OUTROS OLHARES

VOCÊ PODE AJUDAR

A despeito do descaso do governo federal, jovens ativistas se engajam em iniciativas de combate a pobreza menstrual no brasil, onde mais de 4 milhões de meninas não têm acesso a cuidados durante o ciclo

No início de outubro, o veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de lei que previa distribuição gratuita de absorventes para mulheres em vulnerabilidade social acendeu nas redes (e fora delas) a discussão sobre pobreza menstrual. O termo, cunhado na França, se refere aos efeitos da falta de informação e de acesso a produtos básicos de higiene durante o período da menstruação. A decisão de Bolsonaro vai na contramão de outros lugares no mundo, como a Escócia, que no fim do ano passado se tornou o primeiro país a fornecer produtos menstruais gratuitos em todas as escolas e universidades. A Califórnia também acabou de adotar a medida, que entra em vigor no próximo ano letivo em toda a rede de educação (por lá, desde 2017, o material já é fornecido em escolas de baixa renda). Já aqui, 713 mil brasileiras, de 10 a19 anos, vivem sem banheiro ou chuveiro em casa, e mais de 4 milhões não têm acesso a recursos para cuidados durante o ciclo, segundo levantamento da Unicef. Enquanto o governo lava as mãos para o problema, agravado durante a pandemia, jovens mulheres resolveram arregaçar as manga e ajudar por conta própria. Após a polêmica, vários estados e municípios anunciaram programas de doação de absorventes, entre eles a Prefeitura do Rio.

“O acesso a esses itens é uma questão de saúde pública e deveria ser um direito, não um luxo ou privilégio”, argumenta a estudante carioca Constanza Del Posso, de 17 anos, idealizadora do projeto Absorvendo Amor, que já doou mais de 150 mil absorventes a cerca de 8 mil meninas. Aluna do colégio Eleva e moradora da Gávea, Constanza se deparou com a questão no livro “Eleanor & Park”, da escritora norte-americana Rainbow Rowell, que narra um episódio de bullying com uma personagem que fica menstruada na escola “Aquilo me marcou muito e fiquei chocada como ninguém falava sobre isso. Descobri que era um problema gigante”, conta. Em 2018, montou um grupo com 14 colegas e começou uma campanha local para arrecadação e distribuição de absorventes, principalmente em escolas públicas. “Uma em cada quatro meninas brasileiras da rede pública falta aula por não poder comprar absorvente, e pode perder em média 45 dias. É quase um quarto do ano letivo”, justifica.

Estudante do ensino médio e moradora de Granja Viana, na Grande São Paulo, Luana Escamilla, de 17 anos, foi apresentada ao termo pobreza menstrual no ano passado, quando assistiu ao documentário “Absorvendo Tabu”. O curta da americana Rayka Zehtabchi, vencedor do Oscar em 2019, aborda o estigma da menstruação na Índia por meio de um grupo de mulheres sem acesso a produtos de higiene que consegue a doação de uma máquina para fabricar absorventes biodegradáveis de baixo custo. “Fiquei muito tocada e resolvi pesquisar sobre o assunto no Brasil. Foi uma quebra da minha bolha pensar que alguém poderia passar por uma situação tão desumana”, conta a criadora do Fluxo Sem Tabu, que propõe democratizar o acesso ao conhecimento e à higiene íntima. Sozinha, ela aprendeu a fazer um site, criou unia campanha de conscientização e arrecadação e cuida  de toda a estratégia. Para a montagem e distribuição dos kits, conta com a ajuda de cerca de 700 voluntários. Já conseguiu doar 180 mil absorventes e ouviu relatos como o de uma moradora de rua que disse que ficar sangrando debaixo do viaduto com cólica era sua rotina “É importante falar também sobre como a pobreza menstrual tem relação com a evasão escolar. A falta de informação leva a vergonha, isolamento e ao uso de métodos inseguros, como jornal, papel higiênico, folhas, panos velhos e até miolo de pão, o que acaba acarretando em problemas de saúde.”

Com a doação de absorventes, calcinhas, sutiãs e outros itens de higiene no Rio e em Niterói, o projeto Tô de Chico surgiu há três anos a partir de uma conversa num domingo à tarde entre a engenheira de produção Talita Soares, de 24 anos, e a namorada, a geógrafa Carolina Chiarello, de 27. “Uma de nós estava menstruada, comentamos sobre o incômodo e percebemos como éramos privilegiadas”, diz Talita. Elas recolhem os donativos e distribuem cerca de 200 kits mensais a pessoas em situação de rua, ONGs parceiras e ao próprio SUS. “Nossa principal meta é quebrar o tabu em torno do assunto. Somos governados majoritariamente por homens que, por ser um ‘problema feminino’, não dão a devida atenção. A pobreza menstrual vai além da falta de absorvente, que é o mínimo que deveria ser garantido”, acredita Talita.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 21 DE NOVEMBRO

MÚSCULOS FORTES E CABELOS BRANCOS

O ornato dos jovens é a sua força, e a beleza dos velhos, as suas cãs (Provérbios 20.29).

