OUTROS OLHARES

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL JÁ É CAPAZ DE ESCOLHER O NOVO ‘CAMISA 10’ DO SEU TIME

Ganha força o uso de algoritmos para a contratação de jogadores, com aplicações que avançam ao ponto de indicar chances de sucesso de uma promessa em uma liga específica de futebol; no entanto, o momento de aposentar os antigos ‘olheiros’ ainda não chegou

Por muito tempo, contratações de jogadores de futebol passam pelo aval de “olheiros”, gente com conhecimento suficiente para separar os craques dos pernas de pau. Agora, o próximo ídolo do seu time já pode ser escolhido por robôs.

Na última década, a produção de dados sobre uma partida de futebol explodiu: empresas privadas, ligas, associações e os próprios clubes passaram a gerar um volume gigante de informações. Atualmente, times, federações e empresários tentam encontrar sentido nos dados por meio de inteligência artificial (IA) – uma das aplicações mais procuradas é a de contratação de novos atletas.

Não é para menos: com os custos cada vez mais elevados em transferências, a chegada de um novo atleta ganha importância não apenas esportiva, mas também econômica. Ela precisa ser certeira. “Temos uma plataforma que é uma espécie de Google para contratações”, diz Salvador Carmona, fundador da consultoria espanhola Driblab.

O executivo desenvolveu uma ferramenta que recebe dados de partidas e jogadores e faz sugestões de contratações baseadas naquilo que os clubes procuram – a interface é tão simples que lembra a de um vídeo game. Os jogadores podem ser sugeridos com base na performance em determinados atributos ou na possível adaptação a certos esquemas táticos. A IA também pode sugerir atletas por seu potencial econômico. “Em 2017, o Watford (clube da primeira divisão inglesa)nos procurou querendo um jovem atacante que também tivesse potencial econômico. O algoritmo fez algumas sugestões. O primeiro nome da lista era um atacante belga, e o negócio não andou. O segundo era o de Richarlison”, conta Carmona. Então no Fluminense o, centroavante brasileiro foi contratado por 12,4 milhões de Euros. Na temporada seguinte, o Watford vendeu Richarlison por 40 milhões de Euros ao Everton.

Para quem acompanha de fora, a trajetória do atacante brasileiro pode ter sido apenas um golaço acidental da ciência de dados. Porém, predizer o sucesso de novos craques por meio de IA vem se tornando fundamental para muitos clubes. O Liverpool, por exemplo, está colaborando com a Deep Mind, empresa ”irmã” do Google, para o desenvolvimento de algoritmos sofisticados que aumentem o grau de previsibilidade.

BICHO DIFÍCIL

“Contratação é o bicho mais difícil do mundo. Você pode contratar o “Kaká” para o seu time, mas ele pode não se adaptar. E daí danem-se as valências”, afirma Daniel de Paula Pessoa, ex-diretor de futebol do Fortaleza.

Na temporada de 2020, Pessoa trouxe a Driblab para ajudar o departamento de análise de dados do clube. Após alguns meses de experiência, considera-se que a IA pode ser uma ferramenta importante, mas está longe de superar o olho humano.

QUÍMICA

Mesmo com jeito de craque promissor, a IA ainda navega por funções bem menos empolgantes dentro do futebol, como automação das tarefas. “Estima-se que um analista humano gaste até oito horas para gerar informações sobre uma única partida. Os algoritmos tentam reduzir esse tempo para até duas horas”, diz Floris  Goes, cientista de dados da firma SciSports, consultoria holandesa que tem entre os clientes a liga do país.

“Estamos trabalhando para que nosso algoritmo possa predizer o nível de sucesso de um jogador que sai de um campeonato para jogar em outro. Por exemplo, qual será a performance de um jogador que vai bem no Brasileirão ao se transferir para a Inglaterra? Isso ainda não foi feito”, afirma Goes.

Essa não é a única tentativa da SciSports de ampliar o estudo de sua IA. A empresa já apresentou estudo no qual tentava montar um modelo matemático capaz de prever a “química” entre atletas. Ou seja, a IA seria capaz de detectar o Bebeto de cada Romário. Dessa maneira, os clubes poderiam contratar nomes com características complementares independentemente da fama. A pesquisa não foi incorporada à plataforma da empresa, mas indica possibilidades.

