OUTROS OLHARES

DOR DE CABEÇA, FEBRE, TOSSE, MAS NÃO É COVID

Surto de gripe provoca corrida aos postos

Woman sneezing behind a window, using a tissue.

Com sintomas parecidos com os da Covld-19, a gripe tem provocado uma corrida às unidades públicas de saúde e aos consultórios do Rio. A Secretada municipal de Saúde confirmou ontem que há uma semana a capital enfrenta um surto de Influenza A e fez um apelo para que as pessoas – exceto crianças com menos de 6 meses – procurem se vacinar contra a doença nos postos. Agora, o imunizante pode ser aplicado no mesmo dia da vacina contra o coronavírus.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, apenas 57% do público­ alvo participaram da campanha de vacinação da gripe, que terminou em agosto. No entanto, como ainda há doses, a aplicação continua.

“Temos cerca de 400 mil doses, o que é suficiente para vacinarmos por um longo período e, provavelmente suprir toda a demanda reprimida. Por ser um vírus predominante no inverno, agente ainda espera que tenha surto de gripe nessa época do ano, mas também era de se esperar que, quando houvesse uma baixa nos casos de Covid, outra doença respiratória poderia ressurgir: tivemos pouquíssimos casos de Influenza nos últimos dois anos, o que indica que temos muitas pessoas suscetíveis à doença ainda”, explicou.

Soranz disseque não foram encontradas evidências de efeitos colaterais quando as vacinas contra Covid-19 e Influenza A são conjugadas e que, por isso, o protocolo de dar um intervalo de 15 dias entre os dois imunizantes foi abolido.

“Estamos trabalhando com amostragens, por isso ainda não temos dados consolidados sobre quantos testes deram positivo para a Influenza na última semana. Mas menos de 3% dos testes feitos nesse período deram positivo para Covid-19. A principal estratégia para conter a disseminação é vacinar contra a gripe, apesar de ser menos letal do que a Covid, merece toda a atenção, principalmente para grupos que costumam ter sintomas mais graves, como crianças de até seis anos, gestantes e idosos” concluiu o secretário.

CORRIDA POR ASSISTÊNCIA

Moradora de Copacabana, Miriam Cavalcante foi ontem ao posto de saúde da Rua Siqueira Campos para se vacinar após ficar sabendo do aumento de casos de gripe.

“Soube que tem um surta de Influenza na Rocinha e em outros locais, que as UPAs já estão cheias também. Eu estava cumprindo o cronograma da imunização  contra a Covid, então acabei não tomando a vacina contra a gripe. A minha filha e a minha neta tiveram gripe recentemente e ficaram bem mal, com mais de 40 graus de febre, e 15 dias de cama. Se elas, que são mais jovens, ficaram mal, preciso me prevenir”, disse a mulher de 65 anos.

Depois de longas filas na segunda-feira, a UPA da Rocinha teve ontem um dia de menos movimento, mas ainda acima do esperado. Do lado de fora, as queixas se repetiam: dor de cabeça, dor no corpo, calafrios, febre, mal-estar e tosse, sintomas muito parecidos com os da Covid. Pâmela de Melo se sentia mal havia uma semana

“A falta de ar foi o primeiro sintoma, mas segunda-feira tive febre de 39 graus. Na minha família todo mundo pegou essa gripe, fizemos os testes para Covid, mas deram negativos. Agora, vou tentar fazer o teste para gripe”, contou a doméstica.

Enquanto Pâmela aguardava atendimento na UPA, a comerciante Marilene Costa recebia seu resultado negativo para Covid. Ela contou que estava com dores no corpo, de cabeça e de garganta:

“Os sintomas começaram domingo. Minha garganta está muito inflamada, e a médica disse que é gripe.

REMÉDIOS E TESTES

Com sinais de um forte resfriado, Gustavo de Melo, morador da Tijuca, foi ontem até um posto de saúde do bairro para fazer teste da Covid. O resultado deu negativo, e o médico que o atendeu disse que a suspeita era de Influenza. Ele fez o exame, mas a confirmação do diagnóstico só sai em três dias.

