OUTROS OLHARES

ÁLCOOL DEMAIS ENTRE IDOSOS JÁ DESAFIA A SAÚDE PÚBLICA

São 2 milhões de pessoas entre 60 e 70 anos, no País, bebendo várias doses de uma vez e expostas a sérios perigos, diz estudo da Unifesp

Um em cada dez brasileiros com mais de 60 anos faz uso abusivo de bebidas alcoólicas, indica estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Na conta dos pesquisadores, são cerca de 2 milhões de idosos (6,7%) que consomem várias doses em uma única ocasião – padrão de consumo abusivo, conhecido como binge drinking. Cerca de 1,16 milhão, 3,8%, bebe de 7 a 14 doses por semana, quantidade que pode pôr em risco a saúde. No total, um em cada quatro idosos (23,7%) admite consumir álcool eventualmente.

Para chegar a esses padrões, pesquisadores da Escola Paulista de Medicina (da Unifesp) analisaram os dados de um estudo com 5.432 brasileiros acima de 60 anos. E recorreram também a informações de 503 idosos atendidos em Unidades Básicas de Saúde de São José dos Campos. O trabalho, que virou tese de doutorado da pesquisadora Tassiane Cristine de Paula, é inédito no País e aponta que o consumo de álcool entre idosos já é problema de saúde pública.

A bebida em excesso entre os mais velhos não é exclusividade dos brasileiros. Aos 95 anos e perto de completar 70 de reinado, a rainha Elizabeth II foi aconselhada por médicos do  Reino Unido a parar com seus drinques diários. Fontes próximas à família real britânica falaram do caso à revista Vanity Fair.

O estudo brasileiro indicou que os homens idosos bebem mais que as mulheres, embora essas sejam mais vulneráveis aos efeitos da bebida. Mostrou também que a frequência e a quantidade diminuem com a idade – o consumo de risco é maior entre homens de 60 a 70 anos, sobretudo os que têm maior escolaridade (acima de 9 anos de estudo). A partir dos 70 anos, o consumo cai, principalmente entre as mulheres. O fenômeno é mais comum na Região Sudeste do País.

DIA SIM, OUTRO TAMBÉM

Dono de uma empresa de turismo de pesca em Sorocaba, Carlos Alberto Dias, o Charles, de 68 anos, toma de uma a duas taças de vinho “dia sim, outro também”, como afirma. É uma rotina de 20 anos, iniciada por influência da mulher, de origem espanhola, apreciadora da bebida. “Antes eu tomava cerveja. Agora, uma garrafa de vinho dura três dias depois de aberra, pois cuidamos para que não oxide”, disse. Charles acredita que a idade não deve impedir o cultivo de um hábito “gostoso”, que ele não considera prejudicial. “Se tirarem os drinques da rainha (referência à monarca britânica), ela morre”, comparou.

O empresário diz que só vai ao médico para os exames periódicos. “Não tenho pressão alta nem hipertensão e passo longe das farmácias. Faço atividade física regular. Tenho clientes médicos e eles desaconselham os destilados, não o vinho”, disse. Sua mulher, Maria Josefa, de 65 anos, o acompanha nas taças bem servidas. “Somos um casal que bebe unido”, avisa.

A dupla está no limiar do consumo de alto risco, já que o estudo considera de baixo risco menos que uma dose por dia para a mulher e menos que duas doses para o homem. Acima de uma dose diária para a mulher (ou 7 na semana) e duas para o homem (14 na semana) passa a ser consumo de alto risco. Mais que quatro doses para a mulher e cinco para o homem, em duas horas, caracteriza o consumo abusivo.

COMO REDUZIR

Segundo a pesquisadora Tassiane, é fundamental entender esse problema para propor estratégias visando a redução do consumo entre os idosos, de modo a evitar que se torne um problema de saúde pública mais grave. ”É um fato preocupante, pois, com o aumento da expectativa de vida, a proporção de idosos na população é maior.”

Os estudos indicam, segundo Tassiane, que o consumo prejudicial de álcool em adultos e idosos pode estar relacionado não só a problemas graves de saúde – doenças cardiovasculares, hipertensão, câncer e demência. ”Aumenta também o risco de quedas e acidentes com fraturas”, alerta a cientista, que foi orientada pela professora Cleusa Ferri. Financiada pela Fapesp, a pesquisa foi publicada recentemente em revistas internacionais.

