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AUMENTA PROPORÇÃO DE CRIANÇAS COM ATÉ 13 ANOS VÍTIMAS DE ESTUPROS NO BRASIL

Com denúncias em queda na pandemia, faixa etária chegou a 60,6% dos casos

“Eu tinha um ódio tão grande”, lembra Nair, 41, ao relatar os abusos sexuais de seu tio, que começaram quando ela tinha 12 anos. “Virei a filha rebelde e comecei a me prostituir.”

Carolina , 31, e um ano mais nova do que Nair quando seu padrasto começou os abusos, que só pararam quando ela tinha 15 e fugiu de casa. Com um filho de 3 anos, ela voltou a dividir o teto com o abusador, que continua casado com sua mãe. “É complicado”.

Nair e Carolina (que pediram para ter sua identidade protegida) se somam a dezenas de milhares de vítimas de estupro no Brasil – as mulheres são 86,9% de todos os casos registrados no país. Assim como as duas, 85,2% delas conheciam o autor do abuso e 60% foram agredidas dentro de casa, com menos de 19 anos.

Entre as crianças de até quatro anos, vai a 70% o total dos crimes cometidos na própria residência. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, feito com e nos boletins de ocorrência registrados nos estados em 2020.

De acordo com o Código Penal Brasileiro, o crime de estupro é definido como “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.”

Se a vítima for menor de 14 anos ou se, “por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato”, fica tipificado o estupro de vulnerável. E esses são 73,7% dos casos, de acordo com os números mais recentes.

Os levantamentos mostram que o crime vem ocorrendo com vítimas cada vez mais jovens: o percentual de crianças de até 13 anos entre os registros passou de 57,9% em 2019 para 60,6% em 2020. Isso apesar de uma queda no total de denúncias durante a pandemia – foram 60.460 casos no ano passado, contra 69.886 no período anterior.

Para os especialistas, no entanto, a diminuição tende a estar relacionada mais à dificuldade de procurar uma delegacia devido ao isolamento social do que à redução no número de crimes.

“Para além dos efeitos mais visíveis e imediatos desta violência”, descreve o anuário, “vítimas da violência sexual com frequência sofrem transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), depressão, ansiedade, transtornos alimentares, distúrbios sexuais edo humor, maior uso ou abuso de álcool e drogas, comprometimento da satisfação com a vida, com o corpo, com a atividade sexual e com relacionamentos interpessoais.”

Na Paraíba, por exemplo, uma adolescente de 15 anos tentou matar o filho de 4 anos, fruto do abuso sexual cometido pelo padrasto. “É uma pessoa com conflitos enormes no seu psiquê”, contou a promotora da Infância Ivete Arruda à mídia local. “Ela enxergava o agressor quando via o menino. Quando olhou para ele, veio à mente tudo o que ela tinha vivido em relação ao padrasto, as agressões, os estupros, o que ela ouvia da mãe.”

De acordo com Arruda, a situação foi um pedido de socorro. “É uma bandeira de SOS que ela levanta, por tudo que passou. Ela ama o filho. Já externou isso diversas vezes, mas o sentimento era de tirar tudo da vida dela para que a dor sumisse.”

O caso reitera a avaliação de que os efeitos dos abusos de crianças deixam “marcas por toda a vida”, como afirma o anuário. “Trata-se de uma geração de crianças e adolescentes marcada de forma definitiva e que tem as suas oportunidades, que nesse período deveriam ser maximizadas, profundamente prejudicadas.”

No caso de Nair, o abuso significou, além da dificuldade de se relacionar com outras pessoas, dez anos na prostituição. Carolina, por sua vez, relata ter ficado desestabilizada por muito tempo, tanto financeira quanto emocionalmente. Hoje, com um filho de 3 anos com deficiência intelectual, ela está desempregada e vive do auxílio pago ao menino pelo governo.

Líder na incidência de estupro de vulnerável no Brasil, Mato Grosso do Sul, onde vivem Carolina e Nair destoou da tendência nacional de queda vista em 202 com uma taxa de 57,5 casos por 100 mil habitantes (alta de 4,5% mesmo em ano de pandemia).

