OUTROS OLHARES

FORA DE MODA

Em contraposição à tendência do body positive, que celebra o amor próprio, Givenchy fez desfile em Paris com modelos magérrimas, apologia à depressão e ao suicídio

Os desfiles da Givenchy, cuja criatividade hoje é costurada pelo prodígio americano Matthew Williams, costumam ser cercados de muita expectativa. Na semana de moda de Paris, encerrada na terça-feira 5, o que era para ser uma celebração de bom gosto e inventividade virou escândalo. A maison francesa levou para a passarela modelos que usavam colares de metal com a forma de um nó de forca. Outras desfilaram com olheiras avermelhadas e olhos fundos e pretos, em evidente postura depressiva. Quase todas magérrimas, na contramão da diversidade que se espera atualmente, com corpos razoavelmente comuns. Se a ideia era chamar atenção, e o mundo do luxo é movido a esse tipo de recurso, foi tudo muito bem-sucedido, sim. Mas não há dúvida: a grife errou a mão, e feio. Nas redes sociais houve uma onda maciça de protestos contra o show.

A acusação: apologia indevida e exagerada à magreza, atrelada à anorexia, com barriga, colo e ossos à mostra. Houve ainda quem identificasse culto ao suicídio. “Além da diversidade, há a tendência do body positive, que celebra a beleza e a aceitação do corpo como ele é, sem padrões estéticos”, diz a caçadora de tendências e futurista Sabina Deveik. “É um movimento que precisa ser perpetuado. A alta-costura tem o papel de lidar com as grandes questões da humanidade, e a saúde mental é uma delas.” Procurada, a Givenchy preferiu não comentar. Pegou muito mal, especialmente em um cotidiano mergulhado na pandemia, e não por acaso a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem feito sucessivos alertas em torno do impacto prolongado em corações e mentes como reflexo da maior crise sanitária da atualidade. A moda é um retrato de seu tempo – e também nesse aspecto a Givenchy atropelou a realidade.

“A moda traz para si o papel de provocar e subverter, mas nada justifica essa atitude, ainda mais nos tempos atuais”, diz a stylist e consultora de estilo Manu Carvalho. Para o coordenador da campanha nacional “Setembro amarelo” e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, o fato é gravíssimo. “A glamorização do suicídio em um evento tão globalmente celebrado é uma tragédia”, diz Silva. “É vergonhosa a atitude da marca, que tem influência mundial principalmente entre os jovens. Quantas adolescentes vão se vestir dessa maneira?” Segundo a OMS, a cada quarenta segundos uma pessoa comete suicídio no mundo – é a segunda maior causa de morte entre 15 e 29 anos. Os dois principais fatores de risco são tentativa prévia e doença mental, muitas vezes não diagnosticada, não tratada ou tratada de forma inadequada. A prevenção do suicídio inclui combater o estigma – responsabilidade que é de toda a sociedade e também da marcas reconhecidamente elegantes e influentes.

Não é a primeira vez que os desfiles saem do tom. Nos anos 1990, revistas celebravam o estilo heroin chic, com modelos fotografadas com aparência muito magra e de drogada. A questão chegou à Casa Branca, com críticas do então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Em fevereiro de 2019, a Burberry foi acusada de apologia ao suicídio ao desfilar um moletom com capuz que trazia uma corda também em forma de forca. “Suicídio não é fashion”, escreveu no Instagram a modelo Liz Kennedy, que usou a peça, reclamou nos bastidores, mas foi ignorada. Em setembro daquele ano, a Gucci fez um desfile com macacões brancos que remetiam a camisas de força. Na passarela, Ayesha Tan-Jones, ativista e modelo não binário, fez um protesto e escreveu na palma das mãos: “Saúde mental não é fashion”. Definitivamente não é.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 14 DE NOVEMBRO

A VINGANÇA PERTENCE AO SENHOR

Não digas: Vingar-me-ei do mal; espera pelo Senhor, e ele te livrará (Provérbios 20.22).