“Quando acordei na segunda-feira, perecia que tinha perdido o apetite, o que me deixou preocupado. Achava que estava com Covid. Ao longo do dia, mais sintomas foram aparecendo e fui piorando: sinto até agora dor de cabeça, enjoo, dor de barriga, coriza e calafrios. Passei a madrugada muito mal. Fui ao posto e o médico me receitou um expectorante, um analgésico e um spray nasal. Agora, aguardo o resultado do teste para Influenza”, contou o analista de sistemas de 28 anos.

A prefeitura afirmou que, na última semana, os resultados positivos para Influenza A tem sido mais frequentes.

Diante do aumento da procura, a Rede de Vigilância em Saúde, do município, esteve ontem em unidades de saúde, para avaliar o cenário epidemiológico. Foram colhidos 300 exames que serão enviados aos laboratórios do Lacen e da Fiocruz.

MÁSCARA E TESTE

A Secretaria Municipal de Saúde ressalta que quem estiver com sintomas gripais deve procurar uma unidade de saúde para fazer os testes da Covid e da Influenza, e receber orientações médicas. Presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio, Tânia Vergara explica que, nesses casos, apenas a testagem é capaz de definir a doença.

“O correto é adotarmos o que já acontece em países asiáticos, por exemplo. Em casos de sintomas, prefira ficar em casa, e, caso saia, utilize a máscara. Os sintomas são muito parecidos, então procure uma unidade de saúde pública para fazer o teste da Covid-19”, alerta Vergara.

Para o epidemiologista Paulo Perry, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é importante a população estar com a vacinação de gripe em dia para evitar esse tipo de confusão sobre os sintomas.

“A campanha aplicou a vacina que protege contra os três vírus sazonais de Influenza em circulação na temporada, mas em clínicas privadas ainda há a opção da tetravalente, que tem cobertura para uma cepa a mais”, explicou o especialista.

A principal forma de contaminação da gripe ocorre ao ter contato com secreções das vias respiratórias de alguém que está com a doença. Também há transmissão ao tocar em superfícies contaminadas e levar as mãos aos olhos, boca e nariz.

Apesar do surto na capital, nos dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o vírus da Influenza A ainda não apareceu, segundo o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do Info Gripe, da Fiocruz.

“Os casos de Influenza detectados no Rio foram em síndromes gripais, que são casos leves, e fora surtos localizados, nada ainda muito expressivo”, afirma Gomes.

A expectativa do epidemiologista, porém, é que o vírus causador da gripe volte a circular nacionalmente em breve.

“Já temos o reaparecimento de outros vírus respiratórios, alguns desde o começo do ano, outros a partir de agosto, causando SRAG principalmente em crianças. Era uma questão de tempo par o Influenza também voltar a aparecer, em consequência do relaxamento em relação às medidas de proteção contra a transmissão da Covid-19. A volta do Influenza em particular gera maior preocupação por ser mais grave que os demais. É mais uma doença gerando internações, ocupando leitos”, afirmou.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 28 DE NOVEMBRO

O PERIGO DA RIQUEZA ILÍCITA

Trabalhar por adquirir tesouro com língua falsa é vaidade e laço mortal (Provérbios 21.6).