Umas das vítimas desse tipo de crime no estado neste ano foi Raissa da Silva Cabreira, 11, moradora da aldeia Bororó, em Dourados, a 130 km da capital, Campo Grande. Ela sofreu um estupro coletivo e foi morta ao ser jogada de uma pedreira. Um dos autores foi seu tio, Elinho Arévalo, que abusava sexualmente de Raissa desde que ela tinha 5 anos – ele foi morto na cadeia.

O caso na aldeia Bororó expõe a dificuldade de lidar com os abusos de indígenas em Mato Grosso do Sul, que tem grande quantidade de assentamentos e aldeias.

“A gente tem a segunda maior população indígena do Brasil em Mato Grosso do Sul, e os índices de violência e vulnerabilidade de meninas e mulheres  indígenas são muito altos”, explica a subsecretária Estadual de Políticas Públicas para Mulheres, Luciana Azambuja. “É muito delicado ter uma política pública que atenda a todos os grupos, precisa ter especificidades. A gente precisa falar em guarani, em espanhol na fronteira,”

Para tentar enfrentar o problema, o estado trabalha com uma estrutura de acolhimento das vítimas em diferentes órgãos públicos. Entre as iniciativas, está a chamada sala lilás, implantada no Instituto Médico Legal desde 2017.

O modelo foi importado do Rio Grande do Sul e visa dar um atendimento mais humanizado às vítimas de violência sexual, com espaço exclusivo para crianças. Além do IML, a sala tem sido replicada em delegacias de cidades de pequeno e médio porte. Em Sidrolândia, a 70 km da capital, houve aumento de 40% na procura pela delegacia com o atendimento especializado.

“Quando tem um órgão especializado, encoraja as mulheres, e o número de denúncias cresce”, explica a subsecretária. Até agora, foram sete salas instaladas pelo estado e outras 10 estão para serem inauguradas. Além disso, há 12 Delegacias de Atendimento Especializado à Mulher (Deam), que atendem quase metade dos municípios. Dentro dessas delegacias, explica a delegada Joilce Ramos, que atua em Campo Grande, a preocupação é não revitimizar os menores de idade, que são atendidos nos horários em que a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente não está aberta. Por isso, é ouvido apenas o acompanhante para um relatório preliminar e a criança ou o adolescente dá seu depoimento a um psicólogo em outro momento.

Um profissional da área também faz a avaliação de mulheres vítimas de estupro. “Geralmente, não tem testemunha, e a palavra da vítima tem preponderância”, explica Joice sobre o trabalho do psicólogo para descobrir se o crime aconteceu. Integram essa rede de acolhimento iniciativas como a Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande, a primeira a ser instalada no país, e o Núcleo da Infância e Juventude dentro do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que trabalha para auxiliar o trabalho dos promotores ao lidar com casos como o do abuso sexual de menores. Ainda assim, a promotora Fabrícia Lima, que coordena o núcleo, destaca que um dos desafios é a integração dessa rede.

Além de impactar as denúncias, as restrições impostas pela pandemia tiveram reflexos nos trabalhos de prevenção. Algumas ações foram mantidas de forma virtual, como o site Não se Cale, que reúne campanhas de informação e links para denúncias. “Seria ótimo se todas tivessem internet, mas não é a realidade da maio parte das mulheres mais vulneráveis”, diz a subsecretária. O retorno das crianças às aulas presenciais também veio acompanhado pelo aumento no número de relatos – as escolas têm papel decisivo na identificação de casos de violência. “Nesse momento em que as crianças possivelmente estiveram mais expostas a situações mais delicadas e que mais precisavam de ajuda, algumas das possíveis portas de entrada das denúncias, como as escolas, estavam fechadas”, diz o anuário.

Na escola Manoel Bonifácio Nunes da Cunha, de ensino integral em Campo Grande, a diretora Lusimeire Gonçalves já registrou duas situações de violência em casa desde o retorno das crianças às aulas. “O grande desafio é quando descobre quem é, e muitas vezes é alguém tão próximo”, diz.

