OUTROS OLHARES

O INIMIGO OCULTO

Ainda pouco debatida no brasil, a remoção de camisinha sem o consentimento de uma das partes é crime e pode levar à prisão

Medo, angústia, nojo. As palavras usadas por uma estudante de 22 anos ao descrever o que sentiu quando um parceiro tirou a camisinha sem o consentimento dela durante o sexo, revelam as marcas que a violação lhe deixou.

“Só percebi quando ele se levantou para urinar e a camisinha não estava mais lá. No início, fiquei em dúvidas e eu não tinha reparado que ele havia tirado após o ato. Depois, entrei em completo choque, principalmente, sabendo que havia gozado dentro de mim”, recorda-se.

A jovem, que prefere não ter o nome identificado, assim como os demais entrevistados desta reportagem, foi vítima de um crime que só agora começa a ganhar espaço no debate nacional, impulsionado pelas redes sociais e por programas de TV. Além disso, a prática, que em países de língua inglesa é nomeada stealthing (ocultação, dissimulação), já foi tipificada como crime em alguns locais, como aconteceu recentemente na Califórnia, nos Estados Unidos, evidenciando ainda mais a sua gravidade.

Apesar de não ter tradução para o português, esse tipo de violação não passa incólume pela nossa legislação. Segundo a advogada Thais Pinhatá, mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo, a prática é contemplada pelo artigo 215 do Código Penal, que estabelece como crime ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. Quando isso acontece, ela lembra, a pena prevista é de dois a seis anos de prisão.

Thais reconhece que ainda são poucos os casos levados à Justiça e, quando isso acontece, correm em segredo. Mesmo assim, ela observa que a chamada persecução penal já é uma realidade. “A polícia recebe a denúncia e encaminha para o Judiciário, que tem se posicionado contra essa atitude.”

Outro ponto salientado pela advogada é como o SUS demonstra eficiência em acolher as vítimas. O sistema oferece atendimento psicológico, além de medidas preventivas de saúde, como a disponibilização de medicamentos voltados a doenças sexualmente transmissíveis e da pílula do dia seguinte. O quadro muda, porém, quanto ao direito ao aborto legal, já que alguns hospitais se recusam a compreender a prática como violência sexual.

Isso aconteceu com uma enfermeira, de 31 anos, que, além do anonimato, pediu que o estado onde vive não fosse revelado. “Tive um relacionamento de cinco meses com um homem que demonstrava querer estabelecer um vínculo emocional mais forte comigo. Ele falava em termos um filho, e sempre deixei claro que não queria”, conta. “Na última vez em que fizemos sexo, notei que fez um movimento com a mão, e perguntei se havia tirado a camisinha. Ele me respondeu que saiu ‘sem querer’, mas que gozou dentro do preservativo. Quando fui ao banheiro, vi que não era verdade.”

A enfermeira chegou a tomar a pílula do dia seguinte, mas o medicamento não funcionou, e ela se viu grávida poucas semanas depois.

Buscou ajuda de um hospital, onde recebeu atendimento psicológico, mas, ao reivindicar o direito ao aborto, teve o pedido enviado para análise pelo setor jurídico. “Eu sabia que tinha sofrido um crime sexual, mas eles não”, lamenta. “Só conseguem entender isso em casos de estupro como aqueles em que o criminoso agarra a mulher e a violenta. Foi constrangedor passar por isso.”

O tempo corria, e a enfermeira decidiu encontrar soluções alternativas, com medo de que ficasse tarde demais para que pudesse interromper a gravidez em segurança. Foi quando chegou até o grupo Milhas Pela Vida da Mulheres, por meio do qual recebeu orientação sobre o caso e apoio financeiro para buscar atendimento num estado vizinho. “O que mais me indigna nessa história é a falta de respeito pela minha palavra. Eu dizia a ele que não queria um filho, mas era como se o que eu falasse não tivesse peso algum”, desabafa.

