OUTROS OLHARES

COMPARTILHAMENTO DE FOTOS DE CRIANÇAS PELOS PAIS GERA DEBATE SOBRE SEGURANÇA

Prática chamada de ‘sharenting’ ajuda a manter laços, mas gera riscos como roubo de identidade

Coxas com dobrinhas, pés fofinhos, olhos concentrados. Primeiras comidas, primeiros passos, primeiras (segundas, terceiras, milésimas…) palavras. Alguns minutos nas redes sociais bastam para qualquer um perceber quão disseminado virou o hábito de pais postarem o dia a dia de seus filhos em detalhes. O fenômeno ganhou nome, “sharenting”, junção das palavras em inglês “share” (compartilhar) e “parenting” (Parentalidade). O tema é alvo de debates sobre segurança e privacidade na internet e já chegou ao Judiciário, mas ainda de forma tímida.

De um lado, a conduta virou uma forma dos pais de dividir conquistas e desafios de uma fase tão intensa da vida como a de criar uma criança.

De outro, especialistas alertam que muitos familiares não estão a par dos perigos que uma publicação aparentemente inocente pode trazer – uma mera foto de mesversário, por exemplo, pode fornecer dados suficientes para um roubo de identidade.

Daniela Pramio, que trabalha com revisão e marketing digital, toma alguns cuidados, mas é da turma que em geral não vê problemas.

Em seu perfil aberto no Instagram, com 3.400 seguidores, ela posta fotos da filha de seis anos na praia, com pais e amigos, em qualquer momento que ela gostaria que ficasse para posteridade. “E em que ela esteja bonita, claro”, brinca.

Daniela conta que nunca pensou em trancar a conta só para amigos porque gosta de compartilhar as coisas boas da vida e porque, dessa forma, está aberta a ter trocas e conhecer gente legal, algo que já ocorreu quando ela teve um blog sobre casamento.

“Sou católica, não acredito em olho gordo”, diz. “E qualquer um que veja minha conta vai perceber que eu não sou uma milionária”, acrescenta.

Daniela conta que não esperou a garota ter idade para decidir aparecer ou não nas redes, mas diz que hoje a menina adora e sempre pede para a mãe postar as fotos dela.

Fundadora da plataforma Contente, que propõe relação mais saudável com a internet, a jornalista Daniela Arrais avalia que consentimento é uma palavra chave ao se pensar no compartilhamento.

Mãe de um bebé, ela não divulga o rosto dele em seus perfis abertos nas redes sociais. A decisão vem de uma reflexão que ela fez há muitos anos: que o filho é um indivíduo que deve ter o direito de optar por ter sua imagem exposta publicamente ou não.

“Essa é a geração mais observada desde sempre, e não temos tempo de uso suficiente das redes para saber o que isso implica no futuro”, diz.

Por outro lado, Daniela aponta o que diz ser uma aparente contradição: adora ver fotos dos filhos de amigos. Ela também criou um perfil fechado para que os mais próximos pudessem conhecer seu bebê, nascido na pandemia.

Também por isso ela avalia que, mais importante do que julgar quem faz “sharenting”; é a pessoa pensar por que o faz, em que condições e, eventualmente, que cuidados pode tomar.

“Fui criada sendo ensinada a não falar com estranhos e não dizer onde eu morava. De repente a gente abre um perfil e a pessoa, sem pensar, colocou ali a localização da escola da criança”, comenta.

Ela pondera ainda que, a partir de uma certa idade, o ato de fotografar e postar pode abrir margem para uma conversa rica com a criança, que envolve a própria educação para a internet.

Foi o que ocorreu com a psicóloga Ticiana Carnaúba. Ao virar mãe, ela decidiu que não iria expor fotos da filha, por também entender sua bebê como um ser autônomo com direito de escolha sobre sua presença nas redes. Quando a garota fez sete anos, Ticiana ouviu um questionamento. “Ela perguntou ‘mãe, porque você não posta foto minha?’ Perguntei se ela gostaria e ela decidiu que sim.”

Desde então, a menina faz aparições no perfil da mãe, mas é sempre consultada antes de qualquer publicação.

