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COMO ENSINAR SEU FILHO A USAR AS REDES SOCIAIS COM EQUILÍBRIO

Especialistas dão dicas para pais de adolescentes na era dos smartphones: estabelecer horários é uma das regras

O Wall Street Journal revelou na semana passada que pesquisadores do Instagram estudaram durante anos como seu aplicativo de compartilhamento de fotos afeta usuários jovens e descobriram que pode ser particularmente prejudicial para adolescentes, noticia que alarmou pais e legisladores.

Segundo a pesquisa, que não foi divulgada publicamente, o Instagram piora os problemas de imagem corporal para um em cada três adolescentes. E entre os que relataram pensamentos suicidas, 13% dos usuários britânicos e 6% dos usuários americanos rastrearam o desejo de se matar no Instagram”, relatou o jornal.

O Facebook, dono do Instagram, emitiu um comunicado, dizendo em parte que “a pesquisa sobre o impacto da mídia social nas pessoas ainda está relativamente incipiente e em evolução” e que “nenhum estudo isolado será conclusivo”. O Instagram observou em um comunicado que as redes podem ter um efeito de “gangorra”, em que a mesma pessoa pode ter uma experiência negativa em um dia e positiva no outro.

Para alguns pais, as descobertas do estudo não foram necessariamente surpreendentes, dada a preponderância da plataforma de imagens alteradas e inatingíveis, mas levantou uma questão importante: o que podemos fazer para ajudar nossos filhos a ter uma relação mais saudável com as mídias sociais?

Vários especialistas têm recomendações a pais de adolescentes sobre como navegar nas redes sociais, estejam os filhos já online ou prestes a receber o primeiro celular ou tablet.

Em vez de dar a seu filho um smartphone e permitir que ele baixe vários aplicativos de mídia social, considere permitir que ele troque mensagens de texto com um melhor amigo em um dispositivo familiar compartilhado para começar, sugeriu Devorah Heitner, autora de “Screenwise: ajudando crianças a prosperar (e sobreviver) em seu mundo digital”. Em seguida, pense na idade mais adequada para seu filho começar a usar as redes sociais, levando em consideração sua personalidade, impulsividade e nível de maturidade. Permita que eles adicionem um aplicativo social quando estiverem prontos, disse Heitner, em vez de ir de zero a 100”.

Se sua filha tem problemas com a imagem corporal, por exemplo, talvez um aplicativo como o Instagram não seja adequado para ela, disse Jean M. Twenge, professora de psicologia da San Diego State University e autora de “IGen”, um livro sobre adolescentes e jovens adultos e sua relação com a tecnologia

Seu filho pode querer usar um aplicativo como o Snapchat porque todos os seus amigos estão nele, embora as regras da empresa digam que eles são muito jovens. E se isso acontecer, você pode entrar em contato com outros pais para ver se há uma forma alternativa para as crianças se comunicarem que permite que você permaneça fiel aos seus próprios valores, disse Heitner. Twenge, mãe de três filhos, tem esta regra geral:

“Crianças com 12 anos ou menos não devem estar nas redes sociais”, disse ela. “A resposta é não, e você está amparado pela lei.”

A legislação a que ela se refere é a lei de Proteção à Privacidade Online das Crianças, que proíbe as empresas de coletar dados online de crianças menores de 13 anos – e, como resultado, as plataformas de mídia social dizem que crianças menores de 13 anos não  podem criar suas próprias contas. “Mas crianças com 12 anos ou menos podem facilmente escapar de quaisquer restrições relacionadas a idade nas plataformas de mídia social mentindo sobre seu ano de nascimento”, disse Linda Chamaraman, diretora do Laboratório de Pesquisa de Juventude, Mídia e Bem-estar do Wellesley College.

O  Facebook, que está desenvolvendo um aplicativo Instagram para crianças menores de 13 anos, afirma que o novo aplicativo manteria as crianças fora de sua plataforma   principal, ao mesmo tempo em que abordaria questões de segurança e privacidade. Mas legisladores, promotores estaduais e crianças e grupos de consumidores estão profundamente preocupados.

Não é como se uma criança ao atingir a idade de 13 anos, de repente, estará pronta para lidar com todos os problemas que podem acompanhar uma conta de mídia social. Afinal, alguns adultos ainda lutam contra isso.