“Algoritmos para a combinação de jogadores é um desafio, pois depende de estilos de jogo e preferências do técnico”, diz Rodrigo Picchioni, gerente de análise do Atlético Mineiro. “É muito difícil, por exemplo, criar um modelo matemático que consiga identificar boas ações defensivas. Muitas vezes, um zagueiro não precisa pegar na bola para ser um bom jogador.”

CAPITÃO

Com o avanço do IA, clubes de futebol em todo o mundo começam a atrair um perfil de profissionais pouco comum ao mundo da bola: matemáticos, engenheiros de dados e programadores.

Ian Graham, nome mais famoso na fronteira entre a bola e a IA, é um físico da Universidade de Cambridge. Ele é o chefe do departamento de dados do Liverpool e fica com parte dos créditos pelo projeto que levou o clube a títulos como a Liga dos Campeões e a liga inglesa.

“Os grandes clubes terão departamentos de dados e IA. Aqueles que não puderem estruturar equipes terão os serviços de consultoria” , prevê Carmona. Porém, todos ainda acreditam no papel do observador humano. O futebol, afinal, tem muitos detalhes que passam despercebidos pela máquina. E como todo torcedor sabe: bola na trave não altera o placar.

ALGORITMOS TAMBÉM PODEM SER ÚTEIS EM TRANSMISSÕES

Tecnologia pode ser usada para levar partidas de futebol para TV e internet; dinamismo do jogo é desafio

Nãoé só na prevenção de lesões e nas contratações que a inteligência artificial (IA) pode marcar gols no futebol. Dentro do campo, um segmento que ganha atenção da tecnologia é o da transmissão de partidas, que busca por métodos de automação levar para as telas eventos que emissoras não podem estar “in loco” para produzir.

A Pixellot, empresa israelense de IA, é uma das grandes apostas do mercado para levar um sistema automatizado para estádios e quadras, com transmissão feita por câmeras que atuam sem a operação humana. A partir de algoritmos, o sistema é capaz de identificar a bola, os jogadores e a área do campo em que o lance acontece. Assim, ela produz cortes, zooms e acompanha o movimento do jogo sem a necessidade de um cinegrafista, por exemplo.

Segundo Márcia Cintra, diretora da Pixellot no Brasil, o recurso já esteve em teste com a TV Globo em 2019. A tecnologia foi usada no Maracanã. As negociações foram paralisadas, porém, por causa da pandemia  – as câmeras seriam utilizadas em jogos de futsal já em 2020. Em contato com a reportagem, a emissora confirmou o teste com o equipamento,

“Não pretendemos substituir a produção de um clássico ou de um jogo de seleção brasileira, substituir pessoas. Porém, outros jogos – uma série C, por exemplo – , onde não há a estrutura de transmissão, interessam”, informa a Globo.

Com o aumento dos serviços de streaming que oferecem transmissões de partidas de futebol, cresce também o interesse em ter um equipamento guiado por IA, principalmente em campeonatos menores.

Além disso, a implementação dá tecnologia pode ocorrer pelos próprios clubes de futebol. Segundo Márcia, o interesse na comercialização do sinal, e na própria análise da comissão técnica, é uma justificativa plausível para adotar o sistema.

“Com essa tecnologia, o técnico não precisa nem sair de casa. Ele assiste ao jogo e faz a análise de performance dos garotos pela transmissão. O Barcelona, por exemplo, tem academias espalhadas pelo mundo, todas elas com tecnologia de IA. Todo mundo consegue assistir ao que se passa nessas quadras, desde treino até campeonatos oficiais”, diz Márcia, “Mas no Brasil tudo ainda está muito embrionário.”

Na opinião de Paulo Sérgio Silva Rodrigues, professor de Ciência da Computação do Centro Universitário FEI, ainda há barreiras a ser dribladas para que a IA se torne uma titular no futebol. Isso porque a tecnologia ainda não está totalmente adaptada à dinâmica do jogo. Na Escócia, uma transmissão foi prejudicada depois de uma câmera detectar um bandeirinha – ou melhor, a sua calvície –  e confundir a imagem com a bola do jogo. Resultado: os telespectadores acompanharam a movimentação do auxiliar, e não dos jogadores.

