EU ACHO …

COMO EU SOUBE QUE PRECISAVA SAIR DO INSTAGRAM

Assim como o álcool, as redes sociais podem provocar extrema ansiedade e fazer com que a pessoa não se sinta verdadeira por apresentar uma fachada ‘curada’ dela mesma. Mas sua abstinência pode ser uma solução

Nesse verão, tive uma recaída. Não com o álcool, do qual fiquei sóbria e, 2014, mas com o Instagram, rede social que é a droga que escolhi. Prometi cortá-lo em abril e me abster pelo menos até o ano novo, mas, na verdade, esperava conseguir me manter para sempre fora dele.

Comecei a usar o Instagram em 2013 para postar sobre o processo de ficar sóbria, e foi um relacionamento de amor e ódio desde o início. Mas sempre parecia que os benefícios compensavam os custos. Fiz contato com pessoas que nunca teria conhecido de outra forma, muitas das quais se tornaram grandes amigos e colegas de trabalho. Encontrei uma comunidade, que me ajudou no início da sobriedade, e um espaço para compartilhar meu trabalho de forma consistente. Havia criado uma “plataforma”, na linguagem do mundo editorial, que me permitiu mudar de carreira da publicidade para a escrita e garantir a publicação do meu primeiro livro, em 2018.

Com o tempo, no entanto, percebi que o Instagram estava invadindo cada parte do meu dia. Checar o aplicativo era a primeira coisa que eu fazia de manhã e a última à noite. Esse tempo online me deixava sobrecarregada, ansiosa e com burnout (o que era frequente), mas ai me convencia de que precisava continuar lá em nome da minha carreira. Eu me preocupava que, se não aparecesse constantemente nas páginas das pessoas, me tornaria irrelevante.

Foi apenas uma questão de tempo antes que eu começasse a perceber os paralelos entre a bebida e meu uso do Instagram. “Vou entrar apenas em horários específicos” tornou-se o novo “vou beber somente nos finais de semana”. Tentei encontrar maneiras de tornar o Instagram uma força menos tóxica na minha vida usando um app de agendamento e deixando de ler os comentários. Mas, toda vez que isso falhava, me sentia mais derrotada. Assim como era com o álcool.

Na última primavera, eu estava chegando a sete milagrosos anos de sobriedade do álcool, celebrando relações honestas, inclusive com a minha filha de 12 anos. Mas não conseguia viver essas experiências porque estava muito distraída no Instagram. Tinha dificuldade para me concentrar e me lembrar das coisas e estava atormentada por uma ansiedade constante. Fiquei tão consumida pela informação no meu feed que não conseguia me focar no trabalho ou em conversas. Recentemente, foi descoberto que o Facebook sabia, e minimizava, o quão tóxico o Instagram é para seus usuários – particularmente para meninas adolescentes.

O impulso em pegar meu celular e microgerenciar minha persona era constante: postar no horário certo, marcar a pessoa certa, fixar os comentários que apoiavam minhas visualizações, deixar meus próprios comentários espertos em outras contas, repostar menções ao meu trabalho – tudo havia se tornado um reflexo tanto quanto coçar uma ferida. Só que essa coceira nunca parava. Então decidi sair.

Escrevi um relato detalhado sobre a minha luta e compartilhei com meus seguidores, junto com meu plano. Já sabia, pela minha experiência com o álcool, que a responsabilização pública era importante. E também sabia que precisava sair de vez.

Nos meses seguintes, me senti mais livre, mais leve e mais focada do que nunca. Fazia tudo sem a compulsão de capturar, elaborar e postar. E o mais incrível é que eu estava de fato presente com as pessoas que estavam à minha frente.

Mas o que especificamente no Instagram era tão destrutivo para mim? Percebi que, o tempo todo que estava na rede social, procurava um objetivo que era impossível de atingir.

Quando um post ia bem ou quando eu ganhava seguidores, eu me sentia ótima por um minuto, mas rapidamente pressionada a fazer isso de novo. Se algo era recebido de forma negativa, era consumida pela ansiedade e me sentia obrigada a “consertar”. Com o tempo, fiz centenas de ajustes, editando a mim mesma para conseguir os melhores resultados. Mas não existiam “melhores” resultados. Não importa o que eu fazia, nunca teria seguidores, aprovação ou sucesso suficientes.

Nesse sentido, era bem semelhante ao álcool, já que beber também me tornou fundamentalmente desonesta – a pessoa que eu era enquanto bebia também apresentava uma fachada falsa ao mundo.

“Quando estamos curando uma falsa imagem de nós mesmos, online ou não, nos tornamos alienados de nós mesmos e começamos a não nos sentir reais no mundo, e não ligados à nossa existência”, disse a diretora médica da Stanford Addiction Medicine e autora do livro “Nação da dopamina”, Anna Lembke, que concluiu: “Isso provoca uma quantidade enorme de ansiedade e disforia, lugar muito perigoso para se estar.

Somos incentivados em uma série de maneiras a representar uma versão falsa de nós nas redes sociais, mas, quando fazemos isso, perdemos algo vital: a habilidade de experienciar a vida no aqui e no agora.

RECAÍDA DOLOROSA

Era um dia lindo e ensolarado de julho. Minha filha, meu namorado e eu estávamos de férias visitando minha mãe no Havaí, depois de não vê-la por mais de um ano. Eu estava feliz e disse a mim mesma que apenas queria compartilhar aquele sentimento. Baixei o Instagram de volta, postei uma selfie de biquini e escrevi para meus 80 mil seguidores que tinha uma nova perspectiva.

Conforme o dia passava, minha ansiedade crescia enquanto eu checava obsessivamente para ver curtidas, comentários e novos seguidores. Quando percebi que centenas de pessoas tinham deixado de me seguir, fiquei com náuseas. Fiquei envergonhada por ter voltado arrás na minha palavra publicamente. Estava com medo do quão horrível me sentia, exatamente como quando eu bebia.

Dessa vez, eu sabia que precisava deixar a rede social de uma vez por todas. Deletei a selfie com o biquíni do Instagram e escrevi um texto no meu blog, explicando o que havia acontecido. Como eu aprendi na rehab, compartilhar a verdade é um antidoto poderoso para a vergonha. Recentemente, dei o último passo e desativei minha conta.

Quando começo a pensar que pode haver uma maneira para eu lidar com a rede social, faço o que fazia nos primeiros dias de sobriedade do álcool: reproduzo os acontecimentos na minha cabeça e me forço a relembrar de forma visceral como eu me senti naquela manhã de férias. Sinto o zumbido do medo no meu estômago, o aperto da ansiedade em volta do meu pescoço, o fluxo de pensamentos negativos e a textura fragmentada da minha atenção. E ai lembro que simplesmente não vale a pena.

*** LAURA MCKOWEN – do New York Times

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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