EU ACHO …

CADA UM NO SEU LUGAR

Dia desses, liguei para uma grande amiga e fizemos um acordo. Estamos ambas com a vida corrida e pactuamos que aquele seria o momento de romper com nossas agendas ocupadas para passarmos momentos juntas botando o papo em dia. Saímos para almoçar ao ar livre. Ainda parece estranho retomar certas atividades presenciais, antes tão corriqueiras. Mas topamos o desafio.

Em parte do tempo que passamos, ela me contou sobre o quanto estava super apaixonada: “Ele é meu amor, meu amigo, meu terapeuta, meu tudo”, disse. Obviamente, fiquei feliz por vê-la amando e se sentindo amada e valorizada, mas achei que cabia compartilhar um conselho que recebi: temos que ter cuidado com o papel de terapeuta que, muitas vezes, atribuímos a namorados, mães, pais e irmãos. Aprendi que este papel não deve ser dado a quem não exerce esta profissão. E passei a reflexão adiante.

Eu mesma já me vi dando a pessoas próximas a função não pedida por eles de terapeutas, compartilhando questões que carregava. Uma terapeuta, felizmente, me avisou que não precisava atribuir aos outros o papel que cabia a ela.

Lembro-me de um amigo também ter me dito recentemente que sentia que seu pai o usava como terapeuta. Ele ainda não havia procurado apoio ou fazia atividades relacionadas à saúde mental. E meu amigo não aguentava roais ouvir tudo que ele tinha passado no casamento com a madrasta. Dizia não estar preparado para ter relatos tão pesados somados às próprias questões existenciais. E foi aí que começou a fazer terapia e retomou a prática de esportes para extravasar. Foi fundamental para não continuar com o ciclo de dar papel de terapeuta para quem não deve exercer essa função.

Ao olhar para eles, entendi que ao longo da vida, acabei guardando comigo diversas questões devido ao aprendizado de que deveria selecionar com quem dividisse meus anseios e angústias, o que muitas vezes me fez deixar de compartilhar coisas. Isso me dava um nó no peito. E fui entendendo um dos papéis da terapia.

Conversando coro terapeutas e profissionais que lidam com saúde mental, ao longo da minha caminhada, percebi que algumas das maiores confusões que cometemos na vida é justamente misturar os papéis de cada um. Mãe é mãe, namorado é namorado e terapeuta é terapeuta. Ou pelo menos deveria ser. A conversa com minha amiga me trouxe este lembrete.

Filho ou namorada não deveriam ser usados como único canal de escuta de problemas e questões. E não deveriam se sobrecarregar com questões que não lhe cabem, além das que eles mesmo carregam. Precisamos achar um equilíbrio que não é nada óbvio.

Para compartilhar coisas boas, avanços, segredos, expectativas, ter confidentes é importante, mas sobrecarregar uma pessoa (ou algumas) com toda esta carga que precisa dividir pode ser demais. E pode ameaçar a sanidade das relações.

O tempo passou e minha amiga está na terapia e fazendo uma série de atividades dedicadas à saúde mental. E por aqui eu dedico esta coluna a essa importante conversa que tivemos. Passar essa história adiante pode ser útil a alguém.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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