OUTROS OLHARES

OI, AMIGUES, OI, TODES

Ideia de língua neutra, com novas palavras como ‘elu’; ‘ile’ e ‘amigues’; extrapola ativismo e avança pela cultura pop

“Olha aqui, vocês são amigues dele?”, pergunta a atriz Elizabeth Savalla a um grupo de drag queens que convivem com Marcos Caruso na novela “Pega”, de 2017, reexibida agora pela TV Globo, depois de socorrer o amigo de um tombo e o levar à boate gay em Copacabana da qual ele é dono.

Savalla hesita antes de fazer a pergunta, interpretando um tom de estranhamento que serve para pontuar que não sabe se está usando bem a linguagem neutra, uma variação linguística que não faz parte do dia a dia de sua personagem, Arlete, uma mulher cisgênero heterossexual na faixa dos 50 anos.

Nas rua, é raro ouvir na boca do povo “amigues” e qualquer outro substantivo ou adjetivo neutros para representar pessoas não-binárias, ou seja, que não se identificam com o gênero masculino nem com o feminino. Mais raro ainda é ouvir pronomes neutros como “ile”, “dile” ou “elu” e “delu”.

Mas a cena protagonizada por Savalla, que se repete algumas vezes ao longo do folhetim, evidencia um ponto de partida na indústria do entretenimento que agora vai se consolidando. Se antes o uso do gênero neutro era restrito às redes sociais, principalmente entre ativistas transgênero, ao longo dos últimos anos ele vem se espalhando pelos pilares da cultura pop.

Da mesma forma que ´Pega”, seriados , documentários e livros já adotam a variação linguística , seja por pura e simples vontade de dar voz a quem nunca se sentiu representado na mídia, seja porque quem lacra também lucra. Ou – por que não? – pelos dois motivos.

“Cara e Coragem”, que está sendo escrita por Claudia Souto, a mesma autora de “Pega”, adotará a linguagem neutra em algumas cenas. Com estreia marcada para maio do ano que vem, , a novela abordará o universo dos dublês.

Ainda não se sabe em qual situação tal variação deve aparecer, já que o folhetim ainda não teve sua premissa revelada , mas Souto adianta que estará na boca de “personagens que representam a fatia da sociedade que já se comunica assim naturalmente”, como em “Pega Pega”.

“As novelas são crônicas de sua época. Ao abordar temas referentes à comunidade LGBTQIA+, é natural que o gênero neutro seja incorporado pelos personagens. Em “Pega Pega”, o próprio elenco propunha o uso em algumas situações e, em outras, partia do roteiro”.

A roteirista reconhece que o uso do gênero neutro está restrito a uma pequena faixa da sociedade não reflete o dia a dia do público heterogêneo que acompanha as novelas da Globo. São pessoas que podem nem notar que um ator ou uma atriz como Savalla, usou “a” ou “o” nos substantivos ou nos adjetivos.

A situação pode ser diferente com os pronomes. Com sonoridade bastante diferente das formas tradicionais,  “ile” e “dile” ou “elu” e “delu” não devem passar despercebidos aos ouvidos do público. Souto, porém, não acredita que o estranhamento seja um problema.

“O público de novelas é apresentado todo dia a novas gírias, sotaques e palavras. Não é diferente com o gênero neutro. Logo se darão conta de que é uma nova forma de expressão. Acho relevante que seja  mostrada numa obra de tanto alcance.”

Embora de maneira tímida, emissoras de TV fechada e plataformas de streaming também vêm experimentando usar o gênero neutro.

Entre os destaques dessa onda estão “Todos Nós”, série brasileira da HBO que explora as letras e os estereótipos da comunidade LGBTQIA+, e “Love Goes”, da Netflix, em que Sam Smith, que se identifica como pessoa não binária, mostra as gravações de seu terceiro álbum dentro do Abbey Road Studios, em Londres.

Há ainda a série “Sex Education”, também da Netflix, sobre adolescentes cheios de hormônios e sem muita experiência que aprendem a lidar com gênero e sexualidade por meio de um colega de classe., Otis, que é filho de uma terapeuta sexual e oferece consultorias às escondidas dentro da própria escola.

Na terceira temporada da série, que estreou em setembro, há duas personagens não binárias, Cal e Layla, papeis de Dua Saleh e Robyn Holdaway, que também se identificam como pessoas não binárias e fazem sua estreia na produção.  

Numa cena, Layla pede desculpas a Cal por não lutar pelo respeito à não binaridade na escola. Legendada, Cal responde que “está tudo bem, você ainda não estava pronte”, enquanto dublada, diz apenas que “está tranquilo, você vai falar quando chegar a sua hora”.

Em português, as desinências neutras parecem ser usadas nas versões dubladas só quando não há outra opção, como quando Cal se apresenta para o colégio e diz que seu pronome não é “ela”, mas “ile”, que é usado para marcar a neutralidade, da mesma forma que “elu”.

Em inglês, o pronome que Cal usa é o “they”, adotado por estrelas como Smith, Demi Lovato e Janelle Monáe, que também se identificam como pessoas não binárias . O pronome foi eleito a palavra do ano pelo dicionário Merriam Webster em 2019, quando sua busca em plataformas como o Google, , o Yahoo e o Bing subiu 313%.

A Netflix não dá detalhes sobre os bastidores de suas decisões, mas parece não haver uma regra clara. Mesmo nas legendas ,há cenas em que o gênero neutro não é adotado, como quando um garoto diz a Cal “You’re Beaultiful” e a legenda é traduzida como “Você é uma lindeza” em vez de “Você é linde.”

Parece ainda que o escritório da Netflix em cada país adota uma regra própria. Em francês, Cal diz tanto na legenda quanto na dublagem , que seu pronome é “iel” –  uma mistura de “il” e “elle”, ou “ele” e “ela”. Já em italiano, diz que “prefere pronomes neutros”, sem especificar quais, embora integrantes da comunidade LGBTQIA+ na Itália usem “loro”, o equivalente a “they”  em inglês como pronome neutro.

A estratégia de evitar a desinência de gênero , mesmo se distanciando do original, costumava ser adotada em livros quando personagens não binárias tinham pouca presença. Conforme personagens que se identificam como não binárias ganham protagonismo, porém, “não dá mais para fugir”, diz Paula Drumond, editora da Globo Alt, o selo de livros juvenis da Globo, com passagem pela Rocco Jovens Leitores. “Trabalhar com gênero neutro em traduções é muito desafiador, porque o Português é todo baseado em gênero”, diz a editora, para quem este é um problema até nas páginas de agradecimento, quando os autores citam nomes que não denotam gênero, que acaba demarcado na tradução para que haja concordância.

Segundo Drumond, a variação linguística é só mais uma entre as muitas que ocorreram ao longo da história e foram absorvidas pelos livros. Por isso, em sua avaliação, não se deve lutar contra ela.

A editora dá como exemplo o banimento da ênclise – o uso do pronome depois do verbo – em situações em que é obrigatória pela norma padrão , como no início de períodos. Ela já foi abolida por completo em algumas editoras e por distribuidoras ao titular em filmes, como em “Me Chame pelo Seu Nome.”  

