ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 20 DE OUTUBRO

FILHOS INGRATOS, A VERGONHA DOS PAIS

O que maltrata a seu pai ou manda embora a sua mãe filho é que envergonha e desonra (Provérbios 19.26).

A lei de Deus pode ser sintetizada em dois mandamentos: amar a Deus e ao próximo. O amor não é apenas o maior dos mandamentos, mas também o cumprimento da lei e dos profetas. O amor não é apenas a maior das virtudes, mas também o sinal distintivo de um verdadeiro cristão. O amor é a prova cabal de que somos convertidos, porque aquele que não ama não é nascido de Deus, já que Deus é amor. Também não podemos amar a Deus sem amar o próximo. E não há ninguém mais próximo de nós do que nossos pais. A ordem divina aos filhos é honrar pai e mãe e obedecer-lhes no Senhor. Esse é o primeiro mandamento com promessa. Os filhos que honram os pais têm vida longa e também prosperidade. Um filho ingrato, porém, traz vergonha para os pais e desonra para a família. Maltratar o pai e mandar embora a mãe são atitudes abomináveis aos olhos de Deus, crueldades sem tamanho. Há muitos filhos ingratos, que cospem no prato em que comeram. Agridem os pais com palavras e atitudes e abandonam-nos à própria sorte quando chegam à velhice. Os filhos que maltratam seu pai ou tocam sua mãe de casa não têm vergonha, não prestam. Os filhos que cometem tal desatino causam desonra para a família.

OUTROS OLHARES

DERMATOLOGISTAS ALERTAM SOBRE USO DE REMÉDIO DE ACNE

Sob risco de graves efeitos colaterais, medicamento está sendo utilizado indevidamente para quem pretende afinar o nariz

A difusão de informações nas redes sociais sobre o suposto potencial de afinar o nariz de um medicamento para acne fez a Sociedade Brasileira de Dermatologia divulgar um alerta sobre os riscos de graves efeitos colaterais do uso inadequado do remédio, que pode causar danos no fígado, aumento do colesterol e más formações no feto, no caso de pacientes grávidas.

A entidade notou um aumento de publicações sobre benefícios de medicamentos com isotretinoína, mais conhecida pelo nome comercial Roacutan, inclusive com o incentivo a desafios para uso da substância.

“É um remédio com muitos efeitos colaterais, como alteração no fígado e aumento do colesterol. No caso de gestantes, pode causar más-formações no feto. A gente sabe que ele dá uma atrofia na glândula sebácea, mas não tem embasamento científico de que o medicamento afina o  nariz”, explica Beni Moreinas Grinblat, segundo secretário da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Grinblat diz que, além de casos de acne que necessitam do tratamento, há uma condição chamada rinofima que pode receber a indicação do medicamento, mas o quadro atinge principalmente idosos.

De acordo com a entidade, a preocupação com mulheres em idade fértil se dá pelo fato de que o risco de um bebê nascer com má-formação congênita chega a 30% caso o uso seja feito por mulheres grávidas. Em nota divulgada, a SBD informou que, juntas, as hashtags que convocam para o desafio usando a medicação – #roacutancheck e #roacutanchallenge – atingem 29 milhões de visualizações.

Apenas nos últimos sete dias, as buscas no Google por ” Roacutan afina o nariz” aumentaram 900%. Mesmo com o crescimento, Grinblat pondera que o interesse está mais nas redes sociais do  que nos consultórios. “As pessoas estão se desafiando, mas não sei o quanto, na prática, está  acontecendo. No Brasil, não e um remédio fácil de comprar. Além da receita controlada, existe um termo de consentimento que tem de assinar na farmácia. Alguns pacientes, que já tomam, perguntam se é verdade. No consultório, eles estão desconfiados.” Os pacientes que fazem o tratamento são monitorados por meio de exames para verificar se estão tendo alterações no fígado e no colesterol.

EFEITOS COLATERAIS

Ter os olhos, boca e nariz ressecados não foi o que mais incomodou a estudante de Medicina Isadora Andreotti, 20 anos, enquanto tomava Roacutan para acne, indicação do medicamento. Em sua primeira experiência com o remédio, ela teve de interromper o tratamento após alterações no fígado. Também houve aumento dos níveis de triglicerídios e colesterol.

