunto e ganhou um palco especial na COP26. “Sei que estamos falando de trilhões, não de bilhões de dólares”, disse o futuro rei, apelando a uma mobilização ao “estilo militar” por parte das indústrias privadas. Na sua visão do futuro, as cidades serão recortadas por corredores verdes, por onde moradores vão caminhar ou pedalar por cinco a dez minutos até o trabalho. Pelo menos Charles teve a honestidade de avisar que vai custar caro.

A vida sem carros é até normal, se comparada à vida sem filhos. Uma pesquisa feita no ano passado nos Estados Unidos mostrou que a preocupação ambiental influenciou 26% dos adultos sem filhos na decisão de não procriar. É triste a demonstração de descrença na civilização manifestada quando números significativos de pessoas resolvem não ter filhos porque acham que agravarão a degradação ambiental. Parecem ter desistido da humanidade e da formidável capacidade de percepção de Albert Camus quando disse que “a grandeza do homem está na sua decisão de ser mais forte do que a sua condição”.

*** VILMA GRYZINSKI

ESTAR BEM

AERÓBICO ANTES DA MUSCULAÇÃO TRAZ GANHO DE MASSA MAIOR

Estudo desvendou antiga polêmica sob a ordem dos exercícios cardiovasculares e de resistência com análise molecular

Andar ou correr antes de malhar pode ampliar os efeitos da série anaeróbica, de acordo com um novo estudo sobre os impactos moleculares da combinação de exercícios cardiovasculares e de resistência em um único trino. A pesquisa, que analisou oito homens fisicamente ativos, descobriu que praticar 20 minutos de pedalada intensa pouco antes da malhação de membros superiores altera o funcionamento interno dos músculos, preparando-os para crescer mais do que apenas com levantamento de peso.

O novo artigo, publicado na revista Scientific Reports, oferece orientação prática sobre como estruturar um treino de academia para obter o máximo benefício. É também um lembrete estimulante de quão potentes e abrangentes podem ser os efeitos do exercício.

Por décadas, treinadores e cientistas debateram se e como misturar exercícios cardiovasculares e de resistência. Alguns pequenos estudos sugerem que a combinação dos dois pode aumentar os ganhos prováveis de cada um, especialmente do treinamento de resistência – quase todos esses experimentos foram realizados em homens. Mas, outras pesquisas  indicam que exercícios aeróbicos podem reduzir as melhorias de força decorrentes do levantamento de peso.

Os autores de alguns desses estudos especulam que as mudanças moleculares dentro dos músculos, causadas pela caminhada ou corrida, acabam dificultando alguns dos outros resultados desejáveis do levantamento de peso, um efeito chamado interferência do exercício. A fadiga muscular também pode ter um papel importante, já que, na maioria dos estudos que combinam cardio e resistência, os voluntários exercitam apenas a parte inferior do corpo, usando as pernas tanto para caminhar ou correr, por exemplo, como para o exercício de força. Cansados com o trabalho anterior, imagina-se, os músculos das pernas podem ficar incapazes de responder idealmente ao treinamento anaeróbico.

Mas, e se os dois tipos de exercício visassem grupos de músculos completamente diferentes, como pernas durante a pedalada e braços durante a série de musculação? Esse foi o cenário apresentado por Marcus Moberg, professor da Escola Sueca de Esportes e Ciências da Saúde em Estocolmo, que estuda saúde muscular e metabolismo. Nesse caso,o exercício cardiovascular para a parte inferior do corpo aumentaria os benefícios do treinamento com pesos para a porção superior do corpo? Ou teria impacto nulo ou negativo?

Para saber mais, ele e seus colaboradores recrutaram oito homens adultos ativos em Estocolmo e os convidaram ao laboratório para medir sua aptidão aeróbica e força atuais. Então, depois que os homens se familiarizaram com o equipamento de treino do  laboratório, os pesquisadores pediram a eles, em uma visita separada, que completassem um treino de duas partes.

Os homens começaram com uma pedalada intensa intervalada. Depois de alguns minutos de descanso, eles passaram a usar aparelhos de musculação para a parte superior do corpo. Em outra visita ao laboratório, o grupo completou a mesma série de levantamento  de peso, mas sem pedalar antes.

Os pesquisadores coletaram sangue e colheram amostras de tecido muscular do bíceps dos homens antes, imediatamente depois, 90 minutos depois e três horas após cada treino – o principal motivo pelo qual as mulheres não foram incluídas, disse Moberg, foi que os tríceps menos desenvolvidos delas tornam essas biópsias repetidas difíceis e possivelmente prejudiciais.

NO MICROSCÓPIO

Finalmente, os cientistas examinaram microscopicamente as amostras, procurando substâncias que indicassem como seus músculos respondiam aos exercícios, com ênfase especial nas proteínas e marcadores de atividade genética que se acredita influenciarem a resistência cardiovascular e a produção de massa muscular.

Eles os encontraram. Depois da sessão em que apenas realizaram o treinamento de peso, os músculos dos homens fervilhavam de proteínas e marcadores genéticos conhecidos por ajudar a iniciar o crescimento muscular. Essassubstâncias também abundaram após o treino que incluiu a pedalada, mas foram acompanhadas por outras proteínas e atividades genéticas associadas a uma resistência melhorada.

Com efeito, após o treino duplo, os músculos dos homens pareciam preparados para aumentar tanto em tamanho quanto em resistência, sem nenhuma evidência de que a pedalada havia interferido, em nível molecular, no levantamento de peso. Em vez disso, o exercício aeróbico parecia ter ampliado e intensificado os benefícios.

