OUTROS OLHARES

A MODA FAZ SEU MEA-CULPA

Cientes da prática sistemática de abusos como assédio moral e crimes de racismo, gigantes do cenário fashion se unem a associação têxtil para transformar o mercado

Moda é sinônimo de luxo, exclusividade e glamour. Desfiles, modelos, estilistas, roupas lindas e ambientes sofisticados vêm logo à mente quando a palavra é evocada. Mas, visto pelo prisma que os holofotes não alcançam, esse mundo pode ser bastante cruel. Da longa e frágil cadeia produtiva ao assédio moral, racismo, gordofobia, trabalho infantil ou análogo à escravidão e informalidade, a lista de problemas nesse universo é extensa. De forma caricata, esse lado B da moda está retratado no emblemático O Diabo Veste Prada (2006). Embora classificado como comédia, o filme contém passagens explícitas de assédio moral protagonizadas pela poderosa editora de moda Miranda Priestly, a personagem de Meryl Streep. Quem não se lembra da icônica cena em que Miranda joga repetidamente bolsa e casaco em Andy Sachs, a assistente recém-contratada vivida por Anne Hathaway? Ou de frases do tipo: “Detalhes de sua “incompetência não me interessam”, dirigida à sua ajudante Emily Charlton (Emily Blunt),ou ainda “Pedi clara, atlética e alegre, e ela me mandou parda, cansada e gorda”, referindo-se a uma modelo?

Quem vive a realidade do mercado, porém, acha que o filme é fábula de criança perto do dia a dia verdadeiro. “O meio da moda no Brasil é pior”, diz uma ex-funcionária de marketing de um grande grupo de moda brasileiro. “Quando o atual CEO assumiu, ordenou a demissão de todas as funcionárias ‘velhas, gordas e feias’, nas palavras dele”, conta. Essa é apenas uma das várias histórias de abusos cometidos nas confecções, lojas, agências de modelos e backstages de desfiles. “Já vi modelos passarem horas sem comer à espera da boa vontade do diretor do desfile para começar os testes, estilista aos berros só porque uma caneta caiu, chefe tirando comida da boca da assistente, chamando-a de gorda”, relata outra profissional da área. São recorrentes também crimes de racismo e manifestações racistas como a feita pela Prada em 2018. Naquele ano, a grife foi acusada de blackface quando decorou a fachada de sua loja no Soho, em Nova York, com bonecos pretos de lábios vermelhos e grossos. Sem contar o uso de trabalho infantil ou análogo à escravidão, prática abjeta da qual muitos integrantes do segmento se valeram e se valem até hoje.

Pressionados por consumidores mais exigentes em relação à origem dos produtos, o setor decidiu fazer um mea-culpa. O segmento acaba de lançar o movimento ModaComVerso, liderado pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX). A entidade se uniu a grandes marcas como Arezzo, C&A, Dafiti, Renner, Reserva, Riachuelo com o propósito de construir o que chamam de moda socialmente responsável. Nas palavras dos organizadores, o objetivo é estimular a criação de uma cadeia produtiva ética, humana e transparente. “É importante poder nos comunicar para fora do círculo das empresas e jogar luz no setor tanto no seu lado bom quanto no ruim. Assim, podemos conscientizar e resolver”, diz Jayme Nigri, COO da Reserva, uma das marcas do ModaComVerso e considerada um dos poucos bons exemplos entre as grandes da moda – está entre as trinta melhores na Pesquisa Empresas Humanizadas 2020, ligada ao Grupo de Gestão de Mudanças da Universidade de São Paulo (EESC-USP).

