OUTROS OLHARES

TATUAGEM SUBCUTÂNEA QUE APAGA SOZINHA FAZ SUCESSO E GERA POLÊMICA

Empresa dos EUA concebeu tinta especial que desbota em até 15 meses, mas profissionais criticam efemeridade da ‘obra’

Uma empresa americana chamada Ephemeral lançou uma tinta corporal que desaparece naturalmente de nove a 15 meses após ser aplicada, e isso está desencadeando um debate existencial sobre compromisso e efemeridade, do qual algumas pessoas alegam que a nova tecnologia – que usa o mesmo método, de tatuagens tradicionais, aplicadas com agulhas e tinta sob a pele – anula completamente o propósito desse tipo de arte corporal. Afinal, por que as pessoas se tatuam?

Joanna Acevedo, de 24 anos, que trabalha em uma sorveteria no Brooklyn, em Nova York, tem mais de 100 tatuagens por todo o corpo – a única parte não tatuada são os seios, diz ela. Muitas das tatuagens são aleatórias, afirma, listando “um crocodilo, uma caveira de gato, um arame farpado, as palavras steak fry (batata frita), uma águia, um cacto e uma casquinha de sorvete”.

“Gosto do fato de serem permanentes, porque fazem parte de mim. Representam um momento na minha vida, e gosto de viver com toda a minha história”, disse Acevedo, que compara as tatuagens que não gosta a cicatrizes, outro resquício de más escolhas de sua juventude.

Apesar do desafio que é se comprometer com uma tatuagem permanente, os arrependimentos são tão antigos quanto as próprias tatuagens. E às vezes, a correção          envolve muito esforço, como na remoção de tatuagens a laser.

”Uma luz de laser quebra as partículas da tatuagem e as fragmenta, mas pode levar de duas a mais de 10 sessões dependendo do tamanho da tatuagem”, explica Roy Geronemus, diretor do Centro de Cirurgia a Laser e Pele de Nova York. Vejo vários pacientes que tomam decisões precipitadas, sem pensar muito na natureza duradoura do que fizeram.

Tatuagens temporárias já são bastante comuns no mundo cosmético a exemplo da micropigmentação de sobrancelhas.

“A ferramenta utilizada faz arranhões do tamanho de cortes do papel que parecem traços de cabelo”, afirma Piret Aava, dono da Eyebrow Doctor, empresa especializada em micropigmentação de sobrancelhas e tatuagens delineadoras. “Ela insere um pigmento que passa por baixo da pele e tem que ser mantido seco por uma semana até que a pele cresça em cima e prenda o pigmento por baixa.

Dependendo da rapidez com que sua pele metaboliza o pigmento (além do seu estilo de vida e de que tipo de produtos você usa), a micropigmentação da sobrancelha pode durar de um a três anos, enquanto as tatuagens delineadoras tendem a permanecer por três a cinco anos, já que a pele das pálpebras é diferente da pele da testa.

SUCESSO IMEDIATO

A tinta que desbota da Ephemeral foi inventada por dois engenheiros químicos especializados em proteínas, Brennal Pierre, de 41 anos, e Vandan Shab, de 33. Eles se conheceram na Universidade de Nova York, onde Pierre era professor adjunto e Shab era candidato a Ph.D.

O trabalho deles começou em 2014, quando um dos alunos de Pierre, que também era assistente de pesquisa de Shab, estava passando por um processo de remoção de tatuagem a laser muito caro e doloroso, e queria saber se seria possível removê-la com uma enzima. A dúvida captou a atenção de Pierre e Shab imediatamente.

“Foi tão intrigante para nós”, disse Pierre, que passou os próximos sete anos desenvolvendo com Shab uma tinta que seria decomposta pelo mecanismo natural do corpo.

O sucesso foi quase imediato. Desde 2015, a Ephemeral arrecadou mais de USS 26 milhões, afirmam. Seu primeiro estúdio abriu no Brooklyn em março, com uma fila de espera de oito meses, a partir de junho. Uma segunda unidade foi Inaugurada em Los Angeles no final do mês passado.

“Temos gente vindo da Cidade do México”, disse Jeff Liu, de 33 anos, executivo-chefe da empresa, que já trabalhou para Tesla e Casper.