Todos nós, mais cedo ou mais tarde, teremos de lidar com o problema da mágoa. Não somos perfeitos e não vivemos num mundo perfeito. Nosso coração algumas vezes é fulminado por setas venenosas. Palavras encharcadas de ironia e maldade são lançadas sobre nós como torpedos mortíferos. Homens maus, com maus desígnios, levantam-se contra nós para nos ferir. O que faremos? Como reagiremos? Retribuir o mal com o mal não aliviará nossa dor. A vingança não cura as feridas abertas em nossa alma. A retaliação não apazigua nosso espírito atribulado. O único que tem competência para julgar retamente e vingar na medida certa é o Senhor. Não temos o direito de tomar em nossas mãos aquilo que é atribuição exclusiva do Senhor. A Palavra de Deus é categórica: não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor (Romanos 12.19). Devemos entregar nossas causas a Deus. Ele é o nosso defensor. Não precisamos levantar nossas mãos contra aqueles que nos fazem o mal. Devemos apenas confiar em Deus, sabendo que ele tem cuidado de nós. Nosso papel não é exercer vingança contra nossos inimigos, mas orar por eles e perdoá-los.

GESTÃO E CARREIRA

SAÚDE MENTAL DOS TRABALHADORES PIOROU NA PANDEMIA

Em pesquisa, 70% se dizem nervosos, tensos ou preocupados, mas minoria tem apoio. Movimento conscientiza empregadores

Apesar de saúde mental ainda ser tabu na relação entre funcionários e empresas, o tema tem um apelo crescente, que foi reforçado na pandemia. Desde o início da crise sanitária global que também afetou relações pessoais e profissionais, a saúde mental dos trabalhadores brasileiros piorou. Ao menos 70% se dizem mais nervosos, tensos ou preocupados nesse um ano e meio sob a ameaça da Covid e com muita gente trabalhando em casa. Os dados são de um estudo inédito realizado pelo movimento #MenteEmFoco, com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD).

Ansiedade acentuada foi citada por 55%, além de estresse (51%) e tristeza (49%). Dos ouvidos, 62 % disseram que a empresa onde trabalham não ofereceu qualquer suporte relacionado à saúde mental.

“É preciso ter consciência sobre a saúde mental, e as empresas têm papel nisso. A pesquisa indica essa urgência”, diz o diretor executivo do IBPAD, Max Stábile. Também chama atenção o fato de poucos procurarem ajuda especializada. Só 16% foram a psicólogos ou psiquiatras. A maioria (57%) não buscou ajuda, e os demais recorreram a familiares ou amigos.

“Existe uma percepção de que faz parte sentir-se tenso, nervoso ou preocupado quando se trabalha muito. Há uma naturalização de que o mundo do trabalho é assim mesmo”,  observa Stábile.  “Masisso é preocupante, porque todos estão passando por isso e falando pouco ou quase nada. Não se pede ajuda. É papel das empresas mostrar que a cultura corporativa não deve ser essa.

Entre os ouvidos, 29% relataram dificuldade de exercer alguma função por não se sentirem bem mentalmente, o que afeta também as empresas. Acumulam mais sintomas os jovens de até 34 anos.

Nesse cenário, a Rede Brasil do Pacto Global da ONU e a Impress Porter Novelli, em parceria com a Sociedade Brasileira de Psicologia, lançaram o #MenteEmFoco, que convida empresas a se comprometerem com a saúde mental no ambiente de trabalho.

“Vivemos uma pandemia de burnout. Mas, muitas vezes, falar de saúde mental é visto como sinal de fraqueza. Um dos objetivos é quebrar isso”, diz Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.

Já aderiram à iniciativa 38 empresas, com mais de 200 mil empregados. Elas se comprometem a ter profissionais de referência para atendimento, aconselhamento e a promover em favor da saúde mental e da redução do estigma. A meta é superar mil empresas e 10 milhões de pessoas até 2030.

EU ACHO …

PROCURA-SE COM URGÊNCIA

Necessito, para admissão imediata, de um profissional muito capacitado. Claro, deve ser bem formado em uma faculdade. O candidato deve dominar a teoria da sua área. Será questionado todos os dias sobre seus conhecimentos. Necessário que seja atentíssimo à demanda de atualização. Nossos clientes são exigentes em grau elevado. Reconheço até que são, eventualmente, chatos.

A tipologia do nosso cliente implica enorme resiliência diante de desgastes pessoais. Indispensável a solidezno campo psicológico. A pessoa que assumir o cargo oferecido deve enfrentar longos dias de estresse que podem crescer em momentos específicos. Deve ter estabilidade pessoal, equilíbrio e nenhum traço de perturbação grave. Nossa experiência ensina que, no cargo oferecido, quem entra equilibrado pode perder parte de sua estabilidade e quem já começa com instabilidades não completa um mês na função.