Desde 2010, a ABVTEX realiza auditorias nas empresas para monitorar os processos da cadeia de fornecimento, do plantio de algodão à confecção, inclusive os realizados por terceiros. Segundo a associação, já foram realizadas mais de 43.000 auditorias, com 3.500  fornecedores aprovados, espalhados em dezenove estados e 615 municípios, beneficiando cerca de 350.000 trabalhadores. “É uma ação efetiva para combater o trabalho análogo ao escravo e infantil e os assédios. Entrevistamos os trabalhadores para identificar situações de abuso, violência e discriminação”, explica Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX. Se algum problema for comprovado, a empresa tem três meses para resolvê-lo. Caso contrário, será suspensa e excluída da cadeia produtiva por um período, o que pode significar a morte do negócio. Que bom. A última tendência, pelo visto, é ter consciência.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 11 DE NOVEMBRO

FUJA DO MEXERIQUEIRO

O mexeriqueiro revela o segredo; portanto, não te metas com quem muito abre os lábios (Provérbios 20.19).

O mexeriqueiro não é um amigo verdadeiro. Quem não sabe guardar segredos não é confiável. Um indivíduo que se deleita em espalhar informações que maculam a honra do próximo torna-se uma companhia perigosa. Devemos manter-nos longe de quem fala demais. A língua do mexeriqueiro é carregada de veneno. É pior do que a peçonha de uma víbora, pois o veneno foi colocado no réptil pelo Criador, mas o veneno do mexeriqueiro foi colocado em sua língua pelo diabo. O veneno da víbora pode tornar-se remédio, mas o do mexeriqueiro mata. A boca do mexeriqueiro é uma cova de morte, uma fagulha que provoca incêndios devastadores, uma fonte poluída que lança de si lodo e lama. O amigo não expõe seu companheiro; pelo contrário, ele o protege. O amor cobre uma multidão de pecados, em vez de trazê-los à luz. Não há forma mais degradante de autoexaltação do que diminuir os outros. Não há forma mais vil de autopromoção do que espalhar os segredos dos outros com o propósito de expô-los à execração pública. A atitude mais segura é nos desviarmos do mexeriqueiro. Sua companhia é uma ameaça; sua língua, uma destruição.

GESTÃO E CARREIRA

PASSADAS LARGAS

Detentora da icônica Havaianas, a Alpargatas tem dois planos em andamento: a expansão global das suas marcas e a consolidação do projeto de gestão de pessoas da empresa.

Ninguém fala “vou comprar um chinelo”. É “vou comprar umas Havaianas”. Há seis décadas o brasileiro adotou a sandália de borracha como o mais prático dos calçados. Vai à praia, à padaria e rola até para passar a tarde numa beira de calçada de um barzinho no verão (saudades). No último ano, elas se tornaram parte do uniforme de isolamento social. Se tiver frio, acompanha um par de meias – afinal, o que importa é o conforto.

E isso foi a salvação da Alpargatas em 2020. A empresa dona da Havaianas vendeu um recorde de 79 milhões de pares de chinelos no quarto trimestre de 2020, alta de 3% ante o mesmo período de 2019. Mas não deu para fazer milagre. No ano, foram 234 milhões de pares, uma queda de 5% nas unidades vendidas. Perto do tombo de mais de 25% do mercado de roupas e calçados, a companhia se saiu bem.

Como todo mundo, ela precisou migrar para o e-commerce para amenizar o impacto do distanciamento social. Mas, enquanto fazia isso, a Alpargatas também decidiu reforçar sua presença no exterior. A Havaianas já é uma marca internacional, tem escritório nos Estados Unidos desde os anos 2000 e hoje está presente na Espanha, Itália, Inglaterra, EUA, Hong Kong e mais cinco países. 28% da receita dela vem do exterior – foram R$ 879,9 milhões dos RS 3,4 bilhões faturados em 2020.

E a companhia quer mais. Para acelerar o crescimento no exterior, a Alpargatas anunciou uma presidência internacional para a marca em outubro do ano passado. Além da Havaianas, a empresa tem a Osklen e a Dupé (outra marca de chinelos, mais popular na região Nordeste), com participação menor no faturamento.

