OUTROS OLHARES

NO TEMPO DELAS

Grupo formado por cinco médicas negras de diferentes especialidades inaugura clínica no Flamengo com foco em atendimentos personalizados

Enquanto o mundo inteiro debatia os avanços da telemedicina, acelerados pelas recomendações de distanciamento social trazidas pela pandemia, cinco médicas que vivem no Rio decidiram se reunir em torno de uma ideia: abrir a própria clínica.

Desde as primeiras conversas, porém, elas deixaram claro que não seria só mais um endereço em que o foco estivesse na quantidade de consultas diárias. A vontade de oferecer um atendimento mais aprofundado e personalizado era um dos principais elos entre a cirurgiã plástica Abdulay Eziquiel, a cardiologista Aline Tito, a ginecologista e mastologista Cecília Pereira, a dermatologista Julia Rocha e a oftalmologista Liana Tito.

Foi exatamente dentro dessa premissa que o Grupo Ifé Medicina abriu a portas na Rua Marquês de Abrantes 170, no Flamengo, em julho deste ano. “Oferecemos consultas com tempo, sem correria, por meio do diálogo e de uma relação sólida com o paciente”, descreve Liana. O propósito, diga-se de passagem, está no próprio nome do lugar. “Queríamos algo curtinho e que remetesse à nossa ancestralidade,” conta Cecília, sobre uma preocupação ligada ao fato de as cinco sócias serem negras. A partir dessa ideia, o grupo começou, então, a buscar expressões no Google até se deparar com a palavra ifé, que significa amor em iorubá. “Foi paixão à primeira vista Pensamos em como seria legal ter um nome que provocasse algum questionamento e, quando sua tradução fosse revelada, as pessoas pensassem: “Nossa! Que lindo”.

O embrião do projeto está num convite feito por Liana a Aline. A oftalmologista, de 39 anos, é irmã da cardiologista, de 44, e propôs que as duas montassem um consultório em conjunto. A ideia soou atraente porque ambas fazem atendimentos em outros lugares, e uma sala individual ficaria ociosa durante boa parte da semana. ”Topei na hora e, 15 dias depois, ela me perguntou se aceitaria dividir o espaço com outras médicas”, conta Aline. “Começamos, então, a procurar por profissionais que tivessem a mesma ideia de empatia.”

Além do interesse pela consulta personalizada, as cinco sócias estão conectadas por currículos robustos. A dermatologista Julia, por exemplo, se especializou no Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, um dos mais prestigiados do Brasil, além de ter feito um fellowshíp (tipo de estágio avançado em que o médico participa da rotina de um hospital) no Mount Sinai, em Nova York. “Foi desafiador acreditar que o nosso propósito era suficiente para empreendermos e abrirmos um negócio bem no meio da pandemia. Mas o fato de reunirmos boas formações técnicas nos deixou ainda mais seguras”, diz a médica, de 35 anos.

Abdulay, que também fez um fellowship nos Estados Unidos, na Universidade da Califórnia, concorda com a amiga e compara o grupo a uma trança em que cada uma complementa o trabalho da outra. Afinal, as especialidades não se repetem. “Pensamos numa configuração em que pudéssemos oferecer um atendimento global aos pacientes. Se uma mulher chegar até nós com uma dor no peito, por exemplo, temos condições de avaliar se é no coração ou na mama”, explica a cirurgiã plástica, também de 35 anos.

As sócias reiteram em suas falas a preocupação de que a clínica seja compreendida como um espaço aberto a todo tipo de pessoa. “Não queremos provocar uma ideia de que o Ifé é um local para atendimento restrito à população negra”, adverte Aline. “Precisamos, na verdade, normalizar a presença das mulheres negras na medicina”. A união entre as cinco, portanto, soa como um caminho natural para a cardiologista. Do mesmo jeito, a ginecologista Cecília, de 33 anos, reconhece que a inauguração de uma clínica como a delas não deixa de ser um posicionamento político. Afinal, as situações de racismo ainda são recorrentes na área da saúde. “Quando chegamos a um centro cirúrgico, as roupas usadas por um médico, um enfermeiro e um técnico são diferentes umas das outras. Mesmo assim, sem nos perguntarem qual a nossa função, nunca nos entregam a roupa de médico.”