Pernas fortes são indispensáveis. A pessoa passará muitas horas de pé, quase o tempo todo. A voz deve ser muito especial pois será usada ao extremo, nos limites da possibilidade humana. As costas merecem cuidados: costumam doer com frequência.

Importante notar que além das 8 ou 12 horas diárias, nosso trabalho invade finais de semana. Serão marcadas reuniões aos sábados, por exemplo. Haverá coisas a preparar nos feriados. Nossa empresa gosta de promover festas juninas e precisa de todos os funcionários atuando nas barracas de forma voluntária e com um sorriso. Alguns clientes procurarão seu trabalho e conselho antes de o horário começar e depois de encerrar. Há relatórios a serem revistos até a véspera do Natal. Adoramos reuniões de planejamento ou de avaliação em datas as mais absurdas possíveis.

Há um detalhe que escapa a muitos candidatos. Você será contratado por mim. Eu serei seu chefe. Porém, nossos clientes são considerados seus patrões tambêm. Alguns consumidores do nosso produto, por serem menores, virão com os pais. Eles também costumam se considerar seus chefes. Darão opiniões sobre seu trabalho e nós ouviremos todos, quase nunca você.

Como plano de incentivo, oferecemos café, usualmente sempre passado há muito tempo. Temos unidades onde você terá de colaborar com a compra do pó de café. Há outras, mais generosas, onde o café é de graça. Em regiões nobres, providenciamos até um biscoitinho, mas não todos os dias. Não se acostume. Zelamos pela sua boa forma. Água à vontade, todavia não enquanto trabalha; apenas nas pausas. Se quiser água durante o expediente, traga a sua.

Você precisa ter domínio tecnológico para adaptação à épocas de pandemia. Iluminação, dinamismo de exposição, criatividade gráfica, habilidade de falar com um ponto luminoso na tela por horas de forma a deixar todos satisfeitos e felizes.

Claro: precisamos de você sempre tomado de entusiasmo, disponível diuturnamente, alegre, bem resolvido, sorridente e dócil conosco, com os clientes e seus pais. Uma vez por ano, em data próxima a este anúncio, fazemos uma festa como dia dos nossos funcionários. Será um dia de cartões e de exaltação a sua tarefa extraordinária. Você será chamado de semeador do futuro, arauto da esperança, apóstolo do saber e servo do conhecimento. Aproveite. É um dia especial. No resto do ano, faremos o contrário de tudo que for dito no seu dia. Então, regozije-se com a data próxima.

Sendo uma profissão vocacionada e dedicada ao cultivo do conhecimento, sabemos que você não escolheu a carreira pela retribuição financeira. Você sabe que nem sempre as pessoas ricas são as mais realizadas. Há casos de milionários depressivos! Querendo evitar os males da tristeza e do apego aos bens materiais, faremos uma proposta salarial modesta. Ela varia de unidade para unidade. Há algumas que até garantem férias um pouco melhores. A maioria investe no seu sacerdócio permanente, beirando o voto de mendicância.

Assim, releia o anúncio. A jornada é muito longa e, para ter melhores rendimentos, você pode acumular várias unidades na sua grade de dedicação. Temos alguns funcionários exemplares que trabalham manhã, tarde e noite. Há danos muito comuns ao corpo: varizes, calos nas pregas vocais, estresse, ansiedade, algum pânico, muita dor na coluna e, frequentemente, depressão. A demanda é alta e está diminuindo a oferta de bons profissionais, mas temos certeza de que você estará seduzido pelas nossas condições.

Sentiu-se atraído? Envie seu currículo para nossa escola. Estamos carentes de professores excepcionais, acima da média, com talento teatral, domínio de conteúdo, habilidades de resistência física e imenso potencial criativo. Queremos professores e professoras que entendam que todos na família descansarão no domingo enquanto você corrigirá provas. E, no final do ano letivo, após terem sido bombardeados de todo lado, sorriam e façam uma avaliação na reunião destacando o amor que sentem pela profissão que abraçaram. Queremos nosso corpo docente satisfeito e atualizado. Em resumo, buscamos o perfil de alguém com mente de Prêmio Nobel, transbordando criatividade de artista genial, no corpo de fuzileiro naval, a paciência da Santa Irmã Dulce e o equilíbrio de um lama septuagenário do Tibete. A propósito: feliz dia dos professores e das professoras! É preciso ter esperança mesmo na ironia que, eu espero, alguém tenha ensinado a você na escola.