Outro exemplo é a mistura da segunda com a terceira pessoa do singular em diálogos em que se busca naturalidade., repetindo o uso de “tu” concomitante ao “você” comum na língua oral no Brasil.

O último trabalho de Drumond com o gênero neutro é “Cool for the Summer; Um Verão Inesquecível”, um romance juvenil que chegou às livrarias em outubro. Na história, há Taylor, que se identifica como pessoa não binária. Mesmo que Taylor apareça poucas vezes, a editora decidiu usar o pronome neutro, já que, em inglês, a autora usou “they” . O desafio foi decidir entre “elu” e “ile”.

“A língua serve à sociedade, não o contrário. Se existe uma demanda pelo gênero neutro, a gente tem que aprender a usar. O que me preocupa é que, por não estar normatizado, não tem um padrão. ‘Elu’ é o que mais está se falando agora, mas também tem o ‘ile’. A gente não sabe se vai ficar datado ou até errado daqui a alguns anos”.

Drumond lembra que, no passado, a neutralidade era alcançada pelo “X”, “@” e “_“, que caíram em desuso por não serem possíveis de pronunciar e confundirem softwares de leitura usados pelas pessoas com deficiência visual.

A dificuldade de Drumond foi a mesma encontrada pela Galera, o selo juvenil do Grupo Record, ao traduzir “Os Garotos do Cemitério”. O livro é protagonizado por Yadriel, um jovem que enfrenta preconceito até entre a comunidade de bruxas da qual quer fazer parte, já que, supostamente, a morte não aceitaria sua identidade transgênero.

Diferentemente do seu personagem, que se torna homem, Aiden Thomas , que escreveu o livro, não se identifica com o gênero masculino nem com o feminino. Por isso, decidiu usar o gênero neutro em suas descrições, ainda que nos diálogos isso não apareça, já que não há personagens não binárias.

A estrutura do Português, porém, impôs dificuldades para construir, na tradução, frases completamente neutras. Foi então que a editora escolheu uma mescla de linguagem tradicional com não binária e decidiu usar construções como “os bruxes” e “aqueles menines”.

“A gente está testando as águas. Quando você  lê “bruxes”, já há um estranhamento. Se colocássemos “de bruxes”, talvez  criássemos uma resistência muito mais pesada entre leitores, o que prejudicaria o desempenho do livro. Enquanto leitor, eu adoraria , porque é o que mais faz sentido, mas por ora precisamos dar um passo menor”, diz Arthur Ramos, o tradutor que, como Yadriel, é um homem trans.

“Se os Ieitores ainda não estão familiarizados com a linguagem não binária, meu livro e qualquer obra que utilize esta linguagem são uma maneira de elkes se educarem”, acrescentas Thomas . “Há muitas pessoas que podem ser feridas, intencionalmente ou não, pela linguagem binária, porque ela não permite que tais indivíduos se expressem eestaleleçam relações”.

Segundo Ramos, “o pronome neutro tem um peso político”. “Ou a gente vai desrespeitar o texto original, usando pronomes binários, ou a gente vai levantar uma bandeira política em defesa de pessoas trans”.

A política de fato já se debruça sobre o assunto. O presidente Jair Bolsonaro considera a adoção da língua não binária um “aparelhamento na educação”, e seu secretário especial da Cultura, Mário Frias, promemeteu fazer de tudo que puder para impedir a vandalização da nossa  cultura” quando o Museu da Língua Portuguesa escreveu “todes” em uma publicação em redes sociais.

À época, o museu paulistano reagiu às críticas . “Estamos sempre na perspectiva de valorizar os falares do cotidiano e observar como eles se relacionam com aspectos socioculturais, sem a pretensão de atuar como instância normatizadora”, afirmou a instituição, em nota.

Toda essa discussão também já chegou à sede do Congresso Nacional. Um projeto de lei , de autoria do deputado Junio Amaral, do PSL de Minas Gerais, tenta proibir instituições de ensino , além das bancas de vestibulares, e concursos públicos, de usarem a linguagem não binária , que ele considera um “enviesamento político-ideológico”.

Nos estados, ao menos 14 assembleias legislativas também tentam proibir, em âmbito estadual, essa variação linguística. No Rio de Janeiro, a iniciativa é liderada por um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, do partido Republicanos.

Em Santa Catarina, é o próprio governador, Carlos Moisés, do PSL, que defende a proibição, tendo publicado em junho um decreto que faz valer sua vontade. O PT recorreu no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar o decreto que será analisado por Kássio Nunes Marques, ministro aliado de Bolsonaro.

De acordo com linguistas, o uso da linguagem não binária pela indústria de entretenimento, ao lado da abordagem do assunto em veículos de imprensa e programas de auditório faz com que ela possa cair na boca do povo, embora de maneira lenta, como é comum com outras mudanças na língua corrente.

Iran Mello, professor da Universidade federal Rural de Pernambuco, produz uma cartografia sobre o uso do gênero neutro no Brasil. Sua pesquisa consiste em mapear a utilização de neutralidade nas redes sociais, na imprensa e na cultura de acordo com a regionalidade e o grupo etário dos falantes. Ele diz que a variação pode ser comparada a neologismos que vêm da internet, como “favoritar” e “tuitar”.

“A dona Maria, uma dona de casa de 80 anos, talvez não conheça a linguagem da internet, mas vai ser apresentada a ela porque o telejornal a que ela assiste no almoço pede o envio de mensagens com determinada hashtag. Só não chega à população aquilo que é morto de propósito, como tentam fazer com a linguagem neutra”.

Mello divide esta variação linguística em três camadas. A primeira, que considera completamente inteligível, trata da escolha da palavra como “pessoal”, “povo”, e “crianças” para se referir tanto a pessoas binárias como não binárias.

A segunda, que considera mais disrupta, mas ainda inteligível, é a do uso do “e” em substantivos e adjetivos. Há, por fim, a terceira, a menos inteligível à primeira vista, onde entram “@”, “X”, “_” e os pronomes “ile” e “elu”, além de supressões de vogais, como ocorre em “obg”, uma alternativa a “obrigado”.

“Em seis meses de pesquisa, notei que a segunda camada é a que está sendo mais usada, inclusive por produções  culturais e pessoas binárias. A gente não se acomoda, mas avança em relação às transformações, enquanto a terceira camada, do “ile”, do “elu”, pode não ganhar reconhecimento e adesão por ser disruptiva demais”, afirma.

Professora da Universidade Federal do Sergipe e vice-presidente da Associação Brasileira de Linguística, Raquel Freitas reconhece a necessidade de uma forma inclusiva em relação à pessoas não binárias, mas é crítica à neutralização do gênero, ou seja, a troca do “o” pelo “e” como genérico , porque isso apagaria o gênero feminino.

Freitas acredita ainda que a mudança pode esbarrar na dificuldade encontrada para a construção de frases inteiramente neutras que não usem só substantivos ou adjetivos, mas também pronomes e artigos.

“Não tem como prever o que vai acontecer na língua, porque ela é sensível à dinâmica social, mas a linguagem não binária, está rompendo a bolha do círculo onde foi criada”, afirma a professora.