Idealizadora da campanha que auxiliou a jovem, a diretora e roteirista Juliana Reis afirma que, pelo fato de a violência contra a mulher ser tão naturalizada, muitas vítimas ainda têm dificuldade de compreender a gravidade de uma violação como essa. “Ainda chegam até nós dizendo que estão grávidas porque ‘vacilaram’. Mas, quando a conversa avança, entendemos que tem um boa noite Cinderela por trás, por exemplo”, diz. “O que fazemos no Milhas é mostrar a lei para que as próprias mulheres entendam pelo o que passaram.”

Embora a comprovação de crimes sexuais envolva certa complexidade, a advogada Thais Pinhatá afirma que, nos últimos anos, os depoimentos das vítimas ganharam mais peso nos processos. Ainda assim, ela salienta a importância de se cercar de provas nessas situações. ”O ideal é buscar imediatamente a delegacia e o Instituto Médico Legal para a coleta de material biológico”, aconselha.

Thais lembra também que não são apenas as mulheres que estão suscetíveis a esse tipo de violação. Afinal, menciona, além das relações heterossexuais, o preservativo também é usado no sexo entre homens, por exemplo.

Foi através da série ”I may destroy you”, lançada no ano passado pela HBO, em que a protagonista é vítima de stealthing, que um estudante de administração, de 28 anos, entendeu a gravidade do que viveu três anos antes. Fiz sexo com um parceiro e, cinco meses depois, ele me telefonou bêbado, dizendo que havia tirado a camisinha”, conta. “Na época, ainda não era um tema debatido, e fiquei sem reação. Quando vi a série, a ficha caiu sobre como a atitude dele poderia ter me causado um mal muito maior.”

O rapaz descobriu, posteriormente, não ter contraído nenhuma DST, o que lhe trouxe alívio.

Mas o impacto psicológico já havia sido causado. “Nunca mais consegui me deixar penetrar, porque tenho medo de que voltem a fazer isso comigo”, afirma.

Desconforto semelhante é relatado pela estudante de 22 anos citada no início da reportagem. Ela conta ter levado um bom tempo até conseguir se relacionar sexualmente com outra pessoa. Ainda assim, quando acontece, sente dificuldade. “Desde então, fico de olho durante todo o ato para ver se a camisinha ainda está ali, o que atrapalha meu prazer.”

Segundo Paula Rita Bacellar Gonzaga, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais, muitas vítimas sofrem com consequências como essa justamente por ser uma violência relativizada e tratada com descaso pelo poder público. “Isso dificulta que o sujeito possa se sentir seguro novamente”, afirma. Exatamente por isso, o debate se faz tão urgente. “Não há nada que a vítima poderia ter feito para evitar a violência sexual, mas podemos, enquanto sociedade, mudar as lentes pelas quais lemos e analisamos essas histórias.”

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 26 DE NOVEMBRO

OLHAR ORGULHOSO E CORAÇÃO SOBERBO

Olhar altivo e coração orgulhoso, a lâmpada dos perversos, são pecado (Provérbios 21.4).

O orgulho foi o pecado que levou Deus a expulsar do céu o querubim da guarda. Quando esse anjo de luz, sinete de perfeição, intentou no seu coração ser igual a Deus, desejando colocar seu trono acima dos outros anjos, Deus o arrojou para fora do céu. O orgulho foi o primeiro pecado, que abriu a porta para todos os outros. Deus não tolera a soberba. Ele declara guerra contra os altivos de coração. Humilha aqueles que se exaltam. Tanto o olhar arrogante quanto o coração orgulhoso são pecados abomináveis aos olhos de Deus, embora esses pecados sejam invisíveis à percepção humana. Esses pecados não podem ser apanhados pelas lentes da terra. Não temos conhecimento suficiente para detectá-los. Não conseguimos penetrar nas profundezas da alma para investigar as motivações. Nossos tribunais não são competentes para julgar foro íntimo. Deus, porém, não apenas vê nossas obras e ouve nossas palavras, mas também sonda nossas motivações. Nada escapa de sua peneira fina. Nada pode ser ocultado de seus olhos. Ele tudo vê e tudo sonda. O reto e justo Juiz, diante de quem teremos de comparecer para prestar contas da nossa vida, conhece-nos por dentro e por fora, conhece nossas palavras antes que cheguem à boca e conhece nossos pensamentos antes mesmo que eles povoem nossa cabeça.