O portfólio já foi bem diferente. A Alpargatas existe desde 1907, quando produzia o calçado homônimo, uma espécie de sapatilha de lona com sola de corda bastante popular na Argentina. Ao longo desses mais de cem anos, produziu o Brim Coringa, os tênis Bamba e o Kichute. Foi dona ou licenciou as marcas Topper, Rainha e até as galochas Sete Léguas, tudo parte do passado.

O vaivém aconteceu também na gestão da companhia: em mais de um século, a Alpargatas mudou de mãos algumas vezes. As trocas mais recentes foram em 2015, quando o grupo Camargo Corrêa (envolvido na Lava Jato) vendeu a sua participação na companhia para a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista(da JBS).Ai eles enfrentaram problemas financeiros após denúncias de corrupção envolvendo políticos. Resultado: em 2017, os 54,24% da Alpargatas que estavam na mão da J&F passaram para a ltaúsa, o Cambuhy Investimentos e a Brasil Warrant (BW,) os três ligados à família Moreira Salles (do Itaú).

A companhia também decidiu mexer na área de gestão de pessoas, com o objetivo de engajar as equipes. Uma das mudanças foi na remuneração da alta gerência. O bônus anual desses profissionais pode ser convertido em ações da companhia na bolsa. Se eles toparem, a Alpargatas dobra o valor com mais ações. Além disso, gestores ganharam um orçamento que pode ser destinado a pagar bônus aos funcionários que tiveram bons resultados durante o ano. A produção de calçados continua sendo intensiva em mão de obra fabril. São quatro fábricas no país, duas na Paraíba, uma em Pernambuco e outra em Minas Gerais. Para fomentar outros valores da empresa, como a solidariedade, foi criado o projeto Fábrica de Sonhos. É uma parceria com o Instituto Alpargatas (instituição filantrópica mantida pela organização), pela qual funcionários e a empresa se unem para reformar ou construir casas dos trabalhadores. É tudo voluntário, feito com dinheiro arrecadado entre os profissionais e materiais de doação angariados pelo instituto. Dez funcionários já foram ajudados por mais de 200 colegas.

PESSOAS EM FOCO

1 – NOVA ROTINA

Para atender à demanda pelas compras online durante a pandemia, as equipes de atendimento presencial das lojas foram realocadas e treinadas para vender no modelo virtual, por meio de e-commerce e WhatsApp.

2 – COMUNICAÇÃO EM DIA

O administrativo da Alpargatas já tinha uma rede de comunicação corporativa, mas com a pandemia houve a necessidade de aumentar o contato com o time operacional também. A solução foi lançar uma rede social para toda a empresa, dos escritórios às fábricas – englobando até as filiais internacionais.

3 – PORTAS ABERTAS

A empresa tem dois programas de trainee: o global, que aceita candidatos de outros países, dura 12 meses e treina para diferentes áreas administrativas, e o industrial, que é apenas com brasileiros, dura 18 meses e é focado em habilidades técnicas.

4 – UNIVERSIDADE CORPORATIVA

Lançado em setembro, o portal é global e já tem mais de 30 mil horas de treinamento sobre temas como liderança, tecnologia, gestão de pessoas e negócios. Também conta com o Alpa Talks, uma espécie de Ted Talks em que os funcionários podem gravar vídeos palestrando sobre assuntos que dominam.

5 – CLUBE DO LIVRO

De dois em dois meses, cerca de 40 pessoas se reúnem por vídeo para o Clube do livro. A iniciativa conta com funcionários de diferentes áreas, inclusive executivos, para debater obras escolhidas por eles.

6 – RECRUTAMENTO DIVERSO

Para ter um processo seletivo mais inclusivo, o recrutamento na Alpargatas é feito por um grupo de profissionais diversos: homens, mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+. Segundo o vice-presidente de pessoas, “todo processo tem que ter pluralidade de voz e de escuta”.

7 – BEM-ESTAR VIRTUAL

As práticas de bem-estar da empresa, como a ginástica laboral e ioga, foram adaptadas para o online. Além disso, outras comemorações, como o Carnaval e a festa junina, também aconteceram de forma virtual. Até um show de stand-up à distância rolou para os funcionários.