“Uma forma linguística emerge para atender demandas comunicativas de um grupo e, quando ganha aceitação, entre os outros grupos, está em vias de regularização. Mas nada na língua é rápido. São décadas e décadas para uma mudança como esta vingar”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 10 DE NOVEMBRO

ESCUTE BONS CONSELHOS ANTES DE AGIR

Os planos mediante os conselhos têm bom êxito; faze a guerra com prudência (Provérbios 20.18).

Um ditado popular diz que, se os conselhos fossem bons, não seriam dados, mas vendidos. Conselhos desastrosos podem levar uma pessoa à morte. Jonadabe, sobrinho do rei Davi, deu um conselho perverso a Amnom. Como resultado, houve estupro, assassinato e conspiração na casa do rei. O rei Roboão deixou de ouvir os conselhos sábios dos anciãos e seguiu o conselho tolo dos jovens de sua nação. Como resultado, seu reino foi dividido, e o povo amargou as dolorosas consequências dessa decisão insensata. Porém, há conselhos que podem nos colocar nas veredas da vida. A Bíblia diz que na multidão de conselhos há sabedoria e que os planos apoiados em conselhos têm bom êxito. Procure bons conselhos, e você alcançará sucesso em suas decisões. Não é sábio entrar na batalha sem antes fazer planos e buscar orientação. Não é prudente tomar importantes decisões na vida sem escutar pessoas mais experientes. Jovens sábios escutam seus pais. Pastores sábios escutam pastores mais experimentados na lida ministerial. Homens de negócio escutam empresários mais vividos. Quem age sem refletir e quem tapa os ouvidos aos bons conselhos coleciona fracassos e colhe derrotas.

GESTÃO E CARREIRA

ENTREVISTAS DE EMPREGO – 7 DICAS DE OURO

Não existe fórmula para passar numa entrevista de emprego. Mas há padrões que se repetem em quase todas, e é possível estar preparado para eles – vai fazer diferença. Veja aqui as dicas mais importantes para fazer bonito diante dos recrutadores.

Existem basicamente dois tipos de perguntas nas entrevistas: as tradicionais e as comportamentais. As comportamentais estão mais em voga hoje. São questões que buscam identificar não exatamente o que você sabe, mas a sua capacidade de aprender –  já que sem isso ninguém se adapta decentemente a qualquer empresa. Para verificar como será o seu comportamento no eventual futuro dentro da nova companhia, o entrevistador pergunta sobre o seu passado. Na linha: “Me fale sobre alguma vez em que você trabalhou sob pressão extrema, e quais foram os resultados”. Ou: “Me conte sobre uma vez em que você teve de lidar com um conflito no trabalho”. E ainda: “Você já reconheceu que tomou uma decisão errada? O que você fez depois disso?”

A melhor forma de estar preparado para esse tipo de pergunta é escrever uma pequena biografia profissional, deixando claro, de antemão, qual era a situação e qual foi o resultado (veja mais no item 1). A ascensão das perguntas comportamentais, porém, não tirou as tradicionais da jogada. É extremamente provável que lhe perguntem “onde você se vê daqui a cinco anos” ou” porque você quer trabalhar aqui”. Nos próximos tópicos, vamos ver as melhores formas de lidar com essas questões, entre outras dicas para fazer bonito numa entrevista. Leia com carinho, e boa sorte!

DICA 1 – A LIÇÃO DE CASA

USE O “MÉTODO STAR”

“STAR” é a sigla em inglês para “Situação, Tarefa, Ação, Resultado”. Esse método é fundamental para as perguntas comportamentais, do tipo “me dê um exemplo de uma vez em que você soube ser flexível”. Lembre-se de situações que viveu na carreira (ou nos estudos, ou num trabalho voluntário, caso você esteja buscando uma vaga de estágio). Então escreva tudo e releia sempre para não esquecer dos detalhes. Sempre neste esquema:

SITUAÇÃO: Descreva um problema que precisava de solução, um projeto, um desafio qualquer.

TAREFA: especifique quais tarefas eram necessárias para acabar com o problema.

AÇÃO: Deixe clara qual foi a sua contribuição efetiva. Essa é a parte mais importante.

RESULTADO: Corte de custos, boost no faturamento, aprendizado, reconhecimento. Mostre o que a empresa (ou você) ganhou com o ocorrido. Final feliz aqui é mais importante do que em conto de fadas.

Agora, veja um exemplo de resposta, com base na pergunta “Você já fez algo que ia além das suas responsabilidades do dia a dia? Se sim, conte como foi”.

SITUAÇÃO: Eu trabalhava como gerente de um petshop. Nossas vendas iam mal

TAREFA: Precisava trazer mais clientes.

AÇÃO: Montei uma página sobre filhotes no Instagram, intercalando posts sobre pets com conteúdo promocional.

RESULTADO: o perfil da loja ganhou 20 mil seguidores em três meses. O petshop ficou mais conhecido. O movimento aumentou, e nosso faturamento passou a crescer numa média de 5% ao mês.

PRATIQUE O AUTOCONHECIMENTO

É comum o recrutador começar o papo pedindo para você falar de si mesmo. “Os entrevistadores querem conhecer seus hábitos, sua estrutura familiar”, explica Guilherme Filgueiras, gerente executivo da Michael Page, uma consultoria multinacional de RH. “As empresas estão cada vez mais preocupadas com uma sinergia de valores entre elas e seus profissionais.” Então reflita sobre quem você é e anote as conclusões. Estruture um discurso sobre sua vida, seus sonhos, seus hobbies… E busque relacionar seu perfil ao cargo em aberto.

USE O ESPELHO

“You talkin’ to me? You talkin’ to me?”. Sim, faça como Robert De Niro em Taxi Driver, fale consigo mesmo. Treine suas falas. Pense nas perguntas padrão (veja na dica número 4) e ouça suas próprias respostas. Melhore-as, encurte-as, busque falar com desenvoltura. Quanto mais tiver seu discurso decorado, menos nervoso você vai ficar na hora H.

PESQUISE SOBRE A EMPRESA

Use o Google, procure algum amigo de um amigo que já tenha trabalhado lá…Levante todas as informações possíveis. Mencionar algo da história ou dos números da empresa é um sinal de que você realmente está interessado.

PESQUISE SOBRE A VAGA

Tente descobrir detalhes sobre a vaga. Além de proporcionar mais segurança sobre o trabalho que você vai fazer, essas informações lhe darão embasamento para perguntas pertinentes sobre o cargo (mais sobre isso na dica 3).

DICA 2 – O OLHAR, A VOZ, A ROUPA

PRESTE ATENÇÃO AO SEU CORPO

Olhe nos olhos do entrevistador (olhar para baixo demonstra timidez; para as paredes, indecisão ou impaciência).Tenha uma postura ereta na cadeira. Evite ficar de braços cruzados (sinaliza falta de confiança) e mexendo as pernas (intranquilidade).

NUNCA INTERROMPA O RECRUTADOR

Se o entrevistador ficar cortando suas falas, é mau sinal – quer dizer que você está falando demais. Mas você não tem esse direito. Como já disse certa vez o especialista em carreira e gestão Max Gehringer: “Não é que chefe não gosta de ser interrompido. Chefe odeia”.