*** LEANDRO KARNAL

ESTAR BEM

BANHA, A VOLTA

Costume antigo retorna em alta à cozinha

Sua bisavó usava, provavelmente sua avó também. Os chefs usam. A banha de porco já reinou absoluta. Era a gordura mais utilizada na cozinha, da caipira ao mundo afora. Uma lata com banha era ingrediente onipresente, mantida ao lado do fogão sempre pronta para refogar, fritar, finalizar uma receita ou até mesmo conservar os alimentos – quando ainda não havia refrigeração.

Ela caiu em desuso, foi pouco a pouco substituída por gorduras processadas de vegetais, como óleos e margarina, foi demonizada pela indústria e ganhou reputação de ser prejudicial à saúde, associada a problemas cardiovasculares – o que já foi comprovado não ser verdade. Se usada com moderação, a banha de porco é benéfica para a saúde, rica em nutrientes e livre de gordura trans, presente na maioria das gorduras vegetais.

Por sorte, chefs e produtores artesanais vêm trabalhando para trazer a banha de porco de volta às cozinhas e prateleiras. De sabor neutro e delicado – com usos diversos, do feijão à massa da torta doce -, vai na contramão da imagem que temos formada sobre ela.

Para provar, isso o chef argentino Pablo Inca desafia os comensais e coloca a falsa heresia para jogo logo no couvert do seu reinaugurado Cora. Temperada com ervas, raspas de limão, pasta de alho e aliche, a sua “manteiga” de banha de porco é sedosa, delicada e repleta de sabor; chega acompanhada de fatias de pão de fermentação natural – para besuntar como manteiga.

A banha temperadinha, em textura de pomada, também toma o lugar da manteiga que escolta o pão do Lobazo, restaurante do chef Marcelo Corrêa Bastos, que visa resgatar os costumes da culinária caipira. Dá coro à troca o chef Jefferson Rueda: “Que ideia colocar manteiga para acompanhar a nossa cachaça e pimenta, a banha tem muito mais potência”. O “ouro” da sua cozinha, como Rueda se refere à iguaria, que ele usa na Casa do Porco “com moderação”, lembra, é inclusive vendido na mercearia do restaurante.

Coincidência ou não, é também assim que o chef, pesquisador e produtor Rafael Cardoso, mais conhecido como Rafa Bocaina, da charcutaria Curiango, que fornece a banha para o Cora, mais gosta de consumir a gordura do porco caipira que cria na sua fazenda no Vale da Paraíba: “Pega uma torrada de um bom pão, passa a banha e joga alguns cristaizinhos de sal, é a melhor coisa”, conta com água na boca. Na cozinha, ela é usada para resgatar sabores e preparações tradicionais: a massa podre que desmancha na boca, o feijão com gostinho da casa da avó ou o bolinho de chuva bem sequinho. Mas suas vantagens ultrapassam o romantismo nostálgico, ela é capaz de realçar e potencializar o sabor dos alimentos. “Uso em tudo, desde estourar a pipoca a fritar o ovo. Aqui em casa e no restaurante, onde dá para substituir, uso a banha de porco”, entrega o chef André Mifano, grande defensor da carne suína desde seus tempos de Vito. As voltas com a abertura de sua nova casa, o Donna, de cardápio ítalo-paulistano, Mifano ensina: “É como usar caldo no lugar da água. Se dá para usar caldo que vai entregar sabor à receita, por que usar água? É a mesma coisa com a banha e um óleo vegetal qualquer”. O chef, que recentemente descobriu ser intolerante a derivados de leite, ainda pescou mais um benefício na troca: “A banha é zero lactose”.

A ARTE DO CROC

Talvez o segredo mais bem guardado das nossas avós para alcançar frituras mais crocantes tenha estado sempre ali, ao lado do fogão. Isso porque a banha é a verdadeira responsável pela textura crocante e mais sequinha de massas e frituras. “Empanada frita com banha fica mais sequinha e é o que garante o folheado da massa”, entrega Pablo, que serve o salgado douradinho e crocante com recheio de cordeiro no Cora e por alguns anos tocou a produção do La Guapa, ao lado da conterrânea Paola Carosella.