Geronemus explica que tatuagens permanentes são feitas com “uma técnica de agulha que penetra na derme, parte inferior da pele e que “assim que a tinta é depositada, ocorre uma resposta inflamatória que envolve as partículas de tinta e cria uma matriz que permite que a tinta não saia do lugar ou desapareça por conta própria”, ou seja são células inflamatórias que circundam a tinta e permitem que ela permaneça no lugar”. Em contraste, a tinta da Ephemeral é feita de um material que o corpo decompõe naturalmente com o tempo. A tinta funciona de maneira semelhante a dispositivos médicos biodegradáveis, como stents usado em implantes ou sutura utilizada em pontos. Esse produtos, como a tinta, são decompostos naturalmente pelo oxigênio e pela água disponíveis no corpo.

“Era mais do que criar tinta”, disse Shab. “Precisávamos entender como funciona o corpo, camo ele lida com a tinta, o que a tinta faz quando entra no corpo.

Durante anos, eles tentaram usar várias tintas diferentes, tatuando linhas e círculos simples em si mesmos. Quando se aproximaram de um produto que funcionou, convidaram quatro amigos e um tatuador para participarem de um ensaio informal. Em seguida, fizeram um estudo clínico que foi supervisionado e aprovado por um conselho  consultivo formado por engenheiros químicos e dermatologistas.

CONTROVÉRSIAS

Nos EUA, fabricantes de tintas para tatuagem não são obrigados a divulgar seus ingredientes e não precisam de aprovação da Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora de medicamentos americana. Apesar disso, Pierre e Shab, que não divulgam a composição da tinta da Ephemeral, afirmam utilizar apenas componentes autorizados pela FDA para uso em produtos como cosméticos ou dispositivos médicos. Para a dermatologista Marie Lager isto não é suficiente.

“É difícil falar sobre segurança sem saber o que tem na tinta”, disse ela. “Eu também seria cética em relação a tranquilizar meus pacientes sobre sua segurança, porque não tenho dados suficientes. As tatuagens regulares já existem há muito tempo então aprendemos sobre elas. Mas isso é novo.

Pierre e Shab estão constantemente tentando melhorar sua tinta. Atualmente, a empresa não permite que os clientes façam tatuagens nas mãos, pés ou rostos porque esses locais não foram totalmente testados.

A Ephemeral estima que mais da metade de seus clientes são pessoas fazendo sua primeira tatuagem, como Barbara Edmonds, de 27 anos, que trabalha para uma empresa de vendas de mídia e mora em Nova York.

“Tenho fobia a compromissos. Nunca seria capaz de encontrar algo que quisesse manter na minha pele para sempre. Isso me deixa nervosa”, disse ela, antes de explicar porque se interessou pela Ephemeral – “O slogan deles é “Não me arrependo de nada e é  basicamente por isso que decidi tentar.”

Keith McCurdy, tatuador conhecido como Bang Bang, que trabalha em Nova York há mais de 16 anos, discorda da Ephemeral. “Esse produto parece mover a agulha para trás, por falta de um termo melhor”, disse ele por e-mail. “Uma tatuagem projetada para não durar  diminui potencialmente o valor dessa forma de arte, que historicamente lutou para alcançar o valor monetário de outras como pintura ou escultura”.

Pra Sue Jeiven, uma famosa tatuadora do Brooklyn que atende por Sweet Sue, os tatuadores, assim como escultores e pintores, se esforçam para fazer belas artes que durem.

“Passamos nossas carreiras inteiras tentando descobrir o mistério de como obter linhas bonitas, limpas e sólidas para assentar na pele perfeitamente e permanecer para sempre”, disse ela. “Tenho vontade de chorar ao ver todo esse trabalho duro simplesmente desaparecer.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 11 DE DEZEMBRO

É MELHOR VIVER SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADO

Melhor é morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda (Provérbios 21.19).

O casamento foi instituído por Deus para ser uma fonte de felicidade, mas pode converter-se num cenário cinzento de muitas angústias. O casamento pode ser um jardim engrinaldado ou um deserto causticante; um campo de liberdade ou uma masmorra de opressão; uma antessala do céu ou o porão do inferno. Viver sozinho é melhor do que mal acompanhado. Melhor é viver sozinho como um beduíno do deserto do que com uma mulher briguenta e amargurada. A solidão é melhor do que viver na companhia de uma mulher que passa o tempo todo resmungando e se queixando. Uma mulher impaciente e destemperada emocionalmente transtorna a vida do marido. Essa mulher derruba sua casa com as próprias mãos. Faz mal a seu marido todos os dias da sua vida e transforma o casamento num pesadelo. Os jovens precisam estar com os olhos bem abertos antes do casamento, pois casar com uma mulher descontrolada é viver encurralado numa arena de perturbação e estresse. É melhor ficar solteiro do que fazer um casamento errado. A solidão é preferível a um casamento turbulento.

