A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRATAR A ANGÚSTIA

A pandemia acelerou transtornos de ansiedade, mas há soluções

A ansiedade é tratada por muitos como uma característica de personalidade. “Sempre fui uma pessoa imediatista, sem muita paciência”, assim se definia a jornalista Giulia Gamba, que foi diagnosticada com transtorno de ansiedade em 2015. Hoje, ela sabe que o sentimento de angustia pode ser tratado. ”Comecei a perceber que estava me sentindo pouco equilibrada e isso passou a atrapalhar minha vida. Tinha palpitações, aperto no  peito, medo de algumas coisas que, quando eu melhorei, parei para pensar e disse: ‘Puxa, não tinha tanta justificativa, sabe”, lembra.

Os internautas brasileiros são os que mais buscam o termo ansiedade na internet, perdendo apenas para os americanos, de acordo com pesquisa do Sistema Analítico Bites. Em agosto de 2021, quem foi ao Google Brasil procurar informações sobre ansiedade estava 5,5 vezes mais interessado do que em janeiro de 2004. A curva começou a crescer com maior velocidade a partir de março de 2015 e se acentuou na pandemia.

Quando pensou que estava tendo uma crise de pânico no metrô, há seis anos, Giulia foi buscar ajuda. “Ficava com um aperto no peito, chorava, me sentia muito fora da realidade, angustiada. Minha psicoterapeuta percebeu que estava com transtorno de ansiedade e comecei a fazer também um tratamento com psiquiatra. Entendi que o remédio era uma ajuda pontual para o que eu estava precisando. Fiz o tratamento medicamentoso por um ano e depois recebi alta, quando estava me sentindo melhor, conseguindo lidar melhor com minhas emoções”, conta a jornalista, que permanece em terapia.

A psicóloga Sonia Neves, especialista em psicossomática pelo Instituto Sedes Sapientiae, explica que crise de ansiedade e de pânico tem sintomas parecidos, mas se diferenciam na intensidade. “Em linhas bem gerais, podemos dizer que a ansiedade se manifesta com sintomas bem incômodos para a pessoa, mas ela consegue delimitar, ou seja, sente qur está sob a ameaça de algum perigo procura formas para se proteger ou se defender. Já a crise de pânico revela que a pessoa não consegue delimitar ou conter a angústia e se desespera, acha que está tendo um enfarte, por exemplo, já que a aceleração cardíaca é um dos sintomas da ansiedade e está presente no quadro de pânico também”, analisa.

De acordo com o levantamento do Bites, o brasileiro também tem buscado muito mais agora por termos relacionados a medicamentos para ansiedade. O interesse, por exemplo, sobre três princípios ativos de ansiolíticos (clonazepam, alprazolam ebromazepam) em agosto de 2021 no Google era cinco vezes maior do que em março de 2004, quando dados sobre o comportamento dos usuários na plataforma passou a ser mais bem estruturados. Se sentir ansioso antes de um encontro amoroso, uma prova ou uma entrevista de emprego é bastante comum e não caracteriza um transtorno. Quando a sensação começa a lhe dominar e a impedir que faça coisas do seu cotidiano, prejudicando o funcionamento da sua vida, é preciso ligar o sinal de alerta. Os principais sintomas da ansiedade estão relacionados a preocupações, tensões ou medos exagerados, quando a pessoa não consegue relaxar; sensação contínua de que um desastre ou que algo muito ruim vai acontecer; preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho; medo extremo de algum objeto ou situação em particular; medo exagerado de ser humilhado publicamente; falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou atitudes; pavor depois de situação muito difícil.

Parece praticamente impossível que alguém tenha saído ileso, do ponto de vista de saúde mental, após a pandemia de Covid-19 e a quantidade de adaptações de rotinas e emoções que tivemos de enfrentar. Para Giulia Gamba, que já passou pelo transtorno de ansiedade, o receio de que os sintomas pudessem voltar bateu à porta. “Com a pandemia, fiquei com medo de voltar a sentir ansiedade, de ficar em casa, esse medo coletivo de tudo o que está acontecendo. Me despertou alguns sentimentos, sabe? Tive alguns momentos de me sentir mal nesse contexto todo, mas ressignifiquei muito a ansiedade nessa fase. Descobri que ninguém é ansioso, as pessoas estão ansiosas, então consigo hoje ver os momentos em que estou assim e entender o porquê, qual é o gatilho que está me levando a isso e administrar isso internamente”, relata. Perceber que você não é ansioso e que isso não faz parte de uma característica da sua personalidade e que é algo tratável faz toda diferença na caminhada em busca da qualidade de vida. “Eu diria para quem passa por isso que vai acabar. Sei que às vezes a gente se sente apreensivo de incomodar outras pessoas, mas se eu não tivesse tido apoio e ajuda nesse contexto não teria conseguido passar por isso da maneira como eu passei. Procure ajuda”, afirma Giulia Gamba que, além da psicoterapia, tenta manter uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos, como a ioga. Mas atenção, o diagnóstico do TA só pode ser feito por um especialista, como diz o quadro abaixo. Portanto, se estiver em dúvida não hesite em procurar um.