Essa proximidade dos abusadores com as vítimas foi destacada no Anuário de Segurança Pública. “Quando tratamos de violência contra crianças e adolescentes, os dados são preocupantes, pois indicam que são familiares e outras pessoas do círculo íntimo destas os principais autores de abusos e violações de caráter sexual.”

Soma-se a isso a falta de acolhimento de quem deveria proteger e acreditar na vítima, como no caso de Carolina. “O maior desconforto é em relação aos cuidadores, quem não acreditou (no abuso)”, explica a psicóloga Roseneia Martines, que atua no Projeto Nova, de atendimento a vítimas de violência sexual, onde Carolina e Nair receberam acompanhamento. “Normalmente é a figura materna que não foi o suporte necessário. E a parte mais difícil, mais do que falar do próprio abuso, é a dor do abandono:· “Eu convivo com a pessoa, a minha mãe não se separou dele e está casada até hoje”, conta Carolina. “Então não foi difícil, ainda é.”

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 03 DE DEZEMBRO

O CAMINHO DO APRENDIZADO

Quando o escarnecedor é castigado, o simples se torna sábio; e, quando o sábio é instruído, recebe o conhecimento (Provérbios 21.11).

O processo de ensino-aprendizado não é assimilado por todos da mesma maneira. O escarnecedor é castigado e nada aprende. O simples só aprende com a experiência amarga dos outros. Já o sábio, por intermédio da instrução, encontra o conhecimento e alcança a sabedoria. É triste quando um indivíduo chega a um ponto tal de embrutecimento que, mesmo sendo castigado, não aprende nada. A vara da disciplina já não molda mais seu caráter. Essas pessoas serão quebradas repentinamente sem chance de cura. Quem age assim torna-se pior do que o cavalo e a mula, que, embora irracionais, obedecem ao freio. As pessoas sem experiência aprendem uma lição quando o zombador é afligido e castigado. Esse é o aprendizado de segunda mão. Palavras não bastam; uma ação radical ou um revés na vida de alguém é necessário para fazê-lo aprender uma lição de sabedoria. Atitude completamente diferente tem o sábio. Ao ser instruído, ele tem a mente aberta para aprender, o coração disposto a obedecer e a vontade ágil para ensinar o que aprendeu. O néscio nada aprende. O simples depende dos outros para aprender. O sábio tem pressa para ouvir a instrução e receber o conhecimento.

GESTÃO E CARREIRA

CARREIRAS QUENTES – IV

MERCADO FINANCEIRO – MAIS TRABALHO PELA FRENTE

Só neste ano, 40 empresas já engrossaram a lista de companhias com capital aberto no Ibovespa. Bom para elas, que estão captando mais dinheiro, e ainda melhor para os profissionais que trabalham com equity research. Essa é uma área comum dentro dos bancos e corretoras, e desempenha um papel essencial: estudar os fundamentos de uma empresa para determinar se ela é ou não uma boa opção de investimento, e analisar a flutuação do preço das ações, para saber se vale ou não vale comprar tal papel. Hoje, com cada vez mais empresas para acompanhar e cada vez mais pessoas físicas investindo em ações, cresce também o número de casas de análise – que não são bancos nem corretoras, apenas instituições que fornecem relatórios sobre o mercado. Algumas delas contam com dezenas de analistas.

Mesmo porque escarafunchar balanços e formular análises sobre o desempenho de um setor ou de uma empresa para o futuro não é um trabalho simples – nem uma ciência exata. Chovem erros. E isso é bom: torna os melhores analistas um ativo particularmente valioso. Vale destacar que, para atuar no mercado financeiro, é obrigatório que o profissional tenha algumas certificações. Elas variam de acordo com a atividade exercida. Para quem quer ser analista, por exemplo, o CNPI é indispensável. Mas também tem o CPA, que é destinado para funcionários de bancos e corretoras que lidam diretamente com clientes; e até certificados internacionais, que não são obrigatórios, mas dão um gás na carreira, como CIIA (Certificado Internacional de Analista de Investimentos).