GESTÃO E CARREIRA

NEGROS LUTAM PARA OCUPAR POSTOS DE LIDERANÇA

Questão de gênero, com mulheres brancas, avança mais rapidamente em conselhos de administração; 77% das empresas não têm metas para inclusão racial no alto escalão

A inclusão de pessoas negras nos boards das empresas deixa a desejar, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) publicada neste ano. Feita com 86 companhias, mostra que 77%delas não têm metas para ampliar a participação de negros na liderança. E, na interseccionalidade entre raça e gênero, sequer há menção a mulheres negras nesses espaços.

Outro levantamento deste ano, da consultoria Spencer Stuart, mapeou 211 empresas brasileiras listadas na B3, a Bolsa de São Paulo. Na amostra, as mulheres ocupam 14,3% das posições em conselhos, sem especificação de raça. Em 2020, esse porcentual era de 11,5%.

“Estamos tendo um avanço, principalmente em gênero, mas os números não refletem o que se vê no discurso. Na nova onda de IPO (abertura de capital), 40% das empresas não tinham nenhuma mulher no conselho”, observa Jandaraci Araújo, conselheira do CIEE São Paulo e cofundadora do Conselheira 101, programa voltado a ampliar a presença de mulheres negras em conselhos.

Executiva de sustentabilidade e ex- subsecretária de Empreendedorismo, Pequenas e Médias Empresas do Estado de São Paulo, Jandaraci pontua que não olhar para a interseccionalidade é um problema estrutural. “Somos 27% da população, mas nos conselhos de administração, na alta liderança, o número é muito baixo, nem de longe corresponde”, diz ela, que é conselheira emérita do instituto Capitalismo Consciente Brasil.

COMO MUDAR?

Iniciativas como o Conselheira 101, que ainda tem entre as fundadoras a executiva de tecnologia Lisiane Lemos (Google) e a executiva de finanças Elisangela Almeida, têm surtido efeito. O programa leva às lideranças femininas negras conhecimentos sobre o papel de um membro de conselho, responsabilidades, formação, desafios e incentiva o networking. Das 18 participantes da primeira turma, em 2020, sete (38%) já ocupam posições em conselhos de administração, fiscal, consultivo ou comitê.

Apesar de o networking ser importante, a diversidade nos conselhos só será viável quando a indicação deixar de ser o único critério. Processos seletivos nas empresas e busca ativa por profissionais diversos podem ajudar a equilibrar o perfil dos boards. Na Exec, consultoria de RH especializada em alta gestão, a demanda por diversidade tem se intensificado, conta o sócio Sergio Simões, que acredita que a mudança está vindo. “Todas as avaliações que estamos fazendo estão culminando com troca de conselheiros. As empresas que ainda estão nessa história de ser indicado, estão se prejudicando. Aquelas que manejam de verdade o propósito, têm conhecimento, encaram isso bem. As que não querem ter debates mais quentes que vão levar a mudanças não querem que façam diagnóstico”, observa.

EU ACHO …

NÃO  DEIXE PASSAR EM BRANCO

Em busca de um novo terninho para dar uma atualizada no guarda roupa, entro sozinha numa loja. Experimento uns três ou quatro, mas o caimento não me convence. Sou meio chata emrelação a cortes e ao ajuste deles no corpo.

Apesar de cliente assídua, desta vez saio com minha bolsa a tiracolo, mas de mãos vazias do estabelecimento, em busca de outras opções.

