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CAIU NA REDE… E NAS MÃOS DA POLÍCIA

Posts viram pistas em investigações, mas há limites ao uso nos tribunais

Em uma era de exposição nas redes sociais, a investigação policial subiu para outro patamar – e ficou mais fácil. Como em uma série de TV, os capítulos da vida no mundo virtual ajudam a esclarecer o que aconteceu no mundo real. Da blogueira que tenta fisgar a herança do tio-avô com quem alega ter sido casada ao caminhoneiro bolsonarista Zé Trovão, que fugiu para o México, tudo que cai na rede agora é farejado, post a post, por policiais.

O fenômeno segue a tendência internacional. Um levantamento da Associação Internacional de Chefes de Polícia (IACP), sediada nos Estados Unidos, indicou que ao menos 70% dos departamentos policiais dos 165 países pesquisados, incluindo o Brasil, usavam as mídias sociais para coleta de informações em 2016, último ano do estudo. E 80% deles relataram que elas ajudavam a solucionar crimes.

No início deste mês, o paradeiro de Zé Trovão foi descoberto depois de ele postar um vídeo segurando o copo de uma conhecida rede de cafés do México. Em outra live, apareciam ao fundo quadros que levaram à descoberta do hotel em que estava hospedado.

Na Bahia, a blogueira Mariana Sião Cerqueira de Melo, de 43 anos, tem de provar que era casada de fato com o tio-avô de 93 anos, que morreu alguns dias depois de a união ter sido celebrada. A Justiça negou o pedido de pensão. Embora a viúva alegasse dificuldades financeiras, ostentava uma vida de luxo e dava dicas de viagens a Paris em seu blog.

Há ainda a história do humilde flanelinha de Brasília que a polícia descobriu tratar-se de um traficante com a ajuda de posts ostentação em suas redes sociais. E a da quadrilha de golpistas do Rio de Janeiro que se disfarçavam de blogueiras, metalinguagem perfeita do “assim é se lhe parece”, da net.

No Brasil. não há dados agregados sobre o fenômeno, mas corporações, tribunais e Ministérios Públicos de vários estados descrevem o uso das redes como um canal importante de vigilância. Isso vale para crimes que vão do tráfico de drogas às pirâmides financeiras, e até violações de direitos humanos.

Em 2020, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, da ONG Safernet Brasil em parceria com o Ministério Público Federal, registrou cerca de 157 mil denúncias de pornografia infantil, apologia ao crime, racismo e LGBTfobia, entre outros.

“Antes, costumava-se seguir, fazer buscas em cartórios e diligência de campo para ver que lugares eram frequentados pelo criminoso. Olhávamos pessoas próximas a ele e se era casado. Era mais difícil. Hoje, ele viaja e posta onde está, com fotos da família”, diz o chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Distrito Federal, Giancarlos Zuliani.

‘FAKE LIFE’

No ano passado, quando os agentes da corporação se preparavam para prender acusados de desvios em contas bancárias no DF, um dos investigados começou a postar fotos no litoral da Bahia. A polícia enviou uma equipe para Santa Cruz Cabrália e o homem foi preso.

“As postagens não servem para uma condenação, mas podem ser informação auxiliar para se saber o paradeiro do suspeito”, acrescenta Zuliani.

As plataformas mais usadas são Instagram, Facebook, YouTube e Twitter. Mas os agentes estão também em redes emergentes, como TikTok, e em aplicativos de encontros amorosos.

Não raro, sinais de uma vida de luxo acendem alertas. No passado, um homem que se passava por flanelinha para vender drogas foi preso em Brasília depois que o disfarce foi descoberto por fotos nas redes sociais em que as roupas velhas davam lugar a carros de luxo, festas, motos e jet-ski. O nome da operação: “Fake live” (vida falsa).

“Em casos de pirâmides financeiras e estelionatos, a ostentação é parte do engodo. Mas não ocorre só nos crimes digitais. É comum ver traficantes ostentando cordões de ouro no pescoço ou em postagem jogando dinheiro para o alto”, explica o promotor Richard Encinas, do Ministério Público de São Paulo.

Em Minas Gerais, a Coordenadoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público viu triplicar a demanda por buscas em redes sociais para investigações.