“Sabemos que essa tecnologia é limitada ainda, sobretudo em cenas muito dinâmicas e com muitos detalhes. Assim, é fácil esses algoritmos errarem. Mas eles estão evoluindo rapidamente. Quanto mais a tecnologia avança, mais detalhes específicos dos objetos da cena (jogadores, bola, até – a plateia em geral) são analisados e informações mais precisas e completas serão geradas”, afirma.

Ainda assim, Rodrigues acredita que o futuro reserva boas cotas para a presença da IA nas transmissões de futebol. “Acredito que será bem rápida a chegada desse tipo de tecnologia para o público em geral. Essas ideias e soluções estão disponíveis para qualquer um. Então, muitas startups podem competir entre si e até mesmo com as grandes empresas, o que pode fazer o preço cair”, diz.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 28 DE OUTUBRO

OS PROPÓSITOS DO CORAÇÃO

Como águas profundas, são os propósitos do coração do homem, mas o homem de inteligência sabe descobri-los (Provérbios 20.5).

Alex Carrel escreveu um famoso livro intitulado O homem, esse desconhecido (Europa – América, 1989) O homem penetra nos segredos mais intrincados da ciência. Decifra os grandes mistérios do universo. Conquista o espaço sideral e faz viagens interplanetárias. Mergulha na vastidão do universo e desce aos detalhes do microcosmo. Não consegue, porém, penetrar nas profundezas de seu próprio coração. Os propósitos do seu coração são como águas profundas. O apóstolo Paulo pergunta: Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus (1Coríntios 2.11). O lema dos gregos era “Conhece-te a ti mesmo”, mas o homem não consegue conhecer a si mesmo realmente sem antes conhecer a Deus. Somos seres incógnitos e misteriosos até termos nossos olhos iluminados pela graça. Somente então poderemos conhecer-nos e trazer à tona os propósitos do nosso coração. É no conhecimento de Deus que conhecemos a nós mesmos. É quando o Espírito Santo nos sonda que sondamos a nós mesmos. É ao desabrochar para Deus que mergulhamos em nós mesmos para trazer à baila os desígnios do coração.

GESTÃO E CARREIRA

EMPATIA ACIMA DE TUDO

Por que a empatia é fundamental para desenvolver a experiência do cliente?

Durante o ano de 2020, os líderes de negócios enfrentaram uma série de desafios relacionados à experiência do cliente. À medida que os consumidores ado idade recorde, as organizações empresariais tiveram que repensar e reconstruir modelos para atender às mudanças nas expectativas do público.

As interrupções nos negócios causadas pela pandemia aumentaram ainda mais uma lacuna já significativa na experiência do cliente, forçando as empresas a adotar práticas mais empáticas em sua busca por identificá-los, adquiri-los e retê-los. Embora as dificuldades às vezes tenham sido opressoras para muitos líderes empresariais, a lição aprendida foi significativa: para construir uma marca voltada para um propósito, as organizações devem colocar a empatia acima de tudo.

Os últimos doze meses foram um curso intensivo de experiência do cliente para os líderes de negócios. Ao longo de 2020, e mesmo em 2021, as organizações empresariais foram forçadas a repensar cada ponto de contato com o cliente e reconstruir suas jornadas em velocidade recorde.

De acordo com uma pesquisa da McKinsey com executivos de nível C e líderes de negócios seniores, as iniciativas de transformação digital para empresas dos EUA foram aceleradas em três a quatro anos, à medida que elas foram forçadas a ativar novas maneiras de alcançar clientes e gerenciar o atendimento ao cliente. A força por trás desses esforços de transformação digital: empatia.

À medida que a adoção de canais digitais disparou, as empresas que prosperaram foram aquelas que compreenderam – e foram sensíveis – às necessidades de seus clientes e às dificuldades que eles enfrentaram. Os líderes de negócios priorizaram iniciativas de transformação digital, não apenas para gerenciar transações de compra, mas para antecipar as expectativas do cliente.

Uma pesquisa do Gartner com mais de 6.000 clientes ressaltou a necessidade de práticas comerciais empáticas, revelando que os programas proativos de atendimento ao consumidor – aqueles que antecipam as necessidades do cliente – aumentaram o NPS e as pontuações de satisfação. Agora, após mais de um ano de interrupções nos negócios, a lacuna na experiência do cliente continua a ser um desafio para quase todos os setores.