Se a ideia é construir juntamente com a clínica uma nova narrativa, Liana nota que os efeitos já começaram a aparecer. Segundo ela, desde a inauguração, a sala de espera tem abrigado pacientes de diferentes profissões, religiões e tonalidades de pele. “É engraçado que, antes de começarmos as consultas, as pessoas já começam a falar sobre a vida. Isso indica que elas realmente percebem que estão num lugar diferente e se sentem à vontade para se abrirem conosco”, observa.

Durante as pesquisas para a definição do projeto, as médicas perceberam haver poucos empreendimentos com perfil semelhante no Brasil. Mesmo assim, elas têm se surpreendido com o sucesso imediato alcançado pelo negócio (a clínica não aceita planos de saúde e as consultas custam a partir de R$ 200). “Em pouco mais de um mês, precisei ampliar a minha frequência na clínica de uma para três vezes por semana”, relata Abdulay, que também tem um consultório no Leblon. “Acho que havia uma demanda reprimida por um espaço como o nosso.”

Parte dessa popularidade, elas dizem, tem como origem o bom e velho boca a boca, mas também a presença estratégica do grupo nas redes sociais. Além da página no Instagram (@grupoife medicina), todas elas têm perfis profissionais abastecidos com conteúdos informativos sobre as respectivas áreas. Juntas, somam 42 mil seguidores. “A rede social move o mundo. A grande maioria das pessoas que chega até aqui diz: ‘Vi você no Instagram”, diverte-se Julia

A representatividade é tônica no perfil do empreendimento na rede social, com postagens que vão das dicas de saúde à literatura de autoras negras, mas também da clínica propriamente dita. Além das cinco sócias, a maioria das funcionárias são pessoas negras. Falar sobre isso faz Liana tecer uma reflexão especial sobre o público infantil que, no local, é atendido por ela e Abdulay.”Não tenho dúvida de que o Ifé mostra um novo papel da mulher negra para a sociedade, que passa a entendê-la em sua pluralidade, podendo ser médica, empreendedora e dona de clínica. E é na infância que começamos a construir essas imagens. Quado eu era pequena, sentia muita falta de exemplos como este.”

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 25 DE OUTUBRO

NÃO DESAFIE QUEM TEM O PODER NAS MÃOS

Como o bramido do leão, é o terror do rei; o que lhe provoca a ira peca contra a sua própria vida (Provérbios 20.2).

Nos regimes monárquicos, o rei detém pleno poder. Houve reis absolutistas que se colocaram acima da própria lei. Foi o caso de Nabucodonosor, rei da Babilônia, cujas ordens não podiam ser desafiadas. Ele era a lei. Não é sensato insurgir-se contra aqueles que detêm o poder. A menos que seja uma causa absolutamente justa, não é sábio correr riscos, provocando o rei à ira. João Batista denunciou o pecado de adultério do rei Herodes e foi decapitado na prisão. No seu caso, preferiu perder a vida a perder a honra. A raiva do rei é como o rugido de um leão; quem provoca o rei arrisca a vida. Aqueles que têm o poder nas mãos não gostam de ser desafiados. Quando se iram, rugem com forte estrondo como leões. Querem ser temidos, e os que desobedecem às suas ordens atentam contra a própria vida. Entrar numa contenda com aqueles que detêm o poder não é prudente. Uma queda de braço com aqueles que são investidos de poder e blindados pelo sistema é lavrar sua própria sentença de derrota. A sensatez ensina a não cutucar essa fera selvagem com vara curta. Não compensa entrar nessa briga inglória.

GESTÃO E CARRREIRA

VOCÊ SABE PARA ONDE ESTÁ CAMINHANDO O SEU NEGÓCIO?

Eu costumo dizer aos empresários que conversam comigo e nas minhas palestras, que para ter sustentabilidade nos negócios é preciso criar cenários para o futuro.

