EU ACHO …

PEQUENAS GRANDES ALEGRIAS

Dia ensolarado no Rio de Janeiro, e eu rumo à nublada capital paulista, para ir à São Paulo Fashion Week. Muito bem acompanhada, ouvindo “Mano a Mano”, podcast do rapper Mano Brown – e recomendo fortemente, se você ainda não ouviu. No voo, reproduzi o episódio com a entrevista dos atores Tais Araújo e Lázaro Ramos. Uma questão em especial me tocou. Mano pergunta se é possível que diretores brancos falem e construam, com propriedade e complexidade, personagens negros, para além das narrativas engessadas e limitadas que conhecemos. De um lado, Taís acredita que eles não pesquisam o suficiente por achar que sabem tudo sobre pessoas negras. E, por esta presunção, não conseguem desenvolver a multiplicidade e a densidade das narrativas.

Além disso, ela ressalta a necessidade de ter pessoas negras com poder de decisão, entre diretores e produtores, para contar narrativas a partir de suas próprias visões, com suas estéticas e linguagens. E que estejam em maior número nos sets, não apenas como consultores contratados, isolados ou “tokenizados” nas equipes majoritariamente brancas, com a função apenas corrigir frases racistas.

Logo após esse trecho, pausa no podcast: aterrissamos em São Paulo. Chego ao destino em pleno Dia da Consciência Negra, convidada para ver, ao vivo e a cores, os desfiles potentes de Az Maria, Angela Brito e Apartamento 03, que tocou profundamente a todos com seu conceito de cura. E ainda Isaac Silva falando lindamente da Bahia com um ambiente envolvente, dançante e muitas cores.

No dia seguinte, de volta ao Rio, vi, em Niterói, Lenny nas passarela. Todos estes desfiles representaram, para mim, um momento histórico.

Gente, vivi para ver a SPFW com cotas para, pelo menos, 50% de pessoas negras, indígenas, gordas e com cabelos brancos nas passarelas. Que bom que ações afirmativas estão aí, como direitos conquistados para sustentar as oportunidades para grupos antes desfavorecidos. “Pelas pequenas (ou grandes) alegrias da vida adulta, eu vou”, parafraseando Emicida. Chorei, confesso, por ver um caminho pavimentado por tantas e tantos se tornar, finalmente, parte de uma realidade possível e, tomara, perene. Uma representatividade mais próxima ao que é a população brasileira em suas cores, origens, corpos, idades, e não um copia-cola, tentando imitar a moda europeia e seus padrões. Passou um filme na minha mente, de anos atrás, quando fui modelo de passarela e os agentes não me enviavam aos castings por ser negra. Ou quando só era escolhida para trabalhos com temas “étnicos”, relativos à África, como se pessoas negras não pudessem aparecer em qualquer desfile ou campanha.

Voltando para 2021, sei que avançamos. Notei tanta gente negra que admiro sentada na fileira A, ocupando a maior parte da plateia de alguns dos desfiles. Incrível! Mas muitas daquelas cenas históricas e dignas de registros passaram em branco por muitos fotógrafos, que ainda precisam atualizar seus olhares para referências não brancas. E outros tantos avanços se fazem necessários, especialmente na inclusão de mais pessoas com deficiências nestes espaços, por exemplo.

Concordo com Taís e Lázaro que a inclusão é um processo sedento. Sempre queremos e precisamos de mais. Precisamos dos criadores, das plateias, de mais fotógrafos, mais jornalistas e assessores de imprensa negros e diversos em todos os espaços. Precisamos ampliar o poder e a forma da construção das novas narrativas. E que este amplo conceito de inclusão chegue num ritmo tão rápido quanto o andar nas passarelas.                            

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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