Para Ticiana, postar atende seu desejo de mostrar um lado importante da sua vida, o de mãe, e é também uma forma de compilar imagens para depois poder revisitá-las – como se fazia com álbuns físicos.

Em texto sobre o tema, a psicanalista Isabel Tatit pontua como o fenômeno relaciona-se com a solidão especialmente da mãe nos primeiros meses de vida do bebê. Nesse sentido, postar vira uma espécie de laço social.

Não é à toa que a profusão de fotos muitas vezes diminui à medida que a criança cresce, porque a mãe que estava o dia todo com o bebê em casa passa a ocupar outros espaços, e a rede social deixa de ser espaço privilegiado de socialização.

Com ponderações como essas, passou-se a ver a conduta dos pais de outra forma, e outro termo surgiu mais recentemente, o “oversharing”, que se refere a um exagero na prática, uma superexposição que resulta em riscos e constrangimento à criança.

As fronteiras entre uma coisa e outra ainda não estão claras. Artigo do advogado Filipe Medon em publicação recente do ITS (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro) divulgou uma história que chegou ao Tribunal de Justiça de São Paulo em 2020.

Trata-se do caso deum pai que entrou com uma ação para retirada da postagem da mãe de seu filho, na qual ela falava da condição de transtorno do espectro autista da criança.

Entendeu-se que a conduta da mãe não prejudicava a imagem do filho e se enquadrava na liberdade de expressão.

Pesquisadora do ITS, Priscila Silva aponta que nem sempre está claro qual é o melhor interesse da criança quando são os pais que a expõem, mas alerta que muitas vezes eles não estão cientes da quantidade de dados que divulgam quando postam alguma coisa em um perfil aberto.

Uma simples foto de aniversário com os genitores marcados, por exemplo, já oferece dados como a data de nascimento e filiação, que podem facilitar o roubo de identidade. Menores de idade estão mais vulneráveis a esse delito porque seus documentos não são usados com tanta frequência como os dos adultos. Assim, demora-se mais para perceber a fraude.

Outros riscos são fotos com o uniforme escolar, que aumentam o risco de sequestro, e cenas aparentemente inocentes, como de crianças no banho, que podem ser usadas para pedofilia.

Ela lembra ainda outras possibilidades de constrangimento, como o caso do garoto que teve um vídeo feito para seu Bar Mitzvá viralizado na internet e chegou a andar com seguranças por causa disso.

Conscientizar os pais é fundamental, mas é preciso lembrar que a questão não envolve somente eles, ressalta Maria Mello, coordenadora do programa Criança e Consumo do Instituto Alana.

Ela ressalta que cabe ao Estado regulamentar, especialmente quando a aparição da criança está vinculada a interesses comerciais dos pais, e às redes se comprometer com políticas que evitem os dados da superexposição.

“A partir do momento em que o ‘sharenting’ gera um engajamento grande, ele atrai empresas e beneficia as plataformas. Isso traz a elas uma grande responsabilidade”, diz.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 10 DE DEZEMBRO

O PERVERSO SOFRE NO LUGAR DO JUSTO

O perverso serve de resgate para o justo; e, para os retos, o pérfido (Provérbios 21.18).

Há sofrimentos que o justo enfrenta como fruto do seu compromisso com Deus. Esses sofrimentos não devem ser vistos como castigo, mas como privilégio. Jesus diz que os perseguidos por causa da justiça são muito felizes, pois também os profetas foram perseguidos. O apóstolo Pedro declara que, se a causa do nosso sofrimento é a prática do bem, então somos bem-aventurados. Esse tipo de sofrimento o perverso não tem. Há, porém, um sofrimento que Deus desvia da cabeça dos retos e despeja sobre a cabeça dos perversos. O perverso aflige o justo, mas esse sofrimento é desviado do justo para cair sobre a cabeça do próprio perverso. O ímpio maquina o mal contra os retos no seu leito e, logo pela manhã, apressa seus pés para consumar esse intento; Deus, porém, protege os retos e os cobre com seu escudo, mas desampara os ímpios, deixando que colham os frutos de sua insensata semeadura. O açoite que deveria vir sobre as costas do justo é desviado para o perverso. A dor que o justo estava destinado a sofrer cai sobre a vida do perverso. Este serve de resgate para o justo. Não precisamos retribuir o mal com o mal nem procurar a vingança. O que precisamos fazer é confiar nossas causas a Deus, pois ele retribuirá a cada um segundo as suas obras.