Quando você decidir que seus filhos estão prontos para ter seu próprio dispositivo, não dê a eles acesso 24 horas por dia, 7 dias por semana, disseram os especialistas.

Remova celulares, tablets ou outros dispositivos eletrônicos do quarto do seu filho à noite. E se ele usa o telefone como despertador, compre um despertador que não esteja conectado à internet.

Escolha uma plataforma e um período de tempo, acrescentou ela. Você poderia dizer, por exemplo, que seu filho pode usar o Instagram por 30 minutos por dia. Você pode definir esse limite pelo telefone – na Apple, procure as configurações de “Compartilhamento familiar” e no Android você pode usar um aplicativo chamado “Family Link”. Quando o  limite de tempo acabar ,o aplicativo no telefone do seu filho não estará mais acessível. Para evitar downloads indesejados, há também uma configuração “Pedir para comprar” nos telefones da Apple que enviará uma solicitação aos pais quando os filhos quiserem baixar um novo item.

É importante que as crianças (e adultos) entendam que quanto mais prestamos atenção em nossos telefones, menos estamos investindo energia no resto de nossas vidas e, como resultado, “o resto de nossas vidas se toma menos interessante”, disse Anna Lembke, autora de “Nação dopamina”.

Na mesa de jantar e em outros lugares, os membros da família precisam “coletivamente voltar a atenção uns para os outros”, disse ela.

Laura Tierney, fundadora e executiva-chefe do The Social Institute, uma organização que ensina alunos a navegar nas mídias sociais de maneira positiva sugere ajudar seu filho a buscar modelos de comportamento.

“Trata-se de se cercar de influências positivas”, disse. Eles podem seguir celebridades como a ginasta Simone Biles. Se o feed de seu filho tem contas que estão afetando sua autoestima, essas são as contas que seu filho precisa deixar de seguir rapidamente”, disse Tierney.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 04 DE NOVEMBRO

OLHOS ABERTOS E OUVIDOS ATENTOS

O ouvido que ouve e o olho que vê, o Senhor os fez, tanto um como o outro (Provérbios 20.12).

Nosso corpo é uma obra extraordinária e exponencial do Criador. Somos a obra-prima de Deus. Temos cerca de sessenta trilhões de células vivas em nosso corpo, cada uma delas com cerca de 1,7metro de fita DNA. Em cada célula estão gravados e programados todos os nossos dados genéticos. Cada órgão do nosso corpo tem uma função. Deus nos deu olhos para ver e ouvidos para ouvir. John Wilson, um dos maiores oftalmologistas do mundo, disse que temos dentro de cada olho mais de sessenta milhões de fios duplos encapados. Somos uma máquina viva absolutamente sofisticada, um milagre de Deus no palco do mundo, um troféu do poder do Criador. Se Deus colocou em nós olhos e ouvidos, devemos desenvolver a habilidade de olhar direito e de ouvir com atenção. Muitos olham e não veem. Outros escutam, mas não entendem. Há aqueles que olham apenas com impureza, e outros que escutam apenas o que lhes polui a alma. Devemos olhar com olhos de santidade e ouvir apenas aquilo que nos edifica. Na verdade, somos mordomos de Deus. Nosso corpo foi comprado por Deus, e devemos glorificá-lo em nosso corpo. Um dia prestaremos contas ao Senhor a respeito do que vimos e ouvimos.

GESTÃO E CARREIRA

RECUPERAÇÃO DESIGUAL TRAZ BÔNUS PARA UNS E DESEMPREGO LONGO PARA OUTROS

Brasileiro pouco qualificado vê CLT m ais distante, e profissionais de tecnologia escolhem vagas

Aos 30 anos, a gerente de engenharia Laísa Masini, chefia um grupo de quatro pessoas na Loft, uma das mais bem avaliadas startups brasileiras, com um salário superior a RS20 mil. Com experiência em desenvolvimento de software, tem uma rara condição no mercado de trabalho: ela pode escolher onde quer trabalhar.