Mas, embora essas pessoas concordem e se motivem com tal orientação, percebo que há uma grande dificuldade em colocar isso em prática. Não que seja algo complicado.

Na realidade pode ser até simples. O que torna essa prática desafiadora é a decisão de cada indivíduo quanto à mudança em sua forma de gerir o negócio.

Para criar cenários para o futuro do negócio, é preciso entender primeiro a situação da empresa no presente. E eu não estou falando de saber se existem problemas financeiros; é necessário ter uma ideia geral do que acontece no financeiro! Eu me refiro à compreensão dos números do negócio. Ou seja: compreender a causa dos problemas financeiros que gera a falta de dinheiro para pagar as contas.

A falta de liquidez na prática – Na maioria das vezes, as empresas perdem liquidez simplesmente por falta de organização financeira e estratégia. O ambiente pode ser organizado, os processos de produção e venda podem seguir critérios bem definidos, mas se o departamento financeiro não tiver o registro de todas as transações, bem como de suas respectivas justificativas (o que entrou e saiu, quando, quanto e porquê), a desorganização financeira o impedirá de acertar em decisões estratégicas.

Assim acontece por não respeitarem as datas de pagamento e de recebimento; pelo dinheiro do caixa (que é a liquidez do negócio) ser usado desavisadamente; pelo fato do estoque prender recursos que não estão sendo utilizados…Enfim, pequenos deslizes de gestão são cometidos diariamente e, de forma quase imperceptível, provocam buracos no caixa e criam novas dívidas (empréstimos com juros, por exemplo).

Três passos para o futuro do negócio – O primeiro passo para mudar a história do seu negócio, é a sua DECISÃO. Pense em como você quer estar daqui a 5 anos. Suas ações e a sua atual gestão estão alinhadas a essa expectativa? O segundo passo é ORGANIZAR AS FINANÇAS. Para isso, você vai precisar de um fluxo de caixa com plano de contas gerencial e estabelecer uma rotina de registro e controle diário das a movimentações.

Isso vai ajudá-lo a enxergar os pontos de perda de liquidez para corrigi-los. Por vezes, você perceberá que é só ajustar algumas datas. Em outros casos, verá a necessidade de renegociar formas de pagamento, por exemplo. Seja lá qual for o seu caso, o importante é identificar as causas do problema financeiro e tomar atitudes m embasadas em fatos e números reais.

O terceiro passo é PREPARAR O FINANCEIRO PARA O FUTURO DO NEGÓCIO, que é o que eu chamo de criar cenários. Oriente-se por comparações entre o que foi previsto e o que foi realizado e pelos lançamentos futuros. Observar o comportamento financeiro da empresa, ter controle de tudo o que entra e sai e contar com estimativas coerentes a curto e médio prazos viabilizarão o seu planejamento estratégico.

CRIAR CENÁRIOS COMO UM ESTILO DE GESTÃO

Há uma frase bastante conhecida que diz que para quem não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve. Isso explica por que tantos empresários caminham para a quebra da empresa sem perceber.

Lembre-se de que o sucesso depende das nossas escolhas, então precisamos ter um caminho bem definido para alcançá-lo.

Em termos práticos, isso significa planejar ações que levem o negócio ao objetivo almejado, considerando a sua realidade. Sendo assim, recomendo que, após organizar as finanças, você use as informações do seu fluxo de caixa para se preparar com antecedência para imprevistos e, em paralelo, planejar novos investimentos.

Independente de qual seja o caminho que você decida traçar, o importante é sempre se manter atento aos resultados (diariamente). Se estiverem de acordo com o previsto, você saberá que está no caminho certo e poderá prosseguir; se não estiverem alinhados com o plano, você terá o comparativo (previsto x realizado) para mostrar o que precisa ser ajustado a fim de se manter no rumo pré-definido.

Essa deve ser uma constante na vida empreendedora de quem sabe onde quer chegar. Portanto, se você quiser prosperar e estiver disposto a sair da sua zona de conforto para reescrever o futuro do negócio, coloque ordem no seu financeiro e inclua essa rotina de cuidados para a criação de cenários em sua gestão. Você se surpreenderá com o que é capaz de realizar!

