OUTROS OLHARES

DICAS VIRAIS DE HALLOWEEN AMEAÇAM SAÚDE BUCAL

Em vídeos compartilhados pelo TikTok, usuários ensinam a afiar os dentes com lixa e recomendam até cola instantânea para criar caninos de vampiro. Especialistas alertam para possíveis danos do esmalte e infecções

Com o Halloween chegando, uma dica de fantasia tem sido cada vez mais compartilhada no TikTok: os dentes de vampiro. Diversos vídeos publicados na rede social, que é um fenômeno entre os adolescentes, ensinam truques para deixar os caninos com a aparência afiada. Mas especialistas alertam para os perigos que as práticas caseiras pedem oferecer para a saúde dentária, que vão desde a destruição do esmalte à formação de cárie e outras infecções bucais.

Mestre e especialista em endodontia e odontologia humanizada e preventiva em São Paulo, Lilian Fucuda conta que há duas semanas começou a receber mensagens em grupos de dentistas que alertam para a disseminação dessas práticas nas rede, em especial nos vídeos curtos do TikTok:

“Um desses vídeos era de uma menina ensinando como ela usava uma lixa de unha para afiar o dente. Essa prática é considerada simplesmente absurda para nós dentistas”, afirma.

Outro caso compartilhado, com Lilian foi o de um jovem que recortou um pedaço de plástico para fazer a ponta do canino e o colou com cola instantânea no dente. Além de causar um sério risco de grudar o lábio, a dentista diz que a substância e o plástico na boca são corpos estranhos que podem provocar infecção.

As formas ensinadas para criar os dentes de vampiro são muitas, que incluem até procedimentos mais elaborados com resina que alongam os caninos. Porém, todas elas têm algo em comum: são extremamente danosas e devem ser evitadas, dizem os dentistas.

Eles explicam que essas práticas danificam o esmalte do dente, que é a camada exterior mais resistente e que atua como uma barreira protetora das partes internas: a dentina e os nervos, que são mais sensíveis.

Com essa agressão, o grande problema é a exposição da dentina, que passa a entrar em contato com os ácidos da boca, através da saliva, como o açúcar consumido e diversas outras substâncias prejudiciais.

“Além disso, o canino é um dos dentes mais importantes da arcada dentária e é essencial para a mastigação. Então, quando ele é danificado, pode trazer problemas também na hora de se alimentar”, acrescenta a cirurgiã dentista Danielly Moura, especialista em implante e prótese.

Alguns usuários sugerem a aplicação de cola de dentadura, utilizada para fixar próteses dentárias, como uma opção melhor para a criação da fantasia. Lilian Fucuda explica que de fato ela é menos danosa porque é feita para se desgastar com a saliva, mas reforça que o ideal é evitar procedimentos caseiros.

“Outra opção é fazer uma capa com resina acrílica, que fique apenas apoiada no dente, com a aderência criada pela própria saliva. Mas tem que ser feito por um especialista”, diz Danielly.

HÁBITOS DANOSOS

As especialistas ressaltaram ainda outros hábitos que podem comprometer a saúde dos dentes. Um deles é o ato de morder a ponta da caneta de forma repetitiva para aliviar o estresse. Observado pelas dentistas especialmente em jovens estudantes, ele pode empurrar a arcada dentária e deformar a posição dos dentes.

Já a mastigação excessiva de chicletes pode sobrecarregar o músculo chamado masseter, envolvido no movimento do maxilar. Isso pode provocar um quadro de bruxismo, problema de saúde que se caracteriza pelo ranger ou apertar dos dentes durante o sono.

Roer as unhas e abrir embalagem com a boca são outras práticas que destroem o esmalte e deixam os dentes mais expostos a substâncias que são ruins para a dentina.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 31 DE OUTUBRO

UMA PERCEPÇÃO PROFUNDA

Assentando-se o rei no trono do juízo, com os seus olhos dissipa todo mal (Provérbios 20.8).

Salomão está falando sobre sua própria experiência. Ele reinou sobre Israel durante quarenta anos. No começo do seu reinado, pediu a Deus sabedoria para governar. Deus lhe deu sabedoria e riquezas. Muitas vezes Salomão teve de julgar as causas do seu povo. Chegavam ao rei demandas difíceis que exigiam discernimento para serem julgadas com equidade. Certa feita, vieram-lhe duas mães trazendo um difícil pleito. Ambas deram à luz um filho. Uma, porém, acordou e viu o filho morto. Então, pegou furtivamente seu filho morto e o colocou no lugar do filho da sua companheira, tomando a criança viva em seus braços. O alvoroço foi enorme. A mãe verdadeira tinha absoluta consciência de que aquele menino morto não era o seu filho. Como não conseguiram resolver o impasse, buscaram o rei Salomão para sanar a questão. Diante das duas mulheres que pleiteavam ser a mãe do menino vivo, Salomão propôs serrar o menino ao meio e dar metade a cada uma. Aquela que não era a mãe concordou com a decisão. Salomão imediatamente concluiu que ela estava mentindo e mandou entregar o menino à mãe verdadeira. Quando o rei senta para julgar, ele logo vê o que está errado, e seus olhos esmiúçam todo mal.