GESTÃO E CARREIRA

TRABALHADORES RECLAMAM DE REGIME HÍBRIDO

Retorno parcial exige o uso de videochamadas em reuniões, que geram diversos empecilhos e falhas na comunicação

Durante meses a pista de minigolfe ficou abandonada. As poltronas  “sacos” estavam vazias. O quadro branco da cozinha, acima de onde costumava ficar o barril, exibia em tinta desbotada “chopes” de uma happy hour feita em março de 2020.

‘Mas num dia de semana recente havia um sinal de vida na área comum: bagels frescos. Conforme os funcionários da startup de tecnologia financeira Common Bond eram vacinados contra Covid e enlouqueciam seus apartamentos, eles começaram a voltar para o escritório. “Chamamos isso de Quarta-feira do Trabalho no Trabalho”, disse Keryn Koch, diretora de recursos humanos da empresa, que tem 1.400 metros quadrados de espaço iluminado pelo sol no bairro do Soho, em Nova York.

A certa altura, o outono foi anunciado em toda a América corporativa como a Grande Reabertura dos Escritórios. Mas surgiu a variante delta e os planos de retorno obrigatório ao escritório tornaram-se opcionais.

Ainda assim, muitas pessoas optaram por se reportar a suas mesas: a porcentagem de pessoas empregadas que trabalharam remotamente em algum momento durante o mês por causa da Covid, que atingiu o pico em maio de 2020, com 35% -, caiu em outubro para 11% – o ponto mais baixo desde o início da pandemia, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho. Um olhar mais atento para a força de trabalho em Nova York, a partir de uma pesquisa de novembro com 188 grandes empregadores, mostrou que 8% dos funcionários de escritórios de Manhattan voltaram aos locais de trabalho em tempo integral, 54% estão totalmente remotos e todos os outros – quase 40% – são híbridos.

Poucos estão achando que é um período de transição suave. Algumas empresas usaram suas datas provisórias de volta ao escritório como uma desculpa involuntária para evitar perguntas sobre como equilibrar as necessidades dos funcionários remotos e presenciais, segundo Edward Sullivan, que é coach de executivos.

Isso resultou em um meio termo piegas: videochamadas em que os trabalhadores remotos têm problemas para escutar, uma sensação de que as pessoas em casa estão perdendo vantagens (colegas de trabalho) e as do escritório também (pijamas).

E o que está em jogo não é apenas quem está sendo falado nas reuniões. É se a flexibilidade é sustentável, mesmo com todos os benefícios que ela oferece. “Muitas empresas vão errar”, disse Chris Herd, empresário e especialista em trabalho híbrido.

Recentemente, Brett Hautop, chefe de local de trabalho do LinkedIn, sentou-se em uma sala de conferências ouvindo um argumento de venda de um fornecedor global. A empresa queria vender seus serviços para o LinkedIn para ajudar a promover o trabalho hibrido eficaz. Mas as pessoas que estavam fazendo a proposta viraram as costas para a câmera de vídeo, de modo que os funcionários do LinkedIn que estavam em videoconferência não podiam vê-los.

“Enquanto eles falam sobre como é difícil para as pessoas a distância acompanharem as conversas, eles cobrem a câmera”, disse Hautop. “As pessoas da minha equipe me diziam ‘Não acredito que eles estão fazendo isso’. E eu me desculpava, dizendo: ‘Pessoal, sinto muito que isso esteja acontecendo; aparentemente, eles não percebem”.

No verão passado, o LinkedIn disse a seus 16 mil funcionários em todo o mundo que seu plano de retorno ao escritório, anunciado em outubro de 2020, havia sido descartado e que cada departamento decidiria onde seu pessoal deveria trabalhar, tornando-se uma das mais de 60 empresas que prometeram alguma forma permanente de flexibilidade.

Hautop e sua equipe avaliaram as dificuldades geradas por essa abordagem. Eles atualizaram o equipamento audiovisual em salas de conferência e consideraram a distribuição de anéis de iluminação para os funcionários em suas mesas, para que seus rostos não ficassem mal iluminados nas ligações. Eles planejaram sessões online para que os funcionários pudessem lembrar do que eles gostavam no escritório.

