A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

VOCÊ CONHECE A SÍNDROME DE IRLEN?

Distúrbio de base neurológica se apresenta como alteração visuoperceptual, causando sensibilidade exacerbada à claridade, leitura desfocada, restrição do campo periférico, dificuldades com contrastes e na atenção visual

O aprender é um processo que envolve nossos cinco sentidos. E esse processo ocorre naturalmente no caso da audição, do tato e do olfato. À medida que somos expostos aos variados tipos de estímulos, vamos aprendendo passivamente, intuitivamente desde a primeira infância. A visão se desenvolve à medida que o bebê segue a mãe com os olhos, descobre suas mãos e dedos, encaixa peças, ou seja, quando é estimulado.

A síndrome de Irlen (SI) é uma alteração visuoperceptual, também de base neurológica, e se manifesta com fotossensibilidade, desfocamento à leitura, restrição do campo periférico, dificuldades na adaptação a contrastes como, por exemplo, figura-fundo e dificuldade em manter a atenção visual. Os sintomas são cefaleias frequentes, ardência e prurido nos olhos, dificuldade em ler, estacionar o carro; quando crianças, muitas têm dificuldade em subir escadas, chutar bola, entre outras atividades. De acordo com esses pontos, tanto as crianças quanto os adultos com síndrome de Irlen podem se prejudicar desde a aprendizagem mais primária até seu convívio social. E isso pode ser confundido com a dislexia, que é o distúrbio da leitura.

É importante ressaltar que a síndrome de Irlen pode se apresentar ou não em comorbidade com a dislexia, não invalidando os tratamentos terapêuticos de nenhuma delas. Porém, se um indivíduo for avaliado e diagnosticado com SI, as orientações são diferentes, pois existe o uso de uma lâmina específica (Overlays), que facilita a leitura. Mas se o grau da SI for maior, e estiver atingindo a vida secular de um indivíduo de forma negativa, será necessário o uso de óculos com lentes específicas, os quais só poderão ser prescritos pelos médicos oftalmologistas do Hospital de Olhos de Belo Horizonte, Minas Gerais – Hospital de Olhos “Dr. Ricardo Guimarães”.

Segundo a dra. Márcia Guimarães, “a síndrome de Irlen (SI) é uma alteração visuoperceptual, causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz, que produz alterações no córtex visual e déficits na leitura. A síndrome tem caráter familiar, com um ou ambos os pais também portadores em graus e intensidades variáveis. Suas manifestações são mais evidentes nos períodos de maior demanda de atenção visual, como nas atividades acadêmicas e profissionais que envolvem leitura por tempo prolongado, seja com material impresso ou computador”.

Ela ainda salienta que a caracterização dessa síndrome foi feita pela psicóloga Helen Irlen, com um estudo prospectivo envolvendo centenas de adultos considerados analfabetos funcionais pela leitura deficiente e baixa escolaridade. O estudo, aprovado e financiado pelo governo federal norte-americano, foi apresentado perante a Associação Americana de Psicologia, em agosto de 1983.

A pesquisadora concentrou seus estudos nos sintomas “visuais” que esses adultos apresentavam, denominando-os de “síndrome da sensibilidade escotópica” – fazendo alusão ao escuro – devido à preferência por locais menos iluminados durante tarefas com maior exigência visual. Além da fotofobia, outras manifestações podiam estar presentes: problemas na resolução visuoespacial, restrição de alcance focal, dificuldades na manutenção do foco e astenopia e na percepção de profundidade. Essas dificuldades não se restringem às crianças, nem ao ambiente escolar.

SINTOMAS

Os sintomas da síndrome que podem ser percebidos são oculares, ou seja, coceira, ardência, olhos lacrimejando durante o ato de ler, além da necessidade de fazer sombra para tornar a leitura mais agradável e piscar os olhos com frequência, balançar ou tombar a cabeça, sensação de cansaço após 10 a 15 minutos de leitura. A história familiar também deve ser levada em conta.

