OUTROS OLHARES

‘PETS-PROPAGANDA’ VENDEM PRODUTOS PARA HUMANOS

Cães vendem chocolate sabonete e até vinho: agência de estrelas animais viu demanda disparar na pandemia

A vira-lata caramelo Malu tinha seis meses quando foi resgatada das ruas. Assim que ganhou um lar, não demorou para começar a tocar o terror. mordia tudo, pulava e destruía a casa. Por isso, sua tutora, a consultora de negócios de moda Nathalia Freire procurou Jeová Teixeira de Oliveira, da Escola Estrela Animais, em São Paulo. Hoje com 5 anos, Malu aprendeu tanto que se tornou uma das celebridades mais requisitadas do mundo da propaganda: já fez campanhas para marcas como Garoto, Palmolive e Laboratórios Dasa. Chega a fazer vários filmes por semana.

Não é à toa que cada vez mais produtos para humanos ganham campanhas estreladas por cães e gatos. Pesquisa realizada em junho deste ano pelas empresas DogHero (espécie de Air bnb para bichos) e o site Petlove mostrou que, entre 2.665 pessoas entrevistadas em todo o País, 54% adotaram um animalzinho na pandemia. Com mais fãs entre os consumidores, foi natural para a publicidade lançar mão das estrelas animais para vender mais para seus donos.

“Antes da pandemia, eu gravava em média dois comerciais por semana com animais”, diz Jeová Oliveira, da Escola Estrelas Animais. Agora, de quatro a cinco por dia”, afirma ele. “E como cada produtora pede um teste próprio de covid, tem vez que chego a fazer três exames por dia, com aquela haste no nariz”, brinca Oliveira.

E a cadelinha Malu é uma das mais requisitadas, diz o adestrador, que também trabalha com gatos, cavalos e cabras. No início do mês, Malu foi a Salvador gravar uma campanha com Ivete Sangalo.

Usar animais e crianças é uma saída clássica da propaganda. A ideia é tentar criar conexões emocionais com o consumidor. “É quase uma covardia porque as pessoas amam os  bichos. Quando elas veem um bichinho numa propaganda, algo bate no cérebro delas que destrava essa coisa de fofura”, diz Bruno Brux, diretor executivo de criação da agência GUT.

E isso gera não só uma sensação de carinho como cria uma lembrança forte do bicho e, consequentemente, do produto.

Quem, por exemplo, não se lembra dos bichinhos da Parmalat, do cachorrinho dos amortecedores Cofap, ou dos ursos polares da Coca Cola?

VINHO DOS DOGS

Agora , com mais gente vivendo com pets em casa, essa conexão humano-animal tem se fortalecido na propaganda. É por isso que cada vez mais produtos sem relação com o  mercado pet apostam nos bichinhos. Até o setor de vinhos está entrando nessa onda.

A plataforma online Wine 2 You lançou uma coleção de vinhos na qual a estrela são cães de raças diferentes nos rótulos. “Um dos nossos produtores na França teve a ideia de pôr o basset dele no rótulo, e atraiu muita atenção. Então, agora, lançamos outro vinho italiano, com um galgo. Vamos ter também mais raças para vinhos de outros países”, diz Hildebrando Lacerda, diretor comercial da empresa.

“Quem nunca comprou um vinho pelo rótulo que atire a primeira pedra”, diz Cibele Siqueira, sommelier da concorrente Wine, que não ficou para trás. A empresa também lançou uma coleção de vinhos com rótulos em que figuram uma raposa, uma lhama e um gato do mato. “Esse amor pelos bichos aproxima a vinícola da pessoa e atrai gente nova para o mundo dos vinhos”, diz ela.

Os bichos estão em tudo recentemente: a Amazon tem um filme no ar com um gato que brinca com um aspirador robô; a Garoto estrelou um filme com a vira-lata Malu; um labrador que fala fez o filme da Positivo Casa Inteligente. A AliExpress tem um coelhinho animado que fala e, no ano passado, até o Banco Central usou um vira-lata para falar da nota de RS200.

A rede Burger King foi além: começou a vender um biscoito canino para atrair – e fidelizar ­ os donos de cães. Na campanha, criada pela David, cinco cães diferentes dominam a cena.

“As pessoas transferem um pouco do amor que sentem pelos bichos para a marca”, diz Priscila Ceruti, diretora de estratégia da Dentsumergarrybowen. Mas, alerta ela, não é qualquer filme de bicho que faz  sucesso. Se o consumidor percebe que houve algum tipo de sofrimento para o animal, o feitiço vira contra o feiticeiro. “Humanizar demais o animal também é estranho. Esse exagero pode gerar desconforto. Pode ser um tiro no pé”, diz a executiva.

‘MAKING OF’

Gravar com animais não é fácil, diz Brux, da GUT, que usou a cadela Malu e mais dois cães no filme da chocolates Garoto. “Dá muito trabalho porque eles, por mais treinados que sejam, são imprevisíveis”.

