OUTROS OLHARES

A BOLHA VAI ESTOURAR?

O chiclete já foi símbolo de rebeldia, mas perdeu a graça. Na pandemia, atrás de máscaras, sumiu de cena e só agora começa a renascer. Mas o futuro é incerto

Entre as décadas de 50e 80, a goma de mascar viveu seu ápice de popularidade. Na boca de ídolos do rock e estrelas de Hollywood, virou símbolo de rebeldia. Mascar chiclete, naquela época, significava mais do que apenas sentir o gosto doce da guloseima. Representava bater de frente com pensamentos reacionários, demonstrar ousadia e ter sex appeal. Era sinônimo de liberdade. Não à toa, personagens de filmes que retratam o período mastigavam cheios de atitude. Basta lembrar dos indisciplinados alunos da comédia cult Clube dos Cinco (1985), de John Hughes, ou das bolas cor-de-rosa feitas por Frenchy Palardino (Didi Conn), melhor amiga de Sandy Olsson (Olivia Newton-John) no clássico Grease Nos Tempos da Brilhantina (1978), de Jim Jacobs e Warren Casey. A produção, informa a lenda, distribuiu 100.000 gomas entre o elenco. Hoje, o futuro do doce é incerto. Na Europa, as vendas despencam desde o começo do milênio e, recentemente, a subsidiária francesa do grupo americano Mars Wrigley (Freedent) anunciou o fechamento de 280 postos de trabalho. Segundo a empresa, os volumes produzidos por lá caíram 74% entre 2012 e 2020. Os principais motivos são as mudanças de hábito. No velho continente, a rebeldia deu lugar à alimentação saudável. Nos Estados Unidos, a história é um pouco diferente – masca-se muito, mas a pandemia foi um baque.

Com as pessoas fechadas em casa e a boca coberta por máscara, as vendas registraram queda global de 21,3% no ano passado. De acordo com pesquisa da Nielsen Consultoria, de todos os doces, a goma de mascar foi o que pagou o preço mais alto pela crise sanitária. “Estima-se que 75% do consumo de chiclete esteja na rua”, disse Dirk Van De Put, CEO da Mondelez, conglomerado americano fabricante de doces. No entanto, a retomada das atividades e a flexibilização do uso de máscaras possibilitadas pela vacinação estão refazendo a curva, ao menos entre os americanos. Sonha-se, agora, com os tempos áureos que se foram. Em 2004, uma goma que teria sido cuspida pela cantora Britney Spears foi leiloada por 14.000 dólares. Após dois anos de quedas, dados da Nielsen revelam que, em maio de 2021, os americanos compraram 15 milhões a mais de chicletes do que em janeiro. No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas informou que a produção cresceu 24,3% no primeiro semestre de 2021, comparada ao mesmo período de 2020. “A retração sentida pelo setor em 2020 foi imposta principalmente pela pandemia”, disse a entidade em nota. Ainda veremos bolas cor-de-rosa por aí? O tempo e a criatividade dirão.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 12 DE NOVEMBRO

TRATE BEM A SEUS PAIS

A quem amaldiçoa a seu pai ou a sua mãe, apagar-se-lhe-á a lâmpada nas mais densas trevas (Provérbios 20.20).

Honrar pai e mãe é uma lei universal e também um importante mandamento da lei de Deus. Se o amor a Deus e ao próximo é o maior de todos os mandamentos, se esse amor é a essência da lei divina, e se o amor ao próximo é a prova do amor a Deus, então honrar pai e mãe é o primeiro dever de um homem, pois não há ninguém mais próximo de nós do que aqueles que nos geraram. Honrar pai e mãe não é apenas um mandamento da lei de Deus, mas também o primeiro mandamento com promessa. Filhos obedientes alegram os pais e recebem a promessa de uma vida longa e feliz. Longevidade e bem-aventurança são bênçãos destinadas aos filhos obedientes. Filhos ingratos, rebeldes e desafeiçoados, porém, transtornam a vida dos pais e a sua própria vida. Filhos que gritam, desrespeitam e agridem os pais com palavras e atitudes vivem em densas trevas. Filhos que abandonam os pais à própria sorte, não cuidam deles na velhice e ainda desandam a boca para assacar contra eles suas maldições são governados pelo príncipe das trevas. O sábio Salomão é enfático em dizer que a vida do filho que amaldiçoa pai e mãe terminará como uma lâmpada que se apaga na escuridão. A luz de sua vida se extinguirá inexoravelmente.