GESTÃO E CARREIRA

PAUTA RACIAL CONSEGUE ESPAÇO NAS EMPRESAS, MAS DADOS AINDA SÃO RUINS

Embora a agenda ESG impulsione compromissos de inclusão, sair do discurso é o maior desafio

Na Pepsi Co, membros do comitê executivo recebem mentoria de funcionários negros sobre questões raciais. Iniciativa semelhante é adotada pelo L’Oreal, que possui um programa para acelerar a carreira de profissionais negros.

Já a Mondelez, dona de marcas como Lacta, Trident e Oreo, promete atingir 37% de pretos e pardos nos cargos de liderança até 2024.

Esses são apenas alguns exemplos de compromissos assumidos por empresas no Brasil nos últimos meses.

Em meio à onda ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança), a agenda de diversidade e inclusão ganhou força. Mas, apesar do alinhamento no discurso, o caminho até a equidade racial é longo.

Pretos e pardos, que são a maioria da população brasileira (56%,) ocupam menos cargos na alta liderança, são desfavorecidos nas oportunidades e recebem salários piores que os profissionais brancos.

Segundo um estudo de 2019 do LBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a renda média mensal do brasileiro branco, seja ele trabalhador formal ou informal, é de R$2.796. Entre os negros, o valor cai para R$1.608.

As desvantagens da população negra só tendem a aumentar à medida que o nível hierárquico nas empresas também cresce. Uma pesquisa do Instituto Ethos com as 500 empresas de maior faturamento do Brasil mostra que negros ocupam apenas 6,3% dos cargos de gerência. No quadro executivo, a proporção é ainda menor: -4,7%.

Para  Raphael Vicente, coordenador da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, o mundo corporativo começou a dar mais importância ao tema recentemente. Contudo, uma boa parte das companhias ainda está só no discurso.

“Felizmente o tema veio à pauta, mas junto com ele veio a superficialidade. A gente se apropriou de alguns temas importantes, como racismo estrutural, lugar de fala, mas quando você pergunta “cadê o projeto?”, aí complica”, diz. Na visão dele, houve grandes avanços no discurso e na compreensão das empresas, mas, em termos numéricos, o Brasil segue praticamente como era 30 anos atrás.

A Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial surgiu em 2015, com o objetivo de promover a equidade no mercado de trabalho, especialmente nas grandes empresas. Cerca de 160 instituições integram o movimento,  e junta, elas representam mais de RS 1,3 trilhão em  faturamento.

Vicente cita os processos seletivos inclusivos como um dos avanços que a pauta teve de 2015 para cá. Segundo ele, há seis anos, as companhias nem sequer cogitavam a ideia de fazer um programa exclusivo para candidatos negros, algo que hoje já está sendo normalizado.

No entanto, o coordenador diz que um dos principais desafios é garantir a ascensão dos  profissionais negros que entram na empresa.

“Nós fomentamos que sejam feitos programas de recrutamento e seleção, mas queremos ver onde que está a política de inclusão, quais as ferramentas de promoção e ascensão desse profissional, o que a empresa entende por diversidade, onde está o recurso alocado, o planejamento”, diz.

Se fosse para apontar onde o mundo corporativo está na pauta racial, ele diria que estamos na fase da compreensão, com algumas companhias avançadas e outras não.

“O mercado começou a se dar conta disso com mais propriedade a partir de 2015, 2016, com um “up” agora na pandemia – com os casos de George Floyd e do Carrefour. Mas a gente ainda está muito distante de onde poderíamos estar”.

Episódios como o do Carrefour, onde João Alberto Silveira Freitas morreu após ser espancado por seguranças em novembro de 2020, costumam colorar em xeque o compromisso das grandes companhias com a pauta racial.

Em 2021, empresas com discursos sustentáveis também foram palco de casos considerados racistas. Um deles ocorreu no Assai Atacadista, onde um homem negro foi obrigado a se despir para provar que não estava furtando.