*** FRANCISCO BARBOSA NETO é Especialista em Gestão e Finanças, Founder/CEO da Projeto DSD Consultores e criador da plataforma Fluxo de Caixa Online).

EU ACHO …

EMPREENDEDORISMO COMO PATOLOGIA

Destruir a sanidade dos jovens é um mercado lucrativo e em crescimento

Imagine uma propaganda em que aparece uma mulher grávida abraçando sua barriga diante de uma floresta e uma frase embaixo, como se fosse ela dizendo mais ou menos o seguinte para seu bebê ainda no útero: “salvar nosso planeta será a missão”. Abaixo, está escrito, “generation one”.

Não importa de quem é a propaganda, mas ela aparece em uma das revistas internacionais de maior reconhecimento. O que quer dizer um comercial como esse? Antes de tudo, ele quer dizer que estamos ferrados — para não usar nenhum termo que ofenda a sensibilidade dos falsos revolucionários de plantão.

A rigor, não há nada de novo na ideia, apenas uma radicalização — há anos estamos num projeto de destruição da saúde mental dos mais jovens dizendo justamente o contrário, que eles são lindos e mais evoluídos. Às vezes, ouço por aí frases desse tipo, ditas por pessoas que se acham a prova pura de que a humanidade evolui na mesma medida em que ela lê algo de idiota na sua bolha das redes sociais.
Na prática, desde os tais millennials, esses coitados que começam a acordar para o prejuízo da fé em si mesmos, os pais, as escolas, as universidades, o marketing, a espiritualidade, todos, em uníssono, trabalham para destruir a saúde mental dos mais jovens.

E nada vai mudar, porque essa destruição é um mercado bastante lucrativo e em crescimento. Mas, quando isso acontece em casa, aí começam a chorar as pitangas e se voltam para o próprio mercado da contenção de danos — e não tem muito o que fazer mesmo.

Mas, voltemos por um minuto aos millennials. Muitos deles começam a culpar a falta de esperança que os contamina agora — como se, para ser adulto, alguém devesse necessariamente ter esperança no mundo. A vida nunca foi “fun”. Essa ideia absurda é fruto do mesmo capitalismo que essa geração agora jura odiar.

Verdade que o tal capitalismo está mais violento do que nunca, mas são os próprios jovens e seus algozes queridos que emplacam ideias como capitalismo consciente, empresas inclusivas, marketing de causa e outros fetiches que a esquerda de butique adora colocar no seu portfólio.

Voltando à nossa propaganda disruptiva, ela radicaliza um processo que lhe é anterior, porque a personagem grávida já entrega uma tarefa a alguém que não nasceu. A coitada da Greta já é uma velha se comparada à missão do embrião da publicidade.

Os jovens obrigatoriamente devem ser corretos em tudo, eficazes em tudo, equilibrados em tudo, informados em tudo, focados em tudo, saudáveis em tudo, produtivos em tudo, felizes sempre. O resultado disso é a doença mental, que recebe apelidos fofos e técnicos para não ferir a sensibilidade do marketing de nicho.

Nem os embriões estão a salvo. Todo mundo sabe disso, mas vamos continuar mentindo, pois mentir agrega valor — e o resto que se dane.

Mas, ampliemos o argumento para, talvez, aprofundar a percepção do sintoma. O paradigma do empreendedorismo como obsessão justifica tudo. Sim, até os bebês devem ser empreendedores de si mesmos e ligados a causas. Quando atribuímos missões para os mais jovens, estamos condenando essas pessoas a perseguir o sucesso desde sempre.

O empreendedor como modelo de vida é, na maioria das vezes, um coitado. É aqui que chegamos ao empreendedorismo como patologia.

Tudo bem você gostar de empreender nos negócios. Ainda bem que tem gente que curte isso, tem grana e disposição. É verdade que muita gente depois dos 45 anos é obrigada a virar empreendedor de geleia natural ou comida vegana porque foi cuspida da mesma empresa que posa de inclusiva, mas só tem funcionários de 30 anos.