GESTÃO E CARREIRA

COSMÉTICOS DE CANNABIS

O canabidiol, ou CBD é o novo queridinho das marcas estrangeiras de cosméticos. Nomes como Avon e Tresemmé já criaram linhas com o derivado de maconha na fórmula. No Brasil, a substância segue proibida para uso industrial, e empresas buscam soluções para surfar nessa onda.

Era 1998, a marca britânica de cosméticos The Body Shop lançava a linha Hemp Hand Protector, um hidratante para mãos à base de Cannabis sativa (nome científico da planta de onde sai a maconha) e passou a distribuir para suas filiais na Europa. Até que tentaram proibir a venda do produto.

O cultivo de cannabis estava legalizado no Reino Unido desde 1993. O que não podia era fazer drogas com ela. Outras coisas, tudo bem. Logo, não havia nada de ilegal na produção da linha da The Body Shop. Em termos históricos, vale salientar, a anomalia era a proibição.

A cannabis sempre foi uma boa matéria- prima para tecidos de fibras longas. As velas dos antigos navios da Marinha Real Britânica eram feitas de cânhamo. As dos navios da frota de Pedro Álvares Cabral também.

“Maconha”, aliás, é um anagrama de “cânhamo”, o nome da cannabis em português. No século 19, os fumadores de cânhamo chamavam sua droga de “mocanha”, migrando a sílaba final para o início da palavra, para não chamar atenção – a primeira lei proibindo a erva no Brasil data de 1830. Bom, com mais uma rodada de troca de letras na gíria de rua, “mocanha” virou “maconha”.

Os plantadores, porém, sempre diferenciaram por seleção artificial os tipos de cânhamo que produzem muito THC (o ingrediente psicoativo da planta) dos que produzem pouco, melhores para fibras. Tanto que, hoje, chama-se “cânhamo” a versão da planta com níveis de THC próximos de zero, e de “maconha” mesmo a versão cheia do psicoativo – em inglês, cânhamo é hemp, e a droga, weed, pot, marijuana.

Mas sabe como é. A partir da década de 1930, o cultivo de cannabis já estava proibido planeta afora – não interessava se o plantio era para a produção de maconha ou de fibras de cânhamo. Entre os países ocidentais, a única exceção foi a França, onde o cultivo para a produção de fibras nunca foi proibido.

Ironicamente, foi justamente lá que a The Body Shop teve problemas. Policiais fizeram uma batida numa loja deles em Aix- en- Provence para apreender os produtos. Justificativa: a linha Hemp faria apologia ao uso da planta como droga. A The Body Shop manteve a linha mesmo assim.

Foram proféticos. Hoje, com a flexibilização global em relação ao plantio e ao uso de derivados da cannabis, mais de 30 países produzem cânhamo livremente – cânhamo, veja bem; o plantio de maconha mesmo, weed, para uso recreativo, só está liberado em três países: Uruguai, Canadá e Estados Unidos (em 15 dos 50 Estados). Hoje considera-se que o cânhamo, hemp, é a versão da cannabis com menos de 0,3% de THC. É essa que está liberada em larga escala (Brasil não incluído). E é ela o assunto da nossa reportagem. Não exatamente ela, já que fibras têxteis também não são o tema aqui. Nosso protagonista é um derivado não psicoativo do cânhamo: o canabidiol, ou CBD. O CBD é um óleo com propriedades terapêuticas reconhecidas. Certos remédios feitos a partir dele foram legalizados para aplacar sintomas de algumas doenças, como o autismo severo e a epilepsia. Quando você ouve o termo “uso medicinal da maconha”, geralmente estão falando de CBD – ainda que de forma etimologicamente incorreta, o certo seria “uso medicinal do cânhamo”, a maconha sem maconha, como diria Rogerinho, do “Choque de Cultura”.