A vida é feita de várias estações. Cada uma delas tem sua beleza peculiar. A infância, a juventude, a maturidade e a velhice são estações da vida e, nessa viagem rumo à eternidade, podemos celebrar em cada parada. Duas dessas estações são destacadas pelo sábio: a juventude e a velhice. A beleza dos jovens está na sua força, e o enfeite dos velhos são os seus cabelos brancos. Os jovens estão cheios de vigor e força; os velhos transbordam sabedoria e experiência. Os jovens prevalecem pela força dos músculos; os velhos, pelo discernimento da vida. Os jovens têm explosão em seus músculos; os velhos, tenacidade em sua experiência. Os jovens precisam adquirir sabedoria com os velhos, e estes precisam da proteção daqueles. Os jovens podem ter visões do futuro, e os velhos podem sonhar com novas oportunidades. Jovens e velhos não devem bater cabeça. Eles não estão competindo no jogo da vida. Não devem entrar numa queda de braço para ver quem prevalece. Devem ser parceiros e caminhar de mãos dadas. Os velhos precisam andar com a força dos jovens, e os jovens precisam olhar para a vida com a sabedoria dos velhos. Músculos fortes e cabelos brancos formam uma dupla forte, vigorosa e imbatível.

GESTÃO E CARREIRA

O FUTURO DO ANYWHERE OFFICE

A ideia de trabalhar de qualquer lugar do país, ou do mundo, é uma realidade que tem tudo para sobreviver à pandemia. Veja os atalhos para tirar esse sonho do papel – e entenda os riscos que essa decisão traz para sua carreira.

A essa altura, você provavelmente já tomou pelo menos a primeira dose da vacina contra a Covid. As empresas também estavam ansiosas por esse momento. Depois de um ano e meio de home office forçado, elas começam a organizar a volta aos escritórios (isso se a variante delta permitir, claro). Só que uma coisa é convidar funcionários confinados em apartamentos pequenos a sair de casa algumas vezes na semana, outra bem diferente é chamar aqueles que viram no modo remoto compulsório a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar, de preferência em outra cidade ou outro país.

O anywhere office sempre pareceu uma utopia millennial. Aquele mundo possível apenas para influenciadores digitais ou empreendedores da economia criativa, cujo trabalho consistiria em abrir um Macbook em um café hipster às 10h da manhã, mandar meia dúzia de e-mails, programar algumas postagens em redes sociais e dar o expediente por encerrado antes da hora do almoço. O oposto disso são trabalhadores mortais, com oito horas por dia de planilhas e relatórios garantidos, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Para esses, nunca houve qualquer possibilidade de anywhere office. Até março de 2020.

Nessa fenda que a pandemia abriu no tecido cósmico, os dois mundos se fundiram. Só não saiu exatamente como os mais otimistas imaginavam. Quem idealizava a liberdade dos moderninhos descobriu que a rotina fora do escritório é até mais puxada do que dentro. No modo normal de trabalho, não é comum estar no escritório às 23h, completamente focado. Em casa, o expediente tende a não ter hora para acabar. Como disse Satya Nadella, CEO da Microsoft: “Home office não é exatamente trabalhar em casa. É dormir no escritório”.

Por outro lado, percebeu-se que mesmo carreiras mais tradicionais podem se adaptar a uma rotina 100% remota. Dá para trabalhar de uma praia, de uma cidadezinha histórica no interior, de Amsterdã, da Lua.

Com isso, surgiram diversas teorias. A revista britânica The Economist proclamou no passado “a morte do escritório”. Mas a verdade é que o home ou o anywhere office não será necessariamente a regra. Trabalho, afinal, é muito mais do que cumprir um conjunto de tarefas para as quais o empregador paga o seu salário. A empresa também paga para que você crie inovações com seus colegas. Mais: muita gente tem o prazer de não trabalhar só por dinheiro. Mas também pelo prazer social, pelo privilégio de criar laços com gente interessante, como define Laura Castelhano, pesquisadora de trabalho e carreira da PUC-SP.

A consultoria Robert Half ouviu executivos e descobriu que 95% das empresas planejam um modelo híbrido para o mundo pós-pandêmico. Esse “híbrido” tem mais de um significado. Um é o mais convencional: você trabalha uma parte do tempo em casa e vaiao escritório algumas vezes por semana. O outro libera funcionários de certas áreas para o trabalho completamente remoto, e estipula que o restante deve ir ao escritório todos os dias.

A pesquisa não diz quem pretende adotar cada modelo – boa parte das empresas ainda está longe de decidir, na verdade. Mesmo assim, a intenção atende em parte ao que os próprios funcionários desejam. O mesmo estudo mostra que, se pudessem escolher, 62% dos trabalhadores não voltariam ao esquema anterior. Fariam home office de uma a três vezes por semana. E 22% disseram que prefeririam não voltar ao escritório nunca mais.

E as negociações estão em andamento pelo mundo. O Google, que no começo disse que todos deveriam estar ao menos três vezes por semana no escritório, deve autorizar 20% da equipe a permanecer em modo remoto. Mais uma dezena de empresas americanas, especialmente ligadas à tecnologia, também foram por esse caminho.

No Brasil, a XP anunciou que passaria a um modelo de anywhere office no meio do ano passado. A corretora contratou 2.750 pessoas entre 2020 e 2021; dessas, 2.085 são de fora de São Paulo, onde fica a sede da empresa. Dos 4.816 funcionários da companhia, 44% aceitaram migrar para o regime de teletrabalho com possibilidade de viver em qualquer lugar. É a tendência global.