Se esta jornada se parece com a sua num dia qualquer de compras, estamos na mesma página. Mas a partir daqui, se você não tem a pele negra, há muito menos chances de ter vivido algo parecido com os próximos capítulos desta história. Mas saiba, desde já, que, vivendo ou não situação semelhante, tem igual responsabilidade em fazer com que eles não se repitam.

Ao sair da loja, o alarme soa. Minhas mãos ficam suadas e trêmulas. Sei que não fiz nada de errado, mas já sentia que poderia ser alvo de uma revista indesejada. Ao meu lado, saindo da loja ao mesmo tempo que eu, duas moças brancas.

O segurança veio atrás somente de mim e pediu para que eu abrisse a bolsa. Fez uma revista e me deixou sair. Perguntei por que não tinha revistado as outras moças. Ele alegou que o alarme tocou na minha hora. Virou as costas e entrou novamente na loja.

O episódio aconteceu anos atrás, mas esta humilhação não sai da memória tão facilmente. É um marco psicológico tamanho que me faz ainda temer alarmes de lojas. Além de sempre ter o cuidado ao abrir a bolsa no ângulo certo para que a câmera de segurança possa visualizar que não estou roubando nada. Mas isso não pode ser normalizado.

Na época deste episódio, eu ainda não conseguia verbalizar minha dor e nomear este tipo de racismo. Ainda não tinha tanta consciência sobre os meus direitos como tenho hoje e sei que ainda há muito a aprender. Mas também sei que, mediante a episódios como este, não há fórmula mágica da nossa reação. E que não é preciso nem ser seguido numa loja para saber que pessoas negras e indígenas no Brasil são vistas como suspeitas.

Difícil estar sempre pronto para enfrentar uma das diversas manifestações do racismo. A mais cruel é a que pode levar à morte de quem é visto com a cara de suspeito. Humilhações são infelizmente muito mais recorrentes do que as que vemos em casos midiáticos, como a da loja que usava um código para identificar “suspeitos”.

Na mesma semana, uma rede de supermercados vendia bandejas vazias de carne em regiões periféricas com predominância negra para evitar que as carnes fossem roubadas.

Sei que muitos de nós desacreditamos na punição, mas ainda assim precisamos não deixar passar em branco casos como estes. É necessário desbanalizar e denunciar todos os casos de racismo e de qualquer tipo de discriminação.

Precisamos aprender a verbalizar e dar nome àquilo que passamos. E entender que, se você já viveu algo parecido, não é coisa da sua cabeça ou caso isolado. É parte do racismo estrutural. Um dos passos para romper com a estrutura é dar nome a ela.

E se você não viveu, não viu ou não sabe se o que você viveu é um caso criminalizável de racismo, ainda assim é importante entender que ele existe e que você também faz parte dessa estrutura E, portanto, é corresponsável para a construção de uma sociedade antirracista e menos discriminatória.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

ESTAR BEM

MUITO ALÉM DA FORÇA

Novos estudos apontam a ação benéfica de substâncias produzidas pelos músculos

Os benefícios dos exercícios superam em muito a ultrapassada visão de que proporcionam apenas emagrecimento e condicionamento cardiovascular. Eles ajudam, a prevenir e controlar de doenças tão variadas quanto câncer, diabetes, demências, fragilidade óssea e inflamação. E por trás desse poder todo estão pelo menos 650 substâncias produzidas pelos músculos esqueléticos, quando exercitados. Elas são tão potentes que podem até mesmo melhorar a resposta do sistema imunológico à vacinação contra a Covid-19.

Algumas dessas substâncias são recém-descobertas e a função de somente 5% delas é conhecida, revela uma revisão de estudos publicada pela revista científica Frontiers in Physiology. Chamada “The role of the muscles secreto me in bealth and disease” (“O papel do secretoma dos músculos em saúde e doença”, em tradução livre), ela mostra o estado da arte sobre o conhecimento da complexa bioquímica dos músculos. O secretoma muscular é o conjunto das substâncias produzidas pelos músculos.

