EU ACHO …

A SARNA DA DISCÓRDIA

Foi amor à primeira vista. Chegaram à noite e, no meio da escuridão, só se enxergava uma pequenina casa azul do tipo pescador e uma minúscula sala cercada por dois quartos ainda menores. Era perfeita, acolhedora e cheia de personalidade. A casa não poderia ser sua, mas era como se fosse.

O proprietário parecia ter encontrado a parceira ideal para cuidar da diminuta morada azul, já que ele mesmo vivia em outro Estado. Seria ali seu pequeno refúgio, longe da megalópole por alguns dias a cada semana. Das salas com pés-direitos altíssimos à sala do tamanho de um humano, das lareiras enormes que agora tinham acabamento em mármore a pequenina lareira de tijolos ao fundo, das salas de banho com duas ou mais pias e espaços para se esconder do parceiro ao banheiro compartilhado sob medida.

Ela sentia uma sensação de “justa medida”, um equilíbrio entre os extremos que vivia. Parecia incrível alguém ter mantido a essência da palavra casa, revelando a verdade mais íntima sobre o ambiente.

E assim se passaram seis anos, entre viagens pelo mundo cercada de maiores e melhores para o ambiente reduzido que trazia a noção verdadeira do espaço necessário. Mas a vida não são só flores e poesia e de tempos em tempos o equilíbrio entre a inquilina e o proprietário era rompido. A imagem do Cristo de madeira na frente da casa e que a recebeu de braços abertos no primeiro dia tinha sido arrancada durante uma das tempestades de verão. O teto do quarto parecia mais baixo a cada mês e antes de dormir ela olhava para ele pensando se cederia em algum momento.

A grama do jardim precisava de cuidados e suas reclamações aumentavam na mesma medida da reação do proprietário a qualquer ajuste. Até que “ela” apareceu. Durante alguns dias, uma prima próxima se hospedou como convidada. Saiu feliz, mas, ao chegar à cidade grande, foi acometida por uma coceira desesperadora e um terrível diagnóstico: sarna. Ligou para a prima para relatar o ocorrido e essa, mais desesperada ainda, ligou para o proprietário de seu Céu Azul já sem paciência. Pediu para trocar os colchões e ouviu que eles seriam trocados em meses. E foi assim que a pequena casa caiu. A virtude da simplicidade se transformou na sua frente no vício da avareza. O caminho do meio pedindo espaço para o equilíbrio dinâmico entre o mais e o menos foi negado. Talvez seja preciso encontrar outro céu e novas perspectivas, sem a sarna para se coçar.

*** ALICE FERRAZ

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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