É verdade também que hoje, com o capitalismo de plataforma, todo mundo que está com dois anos de idade terá que virar algum tipo de influencer de bobagens em algum momento.

Mas quem disse que, se algo é verdade, ele também é bonito em sua totalidade? Aqui entra em cena a mentira do marketing como imperativo categórico — você será empreendedor como estilo de vida. Adorará nunca repousar, pois isso é para os fracos. E, quando tiver dúvida, é só baixar um aplicativo de educação financeira.

ESTAR BEM

ME VACINA, MÃE

A queda na vacinação infantil atinge índices preocupantes no Brasil. Saiba por que isso ameaça o presente e o futuro de tantas crianças e como podemos reverter esse cenário

O sonho de qualquer cidadão hoje é acordar com a notícia de que a vacina contra o coronavírus chegou e a campanha de imunização vai começar. Mas veja só que ironia: esperamos tanto por ela e deixamos de tomar aquelas já consagradas e disponíveis para prevenir outras doenças há décadas. Sim, precisamos abrir os olhos para os baixos índices de vacinação por aí, sobretudo no que diz respeito às crianças – uma situação ainda mais agravada pela pandemia. Tanto é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) emitiram um alerta sobre a interrupção das imunizações desatada pela Covid-19.

Uma pesquisa dessas entidades em colaboração com universidades americanas mostra que 73% dos países avaliados tiveram algum tipo de suspensão ou restrição em seus programas de vacinação já em maio de 2020. As limitações envolvem desde o medo de as pessoas saírem de casa até a falta de profissionais de saúde dedicados ao serviço. Os dados focados na população infantil impressionam: a probabilidade de uma criança nascida hoje receber todas as vacinas recomendadas até os 5 anos é inferior a 20%. Esse cenário pode colocar em risco cerca de 80 milhões de bebês com menos de 1 ano de idade.

O Brasil não foge à regra. Pior: há evidências de que a queda na vacinação infantil vem ocorrendo antes mesmo de a Covid-19 chegar. De acordo com um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que analisou a cobertura vacinal brasileira de 1994 a 2019, o índice de meninos e meninas menores de 10 anos vacinados caiu entre 10 e 20% no país desde 2016. “É um fenômeno mundial, e o que estamos vendo agora por aqui é a piora de um quadro que já era preocupante”, afirma o infectologista pediátrico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Embora o levantamento da Fiocruz tenha englobado todas as faixas etárias, as maiores baixas ocorrem justamente com as vacinas indicadas às crianças. A tríplice bacteriana, que previne tétano, difteria e coqueluche, sofreu uma redução de 34% – de 4,5 milhões de doses aplicadas em 2017 para 2,9 milhões em 2019.

Preocupado com a situação, o médico Marcelo Otsuka, coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), se debruçou sobre os números do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) e descobriu que, em 2019, a cobertura de dez imunizantes aplicados em bebês de até 1 ano ficou abaixo do recomendado para manter as doenças sob controle. Estamos falando de vacinas que protegem contra tuberculose, hepatites, rotavírus, poliomielite, febre amarela e enfermidades provocadas por bactérias pneumocócicas e meningocócicas.

Mas como é que o Brasil, que um dia foi exemplo em vacinação infantil, caiu nesse estado? Os especialistas batem na tecla de que as gerações atuais desconhecem a gravidade das infecções combatidas pelas picadas e gotinhas e desvalorizam sua importância. Ora, é bem provável que você nunca tenha visto uma criança sofrendo as consequências da paralisia infantil, já que o último caso registrado de pálio no país é de 1989. Mas pergunte a seus pais ou avós. Talvez eles se lembrem das sequelas terríveis da doença. ”Além disso, hoje temos o problema das fake news”, aponta Sáfadi. A suposta invisibilidade se soma a teorias e posts sem pé nem cabeça. E quem paga o preço são os pequenos.