GESTÃO E CARREIRA

SAÚDE MENTAL É MAIS DEBATIDA NAS EMPRESAS

Companhias como Itaú Cultural e L’Oréal têm acompanhamento contínuo para prevenir depressão e suicídio

A proposta de conversar sobre saúde mental nas empresas ainda pode encontrar resistência e se tomar mais temerosa quando envolve o tema suicídio. Para transpor o medo de falar sobre os próprios desafios, a psicoeducação  vem sendo adotada por empresas. Não se trata de mergulhar em livros de psicologia, mas de uma prática de ensino do psiquismo para reconhecer em si e no outro indicadores de saúde mental.

“A gente entra com psicoeducação e consegue dar e receber feedback a fim de tornar o profissional mais saudável mentalmente dentro da empresa”, diz a psicóloga e consultora em gestão de pessoas Kátia Saraiva. Há 20 anos, ela realiza esse trabalho nas corporações, embora perceba que, em termos de divulgação, é algo recente. Mais do que oferecer psicoterapia online, a psicoeducação demanda periodicidade e se concretiza pela atuação de um profissional da saúde mental, psicólogo ou psiquiatra. Atendimentos individuais completam o serviço.

“Por meio da psicoeducação, tento mostrar a importância da identificação da pessoa com o que ela faz para que tenha saúde emocional, porque o sofrimento psíquico no trabalho é uma realidade. Por que eu preciso saber do meu psiquismo? Para entender o que acontece comigo, desenvolver empatia”, explica. A campanha Setembro Amarelo, organizada desde 2014, reforça a pauta ao conscientizar sobre a prevenção do suicídio, uma vez que transtornos mentais, principalmente a depressão, estão associados ao ato. Segundo a OMS, as taxas de suicídio diminuíram 36% em todo o mundo entre 2000 e 2019, mas aumentaram 17% na região das Américas no mesmo período. Como um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a promoção de saúde mental e bem-estar terá de ser cada vez mais responsabilidade das empresas também. Atenta a essas questões, a gerente do núcleo de RH do Itaú Cultural, Erica Buganza tem promovido mudanças a partir  do que já é oferecido pelo banco. No ano passado, deram início a uma rodada de palestras mensais com psiquiatras por meio de uma empresa terceirizada.

“Falamos de ansiedade, depressão, burnout e teve uma roda de conversa só para mulheres e mães”, conta. Quando o retorno ao presencial ficou mais distante, outros profissionais foram chamados: de ioga, meditação, oftalmologista, nutricionista e infectologista para falar de vacina “Fomos incorporando aspectos da saúde que reverberam no emocional”.

Depois, a equipe entendeu que era hora de agir com as lideranças e lançou em maio um programa de formação para educar gestores em saúde mental. Na primeira fase, já concluída, o foco foi no individual para os líderes conseguirem manejar as próprias questões. Agora, a segunda etapa visa o entendimento do outro. “Não é para a liderança agir como psicóloga, mas entender os sintomas de ansiedade, depressão, falar sobre o manejo, de como perguntar para uma pessoa como ela está, se devo dar ou não abertura”, diz Érica. Aos colaboradores, as rodas de conversa continuam mensalmente, agora voltadas a temas como ansiedade pelo retorno ao escritório, convívio social e medo de contaminação. Em breve, o Itaú Cultural vai implementar o SOS Saúde, um canal telefônico com atendimento psiquiátrico 24 horas para situações de urgência e emergência, com o risco de suicídio, e casos de leve a grave.

Na relação entre suicídio e trabalho, os estudos são segmentados e é difícil ter uma visão ampla, que pode ser subnotificada também. Sabe-se que doenças ocupacionais como lesões por esforço repetitivo, assédio e síndrome de burnout podem estar associadas. A própria pandemia fez a carreira piorar, com renda e saúde mental sendo mais afetadas.