“MEU TRABALHO É ESTUDAR”

Eduardo da Rocha Lopes, de 27 anos, se formou em engenharia mecânica em Niterói (RJ). Como a região abriga empresas de óleo e gás, o mineiro começou a carreira nesse setor, mas sempre com vontade de aprender economia. “Eu gostava de mercado financeiro, mas não tinha ideia de como atuar na área. Até que, em 2019, soube que o Santander estava contratando engenheiros e vi uma oportunidade de mudar minha carreira.” Lá no banco, ele atuava como analista de produtos, mas o seu sonho era entrar na área de equity research. Para Isso, começou a estudar sobre o mercado e a tirar os certificados necessários. E, no ano seguinte, foi contratado como analista de equity research na Santa Fé Investimentos. “Meu trabalho é estudar. Eu passo o dia todo pesquisando sobre empresas e os setores em que elas atuam. Para quem quer trabalhar com isso, é essencial que seja curioso e tenha vontade de aprender.”

EU ACHO …

MATAR OU NÃO, EIS A QUESTÃO

Pode acontecer com qualquer um nesse dia a dia urbano de todos os dias. Andando pela rua, presenciamos situações de agressão moral ou física que podem surgir de episódios banais. Um esbarrão involuntário, por exemplo. O esbarrador ofende o esbarrante, empurra, ameaça escalar a agressão. Imagine agora que um esteja armado, e o outro seja um policial. O que eles farão depende do cérebro: inicialmente, uma série de reflexos corporais é ativada. Um assume a postura de defesa, outro de ataque, o coração de ambos dispara e a respiração acelera. O cérebro tenta oferecer ao corpo mais energia e melhores condições para o confronto. Depois é preciso também focar a atenção, avaliar a situação. E decidir o que fazer. Automaticamente. Rapidamente.

Há redes cerebrais que realizam todas essas operações, escolhendo e contendo os comportamentos até que seja o momento de liberar os mais adequados. O tempo é mínimo porque vidas podem estar em jogo. O desfecho depende também do contexto social, educação, treinamento e leis. Supõe-se que o policial terá sido treinado para controlar-se e modular sua reação. E que as normas e leis do país possam ajudá-lo (ou não…) a avaliar as consequências. No final da história, podem resultar mortos e feridos…

Os psicólogos e neurocientista utilizam testes de comportamento e instrumentos de medida cerebral para estudar como esses acontecimentos se desenvolvem. Geralmente os testes empregados são chamados “go/no go”: após tomar uma decisão, a pessoa aperta um botão (go), ou permanece como está (no go). É um teste muito simplificado em relação à complexidade da vida real. Mas recentemente uma dupla de psicólogos americanos aprimorou os estudos. Publicou um trabalho sobre a tomada de decisão de disparar uma arma, usando um jogo digital que adiciona à decisão go/ no go uma série de variáveis sociais. Uma delas: a cor da pele de um “suspeito”.  Outra: o contexto do ambiente em que a situação se dá, facilitando ou não uma retirada estratégica (um parque versus um shopping). A terceira: a legislação que regula essas situações, que pode criminalizá-las ou não. E, finalmente, o registro da atividade cerebral pelo eletroencefalograma.

Os pesquisadores recrutaram centenas de voluntários, homens e mulheres, a quem relatavam “leis” mais ou menos lenientes à violência, e apresentavam um cenário urbano aberto ou fechado, uma pessoa “alvo” que se aproximava em atitude ameaçadora, e um botão representando uma arma, para disparar ou não. Os resultados foram claros. Viés racial, o fator mais forte. A probabilidade de “atirar” foi sempre maior quando o indivíduo-alvo era negro. Se estivesse armado, maior ainda. Os tiros diminuíram se o ambiente fosse aberto e abrisse possibilidade a uma retirada estratégica. E o mais importante: quando os voluntários eram avisados de que a “legislação” era permissiva, atirar tornava-se a decisão predominante. Finalmente, a conectividade cerebral nas regiões atencionais era maior e a de controle inibitório era menor quando o “alvo” era negro, quando estava armado, quando o ambiente não facilitava a retirada e, mais que tudo, quando a legislação era leniente. Significa que nessas circunstâncias as regiões atencionais do cérebro comunicam-se mais, e as regiões de controle inibitória, menos. Identificado o alvo negro, com a legislação a favor, ocorria imediata liberação do disparo.