Mas não é só na medicina que o CBD tem chamado a atenção. Com a abertura para o cânhamo e para os remédios à base de canabidiol, vários gigantes da indústria seguiram a trilha aberta há mais de 20 anos pela The Body Shop e passaram a produzir cosméticos com CBD, principalmente nos EUA. Diversas marcas de peso aderiram ao canabidiol em suas fórmulas: a Kiehl’s, da L’Oreal; a Tresemmé, da Unilever; e a Avon, da brasileira Natura, com o óleo facial Green Goddess.

Virou moda. A loja de departamentos de luxo americana Barneys inaugurou em 2019 a The High End, uma loja dedicada a cosméticos de CBD. E a influencer Kourtney Kardashian fechou uma parceria entre a marca de cosméticos Hora e sua grife Poosh’s, para a produção de um sérum facial com infusão de CBD.

Mas e aí, funciona mesmo?

SISTEMA ENDOCANABINOIDE

Vários estudos indicam que o CBD é eficiente para retardar o envelhecimento da pele e controlar enfermidades cutâneas, como psoríase, acne e rosácea.

A dermatologista Juliana Piquet, de qualquer forma, alerta: as pesquisas ainda são rasas, com poucos ensaios clínicos, e é necessário mais aprofundamento para entender os benefícios reais do uso de CBD em cosméticos. “Mas existe, sim, um potencial enorme no uso de CBD nesses produtos, porque nosso corpo possui o sistema endocanabinoide, que reage com o canabidiol, e desencadeia várias reações no organismo”, diz Juliana.

O nome “endocanabinoide” faz referência à cannabis, mas é só uma questão de nomenclatura mesmo. Esse sistema é composto por duas partes: 1) Certas substâncias produzidas naturalmente pelo corpo, os canabinoides. 2) Os 11 receptores canabinoides”, que são ativados por essas substâncias. Esses receptores estão distribuídos pelo corpo todo: cérebro, órgãos internos, tecido conjuntivo, pele.

Não se sabe exatamente como o sistema opera (as primeiras pesquisas sobre o assunto são recentes, da década de 1990). Mas a ciência já descobriu que os encontros entre as substâncias canabinoides e seus receptores internos é fundamental para o funcionamento adequado do corpo. Ele é importante para regular a imunidade, o sono, a dor, o estresse.

Isso não significa, obviamente, que você precise usar derivados de maconha para dormir ou manter o sistema imunológico em dia. O corpo sintetiza canabinoides a partir de alimentos. É o caso do leite, principalmente o materno (mais um ponto para a amamentação).

Certos compostos encontrados na natureza contêm canabinoides “prontos”. É o caso de alguns óleos essenciais, como o de cravo, que contém um chamado beta cariofileno. E, naturalmente, é o caso do CBD.

A tese é que o CBD, por se tratar de um canabinoide poderoso, ativa de forma eficaz os receptores da substância presentes na pele. E isso produziria uma série de efeitos positivos, como o retardo no envelhecimento da epiderme. Os fabricantes vendem seus produtos como “calmantes para a pele” – uma estratégia de marketing que associa o efeito regenerador do CBD ao psicoativo do THC, por mais que este, claro, não esteja presente nas loções, géis e cremes das grandes marcas.

Seja como for, os cosméticos com base em CBD não são livres de riscos, como explica Juliana: “Não existe um padrão de concentração de CBD ou um controle de pureza do componente, então não tem como você saber com clareza o que está colocando na sua pele, mesmo que no frasco indique os ingredientes”. O perigo está relacionado a alergias e irritações.

E NO BRASIL?

Por aqui não tem conversa. É proibido fabricar, comprar ou vender qualquer cosmético que contenha derivados de cannabis. Se você tentar importar o produto após comprá-lo em um site estrangeiro ou trazer na mala depois de uma viagem para um país onde o CBD é legalizado, a resposta é a mesma: você estará infringindo a lei, concorde com ela ou não.

A legislação brasileira tem uma única exceção: o uso medicinal dos derivados de cânhamo. Quem tiver uma receita médica pode importar remédios à base de CBD – aqueles eficazes contra epilepsia, por exemplo.

