OUTROS OLHARES

CORTE DE SUBSÍDIO PODERIA TURBINAR OS GASTOS COM A ÁREA SOCIAL

Brasil destina 20 vezes o valor do programa Bolsa Família para incentivos e funcionalismo

O baixo crescimento da economia, com aumento da miséria e urgência em reforçar programas sociais focalizados, explicita a necessidade de o Brasil rever o destino de bilhões de reais alocados em incentivos empresariais considerados pouco eficientes e concentradores de renda.

Neste ano, o Brasil deixará de arrecadar quase R$310 bilhões com benefícios tributários concedidos a empresas e setores. Somados a outros equivale a quase dez vezes o Bolsa Família, principal programa com foco na pobreza extrema.

o total também se aproxima ao de todos os salários e encargos com servidores civis ativos e inativos (R$ 335,4 bilhões), segunda maior despesa direta do governo federal – atrás da Previdência (cerca de RS700 bilhões).

Especialistas defendem que parte do dinheiro dos benefícios seja direcionada ao reforço de programas sociais, sobretudo os voltados à primeira infância, para interromper o ciclo de pobreza intergeracional  – que leva os filhos de pais pobres a se tornarem, no futuro, pais de crianças pobres.

Também dizem ser imprescindível uma reforma administrativa que diminua o peso do funcionalismo público no gasto federal, abrindo espaço no orçamento para investimentos e programas de renda focalizados.

O próprio orçamento da área social, de 25% do PIB, poderia ser reformado o Bolsa Família, por exemplo, leva apenas 0,05% do PIB.

Os benefícios tributários, financeiros e creditícios a setores e empresas dobraram nos governos Lula e Dilma Rousseff (2003-2016) e hoje chegam a quase4,5% do PIB. Embora o governo Jair Bolsonaro (sem partido) tenha prometido reduzi-los, não houve alteração significativa até agora.

Só em setembro, após quase três anos, Bolsonaro enviou ao Congresso projeto de lei para cortar R$22 bilhões nesses benefícios fiscais.

Análise do Banco Mundial sobre políticas de incentivos em Brasil, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Holanda e México concluiu que só o caso brasileiro resultou na combinação de aumento dos gastos tributários e queda na arrecadação – sugerindo que não aceleraram o crescimento.

Os benefícios tributários no Brasil representam quase um quarto das receitas administradas pela Receita Federal e, do ponto de vista regional, são fontes de desigualdades.

Estudo do Ministério da Economia mostrou que estados mais pobres como Maranhão, Piauí, Acre, Alagoas e Pará receberam menos de um terço da média nacional dos benefícios per capita em 2018. Já Amazonas (por causa da Zona Franca de Manaus), Santa Catarina e São Paulo se beneficiaram mais de renúncias tributárias do que contribuíram, proporcionalmente, para o crescimento do PIB.

Para Vinícius Botelho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) e ex-secretário nacional nos ministérios de Desenvolvimento Social e da Cidadania, há margem para reformulação com o objetivo de ampliar programas sociais.

“Essa é uma discussão básica, de realocação de recursos de áreas que não demonstram bons resultados para outras prioritárias”, afirma.

Segundo relatório do TCU (Tribunal de Contas da União), benefícios fiscais, em geral, representam distorções ao livre mercado e resultam, de forma indireta, em sobrecarga fiscal maior para os setores não beneficiados”.

“Em um contexto de restrição [orçamentária], como o enfrentado pela União, os valores associados a esses benefícios devem ser considerados com maior atenção, em virtude do impacto nas contas públicas”, diz o TCU.

Para o economista Alexandre Manoel, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, embora eventual corte dos benefícios possa resultar em aumento da carga tributária, isso seria positivo, pois deixaria de haver tratamento privilegiado a alguns setores.

Ele suspeita que boa parte da diminuição da capacidade do governo nos últimos anos de produzir superávits primários (economia para reduzir a dívida pública) tenha relação com o aumento dos benefícios tributários , que diminuíram a receita federal.

A queda do superavit a partir do início da década passada, que levou à aceleração da dívida bruta e à forte recessão no biênio 2015-2016 (quando o PIB encolheu 7,2.%), coincidiu justamente com a escalada dos benefícios tributários.

Segundo especialistas, o aumento da dívida bruta (equivalente a 82,7% do PIB e maior entre os grandes emergentes) e a insegurança fiscal atual estão na raiz do crescimento medíocre nos últimos anos.

No passado, tentativas de diminuir os incentivos foram seguidas de forte lobby de seus beneficiários. Mas um corte linear hipotético de apenas 10% para todos os favorecidos quase dobraria o Bolsa Família.

“De um lado, há todo um esforço para encontrar dinheiro e reforçar o Bolsa Família. De outro, uma conta bilionária que favorece a concentração de renda”, afirma Paulo Tafner, diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS).

Para o economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, os subsídios tributários e financeiros acabam protegendo empresas e setores ineficientes, que não contribuem para o crescimento da produtividade, da economia e do emprego.

“O fundamental é acelerar a produtividade e inserir os mais pobres numa economia em crescimento. Não é sustentável só redistribuir uma renda que, no geral, não tem aumentado”, diz Mendes.

Especialistas defendem ainda reformar o Estado para aumentar a produtividade e o espaço no Orçamento para reforço de programas sociais. Considerada imprescindível, a reforma administrativa proposta pelo Ministério da Economia sofria até pouco tempo resistência de Bolsonaro.

No fim de setembro, uma comissão especial no Congresso manteve no texto da reforma a estabilidade aos servidores, fato considerado um retrocesso pelos que defendem mudanças mais ambiciosas.