“Fiz tratamento com Roacutan três vezes, com dois médicos diferentes”, diz. “Fiquei satisfeita com o resultado, mas ainda tenho algumas cicatrizes e manchas de acne”.

As reações relatadas por Isadora estão dispostas na bula do medicamento como “muito comuns” – quando ocorrem em 10% ou mais dos pacientes. Na mesma lista aparecem distúrbios na vesícula biliar, conjuntivite e dores no corpo. Desordem dos sistemas linfático, nervoso e respiratório também são efeitos possíveis, embora menos recorrentes. O documento ainda menciona casos raros de depressão, perda de peso, alterações na contagem de células brancas, insônia, entre outros.

As espinhas, motivo pelo qual a isotretinoína foi receitada a Isadora, foram embora. Os danos ao fígado e aos níveis de colesterol, descritos como reversíveis na bula, também desapareceram. O nariz, que nunca foi o foco do remédio, continua o mesmo. “Consegui o resultado que queria, mas quem tomar para afinar o nariz pode arriscar a própria saúde a troco de nada.”

A isotretinoína também pode ser usada em pessoas que fizeram rinoplastia, segundo Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Rinoplastia Estética e Reparadora pela Case Western University.

“Ela pode ser indicada para o pós-operatório quando a gente faz a cirurgia no nariz. Há trabalhos científicos que mostram benefícios do uso em baixas doses para o resultado do procedimento. Mesmo esses pacientes vão fazer o acompanhamento com cirurgião e dermatologista. O medicamento sozinho não afina o nariz.”

Rubez recomenda que as pessoas busquem informações sobre tratamentos em fontes confiáveis e sempre consultando especialistas da área. “Tem de tomar cuidado com procedimentos, ainda mais os adolescentes. Nessa idade, a gente nem opera. Espera chegar aos 16 anos.”

Em nota, o laboratório Roche Farma Brasil, responsável pela produção do medicamento no País, informou que, como a isotretinoína age nas glândulas sebáceas, pode desinchar a inflamação em casos específicos de peles oleosas acima do normal, causando a impressão de afinamento no nariz. Ainda de acordo com a Roche, o Roacutan é para o tratamento de formas graves de acne e não pode ser utilizado sem prescrição.

GESTÃO E CARREIRA

AS DIFERENÇAS ACENTUADAS PELO HOME OFFICE

Análises do Ipea com dados da Pnad Covid-19 destacam contrastes no trabalho remoto no Brasil

Muito se discute sobre o home office, principalmente após multinacionais adotarem o modelo de forma definitiva. O mercado entra neste debate como se essa fosse a realidade da maioria dos trabalhadores, quando na verdade, só 11% dos brasileiros trabalharam em suas casas no ano passado, conforme dados da Pnad Covid-19 analisados nas duas últimas Cartas de Conjunturas divulgadas pelo Ipea em julho e setembro deste ano. Os levantamentos e as análises mostram que o retrato do trabalho remoto é composto majoritariamente por mulheres, pessoas brancas e altamente escolarizadas, o que distancia o modelo da realidade de grande parte dos brasileiros.

A primeira nota foi divulgada pelo Ipea em 15 de julho com o objetivo de mensurar o trabalho remoto no País. Para isto, foram utilizados os dados da Pnad Covid-19, colhidos de maio a novembro de 2020. Dentre os 83 milhões de pessoas ocupadas no ano passado, 74 milhões (88,9%) continuaram trabalhando normalmente e 9,2 milhões (11,1%) foram afastadas. Dentre os que continuaram ativos, 8,2 milhões estavam em home office (11% da população total ocupada e não afastada).

“Em termos de potencial de mercado de trabalho, estimávamos que fosse 16% da população em trabalho remoto. A média é de 11% no País. Concordo que existe um gap, mas não é tão grande assim comparado a outros países”, diz Geraldo Goés, especialista em políticas públicas e gestão governamental na Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea. “Entendemos que são características laborais de cada atividade. Algumas são mais propícias ao trabalho remoto, como profissionais da educação, gerentes, tomadores de decisão.”

O professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Mauro Rochlin vê os números do home office como expressivos. “Há um alto número de pessoas empregadas no setor agrícola, na indústria. A maior parte não está no setor administrativo, e sim no chão de fábrica. É claro que essa indústria tem parte no administrativo, mas a maior parte se concentra no setor produtivo.”

O perfil do trabalhador remoto é marcado por uma maioria feminina (56,1%), branca (65,6%) são brancos e brancas), com Ensino Superior completo (76,6%) e majoritariamente no setor privado (63,9%).

“A maioria dos trabalhadores do home office está no setor administrativo, que normalmente tem pessoas com um maior nível educacional”, diz Rochlin. ”Se você olhar a composição da população de nível superior, é muito desigual se comparada com a maioria da população brasileira (negra). A presença de pretos e pardos entre a população com Ensino Superior é menor do que quando fazemos um comparativo com a população no geral. Já que o trabalho remoto é feito majoritariamente na área administrativa (que exige maior nível educacional), a expectativa é de maior presença de brancos e brancas.”

A professora Carla Diéguez, socióloga do trabalho e coordenadora do curso de Sociologia e Política da FESP-SP, concorda.

“Isso demonstra que a educação é algo que tem classe. Ela é destinada para determinadas classes, principalmente o ensino superior, que vai recolocar em condições que vão te permitir acessos a alguns benefícios.”

“Entre esses benefícios e regalias, estão equipamentos”, completa Geraldo Góes. “Poucas pessoas tinham condições de exercer o trabalho remoto, porque não dependia só delas, mas também da própria empresa ter condições de colocar um computador na casa da pessoa.”

FLEXIBILIDADE

Foi o caso da startup de benefícios de saúde Pipo, que colocou todos os funcionários em home office e adotou a medida como definitiva.

“Tomamos essa decisão em maio de 2020, ela foi motivada por motivos diferentes. O primeiro é por ter acesso a talentos, para poder contratar pessoas de qualquer lugar além de São Paulo, e a segunda é para refletir nossos valores de autonomia. Ou seja, as pessoas terem autonomia para morar onde elas quisessem e ter flexibilidade”, conta Manoela Mitchell, CEO e cofundadora da Pipo Saúde. No setor privado, segundo a pesquisa, destacam-se no trabalho remoto serviços (14,5%), educação (10,3%) e comunicação (7,7%). Já no setor público, as áreas com maiores índices de trabalho remoto são administrações públicas (14,4%), empregados dos governos estaduais (13,9%) e empregados do governo federal (7,8%). Atividades que ficaram abaixo da média nacional são agricultura (0,6%), logística (1,8%) e alimentação (1,9%).

“De forma geral, a nossa economia não se situa em serviços de alta tecnologia e produtividade. Ainda somos sustentados pela commodity, pelo setor agrário e por serviços de baixo valor agregado”, diz Carla Diéguez.

Há também no estudo do Ipea um recorte por regiões. A maior concentração de pessoas em trabalho remoto está no Sudeste (58,2%), com 4,7 milhões de trabalhadores. A região é seguida pelo Nordeste, com16,3%, e pelo Sul, com 14.9%).

A participação de pessoas pretas ou pardas no trabalho remoto é menor em todas as unidades federativas. No Rio de Janeiro, por exemplo, 52,5% das pessoas ocupadas e não afastadas são negras, mas compõem só 34% dos trabalhadores em home office.

EU ACHO …

A QUEM INTERESSA MEU VOTO

Todo colunista já recebeu alguma mensagem de leitor avisando que, por causa de um determinado texto, cancelará a assinatura do jornal. É um clássico da mágoa que, involuntariamente, causamos em quem não concorda com o que escrevemos. O leitor está no seu direito, ainda que a ameaça raramente se concretize. No entanto, recebi o e-mail de um Claudio que foi até o fim e, já meio arrependido da medida extrema que tomou por motivo tão banal, despediu-se de mim fazendo um último pedido: por favor, não vote em um ladrão.