Por isso, a produção precisa passar um “briefing” para o adestrador com, pelo menos, duas semanas de antecedência. “Assim, a gente já vai treinando o animalzinho para ele fazer o que está no roteiro. Chegando lá, fica tudo mais fácil”, diz Jeová, da Escola Estrelas Animais.

Muitas vezes, para não exigir muito de apenas um cão, dois bichos semelhantes são usados. A tecnologia também ajuda. Em 2000, a GUT fez um filme do Dia dos Pais para o Mercado Livre, protagonizando um ratinho que queria comprar uma esteira para seu dono. “Usamos um ratinho só para o filme todo. Para alguns movimentos que ele não conseguia fazer, utilizamos um ratinho robótico”, conta Brux.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 01 DE NOVEMBRO

A PURIFICAÇÃO DO PECADO

Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?” (Provérbios 20.9).

O pecado é uma mancha, uma mácula que contamina nosso corpo e nossa alma. É uma barreira que nos separa de Deus, do próximo e de nós mesmos. O pecado é o pior de todos os males. É pior do que a pobreza. Ninguém jamais pereceu no inferno por ser pobre, mas o pecado lança o homem da presença de Deus eternamente. O pecado é pior do que a doença. Ninguém foi para o inferno por estar doente. O pecado, porém, leva o homem à condenação eterna. O pecado é pior do que a própria morte, pois a morte não nos pode separar de Deus, mas o pecado separa o homem de Deus agora e para sempre. A Palavra de Deus diz que todos pecaram, e não há justo nenhum sequer, mas também diz que nenhum homem pode se purificar do seu pecado. Assim como um homem não pode se levantar pelos cordões dos seus sapatos, também um pecador não pode purificar a si mesmo de suas iniquidades. E assim como um leopardo não pode alterar as manchas de sua pele, também um pecador não pode se purificar dos seus pecados. Somente o sangue de Jesus pode purificar-nos de todo pecado. Só Deus pode purificar-nos de toda injustiça. Só Deus pode dar-nos um novo coração e limpar o nosso interior.

GESTÃO E CARREIRA

PROFISSIONAL LGBTQI+ SE SENTE MAIS INTEGRADO

55% dizem abordar a orientação sexual com colegas, mas falar com chefia ainda é tabu

Falar sobre orientação sexual e identidade de gênero em um ambiente de trabalho pode parecer mais natural em 2021, mas essa ainda não é a regra em todas as empresas. Em uma pesquisa da consultoria Mais Diversidade, apenas 15% dos profissionais LGBTI+ disseram falar explicitamente sobre o tema com sua liderança. Embora 55% digam falar com “todas as pessoas” no trabalho sobre o tema, esse índice cai muito quando a figura específica do chefe entra em cena.

Diferentemente do que ocorria há alguns anos, os profissionais LGBT falam sobre o tema mais abertamente – apenas 20% deles não falam com ninguém no trabalho sobre o assunto. Os dados fazem parte da pesquisa “O Cenário Brasileiro LGBTI+”, que mostra que o ambiente do trabalho ajuda as pessoas a se abrirem. Enquanto 80% dos entrevistados conversam sobre o tema com alguém na empresa (líder, colegas ou amigos), 83% falam com a família.

Quando questionados sobre o que é mais importante para o profissional LGBT no trabalho, em primeiro lugar vem o ambiente inclusivo (74%), em segundo, referências LGBT em cargos executivos (54%); e oportunidades de desenvolvimento de carreira (45%). Para a comunidade transgênero, em segundo lugar aparece o desenvolvimento de carreira (58%) e, depois, as referências entre executivos (37%).

“Os dados confirmam questões que vemos na nossa prática profissional. É atribuída uma importância grande ao clima organizacional, à segurança psicológica, a um espaço em que eu possa ser quem eu sou onde eu sinta que possa me levar por inteiro”, diz Ricardo Sales, consultor e sócio fundador da Mais Diversidade.

A pesquisa também mostra que quem não fala sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero com ninguém no trabalho costuma ter intenção maior de mudar de emprego. Entre os que pretendem mudar de emprego, 72% não falam abertamente sobre o assunto.

A pesquisa ouviu 2.168 profissionais do país de organizações de grande porte (56%), pequenas e médias empresas (26%), outros setores (15%) e desempregados (3%). Na pesquisa de formulário online, 73% dos participantes se declararam homossexuais (gays ou lésbicas), seguidos por bissexuais (16%), pansexuais (5%), heterossexuais (5%); 1% marcou a opção outros. Ao todo, 5% da pesquisa foi respondida por pessoas transgênero – segundo relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), as pessoas trans correspondem a 1,9% da população brasileira. Apesarde haver um apagão de dados em relação ao público LGBT – nenhuma pesquisa oficial, como o Censo faz esse tipo de pergunta -, a estimativa é de que haja 18 milhões de brasileiros LGBT, segundo a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

VOZ

Adriana Ferreira, de 50 anos, mulher cisgênero e lésbica que até a última semana ocupava o cargo de líder de diversidade da IBM na América Latina, diz que se sentiu confortável em falar sobre sua orientação sexual desde os primeiros dias na IBM. “Tenho certeza de que minha carreira alavancou porque eu não tinha de esconder quem era a minha esposa. Quando me casei, eu tive apoio irrestrito para a preparação do casamento, com as dificuldades que eu tive com a minha família. Imagina eu tendo que passar por tudo isso sem falar que eu ia me casar ou mentindo que eu ia me casar com um homem?”, lembra Adriana, que hoje atua na consultoria Mais Diversidade.