O pouco que já se descobriu maravilha cientistas e abre caminho para um uso ainda mais  eficiente da atividade física na prevenção e combate das doenças, além de retardar o envelhecimento. Os músculos ativos ajudam até mesmo a tornar a pele mais saudável.

Mais do que força e sustentação, os músculos são fábricas de bálsamos para a boa vida. Estes são hormônios, fatores de crescimento, substâncias do sistema imune, toda uma gama de proteínas poderosas.

Essa fábrica funciona movida pela contração muscular feita toda vez que os músculos são exercitados. Ela produz substâncias chamadas coletivamente de miocinas, que fazem a comunicação dos músculos com outros órgãos, como sistema imunológico, cérebro, fígado, pâncreas, ossos, intestinos, pele, tecido adiposo (gordura) e vasos sanguíneos. Também são fundamentais para a hipertrofia, regeneração e funcionamento dos próprios músculos. Não à toa, cientistas recomendam exercícios para pessoas com câncer,  diabetes e doenças neurodegenerativas.

ÓRGÃO ENDÓCRINO

Combinados, os cerca de 700 músculos esqueléticos (o número varia entre 650 e 840, não há consenso na literatura científica) são maior órgão endócrino do corpo, afirma o especialista em medicina do esporte, Claudio Gil  Araújo, diretor da Clínica de Medicina   do Exercício (Clinimex).

Os músculos são o órgão mais pesado do corpo, correspondem a cerca de 40% do nosso peso. Mas suas funções bioquímicas são ainda mais significativas. Eles produzem miocinas exclusivas, mas também fazem e liberam substâncias comuns a outros órgãos.

Um exemplo dos efeitos benéficos dos músculos exercitados vem de uma recém­ publicada pesquisa de cientistas brasileiros, ainda em preprint (não revisada pelos pares) . Realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e de outras instituições, ela mostrou que a atividade física melhora a resposta à vacinação contra a Covid-19, mesmo em pessoas com comprometimento do sistema imunológico.

Os cientistas analisaram a diferença da resposta à CoronaVac em pessoas com doenças reumáticas autoimunes. As que eram fisicamente ativas produziram mais anticorpos do que as sedentárias, explica um dos autores do estudo, Hamilton Roschel, coordenador do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutrição da Escola de Educação Física e da Faculdade de Medicina da USP.

“Tudo funciona melhor em quem faz exercício regular: o sistema imunológico, o cardiovascular, o metabolismo, o cérebro”, frisa Roschel.

Quando nos exercitamos, uma orquestra começa a tocar. O maestro é a contração muscular e os músicos, as miocinas. Elas tocam em resposta de umas às outras. Compõem uma melodia. Quanto mais atividade física e, portanto, contração muscular, mais os músicos tocam, liberando outras substâncias, notas musicais que dão o ritmo do organismo. Já o sedentarismo é silêncio e desarmonia, isto é, doença.

Algumas miocinas, por exemplo, captam a glicose no sangue e reduzem a glicemia. São um tratamento natural para o diabetes. Outras respondem à vasodilatação, remodelam ao endotélio (o revestimento do interior dos vasos sanguíneos) e, com isso, reduzem a hipertensão.

O exercício atua sobre a morfologia cerebral. A ação é tão profunda que eles atuam sobre os micro RNAs e, com isso, ajudam a regular a síntese de proteínas. E a prática regular de exercícios reduz a inflamação, um dos grandes males da vida moderna, afirma o estudioso da fisiologia dos músculos, José Cesar Rosa Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Estimulados por exercícios, os músculos liberam substâncias com ação anti- inflamatória. São as interleucinas 4, 6, 10 e 13. Só há relativamente pouco tempo, a ciência descobriu que os músculos e não apenas as células do sistema imunológico produzem essas substâncias.