Outro, mais recente, aconteceu numa unidade da Zara em Fortaleza, que criou um código interno para “alertar” sobre a entrada de negros na loja, segundo a polícia. A loja nega.

No entanto, o assassinato no Carrefour também deu origem a um movimento pela equidade racial, o Mover. Fundada em novembro de 2020, a iniciativa reúne 47 grandes empresas, como Ambev, Coca-Cola, Magalu, Nestlé e  Vale, e tem a meta de gerar 10 mil novas posições par pessoas negras em cargos de liderança até 2030.

Outro compromisso envolve dar oportunidade para 3 milhões de pessoas negras, com iniciativas de emprego e empreendedorismo.

Liel Miranda, diretor-executivo da Mondelez no Brasil e presidente do conselho deliberativo do Mover, vê hoje no mundo corporativo uma consciência e uma vontade de contribuir com a agenda. “Eu diria que a maioria das empresas tem esse entendimento de que precisam endereças a equidade racial, mas, entre o conhecimento e o fazer existe uma grande diferença”, afirma.

Segundo ele, o papel do Mover é criar condições para que as pessoas negras assumam posições de liderança, mas também disseminar a importância do tema e dar capacitação para que mais pretos e pardos entrem no mercado de trabalho.

“Estamos fazendo um censo em todas as empresas [participantes] para saber exatamente quantos líderes negros há em cada uma. Depois desse censo, vamos definir a alocação do target [alvo] para cada uma delas”, afirma.

Na Mondelez, Miranda diz que foram criados programas de estágio focados em diversidade e recrutamentos mais inclusivos, sem a exigência de inglês ou experiência em multinacional, por exemplo.

A companhia tem 37% de colaboradores pretos e pardos, com 14% alocados em cargos administrativos. A meta é chegar a 37% também nos quadros de lideranças até 2024.

“Estamos fazendo tudo que sabemos que funciona, mas o nosso objetivo é de fato ver que a liderança é mais representativa. Para isso, a gente está muito distante”, diz.

A jornada também tem ganhado corpo em outra companhia parceira do Mover, a PepsiCo. Em agosto de 2021, a companhia lançou um programa de mentoria reversa para os executivos. Os mentores são funcionários negros e negras que ajudam no letramento racial da alta gestão.

“Nós já vemos um impacto no dia a dia, com a conscientização dos nossos vieses. É um processo muito importante de conhecimento para a equipe de liderança”, afirma Fábio Barbagli, vice-presidente de recursos humanos da PepsiCo Brasil.

Segundo ele, 48% dos 121 mil funcionários que a empresa tem no Brasil são negros. Um dos principais desafios, contudo, é garantir a ascensão profissional. Atualmente a Pepsi Co tem 19% de líderes negros.

“Nosso objetivo é chegar a 30% de negros e negras até 2025 no quadro de liderança. Entendemos que os 48% do quadro geral estão ok, mas queremos aumentar o número de líderes.”

Se as desvantagens que pretos e pardos enfrentam no mercado de trabalho já não são poucas, para mulheres elas são ainda maiores.

Uma pesquisa feita pela consultoria Indique Uma Preta e pela empresa Box 1824 apontou que a maioria das mulheres negras brasileiras (54%) não exerce trabalho remunerado e apenas 8% das que trabalham no mercado formal ocupam cargos de gerente, diretora ou sócia proprietária de empresa.

Uma dessas exceções é Márcia Silveira, gerente de comunicação e relações públicas da divisão de luxo da L’Oreal.

Segundo ela, o compromisso do mundo corporativo com a pauta racial ainda está longe do ponto ideal.

“Falta muito ainda. Temos muitas oportunidade, uma gama de mulheres que já estão preparadas, mas não estão sendo mapeadas”, afirma.

Hoje a L’Oreal também tem um programa de mentoria onde os funcionários negros treinam as lideranças nas questões raciais. Os líderes também precisam passar por um treinamento obrigatório sobre diversidade e inclusão.

Além disso, a companhia desenvolveu um programa de aceleração para capacitar os profissionais negros em diversas competências. Segundo Silveira, esse é um dos pontos-chave para a inclusão.