Além de manter a estabilidade, Bolsonaro pretende ampliar em quase 70 mil o total de servidores (um recorde em projeto de Orçamento de 2022.

Como proporção do PTB, o Brasil gasta o equivalente a 13,1% com o funcionalismo federal, estadual e municipal – mais que Chile e México (abaixo de 9%) e acima da média dos países ricos (10,5%), segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O gasto anual com servidores federais ativos faz com que ganhem 67% mais que seus pares na iniciativa privada, com cargos e nível educacional similares, segundo análise do Banco Mundial em 53 países.

Dados da FGV Social a partir do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) mostram grande concentração de rendimentos nos funcionários públicos federais em relação ao resto da população. Entre as ocupações mais bem pagas no Brasil, 6 estão no setor estatal.

Por causa dos servidores em Brasília, o Distrito Federal tem o maior rendimento médio entre as 17 unidades da Federação (considerando quem declara ou não o IRPF) e entre declarantes apenas. Ante o resto do país, a renda no DF mais que dobra o nacional.

Os dados do FGV Social, a partir do IRPF de 2018, incluem todos os rendimentos declarados, inclusive de aplicações financeiras e dos chamado PJ (pessoa jurídica), muitas vezes indivíduos que operam por meio de empresas individuais e recolhem menos tributos através do Simples.

O Simples lidera os benefícios tributários, com 24,6% do total. Em seguida vem a agricultura e o agroindústria (setor de grande concentração de renda), rendimentos isentos e não tributáveis, entidades sem fins lucrativos e a Zona Franca de Manaus.

Para Pedro Ferreira de Souza, pesquisador do Ipea, os benefícios tributários e a tributação via IRPF demonstram que existe um “conflito distributivo puro” no Brasil.

“De um lado, os ricos e a classe média formam um grupo de interesse que obtém benefícios tributários, são pouco onerados via IR e não pagam imposto sobre dividendos. De outro, os pobres, que não tem canais de pressão e suportam grande carga via impostos sobre o consumo”, diz Souza.

“O resultado é que temos ganhos concentrados para poucos e perdas difusas para muitos”.

Em sua opinião, o país precisaria aumentar a tributação sobre a renda para além dos atuais 15% da população que declaram IR (menos que a média latino-americana e de muitos países do sul da Europa).

Também seria preciso diminuir os impostos indiretos sobre o consumo – o que leva os pobres a pagarem, proporcionalmente, muito mais impostos do que os ricos.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 18 DE NOVEMBRO

O CULPADO PRECISA SER PUNIDO

O rei sábio joeira os perversos e faz passar sobre eles a roda (Provérbios 20.26).

A impunidade é a maior propaganda do crime. Não punir exemplarmente os culpados é fazer uma apologia do crime e estimular a violência. Onde a lei é frouxa, a violência desfila nas ruas. Por isso, um governante sábio descobre quem está fazendo o mal e o castiga. Inocentar o culpado ou culpar o inocente são atitudes indignas de quem está investido de autoridade. Abomináveis são para o Senhor tanto o que justifica o perverso quanto o que condena o justo. A Bíblia diz que o papel do governante é coibir o mal e promover o bem. Quando a justiça se torna inoperante, os criminosos agem com liberdade porque sabem que escaparão dos rigores da lei. No Brasil, a vasta maioria dos crimes não chega sequer a ser investigada pela justiça. Os bandidos que roubam e matam escapam ilesos e continuam em liberdade, espalhando medo e terror na sociedade. Os criminosos de colarinho branco, esses nem sequer vão para a cadeia. Conseguem as benesses da lei para fugir da merecida punição de seus delitos. Se todos são iguais perante a lei, a lei precisaria ser igual para todos. Dois pesos e duas medidas nos julgamentos só estimulam a prática da injustiça e promovem o crime.

GESTÃO E CARREIRA

 A ASCENSÃO DA CARNE SEM CARNE

Parece carne, tem cheiro de carne e gosto de carne. Mas é planta. Entenda melhor a nova indústria de alimentos vegetais, e as oportunidades que esse mercado pode trazer.

Você se aproxima do açougue no supermercado para comprar as proteínas do mês. Nas vitrines, linguiças, bifes…, mas você não vai escolher entre picanha e filé mignon: pode optar por um naco feito de ervilha colorida com beterrabas ou, quem sabe, um suculento bife de glúten com gordura de óleo de coco.

Parece uma cena distópica de Black Mirrar. Não é o caso. Os chamados açougues veganos já são uma realidade em vários locais do Brasil, mesmo que com produtos menos sofisticados do que os descritos aqui. Mas dá para apostar que cenas como essa se tornarão cada vez mais comuns – e talvez até o padrão. É que o crescimento dos produtos plant-based – alimentos feitos com plantas que visam substituir os de origem animal – vem chamando a atenção dos investidores com um mercado consumidor cada vez mais promissor.

O setor de substitutos de produtos de origem animal em si não é exatamente novo: alternativas vegetais para leites, queijos, manteigas e outros laticínios já existem há algum tempo, criadas para atender principalmente o público vegano. Mas foi só nos últimos anos que análogos vegetais para carne foram criados – prometendo imitar aparência, textura e gosto da versão original.

Para essa missão quase impossível, vale usar de tudo: soja, ervilha, beterraba e glúten são alguns dos ingredientes mais comuns para a produção de hambúrgueres, nuggets, bifes, salsichas e outras “carnes” vegetais, além de óleos e gorduras vegetais e outros condimentos. Em laboratório, pesquisadores testam suas receitas para a produção em série de novos produtos. Esses processados vão parar nas geladeiras de supermercados ou em restaurantes e são cada vez mais comprados – a ponto de chamar a atenção de gigantes do setor alimentício.