A riqueza é uma bênção quando vem de Deus como resultado do trabalho honesto. Contudo, a riqueza acumulada com desonestidade é pura ilusão e uma armadilha mortal. Aqueles que mentem, corrompem, roubam, oprimem e até matam o próximo para ajuntar tesouros e mais tesouros em sua casa, esses descobrem que tal riqueza maldita não traz paz ao coração, não dá descanso à alma nem promove a verdadeira felicidade. Aqueles que seguem por esse caminho da ganância, da avareza idolátrica e da língua falsa para enriquecer não usufruirão as benesses dessa riqueza. Vestirão, mas não se aquecerão. Beberão, mas não se saciarão. Comerão, mas não se fartarão. Não vale a pena adquirir tesouro com língua falsa. A fortuna obtida com língua mentirosa é ilusão fugidia e laço mortal. De que adianta ser rico e não ter paz? De que adianta viver com o corpo cercado de luxo e a alma mergulhada no lixo? De que adianta ser honrado diante dos homens e ser reprovado por Deus? De que adianta adquirir muitos bens, mas para isso ter de vender a alma ao diabo? De que adianta ter todo conforto na terra e perecer eternamente no inferno? Melhor do que a riqueza ilícita é a pobreza com integridade, é a paz de consciência, é a certeza do sorriso aprovador de Deus.

GESTÃO E CARREIRA

MAIS DE 30% DOS EMPREENDEDORES BRASILEIROS INICIARAM TRATAMENTO PSICOLÓGICO NA PANDEMIA

Pesquisa mostra que 53,5% dos empreendedores disseram ter sido diagnosticados com ansiedade

Desde o primeiro semestre de 2020, a pandemia da Covid- 19 tem impactado trabalhadores de diferentes setores com demissões, mudanças de local de trabalho e reduções salariais.

Para mapear os efeitos desse cenário entre os empreendedores brasileiros, a Troposlab, empresa especializada em inovação, em parceria coma UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), realizou pelo segundo ano consecutivo um estudo sobre a saúde mental das pessoas que atuam nesse setor.

A pesquisa revela que 30,13% dos entrevistados iniciaram acompanhamento psicológico durante a crise sanitária. Além disso, 53,5% dos participantes disseram ter sido diagnosticados com ansiedade, e 11,22% com depressão – as avaliações foram realizadas por profissionais especializados. O levantamento contou com a participação de 312 empreendedores de vários estado país.

Quando comparado ao estudo realizado no ano passado, foi possível perceber que houve uma maior quantidade de pessoas que começaram a utilizar medicamentos psiquiátricos em 2021- 26% neste ano; enquanto 16% alegaram tornar esse tipo de medicação em 2020. A atual edição da pesquisa mostra também que o início do uso de ansiolíticos entre empreendedores saltou de 6% para 12%, e de antidepressivos de 3%para 8%, em relação ao ano anterior.

De acordo com Marina Mendonça, sócia e diretora de cultura da Troposlab, existe uma conexão significativa entre o sofrimento psicológico e a queda da renda dos empreendedores. “No geral, é possível observar que empreendedores que reportam queda na renda também estão classificados com mais frequência com sintomas moderados e severos de ansiedade ou depressão”, afirma.

O estudo observou ainda que, no ano passado, 51,1% dos empreendedores tiveram a vida afetada pela pandemia, mas que se sentiam bem a maior parte do tempo, enquanto 24,9% dos empreendedores afirmaram que foram muito afetado. Já em 2021, 53,31%  dos respondentes sentem que foram afetados e 21,49% muito afetados. Isso demonstra que não há diferenças significativas entre os períodos.

Quanto à percepção geral dos participantes sobre a pandemia, a maioria diz considerar o ambiente mais incerto (73,72%), mas os índices de 2021 são um pouco menores do que os de 2020. Por outro lado, 77,89% afirmam possuir habilidades para lidar com os desafios impostos pela crise sanitária, afirmação que se mantém semelhante aos dados do ano passado

Os resultados continuam a apontar que as mulheres apresentam maior intensidade de sintomas para ansiedade (12,50%), quando comparadas aos homens (2,84%), estresse (7,35% contra 1,13%) e também maior prevalência de depressão (6,61% contra 2,84% ).

“Percebemos lacunas e conhecimento sobre como ele se desenvolve, sua personalidade, saúde mental e outros elementos que impactam suas escolhas e desempenho nos projetos empreendidos. Em nossa visão, gerar conhecimento sobre esses elementos pode nos ajudar a construir um ambiente de negócios mais sustentável”, diz Mendonça.

