A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PAIS PAGAM CARO E VIAJAM POR AVALIAÇÃO MÉDICA DE TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM

Estimativa é de 10 milhões de brasileiros com essa condição, mas escassez de conhecimento e profissionais especializados prejudica identificação do quadro. Estudo revela procura por diagnóstico até em outro Estado e jornada com mais de cinco especialistas

Luiz, de 11 anos, sempre perguntou à mãe, Angelica, assuntos complexos para a idade dele. Apesar disso, na escola, a criança desde cedo não desenvolvia a leitura e a escrita. Professores adaptaram as tarefas, médicos foram consultados, mas ninguém conseguia explicar o porquê ou reverter o quadro. Há três anos, o garoto recebeu um diagnóstico. Mãe e filho saíram de Mato Grosso para São Paulo para descobrir que a criança tem dislexia, um dos tipos de Transtorno Específico de Aprendizagem (TEAp).

Pesquisa sobre o perfil do TEAp no Brasil mostra que, 35% das famílias viajam, até para outros Estados, em busca do diagnóstico. Esse mapeamento, ao qual tivemos acesso, foi realizado pelo Instituto ABCD em parceria com o Cisco do Brasil e o Instituto IT Mídia.

O trabalho indica ainda que um terço das crianças consultaram mais de cinco especialistas até obter o laudo. Asfamílias gastam, em média, R$800 mensais em acompanhamento especializado. A análise envolve respostas de 304 questionários aplicados, de 17 Estados.

Após gastos em Cuiabá, os custos de consultas e estadia em São Paulo foram altos para Angelica Simioni, de 46 anos. Luiz passou por novas avaliações médicas e baterias de exames por mais de uma semana na capital paulista até o diagnóstico tardio. E essa peregrinação não é um caso isolado.

O instituto estima 10 milhões de brasileiros com algum transtorno de aprendizagem. No entanto, a falta de conhecimento e de profissionais especializados na rede pública prejudica o diagnóstico, conforme Ana Márcia Guimarães Alves, pediatra especialista em desenvolvimento infantil.

As famílias ouvidas pelo Instituto ABCD ainda sinalizaram impactos emocionais negativos do TEAp nas crianças e nos jovens, tais como tristeza, ansiedade e baixa autoestima. Angelica conseguiu orientação após encontrar um grupo de parentes de disléxicos que discutia o assunto em Mato Grosso.

“Foram essas famílias que me falaram qual caminho seguir para entender o que o meu filho tinha”. A fundadora do grupo é a bióloga Gabrielle Coury, mãe de Maria Lúcia, de 18 anos, que também fez em 2014 o mesmo trajeto de Angelica, para saber o porquê de a filha não se adaptar à escola.

Gabrielle conta que passou seis meses até conseguir revelar para a filha o diagnóstico. “Coloquei uns vídeos de umas crianças falando no YouTube, e ela se reconheceu. Ela olhou para mim e disse: “Então não sou burra, mamãe? Eu sou disléxica”, lembra emocionada a presidente de honra  da Associação Mato-grossense de Dislexia, fundada em 2016 e que hoje tem mais de 200 associados.

O longo período de salas de aula fechadas por causa da pandemia no Brasil também traz prejuízos para esse grupo, diante das dificuldades para a adaptação ao ensino remoto. Além das mudanças na escola, de acordo com a pesquisa, muitas crianças e jovens tiveram mudanças no acompanhamento terapêutico personalizado.

INVESTIMENTO E SOLUÇÕES

A administradora de empresa Fabiola de La Lastra Helou, é mãe de Layla, de 14 anos, eTayo, de 12. A filha cem discalculia, transtorno relacionado aos números, que precisa de intervenções pontuais. Já o filho tem dificuldade na aprendizagem por causa da dislexia. Além deles, o marido de Fabiola também é disléxico – esses transtornos são hereditários.

Atenta à literatura internacional do TEAp, Fabiola matriculou o filho por oito meses em uma escola americana com metodologia especifica, que custou cerca de R$50 mil por mês.

No fim do período, Tayo saiu do nível de leitura de uma criança na pré-escola para o de uma criança no 3º ano do ensino fundamental. O gasto da família inclui os quase R$ 15 mil mensais com a escola brasileira e intervenções da psicologia. Ela lamenta que muitas mães não consigam sequer acesso ao diagnóstico e defende mais atenção do poder público ao assunto. “É mais fácil manter do jeito que está porque é menos oneroso”, diz Fabiola.

Entre as soluções propostas para melhorar o cenário de atenção aos transtornos no País, destaca Juliana Amorina, fonoaudióloga e diretora-presidente do Instituto ARCO, está a aprovação do projeto de lei 3.51/72019, que tramita há quase 12 anos no Congresso.

O texto prevê acompanhamento integral dos alunos das redes pública e privada de ensino em parceria com os profissionais da rede de saúde. Na consulta aos profissionais especializados feita também pela ABCD, apenas 8% trabalham com serviços gratuitos.

O projeto estabelece ainda capacitação continuada de professores para que reconheçam mais precocemente sinais persistentes das crianças com resultados mais lentos na aprendizagem. “(A ideia é) implementar um sistema de triagem e monitoramento para que o encaminhamento seja mais preciso”, reitera Juliana. Isso também evita desperdício de recursos antes da descrição adequada do transtorno. Campanhas com informações sobre o tema também ajudam as famílias.

TIPOS

DISLEXIA

Maior prejuízo relacionado à leitura – em precisão, velocidade, fluência e compreensão leitora.

DISCALCULIA

Maior comprometimento em matemática com prejuízos no senso numérico, na memorização de fatos aritméticos, na precisão em cálculos e no raciocínio lógico.

DISORTOGRAFIA

Prejuízo acentuado na expressão escrita: ortografia, gramática, pontuação e organização textual.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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