O trabalho dos pesquisadores é rigoroso e neutro, mas a meu juízo representa um libelo contra o viés racial das agressões cotidianas, e salienta a necessidade de leis que protejam a vida e não facilitem a morte. O cérebro nos oferece os instrumentos para agir pela vida ou pela morte. Mas na maioria dos casos é o ambiente que regula tudo. Leis permissivas para o porte de armas, treinamento de policiais para o ataque, racismo estrutural dominante: esses são os ingredientes e autorizam o cérebro das pessoas a matar.

ROBERTO LENT – é neurocientista e professor emérito da UFRJ e pesquisador do Instituto D’Or.

ESTAR BEM

MÃOS MÁGICAS

Ciência descobre como massagem é capaz de tratar inflamação muscular

Ninguém nega que a massagem ajuda a aliviar dores musculares causadas por exercícios, contusões e torções menores. Mas os benefícios da estimulação mecânica dos músculos proporcionada pela massagem vão bem além de apenas bem-estar, mostra uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Harvard, nos EUA.

Num estudo publicado na revista cientifica Science Translational Medicine, eles propõem que, na dose certa a massagem pode ajudar a tratar uma série de lesões musculares, tanto decorrentes de acidentes, sobrecarga, torções ou mesmo coágulos sanguíneos. Ela realmente trata a inflamação muscular. A massagem ajuda a acelerar a recuperação muscular, dizem os cientistas americanos, porque contribui para remover células do sistema imunológico que podem atrapalhar processos regenerativos e prolongam a inflamação. São os neutrófilos, os primeiros soldados que o sistema imunológico envia para a batalha quando o corpo é agredido, seja por uma lesão ou pela invasão de um vírus ou bactéria.

Essas células agem depressa e liberam substâncias para atacar o problema. Mas isso gera inflamação e a dor e o desconforto que costumam acompanhá-la. Os neutrófilos são fundamentai, mas nem sempre têm noção de quando devem se retirar. O estímulo mecânico promovido pela massagem lhes envia a mensagem que é hora de tirar o time de campo e permitir que outras células entrem em ação.

DÚVIDAS ANTIGAS

Costuma se pensar que a massagem funciona porque melhora a circulação sanguínea e dispersa o acúmulo de substâncias tóxicas nos músculos. Porém, os mecanismos celulares ativados por essa estimulação eram pouco conhecidos, até hoje.

Foi então que a principal autora do estudo, a cientista sul-coreana Bo Ri Seo, que faz pós-doutorado em Harvard, resolveu investigar como de fato a massagem funciona e seus efeitos terapêuticos. Ela e seus colegas viram que sua ação é mais profunda e prolongada  do que se pensava.

Seoé especialista no uso de mecanoterapia, o que inclui a massagem, na regeneração dos músculos. Ela e seus colegas focaram nas células do sistema imunológico porque é sabido que desempenham papel fundamental na resposta muscular a lesões, ajudando, por exemplo, a evitar infecções. A pesquisa foi realizada com camundongos pelo óbvio motivo de que seria difícil e antiético encontrar voluntários para sofrer lesões cuidadosamente programadas e permitir que se observasse por meio de biópsias o que acontece à medida que a massagem é  aplicada.

No caso, os cientistas desenvolveram uma espécie de robozinho que massageava com precisão os músculos lesionados dos roedores.

“A pesquisa é interessante porque mostrou como funciona o que se sabe empiricamente”,  observa, ao comentar o estudo, o especialista em fisiologia dos músculos José Cesar Rosa Neto, do Laboratório de Imunometabolismo do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).

