OUTROS OLHARES

GRAVIDEZ NO CRACK É A FACE MAIS DOLOROSA DO VÍCIO

Médicos da maternidade estadual Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, narram as batalhas cotidianas para salvar a vida dos bebês e das mães dependentes, que são consideradas pacientes de alto risco

Quando a filha tinha dois meses, na primeira noite em que estava sozinha cuidando dela, Tatiane tomou uma decisão definitiva: viveria sem o crack. Depois de passar 13 anos nas ruas como dependente química, dos quais cinco na Cracolândia, na capital paulista, foi naquele dia que percebeu “que Deus tinha dado uma nova oportunidade” a ela.

Antes daquele dia, aos cinco meses de gravidez, sem dinheiro para comprar droga, sentia fome, frio, cansaço e, o pior, fissura. No desespero, decidiu buscar um local de acolhimento para dependentes no centro de São Paulo.

“No meu último ano na Cracolândia, engravidei do meu milagre. Ninguém se importava, ninguém olhava, ninguém ajudava. Apareceu uma proposta, mas aborto é uma coisa que, mesmo na loucura, eu nunca tive coragem de fazer. Depois de tanto tempo ali, eu queria morrer, não tinha instinto de mãe, nem nada. Mas naquele dia me bateu um desespero, procurei ajuda e me internaram”, conta.

Tatiane passou o resto da gestação internada no Hospital Psiquiátrico Lacan do estado de São Paulo, sob remédios para combater a abstinência. Na hora do parto, foi levada para a maternidade estadual Leonor Mendes de Barros, onde teve Milena. De lá, o bebê só pôde sair quando a avó veio buscar. Hoje, três anos depois, elas vivem juntas no interior de Minas Gerais. Tatiane trabalha e descobriu que, sim, é possível superar o crack.

SEM PRÉ-NATAL

A gravidez de dependentes é uma das mais dolorosas fases do vício. A maternidade Leonor Mendes de Barros recebe pacientes de alto risco, das quais pelo menos duas ou três por mês são usuárias de drogas.

Essas gestantes chegam ao hospital por dois caminhos. Metade vem de outros serviços de assistência para fazer o pré-natal. A outra metade já vem para o parto.

“As dependentes químicas são um grupo difícil porque têm baixa aderência ao pré-natal e, quando começamos a atendê-las, não sabemos se teremos a chance de reencontrá-las. Assim, quando a paciente chega, a gente procura mostrar interesse, estimulamos para que não use drogas, encaminhamos para a psicologia, acionamos a assistente social”, afirma o ginecologista Tenilson Amaral, responsável por fazer o pré-natal das gestantes no Leonor Mendes. Além da dependência química, há complicações na saúde das gestantes. Asinfecções urinárias são mais comuns, inclusive pelas dificuldades no acesso à higiene. Outro problema que acaba sendo mais frequente são as infecções sexualmente transmissíveis, em especial, a sífilis, que tem transmissão vertical, ou seja, pode passar para o bebê”. Segundo Amaral, cerca de 15% das pacientes usuárias que fazem o pré-natal têm sífilis, contra a média geral de 1%. A doença pode provocar alterações morfológicas no feto.

Quando a mulher chega já em trabalho de parto, é importante entender o contexto e descobrir seu histórico e situação atual com as drogas. A informação serve para definir quando a amamentação está liberada.

No caso do crack, é preciso esperar 24 horas porque, antes disso, a droga pode passar para o recém-nascido, como explica a médica neonatologista Patrícia Maranon Terrível.

“Dependendo da quantidade de drogas que ela usa, a criança pode nascer com abstinência. Nesses casos, dá sinais como irritação, choro constante, febre ou sonolência. Se ela convulsionar, precisa do anticonvulsivante. Por isso é importante observar as primeiras horas. A maioria dessas crianças nasce com baixo peso, há muitos prematuros, mas são poucos os com sequelas”, explica.

A intenção é sempre manter mãe e filho juntos:

“Se o bebê nasceu bem, ela diz que é usuária, mas não usou, tem condições de ficar com o filho, ela fica. A gente não tira a criança da mãe porque ela é usuária”.