Um estudo de 2019, encomendado pela Avaaz em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), revelou que, a cada dez brasileiros, sete já acreditaram em notícias falsas sobre vacinas. As fake news envolvem desde conteúdos fora de contexto e sem respaldo científico – como o infundado “vacinas causam autismo” – até mensagens divulgadas por movimentos antivacina. Apesar de eles não serem tão fortes no Brasil, Otsuka acredita que é necessário acender o alerta e prevenir sua expansão. “Há um bom tempo esse movimento gera uma série de problemas, como a nova epidemia de sarampo na Europa”, justifica o infectologista.

Mas há outros fatores que contribuem para a queda na cobertura vacinal no país. E eles dependem mais do governo do que das famílias. “Temos problemas estruturais como a falta de doses nas unidades de saúde e seu horário de funcionamento restrito”, cita Sáfadi. Pois é, de que adianta fazer uma campanha pontual se os postos fecham antes da chegada dos pais do trabalho ou se os imunizantes simplesmente não atingem certas regiões?

O assunto é urgente, e o sarampo é um bom exemplo depor que não podemos baixar aguarda na vacinação. Em 2016, o Brasil ostentava o certificado que nos declarava como a primeira zona das Américas livre da doença. Bastaram dois anos para o sonho virar pesadelo. Em 2018, o vírus retomou, provocando surtos em 11 estados e um total de 10. 326 casos confirmados, de acordo com os boletins do Ministério da Saúde. Em 2019, o número subiu para 13.181 infectados. “O sarampo é um problema potencialmente grave, principalmente em crianças menores de 1 a 10, e já foi a principal causa de mortalidade infantil nos países com circulação em massa”, conta a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da SBim. Os números confirmam o perigo: dos 15 óbitos que ocorreram em 2019, a maioria aconteceu nessa faixa etária.

O sarampo só voltou a estas terras porque a meta de imunização (95% da população) não vem sendo cumprida. Agora imagine outras pragas seguindo o exemplo desse vírus. “São doenças que provocam hospitalizações, podem deixar sequelas e até levar à morte”, alerta Sáfadi. E não afetam só as crianças, não. A infecção por bactérias meningocócicas, por exemplo, é capaz de gerar problemas respiratórios e neurológicos e até mesmo amputações em qualquer fase da vida. Outro caso é o do HPV, vírus transmitido sexualmente. A vacinação deve ocorrer no início da adolescência para que meninas e meninos estejam protegidos antes de começar sua vida sexual. As picadas previnem verrugas nos genitais e reduzem o risco de câncer de colo de útero, pênis e garganta lá adiante. A taxa de imunização das garotas no país está na metade do que é considerado ideal – entre os meninos, a situação é ainda pior.

Quer mais um motivo para não negligenciar a vacinação? Otsuka lembra que, muitas vezes, as complicações e mortes por Covid-19 vêm na esteira de outras infecções oportunistas. Se alguém que não tomou a vacina pneumocócica pegar a bactéria durante o tratamento contra o coronavírus, o risco de pneumonia grave e outros danos decola.

E como é que a gente sai desse imbróglio? Uma unanimidade entre os experts é conscientizar constantemente a população e desmentir boatos e notícias falsas disseminados nas redes sociais. “Divulgar o papel e a importância das vacinas é o principal passo. E isso depende dos médicos, não apenas dos pediatras, das escolas, da TV, da internet…”, diz o consultor da SBI. Sáfadi, que também atua no Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, destaca a necessidade de promover mudanças logísticas e assistenciais. “O governo precisa trabalhar para que não haja mais desabastecimento nas unidades de saúde e criar um sistema de registro mais eficiente, que permita identificar e corrigir as lacunas com clareza”, resume.

“Os postos de saúde, por sua vez, precisam ser mais inclusivos e funcionar em horários mais amigáveis”, completa. Pensando nos adolescentes, um caminho para melhorar a situação é levar a vacinação às escolas. “Em vários lugares do mundo já se comprovou que essa é a única forma de ter uma boa cobertura nessa faixa etária. Está mais do que na hora de discutirmos esse tema com seriedade”, diz Sáfadi.