As empresas tiveram que tentar recuperar o atraso, pois o número de consumidores que se conectam à Internet para se envolver com marcas aumentou significativamente, com muitos clientes movendo-se no cenário digital, navegando em sites de empresas, usando aplicativos e alternando entre plataformas sociais regularmente.

Após a montanha-russa do ano passado, os líderes de negócios estão enfrentando várias questões: como reter os clientes? Como aumentamos o valor da vida do consumidor? E, mais importante, como aumentamos nossa receita? A chave para solucionar esses desafios depende da capacidade da marca de diminuir a lacuna de experiência do cliente, construindo práticas de negócios mais empáticas.

O QUE É A “LACUNA DE EXPERIÊNCIA DO CLIENTE”?

Ela está centrada nas expectativas do consumidor e na incapacidade da marca de atender a essas expectativas: as empresas acreditam que estão prestando um serviço de primeira linha ao cliente, enquanto os consumidores relatam uma experiência de marca menos do que satisfatória.

“Para ser uma marca verdadeiramente empática, a organização deve fazer da empatia o núcleo de seu DNA”

O conceito não é novo. Mais de cinco anos atrás, pesquisas apontavam que 85% das marcas acreditavam que estavam proporcionando experiências exemplares ao cliente, enquanto menos de 65% deles estavam satisfeitos. A desconexão entre marcas e clientes se intensificou durante o ano passado por uma série de razões.

Por um lado, a população da Geração Z está crescendo mais rápido do que qualquer outro grupo demográfico.

Esse grupo de jovens adultos são nativos digitais – eles cresceram nas telas, navegando por suas vidas adultas por meio de seus dispositivos móveis. Este segmento de consumidor não está se conectando com uma marca por meio de um único canal. A proliferação de canais cruzados da Geração Z está se tornando cada vez mais significativa para a jornada do cliente, ao mesmo tempo esse fenômeno amplia a lacuna de experiência do cliente.

COMO A EMPATIA PODE FECHAR A LACUNA DA EXPERIÊNCIA DO CLIENTE?

Se o seu KPI principal é o crescimento da receita, então seu foco deve ser impulsionar as taxas de retenção e aumentar o valor da vida útil de seus clientes.

Esses objetivos andam de mãos dadas com as experiências do cliente baseadas na empatia. Os consumidores desejam fazer negócios com marcas que se preocupam com eles e demonstram os mesmos valores que praticam.

As marcas que pretendem aumentar sua base de clientes, taxas de retenção e receita devem demonstrar que se preocupam não apenas com o consumidor, mas também com as questões sociais e com o mundo em geral. Organizações que não conseguem alinhar seus valores com os de seus clientes não estão apenas ignorando a lacuna de experiência, mas correm o risco de perder milhões em receita.

Embora a tendência de adotar práticas mais empáticas tenha começado bem antes da pandemia, acelerou agressivamente a necessidade das empresas mostrarem mais empatia para com seus clientes. Não é mais suficiente simplesmente fornecer uma experiência positiva de atendimento. As marcas devem se preocupar com as comunidades que atendem. Em troca, as práticas empáticas irão construir a fidelidade do cliente e melhorar as taxas de retenção, resultando em maiores ganhos de receita e resultados de negócios mensuráveis.

TÁTICAS PARA COLOCAR A EMPATIA NO CENTRO DO SEU NEGÓCIO

Se você deseja colocar a empatia no centro da experiência do cliente, deve ter alguém que a defenda internamente – que acorde todas as manhãs focado exclusivamente em seus clientes e em sua experiência com a marca. Adicionar um Chief Experience Officer (CXO) ao C-suite garante que você tenha um executivo de alto escalão defendendo seus clientes quando as decisões de negócios são tomadas no mais alto nível.

Outro passo importante para construir uma marca empática: certificar-se de que todos os funcionários entendam sua “linha de visão” para o cliente. Isso significa que cada membro da equipe, mesmo aqueles que podem não estar voltados para o cliente, sabem como seu trabalho afeta o comprador. Por exemplo, você pode ter alguém em seu departamento financeiro que não está diretamente envolvido com os problemas do cliente.

Em vez disso, eles estão focados em construir processos transacionais e garantir que esses processos beneficiem a organização. Essa pessoa pode não estar pensando no consumidor, mas os processos transacionais que ela projeta podem impactar diretamente como o cliente interage e, portanto, se sente em relação à marca. Sua linha de visão para o consumidor permite-lhes compreender como seu trabalho influencia a experiência do cliente e melhorá-la.