Já Argentino Oliveira, diretor de gente e gestão da Suzano, demorou sete anos para falar do tema no trabalho. “Para sair do armário, tive de, primeiro, ter a minha aceitação pessoal e da família. No meio disso tudo tinha o mundo corporativo. Em algum momento, sabia que isso ia precisar ser aberto, porque o fato de não abrir te faz despender uma energia muito grande.”

Para Danielle Torres, sócia-diretora de práticas profissionais na KPMG e mulher transgênero (que não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascimento), de, 38 anos, conseguir falar sobre a sua identidade de gênero foi um divisor de águas. Por muitos anos eu criei uma identidade masculina  porque me parecia, não só na organização, mas no social, que era a única possível. Era um tabu para mim. Até que, há sete anos, falei com a organização. Imaginava que era o fim da minha carreira, mas ficou mais fácil trabalhar. O ‘antes’ eu mal me lembro, porque era uma batalha, como se todo dia eu acordasse e me esforçasse de uma maneira inacreditável para conseguir sobreviver. Depois começou a vida.”

EU ACHO …

PRESENTE EGOÍSTA

Ao passar em frente a uma prateleira cheia de brinquedos em um supermercado, não resisti a uma pequena caixinha colorida cheia de pecinhas. Brincar de Lego era um dos passatempos preferidos da minha infância.

E sei que minha filha Alice, de 3 anos, também já gosta bastante. No entanto, ao ler a indicação da caixa, vi que era recomendada para crianças acima dos 8 anos por ser composto por pecinhas bem pequenininhas que formavam um carro elétrico dirigido por duas meninas.

Mãe questionadora que sou, achei o brinquedo incrível, além de gostar da ideia de um carro movido a uma energia menos poluente, com duas meninas como protagonistas de uma cena geralmente destinada a meninos. Comprei a tal caixinha sedutora, mágica e disruptiva. Indo contra a recomendação de idade.

A dúvida que restava era: o presente era para a Alice ou para mim? Para a Alice, óbvio. “Onde já se viu uma mãe comprar um brinquedo para si?”, pensei, no mesmo instante. Por outro lado, também refleti: “Porque uma mãe não tem direito a um brinquedinho?”.

Ao chegar em casa, mostro a caixinha para Alice que imediatamente fica seduzida e grita: “Lego, Lego! Um presente para a Alice”. Esperta! Abrimos juntas a caixa e ela diz: “É a Alice que faz”. Ela está em uma fase que quer mostrar autonomia. Gosta de se vestir sozinha e não aceita quando dizemos que os sapatos e a roupa estão ao contrário.

Percebi que mesmo a mamãe aqui teria um desafio para dar vida ao tal carro elétrico. As peças eram menores doque eu esperava. Ao espalharmos no chão, observei Alice tentando encaixá-las e, em poucos minutos, já estavam por toda a parte. Com isso, fui ficando desesperada com a perspectiva de perder alguma parte e não conseguirmos mais montar o carrinho. Ficaríamos as duas frustradas.

Minha estratégia foi chamar o papai e pedir para distraí-la enquanto eu montava o automóvel. Assim, dividiríamos o brinquedo: eu ficaria com a parte da montagem, e ela com a de brincar. Perfeito na minha cabeça.

Com o manual na mão, Alice fora de cena e a porta fechada, lá fui eu. Suando e concentrada, revivendo momentos da infância, montei o carrinho em meia hora. Ao sair do quarto, orgulhosa e com o brinquedo na mão, mostrei o resultado para ela. Para minha surpresa, Alice responde aos berros: “É a Alice que faaaaz”. Com a carinha molhada de lágrimas e soluçando, ela começou a desmontar o carrinho e a jogar as peças para todos os lados.

Frustração total. Ela queria mesmo ter montado sozinha. Entendi que deveria ter assumido que este era um presente pra mim e não para ela. E, ao pensar num brinquedo para Alice, entendi que deveria refletir sobre a possibilidade de ela conseguir montar e brincar com ele sozinha, tal qual é o seu desejo atual, de construir sua autonomia, e não de receber um brinquedo já pronto.

É o típico presente que você dá para o outro pensando em você. Muito comum entre pessoas que querem fazer o bem para o próximo, mas estão pensando em si mesmas, mesmo sem perceber. Quem nunca?

***LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

ESTAR BEM

FÍGADO LIVRE DE GORDURA

Novos estudos reforçam o papel da alimentação no combate à doença conhecida como esteatose hepática, que faz engordar e põe em risco esse órgão tão precioso

Para povos antigos, caso dos babilônios, fígado era considerado a sede da vida e da alma humana. Ainda que tal simbologia pertença ao passado, o papel desse órgão continua sendo louvado pela medicina do século 21. Ele desempenha centenas de funções, que vão desde a participação no processo digestivo e a eliminação de toxinas até o processamento de uma série de remédios. Fora isso, atua como reservatório de energia e na transformação de nutrientes. Tamanha versatilidade só perde para a sua resistência. O fígado pode ser castigado por anos a fio sem dar sinais. Entre as causas mais comuns desse sofrimento calado desponta um mal cujo nome científico não reflete sua popularidade na barriga das pessoas: a esteatose hepática não alcoólica.

A designação soa estranha, mas dissecá-la ajuda a entender: “esteato” indica sebo ou gordura, e o sufixo “ose” costuma se referir a doenças. Sendo direto ereto, é gordura no fígado! Ao ficar mais rechonchudo, esse órgão passa a sediar uma inflamação, que, aos poucos, debilita suas atividades e pode terminar em uma cirrose. Pois é, como a terminologia entrega, não é só o abuso de bebida alcoólica que é capaz de levar o fígado à falência. Estima-se que a esteatose acometa entre 25 e 30% da população adulta no planeta – percentual em ascensão, diga-se. “É uma epidemia silenciosa”, afirma a hepatologista Bianca Della Guardia, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, em São Paulo.

A incidência dispara conforme o mundo engorda. ”Alterações metabólicas promovidas pelo ganho excessivo de peso, entre outros aspectos, favorecem o acúmulo de gordura nas células do fígado, os hepatócitos”, explica a gastroenterologista Nilma Ruffeil, do Hospital Moriah, na capital paulista. Não à toa, o emagrecimento é uma das principais estratégias para se livrar do distúrbio. O processo, entretanto, deve ocorrer de forma gradual, sem radicalismos à mesa.

Uma revisão de estudos publicada no periódico Nutrients revela que a perda de apenas 7% do peso já promove a redução de gordura no fígado. Para chegar a essa conclusão, os cientistas destrincharam mais de 100 pesquisas e esmiuçaram o papel do estilo de vida no combate ao problema. Como sempre, a dupla cardápio equilibrado e atividade física aparece como redentora. “Vale frisar que nenhum nutriente pode ser apontado como vilão nem herói”, pondera o nutricionista Dennys Cintra, que investiga o assunto na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista. O equilíbrio é mais que bem-vindo para manter o fígado em forma.

Outra vez o passado visita o presente nos assuntos do fígado. Hábitos milenares dos povos que vivem às margens do Mar Mediterrâneo são especialmente aclamados no controle da esteatose hepática. A chamada dieta mediterrânea aparece na revisão da Nutrients e também é destaque em um novo trabalho da Universidade de Sevilha, na Espanha, recém-publicado no periódico da Associação Internacional para o Estudo do Fígado. Considerado um patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco, esse cardápio contempla cultura, ambiente, atividade física e, claro, comida, numa mistura de qualidade nutricional e muito prazer à mesa.

Nenhum ingrediente fica de fora desse menu. Há espaço para carboidratos, vindos especialmente dos grãos, mas também fornecidos por massas e pães caseiros no dia a dia. O azeite de oliva é uma estrela, trazendo gordura da melhor espécie. Pescados preenchem a lacuna das fontes de proteína. Frutas e hortaliças variadas enriquecem e colorem o prato. Acrescentemos, ainda, boas doses de atividade física – lá, ninguém fica parado. Fora as boas escolhas à mesa, sobram evidências deque abolir o sedentarismo da rotina dá um chega pra lá no excesso de gordura pelo corpo, inclusive no fígado.

Outra dieta mencionada no estudo espanhol é a Dash, sigla para Dietary Approaches to Stop Hypertension, ou, traduzindo dieta para combater a hipertensão. Ela foi criada há mais de 20 anos por pesquisadores americanos com o objetivo original de ajudar no controle da pressão arterial. Mas segue surpreendendo por outros efeitos no organismo. A Dash já se mostrou capaz de facilitar a perda de peso, auxiliar no controle dos níveis de insulina e glicose no sangue e colaborar na manutenção das taxas de colesterol – um combo particularmente bem-vindo às artérias. Essa atuação conjunta também diminui o risco de desequilíbrios metabólicos por trás do estoque exagerado de gordura nas células hepáticas. A receita da Dash é bem parecida com a da mediterrânea: pegue uma porção de cereais integrais, adicione frutas, verduras, legumes, castanhas, carnes e laticínios magros e distribua pelas refeições, moderando no sal e no açúcar.