VISTA-SE COMO A EMPRESA SE VESTE

Homens não devem ir de terno e gravata se o lugar for uma startup descolada. Mulheres devem evitar joias ou vestido de festa. Ah, se a entrevista for on­line, não descuide da parte de baixo. Você pode ter de se levantar.

CALIBRE O TOM DE VOZ

Ficar alterando o tom de voz dá a ideia de nervosismo. Já falar muito baixo indica um excesso de timidez. Muito alto, então, é descontrole – ou indício de que você pode ser um chefe autoritário. Mau negócio.

DICA 3 – AJUSTE O DISCURSO

DÊ ORDEM AO CAOS

Para falar sobre sua experiência profissional, prepare os discursos em ordem cronológica. A organização das suas respostas vai evitar que você vá para a frente e para trás na hora de falar sobre suas realizações profissionais, confundindo (e desinteressando) o recrutador.

FAÇA PERGUNTAS SOBRE A EMPRESA

Você já fez a lição de casa pesquisando sobre a empresa. Mas sempre existem questões cujas respostas não estão na internet. Perguntar sobre seu futuro empregador sinaliza um interesse legítimo.

NÃO PEÇA PRORROGAÇÃO

Quando o recrutador der a entender que a entrevista foi concluída, não tente estender a conversa. Ele já ouviu tudo o que queria saber. No dia seguinte, mande um e-mail ou WhatsApp agradecendo a oportunidade. E só. Não é hora de cobrar uma definição.

DICA 4 – ESTEJA PRONTO PARA AS PERGUNTAS TRADICIONAIS

“POR QUE VOCÊ QUER TRABALHAR AQUI?”

Relacione o seu desejo à história da empresa. “Porque quero fazer parte de uma organização que vem crescendo 15% ao ano.”

“POR QUE DEVEMOS CONTRATAR VOCÊ?”

Responda com um exemplo relacionado ao cargo: “Porque, exercendo atividades similares, consegui resultados expressivos na minha carreira, como…”.

“ONDE VOCÊ SE VÊ DAQUI A CINCO ANOS?”

Essa pergunta serve para o recrutador entender se você tem um projeto de carreira que sirva para a companhia. Dizer que você pretende ser gerente não diz nada. Aprofunde sua resposta. Por exemplo: “Quero ter juntado experiência o bastante para liderar um projeto”.

“QUAL O SEU MAIOR DEFEITO?”

Nada daquele papo-furado de “sou perfeccionista demais”. Citar virtude como defeito é tiro no pé. Mencione uma deficiência e acrescente o que está fazendo para superá-la. Por exemplo: “Tenho dificuldade em falar em público, mas estou fazendo um curso para resolver essa questão”.

“COMO VOCÊ TEM LIDADO COM A PANDEMIA?”

Claro, essa não é uma pergunta tradicional, mas está se tornando comum. O recrutador pode verificar se você buscou autodesenvolvimento e qual foi sua capacidade de adaptação ao período. Fale sobre cursos online, livros, atividades físicas. Se você souber que a empresa adotou home office eterno, deixe claro que você se adaptou lindamente ao trabalho remoto. Se não souber, idem.

DICA 5 – CUIDADO COM OS ERROS MAIS COMUNS

NÃO CUSPA NO PRATO EM QUE COMEU

“Por que vocêsaiu da última empresa?”. Tem gente que acha que está na terapia e é hora de desabafar. Fala mal do antigo empregador e, principalmente, do ex-chefe. E assim deixa claro que, em pouco tempo, estará detonando a empresa nova também.

NÃO CUSPA NO PRATO EM QUE QUER COMER

Mas já?! Pois é. Às vezes o tom informal de uma entrevista parece a permissão para criticar algo da empresa que está oferecendo a vaga: uma norma mais rígida, o dress code, o salário…Achou ruim? Tudo bem, o emprego não será seu

INGLÊS FLUENTE?

De acordo com a consultoria de recrutamento Robert Half, inglês fluente mesmo costuma ser consequência de ter morado no exterior por um bom tempo. Se você lê e escreve qualquer coisa em inglês e sabe ter conversas sociais profissionais no idioma, mas precisa pensar um pouco antes de falar certas palavras, seu nível é “avançado”, não fluente. Se você consegue compreender um texto complexo, mas trava nos diálogos, você é intermediário. Se tem dificuldade para compreender um e-mail, seu nível é o básico. Seja sincero no currículo – e, mais importante, faça o que for necessário para subir de nível, mesmo se não estiver procurando emprego.

TENHA CUIDADO COM O PORTUGUÊS

Dê um google em “erros comuns de português” e os risque da sua conversa. Exemplo: muita gente instruída fala “há 10 anos atrás”. Está errado – é um pleonasmo (“há” e “atrás” significam a mesma coisa). Boa parte dos recrutadores ignora tal regra. Os que não ignoram, porém, vão perceber. E vocêterá marcado um gol contra de bobeira.

DICA 6 – E SE A ENTREVISTA FOR ONLINE?

DEIXE A TECNOLOGIA NOS TRINQUES

Atualmente, é pouco provável que chamem você para uma entrevista presencial, por motivos óbvios. Se não estiver acostumado com a plataforma de videoconferência que a empresa pretende usar, faça um ensaio antes com um familiar ou um amigo. E o básico: garanta uma boa conexão de internet.

ISOLE-SE

Cuidado com o “fator Fábio Porchat” (numa Iive do humorista, sua esposa passou pela câmera de toalha, saindo do banho). Escolha um lugar da casa onde você pode se isolar de fato. Avise todo mundo, para que mantenham crianças e pets distantes e não batam na porta. O avistamento de outra pessoa passará uma imagem de desleixo para o recrutador.

PREPARE O CENÁRIO

Cama desarrumada, guarda-roupa aberto… Nada disso pode aparecer atrás de você. Escolha um fundo neutro, de preferência uma parede lisa. Estante cheia de livros pode ser uma distração para o recrutador – o que não vai ajudar.

CAPRICHE NO ENQUADRAMENTO

Não é para você aparecer num cantinho da tela e a parede dominar 80% da imagem. Teste antes o enquadramento, fique próximo da câmera, o suficiente para que apareçam bem seu rosto e suas mãos gesticulando.

DICA 7 – SEJA VOCÊ MESMO

Você precisa sorrir mesmo se estiver com exaustão psicológica por conta do período sem emprego. Precisa tentar ser espontâneo mesmo se for tímido . Deve falar das suas qualidades mesmo que sua autoestima esteja em baixa. Essas mentiras sinceras interessam na hora da entrevista. Ainda assim, o importante nesse encontro é que você exponha quem você é de verdade. Seja autêntico, deixe que o recrutador tenha uma percepção correta da sua personalidade. “A empresa precisa contratar quem você é como pessoa”, diz Guilherme Filgueiras, da Michael Page. “Se contratar um personagem que você construiu para a entrevista, diferente de quem você é no dia a dia, isso com certeza vai levar a duas frustrações: a da empresa, que contratou a pessoa errada, e a sua, que estará num cargo que não tem a ver com você.”