“Híbrido é, definitivamente mais difícil do que completamente presencial ou completamente remoto”, disse Hautop. “É preciso muito mais planejamento, e nenhum de nós, ou qualquer outra pessoa em qualquer empresa, descobriu exatamente como vai funcionar”.

A Asana, que fabrica software de colaboração recentemente reuniu seus executivos para planejar a reabertura oficial do escritório. Metade dos participantes estava na sede de San Francisco e a outra metade participava por videoconferência.

Os trabalhadores remotos, incluindo o CEO da empresa, começaram a perder a paciência quando as pessoas na sala conversavam entre si e faziam comentários laterais.

“Estávamos brincando que se não gostássemos do que alguém estava dizendo na tela poderíamos simplesmente silenciá-lo”, disse Anna Binder, chefe de pessoal da empresa.

“Passamos por uma experiência tão terrível que decidimos no final daquela reunião que todas as reuniões executivas daqui para frente serão presenciais”, disse ela. “Ou serão totalmente remotas. Não vamos fazer o meio termo”.

Binder se preocupa com quais companheiros de equipe têm maior probabilidade de sofrer as dores de cabeça do sistema híbrido. Muitos executivos disseram que os funcionários com responsabilidades de cuidadores têm maior propensão a trabalhar remotamente quando têm essa opção.

Uma pesquisa da plataforma de empregos FlexJobs descobriu que 68% das mulheres preferem que seus empregos permaneçam remotos por mais tempo, em comparação co57% dos homens.

Outro estudo, da Qualtrics e the BoardList, concluiu que 34% dos homens com filhos tinham recebido promoções enquanto trabalhavam remotamente, em comparação com apenas 9% das mulheres com filhos.

“Se você der às pessoas liberdade para escolher o que fazer e onde trabalhar”, disse Binder, “as mulheres são mais propensas a aproveitar a flexibilidade de trabalhar em casa. O que significa que elas, por sua vez, estarão menos na sala onde isso acontece”.

Não é difícil imaginar todas as maneiras como os trabalhadores remotos podem ser prejudicados: silenciados em uma discussão acalorada, excluídos do convívio social na hora do almoço.

Mas Nicholas Bloom, um professor de Stanford que pesquisou centenas de empresas híbridas disse que em muitos locais de trabalho os funcionários presenciais se sentiam igualmente desprezados. “É a regra do americano na Europa”, disse Bloom. “Quando um americano viaja para o exterior, você olha ao redor da sala e todos estão falando inglês para ajudá-lo. Se houver uma pessoa trabalhando em casa, todos no escritório se conectam à reunião.”

EU ACHO …

PEQUENAS GRANDES ALEGRIAS

Dia ensolarado no Rio de Janeiro, e eu rumo à nublada capital paulista, para ir à São Paulo Fashion Week. Muito bem acompanhada, ouvindo “Mano a Mano”, podcast do rapper Mano Brown – e recomendo fortemente, se você ainda não ouviu. No voo, reproduzi o episódio com a entrevista dos atores Tais Araújo e Lázaro Ramos. Uma questão em especial me tocou. Mano pergunta se é possível que diretores brancos falem e construam, com propriedade e complexidade, personagens negros, para além das narrativas engessadas e limitadas que conhecemos. De um lado, Taís acredita que eles não pesquisam o suficiente por achar que sabem tudo sobre pessoas negras. E, por esta presunção, não conseguem desenvolver a multiplicidade e a densidade das narrativas.

Além disso, ela ressalta a necessidade de ter pessoas negras com poder de decisão, entre diretores e produtores, para contar narrativas a partir de suas próprias visões, com suas estéticas e linguagens. E que estejam em maior número nos sets, não apenas como consultores contratados, isolados ou “tokenizados” nas equipes majoritariamente brancas, com a função apenas corrigir frases racistas.

Logo após esse trecho, pausa no podcast: aterrissamos em São Paulo. Chego ao destino em pleno Dia da Consciência Negra, convidada para ver, ao vivo e a cores, os desfiles potentes de Az Maria, Angela Brito e Apartamento 03, que tocou profundamente a todos com seu conceito de cura. E ainda Isaac Silva falando lindamente da Bahia com um ambiente envolvente, dançante e muitas cores.

No dia seguinte, de volta ao Rio, vi, em Niterói, Lenny nas passarela. Todos estes desfiles representaram, para mim, um momento histórico.