Fiquei comovida, juro. A política leva as pessoas a desatinos. Nunca vi esse leitor nem ele sabe nada sobre mim a não ser que sou contra este governo, e ele a favor, como já havia revelado em e-mails anteriores. O que responder a ele, com a atenção que merece?

Claudio, votarei em 2022 no candidato que tiver as melhores propostas para o país, não para mim mesma. Com cidadã, preciso do governo, mas não tanto como precisam outros. Sou privilegiada. Estudei, fiz faculdade, tive meu primeiro emprego aos 19, nunca sofri discriminação, vivo num bairro seguro de uma grande metrópole. O preço da gasolina afeta meu custo de vida, a criminalidade impede que eu caminhe sozinha à noite, mas, ainda assim, minha vida é infinitamente melhor do que a maioria dos brasileiros. Corri os mesmos riscos só durante a pandemia. Ali não havia privilegiados, estávamos todos à mercê de um vírus mortal que só viria a ser neutralizado através da vacina, do uso de máscara e do distanciamento social, procedimentos que este governo irresponsável negligenciou.

No mais, não preciso olhar para o próprio umbigo na hora de votar. Tenho obrigação, isso sim, de olhar para os lados, para quem é pobre e precisa comer, para quem está desempregado e precisa trabalhar, para quem nunca segurou um livro nas mãos. Ao votar, preciso escolher quem apoia a cultura, quem preserva o meio ambiente, quem transmite boa imagem do país no exterior, quem atrai investimentos, quem não incita a violência, quem não propaga fake news, quem desenvolve projetos de inclusão, quem respeita todas as religiões, incluindo os sem religião. E, claro, quem combate a corrupção.

Já tenho candidato para o primeiro turno de 2022 e, até onde sei, ele não é ladrão. Haverá de lazer alguma aliança que eu desaprove, ceder em questões que me desagradem, desapontará em alguns pontos: política nunca foi um jardim de infância. Mas ele jamais apoiará a ditadura ou exaltará a ignorância, que isso não é coisa de gente equilibrada e comprometida com o futuro. Agradeço sua preocupação e garanto a você: em qualquer configuração, meu voto não irá para um extremista. Porque extremista só haverá um no pleito, e sempre teremos opção mais democrática.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

ESTAR BEM

AUTOCUIDADO NA PANDEMIA

A Covid-19 bagunçou a rotina e mexeu com a forma de se cuidar, se relacionar e consumir. Pesquisa com 1.874 brasileiros mostra como ela reverberou na alimentação, na atividade física e na busca por informações e serviços de saúde

Se tem uma palavra que deve ser cada vez mais incorporada ao nosso dia a dia a partir da pandemia, ela é autocuidado. Falamos de um conjunto de hábitos bem-vindos ao corpo e à mente e que inclusive é tratado como um direito ao cidadão pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O conceito abrange sete pilares: hábitos de higiene, prática de atividade física, alimentação balanceada, busca de informações confiáveis, restrição de comportamentos nocivos (como tabagismo e abuso de bebida alcoólica), conhecimento do próprio corpo e atenção a sinais estranhos e uso responsável de remédios e outros produtos. Todos eles foram afetados ou exercidos de alguma forma no mundo pós-Covid.

É nesse contexto que, com o apoio da Associação Brasileira de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), conduzimos a pesquisa ”Autocuidado em Tempos de Pandemia,” que investiga como os brasileiros lidam com cada um dos sete pilares e os efeitos da Covid-19 na percepção e na adoção desses hábitos. O estudo, realizado pela internet em junho de 2020, envolve 1.874 mulheres e homens de todas as regiões do país. Sete em cada dez entrevistados se mostraram dispostos a rever e alterar atitudes pensando em preservar a saúde.

Os efeitos mais positivos, na visão dos participantes, aparecem na procura por informações sobre prevenção e bem-estar e na adesão a medidas de higiene, como lavar as mãos, utilizar álcool em gel e caprichar na limpeza da casa – comportamentos que, de fato, ajudam a minimizar a transmissão do coronavírus. Mas há situações impactadas negativamente pela pandemia. Para quase metade dos entrevistados, o maior desafio está na prática de exercícios, limitada pelo fechamento temporário de parques e academias e pela reabertura gradual e cercada de receios. A alimentação também sentiu o baque em muitos lares, transformados da noite para o dia em um espaço misto de trabalho, lazer e convívio familiar.