Isso também fez a L’Oréal Brasil investir em um programa de saúde mental chamado Equilíbrio de Vida, dividido em quatro pilares: emocional, físico, trabalho e relacionamentos. No primeiro, além de uma plataforma online de psicoterapia com 40% das sessões subsidiadas pela companhia, há rodas de conversa e workshops conduzidos mensalmente por uma psicoeducadora. ”Vamos abordar como quebrar o tabu sobre a terapia, como lidar com a montanha-russa de emoções na pandemia, ser vulnerável, evitar o estresse, lidar com o luto e gerenciar a ansiedade”, enumera Isabella Teixeira, gerente de remuneração e benefícios da empresa.

Essa educação em saúde mental estará alinhada com os demais pontos de atenção do plano, que buscam melhorar o clima organizacional e as relações interpessoais, promover trabalho saudável e pausas, estimular momentos de descompressão, trocas de gentileza e a prática de exercícios físicos.

“O programa trabalha a cultura nos diversos níveis da organização, porque não adianta promover esse discurso, fazer rodas de conversa e, por outro lado, ter demanda muito grande”, completa.

Os resultados da psicoeducação foram transformadores no escritório de advocacia Renato Von Müllen, que no ano passado solicitou os serviços de Kátia Saraiva. “Todo mundo foi trabalhar de casa e, aos poucos, as pessoas foram ficando deprimidas. Contratamos uma  profissional para conversar com elas, para se sentirem mais seguras e animadas”, conta a sócia Angela Von Müllen. Ela diz que já tinha sido orientada pela consultora, em um coaching anterior, sobre perceber sinais na equipe.

Há um ano, de forma voluntária, os 28 colaboradores da companhia podem conversar com Kátia a qualquer momento por aplicativos de mensagem sobre questões profissionais e  pessoais, além de participarem de encontros virtuais. Houve um pouco de resistência no início, diz Angela. “‘Mas depois de um mês senti o impacto positivo, inclusive feedback dos colaboradores de como foi bom ter esse apoio.” 

EU ACHO …

A MÍDIA QUE VIOLENTA MULHERES

O assassinato de mulheres vende apenas nas páginas policiais

Gostaria de escrever sobre Joice Maria da Glória Rodrigues, 25 anos de idade, que desapareceu no segunda-feira, 27 de setembro, em São Vicente, no litoral de São Paulo. O último sinal de vida foi uma mensagem que mandou ao marido, pedindo para que fosse buscá-la no ponto de ônibus. Ela tinha ido visitar sua avó e estava voltando para casa. Vinte minutos depois da mensagem ser enviada, Joice não atendia mais o telefone.

As buscas foram intensas, empreendidas pela família e pelo marido, determinados a encontrá-la. Era uma conduta estranha, que nunca havia acontecido. No dia seguinte ao registro do desaparecimento, Camila, sua irmã, afirmou ao site G1: “Até agora a gente não tem nenhum vestígio, nada. Ela nunca fez isso. É angustiante, a cada minuto que passa vai ficando mais desesperador, a gente já procurou de todas as formas em todos os lugares possíveis. Ela tem duas crianças pequenas, a gente olha e não sabe o que falar para elas”.

A família pediu informações e pistas em diversas mídias durante os dias que se seguiram. Consultaram as câmeras de monitoramento do VLT para tentar entender o ocorrido. Percorreram a região da casa da avó, fizeram buscas dia e noite. Nessa terça feira, 5 de outubro, veio a notícia: Joice Rodrigues foi morta por asfixia e concretada na parede por um pedreiro e um comparsa. Eles trabalhavam numa obra perto do local e, após a polícia perguntar se havia um local recém-concretado, o proprietário, dias depois, desconfiou de um acabamento, abriu e a encontrou. O que os homens estão fazendo com os mulheres neste país tem nome e nós sabemos qual é! Um estupro a cada oito minutos, segundo dados da Anuário da Segurança Pública, um dos maiores índices de feminicídio no mundo, o país campeão em casamento infantil, o lugar onde mais se morre em decorrência da criminalização do aborto, um país onde milhões de crianças crescem sem o nome do pai na certidão. Um país que convive natural e diariamente com estupro, agressão, morte e abandono é um país fadado a ser amaldiçoado. É um país de genocídio de mulheres.

Quando li a reportagem sobre o corpo de Joice ter sido encontrado, não consegui chegar até o fim. É muito doloroso saber que poderia ter sido qualquer uma de nós. Eu mesmo sou da Baixada Santista, possuo familiares que moram em São Vicente. Quantas vezes saímos de casa correndo risco de sermos o alvo. Para nós, o ar que respiramos traz o odor do assédio e uma saída de casa não é apenas uma mera voltinha, mas um trajeto de alerta.