Responsável pelo setor, o promotor Mauro Ellovitch afirma que o monitoramento também é uma arma contra as mentiras:

“Isso é um caminho sem volta. Criminosos alegam que não se conhecem, e uma pesquisa em redes sociais, por exemplo, mostra que aparecem em eventos juntos”, diz o promotor.

SÓ FREUD EXPLICA

Se a polícia está de olho nas redes sociais, fica uma pergunta: por que os criminosos não parecem preocupados em se esconder também nesse meio?

Para o psicanalista Christian Dunker, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), existe um ponto que une criminosos dos mundos real e virtual: a busca por reconhecimento.

“Conforme o criminoso ascende, ele quer não só ser respeitado entre seus pares, mas por outras pessoas, inclusive no mundo virtual. Existe uma busca por um reconhecimento social”, diz Dunker.

Essa busca, acrescenta, cria uma tentação. O criminoso se expõe mesmo sabendo que pode cair na rede:

“Quando se tem um número limitado de seguidores, as pessoas pensam que seu universo está sob controle. Mas com o aumento de seguidores se perde a noção de quem faz parte da sua rede. Até que alguém fura a bolha.”

No mês passado, um vídeo postado nas redes sociais custou nova prisão a blogueiras suspeitas de estelionato no Rio. Elas tinham sido detidas em flagrante, mas acabaram soltas por falta de denúncia do Ministério Público. Dois dias depois, porém, a denúncia foi feita e aceita pela Justiça.

Na decisão da prisão preventiva, o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro destacou que elas zombaram da Justiça, dizendo frases ofensivas em uma festa logo após a soltura. Embora a chacota tenha sido determinante para a detenção, ela não teria sido descoberta se o vídeo da festa não tivesse parado na web.

Mas o juiz Rubioli alerta que utilizar postagens em investigações e processos exige bastante cautela.

“As redes sociais são facilitadores indiscutíveis tanto para o cometimento quanto para o combate ao crime. Mas postagens são indícios, mostram uma expectativa do que aconteceu. Não são provas para fundamentar uma decisão”, afirma, destacando que as informações precisam ser confirmadas por perícias, depoimentos, trabalho de campo e provas materiais.

“É como alguém postar que está vendendo droga. Sem apreensão material da droga, não há tráfico”, diz.

Rodrigo Brandalise, coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal e de Segurança Pública do Ministério Público do Rio Grande do Sul, reforça que as redes sociais são boa fonte, mas não definem tudo:

“Por ser informação aberta e não precisar de ordem judicial para que seja verificada, é uma vantagem. Mas não é a rede social que vai dizer que as coisas aconteceram ou não.

Na caçada a Lázaro Barbosa, suspeito de matar uma família em Ceilândia, no DF, e de cometer outros crimes em três estados, a Policia Civil de Goiás se deparou na internet com uma série de perfis e informações difusas sobre seu paradeiro. São casos em que, em vez de ajudar na solução de crimes, as redes sociais ajudam os criminosos a escapar.

“Mesmo quando há imagens é preciso conferir a “veracidade”. A informação falsa sempre está presente. Tanto em crimes de falso testemunho quanto de fraudes processuais, alteração de determinado local de crime. É um risco. A rede social pode ser um fator que impulsiona ou que prejudica a persecução penal”, observa Brandalise.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 03 DE NOVEMBRO

AS AÇÕES REVELAM O CARÁTER

Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se o que faz é puro e reto (Provérbios 20.11).

James Hunter, em seu livro O monge e o executivo, diz que o homem não é o que ele diz, mas o que faz. Nossas ações são a radiografia do nosso caráter. Uma árvore má não pode dar bons frutos. Um indivíduo desonesto não age com integridade. Uma pessoa promíscua não tem um coração puro nem atitudes respeitosas. Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações; pelos seus atos sabemos se ela é honesta e boa. É desastroso perceber como alguns indivíduos são pródigos nas palavras, elaborando discursos rebuscados e tecendo os maiores elogios a si mesmos, quando suas ações reprovam frontalmente o que eles dizem. Caem no descrédito os que falam uma coisa e fazem outra. Cobrem-se de vexame aqueles que têm discurso, mas não vida; aqueles que falam muito e fazem pouco; aqueles que passam como benfeitores diante dos homens, mas são ladrões aos olhos de Deus. Palavras bonitas e ações perversas são coisas abomináveis. Discurso sem vida não passa de barulho. É o que fazemos que reflete o que pensamos. O que praticamos com as mãos revela os propósitos do nosso coração. Nossas ações falam mais alto do que nossas palavras.