O The Conference Board, uma organização americana, calculou que só 8% dos postos de trabalho eram prioritariamente remotos nos EUA antes do coronavírus. Para o cenário pós-pandêmico, as estimativas variam de 20% a 50% das vagas. A pesquisa se debruçou sobre anúncios de emprego e detectou que vagas nas áreas de TI, finanças e seguros agora têm a opção de trabalho remoto com mais frequência.

TI era o esperado. Primeiro porque, no setor de tecnologia, é mais fácil trabalhar de forma assíncrona, em que basta entregar a tarefa, não importando como, quando ou onde você tenha executado a atividade.

Mas só isso não explica a maior flexibilidade nesse caso. Há também uma escassez global de mão de obra na área. Esses profissionais são tão disputados que as empresas simplesmente não encontram candidatos se forem convencionais demais. “Nos EUA, as vagas são para quatro dias em casa, um no escritório. Se for diferente disso, eles perdem o candidato”, diz Lucas Nogueira, da Robert Half. Claro que o desemprego em 5,4% nos Estados Unidos aumenta o poder de barganha do funcionário. Por aqui, a taxa está em 14,7%.

MEU ESCRITÓRIO É NA PRAIA

A boa notícia é que, para quem gostou da possibilidade de trabalhar de qualquer lugar, as  chances de manter a nova vida são reais.

“Eu não vou conseguir trazer de volta para São Paulo os advogados que compraram casa na praia e nadam às 5h da manhã. Não se tira isso das pessoas”, diz Isabel Bueno, advogada e sócia do escritório Mattos Filho.

Aline Toretto também foi para a praia. Ela é gerente de RH numa startup financeira, a 180º Seguros. No ano passado, mudou com mala, cuia, namorado e cachorra para Trancoso.

A mudança começou a ser desenhada quando ficou inviável para Aline conciliar trabalho e um ruidoso apartamento de 50 metros quadrados. Em vez de simplesmente buscar uma casa maior, o casal tentou outro estilo de vida. No começo, a ideia era ficar só três meses no litoral baiano, e depois seguir viagem em busca de uma nova casa temporária. Acabaram ficando por lá mesmo. “Trancoso é uma cidade pequena, mas turística. Tem um centro desenvolvido, com restaurantes. A gente acaba estabelecendo uma vida social interessante aqui”, conta. Mas o destino só foi decidido depois que testaram a conexão com a internet. “É da responsabilidade de quem está fazendo esse movimento garantir a internet. Aqui, a fibra é ótima, e a gente testou antes.”

Essa é uma constante. Quem deixa a cidade, mas não o emprego, se sente ainda mais responsável por garantir boas condições de trabalho e a entrega de resultados. Uma espécie de compromisso a mais com a empresa que concedeu o benefício. O casal Camila Schmalz e Edson Feltrin passou a vida inteira em Joinville. Neste ano, venderam a casa e agora terminam a construção de um motorhome. Até janeiro do próximo ano, o escritório será na estrada, em viagens que podem ultrapassar as fronteiras do país. Antes, porém, eles pretendem fazer algumas viagens-teste para entender melhor a viabilidade da empreitada.

Os dois trabalham na Neogrid, uma empresa de tecnologia – ela é gerente de marketing; ele, analista de produtos. “Nossa van terá um pequeno escritório, que atende a nós dois. E vamos manter as nossas rotinas no trabalho e ter uma viagem mais tranquila. Parar durante a semana em um camping ou em uma estrutura um pouco mais estável, para garantir o desempenho profissional”, diz Camila.

“Nosso primeiro foco é o trabalho. Só que na sexta-feira, quando acabar o expediente, a gente vai estar na beira de algum penhasco com vista para o mar”, brinca Edson. Brinca não: fala sério mesmo. Outra vantagem para quem decide ir para algum lugar mais calmo, além dos eventuais penhascos com o mar batendo de tardezinha, é o custo de vida. O salário continua o mesmo. Nisso, há uma larga vantagem no Brasil. O pessoal do Google que sair do Vale do Silício, por exemplo, muito provavelmente terá algum corte de salário, já que a legislação americana permite adequar o pagamento ao custo de vida do lugar onde o funcionário vive.

O que as empresas daqui fazem quando oficializam o home office é converter o contrato do regime tradicional para teletrabalho. Isso garante a dispensa de bater ponto, e dá ao profissional mais autonomia sobre seu tempo. De resto, se ele não tem tarefas presenciais, o DDD do telefone é um detalhe.

Avisar o empregador dos planos de mudança também pode trazer outras vantagens, como adaptação de benefícios. Um exemplo: o plano de saúde pode ter um upgrade para cobertura nacional, por  exemplo. Só não conte com isso se seu plano for mudar de DDL

ALL AROUND THE WORLD

Se você tem o sonho de viver fora do país sem o incômodo de ter de largar o seu emprego, lembre-se do seguinte: a gente aqui do Brasil volta e meia sofre de síndrome de patinho feio, mas o nosso passaporte não é dos piores: abre a fronteira de 79 países sem a necessidade de visto. Outros 38 concedem visto na chegada, o que consiste basicamente em pagar uma taxa de acesso. É uma quantidade generosa de lugares com portas abertas, o que coloca o Brasil na 15ª posição de passaporte mais poderoso do mundo.