Essa pesquisa é um de nossos esforços e entregas para esse ecossistema. Para que ele nos aproxime de parceiros e provoque novas iniciativas que gerem frutos para a ciência no Brasil e para o desenvolvimento saudável de nosso ambiente de negócios e inovação”.

EU ACHO …

MAIS FORTE

Muitas vezes nos ensinam que temos que ser mais fortes. E acabamos entubando isso como se precisássemos ser assim 24 horas por dia. Como se tivesse que ser uma norma. O que pode ser muito cansativo.

Na prática, isso significa um constante desconforto. É o injusto estado de não repouso. É o “você precisa dar sempre mais”, mesmo tendo as mesmas 24 horas que todas as pessoas. É necessário ficar na retaguarda e na defensiva para sobreviver. Deixar que outras pessoas cuidem de você pode parecer um luxo ou até considerado como frescura.

Quando fui descobrindo que essa necessidade de ser mais forte era imposta, confesso que, aos poucos, fui pegando ranço desta expressão.

Na verdade, posso dizer que tenho vivido uma relação de amor e ódio com essa expressão e o significado prático disso. Tanta que escrevi um novo livro sobre esse tema chamado “Mais Forte – Entre lutas e conquistas”.

Tenho entendido que é preciso colocar na balança onde o “ser mais forte”, além de sugar energias, pode nos favorecer, ou melhor, fortalecer-nos.

Sei que essa relação paradoxal encontra ressonância em tantas outras pessoas. Em especial, naquelas que acumulam uma série de identidades não consideradas como “normativas”.

Como, por exemplo. ser mulher numa sociedade patriarcal e machista. “Força mulher! Lute contra o machismo”, dizem-nos equivocadamente. Afinal, isso não deveria ser normalizado. Quando se é uma pessoa negra ou indígena numa sociedade em que o que impera é a branquitude que coloca pessoas brancas no centro das referências, dizem-nos para termos força para lutar contra o racismo.

Quando se é lésbica, gay ou bissexual, numa sociedade heteronormativa e em que há quem defenda o orgulho hétero, dizem para não heteronormativos: “Força”.

Quando se é trans numa sociedade nos dizem: “Força”. Afinal, só por estar viva já é forte, por driblar as estatísticas e sobreviver no país que mais mata pessoas trans.

Quando se é uma pessoa com deficiência numa sociedade capacitista, dizem: “Força” e fazem com que barreiras que não deveriam existir transformem histórias do dia a dia em narrativas de exceção e superação.

Força até quando? Até quando ostentar uma força individual para lutar contra uma estrutura inteira? Até quando bancar o mais forte para garantir aquilo que deveria ser um direito? Às vezes, dá mesmo é preguiça.

A questão é que, ao longo da vida, muitos dos episódios que passamos, além de nos cansar, também nos fortalecem.

Quando penso na minha trajetória, vejo-me de um lado cansada por ter aprendido a ter que ser mais forte para lutar especialmente contra o racismo e o machismo. Com isso tudo, também fiquei mais sensível a todas as demais lutas contra opressões estruturais. Nessa jornada, também fui me tornando mais resiliente diante de forças opressoras.

A partir daí, eu pergunto: o que te faz mais forte? Ou melhor, quais episódios da vida que vêm te fortalecendo? Já parou para pensar?

O segredo da vida, como bem diz a minha avó, mora na forma como a encaramos e no que aprendemos com o que passamos.

Cada episódio nos ensina algo. Cada detalhe pode nos encorajar. Entre lutas e conquistas, aprendi a olhar de outra maneira apesar do cansaço, essa questão de “ser mais forte” e me sinto fortalecida pelas minhas vivências com mais amor.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

ESTAR BEM

CAMINHO DA VIDA LONGA

Receita para a saúde: 7 mil passos ao dia

Aos 90 anos, o médico americano Kenneth Cooper conquistou rios de dinheiro ao longo da vida ao defender a corrida como principal aliado da longevidade e do condicionamento físico. Criado no fim da década de 1960 para ser usado pelas forças armadas, o chamado “método Cooper” consiste na prática de corridas de 12 minutos diários para avaliar o desempenho. O hábito logo conquistou pessoas comuns que passaram a correr por todos os cantos do planeta em busca da boa forma e saúde.