GESTÃO E CARREIRA

CONSTRUÇÃO LIDERA GERAÇÃO DE VAGAS, MAS COM SALÁRIO PIOR

Trabalho cresceu 19,6%, já renda caiu para o menor valor da série, aponta IBGE

Em um ano, o setor de construção engatou retomada no mercado de trabalho, com aumento de 19,6% na população ocupada no Brasil. A renda média dos trabalhadores do ramo, contudo, caiu 14,8% no mesmo intervalo, mostram dados da Pnad-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na visão de analistas, os indicadores com resultados opostos refletem, principalmente, a volta ao mercado de trabalho de profissionais informais.

De um lado, o retorno desses trabalhadores, que sofreram mais na fase inicial da pandemia, acaba aumentando a população ocupada. O efeito colateral é o recuo no rendimento médio, já que os salários deles tendem a ser inferiores.

No segundo trimestre de 2020, período em que a Covid-19 causou uma série de restrições à economia, o número de trabalhadores ocupados na construção foi de 5,3 milhões.

Com a alta de 19,6%, o grupo chegou a 6,4 milhões no segundo trimestre de 2021. Ou seja, em um ano, houve acréscimo de cerca de 1 milhão de pessoas, embora o contingente ainda siga em nível inferior ao do pré-crise.

A alta de 19,6%. em termos relativos, é a maior entre as dez atividades contempladas pela Pnad. No sentido contrário, o rendimento médio habitual dos trabalhadores ocupados na construção caiu, em termos reais, de R$2.087 para RS 1.778 entre o segundo trimestre de 2020 e igual período deste ano.

A marca de R$ 1.778 é a menor da série histórica, com dados desde 2012. A retração de 14,8% é a maior entre as dez atividades pesquisada pelo IBGE.

Adriana Beringuy, analista da pesquisa do IBGE, explica que o setor da construção contempla desde o mercado imobiliário e grandes obras de infraestrutura até pequenas reformas em casas e apartamentos.

Ela ressalta que o aumento da população ocupada tem sido acompanhado pelo reingresso de trabalhadores informais no mercado de trabalho, o que acaba reduzindo o rendimento médio.

“Tivemos muitos relatos de pessoas fazendo obras ou pequenas reformas em casa. A construção, de alguma forma, vem conseguindo repor seu quantitativo de trabalhadores. Mas, agora, há um conjunto de trabalhadores com salários mais baixos”, diz Adriana.

Os dados da Pnad não chegam a detalhar se os ocupados de cada setor da economia atuam com ou sem carteira assinada ou CNPJ. Mas, em números gerais, é possível medir a retomada de postos informais no Brasil.

Entre o segundo trimestre de 2020 e igual intervalo de 2021, o grupo de empregados sem carteira assinada, na economia como um todo, teve alta de 16% – de 8.6 milhões para 10 milhões de trabalhadores. Nos empregados com carteira (30,2milhões), houve relativa estabilidade, com variação positiva de 0,1%.

Já o número de trabalhadores por conta própria sem CNPJ, na economia como um todo, teve alta de 17,1% no mesmo período – de 16,3 milhões para 19,1 milhões. Enquanto isso, o grupo por conta própria com CNPJ registrou avanço menor, de 7,3%: passou de 5,4 milhões para 5,8 milhões. ”A gente atribui isso (aumento na população ocupada com queda no rendimento) à informalidade. Os informais sofreram mais quando a pandemia chegou. Agora, estão retomando”, analisa a economista leda Vasconcelos, da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da construção).

leda acrescenta que, no mercado formal, a construção também registrou melhora no emprego durante a pandemia. De janeiro a julho deste ano, o setor acumula saldo positivo de 208,3 mil vagas geradas com carteira, conforme os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia. O resultado representa a diferença entre contratações e demissões nas empresas do ramo.

Das 10 atividades que aparecem na Pnad, do IBGE, 9 tiveram alta na população ocupada entre o segundo trimestre de 2020 e igual intervalo de 2021. Depois da construção, a segunda maior elevação foi verificada pela agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura. Nesse setor, a população ocupada subiu 11,8%, passando de 8 milhões para 8,9 milhões.