“A consistência de um trabalho de diversidade não está só na atração, está também na retenção e na preparação desses profissionais, senão vira um balde furado. Você coloca as pessoas para dentro, mas, e aí?”·

EU ACHO …

O DIABO DAS PEQUENAS COISAS

A palavra é estranha. Misocinesia. A primeira parte indica raiva, ódio, inimizade. As sílabas finais envolvem a ideia de momento, como temos na palavra cinemática. Em resumo: os pequenos gestos irritantes dos outros que disparam nossos gatilhos de ódio.

Santa Teresinha do Menino Jesus, a popular doutora da Igreja, afirmava que sofria de misocinesia. Tinha antipatia por uma religiosa no claustro e o simples fato de a confreira agitar seu rosário a irritava. A pessoa da qual você não gosta fica balançando a perna ou tamborilando os dedos no tampo da mesa? Se você explodir com a repetição de um movimento, está diagnosticado: seu mal é a misocinesia.

Sabemos que o mal atinge matrimônios. O que antes era indiferente ou até charmoso, no declínio do afeto ganha dimensões enormes. Nos relatos de divórcios aparece, com maior frequência do que grandes e terríveis violências, a irritação dos gestose dos movimentos.

Voltemos à cidade de Santa Teresinha, Lisieux. No mesmo texto que ela identifica o horror do simples manejo das contas do rosário, a mística católica indica a solução. Passou a combater a antipatia. Criou reação oposta: todas as vezes que cruzava com a freira que a irritava, Teresinha sorria e manifestava alguma fala simpática e de acolhimento. A religiosa chegou a perguntar a ela sobre o sorriso, desconfiada. Nossa ex- irritada combateu sua disposição de antipatia e a transformou em empatia treinada e eficaz. Uma autossugestão funcional. Experimente. Eu já fiz. Funciona!

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC) identifica que uma em cada três pessoas pode sair do sério com gestos repetitivos alheios. Um terço em um grupo grande de 4,1 mil seres humanos. Existe, claro, a variante cultural para a tolerância ou não. Mas reconheçamos: muita gente pode estar com impulso homicida por você tremer a perna com insistência. Existe uma segunda palavra exótica na tônica de hoje: misofonia. Sons como o estalar de dedos e outros podem despertar em algumas pessoas um ataque de fúria. Como você vê, toda mania, neurose ou psicose acaba tendo um estudo e você deixa de ser apenas chato, passa a ser um chato com laudo. Claro, não é culpa das pessoas com misocinesia/misofonia reagirem desta forma. Usei a palavra chato para descrever a opinião do mundo. Para quem sofre de algum mal, os chatos são os que fazem movimentos ou sons repetitivos.

Como surge? Segundo o estudo da UBC, é que nossos neurônios-espelhos seriam ativados com a repetição. São os que impulsionam a seguir o que estamos  presenciando. Sumeet M. Jasval e Todd Handy, pesquisadores do tema, reconhecem que não sabemos exatamente porque a irritação cresce tanto em algumas pessoas. Consolo final para os pesquisadores citados: ao menos, você deve saber que não está sozinho. É uma esperança.

*** LEANDRO KARNAL

ESTAR BEM

SAIBA RECUPERAR O SONO PERDIDO DURANTE A PANDEMIA

Acordar no mesmo horário todos os dias, não enrolar na cama e cortar o álcool três horas antes de se deitar são algumas das ações listadas por especialistas. Dormir mal enfraquece o sistema imunológico e aumenta o risco para doenças crônicas, alertam

Seu sono não é o que costumava ser? Sua mente dispara quando sua cabeça encosta no  travesseiro? Você acorda às 4h e tem dificuldade de voltar a dormir? Você está se sentindo sonolento e privado de sono, não importa quantas horas passe na cama?

Para muitas pessoas, dormir mal já era a norma antes da pandemia da Covid-19. Mas o estresse e as preocupações pioraram ainda mais as nossas noites, dando origem a termos como “coronassônia” para descrever o aumento dos distúrbios do sono no ano passado. Porém, especialistas notaram algo que os surpreendeu: após mais de um ano de pandemia, a qualidade do sono continuou a piorar.