Só muito recentemente o cenário começou a mudar com estudos revelando a força dos passos mais lentos – a caminhada. Viu-se que os benefícios podem ser tão bons ou melhores que o ritmo ligeiro. Pois agora um trabalho quantifica com exatidão o quanto se deve caminhar para que o corpo sinta os efeitos dela. Pessoas que andam mais de 7 mil passos diários têm de 50% a70% menos risco de mortalidade. Esse é o resultado de um trabalho conduzido por pesquisadores da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, e publicado na prestigiosa revista Jama Network.

Os cientistas americanos acompanharam por cerca de dez anos um grupo de 2.110 adultos, com idades entre 38 e 50 anos, sendo 57,1% de mulheres e 42,1% de negros. Os voluntários foram divididos em três perfis: os que davam menos de 7 mil passos por dia; os que andavam de 7 mil a 9.999 passos; e aqueles davam mais de 10 mil passos. O objetivo do trabalho era observar a associação do ritmo diário com a mortalidade prematura, quando o óbito acontece antes dos 65 anos.

Os pesquisadores descobriram que, independentemente de gênero ou etnia, pessoas que davam pelo menos7 mil passos diariamente tinham de 50% a 70% menos risco de morrer prematuramente do que aqueles que não alcançaram essa marca.

“A atividade física regular é elemento fundamental para manter boa saúde. Ela reduz a incidência das doenças cardiovasculares, diabetes, auxilia no controle da pressão arterial e níveis de colesterol. Previne e contribui para tratamento de vários tipos de câncer, osteoporose, problemas digestivos, redução do estresse e aumento do sono, com isso melhorando a qualidade de vida, e o trabalho confirma isso”, afirma o cardiologista Bruno Bandeira, coordenador da Cardiologia do Hospital Caxias D’Or.

SEM EXAGERO

E não é preciso se esfalfar. Os pesquisadores perceberam que ultrapassar 10 mil passos diariamente não apresentou uma redução adicional de risco de mortalidade em comparação com quem percorreu os7 mil passos.

O trabalho não levou em consideração a intensidade da caminhada feita pelos voluntários. Apesar de outros estudos mostrarem que quanto mais intensa é a atividade – desde que respeite o limite do corpo – melhor a ação na saúde cardiovascular -, a pesquisa mostrou que a regularidade é o essencial.

“Esse trabalho traz uma importante mensagem para as pessoas que não conseguem correr ou andar tão rápido, ou fazer uma outra atividade física mais estruturada (como ir à academia ou fazer um esporte). Mesmo pequenas atividades durante o dia reduzem o risco de mortalidade e de desenvolvimento de doenças cardiovasculares”, comenta o cardiologista Daniel Setta, presidente do Departamento de Doença Coronária da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj).

Para aumentar o nível de passos diários, os especialistas recomendam incluir pequenas alterações no dia a dia, por exemplo, passar a fazer mais atividades a pé, como ir à padaria ou ao mercado, e usar a escada no lugar de elevadores. Nos últimos anos uma profusão de aparelhos portáteis têm sido cada vez mais usados com esse objetivo, o de contabilizar os passos, até mesmo nas atividades corriqueiras. Os modelos vão de aplicativos para celular a smartwatches e pulseiras inteligentes. Alguns registram batimentos cardíacos e queima calórica.

Um dos primeiros grandes estudos a valorizar os efeitos das caminhadas é de 2015. Conduzido pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, detalhou o papel dos passos leves na saúde. Grande parte dos benefícios é igual, tanto na corrida quando no caminhar. Ambos diminuem a taxa de colesterol, assim como o risco de diabete, hipertensão e infarto. Andar, porém, parece ser a melhor para a saúde óssea. A atividade estimula a reciclagem adequada dos ossos, com a vantagem de causar menos fraturas por estresse. A caminhada também aperfeiçoa a função das células de defesa.