Tentamos contato com o Ministério da Saúde para entender qual é o seu diagnóstico sobre o problema e as propostas para remediá-lo, mas não obtivemos retorno até o fechamento da matéria. De qualquer forma, o Estado demonstra preocupação com o tema, já que desde 2019 investe em campanhas contra o sarampo em todas as faixas etárias e reforçou a imunização contra a gripe este ano.

Reverter a queda na vacinação infantil passa por superar desafios armados pela pandemia. Nessa linha, ASBIm, em parceria com a Unicef e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), lançou a campanha “Vacinação em Dia, Mesmo na Pandemia”. A iniciativa publicou uma cartilha com orientações para a população se imunizar com a devida segurança nestes tempos – você pode acessá-la pelo link https://bit. ly/2DlvAes. E, claro, todos somos convidados a fazer nossa parte. Lembre-se de que, ao vacinar seu filho hoje, você está reservando um futuro melhor para ele e toda a sociedade. Até porque ninguém quer uma nova epidemia agora ou lá na frente.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DORES ADOLESCENTES

Meninas sofrem mais com violência sexual e tem menos autoestima

A Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) divulgada pelo IBGE mostrou que as adolescentes brasileiras, na comparação com os meninos, sofrem mais violências sexuais – uma a cada cinco foram vítimas – são apresentadas mais precocemente ao álcool e ao cigarro, têm maior índice de sedentarismo e maior descontentamento em relação à própria imagem e à saúde mental. A pesquisa reúne informações dadas por mais de 125 mil alunos entre 13 e17 anos de 42 mil escolas públicas privadas.

“A pesquisa traz um alerta importante para as meninas, pelos comportamentos que vêm se mostrando em 2019 e que, infelizmente, correm o risco de terem piorado muito durante a pandemia e isolamento social”, afirmou Marco Andreazzi, gerente de Estatísticas da Saúde do IBGE.

O estudo foi realizado em 2019, mas por ter sido finalizado imediatamente antes da pandemia, tido pelos pesquisadores como um ponto de partida importante para traçar estratégias em relação à saúde dos estudantes, que tende a ter piorado. Estima-se que haja 5,8 milhões de meninos e pouco mais de 6 milhões de meninas cursando do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio atualmente.

Os relatos de violência sexual assustam. Na pergunta sobre se alguém tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo do aluno contra sua vontade, 14,6% deles indicaram já ter sofrido algum tipo de abuso. A maioria 20% de meninas. Entre os meninos da mesma faixa etária, o número ficou em 9%. Entre os autores apontados pelas vítimas, os principais foram namorados (29,1%) e amigos (24 8%).

Pior: 6,3% dos alunos ouvidos afirmam que já foram estuprados: 8,8% das meninas, e 3,7% dos meninos. Os estudantes apontaram como principais autores dos crimes, neste caso, namorados (26,1%) e parentes (22,4%). Pai, mãe ou responsável foram citados em 10,1% dos relatos.

RISCO DE SUBNOTIFICAÇÃO

A psicóloga Claudia Melo, especialista em crianças, adolescentes e vícios, não se surpreende. Para ela é provável que ainda haja subnotificação pois mesmo anonimamente, muitos têm dificuldades para tocar em certas feridas. Sobretudo os meninos.

“Pelo que observo no meu consultório, esses números são ainda maiores. E as próprias experiências traumáticas, seja por negligências familiares ou abusos sexuais acabam desencadeando no uso precoce do álcool e outras drogas porque é uma forma de essas adolescentes buscarem um alívio. Numa situação dessas a saúdem mental já está completamente adoecida”, afirmou.

E neste mesmo cenário é possível notar na pesquisa uma ampla predominância das meninas em relação às questões ligadas à mente. O índice que deixa mais claro esse panorama é o que diz respeito à autoavaliação, em que os pesquisadores observam e, durante os 30 dias anteriores à pesquisa, aquele estudante reconheceu ter se sentido negativo quanto à sua saúde mental sempre ou quase sempre. Ao todo, 27% das meninas apontaram que sim, contra apenas 8% dos meninos – um número mais de três vezes menor.