8 – CX DO FUNCIONÁRIO

O questionário de customer experience não é só para clientes na Alpargatas. O sistema de avaliação foi adaptado para os funcionários, que respondem sobre satisfação com a empresa logo que entram, depois em seis meses e de novo em um ano. Até aqueles que não passam no processo seletivo podem dar sua opinião.

9 – MAIS TEMPO COM OS PEQUENOS

Diferente de outras companhias, a Alpargatas ainda não possui benefícios como licença parental estendida. Mas isso deve mudar, porque a companhia criou um comitê para mapear os benefícios que os funcionários sentem falta nesse quesito. Depois de colher os resultados, devem implantar novas políticas em 2022.

10 – PACOTE COMPLETO

Além dos benefícios tradicionais, como vale-transporte, vale-refeição e plano de saúde, funcionários da Alpargatas contam com gympass, folga de aniversário, dress code informal, short friday e descontos no e-commerce das marcas.

O QUE É PRECISO PARA TRABALHAR NA COMPANHIA

Acreditar no propósito das marcas e amar o que faz. “Cada posição tem um perfil técnico, mas para mim o primeiro critério é ter brilho nos olhos ao falar do que faz e acreditar no próprio crescimento junto com a empresa. Com isso, vai estar na primeira fila de selecionados”, diz José Roberto Daniello, vice-presidente de pessoas da Alpargatas.

EU ACHO …

PANE NO SISTEMA

Sabe aquele tio com quem você não fala há anos, nem por telefone? Aquele que mora longe e pareceu ainda mais distante depois da pandemia? Se você não tem, eu tenho. E a última pessoa que você imagina ligando no meio do trabalho. E se isso acontecer é por que algo muito grave aconteceu.

E nesta semana, de fato, aconteceu. De repente, meu celular tocou. Atendi e mal pude reconhecer sua voz grave. Aliás, grave é o termo mais adequado. Grave e com um certo tom de desespero: “Você sabe o que está acontecendo? Não consigo usar meu WhatsApp. Acho que o Facebook também parou. Você sabe por quê?”, me perguntou, sem dizer alô ou perguntar se eu estava bem. “Tudo parou por aí também? Parece um apagão né?”, concordei.

“Oi, tio”, respondi desorientada com o tal apagão da comunicação. Disse que, inclusive, algumas páginas da internet pareciam não estar funcionando e que realmente estava achando tudo isso bem estranho. Sou daquelas que acredita em conspiração e cortina de fumaça

E, no meio de tantos pensamentos conturbados, rolou uma leve abstinência sem ter a troca de mensagens habitual pipocando na tela. Expliquei para o meu tio que, aparentemente, não era algo isolado. Era algo de proporções globais. Disse que as redes do Zuckenberg tinham dado ruim.

“Zucken… quê?”, ele retrucou. No auge dos seus 70 anos, não está muito ligado no Mark, apesar de usar todas assuas tecnologias. Ficou chocado quando soube que o tal Zuck monopoliza boa parte das ferramentas de comunicação que usamos: Facebook, Instagram e o  “zapzap”. Meu tio não sabia que os três pertenciam ao mesmo conglomerado. E quando um para, muito de nossas vidas para junto, e nos obriga a buscar meios alternativos, como voltar a telefonar para as pessoas.

“Estamos literalmente nas mãos deste rapaz, então, né?”, falou. Ele assumidamente encorpa parte do meme do tiozão do WhatsApp. É daqueles que gostam de mandar correntes e desejos de bom dia com imagens. Não é muito de ligar. Ficou desapontado quando viu que não tinha disponível uma de suas principais ferramentas de entretenimento. Para ele, um dia basicamente perdido.