Contratada na pandemia, Laísa participou de outros processos seletivos e não demorou a sair de um emprego por não concordar com a cultura corporativa. Passou por unicórnios (startups avaliadas em mais de 1 bilhão) como 99 e Loggi, morou em Berlim em 2016, quando a cidade começou a fervilhar de empresas de tecnologia , e recebe ofertas com frequência.

“Meu ensino médio técnico na área de programação foi mais importante que a faculdade, foi o que me inseriu na tecnologia”, afirma a gerente , que cursou análise de sistemas na graduação.

Com quase a mesma idade, Larissa Machado, 25, vive uma realidade um tanto diferente. Todos os dias, acessa os principais agregadores de vagas para conseguir um emprego. Busca aquelas com as quais considera ter mais chances de contratação, como recepção, atendimento ao público e telemarketing.

Demitida na crise iniciada no ano passado, conseguiu receber cinco meses de seguro-desemprego graças ao quase um ano de carteira assinada. Desde então, ouviu muitos nãos.

“As empresas estão muito exigentes e não há feedback, você não sabe o que está faltando, porque não foi escolhida. Infelizmente, tudo é muito difícil quando você não tem ensino superior”, diz.

Laísa e Larissa são duas faces de um mercado de trabalho ainda em recuperação e cuja retomada no setor de serviços é puxada por atividades não presenciais e ligadas à tecnologia. Para quem, como Larissa tem pouca qualificação, o futuro não é promissor, uma vez que ele será cada vez mais digital.

No topo da pirâmide social, profissionais com especialização são disputados por empregadores no mercado financeiro, tecnológico e imobiliário e discutem pacotes de benefícios e participação acionária. Nas empresas e recrutadores, termos como flexibilidade para retenção de talentos tornaram-se comuns.

A pandemia reforçou uma busca por profissionais capazes de desenhar e colocar em operação diversos tipos de plataformas digitais, sejam para atender a demanda por compras online ou para garantir o funcionamento de atividades que, até então, não estavam adaptadas ao modelo remoto. Mesmo quem já trabalhava com digital precisou reforçar operações e serviços, melhorar processos e certificados.

Empresas do varejo eletrônico são um exemplo claro dessa demanda: Americanas S.A, Magazine Luíza e Mercado Livre devem contratar, além da leva já adquirida durante a pandemia, no mínimo 250 pessoas até dezembro. São vagas de desenvolvedores, engenheiros de software, de dados, designers, cientistas de dados e especialistas em cibersegurança.

“O mercado para profissionais de tecnologia é extremamente aquecido. Veio a pandemia e isso foi intensificado de tal forma que, sem medo de errar, digo que o maior gargalo de crescimento da indústria de tecnologia no Brasil é a falta de mão de obra”, afirma Rodolfo Fücher, presidente da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software).

Se antes da crise de Covid já existiam mais vagas do que profissionais no setor, hoje esse hiato aumentou. As empresas brasileiras passaram a competir com salários pagos em   dólar ou em Euro, já que companhias internacionais miraram outros países com a visibilidade do home office.

Além de boa remuneração, empresas de todos os portes tentam formar profissionais para preencher suas lacunas. Enquanto a Loft, empregadora de Laísa, paga um auxílio educação (verba anual para cursos), a construtora MRV dá bolsas de estudos para o desenvolvimento front­ end (a interface de um aplicativo com o usuário).

“O problema das corporações tem sido a mão de obra “, diz Reinaldo Sima, diretor de tecnologia da MRV. “Há uma guerra pela busca de recursos. Aconteceu uma corrida parecida no ‘bug do milênio’, as pessoas queriam implantar SAP  e faltava esse recurso no mercado”.

Treinamento, auxílio para educação e flexibilidade viraram o básico para reter profissionais da área. Especialistas apontam, no entanto, que a maior garantia tem sido o incentivo acionário.

Muito usado em empresas de capital fechado que devem entrar na bolsa de valores, o modelo permite que funcionários adquiram ações no futuro por um preço pré-fixado no presente, uma maneira de incentivar o desempenho individual.

“O pacote de compensação é uma forma de mostrar como o trabalho do profissional impacta na valorização da empresa. Com a compra de ações, a gente mira no longo prazo, não queremos que a pessoa fique seis meses, mas três, cinco, dez anos com a gente”, afirma Silvia Kihara, líder de recrutamento de tecnologia no Nubank.