10 PERGUNTAS

As dúvidas mais comuns de internautas sobre ansiedade

1. O QUE É ANSIEDADE?

A ansiedade como uma doença é caracterizada pelo excesso de medo e angústia, de acordo com a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais (DSM-V), da Associação Americana de Psiquiatria, incluindo perturbações comportamentais relacionadas. Só pode ser diagnosticada por um médico especialista

2. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA ANSIEDADE?

Os principais sintomas aparecem como: preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar);sensação continua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer; preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho; medo extremo de algum objeto ou situação em particular; medo exagerado de ser humilhado publicamente; falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou atitudes que se repetem independentemente da vontade; pavor depois de uma situação muito difícil.

3. QUAIS SÃO OS TIPOS DE ANSIEDADE?

O DSM-Vdestaca pelo menos, seis tipos de transtornos de ansiedade: transtorno do pânico; fobia especifica; fobia social: transtorno obsessivo compulsivo (TOC); transtorno do estresse pós-traumático (TEPT); transtorno de ansiedade generalizada (TAG). O diagnóstico é feito em  consulta clínica.

4. COMO SE SENTE UMA PESSOA COM ANSIEDADE?

Quem está sofrendo com ansiedade se sente angustiado a maior parte do tempo, ameaçado e bloqueado. Inclusive, muitas vezes, a pessoa se sente impossibilitada de descobrir a origem do sofrimento emocional, deixando de fazer algumas atividades e prejudicando a vida social.

5. QUAIS SINTOMAS FÍSICOS PODEM SER OBSERVADOS NO TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)?

Alguns sintomas físicos podem ser observados em um quadro de transtorno de ansiedade generalizada como preocupações e medos excessivos, visão irreal de problemas, inquietação ou ação de estar sempre “nervoso”, irritabilidade, tensão muscular, dores de cabeça, sudorese e dificuldade em manter a concentração.

6. QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ANSIEDADE E CRISE DE PÂNICO?

Segundo a psicóloga Sonia Neves, especialista em Psicossomática, os sintomas de crise de ansiedade e pânico são semelhantes, mas se diferenciam na intensidade. “Podemos dizer que a ansiedade se manifesta com sintomas bem incômodos para a pessoa, mas ela consegue delimitar. Já a crise de pânico revela que a pessoa não consegue delimitar ou conter a angustia e se desespera, acha que está tendo um enfarte, por exemplo, já que a aceleração cardíaca é um dos sintomas da ansiedade e presente no quadro de pânico também.”

7. O TRANSTORNO DE ANSIEDADE PODE APRESENTAR SINTOMAS FÍSICOS?

Muitos sintomas físicos que não podem ter uma origem detectável por exames clínicos podem ter como pano de fundo o sofrimento emocional. A ansiedade também pode ser somatizada no nosso corpo através de alergias, problemas respiratórios e estomacais, por exemplo, a chamada “gastrite nervosa.”

8. QUANDO A PESSOA PRECISA BUSCAR AJUDA?

“Sempre que os sintomas forem muito frequentes e impeçam a pessoa de relaxar é preciso buscar ajuda. A própria pessoa percebe, mas pode não aceitar, que suas preocupações são excessivas”, afirma a psicóloga Sonia Neves.

9. QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS?

Existem três tipos de tratamento: medicamentos (sempre com acompanhamento e   receita médica); psicoterapia com psicólogo; combinação dos dois tratamentos (medicamentoso e psicoterapia).

10. O TRATAMENTO MEDICAMENTOSO É NECESSÁRIO?

Na maior parte dos casos, o tratamento medicamentoso, junto com a psicoterapia, é a melhor opção, sobretudo para reduzir os sintomas mais graves.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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