A prevalência é alta, pois atinge de 12 a 14% da população em geral, incluindo bons leitores e universitários, e torna-se proporcionalmente mais frequente quando há concomitância com déficits de atenção e dislexia (33 a 46 % dos casos). Estudo recente, realizado em escola municipal da rede pública de Belo Horizonte, detectou ainda uma incidência de 17% entre alunos com dificuldade de leitura.

A SI não atinge apenas crianças ou adolescentes em idade escolar, mas, sim, todo um contexto social, pois, diante das questões sensoriais, a síndrome se caracteriza por diversas maneiras, desde o chutar de uma bola por uma criança (que não consegue fazê-lo com sucesso) até o ato de estacionar um carro realizado por um adulto (que também não o faz com sucesso).

QUESTÕES SENSORIAIS

De acordo com os estudos atuais da equipe do Hospital de Olhos de Belo Horizonte, estão sendo revistas as relações entre as lesões pós-traumáticas, envolvendo o cérebro, e os comprometimentos secundários da eficiência visual com exacerbação da fotossensibilidade e déficits na oculomotricidade, gerando impactos na leitura, aprendizagem, memória e estabilidade emocional. Sabe-se que eles também podem ocorrer na dislexia, déficits de atenção e hiperatividade, no autismo e durante o uso de certos medicamentos. Como os sintomas são semelhantes, o diagnóstico diferencial é indispensável para que a conduta ideal seja adotada o mais precocemente possível, uma vez que a intervenção gera benefícios nas outras áreas do processamento, como as auditivas, motoras e cognitivas.

São sintomas comuns: confusão entre os números, percepção de distorções visuais em páginas de texto, leitura de palavras de baixo para cima e inversão de letras e palavras, espaçamento irregular, dificuldades em manter-se na linha ao escrever, lentidão e baixa compreensão. Entretanto, inexistem outros aspectos que facilitam na condução de um diagnóstico diferencial satisfatório. Na síndrome de Irlen, ao contrário da dislexia, estarão ausentes as alterações na percepção auditiva, escrita invertida, pronúncia incorreta, dificuldade na aquisição da fala e escrita, escrita espelhada e déficits na compreensão de ordens verbais, cuja intervenção deve ser supervisionada por fonoaudiólogos. Do mesmo modo, a prolixidade, impulsividade, falta de autocontrole pessoal ou em grupo, agitação e hiperatividade física são componentes dos quadros de déficits de atenção e hiperatividade e a intervenção medicamentosa, quando recomendada, deve ser feita pelo neurologista responsável pela coordenação desses atendimentos multidisciplinares.

Sejam em comorbidade ou isoladamente, esses distúrbios provocam uma série de manifestações semelhantes e, por isso, diversos autores preconizam o rastreamento da síndrome de Irlen em crianças com dificuldades na leitura, fotossensibilidade e manutenção da atenção aos esforços visuais prolongados como forma de evitar diagnósticos equivocados de dislexia, DTA e TDAH e, ainda, para minimizar a medicação em pacientes em que a agitação e desatenção são resultantes do estresse visual e dificuldade em se ajustar às condições de luminância de uma sala de aula, por exemplo.

A identificação da síndrome é feita por profissionais da saúde e educação, devidamente capacitados a identificar (teste de screening ou rastreamento) os portadores, através da aplicação de um protocolo padronizado conhecido como método Irlen, e classificar o grau de intensidade das dificuldades visuoperceptuais dos casos suspeitos. O teste de screening é feito após avaliação da acuidade visual e sob correção refracional atualizada, quando necessária. Pelo screening é possível verificar os benefícios, com a supressão das distorções visuais, pela interposição de uma ou mais transparências coloridas selecionadas individualmente pelo portador da síndrome de Irlen.