Farmacêuticas também podem desenvolver remédios à base de CBD por aqui e distribuí-los no varejo. É o caso do laboratório paranaense Prati-Donaduzzi, que produz um extrato de canabidiol vendido em farmácias. Mas, como plantar cânhamo segue proibido no Brasil, a matéria-prima deve ser sempre importada.

De novo: estamos falando aqui de remédios(tarja preta), não de cosméticos, que seguem fora da lei. Mas, como brasileiro não desiste nunca, o mercado da beleza encontrou uma alternativa: desenvolver produtos que agem no sistema endocanabinoide a partir de matéria-prima legalizada.

A Beraca, uma empresa que desenvolve insumo para cosméticos, criou um composto assim, que, de acordo com ela, produz efeitos similares aos do canabidiol. Trata-se de uma fórmula patenteada, que ganhou o nome de CBA (sigla para Cannabinoid Active System, não por coincidência, parecidíssima com “CBD”).

Um dos clientes da Beraca é a Lola Cosmetics, que produziu uma linha de tratamento para cabelos com CBA. De acordo com a bioquímica Renata Lima, coordenadora de pesquisa e desenvolvimento da Lola, a marca tinha interesse nas propriedades do canabidiol há algum tempo, mas, por conta dos entraves jurídicos, decidiu pelo CBA.

“A Beraca nos apresentou laudos de pesquisa e toda uma documentação de comparação do CBA com o CBO. O CBA mostrou resultados satisfatórios em relação à ação anti-inflamatória e de regeneração de pele. Chegamos em uma solução compatível com o que buscávamos”, diz Renata.

Ainda há muito que aprender sobreo CBD e os canabinoides em geral. Mas o fato é que urna área sem relação alguma com ciência já está bem consolidada: a do marketing. Uma parte considerável do público entende a cannabis como um produto natural “ainda mais natural” (como se isso fosse possível).

Mas as cartas estão na mesa. Uma mudança nas leis brasileiras poderia abrir um horizonte colossal no mercado. Seja para os grandes, seja para os pequenos, que podem criar lojas especializadas, como fez a Barneys.

Atualmente, há um Projeto de Lei (399/ 2015) em tramitação na Câmara que prevê a legalização do plantio de cannabis para fins medicinais e industriais. A eventual aprovação do PL daria espaço para empresas solicitarem ao governo o plantio de cânhamo para fabricação de cosméticos. Mas o texto está travado na Câmara, sem prazo para votação. Porque, nessa seara, você sabe como é…

DICIONÁRIO CANÁBICO

MACONHA

A princípio, é o nome da droga, não da planta. Mas também serve para denominar as variantes de Cannabis sativa destinada ao uso recreativo, que contêm alta concentração de THC, o ingrediente psicoativo da planta.

CÂNHAMO

É o nome da planta, não da droga. Mas é usado hoje com o nome da Cannabis sativa com baixíssima concentração de THC (0,3% ou menos), produzida por seleção artificial para a fabricação de fibras.

THC

Sigla de tetrahidrocannabinol, a molécula com propriedades alucinógenas que produz os efeitos da maconha.

CBD

Sigla de canabidiol, uma molécula não psicoativa que interage com o sistema endocanabinoide do corpo. Estudos mostram que ela é efetiva como medicamento, no controle de doenças como a epilepsia, e como cosmético, retardando o envelhecimento da pele.

EU ACHO …

MAID

Não resumirei superficialmente a série “Maid”, da Netflix. O que importa: é urgente assisti-la, ainda mais se você é mulher. Os 10 episódios, com cerca de 50 minutos cada um, foram a terapia que me valeu na vida. Levei 60 anos para esclarecer zonas nebulosas dentro de mim. Você pode levar menos tempo.

“Maid é sobre abuso. Nem físico, nem sexual. O assunto é mais entranhado. A personagem principal, Alex (Margaret Qualley), tem 25 anos e sofre abuso psicológico. Não o assédio moral, tão comum em relações de trabalho, e sim a violência emocional que acontece entre pessoas do círculo íntimo. Dentro da família e dentro de casamentos.