Fiquei pensando pelo lado do copo cheio: a sorte de ter o WhatsApp sem funcionar é que, além de voltar a ouvir a sua voz, acabamos nos atualizando sobre a vida um do outro. Além disso, as fake news sobre o não funcionamento do ”zapzap” tampouco foram compartilhadas. Pelo menos não pelo próprio WhatsApp por algumas horas. E, pensando bem, é como se tivéssemos ganhado algumas horas de folga das chuvas de notificações paralelas que nos tentam a fazer várias coisas ao mesmo tempo durante uma videoconferência. E também nos livrou de horas de distrações com fotos super produzidas do Insta e dos textões do Face. Quem sabe um convite a um respiro? Não é para ver o lado bom das coisas? Depois começaram a pipocar timidamente as notificações do Insta e tudo foi normalizando. No dia seguinte, recebi bom dia do meu tio pelo “zap”. E a vida aparentemente voltou ao normal.

Mesmo com o quentinho no coração com a volta das distrações e da chuva de notificações e dos likes que causaram para muitos uma crise de abstinência por terem ficado fora doar, não sei se deveríamos ficar tão despreocupados assim. Ainda continuamos nas mãos do Zuck. Com ou sem pane, isso não mudou.

***LUANA GÉNOT

 lgenot@simaigualdaderacial.com.br

ESTAR BEM

NOVA ARMA CONTRA O CÂNCER

Remédio age com precisão em tumor pulmonar avançado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu o aval para o tratamento de um tipo de câncer de pulmão, que até então era desprovido de qualquer recurso terapêutico. Desenvolvido pela farmacêutica Janssen, o medicamento amivantamabe foi desenhado para um tumor geralmente diagnosticado em estágio avançado ou com metástase – quando já se espalhou para outras partes do corpo.

A nova droga infusional (injetada na veia) age precisamente em um subtipo de tumor, com uma mutação especifica no gene chamado EGFR (receptor do fator de crescimento epidérmico). Ele está entre os mais difíceis de serem tratados. O remédio atua bloqueando diretamente a ação de moléculas alteradas, que funcionam como um “motor” para o crescimento das células tumorais.

Ele conseguiu aumentar em até 55% a sobrevida dos pacientes que já se encontram em fase final da doença. O que significa ganhar quase um ano de tempo, um prazo que na frieza das estatísticas pode parecer pouco mas, para quem vive a realidade de um câncer grave, poucos dias podem ser suficientes para resolver questões essenciais da vida.

“A medicina está ficando muito precisa nos diagnósticos do câncer de pulmão. Damos “nomes e sobrenomes”, identificamos características bem específicas do tumor, para então usarmos um medicamento específico. É o que chamamos de medicina de precisão. Agora podemos escolher o tratamento mais adequado para o paciente baseado em suas características pessoais”,  explica William Nassib William Junior, diretor médico de Oncologia e Hematologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O médico afirma que o câncer de pulmão hoje não é mais visto como único, mas como um conjunto de doenças determinadas pelas características das moléculas que compõem suas células. Por isso, o uso de drogas-alvo – remédios usados na medicina de precisão, como o amivantamabe – é tão importante para o tratamento.

“A terapia-alvo bloqueia especificamente a molécula defeituosa, produzindo impacto contra a célula do câncer com menos efeito colateral. O resultado é mais favorável e bem diferente da quimioterapia, que é uma medicação mais genérica – detalha William Junior.

LETALIDADE ALTA

A chegada do remédio ganha força diante da alta letalidade do câncer pulmonar. Cerca de 25% das mortes ocasionadas por câncer em geral são causadas por tumores no órgão. No Brasil, a doença tirou a vida de mais de 29.300 pessoas só no ano passado, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Uma das razões por trás do número tem a ver com o diagnóstico, geralmente tardio. Quando os sintomas aparecem – como tosse persistente, catarro com sangue e falta de ar – a doença avançou. Não fumar e não ficar próximo de quem fuma é a principal estratégia de prevenção.

O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como raio- x e tomografia computadorizada do tórax. Fumantes e ex-fumantes devem começar a rastrear a doença a partir dos 50 anos.