EM PLENO CRESCIMENTO

Nós, humanos, consumimos carne de animais de grande porte há no mínimo 2,6 milhões de anos , segundo os registros fósseis. Hoje, pelo menos 330 milhões de toneladas de carne são produzidas por ano; 80 bilhões de animais são criados e mortos para isso. Apesar de uma queda na produção de 2019 (causada por problemas na cadeia produtiva, e não por uma diminuição na demanda), nada indica que esse número vá diminuir – o consumo de proteína animal cresce em todos os países que observam queda nas taxas de pobreza extrema. Mas tudo sugere que vai desacelerar.

Nos Estados Unidos, de longe o mercado mais avançado de produtos do tipo, o setor de produtos plant-based cresceu 27% de 2019 para 2020 – enquanto o varejo de alimentos em geral cresceu somente 15%. As carnes de origem vegetal lideraram o aumento do segmento: 45%, contra 20% da subida nas vendas de leites veganos. Ainda é um setor minúsculo comparado com o de seus análogos animais, mas a tendência de crescimento é clara.

No mundo, um relatório da Meticulous Market Research calculou que o mercado de substitutos vegetais terá um crescimento anual médio de quase 12% até 2027, enquanto o setor das carnes de verdade se expandirá em cerca de 4,5% ao ano. O mercado global de proteínas plant-based pode chegar à cifra de USS 370 bilhões em 2035, projeta a consultoria A.T. Kearney – o que corresponderia a 23% de todo o segmento de carnes no mundo. Bancos como o J.P. Morgan e Credit Suisse já chamaram a atenção dos investidores para o setor.

E eles parecem estar ouvindo. Em 2020, o segmento de substitutos vegetais para alimentos de origem animal recebeu o valor recorde de US$ 3,1 bilhões em investimentos, segundo dados do The Good Food Institute (GFI), uma organização internacional que promove o crescimento de setores de alimentação mais sustentáveis.

Só o valor do ano passado corresponde a mais da metade de todo o montante investido em empresas do ramo nos últimos dez anos.

As chamadas foodtechs ,startups especializadas em inovar e otimizar a produção de alimentos de forma sustentável, foram as principais beneficiadas. Entre elas, liderou a americana lmpossible Foods, que se destaca como uma das duas principais empresas do ramo e planeja abrir seu capital ainda este ano nos EUA. Em 2019, a companhia fechou um acordo com o Burger King para comercializar seu produto principal, o Impossible Burger, na rede de fast-food.

A outra grande player do mercado é a Beyond Meat, que já fez seu IPO em 2019 – suas ações valorizaram 163% logo em seu primeiro dia na bolsa. Assim como a concorrente, ela firmou parceria com uma rede de fast- food, o Mc Donald’s, para vender seus hambúrgueres veganos.

A Beyond Meat surgiu em 2009, e a lmpossible Foods em 2011, ambas na Califórnia. Mas as duas demoraram anos para lançar seus respectivos produtos no mercado  – já que, praticamente pioneiras, tiveram que desbravar as tecnologias por si só.

Desde então, muita coisa mudou. Outras foodtechs surgiram mundo afora – algumas não produtoras de comida plant-based, mas especializadas em pesquisar novas técnicas e ingredientes para vender soluções para empresas do ramo. Afinal, um dos desafios é tentar cada vez mais se aproximar das características da carne original em fatores como gosto, textura, cheiro e até nos líquidos que ela solta. Mas o que mais chama a atenção é que o todo-poderoso mercado de carnes animais já notou o potencial do setor plant-based – e não está se deixando passar para trás.

Em abril deste ano, a gigante brasileira JBS comprou a Vivera, a terceira maior produtora de alimentos plant-based da Europa, atuando em mais de 25 países. O negócio saiu por 341 milhões de euros (RS 2 bilhões). Foi mais um passo da companhia no sentido de esverdear seus produtos. A Seara, marca da JBS, já tinha uma linha assim, chamada Incrível, que consiste em hambúrgueres, almôndegas e até “iscas de peixe” feitas de vegetais.

A Marfrig, outro peso-pesado do mundo frigorífico, se uniu em maio com a americana ADM para inaugurar a joint venture Plant-Plus Foods, que comercializa produtos do ramo nas Américas. Já a BRF ainda começa a explorar o setor com seus produtos plant-based próprios, dentro da marca Sadia.

Tanto investimento entrando, combinado ao surgimento de novos players no mercado, levou a um fenômeno interessante: o preço desses produtos, antes pouco acessíveis, começou a cair. Nos EUA, meio quilo de carne moída vegetal da Beyond Meat custa USS 5,70. A carne de origem animal, por sua vez, sofreu um aumento de 313% do ano passado para cá – e custa hoje entre USS 4 e USS 6.O

OS FLEXITARIANOS

Expandir o público do setor, diga-se, é ao mesmo tempo um desafio e uma oportunidade para as foodtechs. Isso porque, ao contrário do que se possa imaginar, os vegetarianos e os veganos não são nem de longe os maiores consumidores de produtos plant-based. Pelo contrário: nos EUA, só 11% dos compradores dessas alternativas cortaram totalmente a carne de suas dietas.

É uma boa notícia para os negócios: apesar do número de pessoas que se declaram vegetarianas estar crescendo no Brasil (o total saltou de 8% em 2012 para 14% em 2018, segundo o dado mais recente do Ibope), esse público permanece um nicho pequeno.