A interleucina 6 (lL-6) ganhou destaque na pandemia, por sua associação com o agravamento da Covld-19. Quando elevada, é gatilho para temida tempestade de citocinas (ela própria é uma delas), desequilíbrio inflamatório que pode matar.

Muita IL-6 quase sempre é sinal de problemas para Covid -19 e outras doenças inflamatórias. Mas não quando o exercício entra em campo. Rosa Neto diz que durante o exercício o nível de lL-6 chega a aumentar cem vezes. Mas decai tão depressa quanto aumenta. E nesse meio tempo, combate inflamações. É como se a IL-6 sofresse de bipolaridade. Se persistentemente elevada, caso da Covid-19 e outras doenças, ela gera inflamação grave. Já doses altas e breves têm efeito oposto e benéfico.

A relação com a IL-6 exemplifica toda a complexidade envolvida na ligação entre músculos e o resto do organismo. Nessa orquestra, intensidade e duração do exercício dão o tom, diz Rosa Neto. Às vezes, preciso mais tempo, provável caso da maioria das miocinas de  ação anti-inflamatória. Mas em outros é a intensidade que dá a nota certa.

Um  exemplo é a interleucina 15, que tem ação anti­tumoral. Os músculos a secretam quando submetidos a exercícios intensos. A IL-15 ativa a produção dos linfócitos T killers . Essas células do sistema imunológico patrulham o organismo em busca de células infectadas ou defeituosas (caso das cancerígenas) e as matam.

Para algumas substâncias, é preciso mais do que tempo e intensidade. É o caso do BDNF, envolvido no bom funcionamento dos neurônios. Para que seja liberado, é preciso que os músculos das pernas sejam exercitados. Os dos braços não têm influência, observa Rosa Neto.

Se fazer atividade física faz tão bem, a ausência de movimento faz mal. Se mexer em qualquer nível é fundamental. A atividade física é imprescindível para manter o organismo funcionando em equilíbrio, afirma a ciência.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO IDENTIFICAR UM ‘VICIADO EM AMOR’

A definição inclui aquelas pessoas que se mantêm em relacionamentos tóxicos, e cerca de 10% dos jovens se encaixam nesse perfil, com características semelhantes às dos dependentes em jogos de azar ou álcool. Saiba como sair de situações ruins

Tara Blair Bali, uma coach de relacionamentos americana, conheceu seu ex no site Match. com. Eles se conectaram imediatamente. Na primeira ligação, conversaram durante oito horas – tanto tempo que Tara chegou tarde no trabalho e foi demitida:

“Eu interpretei como um sinal de que eu deveria estar conectada a ele”, disse rindo.

Quando os sinais de alerta começaram a aparecer, Tara não prestou atenção:

“Ele começou a agir com ciúmes e queria saber onde eu estava, o que estava fazendo, com quem eu estava falando…

Ela via isso como afeto:

“Rapidamente estávamos falando sobre casamento. Eu sentia como se não pudesse ficar longe dele por muito tempo, eu ficava em abstinência”.

Se a situação parecia trazer algumas marcas de um vício, é porque ela trazia mesmo. E, como muitos viciados, Tara levou um longo tempo para reconhecer que ela estava vivendo um “vício em amor”.

A definição do “vicio em amor” é difícil de entender. O grupo Sex and Love Addicts Anonymous (“viciados em sexo e amor anônimos”) o descreve como uma dependência extrema em uma pessoa por meio da qual “relacionamentos ou atividades sexuais se tornam cada vez mais destrutivos para a carreira, família e senso de respeito próprio”.