Em uma pesquisa com milhares de adultos em maio do ano passado, a Academia Americana de Medicina do Sono descobriu que 20% dos americanos disseram ter problemas para dormir devido à pandemia. Mas quando repetiram a pesquisa 10 meses depois, esses números aumentaram dramaticamente. Quase 60% das pessoas disseram que lutavam contra uma insônia relacionada à pandemia, e quase metade relatou que a qualidade do sono havia diminuído, embora a pandemia esteja mais controlada.

“Muitas pessoas pensaram que nosso sono deveria estar melhorando porque podemos ver a luz no fim do túnel, mas está pior agora do que no ano passado”, disse Fariha Abbasi- Feinberg, especialista da Academia Americana de  Medicina do Sono. “As pessoas ainda estão realmente tendo problemas (para dormir).”

O sono ruim é mais do que apenas um incômodo. Ele enfraquece o sistema imunológico, reduz a capacidade de memória e atenção e aumenta a probabilidade de doenças crônicas como depressão, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas.

E para pescas com mais de 50 anos, dormir menos de seis horas por noite pode até aumentar o risco de demência.

“No ano passado, tivemos a tempestade perfeita de todas as coisas ruins que podem afetar o sono”, disse Sabra Abbot, professora de neurologia em medicina do sono na Escola de Medicina, do Sono da Universidade Northwestern Feinberg, em Chicago, EUA

Estudos mostram que, na pandemia, as pessoas tendem a manter horários de sono irregulares, indo para a cama muito mais tarde e dormindo mais do que o normal, o que pode perturbar os ritmos circadiano. Além disso, reduzimos a atividade física e passamos mais tempo dentro de casa; engordamos e bebemos mais álcool; e apagamos as linhas que separam o trabalho e a escola de nossas casas e quartos – tudo de prejudicial ao sono.

E, paradoxalmente, um tempo extra na cama pode piorar as coisas para quem sofre de insônia, pois quando alguém tem dificuldade para adormecer ou continuar dormindo, seus cérebros associam a cama a experiências estressantes, afirma Abbot.

Um dos tratamentos mais comuns para a insônia é uma estratégia chamada restrição do sono, que melhora a qualidade e eficiência do sono da pessoas. Mas o que mais podemos  fazer para colocar nosso sono interrompido de volta nos trilhos? Abaixo, listamos algumas dicas:

A REGRA DOS 25 MINUTOS

Se você se deitar e não conseguir dormir depois de 25 minutos, ou acordar à noite e não conseguir voltar a dormir depois de 25 minutos, não fique na cama. Levante-se e faça uma atividade que acalme sua mente e o deixe sonolento, como alongamento, leitura com luz baixa, meditação ou exercício de respiração profunda. Só volte para a cama quando se sentir cansado novamente.

SEM PREOCUPAÇÕES

Duas horas antes de dormir, anote seus pensamentos em um papel, especialmente o que o está incomodando – pode ser uma tarefa do trabalho ou as contas que precisa pagar. Depois, amasse-a e jogue-a no lixo. O gesto simbólico acalma sua mente, afirma Ilene Rosen, especialista em medicina do sono e professora de medicina na Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia.

RESTRINJA USO DE TELAS

Evite celulares e dispositivos eletrônicos na hora de dormir, porque a luz azul que a tela deles emite diz ao seu cérebro que é hora de acordar. Sefor usá-los mesmo assim, use-os apenas em pé.

ACORDE NA MESMA HORA

Nosso corpo segue um ritmo circadiano diário, e acordar em horários diferentes o deixa fora de sincronia. É melhor estabelecer horários padrões para acordar e dormir, mesmo nos fins de semana.

PEGUE SOL TODAS AS MANHÃS

Procure obter pelo menos 15 minutos de luz solar logo no início da manhã para que a liberação de melatonina, hormônio que promove o sono, seja interrompida no corpo.