Para a economista Diana Gonzaga, da UFBA (Universidade Federal da Bahia), duas demandas se encontraram na pandemia. Uma foi gerada pela crise sanitária, que alterou os padrões de consumo e de trabalho. Além do e-commerce e do home office, as aulas online exigiram das escolas programações especiais e a contratação de serviços para atender o novo modelo.

A outra vem de uma mudança mais profunda da estrutura produtiva. “A economia mundial tem passado por transformações que exigem cada vez mais conhecimento de tecnologias digitais. Embora o Brasil esteja um pouco atrasado nisso, a gente já vinha sentindo essa necessidade”, diz Diana.

Na outra ponta, na base da pirâmide desejos mais básicos, como um emprego formal, parecem ficar cada vez mais difíceis – neste ano, o Brasil bateu o recorde de trabalhadores em desemprego de longa duração, aquele que ultrapassa dois anos. São 3,5 milhões de pessoas nessa condição.

“Olha, ter carteira assinada vai ficando cada vez mais distante. Além disso, quando aparece mesmo alguma coisa, o salário é fora da realidade”, diz Larissa, que busca vaga em atendimento.

No segundo trimestre deste ano, segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), somente dois setores têm mais empregados do que no pré-pandemia: o agronegócio e os de serviços de informação e tecnologia.

Os dados da pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) consideram tanto os empregos formais quanto os informais.

A maior queda, em relação ao segundo trimestre de 2019, está nos setores de alojamento e alimentação, com 20,34% menos empregados e o de serviços domésticos, com recuo de 17,93%. No comércio, grupo que inclui também reparo de veículos, a queda é de 9,01%. A comparação considerou os dados de 2019 para eliminar as distorções do período mais agudo da crise gerada pela pandemia.

No emprego formal, 2,2 milhões de vagas formais foram criadas de janeiro a agosto, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Previdência. O setor de serviços é aquele com o maior número de postos de trabalho abertos, 927,2 mil em oito meses.

O recuo no desemprego tem sido acompanhado por vagas com salários menores. O rendimento médio real no segundo trimestre ficou em RS2.515. Era de R$2.520 no mesmo período em 2019 em havia chegado a R$$2.730 no terceiro trimestre do ano passado, quando a ocupação estava sustentada em empregos formais e de salários médios maiores.

Quando o país enfrenta uma crise, os primeiros empregos a serem cortados são aqueles de baixa qualificação, concentrados principalmente no comércio e nos serviços. “São setores muito atrelados à dinâmica da economia. Na medida em que vai havendo a recuperação, geram-se vagas”, diz Diana Gonzaga.

Ela aponta que a contratação formal envolve custos, então a empresa precisa de mais certeza de recuperação. “Hoje ainda temos outras questões, como a crise energética e a inflação, que podem ter um efeito negativo sobre o consumo e, por sua vez, conter as expectativas de melhora”.

Além da preocupação em garantir emprego de qualidade na base da pirâmide, um problema que deve persistir ao longo prazo é a dificuldade de reverter a desigualdade, aprofundada na crise.

“A questão é que 20% dos estudantes ficaram sem acesso às aulas na pandemia e esse prejuízo, não se recupera mais”, diz Fücher, presidente da Abes. Para ele, os 20% já perderam a chance de competir igualmente no mercado de trabalho.

EU ACHO …

ESTRELA BRASILEIRA NO CÉU AZUL…

A maioria das pessoas nascia e morria em um mesmo lugar no mundo antigo e medieval. Raros humanos teriam conhecido mais do que alguns quilômetros fora da sua casa. Viagens eram incomuns e penosas. São Bento escreveu contra monges que iam de um lugar a outro. Chamou-os por um adjetivo que é quase um xingamento: giróvagos. Os chamados “ciganos” eram atacados continuamente. Pessoas “respeitáveis” estavam sempre no mesmo lugar. Sua aldeia era segura. Todos eram estrangeiros fora dela. O que vinha de fora era um risco.