Caso a mulher tenha acabado de usar droga ou esteja em surto, o bebê vai para o berçário.  A mãe registra a criança se quiser, mas é incentivada a fazê-lo. A assistente social, a psicóloga e a equipe médica dão início, então, a um novo desafio: avaliar, com a Justiça, se  a mulher tem condições de ficar com a criança. Começa a busca por uma rede de apoio.

Segundo a médica, muitas dependentes não sabem quem é o pai da criança. Tenilson Amaral não se lembra de, algum dia, ter visto um homem acompanhando essas mulheres. Quando elas têm alguém ao lado, geralmente, são as mães. Mas, infelizmente, muitas famílias já estão quebradas e não há respaldo. Sem apoio, a maioria dos bebês vai para adoção.

DESTINO INCERTO

Se a mãe segue para uma clínica de reabilitação, por exemplo, alguém da família precisa ficar com o bebê. Às vezes a mãe tem alta, e o bebê fica à disposição da Vara da Infância e da Juventude. E o juiz determina se ele vai para a família da mãe ou para um acolhimento institucional.

“Quando a gente fala que vai ser encaminhado para a Vara da Infância, elas ficam nervosas e choram. Achar que uma pessoa que faz uso de crack não está nem aí para os filhos é mentira. Realmente é mais difícil para ela cuidar. Mas a questão é mais ampla do que moralizar”, diz a assistente social Selma Kouri, que trabalha há 17 anos na maternidade.

Antes, as crianças eram encaminhadas para a adoção com mais frequência do que hoje. Kouri explica que há um artigo no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que diz que a criança não pode ficar perto de pessoa que faz uso de entorpecente. Agora, o foco está mais na parte que fortalece o direito à convivência comunitária.

Ao longo desses anos, a assistente social já viu mulheres fugirem do hospital após o parto em busca de droga e até um caso em que, após ter alta de outro hospital, uma mulher levou o filho com ela e trocou a criança por crack – a avó conseguiu resgatar o bebê.

Mas há finais felizes, como o de Tatiane, que mobilizam a energia de toda a equipe.

“Quando as coisas caminham bem, recebemos certo alento, porque para a gente também não é fácil. Um caso de sucesso é nosso grande combustível”, afirma Tenilson Amaral, que segue com esperança: “Não tenho dúvida que a gravidez é uma janela de oportunidade para a paciente dependente química para se livrar da droga”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 19 DE NOVEMBRO

VOCÊ NÃO PODE SE ESCONDER DE SI MESMO

O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo (Provérbios 20.27).

Ninguém consegue sondar o que está no íntimo do homem senão o espírito que nele está. O espírito do homem é como a lâmpada do Senhor, que alumia todos os corredores da alma e investiga todos os setores sombrios da vida. Isso significa que o homem pode esconder-se dos outros, mas não de si mesmo. O homem pode enganar os outros, mas não consegue mentir para sua própria consciência. O Senhor deu aos seres humanos inteligência e consciência; ninguém pode se esconder de si mesmo, pois o espírito do homem, que é a lâmpada do Senhor, vasculha cada parte do seu ser. Quando Caim matou Abel, seu irmão, pensou que pudesse escapar das consequências de seu crime, mas Deus o encurralou no beco de sua consciência e mostrou que ele não podia se evadir de si mesmo. O marido pode até trair a esposa, sem que ela jamais saiba de sua infidelidade, mas nenhum marido se livra de si mesmo. A esposa pode até ser infiel a seu marido, mas jamais se livrará das acusações de sua própria consciência. A consciência é como uma lâmpada que revela toda a escuridão do pecado. O homem pode despojar-se de tudo e até afastar-se de todos, mas não pode se apartar de si mesmo nem driblar a própria consciência.

GESTÃO E CARREIRA

MULHERES TÊM MAIOR POTENCIAL DE TRABALHO REMOTO DO QUE HOMENS

Dificuldades de acesso a computadores e internet, no entanto, acentuam desigualdades entre profissionais brancos e negros

Quando a pandemia da Covid-19 estourou com força no Brasil em março de 2021, a personal trainer Claudia Turco Viceconti, 39, temeu pelo futuro de seu trabalho.