Como parte do estudo, a pesquisadora e seu grupo entrevistaram 503 idosos atendidos pelas UBSs de São José dos Campos. Desses, 242 foram identificados como consumidores de álcool e 80 foram acompanhados até em sua rotina domiciliar. Esse trabalho, iniciado em janeiro de 2020, foi interrompido em março, pela pandemia. ”Após três meses, verificamos que a metade reduziu o consumo e 25% pararam de beber. É claro que pode haver um efeito da pandemia, pois muitos idosos sequer puderam comprar bebidas e pararam as festas familiares. Mas o resultado nos anima a continuar esse trabalho logo que possível.”

PROTOCOLO

A expectativa da pesquisadora é desenvolver para o sistema público de saúde um protocolo de intervenção em relação aos idosos que bebem. Conforme a ONG Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) ,os dados sobre o consumo de álcool por idosos ainda são escassos e subestimados no País, mas já se sabe que de 1% a 3% apresentam morbidade física e psiquiátrica relacionada ao uso de bebidas alcoólicas. Entre as consequências do álcool nessa população estão o déficit no funcionamento cognitivo e intelectual, prejuízos no comportamento social e aumento das comorbidades.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 02 DE DEZEMBRO

UM HOMEM SEM COMPAIXÃO

A alma do perverso deseja o mal; nem o seu vizinho recebe dele compaixão (Provérbios 21.10).

O mal não está apenas fora do homem, mas em seu interior. Não vem de fora, mas de dentro. Não está somente nas estruturas à sua volta, mas dentro dele. É do coração que procedem os maus desígnios. O perverso, porém, dá um passo a mais. Além de estar presente em seu coração, o mal é ali cultivado. O perverso não é apenas potencialmente maldoso; ele desenvolve essa maldade até sua consumação. A alma do perverso deseja o mal, e esse desejo se transforma em ação. O perverso não apenas lança um olhar de cobiça sobre o próximo, mas procura desenfreadamente a consumação dessa cobiça. Seus olhos são lascivos, seu coração é ganancioso, e suas mãos, violentas. Um exemplo clássico dessa dramática realidade foi o que o rei Davi fez quando adulterou com Bate-Seba. Davi a viu, a desejou, a atraiu e se deitou com ela. Depois, tentou evadir-se de sua responsabilidade e acabou matando Urias, o marido. Davi agiu perversamente, pois não teve piedade de Urias, um soldado de confiança. O perverso não tem compaixão nem mesmo de seu vizinho. Para satisfazer seus caprichos e alimentar sua cobiça, passa por cima das pessoas, mentindo, roubando, ferindo e matando. Os maus têm fome do mal; não sentem pena de ninguém. Os maus se abastecem da maldade e não têm dó nem mesmo de seu vizinho.

GESTÃO E CARREIRA

CARREIRAS QUENTES – III

JURÍDICO – NA ONDA DAS REESTRUTURAÇÕES

Se o governo, o vírus e São Pedro não atrapalharem mais, a tendência é de uma recuperação econômica. O que significa mais trabalho para o pessoal do jurídico. “Num cenário assim, as empresas voltam a alavancar os negócios e investimentos que estavam parados. O mercado do direito societário e de contratos, então, será um dos mais  aquecidos”, diz Mariana Horno, gerente de recrutamento da Robert Half.

A alta histórica nas opeirações de M&A também criou um universo de necessidades na área jurídica. As contratações estão focadas em pessoas com experiência em fusões e aquisições, compliance e reestruturações societárias.

Mas não é só isso. Empresas de tecnologia estão fortalecendo os seus departamentos Jurídicos, porque existe uma carência de legislações e órgãos reguladores. Na saúde tem a ANS para regular os convênios; o Banco Central fica de olho nas instituições financeiras. Mas não tem ninguém para orientar as companhias de tecnologia. Por isso, o advogado que atua com tech precisa estar atualizado em tempo real sobre as discussões que envolvem o setor. Está rolando na Câmara, por exemplo, um Marco Legal para debater o uso ético do aprendizado de máquinas – imagine o monte de regras novas que deve sair desse mato…