Decidi escrever a respeito e, ao me sentar para fazer este texto, li em diversas mídias que o pedreiro assassino confessou à polícia que a matou “depois de fazer sexo com ela”. No teor das reportagens, está escrito que ela havia sido estrangulada após ele ter ”mantido relações sexuais com ela”. É só acionar a busca na internet que se encontram vários textos com essa chamada.

É inacreditável que ainda tenhamos que ler coisas dessa natureza. Fazer sexo? Ter mantido relações sexuais? Isso no dia seguinte que a jovem é encontrada em condições aviltantes? ”Fazer sexo com ela?” Fazer sexo se faz com quem há uma relação consentida, não com quem você asfixia e concreta no parede, será que é muito difícil entender que se tratou de uma violência sexual seguida por assassinato? As mulheres são ofendidas em vida e após a morte. Um tratamento desrespeitoso à Joice é um tratamento desrespeitoso a todas nós.

Será que algumas das mídias que deram essas chamadas têm uma cobertura especializada na proteção de mulheres? Pelo visto, a julgar pelo título e pelo conteúdo das reportagens, trata-se da mídia patriarcal de sempre, que escamoteia a precarização de políticas públicas de proteção à mulher; ignora o genocídio e a política de estupro praticada contra mulheres no país para fazer manchete destacando o que o assassino de Joice teria afirmado.

Quais eram os sonhos de Joice? O que ela sonhava para os filhos pequenos? O que as pessoas que a amaram em vida têm a destacar sobre sua trajetória? Se formos além do caso em si, por que não perguntar a razão pelo qual mulheres como Joice têm morrido nesse país? Quais políticos têm contribuído para o desmonte de mecanismos de proteção? Qual o orçamento que organizações de defesa das mulheres têm para realizar um trabalho de conscientização? São perguntas mais interessantes do que ler as coisas que são ditas e escritas a respeito de mulheres neste país.

A verdade é que o assassinato de mulheres vende apenas nas páginas policiais que, a pretexto de noticiar um absurdo desses, seguem com a desumanização, que é a base da lógica do sistema de dominação patriarcal. Minha solidariedade à família de Joice Rodrigues.

*** DJAMILA RIBEIRO

ESTAR BEM

I. A – ELA ESTÁ NO MEIO DE NÓS

Da sala de emergência ao centro cirúrgico, passando por consultas a distância, robôs e plataformas inteligentes já fazem parte da rotina do novo ecossistema da saúde

Há dez anos, a vida do arquiteto de sistemas Jacson Fressatto virou de cabeça para baixo. No dia 30 de maio de 2010, ele recebeu uma notícia absolutamente terrível: a morte da pequena Laura, vítima de sepse. Prematura, sua filha não resistiu depois de 18 dias internada na UTI neonatal de um hospital de Curitiba. A primeira reação de Fressatto foi de revolta. Queria porque queria saber o nome do filho da mãe que havia deixado sua filha morrer. Passada a raiva, tomou outra decisão: se dependesse dele, ninguém mais sentiria a dor que estava sentindo naquele momento. Foi quando vendeu tudo o que tinha (carro, moto e apartamento) e, em 2014, investiu 1,5 milhão de reais do próprio bolso para criar algo pioneiro no planeta: a primeira plataforma de inteligência artificial capaz de gerenciar riscos dentro de um hospital. Em homenagem à filha, batizou o “robô” de Laura. “Eu mesmo banquei todas as despesas operacionais do projeto, com a certeza de que estava no caminho certo. Hoje a gente vê como tudo valeu a pena e quanto pode fazer mais”, diz o fundador e presidente do Instituto Laura Fressatto. Em seis anos, Laura já chegou a 32 hospitais e ajudou a salvar mais de 24 mil vidas – cerca de dez por dia. O programa de computador analisa, em tempo real, os sinais vitais, o prontuário eletrônico e os resultados de exames, entre outros dados, de todos os pacientes de uma UTI e classifica o risco de cada um deles em baixo, médio ou alto. Se o quadro de uma pessoa internada apresenta piora, a equipe médica é imediatamente acionada. Conclusão: Laura já reduziu em 25% a taxa de mortalidade por infecção hospitalar nos estabelecimentos atendidos. “Não saberia dizer se, caso uma tecnologia dessas existisse na época, minha filha não teria morrido. Seria leviano afirmar. Ela era uma prematura extrema. Mas, ao menos, teria a certeza de que estaria recebendo o melhor cuidado possível”, reflete Fressatto.