Mas acabou se surpreendendo com a aptidão tecnológica de seus alunos, que se adaptaram facilmente às aulas online e com o efeito colateral positivo da crise em sua vida pessoal.

“Ficar em casa foi algo feliz, mas, por um breve momento, houve a tristeza de perceber o quanto os meus filhos sentiam a minha falta”, diz ela, que é mãe de dois meninos, de 9 e 7 anos.

Antes da pandemia, Claudia, que mora em São Paulo, conseguia ficar com eles na hora do almoço e à noite e, apesar da rotina intensa de trabalho, se sentia uma mãe presente.

Mas o período de isolamento – quando demitiu a babá dos meninos – transformou sua opinião sobre o que é conciliar trabalho e maternidade. A nova visão perdura mesmo com o gradual retorno das atividades presenciais.

“Ainda mantenho cerca de 40% das aulas online e as concentro em algumas manhãs da semana. Nesses dias, consigo otimizar muito meu tempo, porque não preciso me deslocar”. Ela diz que, embora a presença física seja muito importante em seu trabalho, é provável que uma parcela das aulas continue ocorrendo remotamente.

Segundo um estudo inédito de pesquisadores do FGV- Ibre, a fatia de mulheres com ocupações compatíveis com o teletrabalho e que – como Claudia – têm infraestrutura para desempenhá-lo chega a 22,3% no Brasil.  Entre os homens, ela cai para 4,2%.

Pesquisa recente do Credit Suisse também destacou que o perfil do emprego feminino, mais focado em serviços, favorecerá uma maior inserção das mulheres no mercado de trabalho futuramente.

O problema é que, se por um lado, o potencial de trabalho remoto do Brasil pode contribuir, eventualmente, para uma queda da desigualdade entre homens e mulheres, por outro, deve acentuar outras desigualdades.

Esse risco é evidenciado pelos recortes que os economistas da FGV fizeram por região, raça e até pela divisão do mercado entre os setores público e privado.

“Há o risco de um aumento geral da desigualdade no país”, diz o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, um dos autores do estudo.

Os dados mostram que, enquanto o trabalho remoto pode ser realizado por 40% dos funcionários públicos, entre os empregados do setor privado fica em apenas 15%.

O potencial de teletrabalho entre trabalhadores brancos e amarelos é o dobro do registrado entre profissionais pretos e pardos: 24,5% contra 12,2%, respectivamente.

A dificuldade de acesso entre negros foi percebida pelo Goldman Sachs e o Linklaters, organizadores da iniciativa Lift, que oferece bolsas integrais para que universitários pretos e pardos, de qualquer área, aprimorem o inglês.

“Quando a pandemia começou, a Alumni, que ministra o curso, se adaptou rapidamente para o ensino remoto, mas muitos de nossos bolsistas não tinham como continuar acessando as aulas”, diz Talita de Moraes, responsável pela área de serviços ao cliente no Linklaters. Foi o que ocorreu com Gabriela Oliveira, 21. Moradora de Sorocaba (SP) e estudante da graduação de políticas públicas da Universidade Federal do ABC, em Santo André, ela havia acabado de ingressar na terceira turma da Lift quando estourou a crise sanitária.

“Estava feliz com a bolsa porque já queria aprimorar meu inglês, mas não sabia se teria condições. Para jovens negros, de baixa renda, como eu, tudo é mais difícil”, diz ela.

“Mas logo depois do início do curso, começou a pandemia e eu vivia em uma república, com internet muito ruim e um computador que havia quebrado há pouco e que eu não tinha como consertar”, conta a estudante.

Para possibilitar a participação de bolsistas como Gabriela, os organizadores da Lift levantaram uma rodada de recursos extras com as empresas que patrocinam o programa para viabilizar equipamentos e chips de internet aos alunos.

A Fundação Tide Setubal também percebeu, durante a pandemia, como a barreira tecnológica afetava severamente os moradores do Jardim Lapena, bairro da zona leste de São Paulo, onde a instituição tem forte atuação.

“Muitos jovens e adultos procuraram o Galpão ZL, onde realizamos nossas atividades, pedindo acesso à internet e a computadores para poder continuar estudando ou trabalhando”, diz Viviane Soranso, coordenadora do programa de raça e gênero da fundação.