Exceções? Quando muito, havia comerciantes e um punhado de peregrinos em lugares sagrados como  Santiago de Compostela. Conhecer terras distantes começa a crescer com os relatos de Marco Polo e suas incursões maravilhosas pela Ásia. As Cruzadas criaram rotas comerciais, religiosas e de horizontes novos. As grandes navegações da Idade Moderna alargaram tudo. Narrativas de riquezas da América estavam nas feiras, o resgate do imperador inca, Atahualpa foi contado muitas vezes. Uma sala grande com ouro até o teto!

Avancemos ao século 18. A elite inglesa tinha um programa obrigatório para seus rebentos dourados. O aristocrata deveria fazer uma viagem pela Europa, especialmente em lugares marcados pela presença da cultura clássica e do Renascimento. Era o “grand tour”, um rito quase obrigatório, uma forma laica de peregrinação que incluía Veneza, Florença e Roma. Levavam tutores, por vezes eruditos, guias escritos sobre os lugares e inauguraram a forma contemporânea de turismo, palavra associada ao “tour” inglês. Não traziam fotos, claro. Os baús retornavam às ilhas britânicas com quadros, antiguidades e mapas comprados em lugares de reputação variada. A viagem daria base para conversas futuras nas rodas da alta sociedade. O trajeto marcava o “quem é quem” da sociedade.

No século 19, com a difusão de cartões-postais, o turismo recebeu outro aporte: viajava-se para ver aquilo que a foto mostrava. As exposições mundiais de Paris (1889 e 1900), por exemplo, transformaram a torre Eiffel em referência obrigatória. Em um mundo sem muita luz, a iluminação elétrica de uma estrutura com mais de 300 metros deveria ser algo estonteante. As elites ocidentais tinham descoberto hotéis e grandes destinos. Crescia o hábito de viajar em barcos a vapor e, logo, aviões. A jovem leitora e o jovem leitor não imaginarão o que contarei. Alguém ia viajar até a Europa em 1970, por exemplo? Dava-se uma festa de “bota-fora”. Os “argonautas” se despediam de todos, recebiam encomendas e conselhos: “Se for a Londres, coma em tal lugar”. Depois, no dia do embarque uma pequena multidão acompanhava os bravos até o aeroporto. Aproveitava-se para tomar um café expresso, algo que muitos conheceram em Congonhas, por exemplo. As medidas de segurança eram muito mais fracas do que hoje. As mulheres embarcavam com ‘frasqueiras” repletas de líquidos. Dependendo da época e da pressurização ou não da aeronave, havia um saquinho plástico para as canetas-tinteiro. Poderiam estourar no voo!

Os anos avançam… Toda vez que eu pegava uma mísera barrinha de cereal, lembrava-me  das refeições da Varig. Comi com talheres de metal, tomei bons vinhos a bordo da classe econômica, recebi guardanapos de pano. Imaginava como seria na executiva ou na primeira classe. A revista Ícaro era linda. Havia propagandas da companhia aérea na televisão com um voo para o Japão. Lembro-me do jingle até hoje. Nos intervalos de seriados como Bonanza, acompanhávamos a saga de Urashima Taro. Não se lembra? Provavelmente, você é jovem. Procure a história da tartaruga que ele curou no Google. Aproveite o impulso retrô e escute “Estrela brasileira no céu azul, iluminando de  Norte a Sul, mensagens de amor e paz, nasceu Jesus, chegou o Natal! Papai Noel voando a jato pelo céu, trazendo um Natal, de felicidades, e um ano novo cheio de prosperidade”.

O  turismo expandiu-se. Deixou de ser coisa exclusiva de uma elite. Movimenta massas. É um campo econômico vital. Cresceu tanto que despertou um neologismo: turismofobia, sentimento forte em lugares como Barcelona ou Paris. Legiões de turistas entopem calçadas e museus. Trazem dinheiro, claro, e fazem os preços subir. Formam filas em lojas de grife disputando bolsas. O turista clássico está sempre perdido, pedindo informações e querendo que alguém o ajude com uma foto. Alegram um setor da economia e infernizam outros.