Ainda não está convencido? A banha também é mais resistente a altas temperaturas que outras gorduras, e não sofre alterações na hora de fritar – e, consequentemente, com menos riscos de oxidar (e assim fazer mal à saúde).

E engana-se quem pensa que só nas casas típicas ela aparece. A banha é carta na manga de muitos chefs para a construção de sabores em diferences pratos, muitas vezes até sem porco. Tassia Magalhães, chef do Nelita, confita os aspargos na banha de porco antes de servi-los ao com molho beurre blanc, bottarga e fatia de lardo italiano por cima. Ela conta que o ingrediente faz toda a diferença no resultado final. “A banha traz intensidade, sem mascarar o sabor do ingrediente principal”. Vale notar aqui o tal lardo utilizado por Tassia na finalização do prato, e que surge em diversos cardápios da cidade como sinônimo de comida requintada, nada mais é que, em tradução livre, gordura de porco; já no mundo gastronômico, é a finíssima “gordura” da costa do animal tratada com especiarias e apurada por meses.

NA LATA

Nos últimos tempos, a banha ganhou, ou melhor, voltou às prateleiras dos mercados em versões repaginadas e artesanais, como no caso das produzidas por Rafa, da Curiango (@curiango.art) e d’A Casa do Porco, do chef Jefferson Rueda, ambos criadores de porcos que fabricam e refinam as próprias banhas de forma artesanal, com todo cuidado e sem adição de conservantes, utilizando apenas as melhores partes dos porcos.

Não é mero papo de gourmet. A grande diferença entre as banhas convencionais de grandes frigoríficos e as artesanais começa na alimentação do porco, seguindo a máxima do historiador americano Michael Pollan: “Você é aquilo que você come”. A qualidade da banha está estreitamente ligada à qualidade da alimentação do porco. Nesse contexto, Rafa retoma a função histórica do porco como animal reciclador, o bicho que come as sobras de comida e descartes em geral, perdida na criação intensiva. Em parceria com empresas beneficiadoras de grãos da sua região, ele recebe os descartados, com pequenos defeitos, e prepara a ração com capim, soro de leite e diferentes grãos, predominando o gergelim. Nesse último, um segredo que faz toda a diferença: são oleaginosas que ajudam a converter a gordura saturada do porco em insaturada, mesmo processo que a bellota (espécie de castanha gordurosa) confere aos porcos pata negra ibéricos, que estão entre os jámons mais célebres do mundo. Dá para entender que o porco e a banha são coisa séria para eles.

Além delas, outra banha que tem atestado de garantia de qualidade, desde a atenção à vida dos porquinhos felizes até a venda, é a da Jais Handmade (@jaishandmade), marca de charcutaria artesanal comandada pelo casal Egon e Karine Jais. “A nossa banha é uma banha moderna, desenvolvida por nós com ajuda do chef italiano Sauro Scarabotta, usando um método que resulta em um produto final mais saudável e de aroma mais delicado do que o das banhas de antigamente.”

COMO USAR A BANHA

PARA REFOGAR

Pode ser usada para todos os tipos de refogados, substituindo o azeite e os óleos vegetais. Use pera preparar arroz, selar um bife ou nos ovos mexidos.

FRITAR

A gordura atinge altas temperaturas rapidamente, sem liberar compostos químicos. O processo fica mais rápido e os alimentos, mais crocantes e sequinhos.

CONFIT

O confit é uma técnica francesa que consiste em cozinhar o alimento na gordura, sempre em baixas temperaturas e por longos períodos.

MASSAS

A banha pode ser usada também como ingrediente em massas de tortas, empadas e  biscoitos. O resultado é uma massa com mais sabor e muita crocância.

DAR TEXTURA E FINALIZAR

A banha pode substituir o azeite e a manteiga em todos os tipos do preparações. No risoto, por exemplo, a banha pode ser substituta da manteiga para finalizar o prato e dar cremosidade e brilho.

COM PÃO

O clássico da casa de fazenda: pão com banha. Use também para acompanhar pães e torradas.