O grosso do mercado consumidor do setor plant-based é formado pelos chamados “flexitarianos”: pessoas que gostam de carne, mas querem consumir menos proteína animal. Elas procuram soluções rápidas e confortáveis, que mantenham a experiência do produto original.

“A principal motivação do consumidor desse tipo de produto é o cuidado com a saúde. Depois, aparecem outros motivos, como a preocupação com o meio ambiente”, explica Raquel Casselli, gerente de engajamento corporativo do Good Food Institute Brasil.

E NO BRASIL?

Uma pesquisa do GFI em parceria com o Ibope detectou que 39% dos flexitarianos no Brasil buscam substituir os produtos animais pelos vegetais pelo menos três vezes por semana. Entre os motivos que esses consumidores levam em consideração na hora de comprar proteínas vegetais, ter uma quantidade menor de gordura é o principal, citado por 43%.

O setor, de qualquer forma, ainda é incipiente por aqui. Mas é consenso que pode e deve crescer muito. A primeira grande foodtech brasileira do ramo surgiu em 2019, com Marcos Leta, fundador da marca de sucos naturais Do Bem. Em 2016, sua empresa foi comprada pela Ambev, e o empreendedor decidiu apostar no mercado plant-based. Após dois anos de pesquisa tanto lá fora como por aqui, surgiu a Fazenda Futuro, em maio de 2019, com a marca Futuro Burger.

“Toda a ideia começou da seguinte tese: o Brasil é um dos maiores produtores de vegetais do mundo e um dos grandes exportadores de carne animal”, conta Leta. “Então, se a gente pegar os nossos vegetais, adicionar tecnologia de ponta e usar a logística e a estrutura que foram usadas por anos pela indústria da carne para vender esses produtos congelados, a gente pode ter de fato um hub de produção mundial de plant-based no Brasil.”

Parece estar funcionando: hoje, a empresa está presente em 24 países, a maioria na Europa, e se prepara para estrear no mercado americano, o mais competitivo da área.

Quem também aposta no crescimento do setor por aqui é o brasileiro André Menezes, que era gerente da Country Foods, braço da BRF em Singapura, quando percebeu o potencial do setor plant-based. “Eu ficava chocado como cada ano era ruim para a indústria de carne, havia uma crise diferente a cada seis meses. Isso serviu para me mostrar que o mercado era insustentável”, conta.

André decidiu deixar seu cargo de liderança na gigante de carnes para fundar a startup Next Gen em 2020; seu negócio recebeu um aporte de US$ 10 milhões em investimentos. Em março deste ano, lançou seu primeiro produto: o Tindle, um frango à base de plantas vendido para restaurantes em Singapura, Hong Kong e Macau.

A Ásia também desponta como um mercado promissor. Pesa o fator cultural – hambúrgueres, nuggets e outras carnes processadas não são tão protagonistas por lá como no Ocidente. Por conta disso, os consumidores orientais estariam mais dispostos a trocar produtos de origem animal por análogos vegetais. No mundo, a China é o país com maior porcentagem de sua população disposta a fazer essa migração: 73%, contra 42% da média mundial e 47% do Brasil, segundo a Ipsos.

A ideia da Next Gen agora é expandir os negócios para Europa, EUA e, principalmente, Brasil – que, segundo André, “tem tudo para se tornar uma das grandes potências mundiais no setor”.

Por aqui, ao contrário do que acontece nos EUA, o setor ainda enfrenta um desafio: o preço. Além dos poucos players no ramo, o câmbio acaba afetando o valor que os consumidores têm que desembolsar nos supermercados para levar proteínas alternativas. “Alguns desses produtos utilizam a soja, que é nacional e com preço bastante competitivo. Mas outros são à base de ervilha, que é um produto importado, sem falar em muitos dos outros ingredientes como óleos, gorduras, aromas, corantes, que também são importados”, explica Raquel, do GFI.

Foi pensando nisso que o instituto lançou recentemente o Projeto Biornas, que vai financiar pesquisas para explorar o uso de ingredientes genuinamente brasileiros na indústria plant-based. Guaraná, cupuaçu, baru e pequi são alguns dos candidatos para fornecer proteínas e gorduras vegetais às receitas veganas.

POR BEM OU POR MAL

Desafios à parte, há quem aposte que o setor vai crescer não somente porque as pessoas estão mais preocupadas com o meio ambiente e com a saúde, mas simplesmente porque talvez não haja outra alternativa. É consenso que o modelo de produção de alimentos como está hoje é insustentável: ele já é responsável por mais de 20% das emissões dos gases de efeito estufa e 90% do consumo de água; 80% de todas as terras de plantio no mundo são voltadas para manter a pecuária.

Em 2050, com a população mundial beirando os 10 bilhões de pessoas, estima-se que as emissões de gases de efeito estufa ligadas à produção de proteína animal devem aumentar em 46%, e a demanda por terras, em 49%. Tudo indica que isso não é viável.

É por esses motivos que o Credit Suisse projeta um crescimento avassalador para o setor plant-based: o mercado poderá atingir US$1,4 trilhão em 2050 – valor parecido com o mercado de carnes de verdade hoje. É que, de acordo com o banco europeu, vai ser inevitável transicionar a produção para algo mais racional. E a instituição alerta: agora é a hora – quem sair na frente vai ter vantagem.