Gente, vivi para ver a SPFW com cotas para, pelo menos, 50% de pessoas negras, indígenas, gordas e com cabelos brancos nas passarelas. Que bom que ações afirmativas estão aí, como direitos conquistados para sustentar as oportunidades para grupos antes desfavorecidos. “Pelas pequenas (ou grandes) alegrias da vida adulta, eu vou”, parafraseando Emicida. Chorei, confesso, por ver um caminho pavimentado por tantas e tantos se tornar, finalmente, parte de uma realidade possível e, tomara, perene. Uma representatividade mais próxima ao que é a população brasileira em suas cores, origens, corpos, idades, e não um copia-cola, tentando imitar a moda europeia e seus padrões. Passou um filme na minha mente, de anos atrás, quando fui modelo de passarela e os agentes não me enviavam aos castings por ser negra. Ou quando só era escolhida para trabalhos com temas “étnicos”, relativos à África, como se pessoas negras não pudessem aparecer em qualquer desfile ou campanha.

Voltando para 2021, sei que avançamos. Notei tanta gente negra que admiro sentada na fileira A, ocupando a maior parte da plateia de alguns dos desfiles. Incrível! Mas muitas daquelas cenas históricas e dignas de registros passaram em branco por muitos fotógrafos, que ainda precisam atualizar seus olhares para referências não brancas. E outros tantos avanços se fazem necessários, especialmente na inclusão de mais pessoas com deficiências nestes espaços, por exemplo.

Concordo com Taís e Lázaro que a inclusão é um processo sedento. Sempre queremos e precisamos de mais. Precisamos dos criadores, das plateias, de mais fotógrafos, mais jornalistas e assessores de imprensa negros e diversos em todos os espaços. Precisamos ampliar o poder e a forma da construção das novas narrativas. E que este amplo conceito de inclusão chegue num ritmo tão rápido quanto o andar nas passarelas.                            

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

ESTAR BEM

GOLPE NA ANSIEDADE

Equilíbrios mental e emocional estão entre os benefícios das artes marciais

Manter o equilíbrio emocional atualmente não é das tarefas mais fáceis, sobretudo no período pelo qual a humanidade passa, com pandemia e todas as consequências trazidas  por ela. Um bom caminho para encontrar a saúde mental – que não está apenas relacionada à ausência de transtornos, mas também envolve o equilíbrio e a forma com que o indivíduo lida com sentimentos – pode ser no tatame, em lutas ou artes marciais.

Bianca Tomie, 32 anos, pratica kung fu há 11. Ela procurou a atividade no período de vestibular. As aulas, à época, a ajudaram a aplacar as crises de ansiedade. “O kung fu trabalha muito com disciplina. É preciso estar presente naquele lugar, fazendo exercício físico. E isso te ajuda a focar no momento, no agora, e a perder a aflição pelo que virá. Na luta não tem como mentir ou disfarçar a pessoa que você é. Isso te faz encarar seus problemas”, diz.

A arte marcial chinesa ajudou Bianca a regular o sono quando o filho nasceu e a ter confiança para dirigir. E mais: a incentivou na transição da carreira. Ela abandonou a engenharia civil e passou a trabalhar com desenvolvimento de software. Há 2 anos, começou a dar aulas de kung fu na academia em que treina. “Eu era muito tímida. Não imaginava que seria capaz de falar na frente de outras pessoas. O kung fu me ajudou a ver uma coisa difícil como um pequeno percurso, etapas simples que precisam ser vencidas.”

O shifu – o mestre ou líder no kung fu – de Bianca é Adriano Ropero, proprietário da academia Shi Zhan, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Ele, que ensina a luta desde 2001, explica que kung fu, em chinês, significa “pessoa excelente”. O centro é a pessoa, e não a luta em si.  “O aprendizado físico é o mais simples que tem. Agora, o espiritual é se conectar com a humanidade e com sua comunidade. Isso é desenvolvimento pessoal”, diz Ropero, que também é árbitro internacional.

Segundo ele, um dos principais objetivos de qualquer arte marcial é a supressão do ego, ou não dar lugar às emoções, positivas ou negativas, na execução de uma técnica. Quando a emoção toma conta, diz, o resultado é o nocaute, o que pode ser transposto para a vida. Ele explica que a arte marcial é a violência levada ao ápice. Isso não significa que o praticante comum vai lutar como nos combates de MMA ou nos filmes de Jackie Chan. Porém, o combate é essencial para alcançar objetivos.