Há alguns anos, lembro-me, muitos ironizavam turistas orientais, especialmente  japoneses. Andavam em grupo e fotografavam muito. Ouvi de mais de um guia na Europa: “Eles viajam para fotografar”. Formularam-se hipóteses para explicar aquele simpático senhor nipônico de chapéu com uma máquina em disparos constantes. Ele era apenas a vanguarda. O mundo inteiro hoje viaja para fotografar e postar. Os orientais anunciaram a tendência: mais importante do que o monumento, a comida ou o quadro do museu é a foto com ele.

Não sou dos que cultivam um saudosismo ou dos que imaginam uma suposta idade dourada. Pelo contrário, vi com alegria a expansão das viagens aéreas para mais pessoas. Pergunto-me, seja você um rico da primeira classe ou alguém que pagou sua ponte aérea em dez vezes, qual o motivo do deslocamento? Em breve, talvez, voltemos a fazer mais viagens. Vamos ”turistar” de novo! Resta pensar seriamente: porquê?

*** LEANDRO KARNAL

ESTAR BEM

DIETA ‘LOW CARB’ PODE AJUDAR SAÚDE DO CORAÇÃO

Ao contrário do que se pensava, novo e amplo estudo mostrou que uma alimentação pobre em carboidratos e rica em gorduras pode ser benéfica para a saúde cardiovascular de pessoas obesas ou que estão acima do peso

Adotar uma dieta “low carb”, ou seja, baixa em carboidratos, tem sido uma estratégia popular de perda de peso. Mas alguns médicos e especialistas em nutrição desaconselhavam essa alimentação por temor de que ela pudesse aumentar o risco de doenças cardíacas, uma vez que normalmente envolvem a ingestão de muitas gorduras saturadas, o tipo encontrado na carne vermelha e na manteiga.

Mas um novo estudo, um dos maiores e mais rigorosos sobre o assunto até hoje, sugere que uma dieta pobre em carboidratos e rica em gorduras pode ser benéfica para a saúde cardiovascular se você estiver acima do peso.

O novo trabalho, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, descobriu que pessoas obesas ou com sobrepeso que aumentaram a ingestão de gordura e reduziram a quantidade de carboidratos refinados em sua dieta – mantendo alimentos ricos em fibras, como frutas frescas, vegetais, nozes, feijões e lentilhas – tiveram maiores melhorias em seus fatores de risco para doenças cardiovasculares do que aqueles que seguiram uma dieta semelhante, mas mais baixa em gordura e mais rica em carboidratos.

Mesmo as pessoas que substituíram carboidratos “saudáveis” como arroz e pão integral, por alimentos com alto teor de gordura, mostraram melhorias notáveis em uma variedade de fatores de risco para doenças metabólicas.

DIETA MEDITERRÂNEA

Dariush Mozaffarian, cardiologista e reitor da Escola Friedman de Ciência e Política de Nutrição da Tufts University, nos EUA, que não participou da pesquisa, disse ser uma descoberta importante.

“A maioria dos americanos ainda acredita que alimentos com baixo teor de gordura são mais saudáveis para eles, e este estudo mostra que, pelo menos para esses resultados, o grupo com alto teor de gordura e baixo teor de carboidratos se saiu melhor”, disse.

Ainda assim, enfatizou Mozaffarian, os tipos e o equilíbrio das gorduras que você ingere também parecem ser importantes. Pessoas com dieta baixa em carboidratos consumiram alimentos como manteiga, carne vermelha e leite integral, que são ricos em gorduras saturadas. Mas a maior parte da gordura em suas dietas (cerca de dois terços) era insaturada, que é o tipo de gordura predominantemente encontrada no azeite de oliva, abacate, nozes, sementes e peixes, a base da dieta mediterrânea.

O novo trabalho incluiu 164 adultos com sobrepeso e obesos, a maioria mulheres, e teve duas fases. Primeiramente, os participantes foram submetidos a dietas de baixa caloria que reduziram o peso corporal em cerca de 12%. Em seguida, cada um foi designado a seguir uma das três dietas em que 20%, 40% ou 60% de suas calorias vinham de carboidratos. A proteína foi mantida estável em 20% das calorias em cada dieta, com as calorias restantes provenientes da gordura. Eles seguiram 05 planos alimentares por cinco meses, com todas as refeições fornecidas para garantir que eles seguissem o planejamento. O grupo de baixo teor de carboidratos comeu significativamente menos carboidratos do que o americano médio. Mas eles não seguiram a dieta cetogênica, com teor muito reduzido de carboidratos. Eles tampouco comiam quantidades ilimitadas de alimentos ricos em gorduras saturadas, como bacon, manteiga e bife.