É sobre feridas que não ficam visíveis através de hematomas. Que são abertas na alma e sulcadas lentamente, dia após dia, sem chance de cicatrização, e tão triviais se tornam que a gente acaba se acostumando, achando que é assim mesmo, faz parte da vida.

Não é sobre paixão, esta palavra romântica usada para justificar desatinos. A mãe de Alex (vivida por Andie MacDowell, que é mãe de verdade de Margaret Qualley) também sofre abusos de seus parceiros, mas prefere se auto enganar, acreditando que eles fazem isso por amor. Tão mais conveniente. Não obriga ninguém a fugir. Mas a alienação cobra seu preço: pira.

“Maid” é sobre cortar o laço com a dor psíquica. É sobre ter coragem de se afastar em definitivo de quem nos faz mal.

Não é sobre o que eles fazem, mas sobre como nos sentimos. Se nos sentimos inferiores, acuadas, fragilizadas, presas, impotentes, estamos sofrendo agressão emocional e, nesse aspecto a atuação de Margaret Qualley é perfeita. Só de olhar para ela, reconhecemos o dano. Sua coragem para interromper o ciclo e ir em busca de sua integridade é inspiradora e comovente.

“Maid” é sobrea dificuldade dessa busca. De como não existe heroísmo, e sim uma sequência de derrotas à nossa frente e o quanto precisamos de ajuda. Mais do que tratadas, temos que ser socorridas – por terapeutas e também pela vizinha, pela patroa, pela colega, por qualquer outra pessoa que não julgue, simplesmente estenda a mão.

É sobre manipuladores, mesmo que pareçam sujeitos bacanas, e sobre homens que não reproduzem o machismo decadente, os bacanas de verdade.

“Maid” não é sobre exagero e frescura (palavras que tentam minimizar a gravidade do assunto), mas sobre a beleza de se libertar de intimidações, usando o combatível que nos leva para fora do buraco: o amor por nós mesmos e por nossos filhos. Alegar que é por amor que também ficamos é pura mentira que não se sustenta em pé.

Trilha sonora excelente, roteiro amarradíssimo, episódios cheios de ação, elenco exato: nem precisava, mas ainda tem tudo isso. Vai emocionar e vai doer, mas sem dor não há ganho.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

ESTAR BEM

SUOR E ADRENALINA

Como o estresse advindo dos exercícios físicos pode ser benéfico

Nos tempos de escola, eu não era exatamente atlético. Era reserva do time de beisebol universitário e larguei o basquete em duas semanas.

Mesmo assim, eu ainda queria encontrar um esporte que fosse feito para mim, então comecei a praticar escalada. Também não era bom naquilo, mas adorei a sensação que me dava. A escalada parecia me centrar. Na sexta, terminava a semana me sentindo um saco de hormônios e angústia adolescente. No domingo, ficava pendurado a 24 metros do chão, morrendo de medo. Na segunda-feira, as tarefas escolares pareciam mais fáceis. Como algo tão assustador fazia o mundo parecer menos caótico e estressante?

Não há dúvida de que o exercício é bom para o coração e para a saúde mental. Nem que atividades calmas como Ioga ou taichi podem ajudá-lo a se sentir revigorado e recarregado. Mas e as atividades menos calmas? Tipo o parkour, pulando de um telhado a outro, ou arremessar uma bola de tênis pela quadra… Será que são boaspara a mente?

Os psicólogos tradicionais podem dizer não, porque qualquer coisa que aumente os hormônios do estresse, seja por meio de medo ou de agressão, não é bom para a saúde mental. Certamente o ano olímpico nos mostrou os perigos de estressar atletas de elite dentro e fora do campo.

Mas isso não significa que emoções como estresse ou agressão não tenha lugar no exercício. Quase qualquer um atleta dirá que seu esporte é tanto um escape para a saúde mental quanto uma preparação física. Para alguns de nós, essas emoções aparentemente negativas durante o exercício são até a principal razão para treinar.