Laura é um dos melhores exemplos do que a inteligência artificial, ou simplesmente IA, pode fazer pela nossa saúde. Esse é um ramo da ciência da computação que busca reproduzir aspectos do poder de aprendizado e resolução da mente humana em máquinas. A meta é desenvolver robôs que, entre outras façanhas, adquirem habilidades, tomam decisões e resolvem problemas como se fossem um de nós – tantas vezes, com uma velocidade e um grau de acerto bem superiores. Quando falamos em robôs, não estamos nos referindo àqueles modelos androides, típicos dos livros de Isaac Asimov (1920-1992) ou dos filmes de Ridley Scott. Falamos de programas de computador e algoritmos matemáticos de última geração. ”A partir de uma vasta base de dados, você ensina um robô a solucionar um problema específico. E ele pode até observar detalhes que um ser humano deixaria passar”, explica Marcus Figueredo, CEO da Hi-Technologies, empresa que desenvolve dispositivos e sistemas de telemedicina.

Para o engenheiro da computação, duas das principais aplicações da IA na saúde hoje são a interpretação de exames e a apuração de interações perigosas entre remédios. “No primeiro caso, o robô analisa o exame e elabora um pré-diagnóstico para a validação do médico responsável pelo laudo. No segundo, ele tenta descobrir se, quando interagirem uns com os outros, os medicamentos prescritos poderão trazer riscos ao paciente”, destrincha.

A inteligência artificial também é útil na detecção precoce de doenças e na predição de surtos, aponta o cientista da computação Guilherme Kato, diretor de TI do Dr. Consulta, startup que oferece atendimento médico e exames em 59 unidades da Região Sudeste. “Com base no histórico familiar, hábitos alimentares e fatores de risco, podemos avaliar a probabilidade de um paciente desenvolver certa doença no futuro. Da mesma forma, conseguimos usar dados de consultas e exames para prever um surto, ou até mesmo uma epidemia, numa localidade”, esmiúça.

Na visão de Rico Malvar, cientista-chefe da Microsoft Research, o grande objetivo da IA é ajudar os profissionais de saúde a serem mais produtivos e efetivos. Segundo um estudo recente, que monitorou o trabalho de 57 especialistas durante 430 horas, os médicos ficam mais tempo cumprindo tarefas administrativas do que atendendo pacientes. “Enquanto os robôs se encarregam de trabalhos operacionais, como preencher formulários, os profissionais conseguem se dedicar a atividades mais estratégicas,” argumenta Malvar. Isso significaria mais contato com o paciente…e mais vidas salvas.

CASES DE SUCESSO

Conheça soluções baseadas em robôs e inteligência artificial (IA)

Se o robô Laura atua, predominantemente em UTIs, o Da Vinci dá plantão em centros cirúrgicos. As primeiras versões do robô cirurgião, que ganhou o sobrenome do artista italiano Leonardo da Vinci (1452-1519), chegaram ao Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, em 2008. Na ocasião, eram dois modelos: um para cirurgia, outro para treinamento. Hoje são três: dois para uso clínico, um para capacitação de médicos, e mais dois simuladores. Cada um deles dispõe de quatro braços mecânicos, um com uma câmera de altíssima definição e capacidade de ampliação da imagem em até dez vezes, e três com instrumentos cirúrgicos, como pinças, tesouras e bisturis, entre outros.

Ao contrário do robô Laura, o Da Vinci não é autônomo. Isto é, não opera nem toma decisões sozinho. Ele precisa de um cirurgião para coordenar seus movimentos por meio de um joystick. Ao longo desses 12 anos, o Sírio-Libanês já realizou mais de 5 mil cirurgias – 60% delas voltadas à retirada da próstata – e treinou mais de 300 profissionais de todo o Brasil e da América Latina. A tendência não veio para ficar à toa: as cirurgias robóticas são consideradas mais precisas e menos invasivas. Com isso, a recuperação do paciente é mais rápida e o tempo de internação, menor. Em compensação, o custo ainda é alto, e o robô não oferece sensação tátil.

“Não é toda cirurgia que precisa do Da Vinci. Indicamos esse recurso naquelas que oferecem realmente vantagens ao paciente. Quando o tumor é de difícil acesso por cirurgia convencional ou laparoscópica, o ideal é que a cirurgia seja robótica”, contextualiza Sérgio Arap, superintendente médico do centro cirúrgico do Sírio-Libanês, onde o primeiro procedimento do tipo foi realizado há 20 anos. Nesse campo em evolução, cientistas já vislumbram a criação de robôs cirurgiões inteligentes, que não substituiriam o médico, claro, mas poderiam ser ainda mais brilhantes com o bisturi.