Há um porém. Esses lugares dão visto de turismo. Em tese, você não pode embarcar para Paris com o plano de passar três meses trabalhando por lá, mesmo que para um emprego no Brasil. Em tese, claro. Ninguém vai invadir a sua casa perguntando se você está trabalhando, e não turistando. Sem falar que visto de turista te deixa ficar só 90 dias em cada país, o que torna a logística de uma vida nômade internacional um pouco mais complexa.

O mineiro Renato Ribeiro tem feito isso. Ele deixou o Brasil em fevereiro deste ano sem planos de voltar. Head de conteúdo da equipe de marketing da Beer Or Coffee (uma empresa de coworking), Renato é um pioneiro do home office: trabalha nesse regime desde 2019. E agora conseguiu planejar uma vida que concilia trabalho com viagem – e com as restrições da pandemia.

“A princípio, eu estava planejando ir para a Argentina, mas as fronteiras foram fechadas. Por causa disso, eu decidi ir para a África, porque é uma região que está recebendo brasileiros.” Depois de 15 dias fora do Brasil, as fronteiras até reabrem para você, porque aí o mundo deixa de achar que a pessoa  é um vetor de Covid só por ser brasileira.

Desde o começo do ano, Renato passou pela África do Sul e pela Etiópia. Depois subiu para a Europa, buscando países com fronteiras mais abertas: Macedônia do Norte, Sérvia e Bósnia, onde está agora. Ele ficou pelo menos um mês em cada lugar, para dar tempo de virar a chave do “turismo” para “vida local”. “Ainda não tenho certeza do próximo destino, porque depende muito das questões da Covid e da vacinação. Mas estou pensando em ir para a Croácia e para a Hungria.”

A nova vida é bancada com o salário em reais, e ele procura países com custo de vida semelhante ao nosso. Renato recebe na conta de banco que tem no Brasil e transfere para uma conta digital que abriu na Europa – é mais simples abrir contas em fintechs por lá, igual aqui. Com o dinheiro em moeda estrangeira, faz pagamentos com cartão de débito ou saca, quando necessário. A ideia é seguir a vida assim e voltar para o Brasil apenas para visitar a família.

A Receita Federal pode ser uma pedra no sapato a quem pretende virar nômade global para sempre. Quem deixa o Brasil sem planos de voltar deve fazer a declaração definitiva de saída do país, um acerto de contas de Imposto de Renda por aqui. Só que, depois disso, as contas bancárias normais são fechadas e o CPF é suspenso. Você pode até não avisar a Receita, mas, pela regra, o Fisco assume que você deixou o país em definitivo depois de 183 dias fora.

Ou seja: quem pretende passar uma boa temporada no exterior sem largar o batente brasileiro precisa voltar para cá no mínimo duas vezes por ano. E isso é importante por outro motivo também. É que a maioria dos países passa a contar a pessoa como residente fiscal depois de 183 dias (aí você precisaria pagar impostos lá sem deixar de pagar no Brasil).

Antes da pandemia, multinacionais que desejassem ter funcionários fora do país cuidavam de todo o processo de expatriação: conseguir o visto, ajudar na instalação da família, nas questões fiscais e no pagamento na moeda local do país.

Para a empresa, é crucial que você mantenha residência fiscal no Brasil. É que não residentes têm outro regime de Imposto de Renda: pagam 25% direto na fonte. Quem recolhe é a empresa. E tudo que ela não quer é essa dor de cabeça extra.

No modo “mudança voluntária”, de qualquer forma, o contrato de trabalho continua brasileiro e esse é o tipo de imbróglio que precisa ser soluciona do por quem decide sair do país. Sem falar no salário, que continua a ser pago em reais, o que pode pesar na conta de quem quer viver em dólares ou euros.

NOMAD VISA

Alguns países viram no anywhere office uma oportunidade para atrair um turismo de longo prazo, e decidiram limar as barreiras burocráticas de visto e imposto. É o caso da Estônia, primeira nação a criar um visto para nômades digitais.

A ex- república soviética, conhecida por suas medidas arrojadas (como o voto via internet), concede prazo de permanência mais longo, geralmente um ano, e dá isenção tributária completa, como se você fosse turista mesmo. A condição é que você vá com um emprego no seu país de origem, já que esse tipo de visto não permite trabalho para empresas locais.

Depois da Estônia, outros países replicaram a ideia: Barbados, Dubai, Islândia, Ilhas Cayman e Croácia. A ideia é justamente fisgar profissionais esgotados pelo confinamento – e o dinheiro deles (bem-vindo num contexto de crise econômica). Só tem um detalhe. Todos pedem uma renda generosa para conceder o visto, uma espécie de garantia de que você vai levar mesmo dinheiro para lá, e não virar um trabalhador ilegal na primeira oportunidade – o visto de nômade não dá direito de trabalhar para empresas desses países. Sem falar que, em alguns casos, o custo de vida é brutal. Em Reikjavik, capital da Islândia, uma garrafa de cerveja sai por R$ 20 – e isso no supermercado. No bar custa RS 50. Ou seja: você tem de comprovar que consegue arcar com isso trabalhando para o Brasil mesmo.