E se mesmo seguindo todas essas dicas à risca não der certo, tente entender onde você vacilou e resolva as questões. Gaguejou demais? Treine de novo as respostas. Inglês enferrujado? Encontre uma forma de praticar. E parta para a próxima melhor do que você entrou para essa última.

EU ACHO …

QUEM TEM MEDO DA VACINA?

A discussão sobre a hesitação ao imunizante e sobre considerar equivocado chamar de negacionistas todos que o rejeitam

Quem poderia imaginar? Do alto de seus 55 anos, o doutor P., médico experiente, declarou que não iria se vacinar contra a Covid-19. Os colegas de turma, companheiros desde os tempos dos bancos da Faculdade de Medicina, reagiram incrédulos, mesmo indignados.

Mostrando-se bastante receoso com relação às vacinas atuais, P. expunha seus argumentos procurando justificar, de modo mais eloquente possível, e porque decidiu correr os riscos de ‘pegar” a Covid-19 e recusou receber uma das quatro vacinas disponibilizadas no Brasil, oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

A indignação costuma ser mesmo a primeira ação quando nos deparamos com alguém com esse tipo de postura. Logo a racionalidade da discussão se deteriora, na tentativa de descaracterizar e desconstruir as motivações alheias, muitas vezes resultando em agressões verbais e rupturas – que começam, quase sempre, quando o rótulo “negacionismo” é mencionado.

A abordagem dessas discussões tem sido bastante ineficiente, e o emblema vai além do verniz superficial das polarizações atuais.

Usar “negacionismo” genericamente é um erro, pois não permite a distinção entre um amplo espectro de comportamentos, colocando no mesmo lugar verdadeiros negacionistas, criadores de teorias conspiratórias e, por exemplo, pessoas com limitação de informações.

Atualmente, especialistas no assunto preferem definir a atitude com o termo “hesitação às vacinas”, quando observamos atraso ou recusa, mesmo que os imunizantes estejam disponíveis. Desta forma, é possível acomodar separadamente os diferentes comportamentos e tentar encontrar formas de revertê-los.

Resistência ao uso de vacinas não é algo novo. Ao contrário, surgiu desde que Edward Jenner impulsionou o conceito de usar uma parte do germe causador da doença para educar o sistema imune a construir uma resposta protetora, ainda na segunda metade do século 18.

Jenner foi o protagonista de uma das mais extraordinárias descobertas em medicina, por ter sido um médico que desenvolveu seu dom de observação. Além da vacina para varíola, foi um dos primeiros que descreveram as calcificações em coronárias como causa de anginas, as dores do peito que acontecem no infarto ou o precedem – e esclareceu o comportamento dos cucos, pássaros dos arredores de Londres. O uso da vacina da varíola não foi isento de fortes críticas. Muitos não acreditavam nas políticas de vacinação, implementadas por diferentes governos. Afinal, era algo completamente novo: um produto extraído de vesículas encontradas em úberes de vacas, causadas por um vírus muito parecido ao encontrado na própria doença de humanos, conhecido como vírus da varíola bovina.

Vários cartunistas fizeram caricaturas jocosas, com pessoas vacinadas portando chifres, úberes e rabos. Surgiram grupos antivacinas organizados e até mesmo grupos de religiosos clamando que este era um ato anticristão, pois usava em humanos material extraído de animais.

Houve protestos, confrontos e todos os tipos possíveis de antagonismo. Todavia, a varíola era uma doença cruel, que podia levar à morte cerca de 30% dos infectados, não sem antes fazê-los padecer por dias, com o corpo todo coberto de bolhas purulentas, amareladas e dolorosas. Prevaleceu o convencimento, embora, em muitas circunstâncias, a força da imposição tenha sido fundamental.

Foram necessários, ainda assim, quase dois séculos para que a vacinação atingisse níveis amplos de cobertura, suficientes para levar à erradicação da varíola, anunciada pela OMS em março de 1980, fazendo desta a primeira doença a ser erradicada, graças ao alinhamento de políticas públicas em escala global.

A complexa receptividade às vacinas veio novamente à tona com a pandemia de Covid-19 e tem apresentado muita variabilidade nos diferentes países, por diversas razões. Sua aceitação é bastante baixa na Rússia, enquanto atinge níveis altos na China, em Portugal e no Brasil.

O sucesso da cobertura vacinal é um reflexo direto da ”hesitação às vacinas”. Mesmo tendo obtido doses suficientes para toda a população, Israel está apresentando dificuldades em romper a barreira de 67% dos cidadãos vacinados; e os Estados Unidos não conseguem atingir os 65%.

Com o resultado, Israel sofreu mais uma onda de casos, o que levou à adoção da terceira dose da vacina. Os Estados Unidos também voltaram a registrar números altos de mortes pela doença. Entre os óbitos, os não vacinados respondem por 95% do contingente.

No cenário de receptividade às vacinas, o Brasil tem figurado como um bom exemplo para o mundo. A construção de políticas eficientes e responsáveis de vacinação, pelo Programa Nacional de Imunizações, o PNI, tem alcançado o importante feito de proteger seus cidadãos contra múltiplas doenças infectocontagiosas.

Conseguiu-se, com esforço continuado, a ampliação de um programa de vacinas para crianças e adultos que levou à redução da mortalidade infantil e ao controle de muitas doenças transmissíveis.

Entretanto, e apesar de seu reconhecido mérito, o PNI vem sofrendo críticas pela queda nas taxas de vacinação e redução de sua priorização estratégica, contaminada por embates políticos e ataques de movimentos antivacina, emergentes no país.

Foi no Brasil que ocorreu a primeira vacinação em larga escala contra a febre amarela. Doença gravíssima, que chega a matar metade daqueles que desenvolvem sintomas, assolava o Rio de Janeiro no início do século 20. Foi nessa época que surgiu uma vacina promissora, aplicada na população da cidade, levando à diminuição de novos casos e de mortes. Brasileiros também contribuíram enormemente na elaboração de planejamentos e ações para a erradicação da varíola pela vacina, feitos formalmente reconhecidos pela OMS. Também aqui se consolidou a estratégia de vacinação em massa.

As campanhas de imunização contra a poliomielite foram concebidas, em grande parte, no Brasil, e concorreram para a erradicação de dois dos três tipos do vírus causador da doença. O Zé Gotinha, personagem criado em 1986 pelo artista plástico Darlan Rosa e batizado por um aluno do Distrito Federal, a pedido do Ministério da Saúde, foi adotado como o mascote oficial, símbolo do Plano Nacional de Imunizações.

Um estudo realizado pela Fiocruz, com mais de 170 mil pessoas, mostrou que a aceitação de vacinas para Covid-19 continua alta no país, com a hesitação confinada a 10,5% da população, uma das mais baixas do mundo. Os motivos atribuídos para essa hesitação são principalmente dúvidas sobre eficácia, receio de possíveis efeitos colaterais e desconfianças a respeito do país de origem das substâncias.

Esses argumentos foram emitidos majoritariamente por homens, pessoas com filhos, com menor grau de escolaridade, moradores do Centro-Oeste, mais velhos e com salários mais baixos.