A exemplo da robótica, a IA também tem lá seus prós e contras. Quando indagado sobre as vantagens dos robôs em relação aos humanos, Figueredo não pensa duas vezes: eles têm uma capacidade de processamento de dados muito maior e não contam com o fator cansaço. “Imagine um radiologista que precisa analisar exames de raios x por oito ou 12 horas por dia. Mais cedo ou mais tarde, ele vai se cansar. Uma máquina é capaz de analisar 10 mil exames consecutivos com a mesma disposição”, compara o CEO da Hi-Technologies.

A questão do cansaço não é trivial aqui. Como em qualquer atividade, quando ficamos cansados, podemos cometer mais erros. E, em medicina, alguns erros podem levar a condutas equivocadas e até mesmo ser fatais. Só que as máquinas também não estão imunes a deslizes. “O que acontece se uma decisão tomada por um algoritmo de IA prejudicar ou, no limite, causar a morte de um paciente? Quem será o responsável: o fabricante ou o programador?”, levanta a lebre o engenheiro Anderson Maciel, consultor do Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). “Há questões éticas. Questões antigas, é verdade, mas ainda não temos segurança sobre como respondê-las”, admite.

LIMITES E DESAFIOS NO HORIZONTE

Apesar dos progressos e do entusiasmo com a tecnologia, outros dilemas se colocam, na avaliação do vice-presidente da área médica da Dasa, Leonardo Vedolin. De acordo com o radiologista, os desafios impostos pelo uso da IA na medicina se dividem em três esferas: técnica, ética e legal. “Parte das atividades médicas, principalmente as burocráticas e repetitivas, será substituída por tecnologias disruptivas. Mas não acredito na substituição por completo do médico. E a principal razão disso é que o ato médico pressupõe a relação médico-paciente. Não dá para substituir esse entrosamento por um robô”, afirma Vedolin.

Outro ponto de preocupação para os especialistas diz respeito à privacidade e à segurança dos dados. Afinal, o risco de vazamento de informações sigilosas, tanto do paciente quanto da instituição, existe. Em agosto de 2014, hackers chineses roubaram os dados de 4,5 milhões de pacientes de 200 hospitais dos Estados Unidos. Entre outras artimanhas, os invasores pedem pequenas fortunas para não divulgá-los ou, então, geram boletos falsos de cobrança. Segundo Guilherme Kato, do Dr. Consulta, não existem sistemas tecnológicos perfeitos e invulneráveis. “A boa prática diz que devemos, sempre que possível, trabalhar com dados anonimizados, ou seja, que não permitem que o cidadão referente a eles seja identificado lá fora. Assim, caso ocorra um vazamento, pacientes e parceiros serão preservados”, esclarece.

No contato direto com o paciente, uma das principais barreiras para o uso dos robôs é a falta de algo demasiado humano, a empatia. Mas há quem acredite que até isso está com os dias contados. “Muitas vezes, uma boa conversa faz tão bem à saúde quanto comprimidos. Os atuais modelos ainda não têm essa capacidade de interação com as pessoas, mas no futuro terão. Precisamos apenas desenvolver melhor as interfaces para conquistar a confiança do paciente”, raciocina Maciel.

Em tempos de pandemia, máquinas inteligentes são mandadas a todo momento para o front na guerra contra a Covid-19. Na Europa, robôs aferem a temperatura e verificam o uso da máscara em quem chega aos hospitais. Do outro lado do mundo, enquanto uns modelos são programados para monitorar o quadro clínico de pacientes, outros ficam responsáveis por desinfetar as enfermarias e esterilizar os instrumentos de centros médicos da China e do Japão. Nos Estados Unidos, algumas instituições estão recorrendo às máquinas para limpeza e desinfecção dos leitos das UTIs com luz ultravioleta, que destrói até 99% dos vírus e das bactérias. Com a estratégia, esses locais ficam mais tempo protegidos e menos trabalhadores são expostos aos patógenos.

No Brasil, robôs de telepresença, munidos de câmeras e sensores especiais, já substituem os humanos na triagem de pacientes nas emergências, encurtam a distância entre os doentes e seus familiares nas enfermarias e reduzem o número de visitas dos médicos às UTIs. A distância, os profissionais de saúde podem identificar sintomas, transportar remédios e passar instruções, sem se expor à contaminação. Na capital paulista, dois modelos estão encarregados de recolher o lixo nas alas do Hospital das Clínicas destinadas a pacientes com Covid-19. “O objetivo é evitar o risco de contaminação dos mais de 20 funcionários da limpeza e agilizar a liberação dos 300 leitos de UTI”, explica o radiologista Giovanni Guido Cerri, presidente da comissão de inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o maior complexo do gênero da América Latina.