Ainda que esses dois modelos dietéticos tenham origem no Hemisfério Norte, não é necessário caçar ingredientes gringos para compor o prato amigo do fígado. ”A sugestão é explorar a variedade e a beleza dos alimentos brasileiros”, recomenda o professor Dennys Cintra. Fica o convite para escapar da monotonia no cardápio, experimentando as riquezas nacionais. São muitas opções nutritivas, saborosas e mais acessíveis.

Os cientistas ainda chamam a atenção para o elo entre a saúde do fígado e a microbiota intestinal. Apopulação de bactérias que habita nosso aparelho digestivo tem sido analisada em laboratórios mundo afora. “Na última década, ela passou a ganhar destaque no meio científico e clínico principalmente por seu papel no metabolismo”, comenta a nutricionista Camila Guazzelli Marques, que estuda essa história na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Pesquisas associam males como a obesidade, o diabetes tipo 2 e a esteatose hepática com o desequilíbrio entre certas bactérias que moram na gente, quadro conhecido pelos especialistas como disbiose. Para ajustar esse ecossistema, aumentando o contingente de micro-organismos benéficos, a indicação de Camila é priorizar o consumo de alimentos in natura e minimamente processados. Essa recomendação, inclusive, tem tudo a ver com cardápios plant-based, que além de excluírem a comida de origem animal da rotina, restringem os industrializados. “Estudos associativos mostram que dietas livres de carne vermelha, ultraprocessados e afins favorecem a ação da insulina e promovem melhoras no organismo como um todo”, observa a nutricionista Gabriela Parise, da clínica NutriOffice, na capital paulista, e doutoranda em cardiologia na Universidade de São Paulo (USP). Em paralelo, há trabalhos apontando uma conexão entre a doença gordurosa no fígado e o consumo exagerado de gorduras saturadas e trans, além de açúcares, padrão sempre relacionado à chamada “dieta ocidental”.

A nutricionista Giovanna Oliveira, da Clínica Maria Fernanda Barca – Endocrinologia e Metabologia, em São Paulo, também é entusiasta de um espaço privilegiado para os vegetais. ”Assim não vão faltar antioxidantes e compostos anti-inflamatórios”, justifica. A lista de benfeitores inclui a turma dos carotenoides (cenoura, tomate…), flavonoides (uva, chá-verde…) e tantos outros. “Dependendo dos alimentos, haverá sinergia entre as substâncias. Com isso, os efeitos serão potencializados”, defende Giovanna. No organismo, isso se traduz em menos inflamação para as bandas do fígado.

Aliás, fica um recado para quem riscou o suco natural da rotina por medo da frutose, o açúcar presente nas frutas. Jamais a laranja espremida na hora vai botar o fígado em risco. Abebida feita em casa e com bom senso não irá alcançar a quantidade de açúcar encontrada nas versões industrializadas em saquinhos e caixinhas. Alição do passado que continua atualíssima é: dentro do devido equilíbrio, qualquer alimento pode ser degustado sem o pé atrás…e o fígado na berlinda.    

CARBOIDRATO NO DEVIDO LUGAR

Sem ele, sobra desânimo. Especialistas recomendam priorizar o tipo complexo, que demora a ser convertido em glicose, evitando picos de insulina. Assim, resguarda não só o fígado, mas pâncreas, artérias e afins. Suas fontes – tubérculos, raízes, frutas, cereais, grãos, massas e pães integrais -devem entrar em todas as refeições, na medida certa. A nutricionista Renata Juliana da Silva, coordenadora do curso Nutrição e Dietética Integrada ao Ensino Médio – Etec Uirapuru, em São Paulo, destaca a presença de fibras nesses alimentos e seus impactos positivos nos teores de moléculas gordurosos no sangue e no aumento da saciedade. “Esses efeitos contribuem para a redução de risco e tratamento de doenças crônicas”, diz.

ATENÇÃO AO AÇÚCAR!

Vários estudos mostram que o consumo desenfreado do açúcar que entra na fórmula de refrigerantes e bebidas adoçadas, por exemplo, induz à estocagem de gordura no fígado. Não à toa, adolescentes e crianças, fãs desses produtos, não estão livres da esteatose hepática.

GORDURA CERTA NO PRATO

O macete é apostar nos melhores tipos para a saúde. A trans dos industrializados deve ser evitada a todo custo. As saturadas, que aparecem nas carnes e nos lácteos, pedem parcimônia, porque o exagero desencadeia inflamações e favorece o ganho de peso. Já as monoinsaturadas, que estão no azeite de oliva, abacate, gergelim e amendoim são celebradas por colaborar no equilíbrio do colesterol. Outro grupo de gorduras prestigiado é o das poli-insaturadas. A mais estudada entre elas é o ômega-3. Pescados de águas profundas, como sardinha, atum, salmão e cavalinha, são seus grandes fornecedores.