A única atividade com variação negativa no número de trabalhadores foi administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais. Houve baixa de 1.4%, e o número de ocupados passou de 16,8 milhões para 16,6 milhões.

Quando o assunto é rendimento médio habitual, apenas uma das dez atividades teve variação positiva entre o segundo trimestre de 2020 e igual intervalo de 2021.

Trata-se do setor de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. O rendimento médio habitual nesse ramo subiu 1%, de R$ 3.574 para RS 3.611.

“No segundo trimestre do ano passado, muita gente ficou desempregada, mas boa parte dos trabalhadores com maior qualificação conseguiu ficar no mercado, o que fez a renda média subir na época. Agora, é o oposto, a renda vai para baixo”, frisa o economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

“Com a vacinação contra a Covid-19, a ocupação vai aumentar, mas pressionada por salários menores e inflação mais alta. Isso afeta o poder de compra da população. Ainda há um grande contingente de trabalhadores a ser incorporado pelo mercado de trabalho”, completa o pesquisador.

EU ACHO …

TEORIA E PRÁTICA

Por trás de certos comportamentos radicais há sempre outro lado

Ela é tida como santa no Centro-Oeste, onde mora. Bonita, sofisticada, chegou a ser miss. Dedica a vida a cãezinhos e gatinhos. Tem ONGs. Já adentrou uma comunidade na madrugada para salvar uma vira-lata que sofria maus-tratos. Procura lares para os órfãos. Mesmo quando uma amiga não está disposta a adotar, pede verbas para remédios e tratamentos. Prepara o bichinho abandonado para a vida, não o deixa só. Posta no Instagram para incentivar novos colaboradores. Irrita-se com quem não gosta de bichos. É capaz de ficar solteira. Sem um pet, jamais.

Há algum tempo, resolveu fazer uma plástica. Não uma simplesinha. Mas no corpo. Abdominoplastia inclusive. Rosto, que os 40 já se anunciam. Enfim, uma reestruturação geral. Até costumo chamar certo tipo de plástica de engenharia, tão fundas são as intervenções. Foi o caso.

Veio para São Paulo e hospedou-se na casa da melhor amiga, que morava só com seu gato em um apartamento muito, muito alto. Operada e toda costurada, de colete na barriga, deitou-se. No primeiro dia, foram as comidinhas, as gentilezas. No segundo, a amiga saiu para trabalhar. Deitada, mal podendo se mexer, ouve:

_ Miauuuu. – Era o gato!

Por um poder de atração que só os gatos têm, este sentiu-se imediatameote atraído pela barriga costurada. Foi até ela e ron, ron, ron. Apavorada, ela sentia as unhas riscando o colete curativo. Rash, rash, rash. Os pontos do rosto quase explodiram de nervosismo.

_ Esse gato, não sei, não _ pensou. Mas era um gatinho tão lindo, e ron, ron, ron.

A dona da casa chegou, abraçou o gatinho. Contou que era seu grande companheiro na vida. Disfarçadamente, a operada observava o gato.

No dia seguinte, mesma rotina. Sozinha com o gato. E lá veio ele, ávido. Parece um conto de Edgar Allan Poe, não é? Ele esticou as garras e rush, rush, rush. Mais forte que no dia anterior. Ela reuniu todas as forças, que nem tinha. Levantou-se. Foi até a janela próxima da cama. Abriu. Deitou-se novamente.

O gato veio. Esticou as patinhas. Num impulso único, ela ergueu o bichano e o fez voar pela janela.

Silêncio aliviado. A dona da casa chegou.

_ Pit pit pit… cadê meu gatinho?

_ Não vi.

_ Mas quando saí ele estava aqui.

_ Sei lá, eu dormi…

Cadê o gatinho?

A outra chorando vasculhou cada centímetro do apartamento.

_ Não pode ser, gatos não desaparecem.

_ Eu também acho, mas dormi tão bem…

Lá embaixo, nem sinal. Nem mesmo estatelado na rua.

Resumo: nunca mais se ouviu falar do gatinho. A dona até hoje chora, era um amor tão grande. A outra consola.

_ Eu arrumo outro. Há tantos gatos sem donos.

_ Não quero, não quero.