Diante desses e de outros exemplos, muitos se perguntam: como será a medicina do futuro? Os hospitais serão quase 100% automatizados? Médicos e enfermeiros cederão seus jalecos e estetoscópios aos robôs, só acompanhando e orientando remotamente? Para o neurorradiologista Edson Amaro Jr., responsável pela área de big data do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, a resposta é “não”. Assim como a telemedicina veio complementar, e não substituir, o atendimento presencial, a inteligência artificial será uma aliada, e não uma adversária, da inteligência humana. “A interação entre as inteligências artificial e natural, também conhecida como ‘inteligência aumentada’, é o segredo por trás de diagnósticos, prognósticos e tratamentos cada vez mais eficientes e precisos”, afirma o especialista.

Nesse sentido, se engana quem pensa que a popularização de robôs e plataformas de IA vá render uma medicina mais fria e massificada daqui a alguns anos. “O futuro da medicina inclui características aparentemente discrepantes, mas que, na realidade, são totalmente consonantes. O cuidado com o paciente, ao contrário do que muitos pensam, será cada vez mais individual e humanizado”, assegura o cirurgião Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Com os avanços tecnológicos, os médicos serão capazes de dizer mais precisamente quando um indivíduo ficará doente antes mesmo de surgirem os primeiros sintomas. Será o axioma “prevenir é melhor do que remediar” levado às últimas consequências. ”A IA poderá fazer predições do tipo: se determinado fulano não aumentar em 60% a realização de atividades físicas, a probabilidade de ele desenvolver um problema nos rins é de 30%”, dá um exemplo o consultor do IEEE.

A personalização também ganha pontos com tanta tecnologia. “Do genoma ao ambiente, a IA levará em consideração todos esses fatores na hora de prescrevermos o medicamento ideal para cada paciente. A expectativa é que, no futuro, o tratamento personalizado seja muito mais eficaz que o atual”, acredita Cerri. E esse futuro passa pelo profissional de saúde de carne e osso, que, com indicações e análises mais precisas na palma da mão (ou do celular), poderá ser mais acolhedor e assertivo com o paciente.

Enquanto essas e outras predições não viram realidade nos consultórios e hospitais, Jacson Fressatto segue adiante, decidido à transformar Laura na maior e mais eficiente solução na gestão do cuidado em saúde do mundo. “Vou impactar positivamente a vida de mais de 1 bilhão de vidas”, promete. “Ninguém vai esquecer o nome da minha pequena. Com apenas 18 dias de vida e só 500 gramas, ela já conseguiu mudar a história de milhares de pessoas”, emociona-se.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RETOMAR A VIDA

Após longo isolamento, pode haver dificuldade de se ressocializar

Ficar em casa vendo séries e bebendo vinho. Estetem sido o ideal de felicidade da gerontóloga Rachel Cardoso, de 47 anos, durante a pandemia. “Minha bolha está tão boa que não quero mais  sair”, afirmou.  Mesmo com o avanço da vacinação e a retomada de uma certa normalidade, pessoas como Rachel demonstram pouco interesse em “sair da toca”, deixar o home office, voltar aos bares e restaurantes e em ressocializar-se.

No início da crise sanitária, o sentimento de Rachel era diferente. “Procurei terapia. Eu estava meio surtada. É que sempre fui uma pessoa agitada. Pegava o carro e ia ver os amigos, ia aos bares…”, contou. Apesar do choque inicial ela foi se acostumando e gostando do novo normal. “E tão mais fácil viver em um ambiente de menos aglomeração, tão mais confortável. Retomar o ritmo e a vida de antes não é nada simples.”

Rachel diz querer perder o medo de  sair de casa e está dando pequenos passos nesta direção. Aos poucos, liberou algumas visitas em casa e reviu amigos e familiares. “Não dá para sair como se não houvesse amanhã. A variante Delta tá ai. Vou fazer tudo aos poucos. Viver isolada tem sido bom e tranquilo, mas precisa se expor”, disse.

Algumas resoluções tomadas no contexto do isolamento social parecem ter se tornado permanentes. Ao menos é o que garante a empresária Helena Cidade, de 70 anos. “Não é ficar isolada, mas me relacionar de uma outra maneira com o mundo”, explicou. Helena não quer mais saber de reuniões em salas fechadas, não quer mais salões de beleza apertados ou passeios aos shoppings.