EU ACHO …

NÃO TER PRESSA

Felizes aqueles com essa virtude, pois deles será o reino dos céus

O cansaço pode ser uma virtude, como já suspeitava Albert Camus (1913-1960). São muitas as razões para estarmos cansados. Na política, então, estamos a ponto de ter de volta a gangue do PT porque a gangue bolsonarista parece pior agora.

O Brasil vive seu ocaso político: a classe política é um lixo, a elite sempre oportunista com pitadas de solidariedade gourmet, o pensamento público orgânico do PT se prepara para retomar sua hegemonia na máquina de produção de conteúdo, a extrema direita boba com sua idiotia social. O Brasil mergulha na debilidade mental como “zeitgeist”, o espírito do tempo.

Mas melhor do que a virtude do cansaço é a possibilidade de não ter pressa na vida. Essa condição não é apenas uma liberdade para com os afazeres cotidianos, mas, também, uma forma de liberdade interior das mais sofisticadas. Difícil não ter pressa no mundo da velocidade da produção.

Felizes aqueles que não têm pressa – por isso não precisam se cansar com nada – , pois deles será o reino dos céus. Chegarão lá descansados. Se o cansaço é uma virtude diante do absurdo (Camus, de novo), a não necessidade de ter pressa é um ativo essencial. Um comportamento de luxo. G. K. Chestelton (1874-1936) falou algumas vezes na sua obra do luxo que era ficar na cama até mais tarde. Cansaço, ausência de pressa, preguiça –  virtudes irmãs de alguma forma. Vícios no mundo da ética motivacional.

Sempre foi  fácil perceber a elegância de alguém que não tem pressa. Deixar uma pessoa passar na frente na fila, sem afetação, ficar sentado horas num café lendo um livro sem fingir que o está lendo. Aliás, esse gesto está entre os maiores fetiches dos que gostariam de gostar – redundância proposital – de ler e de ir a Paris para ficar lendo num café, mas que, na verdade, correm ou para um outlet ou para um concerto para fingir erudição musical.

Se a ausência de pressa é um ativo, quais seriam suas condições de possibilidade? Antes de tudo, você pode ter um temperamento mais blasé e menos interessado na lógica estratégica interesseira que domina as relações. Mas esse temperamento em si, para se instalar de modo elegante na duração do tempo de uma vida, depende de um suporte material prévio. Dito em outras palavras, a elegância de não ter pressa depende, em grande medida, de você ter ou não ter grana. Um blasé com grana é elegante, um blasé sem grana é um maconheiro idiota.

A grana corre transversalmente em todos os casos do elegância de não ter pressa. Mas existem atenuantes. Por exemplo, a opção de não ter filhos se soma à elegância de não ter pressa porque pessoas vulneráveis não dependerão de você por anos a fio, e aí, você até pode ter menos grana do que o povo cheio da grana, simplesmente porque gastará menos. Se você tiver pais vivos e eles não tiverem grana, possivelmente, você terá que ter pressa para gerar grana. Se eles forem ricos ou já mortos, esse problema está resolvido.

A falta de pressa como vivência é como respirar ar puro. Você decide melhor sobre as coisas e usufrui mais da mulher que ama. A vida interior é o local onde se dá o efeito mais sofisticado da falta de pressa. Só ela, a vida interior, proporciona uma apreciação estética do cotidiano para além do banal. A percepção dos objetos que compõem o mundo à nossa volta, quando desprovidos da obrigação da funcionalidade, os torna mais belos. Assim como uma mulher que você não olha apenas como objeto do sexo, mas como alguém que encanta, sem pressa, sua vida.

Talvez uma das áreas em que a falta de pressa possa revelar sua elegância de forma mais clara é no envelhecimento ou amadurecimento – apesar da tentativa de fazer das pessoas mais velhas umas retardadas mentais alegres atrapalhar a percepção desse fato. A elegância estaria, justamente, vinculada ao fato de que de nada adianta mais ter pressa, só se for pressa para morrer. O repouso na finitude anunciada deveria nos dar a todos a falta de pressa, o luxo de não ser mais escravo do sucesso em absolutamente nada. A insustentável leveza pura do ser que desistiu do olho do mundo sobre si.

*** LUIZ FELIPE PONDÉ

BEM ESTAR

VIDA SEM MÁSCARA

Quais são os riscos de largar a proteção facial?

Uma das discussões mais emblemáticas e atuais na pandemia é a flexibilização do uso das máscaras. Algumas cidades já começam a falar na liberação gradual, que também é discutida em âmbito federal. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, uma equipe técnica da pasta está avaliando a medida. Em Duque de Caxias (RJ), o prefeito Washington Reis (MDB-RJ) suspendeu o uso obrigatório do item, tornando-se a primeira cidade no país a adotar a postura. Dois dias depois, uma decisão judicial suspendeu a flexibilização.

Na capital fluminense, o plano da prefeitura prevê a mudança nas regras quando a cidade atingir 65% da sua população com a vacinação completa. A expectativa é de que a marca seja atingida na próxima semana.

A medida vem sendo testada em países como Portugal. Israel, que desobrigou o uso em junho, com cerca de 58% da população imunizada, voltou atrás após uma piora da pandemia. O mesmo foi visto nos Estados Unidos.

Especialistas, porém, acreditam ser um movimento precoce no Brasil, com cerca de 50% de sua população totalmente vacinada.

“O ideal seria esperar ao menos 80% de cobertura”, diz o diretor do Laboratório Genetika, Salmo Raskin, em Curitiba.

Atendendo a pedido, o geneticista avaliou o risco de contágio em locais públicos, sem o uso de máscara, e em dois cenários: com todos vacinados e com metade da população imunizada. A classificação de baixo risco é quando a chance é menor que 30%; médio risco, de30% a 70%; e alto, acima de 70%.