Refeita da plástica, voltou para suas ONGs. Recebe doações. Salva animais. E o segredo do gato ficará guardado para sempre. Só soube por mera casualidade. Foi bom. Gosto de saber que por trás de certos comportamentos radicais há sempre outro lado. Quem grita muita teoria, quem fala muito de boas ações e espeta o dedo para criticar o outro, muitas vezes é o primeiro a fazer o oposto do que diz.

*** WALCYR CARRASCO

ESTAR BEM

PERIGO NO PEDAL

Estudo americano mostra que lesões na medula espinhal são mais frequentes em acidentes com ciclistas. No Brasil, as ocorrências sobre duas rodas cresceram 30%

Andar de bicicleta é uma paixão mundial e também um meio cada vez mais popular de transporte. Até por essa razão, ganha especial relevância a conclusão a que chegaram pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que se dedicaram a descobrir qual a prática esportiva que mais eleva o risco de ocorrência de lesões na medula espinhal. Depois de analisarem informações sobre as causas de ferimentos medulares em mais de 80.000 adultos, os cientistas constataram que 12.000 casos foram resultado de acidentes em alguma prática esportiva. Desses, 81% envolveram ciclistas, a maioria por queda da bicicleta ou choques com carros. Lesões na medula espinhal são sérias. Ela está localizada dentro da espinha vertebral e tem a função de levar ao resto do corpo os comandos enviados pelo cérebro. É como se fosse um fio, no seu caso feito de fibras nervosas, que começa no final do tronco cerebral e se estende quase até o fim da espinha. Dependendo do ponto no qual é atingida, o indivíduo pode ficar tetraplégico, paraplégico ou morrer.

O cenário levantado pelos americanos não é muito diferente do encontrado no Brasil. De acordo com estudo que acaba de ser finalizado pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, o total de acidentes graves com ciclistas aumentou 30% nos cinco primeiros meses de 2021 quando comparado ao mesmo período de 2020. Em números absolutos, houve 6.792 episódios neste ano. No ano passado, foram 5.022. A maioria (80%) atingiu homens entre 20 e 59 anos.

É claro que nem todo acidente terá como consequência uma lesão medular. O problema é que a combinação entre desrespeito às leis de trânsito, por parte de motoristas e de ciclistas, e negligência em relação ao uso de equipamentos de segurança, por parte de quem pedala, eleva a chance de isso acontecer. “Um dos principais fatores do alto número de ferimentos em ciclistas é a não utilização de proteção adequada”, afirma o ortopedista Alexandre Cristante, chefe do Grupo de Coluna e Trauma Raquimedular do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. “Quando o ciclista bate em outro veículo, o anteparo acaba sendo ele mesmo”, explica. Mesmo se a bicicleta estiver em baixa velocidade, o estrago pode ser grande. “Se o ciclista correr a 40 quilômetros por hora, passar em um buraco, perder o controle, cair ou bater em um carro, pode se machucar seriamente. Vemos muitos deles com lesões graves depois de situações assim”, alerta o fisiatra Fabrício Buzatto, membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte e médico do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Espírito Santo.

Espera-se que levantamentos como o de Harvard e o da associação brasileira acelerem a implementação de políticas públicas de prevenção para tornar o ciclismo mais seguro. “As cidades precisam se transformar em locais mais viáveis para quem anda de bicicleta”, diz o médico Buzatto. Não só isso. A Associação Brasileira de Ciclistas também recomenda que os adeptos tenham maior compromisso na utilização de equipamentos de segurança como capacete, joelheiras e cotoveleiras. Sem falar da importância de motoristas e ciclistas respeitarem as regras e sinalizações de trânsito. A civilidade é compulsória.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTUDO EM SP TESTA USO DE ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA CONTRA DEPRESSÃO EM IDOSOS

Técnica não invasiva era utilizada normalmente em algumas doenças neurológicas e psiquiátricas, como Parkinson, e tem agora novo foco de análise pelo Instituto de Psiquiatria do HC. Eficácia do tratamento é a mesma dos antidepressivos, em torno de 50% a 60%

O tratamento da depressão é um desafio no caso de quem tem acima de 60 anos. Em geral, os idosos chegam aos consultórios usando outras medicações e, muitas vezes, o diagnóstico está camuflado por outras queixas. Agora, o Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clinicas da Universidade de São Paulo (USP) estuda uma técnica, sem medicamentos, que podes ser alternativa ao tratamento de um dos transtornos mentais mais relacionados aos suicídios nessa faixa etária.