EU ACHO …

A ROTINA OBSOLETA

Como lidar com a realidade deliciosamente instável de hoje

Ser do tempo da máquina de escrever não me assusta mais. Já é objeto de museu. De colecionador. Até seu sucessor, o computador de mesa, está com os dias contados. Tão mais prático o laptop! Mas também existe o tablet, e quem sabe o que logo mais. É surpreendente a velocidade com que meu cotidiano se transforma. Objetos essenciais até  um tempinho atrás desapareceram. Eu tinha uma fantástica coleção de DVDs. Fui parando de ver, parando… Acabei pendurando  uma parte da coleção na horta para espantar passarinhos comilões. O sol reflete no metálico, é uma beleza. Tenho filmes incríveis. Mas o aparelho de DVD também não funciona bem por falta de uso. Apelo para o streaming. Pen drives vão para o mesmo caminho. Pra que, se existe a nuvem? Fax, secretária eletrônica… Ai, ai, ai…

Orelhão. A própria linha telefônica fixa vai desaparecer, questão de tempo. Eu não uso mais. Ainda me lembro (idade, idade…) do tempo em que era difícil ligar pra outra cidade. A ligação interurbana não é mais um bicho de sete cabeças. Scanner? Resolvo no meu celular. Cinzeiro para carro? Obsoleto. Mapa em papel, bip… Discos de vinil só sobrevivem entre colecionadores. Fios, não sei, não. Cada vez mais a tecnologia abre mão deles. Agenda eletrônica? Adeus! Por mais que todo mundo goste, os livros em papel terão o mesmo caminho dos LPs. Os textos eletrônicos não ocupam espaço em apartamentos cada vez menores, são simples de carregar. Qualquer um vai dar risada se alguém falar em despertador. Antigo! O celular resolve. Assim como resolve outras centenas de atividades.

Inventa-se um dispositivo, todo mundo tem, e, dali a pouco, ele é trocado por outro, mais avançado. A velocidade da mudança supera as eras anteriores. O próprio papel está perdendo a razão de ser. Documentos on-line são aceitos. Posso assinar um contrato por e-mail. Houve um tempo em que ter xerox de RG com firma reconhecida era um avanço. Hoje… Quem faz xerox? imagine, eu sou do tempo em que na escola se faziam apostilas em xerox! Hoje, a gente recebe on-line.

Já estou preparado para o desaparecimento de tudo o que me cerca. E até de tudo o que vai me cercar daqui a cinco, dez anos. O mundo em que eu nasci era estável. O de hoje se transforma o tempo todo. Inclusive o que parece imutável mudará. Transferências bancárias tradicionais perderam lugar para o Pix. Quem poderia prever que até a transferência estaria ameaçada? Principalmente, está acontecendo o fim do dinheiro em papel. Eu, você, quantas vezes, no passado, saímos de casa com a “carteira recheada!? Até essa expressão, “carteira recheada”, se tornou anacrônica. Usamos cartões de crédito – que em breve desaparecerão também, substituídos por outras formas de pagamento, como a aproximação. Não uso dinheiro físico já faz um bom tempo. É apenas um número, um símbolo que se utiliza em transações comerciais, bancárias…

Parece estável? Vai sumir. A vida se torna obsoleta a cada segundo. Mas o novo vai surgir. Isso torna a vida fascinante. A realidade é deliciosamente instável.

*** WALCYR CARRASCO

ESTAR BEM

A FORÇA DA MEDITAÇÃO

Com apenas cinco minutos diários de prática, a estrutura do cérebro se transforma

No começo da década de 90, o neurocientista americano Richard J. Davidson começou a estudar as diferenças entre cérebros de monges budistas e pessoas que não meditavam. Os resultados o assombraram e foi o início de uma pesquisa que derrubou o mito de que a meditação e seus benefícios são para quem pode se isolar numa caverna no Tibete, ou é o que popularmente se chama de uma pessoa zen.

Nada disso. Meditar, explicou Davidson em entrevista, está ao alcance de todos e produz, com apenas cinco minutos diários de prática, transformações na estrutura do cérebro que ajudam a ter foco, regular emoções e ter compaixão. Se tudo isso já era importante antes da pandemia, frisou o diretor do Laboratório de Neurociência Afetiva da Universidade de Wisconsin, nos EUA, na fase de gradual retorno à normalidade tornou-se uma realidade.