Estudos como esse permitem maior identificação e compreensão dos bolsões de hesitação, de forma a tornar as estratégias de convencimento mais exitosas. Resistências, afinal, sempre existirão.

Uma história foi compartilhada por um colega, sobre um encontro familiar restrito a poucas pessoas, em raro momento de socialização permitido pela atual pandemia. Aos convidados foi solicitada a confirmação de que a vacinação contra a Covíd-19 estivesse completa e em tempo hábil para conferir proteção. Aí veio a surpresa: um dos convidados esperados pela família não concordava em receber a dose de reforço com vacina de RNAm, pois ouvira, de uma “fonte segura da internet”, que poderia haver alteração de seu material genético. “Sabe como é, dizem que a doença foi disseminada intencionalmente e tudo foi desenvolvido muito rápido, sabe-se lá o porquê…”, dizia ele.

Depois de muitas tentativas de contrapor a teoria improvável, o convidado agradeceu a disposição pelos esclarecimentos. Ao final, ainda restava a dúvida se as explicações foram suficientes para dissuadi-lo, afim de que procurasse a vacina o quanto antes.

Teorias conspiratórias fazem parte do dia a dia das mídias sociais. Originadas na fantasia mal intencionada de alguns e na limitação de conhecimento técnico de outros, são construídas sobre argumentos não verificáveis e circulares, que dificultam a checagem de sua autenticidade.

Essas teorias são, hoje, um campo de estudos para ciências comportamentais. Muitas vezes parecem associadas, em sua concepção e aceitação, a distúrbios mentais. Outras vezes são atribuídas à notória má fé, sendo propagadas por pessoas interessadas em beneficiar-se da credulidade dos mais vulneráveis.

Tais teorias, uma vez encontrando disseminação ativa na opinião pública, caminho facilitado pelo grande alcance das mídias sociais, têm enorme potencial para causar impactos danosos – inclusive na implementação de políticas de prevenção de doenças transmissíveis, especialmente de vacinas. A queda da confiança nos achados da ciência abre espaço para que se estabeleçam radicalizações irracionais e extremismos de toda sorte.

Cito como exemplo o caso de Andrew Wakefield, médico britânico que publicou, em 1998, artigo na The Lancet, uma das mais prestigiadas revistas médico-científicas do mundo. Nela, descreveu 12 casos de crianças que desenvolveram problemas gastrointestinais e autismo, sugerindo haver relação com a aplicação da vacina tríplice viral, para prevenção de sarampo, caxumba e rubéola.

Embora o trabalho não tenha conseguido de fato estabelecer relação causal precisa com o autismo, Wakefield deu declarações demandando a suspensão do uso da vacina. Vários painéis de especialistas foram convocados no mundo todo, e o assunto ganhou enorme destaque na mídia.

Como consequência, houve queda significativa na cobertura vacinal de crianças, não só da vacina em questão, mas de todas as outras preconizadas. Foi somente em 2005 que um segundo estudo, realizado no Japão, descartou qualquer ligação entre o autismo e a vacina tríplice viral.

O estrago, contudo, já estava feito. Em 2006, vieram a público fatos inidôneos relacionados ao controverso artigo: advogados que representavam os pais de algumas das crianças referidas no texto doaram 55 mil libras para que a pesquisa fosse realizada, além de mais 400 mil libras para que Wakefield os ajudasse no processo contra os produtores da vacina, dados conflitantes que ele não havia revelado.

O processo levou à cassação de sua licença médica no Reino Unido, por fraude. Em 2010, finalmente, a revista The Lancet se retratou pelo artigo, admitindo publicamente que os resultados do estudo não são confiáveis.

Esse é um exemplo de teoria conspiratória fomentada pelo interesse de pessoas que seriam diretamente beneficiadas pela sua criação. Os danos na política de saúde coletiva foram tão profundos que só puderam ser corrigidos muitos anos depois. Elaborou-se na ocasião uma argumentação difícil de ser refutada, com impacto negativo que se estende até dias atuais. Muitos grupos ainda baseiam suas alusões no estudo de Wakefield, considerado um dos principais nomes do movimento negacionista antivacinas.

É um grande desafio conseguir identificar as fontes das teorias conspiratórias para denegrir as vacinas, especialmente em tempos de internet livre e de mídias sociais. Por outro lado, sabe-se que grande parte dessas ideias têm origem em um pequeno grupo de pessoas que atuam deliberadamente com este propósito.

Por exemplo, 65% das menções antivacinas no Twitter e no Facebook com penetração nos Estados Unidos são oriundas de 12 perfis somente. Medidas para cortar o mal pela raiz, incluindo a suspensão dessas contas, têm sido discutidas.

Outra discussão envolve a criação de meios para forçar a vacinação. Desde medidas mais radicais, como a polêmica obrigatoriedade, até formas de condicionar empregos, viagens e outras atividades mais corriqueiras à apresentação de comprovantes de imunização.

Vários países, mesmo os que tradicionalmente valorizam as liberdades individuais, estão progressivamente implementando ações, muitas vezes, antipopulares. Na França, só pode entrar em restaurantes quem apresentar sua carteira comprovando a imunização completa. No Canadá e nos Estados Unidos, funcionários federais podem ser demitidos caso não se vacinem. No Brasil, empregados de algumas empresas privadas que se recusaram a se vacinar foram demitidos e perderam ação em segunda instância na Justiça. Não cabem recursos. Na esfera pública, o mesmo foi decidido pelo STF.

A base para tal entendimento é que se manter suscetível a uma doença transmissível não é uma escolha somente da pessoa, pois pode afetar os demais em seu entorno. Ou seja, a escolha individual de recusar a vacina pode atentar contra a integridade de terceiros e, consequentemente, contra a sociedade. Felizmente, a maioria da população brasileira parece ter entendido seu papel individual e coletivo com relação às vacinas, mantendo alta sua receptividade a elas. Também é atribuição de profissionais de saúde, cientistas e comunicadores da área ajudar a propagar a sua relevância fundamental na prevenção e no controle de doenças infecciosas transmissíveis.

Daí a importância da divulgação de uma ampla base de dados sobre o impacto da vacinação, a fim de que tenhamos argumentos sempre embasados para oferecer a alguém que esteja hesitante sobre vacinar-se. Entender melhor quais as principais fontes e como se propagam falsas notícias e desinformação sobre vacinas e outras políticas públicas de saúde tem sido um grande desafio atual. Quais razões sustentam as altas taxas de hesitação às vacinas em alguns países com recursos para distribuí-las plenamente?

Limitação de conhecimento acessível? Dificuldade de identificação de sítios confiáveis de informação? Polarizações ideológicas conflitantes? Fobia de agulha? Falta de coragem? Ou negacionismo verdadeiro? Para cada um desses exemplos, a abordagem e os argumentos devem ser diferentes.

Retomando o caso com que iniciei este texto, o debate ficou de fato acalorado. Vários levantavam razões para estimular o doutor P. a vacinar-se. Por enquanto, tudo em vão. Ele prefere esperar mais “evidências”.

Alguns conhecidos do Facebook o convenceram de que não vale a pena arriscar a sorte com vacinas que foram produzidas “sabe-se lá onde” e disponibilizadas rapidamente “sabe-se lá por que”.