Mas talvez uma das maiores qualidades do hábito de caminhar seja a facilidade de incluí-lo no cotidiano e o fato de ser adaptável a todas as idades. Para os idosos, em especial, essas são características vitais. Homens e mulheres com mais de 80 anos que incorporam a prática apresentam mais massa cinzenta no cérebro do que as sedentárias. Essa quantidade maior significa o risco de distúrbios de memória, por exemplo. Ou seja, esse tipo de exercício físico ajuda a proteger contra o Alzheimer e outros tipos de demência.

AMBIENTE INFLUENCIA

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, sugere que caminhar em ambiente confortável oferece os mesmos benefícios que praticar a atividade na natureza. Os cientistas já haviam demonstrado que caminhar por ambientes cercados de verde melhorava a atenção, concentração e bem-estar, o que se traduzia em passos mais rápidos e constantes. No trabalho, eles descobriram que quem anda em um ambiente no qual não se sente confortável apresenta passos mais lentos e variáveis, o que não acontece em cenários considerados agradáveis.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MENTES NÃO TÃO BRILHANTES

Depois de décadas de avanço, a inteligência, tão maltratada nos debates rasos da atualidade, está retrocedendo. E o excesso de tempo na frente das telas tem tudo a ver com isso

Objeto de análise desde os primórdios da civilização, a inteligência humana é um mistério tão intrigante quanto a origem do universo. Na cultura ocidental, sua primeira definição remonta à Ilíada, o poema do século VIII a.c. em que Homero narra a história do herói Aquiles e da Guerra de Troia e faz referência à psuche; origem do termo psique, no clássico grego uma força superior àquela que dá vida ao restante dos seres. As dúvidas sobre o que faz os indivíduos serem mais ou menos inteligentes permanecem, mas, ao longo de milênios, o conceito foi sendo destrinchado em estudos científicos sobre os mecanismos que movem o intelecto até se chegar a uma forma de medição padronizada – o teste de Q.I. (quociente de inteligência) – amplamente reconhecida e aceita.

Entra década, sai década, em boa parte do século XX os países mais avançados, principalmente, puderam bater no peito e anunciar com orgulho que o Q.I médio de seus habitantes subia consistentemente – até a curva começar a cair e a inteligência engatar marcha a ré a partir dos anos 2000. Em sólidos levantamentos, descobriu-se algo constrangedor para a civilização: pela primeira vez, os filhos passaram a ter mentes menos afiadas do que a de seus pais. E como fugir da lembrança de movimentos da atualidade desprovidos de massa cinzenta, como os antivacina, os anti-instituições democráticas e os anticiência que compõem o lado escuro da polarização ideológica que varre o planeta?

O esforço de tentar entender e reverter esse quadro tem sido tema de uma série de estudos e publicações recentes capitaneados por pesos-pesados da área, intrigados com o fenômeno. No livro A Fábrica de Cretinos Digitais, que acaba de ser lançado no Brasil, o renomado neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisas do Instituto Nacional de Saúde da França, aponta as baterias de combate ao estado atual de estagnação intelectual para o que afirma ser sua maior causa: o excesso de tempo passado diante da tela dos mais variados aparelhos digitais. “A tela; em si, não representa um mal, mas o número de horas despendidas na sua frente é assustador”, ressaltou Desmurget. “O uso de computadores e celulares por pré-adolescentes é três vezes maior para se divertir do que para fazer trabalhos escolares. No caso dos adolescentes, o número sobe para oito”.