“Durante a pandemia trabalhamos com mais de 600 professores de escolas públicas que estavam dando aula online, submetidos a situações extremas. Com cinco minutos de meditação por dia essas pessoas reduziram em 25% seu nível de estresse em pouco tempo”, conta Davidson, que semana passada foi o convidado estrela do foro sobre “Neurociência e bem-estar. Habilidades da futuro, conhecimento e bem-estar para a comunidade” organizado pelo Instituto de Neurologia Cognitiva (Ineco), de Buenos Aires.

Em seu laboratório, o neurocientista americano tem algumas das tecnologias mais avançadas para obter imagens cerebrais, como tomo grafia por emissão de positrões e ressonância magnética. Com mais de 20 anos de estudos, Davidson não tem dúvidas de que meditar é um hábito que qualquer ser humano pode incorporar à rotina, da mesma forma que todos aprendemos, um dia, a escovar os dentes.

“Além da crise sanitária, a pandemia disseminou ansiedade e depressão. Os índices, em alguns países, duplicaram. Nossa mensagem é de que toda pessoa tem em suas mãos o potencial para melhorar seu bem-estar”, enfatiza Davidson, que também trabalhou recentemente com mulheres colombianas vítimas de abusos. Nesse caso, ampliou, foram necessários mais do que cinco minutos diários, dado o estado de deterioração mental em que estavam as pacientes.

FORA DO PILOTO AUTOMÁTICO

Mas o mais importante para quem decide iniciar esse caminho, concordam outros especialistas, é entender que se trata, simplesmente, de desligar o piloto automático e perceber nossos pensamentos. Muitas vezes, profundamente negativos sobre nós mesmos e que causam mal estar.

Aos 54 anos, a professora de ioga e instrutora de meditação brasileira Maria Araújo dedica sua vida a transmitir às pessoas como ela conseguiu passar do pânico à paz graças a práticas que existem há mais de cinco mil anos. Em seu estúdio no bairro carioca do Catete, ela dá aulas presenciais e virtuais  e todas as noites ofereceaos alunos uma meditação.

“Meditar é muito simples, mas eu mesma demorei a entender isso. A primeira vez que tentei meu corpo coçava inteiro e desisti. Demorei alguns anos para tentar de novo e hoje sei que todos podemos meditar, e que não existe pessoa zen, existem pessoas, como eu, que conseguimos sair mais rápido de momentos de estresse”, explica a instrutora.

Maria lembra até hoje como as pessoas comentavam como ela tinha mudado sua expressão depois que começou a meditar. Antes, vivia com o rosto enrugado e  raramente sorria.

Meditar é tudo o que fazemos no presente. Podemos meditar olhando a chuva, uma planta, uma vela. É uma pausa que fazemos e na qual nos observamos. Tem gente que tem dificuldade, não quer nem fechar os olhos, não quer se ver. Ela convida seus alunos a romper resistências e tirar o pé do acelerador todos os dias, o tempo que for possível.

Os principais benefícios da meditação são a tranquilidade, a superação de pânicos, o desfrute das pequenas coisas, organização da mente e dos pensamentos e criatividade.

“É como se tivéssemos uma gaveta toda bagunçada, com todos os tipos de roupas. Você organiza essas peças em gavetas diferentes. Eu vivia com medo, pânico, e, com a meditação, organizei a gaveta e criei espaço mental.

Em Buenos Aires, a psicóloga clínica e coordenadora do programa de Mindfulness do lneco Mercedes Mendez também prega o hábito de deixar a mente descansar, perceber como estamos, o que estamos pensando, sem qualquer tipo de julgamento. Essa última recomendação é fundamental, aponta Mercedes, porque muitas pessoas têm dificuldade de se sentir e não se criticar.

O Mindfulness é uma prática terapêutica que surgiu em 1979, quando o médico Jon Kabat-Zinn combinou a meditação budista com elementos da ciência médica ocidental e fundou o Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR).

A psicóloga comanda um programa que segue à risca o MBSR e usa a expressão “sair do piloto automático” para dizer, em poucas palavras, qual é o objetivo de fazer uma pausa diariamente.

“Na academia as pessoas exercitam os músculos, em nosso programa exercitamos a atenção plena. E isso é uma coisa que podemos fazer a qualquer momento e em qualquer lugar, basta dar uma parada, ver como estamos nos sentindo, o que estamos pensando”, afirma Mercedes.