TRANSTORNOS

O professor de Neurofisiologia da Unifesp, Ricardo Maria Arida diz que na literatura médica e esportiva há estudos que demonstram que a prática de esportes em geral, e também das artes marciais, traz benefícios. Além de contribuir para a melhora da cognição, auxilia na autoestima. Para quem sofre de depressão e ansiedade, por exemplo, a prática regular esportiva é benéfica, pois promove a regularização de neurotransmissores como adrenalina e dopamina.

E:m 2019, Arida publicou na revista científica Brazilian Journal of Medical and Biological Research, ao lado de outros profissionais – entre eles, o ortopedista Breno Schor, médico do Comitê Olímpico Brasileiro -, um estudo que acompanhou por dois anos 56 atletas da seleção brasileira de judô, homens e mulheres, com índices olímpicos ou mundiais. Essa investigação codificou uma proteína no sangue chamada BDNF (um fator neurotrófico),  relacionada à plasticidade cerebral, que são alterações estruturais e funcionais frente a estímulos internos ou externos. Cerca de 70 % dessa proteína presente no sangue advém do sistema nervoso.

No estudo, os judocas foram orientados a correr na esteira, um exercício repetitivo, para que o sangue deles fosse avaliado após a atividade. Em outro dia, os atletas simularam uma luta, um esporte coletivo, e o sangue foi igualmente avaliado. Nas duas situações (e os testes foram feitos na mesma frequência cardíaca), o BDNF aumenta. Porém, esse aumento foi maior após a luta – não houve diferença significativa entre os sexos.

“A sugestão do estudo é que atividades que requerem técnicas, estratégias, atenção e força, como as artes marciais, ativam mais as áreas cerebrais e, por consequência, o aumento desse fator”, explica Arida. Os pesquisadores observaram que, quando um indivíduo pratica uma atividade física, há o aumento da expressão dessa proteína no cérebro – e ela está relacionada com fatores como a sobrevida e a proliferação e manutenção das células do sistema nervoso. Isso traz, segundo ele, um bem-estar para o praticante. “Não só a arte marcial, mas também outros esportes coletivos. Eles desenvolvem esses aspectos de estratégias. Isso é demonstrado em exames de imagem.

Esse estímulo perdura no corpo de 30 a 40 minutos, no mínimo, em função da liberação de endorfina e serotonina (os chamados hormônios do prazer), no caso de atividades que variem de 30 minutos a 2 horas, de acordo com cada indivíduo.

Arida ainda comenta o que, em uma expressão popular, é descrito como uma sensação de ”mente esvaziada” durante uma luta. Segundo ele, isso vem da concentração que a arte marcial exige. Um movimento errado pode fazer com que você leve um golpe do adversário ou perca a disputa. “Você pode correr e pensar na vida? Pode. Você pode lutar e ficar pensando na vida? Talvez não”, diz.

NA BASE

O professor de jiu-jítsu Luciano Nucci, o mestre Casquinha, dá aulas da modalidade desde 1996. Responsável pela unidade Mooca da Alliance, equipe 12 vezes campeã mundial, com filiais em diferentes países, ele conhece a importância que a arte marcial nascida no Japão há mais de 3.600 anos – no Brasil, a família Gracie criou um método que ficou conhecido como jiu-jítsu brasileiro – tem não só para a saúde física, mas também para a mente.

De acordo com Casquinha, o tatame ajuda no autoconhecimento. “Você aprende a conhecer seus monstros e suas limitações e a buscar ferramentas para solucioná-los.  luta traz a evolução do seu eu.”

Na metodologia que ele aplica, os iniciantes fazem 60 aulas apenas para aprender os movimentos. Só então são expostos a confrontos com outros alunos – uma forma de exercitar a paciência e domar a ansiedade.

Ele explica que o aluno repete os movimentos até que ganhe consciência e excelência. Porém, no instante da luta, quando há movimentos casados, ele terá de agir como um jogador de xadrez. E, por isso, a concentração passa a ser uma aliada fundamental para responder ao oponente de forma satisfatória.

”O que você vive no tatame vive fora também. Se o cara chega todo desanimado para o treino, faixa mal arrumada, é porque ele é desorganizado. Se chega arrasado, certamente faz o mesmo no trabalho.”

Durante a pandemia, Casquinha decidiu investir na base e aperfeiçoar o método de ensino do jiu-jítsu para as crianças. O instrutor diz ter notado que elas estavam ficando cada vez mais inseguras, não só com as exigências e o excesso de informações do mundo moderno, mas também com as incertezas e perdas trazidas pela pandemia. Pequenas crises de pânico e ansiedade são queixas frequentemente relatadas pelos pais, segundo o instrutor.