Em vez disso, os pesquisadores criaram o que consideraram dietas práticas e relativamente saudáveis para cada grupo. Todos comeram omeletes de vegetais, burritos de frango com feijão preto, pimentão vegetariano, sopa de couve-flor, saladas de lentilhas torradas e salmão grelhado.

Mas o grupo com alto teor de carboidratos também comeu alimentos como pão integral, arroz integral, bolinhos ingleses multigrãos, geleia de morango, macarrão, leite desnatado e iogurte de baunilha. Já o grupo de baixo teor de carboidratos deixou de comer pão, massas de arroz e frutas e iogurtes açucarados. Em vez disso, suas refeições continham mais ingredientes com alto teor de gordura, como leite integral, nata, manteiga, guacamole, azeite, amêndoas, amendoim, nozes, macadâmia e queijos mais magros.

COLESTEROL

Depois de cinco meses, as pessoas que fizeram a dieta baixa em carboidratos não apresentaram alterações significativas nos níveis de colesterol, apesar de obterem 21% de suas calorias diárias com a gordura saturada. Essa quantidade é mais que o dobro do que as diretrizes recomendadas pelo governo americano. O colesterol LDL, o chamado tipo ruim, por exemplo, permaneceu quase o mesmo daqueles que seguiram a dieta rica em carboidratos, que obtinham apenas 7% de suas calorias diárias de gordura saturada.

Os testes também mostraram que o grupo de baixo teor de carboidratos teve uma redução de cerca de 15% em seus níveis de lipoproteína, uma partícula gordurosa no sangue fortemente ligada ao desenvolvimento de doenças cardíacas e derrames. O  mesmo grupo  também observou melhorias nas medidas metabólicas relacionadas ao desenvolvimento de diabetes tipo2. E também apresentaram uma queda nos triglicerídeos, um tipo de gordura no sangue que está ligada a ataques cardíacos e derrames, além de aumentos nos níveis de adiponectina, um hormônio que ajuda a diminuir a inflamação e tornar as células mais sensíveis à insulina, o que é uma coisa boa. Altos níveis de inflamação em todo o corpo estão ligados a uma série de doenças relacionadas à idade, incluindo doenças cardíacas e diabetes.

David Ludwig, endocrinologista na Harvard Medical School e um dos autores do novo estudo, explica que a meta do trabalho era evidenciar os malefícios dos carboidratos processados:

“Ele é focado principalmente na eliminação de carboidratos processados, que muitas pessoas agora estão reconhecendo estar entre os aspectos menos saudáveis de nossa ingestão de alimentos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

GERAÇÃO BURNOUT

Livro ‘Não Aguento Mais Não Aguentar Mais’ discute porque os millennials parecem estar todos à beira da exaustão

A primeira coisa que Anne faz ao acordar é desligar o aplicativo que controla seu sono. Ainda na cama, bate o olho nos alertas de notícias com variadas desgraças; no banho, tem a ideia de um tuíte e escreve enrolada na toalha. Lê mensagens de trabalho enquanto  toma café. Tenta ficar em dia com os e-mails, mas é interrompida por um alerta de nova mensagem no Facebook. Aproveita o tempo em que faz bicicleta na academia para ler artigos que recomendaram a ela no Twitter.

O dia segue adiante e adiante, e a hora em que ela desliga simplesmente não chega – Anne, aliás, é a jornalista e pesquisadora Anne Helen Petersen, que relata esse “dia bem comum” de sua vida digital em “Não Aguento Mais Não Aguentar Mais”, que defende a tese de que a característica definidora da sua geração, os millennials, é o burnout.

Burnout, em bom português , é uma exaustão extrema ligada ao trabalho. Os millenials, em bom português, são a geração que nasceu mais ou menos entre 1980 e 1995 e começou a trabalhar enquanto a internet passava de ferramenta útil a companheira de todo momento da nossa vida.