Quando os funcionários tomam decisões com base em sua linha de visão para o cliente, eles ajudam a construir uma estrutura mais empática. No fim das contas, para ser uma marca verdadeiramente empática, as organizações empresariais devem fazer da empatia o núcleo de seu DNA. Ela deve ser a força por trás de sua estratégia de experiência do cliente, bem como um componente crucial da cultura da empresa.

Uma marca que é capaz de adotar práticas empáticas em todos os níveis do negócio têm mais probabilidade de construir lealdade entre sua base de clientes e criar resultados duradouros que diminuem a lacuna de experiência do cliente, proporcionando grandes ganhos de receita nos próximos anos.

*** ALEXANDRA AVELAR – É Country Manager da Emplifi no Brasil, nova marca da Socialbakers. Plataforma de experiência do cliente apoiada pela Audax, que objetiva amplificar a empatia.

EU ACHO …

ABORTO COMO DIREITO

Procedimento legal e seguro não é assunto de religião, mas de saúde pública

As políticas de proteção às mulheres no Brasil seguem sendo de uma irresponsabilidade que tem gerado mortes, violências diversas e aprofundado desigualdades no país.

No dia 28/09, ocorreu o Dia Global pelo Aborto Seguro. A data foi celebrada pelos nossos vizinhos chilenos com a aprovação pela Câmara dos Depurados da discriminalização do aborto até a 14ª semana, projeto que segue para votação na outra casa legislativa.

No Brasil, contudo, a data traz outros desafios. Pela lei brasileira, na contramão dos vizinhos da América do Sul o aborto somente não é criminalizado em casos de estupro, quando o feto for encefálico ou quando a gravidez resultar em perigo de vida para a mãe.

Contudo, a realidade é bem mais complexa. Em primeiro lugar, é importante destacar que os registros de estupro – um crime por si só com alto índice de subnotificação – cresceram 13% no interior do estado de São Paulo e 19,5% na região metropolitana. Os números foram divulgados recentemente pelo Instituto Sou da Paz, após análise de dados compilados pela Secretaria de Segurança Pública do estado e pelas corregedorias das polícias Civil e Militar. Também foi registrado um aumento dos registros de feminicídio em 2,6% em todo o estado.

Nesse cenário de extremo perigo para mulheres e crianças, vale dizer que o aborto segue sendo criminalizado ainda dentro das hipóteses legais. Em hospitais que realizam o procedimento do aborto legal no país, com vítimas de estupro – muitas delas a crianças -, há vigílias de jovens católicos que constrangem quem já passou por um trauma.

Nesta semana veio à tona o notícia de uma adolescente de 14 anos, grávida vítima de estupro, que teve o direito ao aborto legal negado por uma juíza, em Minas Gerais, que teria divulgado a sentença em um grupo de Whats App.

Casos como estes nos lembram a ministra da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, que foi apontada por movimentar a gigantesca máquina pública usada para assediar uma menina negra de dez anos de idade que foi engravidada por um tio. O assunto, que deveria ser caso de polícia tendo a ministra como alvo, ruma para o esquecimento.

A bem da verdade, esses movimentos de constrangimento em hospitais, além de fazer as vítimas sentirem ainda mais o peso do trauma, também interferem na rotina dos profissionais da saúde em um momento tão delicado quanto o que estamos vivendo.

De início, acho curioso que  padres que estão sendo julgados por vários casos de pedofilia que foram silenciados ao longo da história, como aquele ocorrido em Limeira, no interior de São Paulo, não contem com vigílias semelhantes.

Mas o que eu gostaria mesmo  de destacar é a recente entrevista de Rosangela Talib –   coordenadora da organização Católicas pelo Direito de Decidir – para a Agência Pública. A ONG presente em países latino-americanos realiza um importante debate sobre o direito ao aborto como uma política de saúde pública dentro do Igreja Católica desde 1993.

Para ela, “as pessoas têm o direito de ser contrárias ao aborto, mas não de impor sua visão como política pública. Isso fere a laicidade do Estado. A maternidade tem que ser de livre escolha , não uma imposição”.