“Só mantenho um escritório para evitar o bullying social. Mas minhas reuniões serão só em espaços abertos; cuido do meu negócio sem me expor. Além disso, não preciso mais me enfiar em shoppings e as lojas podem me trazer o que preciso em casa”, contou.

Sócia de dois restaurantes em São Paulo, Helena diz que estabelecimentos com áreas externas e tetos que se abrem serão o futuro do setor e que prédios grandes de escritório vão acabar transformados em apartamentos. “As pessoas estão notando que o mundo mudou. E, essa nova maneira de se socializar não é se isolar. É estar na vanguarda.”

A jornalista Anyelle Alves Oliveira, de 23 anos, também não quer abrir mão da tranquilidade proporcionada pelo isolamento. “Antes da pandemia, minha vida era muito corrida. Morava em Atibaia e trabalhava em São Paulo, perdia horas nesse trajeto”, contou. Ao iniciar o home office, ela conseguiu tempo para momentos de cuidado próprio e ficar mais próxima da avó. “Não tenho saudade da minha vida de antes”, sentenciou. “Mesmo quando a vida voltar ao normal, não quero abrir mão de fazer as coisas em casa, de passar mais tempo com a família. Sinto que uma vida menos agitada, com menos sociabilização pode ter mais qualidade e ser mais produtiva profissionalmente.”

Para Natália Fonseca, psicóloga e professora da The School of Life, algumas pessoas que não querem se socializar novamente estão apenas aproveitando uma oportunidade. “São pessoas que já tinham alguma dificuldade de sociabilização. E, agora, viram uma oportunidade, uma justificativa para evitar a sociabilização”, falou. “Em alguns casos, essa recusa pode estar ligada à depressão e à ansiedade. Não somos feitos para viver isolados. Sociabilizar é difícil e ainda tem o medo de pegar Covid. Mas é preciso reaprender a se aproximar das pessoas. O importante é saber que temos de enfrentar essas dificuldades e não ficar na nossa zona de conforto.” A psicóloga fala em uma reentrada suave e controlada no mundo social. Sugere que  primeiro as pessoas se reconectem com os amigos e conhecidos (mesmo por telefone) e que busquem relacionar-se com pessoas que tenham interesses em comum.

A psicóloga Tina Zampieri também acredita que muitos vão precisar reaprender a se sociabilizar. “Existe um sentimento de medo. Por isso, algumas pessoas parecem reagir com certo exagero, como se existissem outros entraves, além da própria Covid, para uma retomada”, contou. “É preciso colocar os pés no chão, olhar para essas situações e iniciar uma retomada.”

Para quem ainda está inseguro, a psicóloga também recomenda que os primeiros contatos sejam virtuais. “O primeiro passo pode ser marcar um café virtual. Depois, aos poucos, esse café pode se transformar em algo presencial, em uma atividade social”, disse Tina.

Ao contrário de quem se acostumou com o isolamento social, também é possível encontrar quem esteja ansioso por uma retomada da rotina de encontros, aglomerações e shows presenciais. A vontade de “viver plenamente” do historiador e músico Vítor Bara, de 40 anos, é justificada.

No final de 2019, poucos meses antes da pandemia, Bara sofreu um grave acidente de carro durante uma viagem pela Patagônia argentina. “Quebrei duas vértebras, quase fiquei sem os movimentos de pernas e braços. Passei um mês no hospital e com mobilidade reduzida até o início de 2020”, lembrou.

Quando a situação física melhorou e Bara já se sentia pronto para retomar sua rotina, chegou a pandemia da covid-19. “Tenho uma vontade represada de ver as coisas. Dentro de uma responsabilidade, as coisas precisam voltar. O mundo mudou, mas não pode ser um impeditivo para viver as coisas boas da vida.”

No período, Bara escreveu um livro sobre sua experiência, A Primeira Vida em 50 Shows, no qual fala sobre o acidente na Patagônia e lembra dos 50 shows mais marcantes da sua vida. Além disso, já começou a fazer planos para uma retomada: programou uma viagem para a Itália e também está ansioso pela abertura de venda de ingressos para festivais como o Rock in Rio e Lollapalooza.

Além da vontade de se sociabilizar, a ansiedade de retomar o velho normal também invade quem está preocupado com a economia. Diretor de uma importadora de vinhos, Luca Mesiano diz que tem tomado os cuidados sanitários, mas que o mundo não pode mais ficar parado. “Ninguém me ajuda a  pagar as contas. Precisamos voltar ao trabalho normal. A vida está aí para ser vivida.”

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