Cerca de 80% dos casos estão associados ao tabagismo. O cigarro contém substâncias, sobretudo o alcatrão, que alteram o DNA das células pulmonares. Uma recente análise, no entanto, avaliou as causas dos tumores não relacionados ao cigarro. O estudo, recém-publicado na revista científica Nature Genetics, descreve pela primeira vez três subtipos moleculares de câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram.

As descobertas ajudarão a desvendar o mistério de como esse tipo de câncer surge em pessoas sem histórico de tabagismo e podem apontar caminhos para tratamentos clínicos mais precisos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS BEBÊS DA PANDEMIA

Nascida durante as quarentenas, a nova geração, os ‘coronials’, demanda mais atenção

Há cinco anos, quando Benjamin nasceu, mais de 30 pessoas foram conhece-lo nos braços dos pais, na maternidade. Em fevereiro passado, quando Leonardo, Léo, seu irmão, chegou, só as avós e duas tias puderam vê-lo – e em horários diferentes. Em plena pandemia, Leonardo encontrou um mundo muito diferente daquele não só naqueles dias, mas em todos os seus sete meses de vida. Assim como ele, meninas e meninos nasceram em meio a uma realidade jamais vista na História da humanidade, em que um novo vírus se espalhou pelo mundo todo rapidamente. É a chamada geração “coronials”. Com menos visitas, passeios restritos, os pais trabalhando em casa e, eventualmente, o irmão com aula on­line, a mãe dos meninos, a engenheira Carla Maria Maffei Miranda Rosa, 41 anos, relata as diferenças.

“O meu primeiro filho teve muito mais contato com as pessoas. Elas vinham em casa, eu saía todo dia com ele para passear, lá no parque. Só agora que tomei a segunda dose da vacina estou recebendo um ou outro amigo. E fico muito mais em casa. Eu como o Léo não gasta tanta energia, não vê gente nova, fica sempre na mesmice, a parte do sono é bem difícil. A casa fica movimentada o dia inteiro e ele acaba não dormindo”, conta.

O relato da mãe tem explicação científica. Neurocientista e colunista, Roberto Lent afirma que alterações do sono podem ser um dos efeitos dessa nova realidade que impacta as crianças na primeiríssima infância, justo a fase da vida em que o cérebro mais se desenvolve, numa velocidade incrível de um milhão de conexões entre neurônios por segundo.

“Uma criança pequena precisa de estímulos, além da mãe e do círculo familiar próximo. E, quando eles não existem, o ambiente é mais empobrecido, isso interfere no desenvolvimento do cérebro. Ainda não deu tempo de medir exatamente as consequências no desempenho cognitivo nessas crianças, mas faz todo sentido que os efeitos da pandemia impactem”, afirma Lent. No entanto, não há motivos para desespero.

O convívio com mais pessoas ajuda a formar bebês que sabem como elas podem ser diferentes. Como a madrinha,  que ri alto, a amiga que faz careta, o tio que joga o maiorzinho para cima ou aquele avô que não dá muita bola para criança. São personalidades e biotipos diferentes.

“Outras pessoas trazem outros modelos e práticas diferentes de interação. O pai e a mãe têm aquela relação, sempre a mesma, a personalidade de cada componente com quem iria conviver traria elementos desafiadores para esse bebê. É uma limitação, ele foi exposto a menos possibilidades de desenvolvimento. Pode ser que, com três ou quatro anos a gente perceba crianças com menor possibilidade de interação”, afirma Patrícia Manzoli, pedagoga, especialista em desenvolvimento infantil e consultora da CNC Educacional.

O convívio com crianças em creches, nos parquinhos e com os filhos dos amigos dos pais também foi diminuindo e isso não deve ser subestimado, explica Manzoli.

“ Até por volta dos 3 anos é a fase em que a criança se percebe no mundo com seus pares, da mesma, pessoas da mesma idade. Ela aprende vendo o outro. É diferente olhar para um adulto infinitamente maior que ela, andando do que para um coleguinha que dá os primeiros passos. Ela se identifica com alguém parecido, vencendo as mesmas barreiras.