Para montar a metodologia, Casquinha e a educadora física Cláudia Mendonça de Barros utilizaram os princípios da psicomotricidade – ciência que busca conectar aspectos emocionais, cognitivos e motores em diferentes faixas etárias.

“Há os jogos de luta, que ensinam a modalidade, e as brincadeiras. A linguagem das crianças menores é o brincar. Na parte motora, implantamos habilidade do equilíbrio, importante no jiu-jítsu. Elas vivenciam com o corpo uma situação na qual vão antecipar a ação do oponente por meio de um jogo de queimada, por exemplo”, explica Cláudia, proprietária da Movimento Mirim, empresa dedicada a cursos de atualização para professores de educação física e empresas.

Segundo ela, assim como os adultos, as crianças que se movimentam pelo menos três vezes por semana, em uma atividade física estruturada, têm ganho de habilidades como a memória. “Quando você oferece uma atividade física, você favorece a espontaneidade dela. Isso forma crianças mais centradas”, diz. ”A criança que tem um bom equilíbrio motor tem também um bom equilíbrio emocional.”

COMO O ESPORTE PODE AJUDAR NA SAÚDE MENTAL

***** O sedentarismo favorece o aparecimento de transtornos mentais. É importante se mexer.

***** Escolha um esporte que lhe dê prazer. Dessa forma, é mais fácil ele se tornar um hábito de vida.

***** Atletas quando se machucam e precisam ficar parados por longos períodos podem entrar em uma fase depressiva pela falta da atividade física. Isso mostra o quanto ela é importante quando vira rotina.

***** Uma atividade em grupo, como a arte marcial, promove a interação social. Para quem passa por um momento difícil, é uma boa opção ao esporte solitário.

***** Quem sofre de ansiedade e depressão pode ter dificuldade em começar a praticar uma arte marcial pela falta de motivação – e também por dificuldades cognitivas. Porém, ao iniciar a prática esportiva, logo os benefícios são sentidos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

BRASILEIROS SÃO A POPULAÇÃO QUE MAIS SE PREOCUPA COM SUA SAÚDE MENTAL

Três a cada quatro dizem pensar sobre o tema com frequência, aponta pesquisa feita em 30 países

O despertador de Helloá Castro tocou, mas daquela vez ela não conseguiu desligá-lo. Seus músculos não respondiam. “Pensei ‘estou morrendo’, mas eu estava tão mal, minha rotina era tão triste, que achei que se acabasse ali não seria tão ruim”, lembra a administradora.

Era uma crise de “burnout”, resultado de cinco meses de prazos impossíveis no novo emprego, somados a várias horas de estudo na faculdade e nenhuma de descanso. “Eu pensava que o sofrimento fazia parte do sucesso. Trabalhe enquanto os outros dormem, estude enquanto os outros se divertem”.

O colapso também veio depois de diversos avisos ignorados: dores de cabeça insistentes, azia constante, dificuldade para dormir e até uma dor aguda no peito que ela, na época com 21 anos, imaginou ser um infarto. Chegou a avisar os chefes, mas ouviu que estava sendo fraca.

Sete anos e muitos tratamentos depois, Helloá Castro, hoje aos 28, criou o perfil “Vencendo a Síndrome de Burnout” nas redes sociais e dedica seu tempo a informar e palestrar sobre o distúrbio emocional. E não são poucos os brasileiros que se preocupam com o assunto.

Uma pesquisa lançada pela empresa lpsos para o Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, mostra que 75% dos entrevistados no Brasil pensam sobre sua própria saúde mental com muita ou considerável frequência. É a maior marca entre os 30 países que participaram do questionário ­ a média mundial é de 53%.

Logo depois no ranking aparecem a África do Sul (73%) e a Colômbia (71%). No outro extremo estão os chineses (26%), os sul-coreanos (31%) e os russos (33%), onde a maioria diz não refletir nunca ou quase nunca sobre a questão.

A pesquisa ouviu 21.513 pessoas de 16 a74 anos, entre 20 de agosto e 3 de setembro, sendo cerca de 1.000 no Brasil. O questionário foi aplicado de maneira online, portanto abrange a parcela da população com acesso à internet, considerando o perfil demográfico de cada lugar.

Para 40% dos entrevistados por aqui, distúrbios mentais são um dos principais problemas sanitários enfrentados atualmente pelo país. Esse número cresceu 13 pontos percentuais em relação ao ano passado, influenciado pelo luto e pelo isolamento da pandemia de Covid-19.