Quando questionados sobre os pilares do autocuidado mais difíceis de levar para a rotina, disparam justamente esses dois hábitos tão ligados à prevenção de doenças crônicas: 46% das pessoas apontam para a alimentação saudável e 65% para a atividade física. O mapeamento também capta reflexos significativos da Covid-19 no sono e no estado emocional dos brasileiros. Em live transmitida pelas redes sociais para discutir os achados da pesquisa, o educador físico e expert em qualidade de vida Mareio Atalla resumiu suas orientações para o novo normal em um conselho: precisamos (r)estabelecer uma rotina.

ADOTAR HÁBITOS DE HIGIENE

Vestir a máscara ao sair de casa, lavar as mãos quando retornar e utilizar álcool em gel no meio do caminho são algumas das cenas mais emblemáticas da pandemia de Covid-19. E não é para menos: as medidas de proteção e higiene estão entre as maneiras comprovadamente eficazes de barrar o contágio pelo vírus Sars­CoV-2. Na pesquisa “Autocuidado em Tempos de Pandemia”, 93% dos entrevistados afirmaram alterar hábitos de limpeza pessoal. A maioria passou a lavar mais as mãos e adotou o álcool em gel e quase metade se vale de mais produtos para caprichar na faxina da casa. Já está claro que uma das principais formas de transmissão do coronavírus se dá por gotículas de saliva expelidas por alguém infectado ou pelo contato próximo com um portador do patógeno. Desse modo, usar a máscara, manter distanciamento, lavar as mãos com água e sabão (alguns especialistas sugerem por cerca de 20 segundos) e usar o álcool em gel na ausência de uma pia por perto fazem a diferença na prevenção da Covid-19. De bônus, os hábitos de higiene reduzem o risco de pegar ou passar outros vírus e bactérias perigosos. Eis uma das principais lições da pandemia.

PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS

Suar a camisa para muita gente nunca foi uma promessa fácil de cumprir. E na pandemia a dificuldade aguçou de vez. Pudera: só agora parques e academias estão sendo reabertos, com todos os cuidados que a situação exige. Quem estava para iniciar alguma atividade desistiu. Muitos até já tinham dado o pontapé inicial no projeto de sair do sedentarismo, mas o hábito ainda não tinha sido bem assimilado quando veio a necessidade de ficar em casa. Com tudo isso, dá para entender por que os exercícios foram considerados o pilar do autocuidado mais difícil de cumprir na rotina. Ocorre que, mesmo antes da Covid-19, mais da metade da população brasileira já era sedentária. Com o coronavírus circulando e a turbulência pelos lares, tudo se complicou. Faltam tempo e motivação para malhar, a despeito de tantas aulas na internet. “Mas é fundamental vencer a inércia, porque os exercícios contribuem diretamente para o bem-estar físico e mental,” ressalta Antônio Lancha Jr., professor da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo (USP). Para recomeçar, encontre um espaço na agenda, conte, se possível, com as orientações de um profissional e retome aos poucos, tomando as precauções.

MANTER UMA DIETA EQUILIBRADA

Embora mais da metade dos participantes do estudo acreditem que a pandemia não desgovernou sua alimentação, uma parcela significativa pena para manter o equilíbrio à mesa (e na sala, no quarto ou na varanda). Um terço relata estar consumindo mais doces e percebe descontrole com a comida. “Estamos vivendo um período de imprevisibilidade. Isso gera ansiedade e afeta o comportamento alimentar”, analisa Lancha Jr. “Daí muita gente fica mais permissiva e, ao consumir alimentos com açúcar ou gordura, a sensação de tensão emocional pode até não desaparecer, mas é mitigada”, completa. Experimentos mundo afora indicam que, na presença do estresse, tendemos a preferir itens mais gordurosos ou açucarados, como chocolate e batata frita, a iogurte, fruta ou salada. O professor da USP explica que tudo está ligado à bioquímica cerebral e a missão aqui é quebrar o círculo vicioso que transforma a comida em um antídoto contra a ansiedade. Para quem enfrenta essas angústias no dia a dia, convém estabelecer horários para comer, comprar e priorizar alimentos mais naturais, frescos e saudáveis e, se for ocaso, procurar suporte profissional.