Curioso é que o estereótipo sedimentado sobre os millenials é o de uma juventude mimada, frágil e meio encostada. Petersen, que é doutora em estudos de mídia pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos, reconhece a existência desse rótulo e procura entender a decepção fundamental que o originou.

“Nossos pais nos disseram que  somos especiais, que merecemos tudo e que, se trabalhássemos bastante, as coisas iriam ficar bem”, diz a escritora de 40 anos. E, quando entramos no mercado de trabalho, no final dos anos 2000, perguntamos: ‘bom, se eu sou especial, onde está meu bom emprego?’.

Segundo a análise da autora, as últimas décadas viram a deterioração de uma série de garantias e proteções que pareciam firmes e , sob as quais a geração boomer cresceu e criou seus filhos – como a certeza da aposentadoria e as relações trabalhistas tradicionais. Surgiu no lugar uma nova “economia dos bicos”.

Isso fez com que a carreira dos millennials, sob regras mais incertas e promessas mais nebulosas, , fosse engolindo mais tempo do dia de cada profissional, argumenta a obra e turvando os períodos de trabalho e lazer –  o que se intensificou ainda mais na pandemia, com o home office.

“O burnout é a resposta do sujeito à ideologia do empreendedorismo, que faz com que as pessoas se responsabilizem totalmente pela gestão do seu trabalho”, afirma Pedro Ambra, doutor em psicologia social e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. ”Além de trabalhar, eu tenho que me divulgar e gerir, sem garantia de descanso em fim de semana e férias”.

Dessa forma, as horas que seriam dedicadas ao repouso são substituídas pela ansiedade de fazer alguma coisa produtiva, seja ver a série que todos estão postando no Instagram ou atualizar o LinkedIn para conseguir o próximo freelance. O psicanalista lembra que usar as redes sociais, hoje, também é trabalho –  é a lapidação constante do avatar que você apresenta ao público , conforme argumenta o livro de Petersen.

“Ninguém fica relaxado quando passa uma hora lendo feed de notícias em rede social”, diz Ambra, uma afirmação particularmente apropriada para quem acompanha o  noticiário político brasileiro. “E o ciclo fecha com a hiper medicalização. A droga me recoloca na linha de produção. O organismo que está pedindo para parar é silenciado, e eu posso voltar a produzir”.

A jornalista Anne Helen Petersen começou a articular seu livro “Não Aguento Mais Não Aguentar Mais” a partir de seu próprio burnout –  que ela relutou, como é comum, em reconhece como burnout.

“Eu achava que estava trabalhando como sempre”, diz. Não entendia por que começava a chorar quando minha editora ligava, reagi mal quando ela sugeriu que eu estava esgotada. Só identifiquei o problema quando percebi que não encontrava energia nem vontade para fazer as minhas tarefas do dia a dia.

Há dois anos, a Organização Mundial da Saúde registrou a síndrome de burnout como um “fenômeno ligado ao trabalho”, Petersen tem uma definição sucinta. “Exaustão significa ir até um ponto em que não é possível ir além; burnout significa chegar a esse ponto e se forçar a continuar, por dias, semanas ou anos.”  

A autora aponta que seu livro não busca trazer soluções individuais sobre com o soterramento de demandas – a editora sextante tem em “Sem Esforço” e na reedição de “Existencialismo”, de Greg Mckeown, opções que atacam questões parecidas por esse lado mais utilitário.

Os esforços de Petersen se concentram mais em apontar aos leitores problemas estruturais. Uma ideia que ela apresenta, por exemplo, é que talvez ninguém deva necessariamente trabalhar com aquilo que ama, escapando assim de uma lógica que pode estimular o burnout.

“Um traço primário dos millenials é achar que o sentido da vida deriva daquilo que você é pago para fazer. Mas você pode satisfazer as suas paixões de muitas formas que não têm a ver com trabalho.

Isso não é um veto mirabolante a trabalhar com  assuntos atraentes, mas um convite a penar que não é saudável “trocar estabilidade por felicidade”. “O que tenho visto nos últimos anos são pessoas rejeitando a ideia de ter uma carreira. Não querem achar a coisa que vão fazer pelos próximos 40 anos. Querem achar’ um trabalho, é então descobrir o que mais é importante”.

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