PEQUENA NOTÁVEL

Para quem prefere os vegetais, o ômega-3 surge em sementes como chia e linhaça. Inclusive a última já se mostrou eficiente no combate à esteatose hepática. “A sinergia de suas substâncias tem ação anti-inflamatória e ajuda a reduzir os triglicérides”, explica a nutricionista e fitoterapeuta Vanderli Marchiori, de São Paulo.

BEM-VINDAS, PROTEINAS

As de origem vegetal merecem ser enaltecidas. Leguminosas e companhia brindam o corpo com proteínas e fibras, num arranjo que colabora para frear o apetite, mantendo mais estáveis os teores de glicose e gordura na circulação. Lentilha, grão-de-bico, ervilha e soja incrementam o cardápio das mais variadas formas. Outra dica é alternar os tipos de feijão. Fradinho, carioca, preto, branco ou vermelho: são muitos sabores e cores. E, para contemplar todos os aminoácidos (os pedacinhos proteicos) essenciais à saúde, é importante acertar nas combinações. Aveia, arroz, milho, quinoa, entre outros cereais e pseudocereais, são ótimos parceiros das leguminosos. Prove ainda os cogumelos, que enchem o prato de proteínas e substâncias aliadas da imunidade.

COM QUE CARNE EU VOU?

Para quem não fica sem um bife, só não vale exagerar no tamanho e na gordura. O filé-mignon e o patinho são considerados cortes mais magros. Os nutricionistas também pedem para incluir os pescados no cardápio.

PROBIÓTICOS PEDEM PASSAGEM

Bifidobactérias e lactobacilos: essa é a dupla que representa o que há de mais clássico quando se fala em probióticos. São micro-organismos do bem que povoam nosso intestino e estão presentes em alguns iogurtes e bebidas lácteas enriquecidas. Observe os rótulos e os nomes dos bichinhos. Há ainda suplementos que devem ser consumidos sob orientação profissional. A indústria quer aumentar o leque de alimentos com esses parceiros microscópicos. Mas o desafio é garantir que as bactérias consigam passar, vivas e em grande volume, pelo ambiente ácido do estômago. Na revisão publicada na revista Nutrients, alguns estudos mostram o impacto de probióticos no equilíbrio de glicose e gorduras em circulação, o que contribui para o combate à esteatose.

NÃO SE ESQUEÇA DOS PROBIÓTICOS

São fibras especiais que alimentam e fortalecem as bactérias do bem. Respondem ainda pela formação de ácidos graxos de cadeia curta, turma de ação anti-inflamatória. Estão em aspargo, cebola, chicória e alho.

E O ÁLCOOL?

A esteatose hepática não alcoólica, definição oficial da gordura no fígado, tende a ganhar nova nomenclatura. Um grupo de cientistas propõe que deva ser chamada de doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica. Eles elaboraram um relatório que acaba de ser publicado no periódico científico Journal of Hepatology. Mas, ainda que a maior parte dos casos realmente tenha relação com a obesidade e as alterações nos níveis de insulina e triglicérides, estima-se que pelo menos 30% da incidência esteja relacionada ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas. É que o álcool também induz a um maior armazenamento de gordura nos hepatócitos e promove inflamações. Sem contar que é um dos principais causadores de cirrose. Beber com muita moderação é, portanto, sempre a melhor pedida para preservar o órgão.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EXPOSIÇÃO DE CRIANÇAS NAS REDES CRESCE NA PANDEMIA E VIRA ATÉ FONTE DE RENDA

Prática ganhou até nome: sharenting, junção dos termos em inglês share (compartilhar) e parenting (paternidade).

O álbum de fotografias, à mão sempre que uma visita surgia, mudou de forma e ganhou as redes sociais. Por lá, sobram fotos do bebê dormindo, comendo, brincando. O hábito de publicar imagens de crianças na internet ganhou até nome: shareting, junção dos termos em inglês share (compartilhar) e parenting (paternidade). Na sociedade das plataformas, não demorou  para que os “álbuns digitais” fossem vistos por centenas e até milhões de usuários.

A explosão de contas ligadas a bebês e crianças nas redes sociais durante a pandemia levanta o debate sobre o sharenting. Quase toda família faz e mesmo quem não tem filho se derrete quando vê fofuras dos bebês alheios nas redes.  Em jogo está o direito das crianças à privacidade. Por outro lado, há a liberdade de expressão dos pais e a vontade de se conectar com os outros. O fenômeno fica mais complexo quando associado à propaganda de itens infantis.

Longe dos parentes, com um bebê nascido pouco antes da pandemia, a dona de casa Thainá Barbosa, de 32 anos, resolveu contar ao mundo os feitos de Rafael, de 2 anos. Criou   um perfil só para ele no Instagram, que, no início, era restrito à família. “Eram só umas dez pessoas, mas você vai compartilhando, as pessoas vão seguindo, e gostando”, diz a mãe, que publica fotos dos passeios do menino, danças e roupinhas.