FAÇA DA CAMA UM REFÚGIO

Reserve sua cama apenas para dormir ou fazer sexo. Trabalhar de casa – às vezes da cana – apagou dos limites entre o trabalho e o sono. Mas transformar seu colchão em escritório pode condicionar seu cérebro a ver a cama como um lugar que o deixa estressado e alerta, levando à insônia

EXERCITE-SE

A atividade física é a maneira mais fácil de melhorar o sono. Pelo menos 29 estudos mostram que o exercício diário, independentemente do tipo ou da intensidade, ajuda as pessoas a adormecer mais rapidamente e a permanecer dormindo por mais tempo, especialmente pessoas mais velhas. Mas uma advertência: termine o exercício pelo menos quatro horas antes de se deitar para não interferir no seu sono ao elevar a temperatura corporal.

CORTE A CAFEÍNA ÀS 14 HORAS

A cafeína tem meia-vida de seis a oito horas e um quarto de vida de cerca de 12 horas. Isso significa que se você beber café às 16 horas, você ainda terá um quarto da cafeína flutuando em seu cérebro às 4h da madrugada. Evitar a cafeína à noite é o mínimo. Mas o ideal é evitar a cafeína após as 14h, para que seu corpo tenha tempo suficiente de metabolizá-la e limpá-la da maior parte do seu sistema.

SIGA A REGRA DAS DUAS TAÇAS DE ÁLCOOL

Se você consome álcool, limite-se a beber o equivalente a duas taças à noite, alternando cada uma com um copo de água, e pare pelo menos três horas antes de dormir. Como o álcool é um sedativo, algumas pessoas costumam ingeri-lo para ajudá-las a adormecer mais rapidamente, mas a bebida suprime o sono REM ( mais profundo) e causa interrupções no repouso, o que piora a qualidade geral do sono.

QUANDO PROCURAR AJUDA

O sono ocasional de insônia não é motivo de preocupação. Mas, se você fizer alterações em sua rotina de sono e nada parecer ajudar, talvez seja hora de consultar um médico. Um especialista em sono pode determinar se você precisa de terapia cognitivo-comportamental, medicação ou outro tratamento. Ou pode ser o caso de você ter um distúrbio do sono subjacente, como síndrome das pernas inquietas ou apneia do sono.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AS FORMAS COMO A DEPRESSÃO E A ANSIEDADE AFETAM O CORPO

Mente e corpo formam uma via de mão dupla e se influenciam diretamente seja na saúde ou na doença

Não causa surpresa que a notícia de um diagnóstico de doença cardíaca, câncer ou qualquer outra doença física limitante ou com risco de vida provoque ansiedade ou depressão. Mas o inverso também pode ser verdadeiro: a ansiedade ou a depressão excessivas podem estimular o desenvolvimento de uma doença física séria e até mesmo  impedir a capacidade de resistir ou se recuperar dela.  As consequências potenciais são particularmente oportunas, já que o estresse contínuo e as perturbações da pandemia continuam a afetar a saúde mental.

O organismo humano não reconhece a separação artificial das doenças mentais e físicas feita pelos médicos. Na verdade, a mente e o corpo formam uma via de mão dupla. O que acontece dentro da cabeça de uma pessoa pode ter efeitos prejudiciais em todo o corpo, bem como o contrário. Uma doença mental não tratada pode alimentar significativamente o risco de ficar fisicamente doente, e os distúrbios físicos podem resultar em comportamentos que pioram as condições mentais.

Em estudos que acompanharam pacientes com câncer de mama, por exemplo, o dr. David Spiegel e seus colegas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford mostraram, décadas atrás, que as mulheres cuja depressão melhorava viviam mais do que aquelas cuja depressão se agravava. Sua pesquisa e outros estudos mostraram claramente que “o  cérebro está intimamente conectado ao corpo e o corpo ao cérebro”, disse Spiegel em uma entrevista. “O corpo tende a reagir ao estresse mental como se fosse um estresse físico”.

Apesar dessa evidência, ele e outros especialistas dizem, o sofrimento emocional crônico é frequentemente ignorado pelos médicos. Normalmente, um médico prescreve um tratamento para doenças físicas como doenças cardíacas ou diabete, sem se questionar  por que alguns pacientes pioram em vez de melhorar.