VENTILAÇÃO REDUZ CONTÁGIO EM VOOS DE AVIÃO

O avião é um dos ambientes mais estudados em relação à propagação do coronavírus. Pesquisas mostram que o risco de transmissão do vírus na aeronave é maior durante o embarque e o desembarque do que quando o avião está no ar. Isso porque os sistemas de ventilação, que foram desenhados para remover de forma rápida a fumaça de cigarros das cabines, são extremamente eficazes em empurrar o ar direto para baixo. O uso do regulador individual de ar-condicionado, localizado acima do assento, dispersa as partículas virais. Por isso, o avião pode transportar pessoas infectadas, mas oferece pouco risco de contaminação. Precauções como evitar o uso de bagagem de mão para os passageiros não respirarem em cima de outros sentados ao mexerem no bagageiro ajudam à diminuir o risco de transmissão em cerca de 75%.

Risco com todos vacinados: BAIXO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: MÉDIO

ÔNIBUS E OUTROS TRANSPORTES TÊM PERIGO ELEVADO

Esse tipo de transporte público, assim como o metrô e o trem, reúne três das piores características para o risco de contágio: transportar um grande número de pessoas desconhecidas sem a menor possibilidade de distanciamento e com pouca ventilação ao rodar. Esses veículos, portanto, se configuram como os lugares mais arriscados à contaminação. A conclusão ganhou respaldo da ciência recentemente. Um estudo da Fiocruz de Pernambuco concluiu que esse ambiente é mais perigoso. Foram analisadas 400 amostras coletadas de superfícies de locais com grande circulação: parques, unidades de saúde, mercados, praias e terminais de ônibus. O último foi o campeão em contágio, com 48,7% das amostras positivas para o coronavírus. Em seguida, arredores de hospitais (26,8%); parques públicos (14,4%); mercados (4,1%) e praias (4,1%).

Risco com todos vacinados: ALTO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: ALTO

LACUNAS NA VACINAÇÃO SÃO PERIGO EM ESCOLAS

Lugares fechados com muitas pessoas são naturalmente propícios ao contágio. Mas, no caso das escolas, com grande capacidade de estabelecer procedimentos sanitários, como distanciamento e higienização, junto à vacinação entre os adolescentes, faz o risco cair consideravelmente. O perigo, no entanto, não desaparece com as vacinas, já que no Brasil a imunização contra a Covid-19 é autorizada para adolescentes acima de 12 anos, e as escolas são repletas de crianças. Trabalho publicado neste ano na revista científica Journal of the American Medical Association (Jama) mostrou que os pequenos têm 1,5 mais chances de transmitir a doença para um adulto que os adolescentes de 14 a 17 anos. A Pfizer já pediu autorização aos EUA para imunizar a população de 5 a 11 anos. É esperado que a mesma orientação seja seguida por aqui.

Risco com todos vacinados: BAIXO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: MÉDIO

NO RESTAURANTE, ALERTA LIGADO E PROTOCOLOS

Uma pesquisa conduzida pela Saúde Pública do Reino Unido constatou que os trabalhadores de bares e restaurantes são a categoria com maior risco de contágio, atrás apenas dos profissionais de saúde. Eles estão entre os estabelecimentos que mais sofreram o impacto econômico na pandemia, tendo de manter as portas fechadas por longos períodos. Isso forçou a criação de regras de segurança para a volta à rotina absolutamente normal. Com protocolos, esses locais conseguem reduzir riscos de infecção. O perigo só não é menor pelo fato de lidarem com alimentos e utensílios que podem facilmente ser compartilhados – e a transmissão por gotículas da saliva é implacável. Lugares que oferecem comida por quilo, onde os clientes se servem em bufês, são os mais vulneráveis. Aqueles com áreas externas são os mais seguros.

Risco com todos vacinados: MÉDIO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: ALTO

ATITUDES FAZEM A DIFERENÇA EM PARQUES E PRAIAS

Em ambientes amplos e abertos, o risco de infecção já é bem menor mesmo sem uma vacinação maciça. Uma revisão sobre a transmissão do vírus publicada pela Sociedade Americana de Doenças Infecciosas afirmou que a chance de contágio é 19 vezes maior em ambientes fechados do que ao ar livre. Com ao menos metade das pessoas imunizadas, os índices caem drasticamente. Além disso, no caso da praia, a transmissão do coronavírus pela água é bem pouco provável. O grande problema nesses ambientes é a aglomeração. Cuidados com as gotículas expelidas da fala, tosse ou espirro. O distanciamento deve ser de ao menos um metro. O compartilhamento de objetos de uso pessoal, como guarda sol e cadeiras, devem ser evitados. A prática de esportes coletivos, comuns nesses ambientes, deve também respeitar o distanciamento.

Risco com todos vacinados: BAIXO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: MÉDIO

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

VOCÊ CONHECE A SÍNDROME DE IRLEN?

Distúrbio de base neurológica se apresenta como alteração visuoperceptual, causando sensibilidade exacerbada à claridade, leitura desfocada, restrição do campo periférico, dificuldades com contrastes e na atenção visual

O aprender é um processo que envolve nossos cinco sentidos. E esse processo ocorre naturalmente no caso da audição, do tato e do olfato. À medida que somos expostos aos variados tipos de estímulos, vamos aprendendo passivamente, intuitivamente desde a primeira infância. A visão se desenvolve à medida que o bebê segue a mãe com os olhos, descobre suas mãos e dedos, encaixa peças, ou seja, quando é estimulado.