Ela também acredita que é possível começar com breves minutos diários, mas defende que para obter os melhores benefícios é preciso adquirir o hábito de pausar entre 15 e 20 minutos.

“Se não conseguiram encontrar esse momento, façam a pausa enquanto comem, brincam com seus filhos ou conversam com seus pais. Isso já é muito potente, é perceber o momento presente, voltar a  você e não deixar que os pensamentos te arrastem.”

Os especialistas da mente humana têm uma premissa básica: a dispersão é da natureza da mente, e o desafio, acessível a quem estiver disposto a dedicar alguns minutos do dia, é trazê-la de volta ao presente. Quem medita, insistem todos em coro, conhece um estado de plenitude e felicidade que ajuda a reverter quadros de ansiedade e depressão, entre outros. Não se trata de viver como um monge budista, ou ser uma pessoa zen o tempo inteiro. Isso, destacam, é ilusão.

Segundo Davidson, “todos podemos fazer melhor”. O cérebro humano tem plasticidade e pode ser modificado em pouco tempo, adotando a prática da meditação. O neurocientista americano já trabalhou até mesmo com crianças de cinco anos. O segredo do sucesso, conclui, é o engajamento. Podem ser poucos minutos, mas a frequência é chave para sentir o impacto positivo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SAÚDE MENTAL: ATENDIMENTO FOI O MAIS IMPACTADO

Ao mesmo tempo, desde o início da pandemia, países das Américas relataram um aumento preocupante no número de novos casos de problemas psicológicos, bem como o agravamento de condições preexistentes

Há um ano, Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), emitiu uma mensagem forte: a pandemia da Covid-19 estava causando uma crise de saúde mental nas Américas em uma escala nunca vista antes.

Hoje, quando se comemora a luta global contra esses tipos de doença, as perspectivas continuam preocupantes. Nó entanto, não é tarde para tomar as medidas necessárias e evitar que a pandemia deixe uma marca indelével na saúde mental da população.

IMPACTO SICNIFICATIVO

Estudos nacionais da Argentina, Brasil, Canadá , México, Peru e Estados Unidos documentaram altas taxas de transtornos psicológicos, ansiedade e depressão na população em geral. Da mesma forma, uma pesquisa realizada pela empresa Ipsos nesses países mencionados, assim como na Colômbia e no Chile, revelou que, em média, 12% dos adultos sofreram uma deterioração significativa de sua saúde emocional e mental.

Em relação aos menores de idade, a ansiedade e a depressão representam quase 50% dos transtornos mentais em crianças e jovens entre 10 e 19 anos na América Latina e no Caribe, segundo o levantamento “Situação Mundial da Infância 2021” da Unicef (Fundo  das Nações Unidas para a Infância). Deve-se notar que, antes da pandemia, mais de uma em cada sete crianças e adolescentes no mundo sofria de transtorno mental e 46 mil  cometiam suicídio anualmente. Hoje, a situação se agravou, indica o relatório.

Aumentos no uso de álcool e de substâncias também foram relatados. Da mesma forma, registros de telefonemas para linhas diretas, relatórios policiais e outros prestadores de serviços indicam um aumento dos casos relatados de violência doméstica, particularmente abuso infantil e agressões a mulheres.

“As condições de saúde mental causam grandes deficiências nas Américas. Um terço de todas as deficiências por doença na região se deve a problemas de saúde mental”, afirma Renato Oliveira e Souza, chefe da Unidade de Saúde Mental da região na Opas.

Mas, apesar desses números, o investimento dos governos continua insuficiente. Segundo o especialista, estima-se que os países das Américas destinem a penas 2% de seus orçamentos totais de saúde pública à saúde mental, e quase 61% desse montante é direcionado a hospitais psiquiátricos, que multas vetes são locais de desrespeito aos direitos humanos.

A isso devem ser adicionados dois outros grandes problemas, que ocorrem desde antes da pandemia. O primeiro é a lacuna de tratamento (a porcentagem de pessoas que precisam de cuidados, mas não recebem auxílio): para algumas condições de saúde mental e de uso de substâncias, essa lacuna chega a quase 80%. O segundo é a carência de pessoal especializado: estima-se que haja 10,3 trabalhadores em saúde mental para cada 100 mil habitantes.