Quem sabe em 2023? Mas seus colegas de turma não pretendem desistir tão cedo. Uma questão foi colocada e reaqueceu ainda mais a discussão: se a varíola tivesse surgido na era da internet, das mídias sociais e das fake news, teríamos sido capazes de erradicá-la?

As novas mídias modificaram a velocidade como são disseminadas as notícias falsas, mas também a agilidade com que podemos compartilhar informações em grande escala.

Encontrar os melhores instrumentos para informar a população e reacender a confiança na ciência por trás das vacinas, e seu impacto benéfico na humanidade, será sempre uma missão dos cientistas em interlocução com os que atuam a favor de divulgar seus resultados de forma correta e com responsabilidade.

E, com as novas tecnologias, recentemente empregadas durante a pandemia de Covid-19, o número de novas vacinas contra germes transmissíveis está sendo multiplicado a rapidamente. Novos desafios pedem  novas estratégias.

*** ESPER KALLÁS – Médico infectologista, e professor titular do departamento de moléstias infecciosas e parasitárias da Faculdade de Medicina da USP e pesquisador na mesma universidade.

ESTAR BEM

PROTEÍNAS DO SANGUE PODEM INDICAR O MELHOR TIPO DE EXERCÍCIO

Estudo conduzido nos EUA identificou por que as pessoas respondem de maneira diferente à mesma atividade física

Se todos nós começarmos a mesma rotina de exercícios amanhã, alguns de nós emagrecerão muito mais, outros ficarão mais em forma e poucos de nós podem na verdade perder a forma em que estavam. Respostas individuais ao exercício físico podem variar muito e, até então, de forma imprevisível. Mas um novo estudo fascinante com mais de 6650 homens e mulheres sugere que os níveis de certas proteínas em nosso sangue podem prever se, e como responderemos a diversos regimes de atividades físicas.

O estudo precisa ser replicado e expandido, mas representa um começo significativo para um exame de sangue ser capaz de indicar os melhores tipos de exercícios para cada um de nós, e se podemos esperar ter mais ou menos benefícios com a mesma atividade praticada por nosso companheiro, filhos ou outros parceiros ou rivais de treino.

A resposta ao exercício físico é um tópico que provavelmente deveria ser discutido com mais frequência e de forma mais aberta de como ocorre hoje. Nós sabemos que a prática de atividade física é maravilhosa para nossa saúde. Incontáveis estudos mostram que, em comparação com pessoas sedentárias, aquelas que se exercitam tendem a viver por mais tempo, de forma mais feliz e com menos riscos para muitas doenças.

Mas essas descobertas referem-se a médias gerais. Analise os dados do estudo de perto e você poderá encontrar uma gama estonteante de reações, desde ganhos descomunais de saúde e condicionamento físico em algumas pessoas até a nenhuma diferença em outras. O mesmo se aplica às respostas aos programas de perda de peso.

Infelizmente, pouco sobre nossos corpos e estilos de vida atualmente prevê como iremos responder aos exercícios, incluindo a nossa genética. Gêmeos idênticos, com DNA idêntico, podem reagir de forma diferente aos exercícios, mostram estudos, assim como pessoas que são igualmente magras, obesas ou apresentam boa forma aeróbica no início de um novo programa de exercícios. Algumas, por razões misteriosas, acabam mais em forma e mais saudáveis que outras depois dos exercícios.

Esses enigmas intrigaram pesquisadores da Universidade de Harvard, do Centro Médico Beth Israel Deaconess e de outras instituições. Os cientistas já se interessavam há muito tempo em como os exercícios alteram o ambiente molecular dentro do corpo, assim como essas mudanças influenciam a saúde, e o quão diversas essas alterações podem ser.

Agora, para o novo estudo, que foi publicado na revista Nature Metabolism, eles decidiram ver se certas moléculas no sangue das pessoas podem ser relacionadas a como as suas fisiologias reagem aos exercícios. Para isso, eles se voltaram primeiro para o importante conjunto de dados produzido durante o estudo de larga escala Heritage, que investigou exercícios e saúde para pais e seus filhos adultos. O estudo Heritage incluiu testes laboratoriais precisos da aptidão aeróbica dos participantes, bem como coletas de sangue, seguidos por 20 semanas de exercícios aeróbicos moderados, e  mais testes.

Os pesquisadores analisaram dados de 654 homens e mulheres que participaram do estudo, cobrindo uma variedade de idades e etnias, e começaram a observar em detalhes o sangue dessas pessoas. Eles focaram nas variedades de moléculas de proteína grandes e complexas criadas em tecidos de todo o corpo que, quando liberadas na corrente sanguínea, fluem e dão início a processos biológicos em outros lugares, afetando o funcionamento de nossos corpos.

Utilizando ferramentas moleculares de última geração, os cientistas começaram a enumerar os números e os tipos de milhares de proteínas em cada uma das correntes sanguíneas das 654 pessoas. Em seguida, tabularam esses números com os dados sobre a aptidão aeróbica de todos antes e depois dos cinco meses de exercícios físicos.

VIDAS CURTAS OU LONGAS

E então padrões claros surgiram. Os níveis de 147 proteínas foram fortemente associados à aptidão básica física das pessoas, descobriram os pesquisadores. Se alguns desses números de proteínas fossem altos e outros baixos, os perfis moleculares resultantes indicavam o quão em forma alguém estava.

Ainda mais intrigante, um conjunto separado de 102 proteínas tenderam a prever a resposta física das pessoas aos exercícios. Níveis mais altos e mais baixos dessas moléculas – poucas das quais se sobrepuseram às proteínas relacionadas à aptidão básica das pessoas – profetizaram até que ponto a capacidade aeróbica de alguém aumentaria, se é que aumentaria, com o exercício.

Por fim, como a aptidão aeróbica é ligada de forma tão forte à longevidade, os cientistas compararam os níveis das várias proteínas relacionadas à aptidão física no sangue de pessoas em um estudo de saúde separado que incluiu registros de mortalidade. Assim, descobriram que as assinaturas das proteínas implicando respostas de aptidão física mais baixas ou mais altas significaram vidas mais curtas ou mais longas.

Como um todo, os novos resultados do estudo sugerem que “ferramentas de perfil molecular podem ajudar a adaptar” planos de exercícios, disse o professor da Escola de Medicina da Universidade de Harvard e chefe de medicina cardiovascular do Centro Médico Beth Israel Deaconess, Robert Gerszten. Junto ao autor principal, o médico Jeremy Robbins, e outros pesquisadores, Gerszten foi um dos responsáveis pelo estudo. Alguém cuja assinatura de proteína na corrente sanguínea sugira que ele ou ela pode ganhar  pouco condicionamento físico com uma caminhada normal moderada, andar de bicicleta ou uma rotina de natação, por exemplo, pode ser levado para exercícios de alta intensidade ou treinamento de resistência, explica Gerszten.

No entanto, essa área de pesquisa ainda está em sua infância, destacam Gerszten e Robbins. Cientistas precisarão estudar um número muito maior de pessoas, com disparidades muito mais amplas de saúde, forma física, idade e estilo de vida, para determinar quais proteínas são mais importantes para prever a resposta de um indivíduo ao exercício.