A síndrome de Irlen (SI) é uma alteração visuoperceptual, também de base neurológica, e se manifesta com fotossensibilidade, desfocamento à leitura, restrição do campo periférico, dificuldades na adaptação a contrastes como, por exemplo, figura-fundo e dificuldade em manter a atenção visual. Os sintomas são cefaleias frequentes, ardência e prurido nos olhos, dificuldade em ler, estacionar o carro; quando crianças, muitas têm dificuldade em subir escadas, chutar bola, entre outras atividades. De acordo com esses pontos, tanto as crianças quanto os adultos com síndrome de Irlen podem se prejudicar desde a aprendizagem mais primária até seu convívio social. E isso pode ser confundido com a dislexia, que é o distúrbio da leitura.

É importante ressaltar que a síndrome de Irlen pode se apresentar ou não em comorbidade com a dislexia, não invalidando os tratamentos terapêuticos de nenhuma delas. Porém, se um indivíduo for avaliado e diagnosticado com SI, as orientações são diferentes, pois existe o uso de uma lâmina específica (Overlays), que facilita a leitura. Mas se o grau da SI for maior, e estiver atingindo a vida secular de um indivíduo de forma negativa, será necessário o uso de óculos com lentes específicas, os quais só poderão ser prescritos pelos médicos oftalmologistas do Hospital de Olhos de Belo Horizonte, Minas Gerais – Hospital de Olhos “Dr. Ricardo Guimarães”.

Segundo a dra. Márcia Guimarães, “a síndrome de Irlen (SI) é uma alteração visuoperceptual, causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz, que produz alterações no córtex visual e déficits na leitura. A síndrome tem caráter familiar, com um ou ambos os pais também portadores em graus e intensidades variáveis. Suas manifestações são mais evidentes nos períodos de maior demanda de atenção visual, como nas atividades acadêmicas e profissionais que envolvem leitura por tempo prolongado, seja com material impresso ou computador”.

Ela ainda salienta que a caracterização dessa síndrome foi feita pela psicóloga Helen Irlen, com um estudo prospectivo envolvendo centenas de adultos considerados analfabetos funcionais pela leitura deficiente e baixa escolaridade. O estudo, aprovado e financiado pelo governo federal norte-americano, foi apresentado perante a Associação Americana de Psicologia, em agosto de 1983.

A pesquisadora concentrou seus estudos nos sintomas “visuais” que esses adultos apresentavam, denominando-os de “síndrome da sensibilidade escotópica” – fazendo alusão ao escuro – devido à preferência por locais menos iluminados durante tarefas com maior exigência visual. Além da fotofobia, outras manifestações podiam estar presentes: problemas na resolução visuoespacial, restrição de alcance focal, dificuldades na manutenção do foco e astenopia e na percepção de profundidade. Essas dificuldades não se restringem às crianças, nem ao ambiente escolar.

SINTOMAS

Os sintomas da síndrome que podem ser percebidos são oculares, ou seja, coceira, ardência, olhos lacrimejando durante o ato de ler, além da necessidade de fazer sombra para tornar a leitura mais agradável e piscar os olhos com frequência, balançar ou tombar a cabeça, sensação de cansaço após 10 a 15 minutos de leitura. A história familiar também deve ser levada em conta.

A prevalência é alta, pois atinge de 12 a 14% da população em geral, incluindo bons leitores e universitários, e torna-se proporcionalmente mais frequente quando há concomitância com déficits de atenção e dislexia (33 a 46 % dos casos). Estudo recente, realizado em escola municipal da rede pública de Belo Horizonte, detectou ainda uma incidência de 17% entre alunos com dificuldade de leitura.

A SI não atinge apenas crianças ou adolescentes em idade escolar, mas, sim, todo um contexto social, pois, diante das questões sensoriais, a síndrome se caracteriza por diversas maneiras, desde o chutar de uma bola por uma criança (que não consegue fazê-lo com sucesso) até o ato de estacionar um carro realizado por um adulto (que também não o faz com sucesso).

QUESTÕES SENSORIAIS

De acordo com os estudos atuais da equipe do Hospital de Olhos de Belo Horizonte, estão sendo revistas as relações entre as lesões pós-traumáticas, envolvendo o cérebro, e os comprometimentos secundários da eficiência visual com exacerbação da fotossensibilidade e déficits na oculomotricidade, gerando impactos na leitura, aprendizagem, memória e estabilidade emocional. Sabe-se que eles também podem ocorrer na dislexia, déficits de atenção e hiperatividade, no autismo e durante o uso de certos medicamentos. Como os sintomas são semelhantes, o diagnóstico diferencial é indispensável para que a conduta ideal seja adotada o mais precocemente possível, uma vez que a intervenção gera benefícios nas outras áreas do processamento, como as auditivas, motoras e cognitivas.

São sintomas comuns: confusão entre os números, percepção de distorções visuais em páginas de texto, leitura de palavras de baixo para cima e inversão de letras e palavras, espaçamento irregular, dificuldades em manter-se na linha ao escrever, lentidão e baixa compreensão. Entretanto, inexistem outros aspectos que facilitam na condução de um diagnóstico diferencial satisfatório. Na síndrome de Irlen, ao contrário da dislexia, estarão ausentes as alterações na percepção auditiva, escrita invertida, pronúncia incorreta, dificuldade na aquisição da fala e escrita, escrita espelhada e déficits na compreensão de ordens verbais, cuja intervenção deve ser supervisionada por fonoaudiólogos. Do mesmo modo, a prolixidade, impulsividade, falta de autocontrole pessoal ou em grupo, agitação e hiperatividade física são componentes dos quadros de déficits de atenção e hiperatividade e a intervenção medicamentosa, quando recomendada, deve ser feita pelo neurologista responsável pela coordenação desses atendimentos multidisciplinares.