“A descoberta mais fascinante é que alguns fatores bioquímicos evocados pelo exercício cardiovascular das pernas entraram na corrente sanguínea e foram capazes de Influenciar processos em um grupo de músculos completamente diferente, e de uma forma que parece ser benéfica para a adaptação do treinamento de braços”, disse Moberg. “É quase como se o exercício de resistência realizado pelas pernas estivesse sendo transferido até certo ponto para os braços”.

Questionado sobre o experimento ser limitado a homens, Moberg disse que “não há nenhuma razão para acreditar que os efeitos seriam diferentes nas mulheres”, acrescentando que ele e seus colegas esperam incluí-las nos próximos experimentos com menos biópsias.

O estudo conduzido por Moberg também foi de curto prazo e analisou exercícios de cardio seguidos de treinamento com peso, e não o contrário. Alguns experimentos anteriores sugerem que levantar peso antes tem pouco impacto, para melhor ou pior, no exercício aeróbico posterior. Mas esses estudos se concentraram nas pernas, então ainda não se sabe se trabalhar os braços antes do cardio pode valer a pena ou vice-versa.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O CÉREBRO SOCIAL

Cientistas descobrem circuito neural que gerencia as interações humanas em grupo

Os humanos são seres sociais, que precisam do contato com outros indivíduos para a manutenção do próprio bem-estar. Isso ficou ainda mais claro durante o difícil período de isolamento imposto pela pandemia. Mas, apesar dessa característica marcante não só da raça humana, mas também de muitas espécies animais, só agora a ciência começa a desvendar o processo neuronal que gerencia a complexidade das interações sociais entre grupos de indivíduos.

Seja conversando com amigos em um jantar ou em uma reunião no trabalho, a comunicação com outras pessoas requer um conjunto complexo de tarefas mentais. Nossos cérebros devem rastrear quem está falando e o que está sendo dito, bem como qual pode ser nossa relação com o interlocutor, assim como nossa reação ao seu comportamento.

As primeiras evidências de como isso funciona foram publicadas recentemente em dois estudos na revista Science. No primeiro deles, pesquisadores do Massachusetts General Hospital, ligado à Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Mostraram que neurônios no córtex pré-frontal dorso medial (dmPFC), uma área do cérebro conhecida por seu papel na cognição social, desempenham um papel fundamental na nossa interação com outros   membros durante uma conversa em grupo.

Para isso, eles realizaram um experimento com macacos Rhesus. Esses animais são conhecidos por formar interações e alianças duradouras com não-parentes e por se envolverem em um comportamento mutuamente benéfico com base na reciprocidade entre os membros do grupo. No estudo, três desses primatas foram colocados em volta de uma mesa giratória e podiam oferecer, em sequência, uma fatia de maçã a um dos outros membros do grupo. Durante essas interações os pesquisadores registraram a atividade de neurônios do córtex pré­ frontal dorso medial.

Os resultados mostraram que os animais retribuíram ofertas anteriores e retaliaram quando não foram contemplados com a maçã. Isso indica que os macacos não só mantiveram o controle de suas interações com indivíduos específicos, como foram capazes de responder de forma adaptativa ao comportamento desses indivíduos.

Durante essa ação, foram registrados diferentes padrões de atividade cerebral, que variaram de acordo com o ato de cada um dos membros do grupo e da reação individual de cada um.

“Neste estudo, identificamos neurônios na parte frontal média do cérebro dos primatas que abrigam informações sobre a identidade de outros indivíduos e seu comportamento específico (ou seja, quem fez o que a quem e como). Esses cálculos são essenciais para o comportamento social eficaz porque podem permitir que se rastreie o comportamento complexo de outros indivíduos, como eles podem interagir com os outros e como essas interações podem, em última análise, afetar os próprios resultados”, explica o coordenador do estudo Raymundo Báez-Mendonza, do departamento de neurocirurgia do Massachusetts General Hospital.

CONDIÇÕES PSIQUIÁTRICAS

Além disso, quando a atividade normal desses neurônios foi interrompida propositalmente pelos pesquisadores, os animais mostram-se menos propensos a retribuir o pedaço recebido, sugerindo que esses neurônios são importantes na condução de interações benéficas. A equipe acredita que a descoberta dessa rede de neurônios pode ajudar a desenvolver tratamentos para condições neuropsiquiátricas, como depressão, ansiedade e psicoses.

“Em condições em que a capacidade de criar um mapa cognitivo do que os outros estão fazendo está comprometida, os tratamentos que visam aprimorar o funcionamento dessa área do cérebro, direta ou indiretamente, podem melhorar a vida das pessoas”, diz o pesquisador americano.

Outro estudo, publicado na mesma edição da Science, analisou o comportamento de morcegos frugívoros egípcios. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, concluíram que neurônios do córtex frontal desses animais são responsáveis por ajudar a distinguir as vocalizações entre os diferentes indivíduos de um grupo. Isso fornece o primeiro vislumbre de como os cérebros dos mamíferos processam interações complexas em grupo.

Pode parecer pouco, mas, de acordo com os pesquisadores, esse estudo pode ter implicações importantes para a melhoria da saúde mental humana ao ajudar a entender porque alguns indivíduos podem navegar em quase qualquer situação social com facilidade, enquanto outros são constantemente condenados ao ostracismo ou incompreendidos.

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