Nos países da União Europeia, os vistos são escassos. Portugal e Alemanha têm vistos de trabalho para freelancers, só que aí é o contrário dos programas do tipo nomad: você precisa pagar impostos lá e, claro, está livre para atender clientes do país de destino.

Mas nem só de burocracia vive o estilo de vida errante. Portugal criou uma espécie de vila para andarilhos digitais na Ilha da Madeira. O programa, voltado para europeus que queiram sair das cidades grandes para as praias da terra natal de Cristiano Ronaldo, oferece internet, espaço de coworking e uma rede de contatos, para amenizar o isolamento de quem vive viajando. O Rio de Janeiro testa algo semelhante. Criou um site que lista opções de coworking e hospedagem para atrair gente que deseje passar um tempo na cidade mais fotogênica do país, sem ser nas férias.

TRABALHAR PARA A GRINGA, SEM SAIR DO BRASIL

Tem mais um jeito de tirar proveito do anywhere office. Lucila Dei Grande é diretora executiva de RH da Bridgestone para a América Latina desde março do ano passado. A promoção poderia ter acontecido em 2018, mas ela não aceitou. Naquele ano, um pré-requisito para assumir o cargo era a mudança para os Estados Unidos. “Eu recusei porque sou casada, tenho filhos e não tenho essa mobilidade.”

Demorou, mas, no fim, a pandemia garantiu o avanço na carreira. Quando todos os funcionários administrativos foram para o home office, a matriz da empresa descobriu que o cargo não precisava ser presencial. O plano da empresa é seguir com trabalho híbrido. “Então, quando tudo isso passar, a posição vai ficar situada no Brasil. E não sou a única na Bridgestone. Tem um diretor de planta que cuida da equipe da Argentina e também fica aqui no Brasil”, diz Lucila. Esse é só um dos exemplos de como empresas abertas ao anywhere office oferecem mais possibilidades de crescimento profissional. Dan Paranhos, 33, é de Goiânia e trabalha de modo 100% remoto desde 2016. A primeira experiência foi com a americana Cornerstone OnDemand, que até tinha um escritório em São Paulo. Ele, no entanto, nunca teve a obrigação de ir ao local. E aproveitou a flexibilidade para

trabalhar de qualquer lugar. “Tenho um amigo que mora na Polônia. Ele casou e me chamou para o casamento. E não tem como fazer um bate-volta para a Polônia de um final de semana. Aí aproveitei e passei um mês lá, tirei alguns dias de folga, mas fiquei trabalhando de lá mesmo”, conta.

UM FUSO MUITO LOUCO

Quem virou zumbi para acompanhar a Olimpíada teve uma boa amostra do que pode acontecer com quem trabalha em fuso horário maluco. É um desafio real para quem decide mudar seu home office de país ou topa trabalhar para uma empresa estrangeira. Uma reunião marcada para as 15h aqui no Brasil ocorrerá às 20h, se você estiver na Alemanha, e às 3h da manhã, se você se mudar para a Austrália.

De Sarajevo, Renato Ribeiro diz que tem liberdade para fazer o próprio horário. Ainda assim, bate um “sentimento de culpa” por não seguir a jornada dos colegas. “Minha liderança me dá toda a liberdade para fazer as coisas de forma assíncrona. Mas tem dias em que eu me sinto na obrigação de estar no mesmo horário com meus colegas. Então, vira e mexe, são 23h30 aqui e eu tô abrindo o Slack, porque é a hora que a galera está fervendo no Brasil”, conta.

Na OLX, uma empresa que abraçou o anywhere office com carinho, a presença em reuniões não é obrigatória, e as realmente importantes ficam gravadas. Isso ameniza o problema de diferença de horário. “Meu chefe está na Holanda. Ele se organizou, e estamos fazendo as reuniões de manhã [noBrasil], porque à tarde já é de noite para ele”, diz Sergio Povoa, diretor de Recursos Humanos da empresa. Mas dá para tirar partido da diferença de horários também. Ter uma equipe em vários fusos pode esticar o dia e diminuir o número de horas extras. É o que explica Ana Carolina Queiroz, advogada brasileira que vive na Bélgica e comanda uma equipe espalhada por escritórios em Amsterdã, Londres, Miami, Belo Horizonte e São Paulo.

“Se acaba o dia na Europa, eu tenho alguém de Miami que vai poder continuar o trabalho sem perturbar quem já terminou o expediente.”

O QUE OS OLHOS NÃO VEEM

Suas chances de crescer profissionalmente não estão ligadas só à sua competência técnica. Tão fundamental quanto os resultados é a sua capacidade de se relacionar bem com colegas e chefes. É dessa boa conexão que surgem chances como a de entrar em um projeto de maior visibilidade – daqueles com potencial para render uma promoção.