Rosangela destaca na entrevista o retrocesso dos  direitos das mulheres causado pela mentalidade religiosa patriarcal. “Essa mentalidade conservadora religiosa foi institucionalizada no país, mesmo com uma Constituição que garante a laicidade do Estado. O Estado não professa nenhuma religião, não deve professar. Ele deve fazer valer a pluralidade. O resultado dessa mentalidade conservadora institucionalizada é o crescimento da maternidade na adolescência, dados estarrecedores sobre casamentos infantis. A gente precisa de educação sexual nas escolas, não de um governo que prega a abstinência”.

Como está posta a legislação no Brasil mulheres em condição econômica desfavorável, em  sua maioria negras, indígenas e quilombolas, acabam por ser vítimas evitáveis do aborto inseguro, ao passo que mulheres de condição favorável – mesmo católicas – têm acesso a clínicas clandestinas para realizar o aborto seguro.

Como explica Rosangela: “Apesar de a legislação ser uma, as mulheres que têm dinheiro vão acessar clínicas particulares para fazer abortos seguros. Quem morre são as pobres, as negras, as mulheres indígenas. Morrem desnecessariamente. Se a tecnologia permite hoje fazer a interrupção de uma gravidez de forma medicamentosa e domiciliar, nada justifica  uma mulher morrer numa clínica clandestina de aborto”.

Já não bastasse a criminalização do aborto que promove, por ano, centenas de milhares de morte de mulheres que recorrem a métodos inseguros, estamos passando por tempos ainda mais nebulosos de imposição de crenças religiosas em um país que, apesar de  intensos ataques à Constituição, é um país laico.

Aborto legal e seguro é um assunto de saúde pública, não de religião.

*** DJAMILA RIBEIRO

ESTAR BEM

O MATO NO PRATO

Com alto valor nutritivo e perfil adequado aos novos humores da sociedade, as plantas que nascem de forma espontânea chegam às mesas domésticas

Taioba refogada, sopa de trevo-de-três-folhas, salada de azedinha e pitadas de semente de aroeira. Os nomes exóticos dos ingredientes dão a pista: são pratos feitos com plantinhas do mato, que nascem de forma espontânea por todo lugar. Na gastronomia, esse tipo de alimento, digamos, selvagem recebeu no Brasil, em 2008, a denominação de “pane”, o acrônimo para plantas alimentícias não convencionais. Com velocidade, chegou às cozinhas estreladas de chefs como Alana Rizzo, Alex Atala e Ivan Ralston. Agora, chegaram às mesas domésticas, sobretudo de quem busca uma alimentação sustentável – prato cheio para a geração dos millennials. O termo “pane” foi cunhado no Brasil pelo biólogo Valdely Kinupp, hoje professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas. Em parceria com o engenheiro agrônomo Harri Lorenzi, desenvolveu um catálogo com a identificação, tabela nutricional e receitas de 351 espécies. Diferentemente das hortaliças, legumes, grãos e frutas convencionais, as panes não são cultivadas em larga escala. Muitas, até mesmo, são consideradas ervas daninhas por crescerem nos quintais e beiras de estrada. “Mas os benefícios desse tipo de alimento são extraordinários”, diz a geógrafa Beatriz Carvalho, fundadora do projeto Mato no Prato. As plantas nativas têm em comum altíssima concentração de vitaminas e minerais, em especial, ferro, cálcio e antioxidantes. Os sabores costumam ser fortes, vão do azedo ao picante.

Ganharam espaço, apesar de caras – cerca de 30% a mais do que os produtos comuns -, porque foram adotadas pelo novo espírito do mundo, esse que se espraiou globalmente. E vencem uma barreira imensa: das mais de 50.000 plantas comestíveis disponíveis mundialmente, apenas quinze delas, principalmente o arroz, o milho e o trigo, são responsáveis por 90% das demandas de energia dos seres humanos, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Há, portanto, vasto espaço para crescimento. Hoje há mais de 20.000 espécies catalogadas. Existem endereços especializados que comercializam essas plantinhas. Mas muitas pessoas estão colhendo-as por conta própria. Daí a necessidade de atenção redobrada: elas não devem estar próximas a esgotos ou água parada. Devem ser evitadas espécies com espinhos, com látex ou seivas. E, claro, sempre ter como referência informações de especialistas, divulgadas em links especializados na internet. A natureza é pródiga, mas exigente.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CAFÉ, A DOSE DE ENERGIA QUE PODE TER O EFEITO OPOSTO

Especialistas explicam como a cafeína do dia a dia é capaz de gerar reações químicas que causam sonolência

A cafeína, o principal ingrediente ativo do café tem uma reputação bem justificada de ser um impulsionador da energia. Mas a cafeína também é uma droga, o que significa que pode afetar cada um de nós de maneira diferente, dependendo de nossos hábitos de consumo e de nossos genes.