A estimulação magnética transcraniana repetitiva é uma técnica não invasiva que estimula pequenas regiões do cérebro. Era utilizada normalmente em algumas doenças neurológicas e psiquiátricas, como Parkinson, e passa a ser estudada no tratamento para depressão em idosos. A grosso modo, os neurônios não se comunicam bem durante a depressão. Com isso, eles não conseguem liberar os neurotransmissores, responsáveis pela sensação de bem-estar e recompensa. Por isso, o paciente tem a sensação de desânimo. A estimulação magnética faz os neurônios voltarem a se comunicar. A área estimulada está ligada a memória, atenção e planejamento. E isso também traz uma melhora cognitiva.

“Como não é um tratamento farmacológico, ele não tem interação medicamentosa e não interage com outros órgãos. Isso é importante para o público idoso”, explica o psiquiatra Leandro Valiengo, coordenador do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação do instituto.

O advogado Wagner Daniele durante quatro anos relutou em procurar ajuda médica. Temia o preconceito. “As pessoas falam’ Ah, esse cara é vagabundo’ . Por mais que você queira lutar, você não encontra forças. Falta motivação para fazer as coisas que dão prazer. Por isso, o estigma”, relata. Quando decidiu que não dava mais para “se virar sozinho, como diz, buscou os métodos convencionais de tratamento. Passou por cinco psicólogos, além de terapeutas de linhas diferentes.

Insatisfeito, abandonou tudo. Literalmente. Depois de 35 anos como advogado bem-sucedido, fez ano sabático. Era 2019.  Não tinha vontade nem de correr, uma de suas paixões, e deixou de falar até com os mais chegados. Bebia – uma garrafa de aguardente durava dois dias. Fazia isso em casa, sozinho.

No ano passado, encontrou a saída na pesquisa do HC em uma busca na internet.Com o tratamento, retomou a vida. Voltou a trabalhar e hoje é consultor imobiliário. “O tratamento deu motivação. Estou bem melhor do que antes.

EFICÁCIA

Valiengo alerta, porém, que alguns pacientes melhoram; outros não. A eficácia do tratamento é a mesma dos antidepressivos, em torno de 50% a 60%. Conclusões estatísticas mais precisas serão possíveis apenas ao fim do estudo. Desde o ano passado, a pesquisa já tratou 60 idosos acima de 60 anos – a meta é alcançar 110, o que deve acontecer na metade do ano que vem.

Embora comum nos Estados Unidos, onde foi aprovada em 2012, a técnica ainda é pouco conhecida no Brasil. Por aqui, sua validação pela Agência Nacional Vigilância Sanitária (Anvisa)e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)data de 2012. Outro fator que dificulta a popularização são os custos da sessão, entre RS300 e RS500. E não há cobertura convênios.

Christiane Machado Santana, diretora Científica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), alerta ainda para a necessidade de mais pesquisas sobre essa técnica. “Não é um método muito usado. Mas é interessante pensarem uma forma praticamente isenta de efeitos adversos para uma população tão exposta a medicamentos. Mais pesquisas são necessárias para que se torne um método alternativo, válido para o tratamento da depressão em idosos “, observa.

Essa é a mesma opinião do psiquiatra Lucas F. B. Mella, especialista em psicogeriatria, coordenador do Serviço de Psiquiatria Geriátrica e Neuropsiquiatria da Unicamp. “É uma boa alternativa de tratamento, mas ainda é pouco frequente na prática clínica”.

SUICÍDIO

Segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a depressão atinge 13% da população entre 60 e 64 anos. Se não diagnosticada corretamente, é um transtorno mental que pode levar ao suicídio. “Entre os transtornos mentais  , representa o maior risco de suicídio”, diz Carlos Cais, doutor em prevenção ao suicídio.

Dados do Ministério da Saúde de 2019 mostram que a taxa de suicídios em idosos é de 19,6/100 mil habitantes por ano, o triplo do conjunto da população (6,5/l00 mil habitantes ano). De acordo com  a ABP, são registrados mais de 13 mil casos todos os anos no Brasil. “É a faixa etária que mais comete suicídio, ressalta Cais.

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