Os indicadores também podem ser analisados junto aos de percepção da própria imagem corporal e ao de prática de exercícios físicos. Enquanto o sentimento de satisfação quanto ao próprio corpo foi majoritário entre os meninos (75,5%), 31,4% das adolescentes falaram em insatisfação. Os números mostram que 12,4% das jovens declararam-se fisicamente inativas (contra 4,9% dos meninos), e apenas 18% disseram-se ativas, contra 38,5% dos rapazes.

BULLYING

Ao mesmo tempo, as adolescentes do sexo feminino também alegaram maior frequência no consumo habitual de doces (38% contra 27,4% dos meninos), tentativas de perda de peso (27,9% contra 21,5% dos meninos), e consideraram-se gordas ou muito gordas (25,2% contra 15,9% dos meninos).

Em relação ao bullying, 23% dos alunos disseram já terem sido vítimas. No entanto, 26,5% das meninas demonstraram terem tido problema com bullying, contra 19,5% dos meninos. Os pesquisadores não usaram a palavra bullying de forma direta nos questionários, masverbos que signifiquem algum tipo de provocação, como esculachar, zoar, mangar, intimidar ou caçoar, tanto que ficaram magoados, incomodados, aborrecidos, ofendidos ou humilhados, que posteriormente são conceituado como bullying.

Os estudantes de 13 a 15 anos tiveram os percentuais maiores de vítimas de intimidações, tanto para as meninas (27,1%) quanto para os meninos (20,4%), comparados com as meninas (24,2%) e meninos (17,8%) de 16 e 17 anos. Em contrapartida, mais meninos (14,6%) do que meninas (9,5%) acusaram-se como causadores do bullying.

As estudantes também lideram os índices de consumo precoce de álcool e tabaco. Os pesquisadores notaram um crescimento entre as jovens na iniciação do uso do cigarro em relação à última pesquisa, em 2015: 18,43% das jovens entre 13 e 15 anos no Brasil disseram já ter experimentado o fumo, contra 15,61% dos meninos da mesma idade que foram ultrapassados. Entre os alunos com 15 a 17 anos, os meninos que já experimentaram o cigarro pelo menos uma vez, no entanto, passam a ser maioria: 35% contra 30% das meninas.

Num outro índice, que diz respeito ao uso recente do cigarro nos 30 dias antes da pesquisa – os garotos predominaram.

“O cigarro é talvez o fator que isoladamente mais contribua para doenças crônicas e problemas de saúde durante a vida adulta e normalmente esse hábito vicia durante a adolescência”, explicou Marco Andreazzi.

A pesquisa trouxe um fator preocupante: vemos entre os jovens de 13 a 15 anos que já fumaram cigarro um predomínio maior entre as mulheres do que entre homens; uma inversão no que diz respeito a 2015 e anteriormente.

Andreazzi acrescentou que os números têm grande influência da Região Sul do país, e reforçou que questões de hábitos culturais e familiares influenciam em tópicos como este.

COMPRA DE BEBIDAS

Em relação ao consumo de bebidas alcoólicas a pesquisa mostra que 66,9% das meninas entre 13 e 17 anos disseram já ter tomado pelo menos uma dose alguma vez na vida, contra 59,6% dos meninos. E 26 8% deles disseram ter adquirido o produto em lojas, mercados, padarias, bares ou botequins, o que é proibido por lei. A PeNSE aponta que, deste total, 34,6% dos alunos disseram já ter sido expostos ao álcool antes mesmo dos 14 anos. Número que é ainda mais alarmante em relação às meninas: 36,8% delas enquanto os meninos, 32,3%.

“São drogas que vão trazer prejuízos cognitivos ao longo da vida desses jovens. Com o tempo, essas pessoas adquirem problemas de memória, coordenação e até de socialização com os outros jovens e, futuramente, adultos”, alertou a psicóloga Claudia Melo.

Ao fim da apresentação dos números, a coordenadora do Programa Saúde na Escola, do Ministério da Saúde, reforçou a importância de levantamentos como o feito pelo IBGE.

“São dados que nos fazem refletir e que são muito importantes para nós. Chama a atenção a questão do bullying e também do uso de álcool por parte das meninas. São situações muito preocupantes.

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