No trecho em que se debruça sobre o desenvolvimento de crianças pequenas, o especialista adverte que internet e aplicativos de redes sociais em demasia afetam negativamente as interações, a linguagem e a concentração, os três pilares básicos do progresso cognitivo em qualquer idade, mas de excepcional importância nos cinco primeiros anos da existência. É justamente nesse período-chave que se observa o auge da plasticidade – nome dado à frenética formação de sinapses que nunca mais se repetirá e que resulta na evolução ultra acelerada do potencial do cérebro. “Até o humor do meu filho piorou com o tempo excessivo na frente do celular”, reconhece a assistente administrativa Hanna Ueda, 27 anos, de São Paulo. Ela restringiu o uso e, junto com o marido, Giovanni, passou a sentar todo dia com Pedro, 4 anos, para ler um livro e assim motivar sua curiosidade. “No caso das crianças pequenas, celular é um entretenimento passivo, sem reflexão ou desafios. Não passa de uma diversão viciante”, alerta Claudio Serfaty, do Programa de Pós-Graduação em Neurociências na Universidade Federal Fluminense.

Colocada dessa maneira, parece que a tecnologia é um mal. Longe disso. O foguete do progresso tecnológico transportou a humanidade para um novo patamar de conhecimento, criatividade, bem-estar e longevidade, com nítidos e incontáveis benefícios em todas as áreas – inclusive no estudo da inteligência. O ruim é o exagero. Esse ramo da ciência, de afeição cognitiva, ganhou impulso no século XIX, quando o antropólogo inglês Francis Galton (1822-1911) esmiuçou a teoria da evolução formulada por seu primo, Charles Darwin (1809-1882). Galton concluiu que a inteligência é uma característica hereditária e desenvolveu, em 1884, o primeiro método de medida do intelecto humano – um conjunto rudimentar de testes físicos e psicológicos. Três décadas depois, foi a vez de o psicólogo alemão Wilhelm Stern elaborar o quociente de inteligência, só que em uma fórmula muito complexa. Coube a Lewis Terman, especialista em psicologia educacional da Universidade Stanford, simplificar o teste e popularizar a sigla Q.I. Foi Terman quem sedimentou o padrão médio de Q.I. no número 100, criando a escala Stantord-Binet, usada até hoje.

À medida que a ciência evolui, escorada pelos avanços da computação, o componente hereditário da inteligência identificado por Galton vai ganhando a companhia de outros fatores. Em pesquisa publicada em 1984, o educador americano James Flynn (1934-2020), tomando por base o avanço constante do Q.I. médio nos países mais prósperos – que atingiu seu ápice na década de 1970, com altas anuais de três pontos -, demonstrou que as melhorias alcançadas na medicina, na educação e no pensamento crítico haviam contribuído decisivamente para tornar a população mais inteligente, um fenômeno que ganhou o nome de “efeito Flynn”. Problema: passado o apogeu, as conquistas no Q.l. foram sendo cada vez menores até estacionarem e, na entrada do século XXI, começarem a deslizar ladeira abaixo, devagar e sempre, acendendo o sinal amarelo. E a trajetória segue em queda na capacidade cognitiva.

Um dos estudos mais incisivos sobre esse refluxo intelectual, realizado por pesquisadores da Noruega, analisou 730.000 testes de Q.I. aplicados em jovens convocados para o serviço militar obrigatório nos últimos quarenta anos. Sua conclusão: os aumentos anuais do Q.I. dos noruegueses baixaram para 2 pontos nos anos 1980, para 1,3 ponto nos 1990 e se transmutaram em recuo de 0,2 ponto neste século. Processo semelhante foi detectado no Reino Unido e na Dinamarca. Pesquisas como essas reforçam o alerta dos especialistas para mudanças no estilo de vida que, segundo eles, estão por trás do retrocesso – aí incluída, em lugar de destaque, a imersão constante e indiscriminada nos eletrônicos. As plataformas de vídeos, as redes sociais e os aplicativos de mensagens alimentam as discussões embotadoras, nas quais crenças se sobrepõem à razão e a ideologia impede o confronto de ideias enriquecido pelo saber científico – aquele que não se atém às primeiras linhas de um texto, mas se ampara nele inteiro. “As pessoas entram nas chamadas bolhas de filtragem, onde são expostas a olhares condizentes com seu perfil e blindadas de pontos de vista destoantes”, afirma Philip Boucher, pesquisador do Scientific Foresight Unit, instituto ligado ao Parlamento Europeu.