MEDO COMO HABILIDADE

Esportes com adrenalina são populares entre os veteranos de guerra que lidam com o transtorno de estresse pós-traumático. Cientistas alemães chegaram a fazer experiência com escalada como forma de terapia para a depressão. Por mais estranho que possa parecer, o medo pode ser muito terapêutico.

Omer Mei Dan, cirurgião ortopédico, pesquisador e ex­ saltador profissional de base jump e Erik Monasterio, psicólogo da Universidade de Orago na Nova Zelândia e montanhista experiente, tentaram por anos entender qual o papel desempenhado pela personalidade de atletas de elite de esportes extremos ao escolherem arriscar suas vidas e  depois processar essas experiências. Eles, entre outras coisas, que em alguns atletas, pode ser o medo e o estresseao voar de um halfpipe com seu skate ou pular de um avião  treine o cérebro para lidar com essas emoções na vida.

ALIVIANDO A TENSÃO

Os psicólogos uma vez descreveram a psiquê humana como um cano ou uma mangueira que volta e meia se enche de emoção, obrigando as pessoas a liberarem a pressão para se manterem saudáveis.

A catarse é real, quando você chora em um filme triste, isso pode ajudar a processar emoções e liberar a ansiedade, diz Lauren M. Bylsma, especialista em emoções da Universidade de Pittsburgh.

AGRESSÃO ‘DO BEM’

Mas como as emoções negativas podem nos ajudar ocasionalmente a limpar nossas mentes?

“Você não pode separar nitidamente as emoções em positivas ou negativas. A raiva, para algumas pessoas, é descrita como algo negativo. Mas outras pessoas a descrevem como um sentimento positivo”, explica Abigail Marsh, professora de psicologia na Universidade de Georgetown e autora de “The Fear Factor”.

Para alguns, diz Mitch Abrams, psicólogo esportivo e especialista em controle da raiva, envolver os sentimentos agressivos de alguém em um esporte pode ajudá-los a controlar seus sentimentos. Ele ocasionalmente prescreve atividades agressivas, como artes marciais, como forma de enfrentar um trauma.

DESCANSANDO E DIGERINDO

O fio mais importante que liga emoções intensas ao exercício é menos a psicologia e mais biologia. Tanto o medo como a agressão acionam o sistema nervoso parassimpático, a chamada resposta de luta ou fuga.

Ao fazer isso, eles podem desencadear o sistema nervoso parassimpático, que é vagamente chamado de descanso e digestão. As respostas simpáticas são definidas por cortisol alto, pressão alta e frequência cardíaca, suor e pupilas dilatadas. Por outro lado, as reações parassimpáticas desencadeiam baixa pressão arterial e frequência cardíaca, aumento do metabolismo e, mais importante, uma descarga de cortisol no sistema.

É a calma, profunda, quase espiritual, que vem depois da tempestade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRATAMENTO COM CORRENTES ELÉTRICAS É EFICAZ CONTRA DEPRESSÃO

Apesar de histórico controverso, eletroconvulsoterapia se mostrou segura para casos graves em novo e amplo estudo

A eletroconvulsoterapia, ou ECT, pode ser eficaz para o tratamento da depressão grave e é tão segura quanto o uso combinado de drogas antidepressivas e a psicoterapia, concluiu um novo e amplo estudo.

O procedimento, antes conhecido como “terapia de eletrochoque”, tem uma história controversa e amplamente desfavorável. Isso se deve em parte a representações imprecisas em livros e em filmes populares, como em “Um estranho no ninho” (filme dos anos 1970 dirigido por Milos Forman com Jack Nicholson no elenco), e em parte a consequências de problemas reais com as primeiras versões do procedimento, que usavam fortes correntes elétricas e nenhuma anestesia.

Hoje, a ECT é realizada sob anestesia geral, e o médico, trabalhando ao lado de um anestesiologista e de uma enfermeira, aplica uma corrente elétrica fraca no cérebro (geralmente cerca de 0,8 amperes a 120 volts) durante um tempo que varia de um a seis segundos. Isso causa uma convulsão dentro do cérebro, mas, por causa da anestesia, o paciente não sente contrações musculares. A convulsão leva a alterações cerebrais que aliviam os sintomas da depressão e de algumas outras doenças mentais. Normalmente, os médicos administram uma série de sessões de ECT por um período de dias ou semanas.