 A instituição desenvolve projetos com foco nas desigualdades socioespaciais relacionadas a gênero e raça. Sua iniciativa mais recente foi a criação da plataforma Alas. Voltado para negros, o programa trabalha com três eixos: formação para inspirar jovens de 16 a 24 anos a buscar trilhas de liderança; bolsas para graduação e mestrado em instituições de ensino superior; e apoio financeiro de até R$ 15 mil para profissionais já estabelecidos que queiram aprimorar competências e habilidades.

”A ideia é que a plataforma possibilite uma ação coletiva para a formação de lideranças negras”, diz Soranso.

Ela afirma que, no entanto, também são necessárias políticas públicas em diversas áreas, incluindo democratização da internet e melhoria da infraestrutura.

“São problemas que a iniciativa privada e o terceiro setor não conseguem resolver sozinhos”, afirma.

Talita de Moraes, da Linklaters, ressalta que, se por um lado, a pandemia escancarou desigualdades, por outro, permitiu a criação de novas oportunidades. Pela primeira vez, as bolsas da Lift – que, além de inglês, englobam mentoria e outras formações complementares – serão oferecidas, por exemplo, em outras três capitais (Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador). As inscrições estão abertas até a próxima terça (19).

“Só será possível expandir a iniciativa, mantendo a qualidade e a metodologia do programa, porque as aulas serão remotas”, diz Moraes.

EU ACHO …

O SILÊNCIO NA PANDEMIA

Ao contrário dos carros que emitem ruídos estranhos, nossas mazelas não fazem ruído

“O pior som de uma pandemia é o que, em música, chamamos de pausa: o silêncio. Há algo ensurdecedor no que vivemos: vozes de mais de 600 mil pessoas que deixaram de falar. A morte é a coisa mais gritante e inaudível em perversa combinação. Ao contrário dos carros que emitem pequenos ruídos estranhos quando estão com algum problema, nossas mazelas físicas raramente provocam ruído. O vírus que avança, o terror que se instala, a artéria que se entope de vez são, usualmente, um gato andando sobre um tapete grosso: nada se ouve.

Além do silêncio enorme causado pela pandemia, há o apagar de vozes importantes na arte. Músicos ficaram sem emprego, orquestras fecharam, deixamos de produzir shows e a pausa malévola dos palcos atingiu camarins, coxias, luzes e figurinos. Conviveremos  muito tempo com os efeitos colaterais da pandemia na área cultural. Decidimos reabrir bares e restaurantes, depois escolas e, por fim, teatros e casas de espetáculo. O risco de contaminação é grande em todos; a ordem mostra algo do nosso mundo e dos valores que praticamos.

Talvez as crises históricas (guerras, revoluções, desastres naturais e epidemias) tenham sempre um efeito duplo. Por um lado, aceleram o que já estava posto. A Peste Negra do século 14 desestruturou o já claudicante feudalismo. A Grande Guerra (1914-18) fez ruir impérios decadentes e multinacionais como o turco-otomano ou o austro-húngaro. Porém, além de acelerar o que já era notado, os processos citados costumam revelar o que se tentava disfarçar ou se convivia sem alarde. As crises revelam muito o caráter dos seus atores e atrizes.

A pandemia desnudou muitas pessoas. Acompanhei gente que descobriu, enfim, o peso do desamparo da pobreza no Brasil. Alguns amigos se tornaram voluntários. O epítome da doação que brilhou ainda mais no caos sanitário e social que vivemos foi o padre Júlio Lancellotti. Sim, há quem o considere equivocado. Existem detratores da sua ação. Acusam a publicidade constante que ele intensificou com fotos em redes sociais. Um “agente do comunismo internacional”, aquele risco extraordinário que habita o fundo do último buraco da consciência de alguns reacionários. O comunismo no Brasil é como a neve no nosso país: sim, pode ocorrer aqui e ali de forma bissexta, acumula pouco sobre o solo, derrete ao sol e produz bonecos muito pífios com turistas encantados. Nosso comunismo é como a neve em Gramado, deleite de Instagram mais do que efervescência revolucionária…

Imagino que, estando com fome na rua, uma pessoa não olha para o padre Júlio e pensa: nossa, este cara está tentando me cooptar para um projeto político esquerdista baseado na sociologia de Marx e Engels. Acho que, quase todos, devem ficar agradecidos. A cena do padre Júlio batendo com marreta pedaços concretados de engenharia de sanitarismo social canhestro é uma das mais marcantes. Discordar? Sem problema: qual a sua prática cotidiana a favor de pessoas em situação de rua? Se você faz algo distinto e eficaz sobre a questão, então, tem condições de se posicionar de forma diferente. Para sair da rua, precisamos de esperança.