AROMATIZAR

Aromatizar a gordura ajuda a intensificar o sabor do prato. Adicione temperos como alho ou alecrim.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRATAR A ANGÚSTIA

A pandemia acelerou transtornos de ansiedade, mas há soluções

A ansiedade é tratada por muitos como uma característica de personalidade. “Sempre fui uma pessoa imediatista, sem muita paciência”, assim se definia a jornalista Giulia Gamba, que foi diagnosticada com transtorno de ansiedade em 2015. Hoje, ela sabe que o sentimento de angustia pode ser tratado. ”Comecei a perceber que estava me sentindo pouco equilibrada e isso passou a atrapalhar minha vida. Tinha palpitações, aperto no  peito, medo de algumas coisas que, quando eu melhorei, parei para pensar e disse: ‘Puxa, não tinha tanta justificativa, sabe”, lembra.

Os internautas brasileiros são os que mais buscam o termo ansiedade na internet, perdendo apenas para os americanos, de acordo com pesquisa do Sistema Analítico Bites. Em agosto de 2021, quem foi ao Google Brasil procurar informações sobre ansiedade estava 5,5 vezes mais interessado do que em janeiro de 2004. A curva começou a crescer com maior velocidade a partir de março de 2015 e se acentuou na pandemia.

Quando pensou que estava tendo uma crise de pânico no metrô, há seis anos, Giulia foi buscar ajuda. “Ficava com um aperto no peito, chorava, me sentia muito fora da realidade, angustiada. Minha psicoterapeuta percebeu que estava com transtorno de ansiedade e comecei a fazer também um tratamento com psiquiatra. Entendi que o remédio era uma ajuda pontual para o que eu estava precisando. Fiz o tratamento medicamentoso por um ano e depois recebi alta, quando estava me sentindo melhor, conseguindo lidar melhor com minhas emoções”, conta a jornalista, que permanece em terapia.

A psicóloga Sonia Neves, especialista em psicossomática pelo Instituto Sedes Sapientiae, explica que crise de ansiedade e de pânico tem sintomas parecidos, mas se diferenciam na intensidade. “Em linhas bem gerais, podemos dizer que a ansiedade se manifesta com sintomas bem incômodos para a pessoa, mas ela consegue delimitar, ou seja, sente qur está sob a ameaça de algum perigo procura formas para se proteger ou se defender. Já a crise de pânico revela que a pessoa não consegue delimitar ou conter a angústia e se desespera, acha que está tendo um enfarte, por exemplo, já que a aceleração cardíaca é um dos sintomas da ansiedade e está presente no quadro de pânico também”, analisa.

De acordo com o levantamento do Bites, o brasileiro também tem buscado muito mais agora por termos relacionados a medicamentos para ansiedade. O interesse, por exemplo, sobre três princípios ativos de ansiolíticos (clonazepam, alprazolam ebromazepam) em agosto de 2021 no Google era cinco vezes maior do que em março de 2004, quando dados sobre o comportamento dos usuários na plataforma passou a ser mais bem estruturados. Se sentir ansioso antes de um encontro amoroso, uma prova ou uma entrevista de emprego é bastante comum e não caracteriza um transtorno. Quando a sensação começa a lhe dominar e a impedir que faça coisas do seu cotidiano, prejudicando o funcionamento da sua vida, é preciso ligar o sinal de alerta. Os principais sintomas da ansiedade estão relacionados a preocupações, tensões ou medos exagerados, quando a pessoa não consegue relaxar; sensação contínua de que um desastre ou que algo muito ruim vai acontecer; preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho; medo extremo de algum objeto ou situação em particular; medo exagerado de ser humilhado publicamente; falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou atitudes; pavor depois de situação muito difícil.

Parece praticamente impossível que alguém tenha saído ileso, do ponto de vista de saúde mental, após a pandemia de Covid-19 e a quantidade de adaptações de rotinas e emoções que tivemos de enfrentar. Para Giulia Gamba, que já passou pelo transtorno de ansiedade, o receio de que os sintomas pudessem voltar bateu à porta. “Com a pandemia, fiquei com medo de voltar a sentir ansiedade, de ficar em casa, esse medo coletivo de tudo o que está acontecendo. Me despertou alguns sentimentos, sabe? Tive alguns momentos de me sentir mal nesse contexto todo, mas ressignifiquei muito a ansiedade nessa fase. Descobri que ninguém é ansioso, as pessoas estão ansiosas, então consigo hoje ver os momentos em que estou assim e entender o porquê, qual é o gatilho que está me levando a isso e administrar isso internamente”, relata. Perceber que você não é ansioso e que isso não faz parte de uma característica da sua personalidade e que é algo tratável faz toda diferença na caminhada em busca da qualidade de vida. “Eu diria para quem passa por isso que vai acabar. Sei que às vezes a gente se sente apreensivo de incomodar outras pessoas, mas se eu não tivesse tido apoio e ajuda nesse contexto não teria conseguido passar por isso da maneira como eu passei. Procure ajuda”, afirma Giulia Gamba que, além da psicoterapia, tenta manter uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos, como a ioga. Mas atenção, o diagnóstico do TA só pode ser feito por um especialista, como diz o quadro abaixo. Portanto, se estiver em dúvida não hesite em procurar um.