Para Helen Fisher, pesquisadora sênior da Universidade de Indiana e uma das principais especialistas no assunto, a definição inclui qualquer relacionamento que leve a um ”desejo obsessivo e pensamento intrusivo”

Uma análise sobre 83 estudos estimou que cerca de 3% da população já teve um problema sério com “vício em amor”. Esse número é de cerca de 10% entre jovens adultos. Olhando no TikTok, rede social em que Tara começou a compartilhar suas experiências, o número de viciados em amor talvez seja até maior.

A hashtag #ToxicRelationship (‘relacionamento tóxico’) tem mais de 1,7 bilhão de visualizações, e termos como ‘love addiction” (vício em amor),”love addict” (viciado em amor) e “codependency” (codependência), chegam a 320 milhões de menções.

Seja contando suas histórias ou reagindo às dos outros, as pessoas estão encontrando cura e comunidade no aplicativo, postando os sinais do “vício em amor’ ‘com memes e dicas.

Onde quer que você decida compartilhar suas experiências, é importante ser capaz de reconhecer quando um romance dos sonhos se transforma no “vício em amor”.

Mas o vício é mesmo real?

“(Para) qualquer pessoa que diga não ser um vício, tudo que eu posso lhe dizer é que nós olhamos dentro do cérebro”, disse Helen Fisher.

Por meio de uma ressonância magnética funcional, a pesquisadora e seus colegas estudaram amor romântico e encontraram atividade cerebral aumentada em uma região chamada de núcleo accumbens, “que se torna ativa quando qualquer coisa vira um vício – álcool, nicotina, cocaína, heroína, anfetaminas ou qualquer uma dessas coisas”, explicou Fisher.

Mas algumas pessoas na própria comunidade científica não aceitam o “vício em

amor’ como diagnóstico.

“Vício em amor é um conceito contestado”, diz Brian D. Earp, diretor associado do Programa de Ética e Política de Saúde de Yale-Hastings, da Universidade de Yale, que estudou o fenômeno.

Ele observou que algumas das discordâncias se resumem à própria definição de amor.

“Alguns filósofos feministas argumentam que, se um relacionamento é tóxico ou abusivo, ele não deveria nem ser chamado de amor”, diz Earp, que acrescenta que algumas pessoas preferem o rótulo “vício em comportamentos de relacionamentos tóxicos”.

Para deixar ainda mais complicado, especialistas também não concordam na definição de vício. Earp afirma que alguns neurocientistas acreditam que algo chamado de vício precisa ser ruim para você.

Portanto, “se você depende de uma atividade que pode ser classificada como prejudicial para sua saúde, mas é totalmente compatível com uma vida próspera, alguns especialistas diriam que não há razão para chamar isto de vício”, concluiu.

Quer você acredite ou não no “vício de amor”, pensar em um relacionamento tóxico como um vício pode ser útil para alguém que esteja lidando com as consequências de uma parceria doentia.

“Em resumo, um relacionamento doentio tende a envolver a procura por uma onda de dopamina e envolve poder e controle”, diz Steven Stussman, professor de medicina preventiva, psicologia e assistência social na Universidade do Sul da Califórnia.

Aqueles que estão passando por uma experiência de vício em amor “têm o padrão de comportamento de um viciado”, acrescenta Steven, incluindo mudanças de humor, do desespero à euforia, e uma disposição em tolerar o abuso. Além disso, a personalidade pode mudar, levando a alterações no estilo de vida ou a uma tendência em distorcer a realidade.

Especialista em alfabetização, Synthia Smith, disse que sucumbiu a esses sentimentos com seu agora ex-namorado:

“A perspectiva de viver sem ele era insuportável, eu estaria emocionalmente morta”, lembrou Synthia.

Esse medo era tão grande que ela permaneceu no relacionamento por anos apesar dos sinais de alerta, como a vez em que descobriu o perfil dele em um site de namoro. Ao ser confrontado, ele alegou que estava lá para fazer contatos profissionais e a envergonhou por tocar no assunto.