*** LEANDRO KARNAL

ESTAR BEM

PAÍS CONTA COM DROGAS EFICAZES CONTRA A OBESIDADE

Inibidores de apetite proibidos esta semana depois de uma decisão do STF já tinham prescrição restrita nos consultórios. Classe mais avançada de remédios para emagrecer atua sobre o cérebro e a absorção de gordura

Em apenas uma década, a taxa de obesidade no Brasil dobrou, acometendo hoje nada menos que 20% da população adulta, de acordo com dados da pesquisa Vigitel, realizada periodicamente pelo Ministério da Saúde. Isso significa que dois em cada dez brasileiros apresenta índice de massa corporal, o famoso IMC, a partir de 30. Para a maior parte destas pessoas, emagrecer (e manter o peso perdido) só com mudanças comportamentais, como dieta e atividade física, é uma tarefa quase impossível.

“Aprobabilidade de um paciente obeso perder 10% do peso apenas com essas alterações é muito pequena. Além disso, em até dois anos, 90% dessas pessoas recuperaram o peso inicial”, explica Antônio Carlos do Nascimento, doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Nesses casos, o uso de medicamentos específicos é fundamental para ajudar na perda de peso de forma significativa e duradoura.

No dia 14 de outubro, o Supremo Tribunal Federal (STJ) proibiu a comercialização de três inibidores de apetite, a anfepramona, femproporex e mazindol. No entanto, na prática, essa decisão não impacta o tratamento de pacientes obesos. Desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu o uso desses anorixerígenos, em 2011, eles foram praticamente abolidos das prescrições. Isso se manteve após a liberação da venda dessas substâncias pelo Congresso, em 2017.

“Essas medicações praticamente não voltaram para o comércio habitual porque estavam sendo vendidas em pouquíssimas farmácias de manipulação”, afirma a endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente do departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Nesse período, outros medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais chegaram ao Brasil e passaram a ser indicados para o tratamento da obesidade. Os principais são a liraglutida e a semaglutida, que imitam no organismo o hormônio GLP-1, ligado à produção de insulina e à sensação de saciedade. Além disso, também estão disponíveis a sibutramina, que é o medicamento emagrecedor com registro válido mais antigo no Brasil, e o orlistate.

AVAL DE ESTUDOS

A liraglutida e a semaglutida são considerados os medicamentos mais modernos e eficazes para o tratamento da obesidade. Originalmente desenvolvidos para o diabetes tipo 2, seu uso como potente emagrecedor logo foi descoberto e incorporado à prática clínica. Em 2021, a liraglutida se tornou a substância mais prescrita nos consultórios particulares de endocrinologia.

Já a semaglutida teve seu papel contra a obesidade comprovado no início deste ano, quando um estudo publicado na revista The New England Journal of Medicine mostrou que o medicamento conseguiu reduzir em 15% o peso de pessoas com obesidade e evitar muitas de suas piores consequências, incluindo o diabetes. Além disso, mais de um terço dos participantes que recebeu a droga perdeu mais de 20% do peso, taxa só vista de um a três anos após a cirurgia bariátrica.

Apesar da polêmica sobre possíveis efeitos colaterais, em especial ao sistema cardiovascular, associados ao seu uso, a sibutramina continua sendo para o tratamento da obesidade. A medicação age diretamente no cérebro, na noradrenalina e serotonina, neurotransmissores que participam de funções como humor e sono, além do apetite. Já o orlistate age diretamente no intestino, inibindo de forma parcial a atividade de enzimas responsáveis pela digestão das gorduras. Essa ação localizada faz com que sua eficácia seja mais baixa.