Os cientistas de Harvard afirmam que a compressão aplicada pelo robô facilitou a remoção de neutrófilos, reduziu citocinas e quimiocinas (ambas produzidas pelo sistema imunológico) e melhorou a composição e a função das fibras musculares”. Eles afirmam que esses resultados mostram a viabilidade de desenvolver métodos de estimulação mecânica para acelerar a regeneração dos músculos.

Roso Neto explica que a maior dificuldade de empregar a massagem como terapia para uma gama maior de lesões musculares é manter um padrão de estimulação adequado a cada caso. A intensidade da estimulação, por exemplo, varia de um terapeuta para outro e não é uniforme, como no caso do robozinho usado pelos cientistas de Harvard para massagear seus camundongos.

O robozinho, na verdade, não é muito diferente dos aparelhos elétricos comuns de massagem. A diferença foi o padrão uniforme de estímulo mecânico. Os roedores foram tratados com mecanoterapia durante duas semanas, com duas sessões por dia. Depois desse período, foram extraídas amostras de tecido muscular. A análise destas indicou que os neutrófilos estavam sendo removidos mais depressa, na dose certa.

Seo explica que, de início, os neutrófilos ajudam as células musculares a crescer, mas se ficam muito tempo, acabam causando danos. Rosa Neto acrescenta que a massagem ajuda o corpo a receber a dose certa de inflamação. Se a fase inflamatória é eliminada, não há boa recuperação muscular. No caso das microlesões causadas pela musculação, o processo também é necessário para que aconteça hipertrofia.

‘DEFESA BURRA’

O ideal é que os neutrófilos fiquem de 24 horas a 48 horas, às vezes até 72horas, depois disso a inflamação tem que passar ou vira um problema. E os neutrófilos muitas vezes não sabem quando é a hora de partir. Eles são células mais primitivas, “não aprendem nada”. Chegam e apenas atacam.

“Nas minhas aulas digo aos alunos que os neutrófilos são uma defesa importante, mas burrinha. São trogloditas do sistema de defesa”, diz o cientista da USP.

Numa inflamação asséptica – que não foi provocada por invasão de patógenos,  como vírus e bactérias – como é o caso de muitas lesões musculares, o papel desses neutrófilos é mover a limpeza inicial.

Eles chegam, detectam o lixo deixado pela lesão, como restos de células, e chamam os macrófagos, células do sistema imunológico que engolem a sujeira. Quando entendem que está tudo limpo, recrutam um tipo especial de macrófago, que produz fatores de crescimento, para a regeneração do músculo.

“Eles precisam conferir a sujeira, convocar outras células e sair. Mas às vezes demoram mais tempo e prolongam a inflamação, pois continuam a enviar sinais químicos. E aí a pessoa passa a sofrer. Além disso, outras células não conseguem entrar em ação. Os estímulos da massagem funcionam como uma mensagem de que chegou a hora de partir”, explica Rosa Neto.

O estudo deixa claro que massagem de fato ajuda e que a porta está aberta para o desenvolvimento de métodos terapêuticos mais aperfeiçoados. Com o robozinho massagista, os cientistas abriram uma janela para compreender melhor os mecanismos complexos pelos quais o corpo se regenera. Para atletas amadores, massagem pode ser melhor do que suplemento e remédio, sugerem os cientistas. Mãos de fada realmente existem.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTUDOS COMPROVAM RELAÇÃO DA DIETA COM A SAÚDE CEREBRAL

Alimentos de origem vegetal como os cogumelos e legumes decores fortes ajudam a reduzir inflamações e substâncias que alteram padrões cognitivos

Não é segredo para ninguém que a base da boa saúde é uma dieta saudável. Mas evidências recentes mostram que determinados alimentos podem impactar diretamente na saúde do cérebro e no bem-estar mental. A mais recente delas, de um estudo que será publicado na edição de novembro da revista científica Journal of Affective Disorders, revelou que a ingestão de cogumelos, por exemplo, como champignon e o shitake, está associada à redução do risco de depressão.