EVITAR ATITUDES NOCIVAS

Algumas pessoas descarregam a tensão na comida, outras o fazem no cigarro ou mesmo no álcool. No levantamento, 11% dos brasileiros relataram ter um impacto negativo em relação a evitar ou controlar comportamentos prejudiciais à saúde, como fumar ou beber além da conta. O abuso de álcool movido pela quarentena foi registrado em vários países e chegou a fazer a OMS pedir que os governos restringissem a venda de cerveja, vodca, gim e companhia. O tabaco também se aproveitou da situação. Um trabalho capitaneado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que ouviu mais de 44 mil brasileiros, indica que 34% dos fumantes passaram a tragar mais cigarros no dia a dia com a pandemia – 22% ampliaram em dez o número de unidades consumidas. Especialistas reforçam que utilizar esses meios para desestressar não só gera mais dependência como expõe corpo e mente a efeitos rebote e desbalanços. Enquanto o excesso de bebida alcoólica pode debilitar a imunidade, o tabagismo desata inflamações e lesões nos pulmões e nos vasos sanguíneos. São cenários nada bem-vindos em tempos normais, que dirá com o coronavírus à solta.

FICAR ATENTO E CONHECER O PRÓPRIO CORPO

Decifrar os sinais que o organismo dá nos ajuda a prevenir problemas hoje e lá na frente. E, na pesquisa, seis em cada dez entrevistados se dizem mais atentos ao próprio corpo. A Covid-19 deixou claro, e à duras penas, que reconhecer os sintomas é o primeiro passo antes de tomar qualquer decisão diante de uma doença – inclusive ir ao hospital. Nesse sentido, o medo de sair de casa e se contaminar reduziu a procura por centros de saúde, algo compensado, em parte, pela adesão das pessoas à telemedicina e à orientação remota. Até porque nem sempre é preciso voar ao pronto-socorro e se expor ou tomar o lugar de alguém que requer realmente atendimento. “Quando seguimos os pilares do autocuidado de forma disciplinada e consistente, diminuímos a necessidade de utilização do sistema de saúde, evitamos consultas desnecessárias e contribuímos com a produtividade geral e a sustentabilidade do setor”, argumenta Cesar Bentim, fundador da startup Artegist Healthcare e consultor do estudo. É evidente que situações como falta de ar e dor no peito merecem uma corrida ao hospital – e não só pela Covid-19. Mas o ponto é que, fora dessas emergências, uma consulta médica à distância pode esclarecer quem, de fato, precisa se deslocar até lá.

USAR REMÉDIOS DE FORMA RESPONSÁVEL

O amadurecimento de uma postura mais ativa e ponderada em relação à saúde parece se refletir no uso de medicamentos isentos de prescrição, os MIPs. “Tomar remédio por conta próprio deve ser uma prática responsável pautado por orientação e educação, o fim de que o indivíduo conheça seu corpo e faça escolhas eficazes e seguras”, diz Marli Sileci, vice-presidente executiva do Abimip. Ela ressalta que esses produtos devem ser usados diante de males menores, já conhecidos ou diagnosticados, e após tirarmos as dúvidas na bula ou com o farmacêutico – se os sintomas persistirem, é hora de procurar o médico. Mas cabe diferenciar automedicação de autoprescrição, confusão detectada na pesquisa. “A automedicação responsável consiste na utilização dos MIPs, fármacos com baixa toxicidade, caso de analgésicos, antitérmicos e antiespasmódicos”, explica o toxicologista Sérgio Graff, diretor da Toxiclin, em São Paulo.