O IMPACTO DAS MÁSCARAS

Por isso, Manzoli teme que prevaleça a percepção atual de alguns pais de que não é mais preciso levar os filhos de menos de 4 anos (idade obrigatória) à escola. Porque, por mais bem intencionados que sejam, nem sempre eles conseguem estimular os pequenos como   os educadores, que têm técnicas para ativar a fala, reconhecer as cores, etc.

A educadora conta que já percebe que os “coronials” têm mais sensibilidade a barulhos externos. Mesmo a máscara, o acessório essencial no mundo atual, por mais comum que seja, não ajuda criaturinhas que estão aprendendo a decifrar expressões faciais. Ela mesma   percebeu o impacto quando, ao chegar de máscara a uma sala com crianças de um a dois anos , algumas demonstraram medo. Ao se afastar, abaixar a máscara e exibir o sorriso, elas pararam de chorar:

“Elas não conseguem ler e interpretar o que estava acontecendo no ambiente. A expressão que mais diz algo para a criança ainda é o sorriso.

Os brasileiros, conhecidos como um povo caloroso, foram obrigados a reduzir o contato físico e manter distanciamento mesmo de pessoas queridas. É difícil dizer que vamos voltar a falar tão perto, encostar uns nos outros com frequência, cumprimentar todo mundo com beijinhos e abraços. Mas, talvez, para essa geração, essa proximidade toda não seja tão natural como já foi um dia para os adultos.

Boa parte desses pequenos não sabe o que é comemorar um aniversário de verdade. O Natal foi esvaziado. Carnaval, então, nem se fala. São rituais sociais perdidos. Para a educadora, a percepção disso tudo vai ser com mais estranhamento, e talvez gere uma inibição social maior.

DESAFIOS EM CASA

A presença dos pais mais tempo em casa, diferentemente do que se esperava no início, não se reverteu, necessariamente, em mais tempo com os filhos. Quem pode trabalhar no esquema home office viu o trabalho invadir o lar, antes um espaço de aconchego. Além da falta de tempo, paciência e exclusividade, os pequenos observaram a família consumida pelo medo da doença, pela dor do luto e pelas preocupações com o desemprego e a crise econômica.

“As práticas parentais pioraram, porque os pais tinham que monitorar as crianças mesmo trabalhando. Elas certamente visualizaram mais discussões e medo. A criança pode não ter compreensão do assunto, mas tem percepção do sentimento da casa”, afirma Manzoli.

Pesquisa da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, referência em primeira infância, revelou que, ao serem questionadas se tiveram oportunidade de ficar com as crianças sem ter que trabalhar por quatro meses, apenas 34% das mães de classe D responderam que sim. É um preço alto cobrado pelo trabalho informal. Mas mesmo as mães de classes altas, A e B, só 49% conseguiram usufruir de uma licença maternidade.

Sem licença, creche, avós, vizinhas ou funcionárias, a televisão tornou-se o braço direito de muitas famílias na pandemia. A Sociedade Brasileira e Pediatria recomenda, até os dois anos de idade, que as crianças fiquem afastadas das telas. Meta que poucas conseguiram alcançar. Mas, segundo especialistas, o sucesso de TV e celular já provoca confusão no diagnóstico de certas crianças sobre pertencer ou não ao espectro autista.

“A exposição às telas preocupa. Não há a interação, a troca fundamental para o desenvolvimento. Quando a criança emite um som, uma pessoa responde, alguém fala, ela faz um gesto, com a TV ou celular não há esse bate-bola. Além disso, há um excesso de estímulos”, explica a psicóloga Elisa Altafim, especialista da área de Parentalidade da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Se o impacto da pandemia sobre os “coronials” é provável, a boa notícia é que existe a plasticidade cerebral. Assim, com um bom estímulo, o retorno gradual das atividades das escolas e do convívio social, o cérebro é capaz de se readequar.

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