A única parte dolorosa do procedimento é a inserção de uma linha intravenosa antes da anestesia. Pode haver efeitos colaterais posteriores, incluindo a perda temporária de memória, confusão ou dores de cabeça e dores musculares transitórias. Médicos discutem se a ECT pode causar problemas de memória de longo prazo distintos dos problemas de memória que podem ser causados pela própria depressão.

ESTUDO ‘BEM REALIZADO’

Para este novo estudo, publicado na Lancet Psychiatry, pesquisadores canadenses usaram os registros de 10.016 adultos cuja depressão foi grave o suficiente para passar três ou mais dias no hospital.

Metade deles recebeu ECT, enquanto a outra metade foi tratada com medicamentos e psicoterapia. A idade média deles era 57 anos, e cerca de dois terços eram mulheres. Os pesquisadores acompanharam como cada grupo se saiu nos 30 dias após a alta do hospital.

O estudo do tipo caso-controle observou no grupo analisado mais de 75 fatores, incluindo características sociodemográficas, uso de medicamentos, outras doenças médicas, estado comportamental e cognitivo e o uso de serviços psiquiátricos e outros de saúde. Esta metodologia completa ajudou a superar algumas das limitações de pesquisas anteriores.

A ECT não parece aumentar o risco de problemas médicos sérios, o que inclui doenças circulatórias, respiratórias ou geniturinárias que exigem internação hospitalar nem mortes que não sejam resultado de suicídio.

Nos 30 dias após a alta, 105 dos pacientes com ECT tiveram um problema médico sério, em comparação com 135 entre os do grupo controle, uma diferença estatisticamente insignificante. Os pesquisadores não rastrearam problemas médicos menores tratados em ambulatórios.

Suicídios foram raros em ambos os grupos, mas foram significativamente menores naqueles tratados com ECT.

“Este é um estudo interessante e bem realizado. Como a ECT é cercada por muitas opiniões negativas, precisamos de toda a ajuda que pudermos obter de pesquisas da vida real”, disse Martin Balslev Jorgensen, professor de psiquiatria da Universidade de Copenhagen e amplo pesquisador da ECT, mas que não esteve envolvido neste estudo.

Jacob P. Feigal, diretor médico do programa de ECT da Universidade Duke, nos Estados Unidos, que também não participou do trabalho, disse que o estudo pode ser útil para conversar com pessoas para as quais o melhor tratamento é a ECT, mas que temem complicações.

“Como médico, isso me ajuda a estruturar o argumento. Contribui com um elemento realmente importante para a discussão sobre o risco de fazer ECT em comparação com o risco de não fazê-la em pessoas com depressão grave”, disse ele. Para Jorgensen, o novo estudo mostra que os pacientes não precisam se preocupar com complicações médicas e que podem se concentrar nos problemas reais da ECT: o fato de que você precisa ser anestesiado e que, a vários tratamentos, você pode ter alguma perda de memória no período que antecede e durante a ECT.

DECISÃO COMPLEXA E SÉRIA

Professor de psiquiatria e diretor do programa de estimulação cerebral da Universidade Johns Hopkins, Irving M. Reli, que não esteve envolvido na pesquisa, disse que é “um estudo importante e substancial” que acrescenta à literatura ao mostrar que a ECT é segura.

“Isso a coloca em um contexto médico: milhares de pacientes sem complicações médicas significativas’. Principal autor do estudo, Tyler S. Kaster, bolsista do programa de estimulação cerebral da Universidade de Toronto, no Canadá, concordou que a ECT tem riscos, mas, reforça, o mesmo acontece com a depressão grave, que pode levar a problemas sérios, entre eles doenças cardiovasculares, demência, uso de substâncias e suicídio.

Decidir submeter-se à ECT é uma “decisão complexa e séria”, disse ele, que conclui:

“A esperança neste estudo é que ele forneça informações importantes que permitam aos pacientes, seus familiares e seus médicos compreenderem os riscos e tomar uma decisão com a qual se sintam confortáveis.

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