Trabalhos anteriores já haviam associado o consumo do fungo à diminuição do risco de câncer e morte prematura. Agora, pesquisadores da Penn State College of Medicine, nos Estados Unidos, descobriram mais um benefício dos cogumelos, após analisarem dados do regime e da saúde mental de mais de 24 mil adultos americanos, coletados entre 2005 e 2016. Os resultados mostraram que aqueles que comiam esses alimentos tinham menor probabilidade de desenvolver o transtorno, em comparação com as pessoas que não tinham esse hábito.

Os cogumelos contêm vários compostos, incluindo vitamina B12, fator de crescimento nervoso (chamado BDNF), além de antioxidantes e agentes anti-inflamatórios. Entre essas substâncias, a ergotioneína, um poderoso antioxidante que pode proteger contra danos às células e tecidos do corpo, presente em grande quantidade nesses fungos, seria o principal responsável pelo efeito protetivo na saúde mental.

“Esse estudo reforça a importância de o brasileiro incluir o cogumelo na sua alimentação diária, o que ainda não é uma prática muito comum”, diz o nutrólogo e médico do esporte Eduardo Costa Rauen, professor da pós-graduação de nutrologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Os pesquisadores não observaram uma relação entre a quantidade e os benefícios. Eles identificaram que quem consumiu cogumelos teve menos riscos em relação aos que excluíram o alimento da dieta.

Um segundo estudo, publicado na Clinical Nutrition, chegou a conclusões semelhantes, mas desta vez, com frutas e vegetais, e em porções quantificadas. Pessoas que comeram pelo menos 470 gramas diários desses alimentos apresentaram níveis de ansiedade 10% mais baixos do que aqueles que consumiram menos de 230 gramas desses itens.

Acredita-se que os nutrientes presentes nesses alimentos, como vitaminas, minerais, flavonoides e  carotenoides, são um fator de influência positiva. Essas substâncias, em especial os flavonoides, responsáveis pelas cores vibrantes de alimentos de origem vegetal, têm efeito anti-inflamatório e antioxidante.  

Outras evidências mostram o papel ainda maior dos flavonoides. Uma equipe da Universidade Harvard confirmou em setembro o poder na redução do declínio cognitivo associado ao envelhecimento. A análise, uma das maiores realizadas até hoje, descobriu que o consumo de alimentos ricos nesses compostos ajuda a conter o esquecimento e à confusão mental apresentadas por idosos e que, muitas vezes, precedem um diagnóstico de demência.

PROTEÇÃO COGNITIVA

Os cientistas avaliaram dados de saúde e dieta de mais de 77 mil homens e mulheres de meia idade coletados ao longo de 20 anos. As informações incluíam a frequência com que os participantes comeram alimentos ricos em flavonoides ao longo desse período e relatos sobre possíveis alterações de cognição, como dificuldade de lembrar eventos recentes ou uma pequena lista de itens, problema para compreender instruções, acompanhar uma conversa em grupo ou para encontrar o caminho ao se locomover por ruas familiares, quando estavam na faixa etária dos 70 anos de idade.

As substâncias encontradas principalmente nas especiarias, no morango, no espinafre cru, além de frutas e vegetais amarelos e alaranjados, como a abóbora, tiveram o efeito protetor mais forte: elas foram associadas a uma redução de 38% no risco de declínio cognitivo.

Há ainda mais uma explicação para essas ações. Esses antioxidantes poderosos podem combater a inflamação no cérebro e o acúmulo de beta-amiloide, uma das marcas registradas do Alzheimer. Além disso, essas substâncias também desempenham um papel importante na manutenção de vasos sanguíneos saudáveis, o que ajuda a manter o sangue fluindo para o cérebro, fortalecendo conexões, promovendo o crescimento de novas células cerebrais e aumentando o tamanho do hipocampo, uma parte do cérebro envolvida no armazenamento e recuperação de memórias.

Enquanto a ciência não crava a porção ideal para o efeito no cérebro, os especialistas recomendam “colorir o prato o máximo possível”.

“O benefício está no equilíbrio do que comemos e não em um alimento especifico”, diz Rauen.

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