“O paradoxo da cafeína é que, no curto prazo, ela ajuda na atenção e no estado de alerta. Ajuda em algumas tarefas cognitivas e nos níveis de energia”, disse Mark Stein, professor do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Universidade de Washington, que estudou o impacto da cafeína em pessoas com TDAH: “Mas o impacto de longo prazo tem o efeito oposto.

Parte dos efeitos paradoxais da cafeína resulta do que os pesquisadores chamam de “pressão do sono”, um processo que alimenta o nosso sono à medida que o dia passa. A partir do momento em que acordamos, nosso corpo tem um relógio biológico que nos leva a voltar a dormir no fim do dia.

Seth Blackshaw, neurocientista da Universidade Johns Hopkins que estuda o sono, disse que os pesquisadores ainda estão aprendendo sobre como a pressão do sono se acumula no corpo, mas que, ao longo do dia, nossas células e tecidos usam e queimam energia na forma de uma molécula chamada trifosfato  de adenosina, ou ATP. À medida que esse ATP é gasto – enquanto pensamos, nos exercitamos, realizamos tarefas ou participamos de teleconferências – nossas células geram uma substância química chamada adenosina como subproduto. Essa adenosina passa a se ligar a receptores no cérebro, deixando­ nos mais sonolentos.

Quimicamente, a cafeína se parece o suficiente com a adenosina, no nível molecular, para ocupar esses locais de ligação, evitando que a adenosina se ligue a esses receptores cerebrais. Como resultado, o café atua suprimindo temporariamente a pressão do sono, fazendo com que nós nos sintamos mais acordados. Enquanto isso, a adenosina continua a se acumular no organismo.

“Uma vez que a cafeína passa, você atinge um nível muito alto de pressão do sono”, disse Blackshaw.

Na verdade. a única maneira de aliviar e redefinir um nível elevado de pressão do sono é dormindo.

Para agravar o problema, quanto mais bebemos cafeína, mais aumentamos a tolerância de nosso corpo a ela. Nosso fígado se adapta produzindo proteínas que quebram a cafeína mais rapidamente, e os receptores de adenosina em nosso cérebro se multiplicam, para que possam continuar a ser sensíveis aos níveis da substância para regular nosso ciclo de sono.

Em última análise, o consumo continuado ou aumentado de cafeína afeta negativamente o sono, o que também nos faz sentir mais cansados, disse Stein.

“Se você está dormindo menos, está estressado e depende da cafeína para melhorar isso, é apenas uma tempestade perfeita para uma solução de curto prazo que vai piorar as coisas a longo prazo”, afirmou o pesquisador. “Você vai adicionar cada vez mais doses ao seu expresso, mas o impacto negativo no seu sono vai continuar ocorrendo, e isso é cumulativo”.

A cafeína também pode causar picos de açúcar no sangue ou levar à desidratação – ambos os quais podem nos fazer sentir mais cansados, disse Christina Pierpaoli Parker, pesquisadora clínica que estuda o sono na Universidade do Alabama em Birmingham.

Se você está sentindo uma queda à tarde, mesmo depois de uma xícara de café, a solução pode ser consumir menos, dizem os cientistas. Não beba diariamente ou fique sem beber por alguns dias para que seu corpo possa eliminar qualquer vestígio de cafeína. Então, gradualmente adicione-a de volta à rotina. Idealmente, beber café “deve ser divertido e útil, e realmente dar um impulso quando você precisa”, recomendou Blackshaw.

Se você sentir que a cafeína não está mais lhe dando aquele pico usual de energia, os especialistas recomendam tirar uma soneca, fazer algum exercício ou sentar-se ao ar livre e se expor à luz natural, o que pode incrementar esse impulso energético, porém de forma mais natural.

“Monitore seu sono e certifique-se de que está dormindo bem”, ensinou Stein, que concluiu: “Sono adequado e atividade física são as intervenções de primeira linha para problemas de atenção e sonolência. A cafeína é um complemento útil, mas você não quer se tornar dependente dela”.

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