O perfil público pode ser visto por qualquer um – e o uso de hashtags como #digitalinfluencer permite encontrar a conta (e outras do tipo) na busca do Instagram. A mãe diz tomar cuidado para não publicar fotos do filho sem roupa, a fim de evitar que caiam em redes de pornografia. Mas não tem medo de ganhar alcance. “Se viralizar uma brincadeira, uma foto bonita, é fantástico”, diz ela, que aponta benefícios da troca de experiências com outras mães.

Para a psicóloga Juliana Cunha, diretora de projetos especiais da SaferNet, o isolamento porca usa da covid fez aumentar a prática de publicar fotos de crianças na internet – o que também faz crescer o volume de debates sobre o tema em entidades ligadas aos direitos da criança, à segurança na rede e entre juristas. “As crianças deixaram de conviver com parentes e uma das pontes para o contato foi as redes.” Juliana não vê a situação como um problema, a princípio, mas diz que o fenômeno pode esconder riscos.

Para a empresária Victória Xavier, de 29 anos, uma das consequências incontroláveis é viralizar – coisa que ela tenta impedir, na contramão da maioria. Dona de uma conta sobre maternidade com 47  mil seguidores, Victória posta fotos do filho de 1 ano acompanhadas de receitas e sugestões de brincadeiras.  “Tenho cuidado de não produzir nada que acho que vai viralizar. Bebé gordinho, fazendo dancinha no TikTok, viraliza.”

Promover sorteios também é estratégia para atrair seguidores – e por isso Victória diz “passar longe”, apesar de aceitar fazer propaganda para marcas de mães empreendedoras. Ela recebe uma cota das vendas.

A ideia é manter um público engajado nos temas que ela publica – e não curiosos aleatórios, mas Victória sabe que o alcance da imagem do filho pode ir além do previsto. Nas redes, é comum a “pesca” de conteúdos por outras páginas, mesmo sem autorização. “Sempre que vou postar, penso: se sair do meu controle, vai me incomodar ou ao meu filho no futuro?”.

A reflexão veta, por exemplo, fotos de momentos íntimos da criança, como birras e o desfralde. Também impede imagens de nudez. Mas, assim como acontecia quando o álbum de fotos impressas ganhava a sala de estar, nem sempre o que os pais veem como lindo na infância agrada aos filhos crescidos.

“Não tenho como ter certeza se ela vai ou não gostar do que escolho mostrar”, diz a fotógrafa Morgana Secco, de 38 anos, que alcançou 2,6 milhões de seguidores no Instagram após viralizar com vídeos da filha Alice, de 2 anos, famosa por gostar de ler e falar palavras difíceis. Alguns cuidados, diz, previnem embaraços futuros. “Nunca exponho situações em que a Alice esteja vulnerável, chorando ou que possa constrangê-la futuramente”, diz Morgana, que aposta na chance de inspirar outros pais para a importância de uma criação respeitosa.

JUSTIÇA

Em redes como Instagram e Tik Tok, é comum encontrar vídeos de crianças “trolladas” pelos pais – expostas a brincadeiras como provar alimentos azedos ou filmadas enquanto se assustam. Adolescentes pedem aos pais para que não postem fotos de quando eram crianças porque dizem sofrer bullying.

As discussões podem chegar à Justiça quando pai e mãe discordam sobre a exposição do filho. O pai de um menino do interior paulista moveu ação contra a ex-mulher depois que ela publicou texto e foto da criança sem o aval dele. Para o pai, a publicação, sobre um distúrbio do filho, violou a privacidade da criança. Já a mãe disse que a postagem não foi ofensiva.

A decisão deu razão à mãe, mas ponderou que ainda é preciso achar a medida justa para preservar tanto o direito à liberdade de expressão dos pais quanto o direito à privacidade e proteção dos dados de crianças. “Não há regra fixa para definir quando direitos de personalidade das crianças estão sendo desrespeitados nas redes”, diz a advogada Isabella Paranaguá, presidente do Instituto Brasileiro de Direito de família do Piauí.

Não é o número de seguidores nem o fato de ter se tornado um “influencer digital” que indicam violação de direitos, mas situações que colocam a criança em risco, como negligência e opressão nas redes. Embora existam poucos processos de indenização por sharenting em que os filhos acionam a Justiça, o tema já faz parte de ações de divórcio e disputa de guarda.

VIGILÂNCIA E CAUTELA

1. PEGADAS DIGITAIS. É importante ter em mente que qualquer publicação cria “rastros digitais” que dificilmente são apagados.

2. FUTURO. Antes de postar, é importante refletir se a publicação expõe a criança a situações desconfortáveis ou que a deixariam envergonhada. Evite revelar momentos ÍNTIMOS.

3. PORNOGRAFIA. Não publique fotos da criança nua ou com pouca roupa. Mesmo conteúdos que não têm contexto sexual podem ser passiveis de sexualização se retirados do contexto.