Envolver-se com alguém que compromete sua saúde mental pode ser uma experiência assustadora e solitária. Quer você acredite ser um “viciado em amor” ou apenas alguém que precisa de ajuda para sair de uma situação ruim, existem atitudes saudáveis a serem tomadas.

TENHA UMA COMUNIDADE

Katlynn Rowland, empresária da Flórida, estava envolvida com um homem que abusava emocionalmente dela quando encontrou os TikToks de Synthia Smith sobre gaslighting.

“Pela primeira vez, parecia que estava sendo validada e que não estava louca”, disse.

Os vídeos de Synthia deram a Katlynn a coragem para deixar seu ex-namorado – e para postar sobre isso no TikTok.

“No começo, estava com medo de postar porque sabia que ele iria enlouquecer. Mas desde que Synthia disse que ela não ligava para o que seu ex pensava mais, fui capaz de me livrar daquele medo”.

Brian D. Earp diz que essa é uma experiência comum:

“Pode ser reconfortante para as pessoas dar um sentido público à sua experiência em vez de apenas considera-la um fenômeno privado.

EDUQUE-SE

“É importante educar a si mesmo sobre como o “vício em amor” funciona para você, para entender as camadas e nuances de como ele atua na sua vida”, explica Kerry Cohen, terapeuta e escritora. Isso pode incluir encontrar um grupo de apoio – como o Sex and love Addicts Anonymous – e conversar com um terapeuta ou um psiquiatra especializado em “vicio em amor”. É importante consultar um profissional, e não fazer um autodiagnóstico.

USE AS MENSAGENS DE TEXTO DE FORMA SAUDÁVEL

Conversar por mensagens de texto pode ser um potencial campo minado para os viciados no amor, pois muitas vezes há espaço para falhas de comunicação, levando à ansiedade. Kery Cohen afirma que essas pessoas devem evitar falar sobre sentimentos por mensagem de texto com o parceiro, sobretudo emoções negativas:

“Esta será uma boa prática para você controlar seus sentimentos até poder falar pessoalmente, e pode lhe dar a pausa necessária para saber como responder sem reagir.

PARE DE GUARDAR SEGREDOS

Muitas pessoas viciadas em amor mantêm partes de suas vidas em segredo de seu parceiro para obter o que Cohen chamou de “senso artificial de autonomia”, uma maneira de evitar conflitos. Embora privacidade seja apropriada em um relacionamento, guardar segredos não é.

Viciados em amor muitas vezes, “mentem sobre seu passado e tentam ser alguém que eles acreditam ser quem o parceiro queria que eles fossem” escreveu Cohen em seu livro. Ela aconselha os parceiros a compartilharem honestamente um com o outro, especialmente sobre suas lutas com vício em sexo ou amor.

CORTE OS CONTATOS

Depois de construir uma rede de apoio você pode decidir se, quando e como deve acabar um relacionamento tóxico. Com seu terapeuta, considere evitar qualquer forma de comunicação com o ex­ parceiro que possa desencadear sentimentos renovados de desejo e retardar a cura.

Os programas de 12 passos geralmente aconselham os viciados a remover tudo que pode relembrar o vício, incluindo todos os contatos nas redes sociais, fotos, músicas ou lembranças.

TENTE UM PLANO DE NAMORO

Pode ajudar desenvolver um plano de namoro com seu terapeuta, que pode ser um guia útil para encontrar um relacionamento novo e saudável. Comece identificando uma ação que trouxe consequências negativas em seu passado.

Alguns viciados em amor podem fazer sexo muito rapidamente com um parceiro e, com isso, ficarem muito apegados. Assim, pode ser útil estabelecer uma regra para apenas fazer sexo depois de entrar em um relacionamento sério.

“Ninguém sai do amor com vida. As pessoasvivem por amor, matam por amor e morrerão pela pessoa amada. É um dos sistemas mais poderosos do cérebro que desenvolvemos”, diz Fisher.

Depende de você se essa energia será aproveitada para uma experiência romântica positiva ou negativa.

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