Muitas pessoas relutam em procurar tratamentos para doenças emocionais. Algumas pessoas com ansiedade ou depressão podem temer ser estigmatizadas, mesmo reconhecendo que têm um problema psicológico sério. Muitas tentam tratar seu sofrimento emocional adotando comportamentos como beber muito ou usar drogas, o que apenas piora uma doença preexistente.

E, às vezes, pessoas da família e amigos inadvertidamente reforçam a negação de sofrimento mental de alguém dizendo coisas como “ele é assim mesmo” e não fazendo nada para incentivá-lo a buscar ajuda profissional.

QUÃO COMUNS SÃO A ANSIEDADE E A DEPRESSÃO?

Os distúrbios de ansiedade afetam aproximadamente 20% dos adultos norte-americanos.  Isso significa que milhões são acossados por uma superabundância de respostas de “luta ou fuga” que prepara o corpo para a ação. Quando você está estressado, o cérebro responde provocando a liberação de cortisol, o sistema de alarme da natureza. Ele evoluiu para ajudar os animais que enfrentam ameaças físicas, aumentando a respiração, elevando o ritmo cardíaco e redirecionando o fluxo sanguíneo dos órgãos abdominais para os músculos que ajudam a enfrentar ou escapar do perigo. Essas ações protetoras se originam nos neurotransmissores epinefrina e norepinefrina, que estimulam o sistema nervoso simpático e colocam o corpo em alerta máximo. Mas quando eles são solicitados com muita frequência e indiscriminadamente, a super estimulação crônica pode resultar em todos os tipos de doenças físicas, incluindo indigestão, cólicas, diarreia ou prisão de ventre e um risco maior de ataque cardíaco ou derrame.

A depressão, embora menos comum do que a ansiedade crônica, pode ter efeitos ainda mais devastadores sobre a saúde física. Embora seja normal se sentir deprimido de vez em quando, mais de 6% dos adultos têm sentimentos persistentes de depressão que acabam dificultando os relacionamentos pessoais, interferem no trabalho e no lazer e prejudicam sua capacidade de enfrentar os desafios da vida diária. A depressão persistente também pode exacerbar a percepção de dor de uma pessoa e aumentar suas possibilidades de  desenvolver dor crônica.

“A depressão diminui a capacidade de uma pessoa analisar e responder racionalmente ao estresse”, disse Spiegel. “Elas acabam em um círculo vicioso com capacidade limitada para sair de um estado mental negativo.”

Para piorar as coisas, a ansiedade e a depressão excessivas frequentemente coexistem, deixando as pessoas vulneráveis a um conjunto de doenças físicas e à incapacidade de adotar e persistir na terapia necessária.

O TRATAMENTO PODE COMBATER O IMPACTO EMOCIONAL.

Embora a ansiedade e a depressão persistentes sejam altamente tratáveis com medicamentos, terapia cognitivo­ comportamental e psicoterapia, sem tratamento essas condições tendem a piorar. Segundo o dr. John Frownfelter, o tratamento para qualquer condição funciona melhor quando os médicos entendem “as pressões que os pacientes enfrentam que afetam seu comportamento e resultam em danos clínicos”.

Frownfelter é médico internista e diretor de uma startup chamada Jvion. A organização utiliza inteligência artificial para identificar não apenas fatores médicos, mas também psicológicos, sociais e comportamentais que podem impactar a eficácia do tratamento na saúde dos pacientes. Seu objetivo é promover abordagens mais holísticas que tratem o paciente por inteiro, corpo e mente combinados.

As análises utilizadas pela Jvion, uma palavra  hindi que significa “dar vida”, podem alertar um médico quando a depressão de base estiver prejudicando a eficácia dos tratamentos prescritos para outra condição. Por exemplo, os pacientes em tratamento para diabete que estão se sentindo desesperados podem não melhorar porque tomam a medicação prescrita apenas esporadicamente e não seguem uma dieta adequada, disse Frownfelter.

”Sempre falamos sobre a depressão como uma complicação de doenças crônicas”, escreveu Frownfelter no Medpage Today de julho. ”Mas não falamos o suficiente sobre como a depressão pode levar a doenças crônicas. Pacientes com depressão podem não ter motivação para se exercitar regularmente ou cozinhar refeições saudáveis. Muitos também têm problemas para dormir o necessário”.

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