É importante lembrar que os tratamentos devem ser sempre indicados por um médico,  que irá avaliar a melhor opção para o paciente, considerando riscos e benefícios. A sibutramina, por exemplo, não é indicada para pessoas com problemas cardiovasculares e idosos. A liraglutida e a semaglutida são especialmente vantajosas para pessoas com obesidade e diabetes tipo 2, já que atua nas duas doenças.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ORIGEM DO ALZHEIMER

Cientistas mapeiam região do cérebro onde nasce a doença

O Alzheimer, doença que provoca falhas de memória e perda de cognitiva tem desafiado médicos há anos, não apenas na busca da cura, mas também por ser difícil de diagnosticar em estágios iniciais. Uma descoberta anunciada nesta semana por cientistas da Universidade Harvard, porém, aponta um caminho promissor para antecipar a detecção do problema.

Em um estudo que mapeou a bioquímica e anatomia do cérebro de 174 pacientes do transtorno neurológico, um grupo liderado pela cientista Heidi Jacobs, do Hospital Geral de Massachusetts (ligado à universidade), relacionou uma pequena estrutura cerebral ao mecanismo da doença. Chamada de locus coeruleus (literalmente “local azul”, em latim), essa região localizada no tronco cerebral já estava na lista de subestruturas que cientistas suspeitavam estar envolvida no mecanismo da doença.

Entretanto, por ser uma região muito pequena (uma faixa de 2mm por 12 mm de largura), cientistas não conseguiam observá-la bem usando máquinas convencionais de imageamento cerebral. Agora, num artigo publicado na revista Science Translational Medicine, Jacobs e seus colegas descrevem ter conseguido encontrar a correlação entre a má preservação do locus coeruleus com desencadeamento do Alzheimer, usando aparelhos de ressonância magnética de alta resolução.

A descoberta, porém, precisou de mais do que um avanço técnico de maquinário. Para validar o achado, o grupo de cientistas também analisou em detalhes o cérebro de mais de 2 mil pessoas acometidas pela doença que já tinham morrido. Além disso, avaliaram em detalhes a bioquímica cerebral dos pacientes atrás de sinais conhecidos do Alzheimer.

Já é consenso entre os cientistas que esse transtorno neurológico está relacionado ao acúmulo de duas proteínas em certas regiões do cérebro. Chamadas de beta-amiloide e tau, essas duas moléculas adquirem uma estrutura bioquímica errada nas pessoas portadoras da doença, o que atrapalha o trabalho de limpeza que é feito no sistema nervoso, eliminando as proteínas que não estão sendo mais usadas.

Usando máquinas de última geração de uma outra tecnologia de imagem cerebral, o PETscan, os cientistas conseguiram mapear o acúmulo de proteínas tau no locus coeruleus, os cientistas conseguiram estabelecer a correlação entre sintomas de perda cognitiva e a presença da forma maligna dessa proteína não apenas nesse organoide cerebral, mas em outras áreas do sistema nervoso.

INDICADOR PROMISSOR

“Essas descobertas estão alinhadas com os dados de doenças neurológicas nos quais o acúmulo de tau no locus coeruleus se relaciona na progressão da doença”, escreveram Jacobs e seus colegas no trabalho publicado. “Isso o identifica como um indicador promissor dos processos iniciais relacionados ao mal de Alzheimer e das mudanças de trajetória cognitiva em estágio pré-clínico (anterior ao diagnóstico) da doença.

Os cientistas explicam que faz sentido o locus coeruleus ter um papel tão grande no mecanismo biológico da doença. Apesar de ser pequena, essa região cerebral responsável pela produção de um grande volume de norepinefrina, um dos neurotransmissores que o sistema nervoso usa na comunicação entre seus diversos componentes.

A capacidade do maquinário usado na pesquisa atualmente não está à disposição de hospitais convencionais, explicam os cientistas, mas com a evolução natural dessa tecnologia é possível que as próximas gerações de equipamentos comerciais já contem com essa precisão.

“Poder detectar e medir o local onde a patologia se inicia será crítico para melhorar a detecção precoce e identificar indivíduos elegíveis para testes clínicos de tratamentos tentando frear o processo da doença”, escrevem os cientistas.

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