A autoprescrição envolve o uso de remédios que exigem receita e, infelizmente, às vezes são adquiridos mesmo sem o pedido médico (entram aqui anti-inflamatórios, anti-hipertensivos, antibióticos…). “Essa é uma atitude que pode trazer uma série de riscos”, alerta Graff.

INFORMAR-SE E ATUALIZAR-SE SOBRE SAÚDE

A pesquisa “Autocuidado em Tempos de Pandemia” constata: os brasileiros passaram a se preocupar com a fonte da informação e a disseminação das notícias falsas. Quase nove em cada dez afirmam que serão mais criteriosos com os conteúdos de saúde e 75% já se conscientizaram sobre o perigo das fake news. Apesar de a maioria se informar pela TV, são considerados mais confiáveis os sites especializados em saúde e as opiniões dos profissionais da área. “Mas continua sendo problemática a busca por remédios milagrosos ou aqueles indicados por um vizinho ou mencionados na internet”, pondera Graff. “Com a Covid-19, não é raro pessoas sem nenhum sintoma e sem orientação se medicarem baseadas em relatos de redes sociais”, lamenta. Segundo o médico, isso reforça a necessidade de investir em campanhas sem viés ou ideologia que eduquem a população de forma consistente. Embora não existam saídas fáceis para o ecossistema das fake news, os especialistas acreditam que só mobilizando todos os setores da sociedade conseguiremos sobrepujar as pseudonotícias com conteúdos sérios e baseados em ciência. E é através deles que podemos transformar o autocuidado numa nova rotina.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HORA DE CONVERSAR SOBRE AQUELE ASSUNTO – II

QUAL O CAMINHO PARA O PAPO FAMÍLIA DAR CERTO?

É comum ouvir histórias de famílias que tentaram, sem sucesso, ter Aquela Conversa. Vergonha, receio e até falta de conhecimento podem dificultar essa importante troca entre pais e filhos. Por isso, convidamos quatro famílias que já conseguiram ultrapassar essas barreiras para compartilhar a experiência delas e inspirar que você faça o mesmo em casa. As conversas ­ realizadas em vídeos com a presença de um especialista no tema – estão disponíveis no YouTube.

A história da assistente social Talita Gonçalves, de 47 anos, e da filha Sofia, de 16, poderia virar exemplo de sucesso em um episódio de série britânica Sex Education. Ao contrário da história da Netflix – em que o papo não flui bem apesar de Jean, a mãe de Otis, ser sexóloga -, na casa dela a conversa funciona.

Sofia sempre se beneficiou da relação de confiança com os pais para complementar o que aprendia nas aulas de biologia do ensino médio. “A gente acabava falando sobre isso em casa mesmo”, conta. “Na escola, só havia educação sexual em disciplinas específicas.”

Mãe de três filhos, Talita viu a filha chegar à pré-adolescência sem sobressaltos: sexualidade já era um tema natural, discutido desde a primeira infância. Mesmo assim, sabia que seria um desafio iniciar conversas até então inéditas na família, com uma linguagem adequada para a nova fase da filha. “Mas se não há essa evolução em casa, eles buscam a evolução do assunto na rua. Eu penso que é onde mora o perigo”, diz Talita.

O psicanalista Bruno Branquinho diz que fazer essa adequação é o caminho. “A cada idade você vai ter de passar um dado à criança para que ela possa entender e trabalhar a informação”.’

Se a criança e o adolescente forem reprimidos quando sentirem dúvidas, alerta o psicanalista, eles podem buscar outras fontes e acabar, aí sim, acessando conteúdos inadequados para a idade.

EXPERIÊNCIAS DISTINTAS

A artesã Indira Frauches replicou com o filho, Daniel, de 18 anos, o modelo de diálogo que tinha com a família quando ela era adolescente. ”Meu pai dizia que eu tinha de ouvir em casa para não ruborizar quando ouvisse na rua”, lembra. Isso garantiu que Daniel se sentisse à vontade para tirar com a mãe dúvidas sobre sexualidade.

Uma experiência bem diferente da que viveram Thais Cespe, de 16 anos, e o pai dela, Fernando. Ela conta que mesmo o momento da primeira menstruação foi complicado, com pouca orientação. “‘Os pais não sabem lidar bem com esses assuntos e acabam não falando'”, acredita a adolescente.