Se você está longe dos olhos do seu gestor, porém, fica mais difícil de ser indicado para trabalhos de mais responsabilidade. Com todo mundo em home office, beleza. Ficam todos em pé de igualdade, fazendo a social pelo Zoom mesmo. Numa realidade em que alguns decidem trabalhar na sede da companhia e outros preferem penhascos mundo afora, o pessoal do penhasco tende a ficar para trás. E isso é uma dor de cabeça para as empresas também. Moralmente falando, as que adotaram o anywhere office não podem discriminar entre quem vai ao escritório e quem é apenas um quadradinho na tela da videoconferência. Mas empresas são feitas de pessoas. E pessoas gostam de contato ao vivo. Ponto. Um estudo da Universidade de Stanford acompanhou funcionários de call center de uma empresa de viagens de Xangai por nove meses. Aqueles que estavam em home office foram mais produtivos, porque fizeram mais ligações e menos intervalos entre as chamadas. Ainda assim, tiveram menos aumentos. Ou seja: se é assim em funções que não exigem uma baita interação interpessoal, imagina nas que exigem. “A gente tem essa sensação de que está perdendo algo quando não participa de uma reunião. Não é a mesma coisa de estar em vídeo”, diz Laura Castelhano, da PUC-SP.

Não só isso. Seres humanos aprendem também por imitação. A gente vê como um colega mais experiente resolve um problema ou interage com o chefe, e acaba incorporando uma parte desse comportamento. Observar é parte do amadurecimento profissional. Sem falar que nem tudo no trampo é trampo. “No espaço físico é onde tem a interação off-trabalho. E boa parte das coisas que a gente assimila profissionalmente é quando não está trabalhando. A questão da cultura da empresa vem do território. O espaço ajuda na conexão das pessoas”, acrescenta Castelhano. A XP, por exemplo, já planeja voltar a fazer a integração de funcionários presencialmente, mesmo que eles sejam de outros lugares do país. “Antes da pandemia, você estava no escritório, você via as cores da XP, as frases, a diretoria andando para lá e para cá. Você sentia o clima. No modelo remoto, isso é difícil de transmitir”, diz Dalal Ghosn, head do programa XP Anywhere.

A realidade do trabalho é uma força que puxa a vida para algo mais próximo da normalidade do que do sonho de viver de galho em galho. O antropólogo Dave Cook acompanhou 16 nômades digitais por quatro anos. E constatou que as pessoas passaram a viajar menos depois de algum tempo. Cada mudança de cidade ou de país pode ser excitante, mas consome um belo tempo de adaptação, o que gera estresse.

Eles também passaram a fugir de áreas mais turísticas das cidades, para evitar o clima de festa enquanto precisam trabalhar. Ou seja, você acaba num ambiente mais parecido com o da sua cidade original: as áreas não turísticas de Berlim, Amsterdã ou Cidade do Cabo são tão cinzentas quanto a de qualquer cidade chata.

O estudo de Dave Cook também mostrou que os nômades são uma espécie que tende a se reunir em coworkings quando se tromba pelo mundo. Nos depoimentos, eles disseram que precisavam de um ambiente mais ligado ao trabalho para que conseguissem se concentrar e ser produtivos. Pois é. No fim, até pode ser anywhere, desde que seja em um office.

EU ACHO …

CADA UM NO SEU LUGAR

Dia desses, liguei para uma grande amiga e fizemos um acordo. Estamos ambas com a vida corrida e pactuamos que aquele seria o momento de romper com nossas agendas ocupadas para passarmos momentos juntas botando o papo em dia. Saímos para almoçar ao ar livre. Ainda parece estranho retomar certas atividades presenciais, antes tão corriqueiras. Mas topamos o desafio.

Em parte do tempo que passamos, ela me contou sobre o quanto estava super apaixonada: “Ele é meu amor, meu amigo, meu terapeuta, meu tudo”, disse. Obviamente, fiquei feliz por vê-la amando e se sentindo amada e valorizada, mas achei que cabia compartilhar um conselho que recebi: temos que ter cuidado com o papel de terapeuta que, muitas vezes, atribuímos a namorados, mães, pais e irmãos. Aprendi que este papel não deve ser dado a quem não exerce esta profissão. E passei a reflexão adiante.

Eu mesma já me vi dando a pessoas próximas a função não pedida por eles de terapeutas, compartilhando questões que carregava. Uma terapeuta, felizmente, me avisou que não precisava atribuir aos outros o papel que cabia a ela.

Lembro-me de um amigo também ter me dito recentemente que sentia que seu pai o usava como terapeuta. Ele ainda não havia procurado apoio ou fazia atividades relacionadas à saúde mental. E meu amigo não aguentava roais ouvir tudo que ele tinha passado no casamento com a madrasta. Dizia não estar preparado para ter relatos tão pesados somados às próprias questões existenciais. E foi aí que começou a fazer terapia e retomou a prática de esportes para extravasar. Foi fundamental para não continuar com o ciclo de dar papel de terapeuta para quem não deve exercer essa função.

Ao olhar para eles, entendi que ao longo da vida, acabei guardando comigo diversas questões devido ao aprendizado de que deveria selecionar com quem dividisse meus anseios e angústias, o que muitas vezes me fez deixar de compartilhar coisas. Isso me dava um nó no peito. E fui entendendo um dos papéis da terapia.

Conversando coro terapeutas e profissionais que lidam com saúde mental, ao longo da minha caminhada, percebi que algumas das maiores confusões que cometemos na vida é justamente misturar os papéis de cada um. Mãe é mãe, namorado é namorado e terapeuta é terapeuta. Ou pelo menos deveria ser. A conversa com minha amiga me trouxe este lembrete.