10 PERGUNTAS

As dúvidas mais comuns de internautas sobre ansiedade

1. O QUE É ANSIEDADE?

A ansiedade como uma doença é caracterizada pelo excesso de medo e angústia, de acordo com a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais (DSM-V), da Associação Americana de Psiquiatria, incluindo perturbações comportamentais relacionadas. Só pode ser diagnosticada por um médico especialista

2. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA ANSIEDADE?

Os principais sintomas aparecem como: preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar);sensação continua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer; preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho; medo extremo de algum objeto ou situação em particular; medo exagerado de ser humilhado publicamente; falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou atitudes que se repetem independentemente da vontade; pavor depois de uma situação muito difícil.

3. QUAIS SÃO OS TIPOS DE ANSIEDADE?

O DSM-Vdestaca pelo menos, seis tipos de transtornos de ansiedade: transtorno do pânico; fobia especifica; fobia social: transtorno obsessivo compulsivo (TOC); transtorno do estresse pós-traumático (TEPT); transtorno de ansiedade generalizada (TAG). O diagnóstico é feito em  consulta clínica.

4. COMO SE SENTE UMA PESSOA COM ANSIEDADE?

Quem está sofrendo com ansiedade se sente angustiado a maior parte do tempo, ameaçado e bloqueado. Inclusive, muitas vezes, a pessoa se sente impossibilitada de descobrir a origem do sofrimento emocional, deixando de fazer algumas atividades e prejudicando a vida social.

5. QUAIS SINTOMAS FÍSICOS PODEM SER OBSERVADOS NO TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)?

Alguns sintomas físicos podem ser observados em um quadro de transtorno de ansiedade generalizada como preocupações e medos excessivos, visão irreal de problemas, inquietação ou ação de estar sempre “nervoso”, irritabilidade, tensão muscular, dores de cabeça, sudorese e dificuldade em manter a concentração.

6. QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ANSIEDADE E CRISE DE PÂNICO?

Segundo a psicóloga Sonia Neves, especialista em Psicossomática, os sintomas de crise de ansiedade e pânico são semelhantes, mas se diferenciam na intensidade. “Podemos dizer que a ansiedade se manifesta com sintomas bem incômodos para a pessoa, mas ela consegue delimitar. Já a crise de pânico revela que a pessoa não consegue delimitar ou conter a angustia e se desespera, acha que está tendo um enfarte, por exemplo, já que a aceleração cardíaca é um dos sintomas da ansiedade e presente no quadro de pânico também.”

7. O TRANSTORNO DE ANSIEDADE PODE APRESENTAR SINTOMAS FÍSICOS?

Muitos sintomas físicos que não podem ter uma origem detectável por exames clínicos podem ter como pano de fundo o sofrimento emocional. A ansiedade também pode ser somatizada no nosso corpo através de alergias, problemas respiratórios e estomacais, por exemplo, a chamada “gastrite nervosa.”

8. QUANDO A PESSOA PRECISA BUSCAR AJUDA?

“Sempre que os sintomas forem muito frequentes e impeçam a pessoa de relaxar é preciso buscar ajuda. A própria pessoa percebe, mas pode não aceitar, que suas preocupações são excessivas”, afirma a psicóloga Sonia Neves.

9. QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS?

Existem três tipos de tratamento: medicamentos (sempre com acompanhamento e   receita médica); psicoterapia com psicólogo; combinação dos dois tratamentos (medicamentoso e psicoterapia).

10. O TRATAMENTO MEDICAMENTOSO É NECESSÁRIO?

Na maior parte dos casos, o tratamento medicamentoso, junto com a psicoterapia, é a melhor opção, sobretudo para reduzir os sintomas mais graves.

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