Mesmo quando não existe um tabu, diz a ginecologista e sexóloga Carolina Ambroginia, às vezes a comunicação entre pais e filhos é feita de forma confusa, tornando o tema mais embaraçoso.

Para ela, o mais adequado é introduzir a conversa de forma gradual. “Quando a puberdade chega, o ideal é que o adolescente já saiba o que acontece com o seu corpo, porque é uma fase muito difícil”, diz Carolina.

O pai de Thais, Fernando, reconhece que o diálogo sobre Aquele Assunto com a filha foi tardio. “É uma coisa recente na minha vida e essa ausência criou bloqueio”, diz. Hoje, morando em cidades diferentes, pai e filha tentam construir um espaço de aprendizado.

“SEM VERGONHA”

 Totalmente à vontade nas redes sociais, o influenciador digital carioca Rapha Vicente, de 21 anos, até os 15 tinha dificuldade para falar com a família sobre sexo e sexualidade. Agora, no entanto, o tema é discutido “sem vergonha” na casa dele com a madrinha Luciene Elias, de 65, e a avó Antônia da Silva, de 67. “Seja o que for, tem de ser conversado com a família”, ensina a madrinha.

A educadora Beatriz Melo, que preside a Liga de Educação Sexual da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, lembra que uma boa conversa pode até evitar que ocorra uma iniciação sexual por mera curiosidade. “Há estudos que apontam que quanto mais cedo você começa a falar sobre esse assunto, mais tarde os jovens iniciam a vida sexual porque a curiosidade foi sanada por uma conversa”, diz Beatriz.

PERGUNTAS & RESPOSTAS

TIRE SUAS DÚVIDAS

1. O QUE FAZER PARA QUE, NO PÓS-PANDEMIA, OS ADOLESCENTES SE DESENVOLVAM SEXUAL E AFETIVAMENTE DE FORMA SEGURA?

Para Laura Lindberg, demógrafa social e pesquisadora chefe do Guttmacher Institute, nos EUA, é preciso priorizar o acesso a informações de contracepção e reconhecer e apoiar a necessidade dos jovens por intimidade, encontrando formas saudáveis para que eles se relacionem. “Precisamos ajudá-los a equilibrar as coisas”, diz.

2. HÁ COMO FACILITAR A PRIMEIRA CONVERSA SOBRE AQUELE ASSUNTO COM MEU FILHO? Uma estratégia simples pode ser começar o papo a partir de temáticas e de discussões que aparecem em livros, filmes ou séries. Principalmente quando os conteúdos tem linguagem descontraída e fazem parte do universo adolescente. Sex Education, da Netflix, é uma boa referência.

3. MEU FILHO DESCONVERSA QUANDO TENTO PERGUNTAR ALGO. DEVO INSISTIR?

Nem sempre o adolescente estará disposto a falar. Inclusive, porque ele pode ainda estar processando uma informação ou um sentimento. Se você iniciar o papo e sentir que esse é o caso, diga apenas que estará à disposição quando ele precisar conversar.

4. COMO CRIAR UM AMBIENTE ACOLHEDOR PARA O DIÁLOGO?

Seu filho precisa compreender que tem liberdade para falar e que vai ser acolhido – e não julgado. Deixe claro que a conversa não vai ser exposta para outras pessoas.

5. COMO PAIS E EDUCADORES PODEM FALAR SOBRE MENSTRUAÇÃO?

 A normalização do ciclo menstrual deve fazer parte das conversas familiares. “É um sinal vital”, diz Chris Sobel, professora de estudos de Gênero e Sexualidade da Mulher na Universidade de Massachusetts Boston. Professores podem abordar o tema em várias aulas, da Química à Politica, segundo ela.

6. COMO SABER O QUE MEU FILHO TEM DE EDUCAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA?

Leia o projeto político-pedagógico para conhecer a identidade da instituição, bem como os métodos das aulas e os objetivos em relação ao tema. Nas reuniões, pergunte quais atividades estão planejadas. Vale também conversar com outros pais sobre a importância do assunto.

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