“Aconselhamos que o orçamento para saúde mental seja de no mínimo 5% ou 6%, mas depende das necessidades de cada país. O importante não é apenas aumentar o investimento, mas também que os recursos cheguem à comunidade, ou seja, integrar os serviços de saúde mental à atenção básica, que é o primeiro contato da pessoa com os serviços gerais de saúde”, explica Oliveira e Souza.

SERVIÇOS INTERROMPIDOS

Não há dúvida de que a pandemia aumentou o número de pessoas com novas doenças mentais ou agravou condições preexistentes, como esquizofrenia, tendências suicidas ou vicias. No entanto, também fez com que os serviços de saúde mental e apoio psicossocial parassem de funcionar temporariamente ou tivessem seu pessoal reduzido. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), esses tipos de serviços sofreram interrupções em 60% dos países das Américas em 2021.

“Quando analisamos o estado dos diferentes serviços de saúde durante a pandemia, os atendimentos de saúde mental são os que receberam o maior impacto. Eles foram encerrados, como parte de medidas de proteção pública, ou muitas vezes os profissionais que ali trabalhavam foram transferidos em resposta rápida à emergência da Covid-19. A realidade é que, quando os serviços de saúde mental são mais necessários, eles têm o pior desempenho. É verdade que existem boas iniciativas para combater esse problema, como grande expansão dos serviços por meio da Internet ou do telefone, mas também sabemos que não atingem a todos”, diz Oliveira e Souza.

É provável que a pandemia da Covid-19 tenha efeitos adversos duradouros sobre a saúde mental e o bem-estar das pessoas e que continue a exercer pressão prolongada sobre os serviços especializados. Para o especialista da Opas, é essencial que os países priorizem a saúde mental agora, não apenas para responder aos problemas atuais, mas também para evitar que continuem ou piorem.

“É necessário que os países mudem seus sistemas de saúde mental, que muitas vezes são baseados em hospitais psiquiátricos. Os serviços precisam ser voltados para a comunidade. A situação melhorou, existem mais serviços comunitários de saúde mental, mas a cobertura ainda é baixa. Há um trabalho muito grande que temos em andamento com os países para garantir uma grande expansão dos serviços de saúde mental à comunidade”, declara Oliveira e Souza.

Alcançar essa meta também Implicaria na adoção de quatro eixos principais: liderança política de alto nível e investimento adequado (cada dólar investido em saúde mental produz um retorno de quatro dólares); uma abordagem intersetorial (incluindo estados, sociedade civil, instituições acadêmicas etc.); avanços na integração da saúde mental em todos os serviços de saúde, promoção e prevenção nas demais áreas da saúde e sociais; e o uso das lições aprendidas na pandemia para servir ao investimento em novas tecnologias.

SUICÍDIOS NAS AMÉRICAS

Quando a Opas avaliou seu Plano de Ação de Saúde Mental 2015-2020, observou um progresso notável em áreas como a redução da função dos hospitais psiquiátricos e o desenvolvimento de programas de prevenção. No entanto, a taxa regional apresentou números muito negativos.

Na região, quase 100 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Entre 2000 e 2019, a taxa de suicídio por idade nas Américas aumentou 17%, enquanto a taxa global e as taxas para todas as outras regiões da OMS diminuíram.

“O aumento da taxa regional de suicídio é um fator importante que nos fará dar maior ênfase à colaboração técnica com os Estados – membros, no sentido de aumentar o apoio aos seus planos nacionais de prevenção do suicídio. A redução dos casos de suicídio é realmente uma área em que estamos piorando como região e temos que nos esforçar mais”, afirma Oliveira e Souza.

A Opas destaca que entre as principais medidas de prevenção do suicídio estão a limitação do acesso a meios para cometer o ato (como a armas de fogo), identificação precoce, manejo e monitoramento das pessoas afetadas por pensamentos e comportamentos suicidas, bem como promoção de habilidades socioemocionais.

Embora seja verdade que ainda há muito trabalho a ser feito e pouco a comemorar no Dia Mundial da Saúde Mental, é de extrema importância fazer um apelo à união e à eliminação das desigualdades. Saúde mental de qualidade é um direito humano.

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