Os pesquisadores também esperam voltar e descobrir de onde essasmoléculas se originaram, para entender melhor como os exercícios alteram nossos corpos e moldam nossa saúde. “Espere resultados adicionais e mais refinados dentro de alguns anos”, disse Getszten.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FAXINA FAZ BEM À SAÚDE MENTAL

Arrumar a própria casa pode manter a mente saudável, mostram novos estudos

Uma casa suja e bagunçada dificulta a vida. Não só pelo documento perdido ou a falta de um prato limpo, mas também porque afeta a saúde mental. Pesquisas e especialistas indicam que viver num lugar que parece ter recebido uma visita do Saci é fonte de estresse e ansiedade.

Não à toa, a rainha da organização, Marie Kondo, estreou no Netflix a segunda temporada de enorme sucesso do seu programa. As chamadas “personal organizers” vêm se proliferando e o setor de limpeza foi um dos poucos a crescer na pandemia. Se antes era possível bater a porta e deixar tudo para depois, como as pessoas passaram a ficar mais em casa, se tornou mais difícil suportar o caos.

Estudo da Universidade da Califórnia publicado no Jornal de Personalidade e Psicologia Social com casais com filhos mostra que as mulheres que afirmam ter uma casa suja e bagunçada têm níveis aumentados de cortisol, o hormônio do estresse. Nos que não percebiam a desordem, grupo que inclui a maioria dos homens, os níveis do hormônio caíam ao longo do dia.

Uma outra pesquisa, da Universidade de New South Wales, na Austrália, que saiu na publicação científica Ambiente e Comportamento indica que cozinhas desorganizadas e com coisas para limpar levaram as pessoas a se descontrolarem com a comida – passaram a comer mais.

“Uma casa desorganizada desencadeia estresse porque há uma grande quantidade de informações e coisas a fazer. Uma pessoa que é muito caótica acaba sendo mais ansiosa. E mesmo que esse estresse seja sutil, com o tempo ele desencadeia alguns sintomas físicos e emocionais”, explica a psicóloga Marilene Kehdi.

A produtora de eventos Adriana Serrano, 50 anos, precisou abrir mão da faxineira que ia semanalmente à sua casa durante a pandemia. Ao assumir o trabalho, descobriu nele uma forma de se tranquilizar.

“O visual, a coisa limpa e clean sempre me acalmou muito. Durante a pandemia, aumentei meu nível de organização e limpeza, comecei a me dedicar a limpar pequenos detalhes, coisas que a gente não faz no dia a dia. Isso me ajudou a passar por esse período e fez com que eu me sentisse melhor”, conta.

Com o passar do tempo, ela entendeu que a bagunça e a sujeira prejudicavam sua saúde mental e adotou novas técnicas para lidar com as coisas por fazer.

“Já passei por períodos, quando estava atolada de trabalho, que não tinha tempo de arrumar e depois de 15 dias a casa virava um pandemônio. Ficava muito ansiosa, olhando pilhas de roupa para lavar, pia para encarar, até tomar coragem e dizer ‘ou arrumo ou não vou conseguir mais viver’. Aprendi com os anos: antes eu sofria com a bagunça, mas não entendia o que podia sanar isso, não agia. Como não gosto de lavar louça, esperava juntar bastante, mas ia dando um desespero quando a pia ficava cheia. Isso me estressava. Agora lavo com mais frequência. Hoje tenho consciência de que fico mais feliz e relaxada.”

ORIGEM DO CAOS

Mas, diferentemente do que muita gente pensa, bagunça e sujeira não são, necessariamente, coisas que andam juntas. Segundo os especialistas, a bagunça é um excesso de coisas que se acumulam e criam espaços caóticos, ainda que limpos. Por isso, o primeiro passo para acabar com ela é diminuir a tralha.

“Tudo o que a gente tem, a gente precisa administrar, sejam as coisas, as atividades ou os relacionamentos. Com a sobrecarga, somos obrigados a escolher o que administrar. A pessoa cuida, por exemplo, da carreira e da família, mas não dá conta da casa”, diz a ex-bagunceira e fundadora da consultoria Onde Eu Deixei, Carol Ferraz. Ela explica: se imagine no carro. Quando o entregador oferece um anúncio de imóvel, você pega? Pronto. É mais uma coisa para administrar (jogar no lixo, normal ou reciclado, enfiar na bolsa e se livrar depois ou esquecer no canto do carro indeterminadamente).

Ou então: adora pequenos quadros e bibelôs. Vai tirar o pó? Então reveja se vale a pena ter isso. Para Ferraz, as pessoas precisam ser “porteiras” escolhendo com mais rigor o que entra na vida delas.

A própria Marie Kondo prega que as pessoas se livrem dos excessos, doando ou descartando o que não lhe “traz alegria”. Mas muitas das coisas que possuímos revelam mais sobre nós do que se imagina.

“As coisas têm um simbolismo. Por exemplo: já vi armário de quem fez transição de carreira e mantinha todas as roupas corporativas, mesmo não precisando mais, porque se desapegar é como deixar aquela parte dela para trás. É um processo de elaboração, de encerrar ciclos. O mesmo acontece com a maternidade. Tem aquela peça que a mulher guarda desde antes de engravidar, há 10 anos, e ela diz “essa calça é quando estou bem com meu corpo”. Aí eu digo: “mas, meu bem, quando você cabia nessa calça tinha o metabolismo de um puma, você tinha 20 anos. Olha a cobrança que está colocando em cima de si mesma, o que está pedindo de você”. As coisas não devem servir para nos gerar culpa”, conta Ferraz.

SEM PERFECCIONISMO

Muita gente não limpa ou arruma não por ser desleixada, mas por ser perfeccionista. São pessoas que pensam que se não for para deixar a casa brilhando, a sala igual à da revista ou as roupas dobradas com perfeição, melhor nem fazer. Só que, para manter a casa e a saúde mental, também é preciso avaliar se a régua não está muito alta.

Ferraz, que é professora do método de organização da Marie Kondo para alunos de diversas partes do mundo, garante que o brasileiro, em geral, é exigente com limpeza em um grau que não se vê em outros países. Na nossa rotina, novas coisas foram somadas e nenhuma foi subtraída.

“Sob aspecto histórico, nos anos 1950, 60, quem era responsável pela casa? A mulher antes se dedicava a isso o tempo todo, mas ela entrou no mercado de trabalho e passou a ter jornada tripla. Só que a organização não acompanhou esse movimento. Pensam na casa perfeita, como se não tivesse vida, uma coisa que a mulher nos dias de hoje não vai conseguir manter.

Às vezes o problema nem é a sujeira ou a desordem em si, mas a sensação de insuficiência gerada por não conseguir dar conta de fazer tudo o que precisa ser feito.

Os excessos são inimigos do bem-estar. Tanto a limpeza exagerada pode ser um sintoma do Transtorno Compulsivo Obsessivo, quanto a bagunça e coleção de coisas podem ser alertas para o ‘Transtorno Acumulativo. O ambiente tem que ser saudável, assim como seus moradores.

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