“Temos visto o Brasil sempre no topo do ranking em pesquisas que fazemos sobre saúde mental, e isso vem aumentando ano após ano. Por um lado, a pandemia agravou o problema, mas por outro deu mais espaço para falar sobre isso”, diz Helena Junqueira, coordenadora da pesquisa.

Em maio de 2020, por exemplo, o país apareceu em primeiro lugar entre os que sofriam de ansiedade (41% diziam se sentir assim) ou de enxaqueca (14%) e entre os que afirmavam estar comendo excessivamente (39%). Era também o mais solitário (53%) em questionário de janeiro.

“Transtornos mentais são muito mais comuns do que as pessoas imaginam. Durante um ano, um quarto da população vai desenvolver algum problema. Na vida, será cerca de metade. Não é muito diferente de usar óculos”, ilustra Jair Mari, chefe da psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Segundo o médico, o aprofundamento da desigualdade e da insegurança econômica ajudam a explicar por que o Brasil sustenta altos índices de ansiedade e depressão. Tem muito impacto ainda o que ele chama de violência epidêmica no país.

“A saúde mental tem um fator social determinante. Os Estados Unidos, por exemplo, têm níveis muito parecidos com os nossos. Tudo indica que isso pode estar relacionado à desigualdade: a pessoa que não tem nada olha para quem tem tudo”, afirma.

Outra hipótese para a preocupação com o tema no país é cultural – segundo essa visão, os brasileiros estariam mais dispostos a demonstrar suas emoções do que moradores de outros lugares. Isso também ajudaria a entender, de acordo com o psiquiatra, porque na China os transtornos mentais são externalizados com menos frequência.

Globalmente, quem tende a se importar mais com sua própria saúde mental são mulheres e jovens, mostra a pesquisa da lpsos. A parcela dos que pensam nisso com frequência é de 58% entre elas e 48% entre eles. Entre pessoas de até 35 anos é de 61%, contra 42% para pessoas acima dos 50 anos.

“A grande maioria dos meus seguidores na internet são mulheres, que se sentem sobrecarregadas e procuram ajuda mais cedo”, diz Helloá Castro. “Os homens não falam, muitas vezes canalizam o tratamento do ‘burnout’ para o álcool ou drogas. Quando chegam em mim é porque já esgotaram as possibilidades”. Apesar de 78% dos entrevistados brasileiros acharem que seu bem-estar mental e físico têm a mesma importância, 55% acreditam que o sistema de saúde do país prioriza o cuidado apenas com o corpo – número superior à média dos outros países.

“Há um vácuo de atendimento enorme”, concorda o psiquiatra Jair Mari. “Transtornos mentais são responsáveis por um quinto das incapacitações, mas só cerca de 2% do orçamento da saúde é aplicado no tema. Na nossa realidade achamos que precisaria ser pelo menos 6%,”afirma.

Para o médico, existe uma ideia de que a população brasileira toma muito remédio, mas isso só é válido para a classe média alta. Aqui, afirma, impera a “lei dos cuidados invertidos”: quem precisa menos tem mais, e quem precisa mais tem menos.

Um paper publicado por ele e outros pesquisadores em 2014 mostrou que só 20% das crianças e adolescentes com distúrbios psiquiátricos – que deveriam ser priorizados pelo alto risco de suicídio – tiveram acesso a profissionais da área nos 12 meses anteriores.

Mari critica um desmantelamento da assistência à saúde mental em todos os níveis do sistema de saúde nos últimos anos, que conta apenas com algumas ilhas de atendimento e não tem leitos suficientes para internação de casos agudos. Ele cobra melhor gestão, prontuários únicos, continuidade nos atendimentos e inovação tecnológica.

Quem trabalha na área vê ao menos um legado positivo da pandemia. A constante exposição do tema pela mídia e por marcas resultou em uma redução do preconceito sobre os transtornos emocionais.

A consultoria de saúde Mercer Marsh apontou um crescimento de 62% no número de empresas que implantaram serviços nesse sentido aos funcionários. Nessa esteira surgiu também o movimento #MenteEmFoco, da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, que incentiva o setor privado a adotar uma série de medidas, como um profissional fixo nas companhias. “Quando comecei a estudar sobre saúde mental, há sete anos, não havia quase nenhuma informação na internet. Agora teve um boom de procura, hashtags, páginas novas, universidades falando sobre o assunto”, comemora Helloá.

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