Filho ou namorada não deveriam ser usados como único canal de escuta de problemas e questões. E não deveriam se sobrecarregar com questões que não lhe cabem, além das que eles mesmo carregam. Precisamos achar um equilíbrio que não é nada óbvio.

Para compartilhar coisas boas, avanços, segredos, expectativas, ter confidentes é importante, mas sobrecarregar uma pessoa (ou algumas) com toda esta carga que precisa dividir pode ser demais. E pode ameaçar a sanidade das relações.

O tempo passou e minha amiga está na terapia e fazendo uma série de atividades dedicadas à saúde mental. E por aqui eu dedico esta coluna a essa importante conversa que tivemos. Passar essa história adiante pode ser útil a alguém.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

ESTAR BEM

TEMPO NÃO É MAIS DESCULPA

O snack fitness, novo modelo de treino físico, melhora a saúde e o condicionamento a partir de vinte segundos de exercícios intensos. Dois novos estudos mostram sua eficácia

Depois de anos vivendo sob a máxima de que os primeiros benefícios do exercício físico para o organismo só viriam após vinte minutos de atividade, a ciência apresenta um novo conjunto de informações mostrando que não precisa de tanto tempo assim. Na verdade, vinte segundos de movimentação intensa três vezes por dia já é o suficiente para melhorar o condicionamento físico e a saúde cardiovascular. É o que os estudiosos estão chamando de snack fitness, expressão em inglês que, em português, pode ser entendida como treino curto que pode ser repetido. Como um petisco saboreado aos poucos. A modalidade é uma evolução do HIIT (high intensity interval training, em inglês), sistema que intercala exercícios de alta intensidade com períodos de descanso. Ele começou a fazer sucesso nos anos 2010, por combinar redução de tempo – um circuito completo pode ser executado em vinte minutos – com resultados evidentes.

Aos poucos, porém, percebeu-se que o tempo total gasto não era assim tão menor do que o usado em um treino convencional, de sessenta minutos. Entre trocar de roupa, subir na esteira ergométrica ou na bicicleta, completar o aquecimento e, ao final, esperar o corpo voltar ao ritmo normal, lá se vai pelo menos meia hora. Evidentemente, gastar trinta, quarenta minutos no total, com os mesmos benefícios de uma hora, é vantajoso. Mas, para as pessoas resistentes aos exercícios, esse tempo ainda é insuficiente para motivar a sair da inércia.

Embora existam muitos atletas, um pedaço considerável da humanidade prefere gastar seu tempo com qualquer outra coisa que não sejam abdominais, flexões ou corridas. Por isso, dois centros de pesquisa resolveram investigar qual o mínimo de tempo necessário para obter os benefícios dos exercícios e, dessa maneira, tirar mais gente do sedentarismo. A pergunta não tinha resposta desde que a Organização Mundial da Saúde deixou a informação em branco quando atualizou as diretrizes para o assunto, em 2018.

Dois estudos, porém, trouxeram importantes – e muito positivas – novidades. O primeiro foi liderado por Martin Gibala, professor de cinesiologia da Universidade McMaster, no Canadá. Gibala estuda a relação entre tempo, intensidade e o impacto dos exercícios no corpo há cerca de vinte anos. Desta vez, ele resolveu testar em 24 adultos sedentários a eficácia do snack fitness com o seguinte treino: vinte segundos pedalando em intensidade máxima, intercalados com descanso entre uma a quatro horas, três vezes por dia, três vezes por semana. Como comparação, metade dos participantes executou outro modelo, quase igual, à exceção dos intervalos: eles tiveram dez minutos para cumprir os três ciclos de vinte segundos na bicicleta. Os resultados foram parecidos. No primeiro, a melhora no funcionamento do sistema cardiovascular foi de 9%. No segundo, 13%. “O mais importante é termos mostrado que cada movimento conta. Os ganhos para o organismo começam assim que o indivíduo inicia os exercícios”, disse Martin Gibala.

O segundo estudo também reforçou a certeza de que o esforço, por mais breve que seja, ajuda o organismo. Na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, os pesquisadores colocaram jovens adultos para pedalar em alta intensidade durante quatro segundos, seguidos por intervalos de quinze a trinta segundos. Cada ciclo foi repetido trinta vezes, somando dez minutos de trabalho físico. No final, todos apresentaram ótimo desempenho da atividade aeróbica. “A performance atlética e as condições cardiovasculares apresentaram boa evolução”, afirma Remzi Satiroglu, autor principal do trabalho.

A expectativa de Remzi e Gidala é que as evidências trazidas pelos seus trabalhos ajudem a tirar muita gente do sofá. Um dado é certo: não há dúvida de que essas pesquisas derrubam os argumentos de quem procura justificativa para não se mexer. Pelo menos daqueles que se dizem ocupados demais, sem tempo para ir a uma academia ou comprar roupa de ginástica. “A beleza do snack fitness é esta. Você pode praticá-lo em qualquer lugar, andando por dois minutos ou subindo três lances de escada de forma vigorosa, por exemplo”, diz Scott Lear, da Universidade British Columbia, parceiro de Gidala. “E nem precisa trocar de roupa porque não vai suar.”  De fato, só precisa mesmo é de vontade e, como afirmam os cientistas, da convicção de que alguns minutos de sacrifício podem fazer uma grande diferença.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AMPLO ESPECTRO

Novos hábitos e ferramentas renovam visões sobre o autismo

Uma memória da infância da coordenadora de projetos sociais Laryssa Smith a fez determinar que a inclusão seria um ponto fundamental na criação do filho Pedro, de 8 anos, diagnosticado com autismo.