4. LOCALIZAÇÃO. Evite fotos que revelem detalhes da rotina da criança e indiquem onde mora e onde estuda.

5. OPINIÃO. Crianças têm o direito de opinar sobre o que será compartilhado. É possível, por exemplo. perguntar a ela se gosta de determinada foto e se vê problema em mostrar a alguém.

6. PRIVACIDADE. Perfis de crianças gerenciados pelos pais com a intenção de mostrá-la a parentes e amigos devem ser privados. Em perfis privados, apenas quem segue a criança pode veras fotos – e isso facilita o controle.

7. CONEXÃO. Pais que querem desabafar sobre temas delicados relacionados aos filhos e se conectar com pessoas que passam por dificuldades semelhantes podem usar fóruns na internet com postagens anônimas.

8. PUBLICIDADE. A legislação brasileira não veta a publicidade direcionada para adultos, com participação de crianças, mas o trabalho artístico deve respeitar a infância e o direito a brincar.

9. VIGILÂNCIA. Usuários das redes sociais que identifiquem publicações que ferem os direitos de crianças e adolescentes devem denunciar essas situações.

GUIAS DÃO DICAS PARA MÃE DE BEBÊ INFLUENCER

Serviços vendem a ideia de que compartilhar as fotos de crianças nas redes é uma forma de se aproximar do filho.

Na onda da exposição de crianças nas redes sociais, serviços online já vendem o passo a passo para criar “bebês influencers” e conquistar milhares de seguidores para o filho na internet, desde o nascimento. As “mentorias” prometem bombar os perfis de crianças com dicas para tirar boas fotos e definir a melhor frequência de postagem. As aulas atraem mães interessadas em conseguir parcerias com marcas.

“Perca esse medo e veja seu filho brilhar na internet”, afirma a criadora de um desses cursos. Para ela, o temor é “coisa de tia ou de avó”. Os serviços afastam os riscos de que as fotos caiam em redes de pornografia e vendem a ideia de que o hábito de compartilhar as fotos de crianças nas redes é uma forma de se aproximar do filho. Também ressaltam que perfis com mais seguidores conseguem parcerias até com escolas particulares – e obtêm descontos.

A crise econômica tende a levar mais pais a buscarem esse caminho, na opinião de Maria Mello, coordenadora do programa Criança e Consumo, do Instituto Alana. Hoje, há mais de 1 milhão de publicações no Instagram com a hashtag #mininfluencer, associadas a crianças e até bebês. Para ela, há o risco de que as crianças sejam inseridas em uma lógica de consumo e acabem afastadas da vivência plena da infância.

É comum que as parcerias envolvam, por exemplo, pose para fotos com roupas recebidas ou que as crianças sejam filmadas desembalando presentes. “Muitas vezes, influenciadores mirins se tornam eles próprios mercadorias de consumo. Em muitas situações, são colocadas como miniadultos.

Na casa de Noah, de 3 anos, há caixas de presentes que a família ainda não teve tempo de desembalar. Foi sem querer que o menino se tornou um influencer este ano e conquistou 1 milhão de seguidores no Instagram e 5 milhões no Tik Tok. Vídeos com declarações de amor aos pais viralizaram – e logo veio o assédio das marcas. Hoje, uma publicidade nas redes chega a R$ 4 mil e, muitas vezes, a família tem de recusar pedidos de propaganda em cima da hora com roteiros longos que a criança não seria capaz de seguir.

“Tentamos inserir as ‘publis’ de forma natural, não é obrigação dele”, diz a mãe, a farmacêutica Frécia Melo, de 33 anos. Ela também diz respeitar a soneca do filho – e já teve de justificar às marcas que o menino estava dormindo e, pôr isso, não poderia gravar. O alcance leva Noah a ser reconhecido e já houve situações em que ele se assustou com os fãs. “As pessoas não têm vergonha de pedir foto, como se fosse um objeto”, diz Frécia, que avalia leva-lo ao psicólogo para lidar com a fama precoce. Segundo Maria, os pais têm papel importante, mas não são os únicos atores na tarefa de proteger as crianças. As marcas devem ter o cuidado de garantir que o trabalho de publicidade – permitido por lei apenas para fins artísticos – respeite o bem-estar da criança. Especialistas defendem que seja exigido alvará para crianças influencers, assim como é exigido para modelos ou atrizes mirins. Já as plataformas poderiam colaborar com mecanismos para reduzir o alcance de publicações puramente comerciais, na opinião de Juliana Cunha, da SaferNet.

CONTROLE

Sobre a presença de crianças em publicações comerciais, o Instagram informou que contas que representam menores de 13 devem deixar claro que são gerenciadas pelos pais. A plataforma tenta aprimorar o controle para que crianças não tenham contas na rede. Já o Tik Tok disse não poder comentar a respeito de decisões dos pais sobre suas famílias e que políticas da rede “focam no comprometimento com a segurança dos menores”.

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