O método Irlen deve ser aplicado onde ocorre a indução de estresse em atividades com alta demanda “visuo-atencional” e posterior supressão, após a sobreposição de uma lâmina colorida individualmente selecionada. Uma vez determinada a transparência ideal, o portador passa a usá-la sobre o texto durante a leitura ou cobrindo a tela do computador enquanto lê, obtendo benefícios imediatos no conforto visual, fluência e compreensão.

APLICAÇÕES

A neutralização das distorções facilitará o reconhecimento das palavras lidas, mas obviamente não permitirá que a pessoa leia palavras que não sabe. Para esses indivíduos, a leitura sempre foi sinônimo de dificuldade, e a rejeição tornou-se um hábito incorporado – é preciso considerar que pode haver anos de atraso em relação aos leitores regulares que puderam adquirir um substancial vocabulário visual de reconhecimento instantâneo. O aprendizado das palavras será facilitado por não mais se apresentarem distorcidas – mas a assistência ao aprendizado será importante e sem ela a leitura permanecerá sendo uma atividade difícil e estressante.

Do mesmo modo, o uso de filtros não será o único fator necessário para o aperfeiçoamento no desempenho da leitura. Porém, nos casos de síndrome de Irlen a opção pelo tratamento significará um recurso não invasivo, de baixo custo e alta resolutividade, possibilitando a seus usuários uma potencialização dos benefícios aferidos aos seus esforços acadêmicos e profissionais, além de facilitar o trabalho da equipe multidisciplinar.

As pessoas com a síndrome, geralmente, não têm consciência de suas distorções de leitura. Por isso, pensam que todos ao seu redor veem da mesma forma. Surge, então, a questão se um filtro como esses pode ajudar e muito nas leituras? A reação de um cliente ao ser submetido ao rastreio e confirmada a SI, ao usar as lâminas (Overlays) ou filtros, é surpreendente, pois sua postura muda visivelmente ao perceber sua capacidade leitora se alterar. Aquilo que gerava fadiga agora é leve e prazeroso.

É relevante destacar o uso dos óculos com lentes especiais, que oferecem ao portador da SI um cotidiano sem distorções e com mais conforto, seja na leitura, no caminhar na rua, em qualquer atividade diária. Tais óculos somente podem ser prescritos por oftalmologistas habilitados e são  confeccionados fora do país, o que faz com que seu custo não seja baixo. Já as lâminas têm valor mais em conta e são oferecidas ao cliente após ele passar pela testagem e ser diagnosticado com SI.

Ainda de acordo com a dra. Márcia Guimarães, sabe-se que o atendimento comum do oftalmologista se concentra na aferição da acuidade visual, correção refracional quando necessária e identificação de patologias (catarata, glaucoma, estrabismo etc.). Porém, a visão é o sentido mais importante na aprendizagem, com uma dependência estimada em 80% até os 12 anos de idade, e os impactos dos déficits neurovisuais são sempre significativos. No entanto, sua identificação pelo exame oftalmológico padrão seria insuficiente, pois o oftalmologista atual privilegia a acuidade da visão e fatores ligados ao trabalho ocular, além de condições ópticas. Mal comparando, seria corno avaliar o computador (hardware) quando o paciente possui déficits no processamento visual cerebral (software). Para os profissionais da educação, a visão é tão importante quanto a audição, pois essas funções são como portas de entrada para a aprendizagem. Se não estiverem em pleno funcionamento, serão impedimentos para que ela aconteça com sucesso. Deve-se  assinalar  que  o “conceito de visão” que o oftalmologista tem vai determinar  a forma como abordará as queixas e sintomas visuais dos pacientes com distúrbios de aprendizagem. As conclusões geradas de seus exames e a forma como investiga as relações entre elas dependerão não apenas do tipo de exame realizado, mas de seu conhecimento clínico na área específica, das queixas fundamentais, do direcionamento de sua anamnese e ainda de sua capacidade de interação com os demais profissionais da área de saúde e educação, com os quais passará a se relacionar não mais de forma passiva, mas como interventor e facilitador das decisões trans e multidisciplinares, que afetarão o futuro escolar dessa população. 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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