“Fui à casa de alguém conhecido e ouvi, de um quarto, uma criança que fazia barulhos diferentes. Os pais falaram que ela tinha uma deficiência”, explica. “Quando descobri o diagnóstico do meu filho, jurei pra mim que ele não seria mais uma criança escondida dentro de casa. Levando como mantra a ideia de que Pedro está inserido numa realidade partilhada por todos, e não em “seu, próprio mundinho”, – como é comum ouvir em relação às crianças que tenham o Transtorno do Espectro Autista (TEA) – , Laryssa compartilha o dia a dia do filho em uma página no Instagram. Por ali, o menino aparece fazendo terapia aquática, brincando com jogos eletrônicos ou simplesmente interagindo com a mãe.

Cenários como esse refletem o crescente conhecimento sobre o tema, graças, sobretudo, aos avanços científicos e sociais sobre o tema. E às tecnologias que vieram ao auxílio de pais e especialistas nos últimos anos.

O comportamento de Pedro, explica a mãe, é fruto de terapias e outras atividades de estímulo. Uma delas, para aprender a cantar, foi iniciada por meio de vídeos disponíveis na internet, que ensinaram à Laryssa como abordar o filho corretamente.

Há na atividade de Laryssa mais do que um simples registro da realidade e das trivialidades do dia a dia. Em sua página, e em outras semelhantes, os seguidores são muitas vezes mães e pais em situação parecida, reunidos para trocar experiência sobre os filhos que apresentam algum dos aspectos desse distúrbio do neurodesenvolvimento.

DIÁLOGO FRANCO

Essa ideia de conversar abertamente sobre o autismo dos filhos dentro e fora das redes é parte de um novo capítulo em relação à forma como se encara o transtorno dentro das famílias. Hoje, mães e pais se reúnem em fóruns on­line para falar sobre a rotina, partilhar dicas ou simplesmente apoiar-se em um dia difícil. A evolução de outra criança, dizem, é combustível para insistir nas terapias dos próprios filhos, buscando ajudá-los a desenvolver novas habilidades ou aprimorar as que eles já têm.

Os grupos e páginas on-line, embora ofereçam apoio emocional, não substituem o acompanhamento médico adequado. Fundamental para a evolução da criança, é importante dizer.

“Agora os avós sabem do que estamos falando, o que é (o autismo), e sabem o que fazer. Os tios também estão ligados. Antes, somente as mães buscavam por mais informações e os outros ficavam em negação”, diz a psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato, fundadora do Instituto Singular, em São Paulo.

A identificação do transtorno em crianças, mesmo quando elas exibem características consideradas clássicas – não verbalizar palavras típicas da  idade, e ignorar o chamado dos pais e evitar contato visual – ainda é um desafio para as famílias. Isso porque não existe nenhum tipo de exame que emita um laudo oficial. É preciso observá-las em diversos aspectos, conhecer seus hábitos, compreender o que as incomoda.

MÃO DA TECNOLOGIA

Em paralelo aos avanços comportamentais e clínicos, há os tecnológicos. Um estudo recente, publicado na revista JAMA por pesquisadores da Austrália e do Reino Unido, mostrou que o início da terapia – mesmo antes do diagnóstico, preferencialmente feito a partir dos 18 meses de idade – levou à redução dos comportamentos do espectro autista na primeira infância.

As crianças avaliadas tinham entre 9 e 14 meses e mostravam indícios de que poderiam integrar o espectro, por conta de comportamentos iniciais. O grupo que não passou por terapia teve três vezes mais (21%) crianças diagnosticadas com autismo, por volta dos 3 anos, em comparação com os que fizeram as atividades (7%).

A tecnologia, aqui, surge para facilitar a conversa entre especialistas e a família do bebê. Após as orientações oferecidas em vídeo, pelo terapeuta, gravava-se a interação dos pais com os pequenos. Depois disso, os profissionais assistiam às sessões e podiam oferecer feedbacks.

“No estudo, são indicadas intervenções simples, como tentar observar como a criança brinca”, diz Polyana Lima, chefe da neuropediatria da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Outra ferramenta é o eye­tracking, que consegue identificar a atenção visual da criança. Uma das instituições onde o apetrecho está em estudos é o Instituto Pensi, ligado ao Hospital Sabará, em São Paulo.

“É uma câmera bem pequena que acoplamos a um monitor. Para crianças bem pequenas exibimos, por exemplo, uma bola e uma pessoa sorrindo. Geralmente, os autistas vão olhar mais para a bola”, explica Yasmine Martins, coordenadora científica do Instituto Pensi.

Outra inovação auxiliar ao diagnóstico foi aprovada em junho pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora dos Estados Unidos. O aplicativo Cognoa utiliza inteligência artificial e especialistas, em uma central remota, para analisar registros em vídeo.

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