A turma mais nova, como bem aponta o francês Desmurget, é presa fácil dos efeitos deletérios do excesso digital. Estudo da Universidade de Alberta, no Canadá, mostrou que crianças de 5 anos ou menos que passam mais de duas horas por dia on-line têm chance cinco vezes maior de apresentar dificuldade de concentração e sete vezes mais risco de exibir sintomas de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). “Até 2 anos, o tempo de tela recomendado é zero, a não ser em bate-papos virtuais com a família”, decreta a psicóloga Sheri Madigan, da também canadense Universidade de Calgary. Entre 2 e 5 anos, a janela de conexão não deve passar de uma hora diária, com foco em programas educacionais e jogos. “E os pais precisam estar do lado, para ajudar na compreensão do que está acontecendo”, diz.

Fatores comportamentais, sabe-se agora, também são determinantes na evolução da inteligência. O pleno desenvolvimento intelectual na infância exige interação social, engajamento em brincadeiras e, conforme a idade, também o enfrentamento de problemas e discussões que transcorrem fora das telas. “Há evidências crescentes de que investir na prática de disciplina e autocontrole tem efeito positivo tanto no nível acadêmico quanto no Q.I. dos pequenos”, diz Adriana Melibeu, especialista em neurobiologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Uma boa formação escolar é imprescindível, bem como atividades extra­curriculares que puxem o cérebro e sirvam de desafio – o que vale também para os adultos, já que instigar a curiosidade é terreno fértil para o crescimento intelectual de qualquer pessoa.

Conta pontos positivos apaixonar-se por algum assunto, especialmente se ele exige conhecimento profundo, como astronomia ou grego antigo, proporcionando um mergulho no tipo de exercício que afia a atenção, estimula a perseverança e aprimora habilidades como processamento de informações e análise. “Inteligência não é só a bagagem que adquirimos, mas a capacidade de interpretar e de se lançar rumo ao novo, ao desconhecido”, ensina Chris Frith, psicólogo da University College London. A prática de esportes é outra atividade relacionada à expansão do intelecto porque aumenta a oxigenação do cérebro, o que por sua vez incrementa a conectividade neuronal – processo que se repete na alimentação equilibrada. Consumir ovos, peixes, legumes e verduras potencializa a produção de neurotransmissores e ajuda no desempenho cognitivo.

De tanto investigar os segredos da mente, pesquisadores e cientistas não param de identificar novas ramificações para a inteligência: espacial, lógica, linguística e mais uma infinidade de variações. Há uma reflexão, inclusive, quanto à escala de valor das habilidades. “As mais importantes são relacionadas à inteligência adaptativa, como a criatividade, o bom senso, a empatia e a destreza analítica”, afirma o psicólogo Robert Sternberg, da Universidade Cornell. Outra variante, a inteligência emocional, definida como a capacidade de entender e lidar com sentimentos próprios e alheios, fincou pé no glossário do intelecto graças à publicação do best­seller de mesmo nome, do jornalista Daniel Goleman, em 1995. Nessa sopa de designações, até a mente privilegiada dos gênios pode escorregar. Albert Einstein (1879-1955), que nunca fez teste, mas teve seu Q.I. avaliado postumamente em extraordinários 140 a 145 pontos, seria reprovado no exame de inteligência emocional: o primeiro casamento, com Mileva Maric, foi desastroso e o segundo, com Elsa Lõwenthal, ficou marcado pelas infidelidades. Seja qual for a medida utilizada para definir a inteligência, o essencial é que ela seja cultivada, porque só assim a humanidade caminhará para a frente, sem as radicalizações comportamentais que alimentam atualmente a estupidez dos cabeças-ocas.

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