Sejam em comorbidade ou isoladamente, esses distúrbios provocam uma série de manifestações semelhantes e, por isso, diversos autores preconizam o rastreamento da síndrome de Irlen em crianças com dificuldades na leitura, fotossensibilidade e manutenção da atenção aos esforços visuais prolongados como forma de evitar diagnósticos equivocados de dislexia, DTA e TDAH e, ainda, para minimizar a medicação em pacientes em que a agitação e desatenção são resultantes do estresse visual e dificuldade em se ajustar às condições de luminância de uma sala de aula, por exemplo.

A identificação da síndrome é feita por profissionais da saúde e educação, devidamente capacitados a identificar (teste de screening ou rastreamento) os portadores, através da aplicação de um protocolo padronizado conhecido como método Irlen, e classificar o grau de intensidade das dificuldades visuoperceptuais dos casos suspeitos. O teste de screening é feito após avaliação da acuidade visual e sob correção refracional atualizada, quando necessária. Pelo screening é possível verificar os benefícios, com a supressão das distorções visuais, pela interposição de uma ou mais transparências coloridas selecionadas individualmente pelo portador da síndrome de Irlen.

O método Irlen deve ser aplicado onde ocorre a indução de estresse em atividades com alta demanda “visuo-atencional” e posterior supressão, após a sobreposição de uma lâmina colorida individualmente selecionada. Uma vez determinada a transparência ideal, o portador passa a usá-la sobre o texto durante a leitura ou cobrindo a tela do computador enquanto lê, obtendo benefícios imediatos no conforto visual, fluência e compreensão.

APLICAÇÕES

A neutralização das distorções facilitará o reconhecimento das palavras lidas, mas obviamente não permitirá que a pessoa leia palavras que não sabe. Para esses indivíduos, a leitura sempre foi sinônimo de dificuldade, e a rejeição tornou-se um hábito incorporado – é preciso considerar que pode haver anos de atraso em relação aos leitores regulares que puderam adquirir um substancial vocabulário visual de reconhecimento instantâneo. O aprendizado das palavras será facilitado por não mais se apresentarem distorcidas – mas a assistência ao aprendizado será importante e sem ela a leitura permanecerá sendo uma atividade difícil e estressante.

Do mesmo modo, o uso de filtros não será o único fator necessário para o aperfeiçoamento no desempenho da leitura. Porém, nos casos de síndrome de Irlen a opção pelo tratamento significará um recurso não invasivo, de baixo custo e alta resolutividade, possibilitando a seus usuários uma potencialização dos benefícios aferidos aos seus esforços acadêmicos e profissionais, além de facilitar o trabalho da equipe multidisciplinar.

As pessoas com a síndrome, geralmente, não têm consciência de suas distorções de leitura. Por isso, pensam que todos ao seu redor veem da mesma forma. Surge, então, a questão se um filtro como esses pode ajudar e muito nas leituras? A reação de um cliente ao ser submetido ao rastreio e confirmada a SI, ao usar as lâminas (Overlays) ou filtros, é surpreendente, pois sua postura muda visivelmente ao perceber sua capacidade leitora se alterar. Aquilo que gerava fadiga agora é leve e prazeroso.

É relevante destacar o uso dos óculos com lentes especiais, que oferecem ao portador da SI um cotidiano sem distorções e com mais conforto, seja na leitura, no caminhar na rua, em qualquer atividade diária. Tais óculos somente podem ser prescritos por oftalmologistas habilitados e são  confeccionados fora do país, o que faz com que seu custo não seja baixo. Já as lâminas têm valor mais em conta e são oferecidas ao cliente após ele passar pela testagem e ser diagnosticado com SI.

Ainda de acordo com a dra. Márcia Guimarães, sabe-se que o atendimento comum do oftalmologista se concentra na aferição da acuidade visual, correção refracional quando necessária e identificação de patologias (catarata, glaucoma, estrabismo etc.). Porém, a visão é o sentido mais importante na aprendizagem, com uma dependência estimada em 80% até os 12 anos de idade, e os impactos dos déficits neurovisuais são sempre significativos. No entanto, sua identificação pelo exame oftalmológico padrão seria insuficiente, pois o oftalmologista atual privilegia a acuidade da visão e fatores ligados ao trabalho ocular, além de condições ópticas. Mal comparando, seria corno avaliar o computador (hardware) quando o paciente possui déficits no processamento visual cerebral (software). Para os profissionais da educação, a visão é tão importante quanto a audição, pois essas funções são como portas de entrada para a aprendizagem. Se não estiverem em pleno funcionamento, serão impedimentos para que ela aconteça com sucesso. Deve-se  assinalar  que  o “conceito de visão” que o oftalmologista tem vai determinar  a forma como abordará as queixas e sintomas visuais dos pacientes com distúrbios de aprendizagem. As conclusões geradas de seus exames e a forma como investiga as relações entre elas dependerão não apenas do tipo de exame realizado, mas de seu conhecimento clínico na área específica, das queixas fundamentais, do direcionamento de sua anamnese e ainda de sua capacidade de interação com os demais profissionais da área de saúde e educação, com os quais passará a se relacionar não mais de forma passiva, mas como interventor e facilitador das decisões trans e multidisciplinares, que afetarão o futuro escolar dessa população. 

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